Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:
09/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
09/08 - Tavira, a partir das 21:30, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)
10/08 - Praia de Faro, a partir das 13:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
12/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
13/08 - Albufeira, a partir das 21:00, no Miradouro que fica na descida do Pau da Bandeira em direção à praia do Inatel, junto ao acesso do Restaurante Reis dos Mares (atividade realizada pelo CCVAlg)
14/08 - Tavira, a partir das 22:00, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)
19/08 - Ria Formosa, a partir das 20:30, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim, astros e sons noturnos da Ria Formosa
20/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)
22/08 - Castelo de Paderne, a partir das 20:30 (atividade realizada pelo CCVAlg)
27/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)
(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)
Efemérides
Dia 09/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de março de 1974 o "orbiter"/"lander" falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se, assim, solar.
Em 1976, lançamento da soviética Luna 24, a última missão do programa Luna e a terceira a enviar amostras lunares. A cápsula aterrou na Terra no dia 22 de agosto do mesmo ano. Observações: Ocultação de Europa, entre as 02:46 e as 05:21.
A Lua Crescente brilha com Júpiter esta noite. Júpiter é 40 vezes maior do que a Lua, mas está 1830 vezes mais distante.
As quatro grandes luas de Júpiter, com mais ou menos o tamanho do nosso satélite natural, são meros pontos através de um telescópio pequeno
ou bons binóculos; estão alinhadas para este e oeste do planeta. Esta noite encontrará Europa para este de Júpiter e Io, Calisto e Ganimedes para oeste, contando de Júpiter para fora.
Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviassem foguetões à Lua já na década de 1920.
Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo.
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus.
Em 1992, lançamento do KITSAT-A, também conhecido como Uribyol (que significa "a nossa estrela"), o primeiro satélite lançado pela Coreia do Sul.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta ativo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobre o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço. Observações: Maior elongação oeste de Mercúrio, pelas 05:19.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 23:12 e as 01:52 (já de dia 11).
Dia 11/08: 223.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1962, lançamento da Vostok 3.
Tripulada por Andriyan Nikolayev, orbitou a Terra 64 vezes durante quase quatro dias, um feito que só seria alcançado pela NASA durante o programa Gemini (1965-66). As Vostok 3 e 4 foram lançadas com um dia de diferença e com trajetórias que as aproximaram até 6,5 km entre si. Os cosmonautas a bordo das duas cápsulas comunicaram via rádio, a primeira vez que tal aconteceu. Estas missões marcam a primeira vez que mais do que uma nave espacial estava em órbita à mesma altura.
Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX. Observações: Júpiter estacionário, pelas 17:00
Janela de oportunidade para ver as Perseídas. A chuva anual de meteoros das Perseídas tem o seu pico previsto para a noite de 12 para 13 de agosto, mas a Lua Crescente só se põe, essa noite, antes do amanhecer.
Poderá ter mais sorte um dia antes, na noite de 11 para 12 de agosto, quando o céu ficar escuro depois do pôr-da-Lua e antes do amanhecer.
Ocultação de Ganimedes, entre as 21:38 e as 00:24 (já de dia 12).
Dia 12/08: 224.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de Marte, Deimos, por Asaph Halldo Observatório Naval dos EUA.
Descobriu Fobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1887 nascia Erwin Schrödinger, físico austríaco e laureado com o Nobel, que desenvolveu um número de resultados fundamentais no campo da teoria quântica. Foi o autor de muitos outros trabalhos em vários campos da física.
Em 1960 era lançado o Echo 1A, o primeiro satélite experimental de comunicações, que é usado para redirecionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1962, lançamento da Vostok 4, um dia depois da Vostok 3. As Vostok 3 e 4 passaram a 6,5 km entre si no espaço, a primeira vez que duas naves estavam em órbita à mesma altura.
Em 1977, primeiro voo livre do vaivém espacial Enterprise. No mesmo ano, lançamento do HEAO-1, que estudou o céu em raios-X.
Em 1978, lançamento do ISEE-3, a primeira nave espacial a encontrar-se com um cometa. Depois de completar a sua missão original, foi reativada e dirigiu-se para passar pela cauda do Cometa Giacobini-Zinner no dia 11 de setembro de 1985. Também observou o Cometa Halley a uma distância de 28 milhões de quilómetros em março de 1986.
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Em 2005, lançamento da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter). Observações: Eclipse de Ganimedes, entre as 02:18 e as 05:17.
Ocultação de Io, entre as 03:33 e as 05:50.
Eclipse de Io, entre as 04:45 e as 07:02.
