15/03/19 - Noites Astronómicas em Tavira
20:00 - Sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato. Esta sessão terá no seu foco reforçar os conhecimentos adquiridos do céu noturno das últimas sessões e observarmos o movimento aparente das estrelas que se apresenta ao longo destes três meses. Esta atividade é gratuita. A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes. Local:Forte do Rato Pré-inscrição obrigatória Telefones: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
29/03/19 - Observação Noturna + palestra - MUDANÇA DA HORA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável). Local:CCVAlg Adultos: 2€ | Jovens: 1€ Pré-inscrição:siga este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 08/03: 67.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler descobre a terceira lei do movimento planetário.
Em 1977, eram descobertos os anéis de Úrano durante observações aéreas de ocultações da NASA.
Em 1999, começa a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor.
Em 2002, o asteroide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de março.
Observações: Ainda temos duas semanas até ao início da primavera, mas Arcturo, considerada a "Estrela da Primavera", parece estar ansiosa por se dar a conhecer. Nasce a este-nordeste pouco depois da hora de jantar, dependendo da localização do observador.
Para saber para onde olhar, encontre a Ursa Maior assim que as estrelas comecem a aparecer; está alta a nordeste. Siga a curva da sua "pega" para baixo e para a direita, pouco mais que o seu comprimento. Esse é o local para onde olhar
no horizonte.
Dia 09/03: 68.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1934, nascimento de Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, o primeiro humano no espaço.
Em 1955, Walt Disney apresenta pessoalmente o primeiro programa televisivo de "Man in Space", no canal norte-americano ABC. Wernher von Braun, o engenheiro aeroespacial e Walt Dinsey, o artista, usaram este novo meio de comunicação que era a televisão para mostrar que os humanos podiam ir à Lua e além com base em tecnologias futuras e o desejo de exploração e descoberta.
Em 1961, é lançado com sucesso o Sputnik 9, que transporta um boneco humano com a alcunha de Ivan Ivanovich e demonstra que a União Soviética está pronta para os voos espaciais tripulados.
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espetáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Em 2011, o vaivém Discovery faz a sua aterragem final após 39 voos. Observações: Quando ficar totalmente noite, a Ursa Maior está alta a nordeste e a começar a inclinar-se para a esquerda. Olhe para a sua esquerda e encontra Estrela Polar e a Ursa Menor. Sem contar com a Polar, tudo o que conseguirá ver de Ursa Menor, através da poluição luminosa, são as duas estrelas que formam o limite exterior da sua "frigideira". Kochab (parecida com a Polar em termos de brilho) e, para baixo, a mais fraca Pherkad. Encontre estas duas "Guardiãs do Polo" para baixo e para a direita da Estrela Polar, a cerca de punho e meio à distância do braço esticado. Esta é a altura do ano em que as Guardiãs ficam exatamente alinhadas com a vertical ao final do lusco-fusco.
Dia 10/03: 69.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1977, os astrónomos descobrem os anéis de Úrano.
Em 2006, a Mars Reconnaissance Orbiter chega a Marte. Observações: Sirius está a sul logo após o lusco-fusco. É a estrela mais baixa do equilátero Triângulo de Inverno. As outras duas estrelas do Triângulo são a alaranjada Betelgeuse, para cima e para a direita de Sirius (ombro de Orionte) e Procyon para cima e para a esquerda de Sirius.
Depois da hora de jantar, aviste a Lua, já baixa a oeste. O ponto brilhante para cima do nosso satélite natural é o planeta Marte.
Dia 11/03: 70.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1811 nascia Urbain Le Verrier, que previu a existência de Neptuno usando apenas matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias na órbita de Úrano recorrendo às leis de Kepler e Newton.
Le Verrier enviou as coordenadas do suposto planeta a Johann Gottfried Galle, pedindo que verificasse a existência de tal objeto. Galle descobriu Neptuno na mesma noite em que recebeu a carta, a apenas 1º da posição prevista. A descoberta de Neptuno é largamente considerada como uma dramática validação da mecânica celeste e um dos momentos científicos mais marcantes do século XIX.
Em 1897, um meteoro entrava na atmosfera sobre New Martinsville (West Virginia, EUA) tendo-se estilhaçado sobre esta cidade, com muitos danos físicos. Observações: Se avistou ontem Marte e a Lua, olhe hoje novamente para o par. O nosso satélite natural encontra-se agora para a esquerda de Marte. É uma boa oportunidade fotográfica.
