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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1606  
  30/07 a 01/08/2019  
     
     
 
Astronomia no Verão
CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o mês de agosto:

06/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

07/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)

09/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)

09/08 - Tavira, a partir das 21:30, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)

10/08 - Praia de Faro, a partir das 13:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)

12/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)

13/08 - Albufeira, a partir das 21:00, no Miradouro que fica na descida do Pau da Bandeira em direção à praia do Inatel, junto ao acesso do Restaurante Reis dos Mares (atividade realizada pelo CCVAlg)

14/08 - Tavira, a partir das 22:00, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)

19/08 - Ria Formosa, a partir das 20:30, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim, astros e sons noturnos da Ria Formosa

20/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)

22/08 - Castelo de Paderne, a partir das 20:30 (atividade realizada pelo CCVAlg)

27/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)

 
     
 
Efemérides

Dia 30/07: 211.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1971, os astronautas da Apollo 15 pousam na Lua.

Observações: Eclipse de Io, entre as 19:22 e as 21:41.
A cauda de Escorpião está a sul logo após o anoitecer. Quão baixa, depende de quão para norte ou sul está o observador: quanto mais para sul, mais alta. Procure as duas estrelas especialmente próximas uma da outra na sua cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". As estrelas "Ohos de Gato" apontam para oeste na direção de Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". Estão orientadas quase exatamente do mesmo modo que Lambda e Upsilon, mas estão apenas separadas por 1/6 da distância. É necessário ter uma excelente visão para resolver as estrelas Mu sem binóculos.

Dia 31/07: 212.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1969, a Mariner 6 passava a 3330 km de Marte. Transmite imagens de alta resolução da superfície, concentradas na região equatorial. 
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta do nosso satélite natural.
Observações: Trãnsito de Europa, entre as 05:12 e as 07:49.
A "quarta" estrela do Triângulo de Verão: a estrel mais brilhante e próxima do Triângulo de Verão, caso queira torná-lo num quadrilátero, é Rasalhague, a cabeça de Ofíuco. Olhe para sul depois do cair da noite. Encontrará Rasalhague à mesma distância, para a direita, que Altair e para baixo e para a direita de Vega. Altair é atualmente a estrela mais baixa do Triângulo de Verão. Vega, quase por cima das nossas cabeças, é a sua estrela mais brilhante.

Dia 01/07: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.

Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.
Observações: Lua Nova, pelas 04:12.
Com o avanço do verão, o "Bule de Chá" de Sagitário está a sul por estas noites (para baixo e para a direita de Saturno). Está a começar a inclinar-se e a "deitar chá" para a direita. O "bule" vai inclinar-se ainda mais durante o resto do verão - ou durante o resto da noite se ficar acordado(a) até tarde.
Hoje é o dia de Lammas ou Lughnasadh (Festival da Primeira Colheita), um dos quatro dias tradicionais entre os solstícios e os equinócios. Mais ou menos. O ponto médio real entre o solstício de junho e o equinócio de setembro, este ano, ocorre no dia 7 de agosto às 12:52. Esse é o centro exato que balança o verão astronómico.

 
     
 
Curiosidades


Mira é a variável periódica mais brilhante do céu, que não é visível a olho nu durante parte do seu ciclo (magnitude máxima que pode variar entre 3,5 e 2,0; e magnitude mínima que pode variar entre 8,6 e 10,1).

 
 
   
Missão TESS completa primeiro ano de observações, vira-se para o céu do hemisfério norte
 
Ilustração de L 98-59b, o exoplaneta mais pequeno descoberto pelo TESS da NASA.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Ravyn Cullor
 

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu 21 planetas para lá do nosso Sistema Solar e capturou dados sobre outros eventos interessantes ocorridos no céu do hemisfério sul durante o seu primeiro ano de ciência. O TESS voltou agora a sua atenção para o hemisfério norte para completar a mais abrangente expedição de caça exoplanetária já realizada.

O TESS começou a caçar exoplanetas (ou mundos em órbita de estrelas distantes) no céu do hemisfério sul em julho de 2018, enquanto também recolhia dados sobre supernovas, buracos negros e outros fenómenos na sua linha de visão. Juntamente com os planetas descobertos pelo TESS, a missão já identificou mais de 850 candidatos a exoplaneta que aguardam confirmação por telescópios terrestres.

