DIA 29/03: 89.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1807, Vesta, o asteroide mais brilhante e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Heinrich Wilhem Olbers.
Em 1941 nascia Joseph Hooton Taylor, Jr., astrofísico americano.
Foi laureado com o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta, em conjunto com Russell Alan Hulse, de um novo tipo de pulsar num sistema binário, que usou para demonstrar a existência da radiação gravitacional, prevista por Einstein.
Em 1974, a sonda Mariner 10 torna-se a primeira a passar por Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
Será que ainda consegue observar Mercúrio a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita de Júpiter, ao lusco-fusco? Está a desvanecer rapidamente!
DIA 30/03: 90.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1982, termina a missão STS-3, com a aterragem do Columbia no Novo México.
Em 2017, a SpaceX leva a cabo a sua primeira reutilização de um foguetão de classe orbital. HOJE, NO COSMOS:
O cometa 12P/Pons-Brooks encontra-se baixo a oeste logo após o anoitecer. Com uma magnitude prevista de 5,2, é observável através de binóculos e interessante através de um telescópio. Hoje está a cerca de 0,5º para a direita e um pouco para baixo de Hamal (Carneiro).
DIA 31/03: 91.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, lançamento da sonda soviética Luna 10, que mais tarde se torna na primeira a orbitar a Lua.
Em 1970, o Explorer 1 reentra na atmosfera da Terra (após 12 anos em órbita).
Em 2016, o astronauta da NASA Scott Kelly e o cosmonauta Mikhail
Kornienko regressam à Terra após uma missão de quase um ano na Estação Espacial Internacional. HOJE, NO COSMOS:
Não se esqueça de mudar a hora do seu relógio. Em Portugal Continental e na Madeira adiantamos uma hora às 01:00, passando para as 02:00. Nos Açores a hora adianta 60 minutos às 00:00.
Nesta altura do ano, as duas estrelas mais brilhantes das duas constelações dos cães alinham-se verticalmente depois da hora de jantar. Olhe a sudoeste. A brilhante estrela Sirius, de Cão Maior, está em baixo, e Procyon, de Cão Menor, está bem para cima.
DIA 01/04: 92.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1960 os Estados Unidos lançavam o primeiro satélite meteorológico, TIROS-1, que produz também a primeira imagem televisiva a partir do espaço.
Em 1976, o efeito gravitacional Joviano-Plutoniano, um embuste do "Dia das Mentiras", é pela primeira vez anunciado pelo astrónomo Patrick Moore.
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp passa o periélio. HOJE, NO COSMOS:
Após o anoitecer, Sirius brilha a sul-sudoeste. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo (da direita para a esquerda) de Adhara, Wezen e Aludra. Formam a pata traseira, o rabo e a cauda de Cão Maior, respetivamente. Ou, alternativamente, a extremidade e "pega" do "cutelo".
Logo para a sua esquerda, formando um arco de estrelas de terceira e quarta magnitudes, estão as três estrelas superiores da constelação da Popa. Esta constelação fazia parte da antiga e maior constelação de Argo Navis, o navio de Jasão e os Argonautas, mas agora está dividida em três: Popa, Quilha e Vela. Este arco de estrelas são as únicas estrelas da antiga constelação de Argo Navis que conseguimos ver razovalmente bem a latitudes médias norte.
A apenas 1,5º para cima e para a direita do meio das três estrelas, os binóculos, numa noite escura, podem mostrar o enxame aberto M93 (sexta magnitude).
CURIOSIDADES
Apesar de nunca ter sido concebido como caçadora cometária, a sonda SOHO descobriu, no passado dia 25 de março de 2024, o seu 5000.º cometa, graças a um cientista cidadão da Chéquia. Há 28 anos que a SOHO estuda o Sol.
12P/Pons-Brooks: como e quando observar o "Cometa do Diabo"
Imagem, composta por 7 exposições de 300 segundos, do Cometa 12P/Pons-Brooks obtida na noite de 28 de julho de 2023 por um observatório remoto (refletor de 0,5 metros) situado no deserto do estado norte-americano do Utah. Note os "chifres" do cometa.