Curiosidades
Última contagem de exoplanetas descobertos: 3997 planetas em 2988 sistemas planetários, 651 são sistemas multiplanetários.
"Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
Imagem do HP3, obtida pela câmara acoplada ao braço robótico do InSight, no dia 4 de março de 2019.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DLR
O "lander" InSight da NASA tem uma sonda construída para martelar até 5 metros abaixo da superfície e medir o calor que vem de dentro do planeta Marte. Depois de começar a martelar no solo dia 28 de fevereiro, a sonda de 40 cm de comprimento - parte de um instrumento chamado HP3 (Heat and Physical Properties Package) - alcançou três-quartos do caminho para fora da sua estrutura de alojamento antes de parar. Não foi observado nenhum progresso significativo após uma segunda sessão de "marteladas" no passado sábado, dia 2 de março. Os dados sugerem que a sonda, conhecida como "toupeira", está a 15 graus de inclinação.
Os cientistas suspeitam que tenha atingido uma rocha ou algum cascalho. A equipa esperava que houvessem relativamente poucas rochas por baixo do solo, tendo em conta o baixo número que são visíveis, à superfície, em redor do módulo de aterragem. Mesmo assim, a toupeira foi desenhada para empurrar pequenas pedras para o lado ou para as contornar. O instrumento, fornecido pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), fê-lo repetidamente durante os testes antes do lançamento do InSight.
"A equipa decidiu fazer, por enquanto, uma pausa nos golpes subterrâneos, a fim de permitir que a situação seja analisada em mais detalhe e para traçar estratégias para superar este obstáculo," escreveu Tilman Spohn, investigador principal do HP3 do DLR. Ele acrescentou que a equipa quer evitar, durante mais ou menos duas semanas, mais marteladas.
Os dados mostram que a sonda, propriamente dita, continua a funcionar como esperado: após aquecer até 28º C, mede a rapidez com que o calor se dissipa no solo. Esta propriedade, conhecida como condutividade térmica, ajuda a calibrar os sensores embutidos num cabo que ligam à parte de trás da toupeira. Assim que a toupeira fique suficientemente profunda, estes sensores podem medir o calor natural de Marte vindo de dentro do planeta, que é gerado pelo decaimento de materiais radioativos e pela energia que sobra da formação de Marte.
A equipa vai realizar mais testes de aquecimento esta semana para medir a condutividade térmica da superfície superior. Também vão usar um radiómetro no convés do InSight para medir mudanças de temperatura à superfície. A lua de Marte, Fobos, vai passar esta semana várias vezes em frente do Sol; como uma nuvem passageira, o eclipse vai escurecer e arrefecer o solo em redor do "lander".
"Pesagem" do vento galáctico fornece pistas para a evolução das galáxias
A Galáxia do Charuto (M82) é famosa pela sua extraordinária velocidade em fabricar novas estrelas, 10 vezes mais depressa que a Via Láctea. Agora, foram usados dados do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) para estudar esta galáxia em mais detalhe, revelando como o material que afeta a evolução das galáxias pode entrar no espaço intergaláctico.
Os investigadores descobriram, pela primeira vez, que o vento galáctico que flui do centro da Galáxia do Charuto (M82) está alinhado com o campo magnético e transporta uma massa muito grande de gás e poeira - o equivalente a 50 a 60 milhões de sóis.
"O espaço entre as galáxias não está vazio," disse Enrique Lopez-Rodriguez, cientista da USRA (Universities Space Research Association) que trabalha na equipa do SOFIA. "Contém gás e poeira - que são as matérias-primas das estrelas e das galáxias. Agora, temos uma melhor compreensão de como esta matéria escapou do interior das galáxias ao longo do tempo."
Composição da Galáxia do Charuto (também chamada M82), uma galáxia "starburst" a cerca de 12 milhões de anos-luz na direção da constelação de Ursa Maior. O campo magnético detetado pelo SOFIA parece seguir os fluxos bipolares (vermelho) gerados pela intensa formação estelar explosiva. A imagem combina luz estelar visível (cinzento) e traços de hidrogénio gasoso (vermelho) do Observatório Kitt Peak, com luz estelar e poeira no infravermelho próximo e longínquo (amarelo) do SOFIA e do Telescópio Espacial Spitzer.