"O ritmo e a produtividade do TESS, no seu primeiro ano de operações, ultrapassaram em muito as nossas esperanças mais otimistas para a missão," disse George Ricker, investigador principal do TESS no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA. "Além de encontrar um conjunto diversificado de exoplanetas, o TESS também descobriu um tesouro de fenómenos astrofísicos, incluindo milhares de violentos objetos estelares variáveis."

Para procurar exoplanetas, o TESS usa quatro grandes câmaras para observar uma secção de 24 por 96 graus no céu durante 27 dias de cada vez. Algumas destas secções sobrepõem-se, de modo que algumas partes do céu são observadas durante quase um ano. O TESS está a concentrar-se em estrelas a menos de 300 anos-luz do nosso Sistema Solar, procurando trânsitos, quedas periódicas no brilho provocado por um objeto, como um planeta, passando em frente à estrela.

No dia 18 de julho, foi concluída a porção sul da pesquisa e a nave virou as suas câmaras para o norte. Quando completar a secção norte em 2020, o TESS terá mapeado mais de três-quartos do céu.

"O Kepler descobriu o incrível resultado que, em média, cada sistema estelar tem um planeta ou planetas em seu redor," disse Padi Boyd, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "O TESS dá o próximo passo. Se os planetas estão em toda a parte, então queremos encontrar aqueles que orbitam estrelas próximas e brilhantes, porque serão esses os que podemos agora acompanhar com telescópios terrestres e espaciais existentes, e a próxima geração de instrumentos durantes as décadas seguintes."

 

Ilustração do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) em frente de um planeta de lava em órbita da sua estrela-mãe. O TESS está a identificar milhares de potenciais novos planetas para estudo e observações futuras.
Crédito: NASA/GSFC
 

Aqui ficam alguns dos objetos e eventos interessantes que o TESS viu durante o seu primeiro ano.

Exoplanetas

Para se qualificar como um candidato a exoplaneta, um objeto deve fazer pelo menos três trânsitos nos dados do TESS, e passar por várias verificações adicionais para garantir que os trânsitos não são falsos positivos provocados por um eclipse ou por uma estrela companheira, mas que são, de factos, exoplanetas. Uma vez identificado um candidato, os astrónomos utilizam uma grande rede de telescópios terrestres para o confirmar.

"A equipa está focada atualmente em encontrar os melhores candidatos para confirmar por meio de acompanhamento no solo," disse Natalia Guerrero, que administra a equipa encarregada de identificar candidatos a exoplanetas no MIT. "Mas há muitos mais candidatos potenciais a exoplaneta nos dados ainda a serem analisados, por isso estamos apenas a ver aqui a ponta do iceberg. O TESS apenas arranhou a superfície."

Os planetas que o TESS descobriu até agora variam de um mundo com 80% do tamanho da Terra até aqueles comparáveis ou superiores aos tamanhos de Júpiter e Saturno. Tal como o Kepler, o TESS está a encontrar muitos planetas mais pequenos do que Neptuno, mas maiores do que a Terra.

Enquanto a NASA se esforça para colocar astronautas em alguns dos nossos vizinhos mais próximos - a Lua e Marte - a fim de entender mais sobre os planetas do nosso próprio Sistema Solar, observações posteriores com telescópios poderosos dos planetas que o TESS descobre vão permitir-nos entender melhor como a Terra e o Sistema Solar se formaram.

Com os dados do TESS, os cientistas que usam observatórios atuais e futuros, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão estudar outros aspetos dos exoplanetas, como a presença e a composição de qualquer atmosfera, que afetaria a possibilidade de desenvolvimento da vida.

Cometas

Antes do início das operações científicas, o TESS captou imagens nítidas de um cometa recém-descoberto no nosso Sistema Solar. Durante um teste dos instrumentos em órbita, as câmaras do satélite obtiveram uma série de imagens que capturaram o movimento de C/2018 N1, um cometa descoberto no dia 29 de junho pela NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA.

O TESS também capturou dados de objetos semelhantes para lá do Sistema Solar.