Crédito: Filipp Romanov
Um cometa "diabólico", que há mais de 70 anos que não visitava o Sistema Solar interior, poderá ser visível a olho nu ao longo das próximas semanas. De nome 12P/Pons-Brooks, fará a sua maior aproximação ao Sol no dia 21 de abril, altura em que estará no seu brilho máximo.
Para nós que nos encontramos no hemisfério norte, este cometa periódico terá provavelmente a sua melhor visibilidade entre agora e meados de abril, embora não seja fácil de detetar. Não é espetacularmente brilhante como vemos nas suas fotografias de céu profundo e de longa exposição. Mas é visível a olho nu, caso a Lua não esteja no céu, num local com pouca poluição luminosa e com um céu limpo. Sem estas boas condições, então é melhor tentar observar através de uns binóculos.
Podemos recorrer a um simples smartphone, com aplicações astronómicas que mostram onde as coisas estão no céu, ou a um mapa celeste que já tenhamos ao nosso dispor. O cometa é uma pequena mancha difusa e acinzentada atualmente perto de Hamal, a estrela mais brilhante da constelação de Carneiro.
Imagem que mostra a posição do Cometa 12P/Pons-Brooks no céu da noite de 29 de março, mas com o seu percurso diário de dia 27/03 até 12/04. Nos dias 30 e 31 de março estará bastante perto da estrela Hamal, de Carneiro. Durante 11 e 12 de abril o cometa estará também bastante perto de Júpiter a partir da perspetiva do nosso planeta (tenha em atenção que a posição de Júpiter no dia 11 de abril não será exatamente a mesma que a que está nesta imagem de dia 29 de março)
Crédito: Miguel Montes, Starry Night Pro Plus 8
Para avistar o cometa Pons-Brooks, os observadores deverão olhar para perto do horizonte a oeste-noroeste após o pôr-do-Sol. Completa uma órbita a cada 71,3 anos e, portanto, só será novamente visível em 2095.
Esta "bola de neve" suja tem provavelmente 34 km de diâmetro e foi reconhecida como cometa em 1812. No entanto, já tinha sido observado no século XIV. Tem o nome do astrónomo francês Jean-Louis Pons - que o descobriu no início do século XIX - e do astrónomo britânico-americano William Robert Brooks, que o observou na órbita seguinte, em 1883.
O cometa Pons-Brooks tem suscitado muito interesse e entusiasmo nos últimos meses, em parte devido a algumas características invulgares. As fotografias mostram uma "curiosa" cor esverdeada, que se deve ao facto de conter uma molécula chamada carbono diatómico (também conhecida como dicarbono ou C2), que absorve a luz do Sol e irradia parte dela naquele tom verde característico.
O outro atributo interessante tem sido a sua ocasional aparência semelhante a chifres, daí a alcunha "Cometa do Diabo". A razão pela qual estas formas de chifres aparecem é porque o cometa é criovulcânico, o que significa que entra em erupção regularmente e liberta poeira, gases e gelo quando a pressão aumenta no seu interior à medida que é aquecido.
Astrónomos descobrem intensos campos magnéticos em espiral nas bordas do buraco negro central da Via Láctea
A colaboração EHT (Event Horizon Telescope), que, em 2022, publicou a primeira imagem de sempre do buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Via Láctea, captou uma nova visão deste objeto em luz polarizada. Trata-se da primeira vez que os astrónomos conseguem medir a polarização, uma assinatura dos campos magnéticos, tão perto da borda de Sagitário A*. Na imagem, as linhas sobrepostas marcam a orientação da polarização, que está relacionada com o campo magnético em torno da sombra do buraco negro.