Crédito: NASA/SOFIA/E. Lopez-Rodriguez; NASA/Spitzer/J. Moustakas et al.
Além de ser um exemplo clássico de uma galáxia "starburst", o que significa que está a formar um número extraordinário de estrelas em comparação com a maioria das outras galáxias, M82 também tem ventos fortes que sopram gás e poeira para o espaço intergaláctico. Os astrónomos há muito que teorizam que estes ventos também arrastariam o campo magnético da galáxia na mesma direção, mas, apesar de vários estudos, não havia nenhuma prova observacional do conceito.
Usando o observatório aéreo SOFIA, os cientistas descobriram definitivamente que o vento da Galáxia do Charuto não só transporta uma quantidade enorme de gás e poeira para o meio intergaláctico, como também arrasta o campo magnético de modo que fica perpendicular ao disco galáctico. De facto, o vento arrasta o campo magnético a mais de 2000 anos-luz - quase a dimensão do próprio vento.
"Um dos principais objetivos desta investigação era o de avaliar quão eficientemente o vento galáctico pode arrastar o campo magnético," disse Lopez-Rodriguez. "Não esperávamos encontrar o campo magnético alinhado com o vento numa área tão grande."
Estas observações indicam que os fortes ventos associados ao fenómeno de formação estelar explosiva podem ser dos mecanismos responsáveis por "semear" material e injetar um campo magnético no meio intergaláctico próximo. Caso tenham ocorrido processos semelhantes no início do Universo, estes podem ter afetado a evolução fundamental das primeiras galáxias.
Os resultados foram publicados na edição de janeiro de 2019 da revista The Astrophysical Journal Letters.
O mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+ (High-resolution Airborne Wideband Camera-Plus), usa luz infravermelha longínqua para observar grãos de poeira celeste, que se alinham ao longo das linhas do campo magnético. Com estes resultados, os astrónomos podem inferir a forma e a direção do campo magnético, de outra maneira invisível. A radiação infravermelha longínqua fornece informações importantes sobre os campos magnéticos porque o sinal é limpo e não está contaminado pela emissão de outros mecanismos físicos, como a luz visível dispersa.
"O estudo dos campos magnéticos intergaláctico - e sua evolução - é fundamental para entender como as galáxias evoluíram ao longo da história do Universo," disse Terry Jones, professor emérito da Universidade de Minnesota, em Minneapolis, investigador principal deste estudo. "Com o instrumento HAWC+ do SOFIA, temos agora uma nova perspetiva sobre estes campos magnéticos."
Confirmado o primeiro candidato a exoplaneta do Telescópio Kepler, dez anos após o lançamento
Impressão de artista do sistema Kepler-1658. As ondas sonoras que se propagam pelo interior estelar foram usadas para caracterizar a estrela e o planeta. Kepler-1658b, que completa uma órbita em apenas 3,8 dias, foi o primeiro candidato a exoplaneta descoberto pelo Kepler há quase 10 anos.
Crédito: Gabriel Perez Diaz/Instituto de Astrofísica das Canárias
Uma equipa internacional de astrónomos liderada pela estudante Ashley Chontos da Universidade do Hawaii, anunciou a confirmação do primeiro candidato a exoplaneta identificado pela missão Kepler da NASA. O resultado foi apresentado na quinta Conferência Científica Kepler/K2 em Glendale, no estado norte-americano da Califórnia.
Lançado há quase exatamente 10 anos atrás, o Telescópio Espacial Kepler descobriu milhares de exoplanetas usando o método de trânsito - pequenas diminuições no brilho estelar quando um ou mais planetas passam em frente da estrela, da perspetiva do Sistema Solar. Dado que outros fenómenos podem imitar os trânsitos, os dados do Kepler revelam candidatos a planeta, mas são necessárias análises adicionais para os confirmar como planetas genuínos.
Apesar de ter sido o primeiro candidato a planeta descoberto pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA, o objeto agora conhecido como Kepler-1658b teve um caminho difícil até à confirmação. A estimativa inicial do tamanho da estrela-mãe estava incorreta, de modo que os tamanhos de Kepler-1658 e de Kepler-1658b foram amplamente subestimados. Mais tarde, foi posto de lado como falso positivo, quando os números não faziam muito sentido para os efeitos vistos na sua estrela para um corpo daquele tamanho. Por sorte, o primeiro projeto científico de Chontos, que se concentrou na reanálise das estrelas do Kepler, teve lugar na altura certa.