Exocometas

Os dados da missão também foram usados para identificar trânsitos de cometas em órbita de outra estrela: Beta Pictoris, localizada a 63 anos-luz de distância. Os astrónomos conseguiram encontrar três cometas que eram pequenos demais para serem planetas e tinham caudas detetáveis, a primeira identificação do seu tipo no visível.

Supernovas

Dado que o TESS passa quase um mês a observar na mesma direção, pode capturar dados sobre eventos estelares, como supernovas. Durante os seus primeiros meses de operações científicas, o TESS identificou seis supernovas em galáxias distantes que foram posteriormente descobertas por telescópios terrestres.

Os cientistas esperam usar estes tipos de observações para melhor entender as origens de um tipo específico de explosão conhecida como supernova do Tipo Ia.

As supernovas do Tipo Ia ocorrem em sistemas estelares onde uma anã branca extrai gás de outra estrela ou quando duas anãs brancas se fundem. Os astrónomos não sabem qual dos dois casos é o mais comum mas, com os dados do TESS, terão uma compreensão mais clara das origens destas explosões cósmicas.

As supernovas do Tipo Ia pertencem a uma classe de objetos chamada "vela padrão", o que significa que os astrónomos sabem quão luminosas são e podem usá-las para calcular parâmetros como a rapidez com que o Universo está a expandir-se. Os dados do TESS vão ajudar a compreender as diferenças entre as supernovas do Tipo Ia criadas em ambas as circunstâncias, o que poderá ter um grande impacto sobre como entendemos os eventos que ocorrem a milhares de milhões de anos-luz e, em última análise, sobre o destino do Universo.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Destaques do primeiro ano do TESS (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Exocometa:
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)
NASA

 
   
Astrónomos espiam Europa bloqueando estrela distante - graças à missão Gaia

No dia 31 de março de 2017, a lua de Júpiter Europa passou em frente de uma estrela de fundo - um evento raro que foi capturado pela primeira vez por telescópios terrestres graças aos dados fornecidos pela nave Gaia da ESA.

Anteriormente, só se tinha conseguido observar apenas outras duas luas de Júpiter - Io e Ganimedes - durante um evento como este.

Gaia opera no espaço desde o final de 2013. A missão visa produzir um mapa tridimensional da nossa Galáxia e caracterizar as inúmeras estrelas que chamam a Via Láctea de lar. Tem sido imensamente bem-sucedida até agora, revelando as posições e movimentos de mais de mil milhões de estrelas.

 

Estre "retrato de família" mostra uma composição de imagens de Júpiter, incluindo a sua Grande Mancha Vermelha e as suas quatro maiores luas. De cima para baixo, as luas são Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Europa tem quase o mesmo tamanho que a Lua da Terra, enquanto Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, é maior do que o planeta Mercúrio.
Enquanto Io é um mundo vulcanicamente ativo, Europa, Ganimedes e Calisto são gelados e podem ter oceanos de água líquida sob a sua crosta. Europa, em particular, pode até abrigar um ambiente habitável.
Júpiter e as suas grandes luas geladas vão ser o foco da missão Juice da ESA. A sonda vai percorrer o sistema joviano durante cerca de três anos e meio, incluindo "flybys" das luas. Também vai entrar em órbita de Ganimedes, a primeira vez que qualquer lua, além da nossa, é órbitada por uma nave espacial.
As imagens de Júpiter, Io, Europa e Ganimedes foram captadas ela sonda Galileo em 1996, enquanto a imagem de Calisto é da passagem rasante da sonda Voyager de 1979.
Crédito: NASA/JPL/DLR

 

O conhecimento das posições exatas das estrelas que vemos no céu permite que os cientistas determinem quando vários corpos do Sistema Solar parecem passar em frente de uma estrela de fundo a partir de um dado ponto de vista: um evento conhecido como ocultação estelar.

O Gaia não é estranho a tais eventos - o telescópio ajudou os astrónomos a fazer observações únicas da lua de Neptuno, Tritão, enquanto passava em frente de uma estrela distante em 2017, revelando mais sobre a atmosfera e sobre as propriedades da lua.

