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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1956  
  06/12 a 08/12/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Quando acaba este ano?
Data: 7 de dezembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Por que é que não se chama ao mês 12 Dozembro? Esta e outras curiosidades anuais estarão em destaque na apresentação, que será seguida de observação noturna com telescópio se a meteorologia o permitir.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 06/12: 340.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1586 nascia Niccolò Zucchi, astrónomo, físico e jesuita italiano. Pode ter sido o primeiro a ver as bandas de Júpiter (no dia 17 de maio de 1630), e reportou manchas em Marte em 1640. No seu livro, "Optica philosophia experimentis et ratione a fundamentis constituta", publicado em 1652-56, descrevia experiências ocorridas em 1616 com um espelho curvo em vez de uma lente como objetiva telescópica, o que pode ser a descrição mais antiga de um telescópio refletor.
Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.

Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte.
Observações: Nesta altura do ano a Ursa Maior está o mais baixa pouco depois do cair da noite, a norte. Pela meia-noite está na vertical a nordeste, apoiada na sua "pega" - enquanto Cassiopeia desceu a noroeste para ficar também quase na vertical, apoiado no lado brilhando do seu "W".

Dia 07/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido nos Países Baixos que descobriu luas de Úrano e Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar

Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. CernanRonald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua
Em 1995, a nave Galileu chega a Júpiter, pouco mais de seis anos depois de ter sido lançada pelo vaivém espacial Atlantis durante a missão STS-34.
Em 2015, a sonda japonesa Akatsuki entra com sucesso em órbita de Vénus, cinco anos após a primeira tentativa.
Observações: Aproveite a noite para observar Marte, que está praticamente em oposição (pelas 06:00 de dia 8). Tem magnitude -1,8, mais brilhante do que as estrelas da sua constelação de fundo, Touro. O planeta encontra-se para baixo e para a esquerda da Lua.

Dia 08/12: 342.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra. Passa novamente pela Terra no mesmo dia, mas em 1992.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa a cerca de 80.800 km de distância do planeta Vénus.

Observações: Lua Cheia, pelas 04:08.
Marte em oposição, pelas 06:00.
Assim que Orionte suba a este-sudeste depois da hora de jantar (para baixo e para a direita da Lua e de Marte), procure Gémeos também ganhando altitude para a esquerda de Orionte (vistos a partir de latitudes médias norte). As estrelas que correspondem às cabeças dos Gémeos, Castor e Pollux, estão do lado esquerdo da constelação - uma sobre a outra, com Castor no topo. A figura dos Gémeos está de lado.

 
 
   
A haver fosfina em Vénus, é em quantidades mesmo muito pequenas

Na ausência de observações diretas de vida extraterrestre, os cientistas concentram-se frequentemente na procura por bioassinaturas, subprodutos químicos da vida, que podem ser avistados com deteção remota. Embora Marte tenha recebido a maior atenção a este respeito, também têm sido investigados outros mundos do Sistema Solar com atmosferas.

Em 2021, os astrónomos planetários relataram uma deteção do gás fosfina na atmosfera de Vénus utilizando observações rádio terrestres. A concentração do gás foi inicialmente relatada como sendo de 20 partes por milhar de milhão, mas posteriormente revista para 7 ou menos partes por milhar de milhão, com base numa melhor calibração e análise dos dados. Na Terra, a fosfina pode estar associada a processos biológicos, e os investigadores estão a estudar se o gás pode ser utilizado como sinal de vida noutros planetas.

 
Imagem de Vénus compilada usando dados da sonda Mariner 4 em 1974.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A suposta deteção de fosfina foi recebida com ceticismo devido a dificuldades na calibração dos dados e na análise dos dados recolhidos a partir do solo. As tentativas de acompanhamento, que visaram também a deteção da fosfina na atmosfera de Vénus, utilizando outros telescópios terrestres e espaciais, também não produziram nenhuma deteção definitiva. Cordiner et al. contribuem com outro conjunto de medições a partir de uma plataforma de observação única: o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy).

O recentemente aposentado avião SOFIA voava a uma altitude de 13 quilómetros, acima da maioria da atmosfera terrestre, reduzindo em muito a contaminação do sinal de fosfina proveniente de fontes terrestres. Os investigadores utilizaram o instrumento alemão GREAT (German Receiver for Astronomy at Terahertz Frequencies) do SOFIA, que tem uma resolução espectral muito alta, para recolher dados espectroscópicos no infravermelho distante 75-110 quilómetros acima da superfície de Vénus, o que está muito perto do intervalo de altitudes medido pelo estudo anterior.