"A nossa nova análise, que usa ondas sonoras estelares observadas nos dados do Kepler para caracterizar a estrela hospedeira, demonstrou que a estrela é de facto três vezes maior do que se pensava anteriormente. Isto, por sua vez, significa que o planeta é três vezes maior, revelando que Kepler-1658b é na realidade um Júpiter quente," explicou Chontos. Com esta análise refinada, tudo indicava que o objeto era realmente um planeta, mas ainda era necessária confirmação com novas observações.
"Alertámos Dave Latham (astrónomo do Observatório Astrofísico do Smithsonian e coautor do artigo científico) e a sua equipa recolheu os dados espectroscópicos necessários para mostrar claramente que Kepler-1658b é um planeta," disse Dan Huber, coautor e astrónomo da Universidade do Hawaii. "Como um dos pioneiros da ciência exoplanetária e uma figura chave por trás da missão Kepler, foi particularmente apropriado que Dave fizesse parte desta confirmação."
Kepler-1658 é 50% mais massiva e três vezes maior que o Sol. O planeta recém-confirmado orbita a uma distância de apenas duas vezes o diâmetro da estrela, tornando-o um dos planetas mais próximos de uma estrela evoluída - uma que se assemelha a uma futura versão do nosso Sol. À superfície de Kepler-1658b, a estrela teria 60 vezes o diâmetro do Sol quando visto da Terra.
Os planetas em órbita de estrelas evoluídas, parecidas com Kepler-1658, são raros, e a razão para esta ausência é pouco compreendida. A natureza extrema do sistema Kepler-1658 permite que os astrónomos coloquem novas restrições nas interações físicas complexas que podem fazer com que os planetas entrem em espiral em direção às suas estrelas hospedeiras. Os detalhes sobre Kepler-1658b sugerem que este processo ocorre mais lentamente do que se pensava e, portanto, pode não ser o principal motivo para a falta de planetas em torno de estrelas mais evoluídas.
"Kepler-1658 é um exemplo perfeito de porque uma melhor compreensão das estrelas que hospedam exoplanetas é tão importante," disse Chontos. "Também nos diz que existem muitos tesouros por encontrar nos dados do Kepler."
O caso dos exoplanetas com elevada inclinação (via Universidade de Yale)
Há quase uma década que os astrónomos tentam explicar por que tantos pares de planetas para lá do nosso Sistema Solar têm uma configuração estranha - as suas órbitas parecem ter sido separadas por um mecanismo poderoso e desconhecido. Investigadores dizem agora ter encontrado uma possível resposta, e tal implica que os polos dos planetas estejam muito inclinados. Ler fonte
Álbum de fotografias - Sharpless 249 e a Nebulosa da Medusa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: dados - Steve Milne e Barry Wilson, Processamento - Steve Milne
Normalmente fraca e elusiva, a Nebulosa da Medusa foi aqui capturada neste sedutor mosaico telescópico. A cena é um mosaico construído usando dados de banda estreita, com emissão dos átomos de enxofre, hidrogénio e oxigénio vista em tons de vermelho, verde e azul. É ancorada, para a direita e para esquerda, por duas estrelas brilhantes, Mu e Eta Geminorum, no pé do gémeo celeste. A Nebulosa da Medusa, propriamente dita, está para a direita do centro e é o cume de emissão mais brilhante em forma de arco com tentáculos em baixo e para a esquerda do centro. De facto, a medusa cósmica faz parte do remanescente de supernova em forma de bolha IC 443, a nuvem de detritos em expansão de uma estrela massiva que já explodiu. A luz da explosão chegou pela primeira vez ao nosso planeta há mais de 30.000 anos atrás. Tal como o seu primo em águas astrofísicas, o remanescente de supernova da Nebulosa do Caranguejo, a Nebulosa da Medusa é conhecida por abrigar uma estrela de neutrões, o resto do núcleo estelar colapsado. A nebulosa de emissão conhecida como Sharpless 249 preenche o campo em cima e à esquerda. A Nebulosa da Medusa encontra-se a aproximadamente 5000 anos-luz. A essa distância, esta imagem mede mais ou menos 300 anos-luz de diâmetro.
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