Úrano estacionário, pelas 07:00.
As Perseídas atingem o seu pico esta noite de 12 para 13 de agosto. Tem conseguido observar alguns meteoros nestas noites que antecedem o pico, depois do pôr-da-Lua?
Curiosidades
A observação de todas as estrelas do céu sem sair do mesmo local apenas é possível no equador.
ALMA mergulha na "esfera de influência" de buraco negro
O ALMA fez as medições mais precisas de gás frio girando em torno de um buraco negro supermassivo - o gigante cósmico no centro da gigantesca galáxia elíptica NGC 3258. A elipse multicolorida reflete o movimento do gás que orbita o buraco negro, o azul indicando movimento na nossa direção e o vermelho indicando movimento para longe de nós. A caixa inserida representa como a velocidade orbital muda com a distância ao buraco negro. Descobriu-se que o material gira mais depressa quanto mais perto os astrónomos observavam do buraco negro, permitindo-lhes calcular com precisão a sua massa: uns impressionantes 2,25 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), B. Boizelle; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello; Telescópio Espacial Hubble (NASA/ESA); Carnegie-Irvine Galaxy Survey
O que acontece dentro de um buraco negro fica dentro de um buraco negro, mas o que acontece dentro da "esfera de influência" de um buraco negro - a região mais interna de uma galáxia onde a gravidade de um buraco negro é a força dominante - é de grande interesse para os astrónomos e pode ajudar a determinar a massa de um buraco negro bem como o seu impacto na sua vizinhança galáctica.
Novas observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) fornecem uma visão sem precedentes de um disco rodopiante de gás interestelar frio em torno de um buraco negro supermassivo. Este disco está no centro de NGC 3258, uma enorme galáxia elíptica a cerca de 100 milhões de anos-luz da Terra. Com base nestas observações, uma equipa liderada por astrónomos da Universidades A&M do Texas e da Universidade da Califórnia, em Irvine, determinou que este buraco negro tem uma massa equivalente a 2,25 mil milhões de sóis, o buraco negro mais massivo medido, até agora, com o ALMA.
Embora os buracos negros supermassivos possam ter massas de milhões a milhares de milhões de vezes a massa do Sol, representam apenas uma pequena fração da massa de uma galáxia inteira. Isolar a influência da gravidade de um buraco negro das estrelas, do gás interestelar e da matéria escura é um grande desafio e requer observações altamente sensíveis em escala fenomenalmente pequenas.
"A observação do movimento orbital o mais próximo possível de um buraco negro é de vital importância quando se determina com precisão a massa do buraco negro," disse Benjamin Boizelle, investigador pós-doutorado da Universidade A&M do Texas e autor principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Estas novas observações de NGC 3258 demonstram o incrível poder do ALMA em mapear, com detalhes impressionantes, a rotação de discos gasosos em torno de buracos negros supermassivos."
Impressão de artista de um disco de material girando em torno de um buraco negro supermassivo.
Crédito: NRAO/AUI/NSF
Os astrónomos usam uma variedade de métodos para medir as massas dos buracos negros. Em galáxias elípticas gigantes, a maioria das medições vem de observações do movimento orbital de estrelas em redor do buraco negro, captadas no visível ou no infravermelho. Outra técnica, usando masers naturais de água (lasers no rádio) em nuvens de gás que orbitam em torno de buracos negros, fornece uma maior precisão, mas estes masers são muito raros e estão associados quase exclusivamente a galáxias espirais com buracos negros mais pequenos.
Ao longo dos últimos anos, o ALMA desbravou caminho ao utilizar um novo método para estudar buracos negros em galáxias elípticas gigantes. Cerca de 10% das galáxias elípticas contêm discos giratórios de gás frio e denso nos seus centros. Estes discos contêm monóxido de carbono (CO) gasoso, que pode ser observado com radiotelescópios no comprimento de onda milimétrico.
Usando o efeito Doppler da emissão das moléculas de CO, os astrónomos podem medir as velocidades das nuvens de gás em órbita, e o ALMA possibilita a resolução dos próprios centros de galáxias onde as velocidades orbitais são mais altas.
"A nossa equipa investiga galáxias elípticas próximas com o ALMA há já vários anos com o objetivo de encontrar e estudar discos de gás molecular girando em torno de buracos negros gigantes," acrescentou Aaron Barth da Universidade da Califórnia em Irvine, coautor do estudo. "NGC 3258 é o melhor alvo que já encontrámos, porque podemos rastrear a rotação do disco para mais perto do buraco negro do que em qualquer outra galáxia."