Crédito: Colaboração EHT
Uma nova imagem da colaboração EHT (Event Horizon Telescope) revelou campos magnéticos fortes e organizados a espiralar desde a borda do buraco negro supermassivo Sagitário A* (Sgr A*). Com observações feitas pela primeira vez em luz polarizada, a nova imagem do monstro que se esconde no coração da Via Láctea revelou um campo magnético com uma estrutura muito semelhante à do buraco negro situado no centro da galáxia M87, sugerindo que os campos magnéticos intensos podem ser comuns a todos os buracos negros. Esta semelhança aponta também para a existência de um jato oculto em Sgr A*. Os resultados foram publicados na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.
Em 2022, os cientistas revelaram a primeira imagem de Sgr A* durante conferências de imprensa em todo o mundo, incluindo no ESO. Embora o buraco negro supermassivo da Via Láctea, que se encontra a cerca de 27.000 anos-luz de distância da Terra, seja pelo menos mil vezes mais pequeno e menos massivo do que o de M87, o primeiro buraco negro a ser fotografado, as observações revelaram que os dois têm um aspeto bastante semelhante, o que levou os cientistas a perguntarem-se se estes buracos negros partilhariam características comuns para além da sua aparência. Para o descobrir, a equipa decidiu estudar Sgr A* em luz polarizada. Estudos anteriores da luz em torno do buraco negro de M87 (M87*) revelaram que os campos magnéticos à sua volta permitiam que o buraco negro lançasse poderosos jatos de material para o seu meio circundante. Com base neste trabalho, as novas imagens revelaram agora que o mesmo pode ser verdade para Sgr A*.
"O que estamos a observar são campos magnéticos fortes, torcidos e organizados perto do buraco negro situado no centro da Via Láctea”, disse Sara Issaoun, bolseira Einstein do Programa de Bolsas Hubble da NASA a trabalhar no Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, EUA, e colíder do projeto. "Se juntarmos a isto o facto de Sgr A* ter uma estrutura de polarização muito semelhante à observada no muito maior e mais poderoso buraco negro M87*, parece-nos que campos magnéticos fortes e ordenados são fundamentais para a forma como os buracos negros interagem com o gás e a matéria que os rodeia.”
A colaboração EHT (Event Horizon Telescope), que nos mostrou a primeira imagem de um buraco negro divulgada em 2019, revelou uma nova vista do objeto massivo situado no centro da galáxia Messier 87 (M87): o buraco negro em luz polarizada. Esta é a primeira vez que os astrónomos conseguiram medir polarização, uma assinatura de campos magnéticos, tão perto da borda de um buraco negro.
Esta imagem mostra o buraco negro de M87 em luz polarizada. As linhas marcam a orientação da polarização, a qual está relacionada com o campo magnético existente em torno da sombra do buraco negro.
Crédito: Colaboração EHT
A luz é uma onda eletromagnética oscilante, ou em movimento, que nos permite ver objetos. Por vezes, a luz oscila numa orientação preferencial, a que chamamos "polarizada". Apesar de estarmos rodeados por luz polarizada, aos olhos humanos essa luz é indistinguível da luz dita "normal". No plasma que rodeia estes buracos negros, as partículas que giram em torno das linhas de campo magnético conferem-lhe um padrão de polarização perpendicular ao campo, o que permite aos astrónomos ver com muito detalhe o que se passa nas regiões dos buracos negros e mapear as suas linhas de campo magnético.
"Ao obtermos imagens em luz polarizada de gás quente incandescente perto de buracos negros, estamos a inferir diretamente a estrutura e intensidade dos campos magnéticos que acompanham o fluxo de gás e matéria que o buraco negro consome e ejeta", explica Angelo Ricarte, bolseiro da Iniciativa Buracos Negros de Harvard e colíder do projeto. "A luz polarizada ensina-nos mais sobre a astrofísica, as propriedades do gás e os mecanismos que ocorrem quando um buraco negro atrai matéria para si."