Os investigadores relatam que os dados recolhidos pelo GREAT durante os três voos de observação não revelaram evidências claras de fosfina. A haver fosfina na atmosfera de Vénus, e assumindo que a abundância é constante ao longo do tempo, as novas observações indicam um limite superior para a sua concentração de 0,8 partes por milhar de milhão. Este nível é o limite superior mais rigoroso apresentado até à data para todo o hemisfério visível de Vénus.

Muitas complexidades da densa atmosfera de Vénus continuam a ser intrigantes para os cientistas planetários. A próxima grande descoberta poderá chegar quando a sonda DAVINCI (Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble Gases, Chemistry, and Imaging) da NASA mergulhar até à superfície do planeta, o que está previsto ocorrer no início da década de 2030.

// Eos (comunicado de imprensa)
// NASA (blog)
// Artigo científico (Geophysical Research Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
04/01/2022 - Podem formas de vida neutralizar ácido e criar regiões habitáveis nas nuvens de Vénus?
29/01/2021 - Novo estudo mostra que a suposta fosfina em Vénus é provavelmente dióxido de enxofre
15/09/2020 - Descoberto possível marcador de vida em Vénus

Vénus:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia

Fosfina:
Wikipedia

SOFIA:
NASA
Wikipedia

 
   
Webb observa nuvens na lua de Saturno, Titã
 
Imagens lado a lado da lua de Saturno, Titã, capturadas pelo NIRCam do Webb a 4 de novembro de 2022, que mostram nuvens e outras características. A imagem da esquerda tem vários tons de vermelho. A imagem da direita tem vários tons de branco, azul e castanho. Pode consultar aqui a versão legendada.
Crédito: NASA, ESA, CSA, A. Pagan (STScI), equipa Titan GTO do JWST
 

Estas são imagens da lua de Saturno, Titã, capturadas pelo instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA no dia 4 de novembro de 2022. A imagem à esquerda utiliza um filtro sensível à atmosfera inferior de Titã. As manchas brilhantes são nuvens proeminentes no hemisfério norte. A imagem à direita é uma composição a cores.

Titã é a única lua no Sistema Solar com uma atmosfera densa e é também o único corpo planetário além da Terra que atualmente tem rios, lagos e mares. Porém, ao contrário da Terra, o líquido à superfície de Titã é composto por hidrocarbonetos, incluindo metano e etano, não água. A sua atmosfera tem uma névoa espessa que obscurece a luz visível que é refletida da superfície.

Os cientistas esperaram anos para utilizar a visão infravermelha do Webb e assim estudar a atmosfera de Titã, incluindo os seus fascinantes padrões meteorológicos e composição gasosa, e também ver através da névoa para estudar as características do albedo (manchas brilhantes e escuras) à superfície. Esperam-se mais dados do NIRCam e do NIRSpec, bem como os primeiros dados do MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb em maio ou junho de 2023. Os dados do MIRI vão revelar uma parte ainda maior do espectro de Titã, incluindo alguns comprimentos de onda nunca antes vistos. Isto dará aos cientistas informações sobre os complexos gases na atmosfera de Titã, bem como pistas cruciais para decifrar a razão pela qual Titã é a única lua do Sistema Solar com uma atmosfera densa.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (blog)

 


Saiba mais

Titã:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
NASA
The Nine Planets
Solarviews
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Novos minerais descobertos em meteorito massivo podem revelar pistas da formação do seu asteroide

Uma equipa de investigadores descobriu pelo menos dois novos minerais que nunca tinham sido vistos na Terra num meteorito de 15 toneladas encontrado na Somália - o nono maior meteorito jamais encontrado.

"Sempre que se encontra um novo mineral, isso significa que as condições geológicas, a química da rocha, era diferente de tudo o que foi encontrado antes", diz Chris Herd, professor no Departamento de Ciências da Terra e da Atmosfera e curador da Coleção de Meteoritos da Universidade de Alberta. "É isso que torna isto excitante: neste meteorito em particular temos dois minerais oficialmente descritos que são novos para a ciência".

 
Uma "fatia" do meteorito El Ali, agora armazenado na Coleção de Meteoritos da Universidade de Alberta, que contém dois minerais nunca antes vistos na Terra.
Crédito: Universidade de Alberta
 

Os dois minerais encontrados provêm de uma "fatia" com 70 gramas que foi enviada para a Universidade de Alberta para classificação, e já parece haver um potencial terceiro mineral em consideração. Herd realça que se os investigadores obtiverem mais amostras do enorme meteorito, há uma hipótese de que ainda mais possam ser encontrados.