As ocultações são extremamente valiosas; permitem medições das características do corpo em primeiro plano (tamanho, forma, posição e mais) e podem revelar estruturas como anéis, jatos e atmosferas. Tais medições podem ser feitas a partir do solo - algo que Bruno Morgado (Observatório Nacional do Brasil e LIneA) e colegas aproveitaram para explorar a lua de Júpiter, Europa.

"Nós usámos dados da primeira divulgação de dados do Gaia para prever que, do nosso ponto de vista da América do Sul, Europa passaria em frente de uma estrela brilhante em março de 2017 - e para prever a melhor localização a partir da qual observar esta ocultação," disse Bruno, líder da investigação que escreveu um novo artigo que relata as descobertas da ocultação de 2017. O primeiro lançamento de dados do Gaia teve lugar em setembro de 2016.

"Isto deu-nos uma oportunidade maravilhosa para explorar Europa, já que a técnica fornece uma precisão comparável à das imagens obtidas por sondas espaciais."

Os dados do Gaia mostraram que o evento seria visível a partir de uma faixa espessa que corta de noroeste a sudoeste toda a América do Sul. Três observatórios localizados no Brasil e no Chile foram capazes de capturar dados - foram tentados um total de oito locais, mas muitos tiveram más condições climatéricas.

De acordo com as medições anteriores, as observações refinaram o raio de Europa para 1561,2 km, determinando precisamente a posição de Europa no espaço e em relação ao seu planeta hospedeiro, Júpiter, e caracterizaram a forma da lua. Ao invés de ser exatamente esférica, Europa é conhecida por ser elipsoide. As observações mostraram que a lua tem 1562 km quando medida exatamente numa direção (o chamado "semieixo maior" aparente) e 1560,4 km quando medida na direção perpendicular (o "semieixo menor" aparente).

 

Os astrónomos podem aprender muito sobre um corpo celeste observando-o à medida que passa em frente de uma estrela brilhante de fundo: um alinhamento conhecido como ocultação estelar.
Tais eventos são invulgares para as luas de Júpiter. De facto, até recentemente, apenas duas das luas do gigante gasoso - Io e Ganimedes - haviam sido observadas durante ocultações estelares. Agora, um estudo apresenta observações de outra das luas de Júpiter, Europa, que obscureceu uma estrela brilhante no dia 31 de março de 2017. Este evento permitiu que os astrónomos caracterizassem melhor o tamanho de Europa, a posição no espaço e em relação a Júpiter, e a sua forma tridimensional; eles usaram dados da primeira versão do dados do Gaia, lançada em setembro de 2016, sobre posições estelares para determinar a melhor localização a partir da qual observar o evento e, posteriormente, recolheram dados de três observatórios no Brasil e no Chile.
Júpiter está a passar por uma região do céu que tem como fundo o Centro Galáctico, tornando mais provável que as suas luas passem em frente de estrelas brilhantes de fundo. Com isto em mente, os investigadores também previram as datas e horários para várias outras ocultações de 2019 a 2021. Estão previstos sete eventos futuros: ocultações estelares de Europa (22 de junho de 2020), Calisto (20 de junho de 2020 e 4 de maio de 2021), Io (9 e 21 de setembro de 2019, 2 de abril de 2021) e Ganimedes (25 de abril de 2021).
Os tempos são apresentados em UTC ("Coordinated Universal Time", Tempo Universal Coordenado), com as datas e luas individuais também identificadas abaixo de cada visualização da Terra. As linhas azuis representam o tamanho máximo da sombra da lua sobre a Terra: as linhas pontilhadas vermelhas acompanham o centro do corpo, com um novo ponto a cada minuto; as áreas cinzas escuras e claras representam noite e dia em cada globo, respetivamente; e as setas marcam a direção em que essa sombra se deslocará. Os pontos vermelhos maiores representam o centro da lua no momento da maior aproximação.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC; Bruno Morgado (Observatório Nacional do Brasil/LIneA, Brasil) et al. (2019)

 

"É provável que possamos observar muitas mais ocultações como esta das luas de Júpiter em 2019 e 2020," acrescentou Bruno. "Júpiter está a passar por uma região do céu que tem como fundo o Centro Galáctico, tornando mais provável que as suas luas passem em frente de estrelas brilhantes de fundo. Isto realmente ajudar-nos-ia a definir as suas formas e posições tridimensionais - não apenas para as quatro maiores luas de Júpiter, mas também para as mais pequenas, mais irregulares."