No entanto, obter imagens de buracos negros em luz polarizada não é tão fácil como usar um par de óculos de sol polarizados. Isto é particularmente verdadeiro no caso de Sgr A*, que apresenta variações tão rápidas que não consegue ficar parado para lhe tirarmos fotografias. Para captar imagens deste buraco negro supermassivo precisamos de ferramentas sofisticadas, melhores que as anteriormente utilizadas para capturar M87*, um alvo muito mais estável. O cientista do Projeto EHT, Geoffrey Bower, do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sinica, em Taipé, explica: "uma vez que Sgr A* se move bastante enquanto tentamos fotografá-lo, foi até difícil obter a sua imagem em luz não polarizada", acrescentando que a primeira imagem foi, na realidade, criada a partir de uma média de várias imagens. "Ficámos aliviados com o facto da imagem polarizada ser de todo possível. Alguns modelos mostravam ser demasiado confusos e turbulentos para se conseguir construir uma imagem polarizada, no entanto a Natureza não foi tão cruel para connosco como os modelos antecipavam."
Mariafelicia De Laurentis, cientista adjunta do Projeto EHT e professora na Universidade de Nápoles Federico II, Itália, disse: "Com uma amostra de dois buracos negros — com massas muito diferentes e galáxias hospedeiras muito diferentes também — é importante determinar em que é que eles concordam e discordam. Uma vez que ambos possuem fortes campos magnéticos, esta pode muito bem ser uma característica universal e talvez fundamental deste tipo de sistemas. Uma das semelhanças entre estes dois buracos negros pode ser um jato, mas embora tenhamos captado um muito óbvio em M87*, ainda não encontrámos nenhum em Sgr A*".
Comparação dos tamanhos dos dois buracos negros para os quais a Colaboração EHT (Event Horizon Telescope) obteve imagens: M87*, no coração da galáxia Messier 87, e Sagitário A* (Sgr A*), no centro da Via Láctea. A imagem mostra a escala de Sgr A* em comparação com M87* e com outros elementos do Sistema Solar, tais como as órbitas de Plutão e Mercúrio. Também podemos ver o diâmetro do Sol e a atual localizacão da sonda Voyager 1, a mais afastada da Terra. M87*, que se situa a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância, é um dos maiores buracos negros conhecidos. Enquanto Sgr A*, a 27.000 anos-luz de distância de nós, tem uma massa de cerca de quatro milhões de vezes a massa solar, M87* tem 600 vezes mais massa que Sgr A*. Devido às suas distâncias relativas à Terra, ambos os buracos negros parecem ter o mesmo tamanho no céu.
Crédito: Colaboração EHT (reconhecimento - Lia Medeiros, xkcd)
Para observar Sgr A*, a colaboração juntou oito telescópios de todo o mundo num único telescópio virtual da dimensão da Terra, o EHT. O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, e o APEX (Atacama Pathfinder Experiment), ambos no norte do Chile, fizeram parte da rede que efetuou as observações em 2017.
"Como o maior e mais poderoso dos telescópios do EHT, o ALMA desempenhou um papel fundamental na obtenção desta imagem", diz María Díaz Trigo, cientista do Programa ALMA europeu, do ESO. "O ALMA está agora a planear uma 'remodelação extrema', o Wideband Sensitivity Upgrade, que o tornará ainda mais sensível e o manterá como infraestrutura fundamental em futuras observações EHT de Sgr A* e de outros buracos negros."
O EHT realizou várias observações desde 2017 e estão programadas observações de Sgr A* novamente em abril de 2024. Todos os anos as imagens melhoram, já que o EHT vai incorporando novos telescópios, maior largura de banda e novas frequências de observação. As expansões planeadas para a próxima década permitirão a realização de filmes de alta fidelidade de Sgr A*, poderão revelar um jato oculto e permitirão aos astrónomos observar características de polarização semelhantes noutros buracos negros. Entretanto, a extensão do EHT ao espaço permitirá obter imagens de buracos negros mais nítidas do que nunca.
Integral avista explosões gigantes que alimentam jatos de uma estrela de neutrões
Esta impressão de artista mostra como as explosões nucleares numa estrela de neutrões alimentam os jatos libertados das suas regiões polares magnéticas.