Os dois minerais recentemente descobertos foram denominados elaliite e elkinstantonite. O nome do primeiro vem do próprio meteorito, apelidado meteorito "El Ali" porque foi encontrado perto da cidade de El Ali, na região de Hiraan, na Somália. O nome do segundo mineral honra Lindy Elkins-Tanton, vice-presidente da Iniciativa Interplanetária da Universidade Estatal do Arizona, professora na Escola de Exploração da Terra e do Espaço da mesma universidade e investigadora principal da futura missão Psyche da NASA.

"Lindy tem trabalhado muito na formação dos núcleos dos planetas, como se formam estes núcleos de níquel e ferro, e o análogo mais próximo que temos são os meteoritos ferrosos. Portanto, fazia sentido dar o seu nome a um mineral e reconhecer as suas contribuições para a ciência", explica Herd.

Em colaboração com investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Herd classificou o meteorito El Ali como "ferroso, do grupo IAB", um dos mais de 350 nessa categoria em particular.

Enquanto Herd analisava o meteorito para o classificar, ele viu algo que chamou a sua atenção. Pediu ajuda a Andrew Locock, chefe do Laboratório de Microssondas Eletrónicas da Universidade de Alberta, que esteve envolvido noutras novas descrições minerais, incluindo Heamanite-(Ce).

"Logo no primeiro dia em que fez algumas análises, disse, 'Tens aqui pelo menos dois novos minerais'", comenta Herd. "Ffoi fenomenal. Na maior parte do tempo é preciso muito mais trabalho do que isso para dizer que há um novo mineral".

A rápida identificação de Locock foi possível porque os dois minerais já tinham sido criados sinteticamente, pelo que ele conseguiu fazer corresponder a composição dos minerais naturais com os seus homólogos de origem artificial.

Os investigadores continuam a examinar os minerais para determinar o que nos podem mais dizer sobre as condições no meteorito quando este se formou.

"Essa é a minha especialidade - a forma como descobrimos os processos geológicos e a história geológica do asteroide do qual esta rocha já fez parte", diz Herd. "Nunca pensei estar envolvido na descrição de novos minerais apenas em virtude de trabalhar num meteorito".

Herd também realça que quaisquer novas descobertas minerais podem eventualmente ter excitantes utilizações no futuro.

"Sempre que há um novo material que é conhecido, os cientistas também ficam interessados devido às potenciais utilizações numa vasta gama de coisas para a sociedade".

Embora o futuro do meteorito continue incerto, Herd diz que os investigadores receberam a notícia de que parece ter sido transferido para a China em busca de um potencial comprador. Resta saber se estarão disponíveis amostras adicionais para fins científicos.

// Universidade de Alberta (comunicado de imprensa)
// Palestra sobre as descobertas (vídeo MP4)

 


Saiba mais

Elaliite:
Wikipedia

Elkinstantonite:
Wikipedia

Meteorito El Ali:
The Meteoritical Society
Wikipedia

Meteoritos IAB:
Wikipedia

Meteoritos ferrosos:
Wikipedia

Missão Psyche:
NASA
Universidade Estatal do Arizona
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Marte em Estéreo Perto da Oposição
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Marco Lorenzi
 
Marte está bem nítido nestas duas vistas telescópicas capturadas em finais de novembro a partir de Singapura, planeta Terra. Na altura, Marte estava a cerca de 82 milhões de quilómetros de Singapura e aproximava-se da sua oposição, no lado oposto do Sol no céu do planeta Terra, a 8 de dezembro. Olympus Mons, o maior dos vulcões na região de Tharsis Montes (e o maior vulcão conhecido do Sistema Solar), está perto do limbo ocidental de Marte. Em ambas as imagens, é o "donut" mais claro para cima e para a direita. A área escura visível perto do centro é a região de Terra Sirenum, enquanto a longa península escura mais próxima do limbo oriental do planeta é Sinus Gomer. Perto da sua ponta está a cratera Gale, o local de aterragem do rover Curiosity em 2012. Acima de Sinus Gomer, as manchas mais claras são outros vulcões na região de Elysium. No topo do planeta está a calote polar norte, coberta de gelo e nuvens. Capturadas com cerca de dois de intervalo, estas imagens do mesmo hemisfério marciano formam um par estéreo. Olhe para o centro da imagem e cruze os olhos até que as imagens separadas se juntem para ver o Planeta Vermelho em 3D.
 
   
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