Usando o segundo catálogo de dados do Gaia, lançado em abril de 2018, os cientistas preveem as datas de futuras ocultações de estrelas brilhantes pela lua Europa, Io, Ganimedes e Calisto nos próximos anos, e listam um total de 10 eventos de 2019 a 2021. Os eventos futuros incluem ocultações estelares de Europa (22 de junho de 2020), Calisto (20 de junho de 2020 e 4 de maio de 2021), Io (9 e 21 de setembro de 2019, 2 de abril de 2021) e Ganimedes (25 de abril de 2021).

As restantes três já tiveram lugar em 2019, duas das quais - ocultações estelares de Europa (4 de junho) e Calisto (5 de junho) - também foram observadas pelos cientistas e para as quais os dados ainda estão em análise.

As próximas ocultações serão observáveis mesmo com telescópios amadores tão pequenos quanto 20 cm a partir de várias regiões do mundo. A posição favorável de Júpiter, com o plano galáctico no fundo, só ocorrerá novamente 2031.

 

A missão Juice (Jupiter Icy Moons Explorer) da ESA embarcará numa viagem de sete anos a Júpiter a partir de maio de 2022. Terá o objetivo de investigar o surgimento de mundos habitáveis em torno de gigantes gasosos e o sistema de Júpiter como arquétipo dos numerosos planetas gigantes hoje conhecidos por orbitarem outras estrelas.
Durante a tour pelo sistema joviano, a sonda Juice fará dois "flybys" por Europa, que possui fortes evidências de um oceano de água líquida sob a sua crosta gelada. Juice vai observar as zonas ativas da lua, a sua composição de superfície e geologia, procurar zonas de água líquida sob a superfície e estudar o ambiente de plasma em torno de Europa.
Crédito: ESA

 

"Os estudos das ocultações estelares permitem-nos aprender mais sobre as luas do Sistema Solar de longe e também são relevantes para futuras missões que visitarão esses mundos," comentou Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA. "Como este resultado mostra, Gaia é uma missão extremamente versátil: não só avança o nosso conhecimento das estrelas, mas também do Sistema Solar mais amplamente."

Um conhecimento preciso da órbita de Europa ajudará a preparar as missões espaciais que têm este satélite joviano como alvo, como a Juice (JUpiter ICy moons Explorer) da ESA e a Europa Clipper da NASA, que devem ser lançadas na próxima década.

"Estes tipos de observações são extremamente excitantes," disse Olivier Witasse, cientista do projeto Juice da ESA. "Vai chegar a Júpiter em 2029; ter o melhor conhecimento possível das posições das luas do sistema ajudar-nos-á a preparar para a navegação da missão e à análise de dados futuros, e a planear toda a ciência que pretendemos fazer.

"Esta ciência depende de nós sabermos vários elementos como trajetórias precisas da lua e o conhecimento de quão próxima uma nave espacial chegará a um determinado corpo, de modo que quanto melhor o nosso conhecimento, melhor será esse planeamento - e a subsequente análise de dados."

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Encontradas duas estrelas "mortas" que se orbitam em minutos

Duas estrelas mortas foram vistas a orbitar-se uma à outra a cada sete minutos. A descoberta celeste rara foi feita usando o ZTF (Zwicky Transient Facility) do Caltech, um levantamento do céu topo-de-gama no Observatório Palomar que varre rapidamente o céu noturno à procura de qualquer coisa que se mova, pisque ou varie de brilho.

O novo duo dinâmico, oficialmente conhecido como ZTF J1539+5027, é o segundo par mais rápido de estrelas mortas que se orbitam, de nome anãs brancas, encontrado até hoje. O par é também o mais rápido "sistema binário eclipsante", o que significa que uma anã branca cruza repetidamente em frente da outra a partir do nosso ponto de vista. A natureza eclipsante das companheiras estelares é fundamental porque permite que os astrónomos aprendam os tamanhos, as massas e os períodos orbitais das estrelas.