Tal como a Terra orbita o Sol mais depressa do que Plutão, pois é-lhe exercida uma maior força gravitacional, as regiões mais internas do disco de NGC 3258 orbitam mais depressa do que as partes mais externas devido à gravidade do buraco negro. Os dados do ALMA mostram que a velocidade de rotação do disco sobe de 1 milhão de quilómetros por hora na sua orla externa, a cerca de 500 anos-luz do buraco negro, para mais de 3 milhões de quilómetros por hora perto do centro do disco, a uma distância de apenas 65 anos-luz do buraco negro.
Os investigadores determinaram a massa do buraco negro modelando a rotação do disco, tendo em conta a massa adicional das estrelas na região central da galáxia e outros detalhes como a forma ligeiramente distorcida do disco gasoso. A deteção clara da rápida rotação permitiu que os cientistas determinassem a massa do buraco negro com uma precisão inferior a 1%, embora tenham estimado uma incerteza sistemática adicional de 12% na medição porque a distância até NGC 3258 não é conhecida com muita precisão. Mesmo considerando a incerteza na distância, esta é uma das medições mais precisas da massa de qualquer buraco negro para lá da nossa Galáxia.
"O próximo desafio é encontrar mais exemplos de discos giratórios quase perfeitos como este, para que possamos aplicar este método de medir massas de buracos negros numa amostra maior de galáxias," concluiu Boizelle. "Observações adicionais do ALMA, que atingirem este nível de precisão, ajudar-nos-ão a entender melhor o crescimento das galáxias e dos buracos negros por todo o Universo."
A Lua e Mercúrio podem ter espessos depósitos de água gelada
De acordo com uma nova análise de dados das sondas LRO e MESSENGER, a Lua e Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, podem conter significativamente mais água gelada do que se pensava anteriormente.
Os potenciais depósitos de gelo encontram-se em crateras próximas dos polos de ambos os mundos. Na Lua, "descobrimos que as crateras rasas tendem a estar localizadas em áreas onde o gelo à superfície foi previamente detetado perto do polo sul da Lua, e inferimos que esta menor profundidade é mais provável devido à presença de densos depósitos enterrados de água gelada," disse o autor principal Lior Rubanenko da Universidade de Califórnia em Los Angeles.
Ilustração concetual de crateras rasas e geladas, permanentemente à sombra, perto do polo sul lunar.
Crédito: UCLA/NASA
No passado, observações telescópicas e por naves espaciais encontraram depósitos de gelo semelhantes a glaciares em Mercúrio, mas ainda não na Lua. O novo trabalho levanta a possibilidade de que depósitos espessos e ricos em gelo também existem na Lua. A investigação pode não apenas ajudar a resolver a questão sobre a aparente baixa abundância de gelo lunar em relação à de Mercúrio, mas também pode ter aplicações práticas: "Se confirmado, este potencial reservatório de água gelada na Lua pode ser suficientemente massivo para sustentar uma exploração lunar a longo prazo," comentou Noah Petro, cientista do projeto LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.
Os polos de Mercúrio e da Lua estão entre os lugares mais frios do nosso Sistema Solar. Ao contrário da Terra, os eixos de rotação de Mercúrio e da Lua estão orientados de tal modo que, nas suas regiões polares, o Sol nunca se eleva acima do horizonte. Consequentemente, as depressões topográficas polares, como as crateras de impacto, nunca veem o Sol. Postulou-se, durante décadas, que estas regiões permanentemente à sombra são tão frias que qualquer gelo preso dentro delas pode sobreviver durante milhares de milhões de anos.
Observações prévias dos polos de Mercúrio com radar terrestre revelaram uma assinatura característica de depósitos espessos de gelo puro. Mais tarde, a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging) fotografou estes depósitos de gelo. "Mostrámos que os depósitos polares de Mercúrio são compostos predominantemente de água gelada e amplamente distribuídos nas regiões polares norte e sul de Mercúrio," disse Nancy Chabot, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. "Os depósitos de gelo de Mercúrio parecem ser muito menos remendados do que os da Lua e relativamente frescos, talvez colocados ou revigorados nas últimas dezenas de milhões de anos."
Estudos anteriores de radar e imagem da Lua, cujos ambientes térmicos polares são muito semelhantes aos de Mercúrio, encontraram apenas depósitos superficiais e irregulares de gelo. Esta diferença notável serviu como motivação para o trabalho dos investigadores da UCLA - uma análise comparativa das crateras polares de Mercúrio e da Lua para aprofundar esta diferença entre os dois mundos. A investigação foi publicada no dia 22 de julho na revista Nature Geoscience.