Quando em órbita com outra estrela, o intenso campo gravitacional da estrela de neutrões pode "sugar" material da companheira próxima. O material rodopia em direção ao objeto em colapso, rodeando-o, formando um disco e, por fim, mergulhando na superfície. A gravidade que se abate sobre a superfície da estrela de neutrões comprime violentamente o material acumulado (constituído principalmente por hidrogénio), provocando uma explosão nuclear descontrolada. Isto, por sua vez, faz com que os jatos se intensifiquem subitamente e ejetem partículas para o espaço a uma velocidade muito elevada.
Uma estrela de neutrões que esteja a engolir material de uma companheira próxima é uma poderosa fonte celeste de raios X e de ondas de rádio. Os cientistas utilizaram instrumentos a bordo do satélite Integral da ESA e dos radiotelescópios ATCA (Australia Telescope Compact Array) da CSIRO para monitorizar um destes sistemas intrigantes durante muitas horas.
Pela primeira vez, observaram uma ligação clara entre as erupções de raios X e os picos no sinal de rádio. Revelaram como a explosão desencadeia um aumento do fluxo de material no jato que é lançado para o espaço a um-terço da velocidade da luz. Este resultado abre uma nova janela para investigar como os jatos se formam nas estrelas de neutrões e noutros objetos celestes, e para estabelecer se existe uma ligação direta entre a velocidade de rotação de um objeto e a potência e velocidade dos seus jatos.
Crédito: Danielle Futselaar e Nathalie Degenaar, Instituto Anton Pannekoek, Universidade de Amesterdão
O telescópio espacial de raios gama da ESA, Integral, desempenhou um papel decisivo na observação de jatos de matéria expelidos para o espaço a um-terço da velocidade da luz. A matéria e a energia foram libertadas quando ocorreram enormes explosões na superfície de uma estrela de neutrões. Esta observação inédita provou ser "uma experiência perfeita" para explorar jatos astrofísicos de todos os tipos.
Os jatos são produzidos por muitos objetos astronómicos diferentes, mas o seu estudo é difícil. Estes fluxos de matéria são distantes e é um desafio ver as suas características. Isto torna extremamente difícil o rastreio da matéria em movimento para assim compreender como o jato está a ser lançado e acelerado.
No entanto, uma equipa internacional de astrónomos, incluindo Thomas Russell, do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), Palermo, Itália, apercebeu-se de que certos tipos de estrelas de neutrões poderiam abrir uma nova via de investigação.
As estrelas de neutrões são "cadáveres" estelares supercompactos. Quando em órbita com outra estrela, o intenso campo gravitacional da estrela de neutrões pode acabar por puxar matéria da sua estrela companheira. Parte desta matéria acumulada é então expelida em jatos que se afastam ao longo do eixo de rotação da estrela de neutrões, e o resto da matéria espirala para a estrela de neutrões. Aí, acumula-se como uma camada à superfície. À medida que mais e mais material "chove" sobre a estrela de neutrões, o campo gravitacional comprime-o até se iniciar uma explosão nuclear descontrolada. Isto cria um evento cataclísmico conhecido como erupção de raios X de tipo I.
A equipa pensou que esta súbita libertação de matéria e energia, da superfície da estrela de neutrões, afetaria o jato e que poderiam medir esta perturbação à medida que se propagava para longe. Se assim fosse, isso proporcionaria um novo e poderoso método para estudar estes eventos violentos e energéticos. Atualmente, conhecemos cerca de 125 estrelas de neutrões que se comportam desta forma.
"Isto dá-nos basicamente uma experiência perfeita", diz Thomas. "Temos um impulso muito breve e de curta duração de material extra que é disparado para o jato e que podemos seguir à medida que se desloca no jato para conhecer a sua velocidade".
À caça
Trata-se de uma medição crucial porque, uma vez estudado um número suficiente de estrelas de neutrões em acreção, a velocidade do jato pode revelar o mecanismo de lançamento dominante e mostrar se o jato é alimentado por campos magnéticos ancorados no material acretado ou na própria estrela. A equipa identificou duas estrelas de neutrões, denominadas 4U 1728-34 e 4U 1636-536, respetivamente, que mostraram um comportamento explosivo em raios-X. No entanto, na altura, apenas 4U 1728-34 era suficientemente brilhante, no rádio, para realizar a experiência com o detalhe necessário.