Cada uma das recém-descobertas anãs brancas tem aproximadamente o tamanho da Terra, uma sendo um pouco menor e mais brilhante que a outra, e juntas têm uma massa equivalente à do nosso Sol. Os dois objetos orbitam muito próximos um do outro, a um-quinto da distância entre a Terra e a Lua; na verdade, as estrelas em órbita cabiam dentro do planeta Saturno. E completam uma volta em torno da outra a cada sete minutos a velocidades de centenas de quilómetros por segundo.

 
Impressão de artista de um par de anãs brancas, de nome ZTF J1530+5027. Este par "eclipsante" de anãs brancas orbita-se uma à outra a cada sete minutos: quando a estrela maior e mais fria passa em frente, ou eclipsa, a estrela mais pequena e quente, a luz da estrela mais pequena é bloqueada. Para os astrónomos que observam o sistema, o par parece ter desaparecido durante aproximadamente 30 segundos durante a fase eclipsante da sua órbita.
Crédito: Caltech/IPAC/R. Hurt
 

"À medida que a estrela mais fraca passa em frente da mais brilhante, bloqueia a maior parte da luz, resultando no padrão cintilante de sete minutos que vemos nos dado do ZTF," disse o estudante Kevin Burdge do Caltech, autor principal de um novo estudo sobre as estrelas publicado na edição de 25 de julho da revista Nature. "A matéria está a preparar-se para sair da anã branca, maior e mais leve, para a anã mais pequena e mais pesada, que acabará por absorver completamente a sua companheira mais leve. Já vimos muitos exemplos de um tipo de sistema em que uma anã branca foi canibalizada pela sua companheira, mas raramente avistamos sistemas onde ainda se estão a fundir, como neste."

O par também é único por ser uma das poucas fontes conhecidas de ondas gravitacionais - ondulações no espaço e no tempo - que serão captadas pela futura missão espacial europeia LISA (Laser Interferometer Space Antenna), que deverá ser lançada em 2034. LISA será semelhante ao LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) do NSF, que fez história em 2015 ao fazer a primeira deteção direta de ondas gravitacionais de um par de buracos negros em colisão. Mas o LISA detetará as ondas, no espaço, em frequências mais baixas.

"Estas duas anãs brancas estão a fundir-se porque estão a emitir ondas gravitacionais. Uma semana depois do LISA ficar ativo, deverá detetar as ondas gravitacionais deste sistema," diz o coautor Tom Prince, professor de física no Caltech e investigador sénior do JPL. "O LISA encontrará dezenas de milhares de sistemas binários como este na nossa Galáxia, mas até agora só conhecemos alguns. E este sistema binário de anãs brancas é um dos mais bem caracterizados devido à sua natureza eclipsante."

Um rápido piscar no céu noturno

O objeto raro foi detetado pela grande câmara de 576 megapixéis do ZTF, que varre rapidamente todo o céu a cada três noites e a maior parte do plano da Via Láctea todas as noites. Burdge encontrou ZTF J1539+5027 executando um programa de computador que rastreou 10 milhões de objetos cósmicos, procurando mudanças durante um período de três meses. Assim que encontrou objetos candidatos com o ZTF, Burdge usou o NOAO (National Optical Astronomy Observatory) em Kitt Peak para acompanhar e encontrar os candidatos mais promissores.

"Este par destacou-se porque o sinal repete-se com muita frequência e de maneira tão previsível," disse Burdge, membro da equipa do ZTF no Caltech. "Antes, não conseguíamos procurar objetos que mudam sistematicamente em escalas de tempo de minutos. O ZTF permite-nos fazer isso porque a sua câmara é enorme e porque pode facilmente tirar fotos do céu e depois voltar e repetir." Observações posteriores com o Telescópio Hale de 200 polegadas, no Observatório Palomar, ajudaram a refinar as medições do novo sistema.

"Apenas alguns meses depois de ficar ativo, os astrónomos do ZTF detetaram anãs brancas que se orbitam umas às outras num ritmo recorde," disse Anne Kinney, diretora assistente de ciências matemáticas e físicas do NSF. "É uma descoberta que melhorará em muito a nossa compreensão desses sistemas e é uma amostra das surpresas que ainda estão por vir."