As superfícies de Mercúrio e da Lua estão marcadas por muitas crateras de impacto. Estas crateras são formadas quando meteoroides ou cometas colidem com a superfície. A equipa analisou crateras simples formadas por corpos mais pequenos e menos energéticos. Estas depressões são mantidas juntas pela força da camada de poeira superficial, ou rególito, e tendem a ser mais circulares e simétricas do que as grandes crateras. Os cientistas da UCLA exploraram esta simetria inerente para estimar a espessura do gelo preso dentro de crateras simples.
O estudo usou dados de elevação obtidos pela MESSENGER e pela LRO para medir aproximadamente 15.000 crateras simples com diâmetros que variam entre 2,5 e 15 km em Mercúrio e na Lua. Os cientistas descobriram que as crateras se tornam até 10% mais rasas perto do polo norte de Mercúrio e do polo sul da Lua, mas não no polo norte da Lua.
Os autores concluíram que a explicação mais provável para estas crateras mais rasas é a acumulação de depósitos de água gelada em ambos os mundos. Apoiando esta conclusão, os investigadores descobriram que as encostas voltadas para os polos destas crateras são ligeiramente mais rasas do que as encostas voltadas para o equador, e que esta menor profundidade é mais significativa em regiões que promovem a estabilidade do gelo devido à órbita de Mercúrio em torno do Sol. O sinal topográfico detetado pelos cientistas é relativamente mais proeminente em crateras simples mais pequenas, mas não exclui a possibilidade de que o gelo seja mais difundido em crateras maiores no polo lunar.
Adicionalmente, ao contrário de Mercúrio, onde o gelo se mostra quase puro, os depósitos detetados na Lua provavelmente estão misturados com o rególito, possivelmente numa formação em camadas. A idade típica das crateras simples examinadas pelos investigadores indica que podem, potencialmente, acumular água gelada posteriormente misturada com o rególito sobreposto durante longas escalas de tempo. Os cientistas descobriram que estes depósitos inferidos de gelo enterrado estão correlacionados com as localizações de gelo superficial já detetadas. Esta descoberta pode implicar que os depósitos expostos de gelo podem ser exumados, ou podem resultar da difusão molecular da profundidade.
Novas descobertas do Curiosity, sete anos depois da aterragem
Este panorama de um local chamado "Teal Ridge" foi capturado pela MastCam do Curiosity no dia 18 de junho de 2019, ou durante o 2440.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS (ver panorama completo)
O rover Curiosity da NASA percorreu um longo caminho desde que chegou a Marte, há sete anos atrás. Já viajou um total de 21 quilómetros e subiu 368 metros até à sua posição atual. Ao longo do caminho, o Curiosity descobriu que Marte teve condições para suportar vida microbiana no passado, entre outras coisas.
E o rover está longe de terminar, tendo acabado de perfurar a sua 22.ª amostra da superfície marciana. Tem mais alguns anos pela frente até que o seu sistema de energia nuclear se degrade o suficiente para limitar significativamente as operações. Depois, uma gestão cuidadosa da sua energia permitirá que o rover continue a estudar o Planeta Vermelho.
O Curiosity está agora a metade de uma região que os cientistas chamam de "unidade argilosa" do lado do Monte Sharp, dentro da Cratera Gale. Há milhares de milhões de anos, existiam riachos e lagos dentro da cratera. A água alterou os sedimentos depósitados nos lagos, deixando para trás muitos minerais argilosos na região. Esse sinal de argila foi detetado pela primeira vez, do espaço, pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, alguns anos antes do lançamento do Curiosity.
Este mosaico de imagens mostram um pedregulho chamado "Strathdon", composto por muitas camadas complexas. O rover Curiosity da NASA captou estas imagens usando a sua Mastcam no dia 9 de julho de 2019, ou durante o 2461.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
"Esta área é uma das razões pelas quais viemos para a Cratera Gale," disse Kristen Bennnett do USGS (U.S. Geological Survey), colíder da campanha da unidade argilosa do Curiosity. "Há 10 anos que estudamos imagens orbitais desta área e, finalmente, podemos olhar de perto."
As amostras rochosas que o rover perfurou aqui revelaram as maiores quantidades de minerais argilosos já encontradas durante a missão. Mas o Curiosity detetou quantidades similarmente altas de argila noutras partes do Monte Sharp, inclusive em áreas onde a MRO não detetou argila. Isto levou os cientistas a perguntar o porquê das diferenças entre as descobertas orbitais e à superfície.
A equipa científica está a pensar em possíveis razões pelas quais os minerais de argila aqui se destacaram para a MRO. O rover encontrou uma "zona repleta de cascalho e pedregulhos" quando aqui chegou, disse Valerie Fox do Caltech, também colíder da campanha. Uma ideia é que os seixos são a chave: embora os seixos individuais sejam demasiado pequenos para serem vistos pela MRO, podem aparecer coletivamente para o orbitador como um único sinal de argila espalhado pela área. A poeira também assenta mais facilmente sobre rochas planas do que sobre seixos; essa mesma poeira pode obscurecer os sinais visto do espaço. Os pedregulhos são demasiado pequenos para o Curiosity perfurar, de modo que a equipa científica está a procurar outras pistas para resolver este quebra-cabeça.
Este mosaico de imagens mostra camadas de sedimentos de uma rocha chamada "Strathdon", vista pela câmara MAHLI (Mars Hand Lens Imager) do rover Curiosity da NASA. As imagens foram obtidas no dia 10 de julho de 2019, ou durante o 2462.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
O Curiosity saiu desta zona rochosa em junho e começou a encontrar características geológicas mais complexas. Parou para obter uma panorâmica de 360 graus num afloramento chamado "Teal Ridge". Mais recentemente, capturou imagens detalhadas de "Strathdon", uma rocha feita de dúzias de camadas sedimentares que endureceram numa pilha quebradiça e ondulada. Ao contrário das camadas finas e planas associadas com os sedimentos de lagos, as camadas onduladas nestas características sugerem um ambiente mais dinâmico. Vento, água corrente ou ambos podem ter moldado esta área.
Tanto "Teal Ridge" como "Strathdon" representam mudanças na paisagem. "Estamos a ver uma evolução no antigo ambiente de lago registado nestas rochas," disse Fox. "Não foi apenas um lago estático. Está a ajudar-nos a passar de uma visão simplista de Marte, indo do molhado para o seco. Em vez de um processo linear, a história da água é mais complicada."
O Curiosity está a descobrir uma história mais rica e complexa por trás da água no Monte Sharp - um processo que Fox comparou a finalmente poder ler os parágrafos num livro - um livro denso, com páginas arrancadas, mas um conto fascinante de montar.
Planetas "mortos" podem continuar a "transmitir" até mil milhões de anos (via Universidade de Warwick)
Os astrónomos planeiam caçar núcleos de exoplanetas em torno de anãs brancas "sintonizando" as ondas de rádio que emitem. Numa nova investigação, cientistas determinaram as melhores anãs brancas candidatas para dar início à sua pesquisa, com base na sua probabilidade em albergar núcleos planetários sobreviventes e na força do seu sinal de rádio que nós podemos "sintonizar". Ler fonte
Estudo sugere que planetas gelados semelhantes à Terra podem suportar vida (via União Geofísica Americana)
Os planetas gelados, que antes se achavam serem demasiado frios para sustentar vida, podem ter áreas habitáveis acima do gelo, desafiando a suposição típica de quais os tipos de planetas que podem ser habitáveis, sugere um novo estudo. Ler fonte
Álbum de fotografias - O Vazio Local do Universo Próximo
Qual é o aspeto da nossa região no Universo? Dado que as galáxias estão tão espalhadas no céu, e dado que a nossa Via Láctea bloqueia parte do céu distante, tem sido difícil descobrir. No entanto, foi feito um novo mapa usando movimentos de galáxias em larga escala para inferir quais os objetos massivos que devem estar a gravitar no Universo próximo. O mapa em destaque, abrangendo mais de 600 milhões de anos-luz de lado, mostra que a nossa Via Láctea está na borda do Enxame Galáctico de Virgem, que está ligado ao Grande Atractor - um agrupamento ainda maior de galáxias. Também nas proximidades, o gigantesco Enxame de Coma (Cabeleira de Berenice) e o Superenxame de Perseu-Peixe. Por outro lado, também estamos à beira de uma enorme região quase vazia de galáxias, conhecida como Vazio Local. O impulso repulsivo do Vazio Local, combinado com a atração gravitacional em direção à elevada densidade galáctica, no outro lado do céu, explica parte da misteriosa alta velocidade que a nossa Galáxia possui em relação ao fundo cósmico de micro-ondas - mas não completamente. Se quiser explorar o Universo Local, determinado pelo Cosmicflows-3, está convidado a ampliar e a girar esta visualização 3D interativa.
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