 

O ZTF (Zwicky Transient Facility) descobriu um par de estrelas anãs brancas invulgares, de nome ZTF J1530+5027, que se orbitam uma à outra mais ou menos a cada sete minutos. A massa combinada das duas estrelas é idêntica à do nosso Sol.
Crédito: Caltech/IPAC/R. Hurt

 

Um par emaranhado

As anãs brancas começam as suas vidas como estrelas como o nosso Sol, exceto que estavam unidas como um par íntimo. À medida que as estrelas envelheceram, transformaram-se em gigantes vermelhas, embora não ao mesmo tempo. Com o tempo, as estrelas inchadas soltaram as suas camadas externas, deixando para trás duas estrelas mortas - as anãs brancas.

"Às vezes estas anãs brancas binárias fundem-se numa única estrela, e outras vezes a órbita aumenta à medida que a anã branca mais leve é gradualmente destruída pela mais massiva," explicou o coautor James (Jim) Fuller, professor assistente de astrofísica teórica no Caltech. "Não temos certeza do que acontecerá neste caso, mas a descoberta de mais sistemas deste tipo dir-nos-á com que frequência estas estrelas sobrevivem aos seus encontros imediatos."

Outro mistério que os investigadores esperam responder no futuro envolve a temperatura da anã branca mais quente, estimada em 50.000º C, ou nove vezes mais quente do que o Sol. Pensa-se que esta anã branca seja tão quente porque está a começar a "alimentar-se" da sua companheira e a puxar material, um processo que aquece este material a temperaturas escaldantes. Mas esta alimentação, ou processo de "acreção", é geralmente associado a raios-X, e os investigadores não estão a detetá-los.

"É estranho que não estejamos a ver raios-X neste sistema. Uma possibilidade é que os pontos de acreção na anã branca - as áreas para onde o material está a cair - sejam maiores do que o normal, e isso poderá resultar na emissão de luz ultravioleta e visível em vez de raios-X," acrescentou Burdge.

A equipa diz que a anã branca dupla, localizada a quase 8000 anos-luz de distância na direção da constelação de Boieiro, deverá continuar a piscar no céu noturno por aproximadamente cem mil anos. Os astrónomos amadores até poderão observar o par como um único ponto no céu, piscando a cada sete minutos, com a ajuda de um telescópio com pelo menos um metro de tamanho.

// Caltech (comunicado de imprensa)
// NOAO (comunicado de imprensa)
// Nature (artigo científico)

 


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ZTF:
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Observatório Palomar:
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Telescópio Hale
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LISA:
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  Lançando nova luz sobre a evolução das supernovas (via UNSW Canberra)
Uma equipa de investigação liderada pelo cientista Ivo Seitenzahl está a descobrir novas informações sobre a evolução das supernovas - um tópico de debate aceso entre os astrofísicos. Num novo artigo publicado na revista Physical Review Letters, a equipa explica como descobriram a emissão ótica de material expelido por remanescentes termonucleares de supernova. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Estrada Zodiacal
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ruslan Merzlyakov (RMS Photography)
 
O que é esta luz estranha no céu? Poeira que orbita o Sol. Em certas épocas do ano, uma faixa de poeira refletora de luz solar, situada no Sistema Solar interior, aparece proeminentemente logo após o pôr-do-Sol - ou pouco antes do nascer-do-Sol - e é chamada de luz zodiacal. Embora a origem dessa poeira ainda esteja a ser investigada, uma das principais hipóteses é que a poeira zodiacal tem origem principalmente nos cometas da família de Júpiter e que espirala lentamente para o Sol. Análises recentes da poeira emitida pelo Cometa 67P, visitado pela sonda robótica Rosetta da ESA, reforçam esta hipótese. Na foto, subindo acima da estrada que vai ter ao Parque Nacional de Teide, nas Ilhas Canárias, Espanha, um triângulo brilhante de luz zodiacal aparece à distância pouco depois do pôr-do-Sol. Capturada no dia 21 de junho, a cena inclui a brilhante Régulo, a estrela alfa de Leão, para cima e para a esquerda do centro. O Enxame do Presépio (M44) pode ser discernido para baixo do centro, mais perto do horizonte e também imerso no brilho da luz zodiacal.
 
   
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