Depois houve um problema prático. Ao passo que as explosões eram visíveis em raios X, o jato só emitia ondas de rádio. Assim, a equipa precisava de coordenar as observações radiotelescópicas na Terra para que ocorressem em simultâneo com as do satélite Integral, que é capaz de ver em raios X. Mas era impossível prever exatamente quando é que uma destas explosões ia acontecer.
Impressão de artista de uma estrela de neutrões. As linhas que ligam um polo ao outro representam o intenso campo magnético. As linhas que se prolongam para longe a partir dos polos representam os jatos que periodicamente são lançados para o espaço.
Crédito: ESA
"Estas erupções repetem-se de duas em duas horas, mas não se pode prever exatamente quando vão acontecer. Por isso, temos de olhar para o sistema durante muito tempo com os telescópios e esperar apanhar um par de explosões", diz Jakob van den Eijnden, membro da equipa, da Universidade de Warwick, Reino Unido.
As observações rádio foram efetuadas durante três dias com o ATCA (Australia Telescope Compact Array) da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), registando um total de cerca de 30 horas de tempo de observação entre os dias 3 e 5 de abril de 2021. O Integral observou a partir do espaço. Foi a única missão de alta energia capaz de manter esta longa vigília. A sua órbita grande e alongada permitia-lhe observar o objeto celeste durante muitas horas seguidas. No final das observações, o Integral tinha captado 14 explosões de raios X de 4U 1728-34, das quais 10 ocorreram quando a fonte era visível para o ATCA.
Mas houve uma grande surpresa. "Com base no que tínhamos visto anteriormente nos dados de raios X, pensávamos que a explosão iria destruir o local onde o jato estava a ser lançado. Mas vimos exatamente o contrário: uma forte entrada no jato em vez de uma perturbação", diz Nathalie Degenaar, membro da equipa, da Universidade de Amesterdão, Países Baixos.
Claramente, o mecanismo do jato era mais robusto do que se pensava. A capacidade de seguir a matéria extra injetada ao longo do jato, a comprimentos de onda do rádio, permitiu à equipa calcular que o material estava a ser lançado a uns incríveis 35-40% da velocidade da luz.
"Nunca antes tínhamos sido capazes de antecipar e observar diretamente como uma certa quantidade de gás era canalizada para um jato e acelerado para o espaço", diz Erik Kuulkers, membro da equipa e cientista da ESA.
Um novo método para estudar jatos
Tendo agora provado que isto é possível, a técnica permitirá aos astrónomos estudar muitas mais estrelas de neutrões com erupções de raios X. Isto ajudá-los-á a compreender e a relacionar o lançamento de jatos com características específicas, tais como a rotação e a quantidade de gás que cai na sua superfície. Para quem estuda estes fenómenos, estas são as questões mais prementes. A sua resposta terá impacto nos estudos que vão para além das estrelas de neutrões, porque os jatos são criados por muitos objetos astronómicos.
Desde estrelas recém-formadas a buracos negros supermassivos no centro das galáxias, os jatos podem também ser produzidos por eventos cataclísmicos como explosões de supernovas e explosões de raios gama. Desempenham um papel importante em todo o Universo, desde o transporte de elementos exóticos sintetizados em explosões cósmicas para o espaço interestelar, até ao aquecimento de nuvens de gás circundantes que alteram a forma e o local de formação de novas estrelas.
Uma vez que se pensa que todos os jatos astrofísicos são lançados de forma semelhante, nomeadamente pela interação da matéria com campos magnéticos em objetos celestes em rotação, os novos resultados terão grande aplicabilidade em muitos estudos do cosmos. "Este resultado abre uma janela completamente nova para a compreensão da forma como os jatos astrofísicos são alimentados, em estrelas de neutrões e também noutros objetos astronómicos produtores de jatos", diz Erik.
Buracos negros supermassivos adormecidos despertados brevemente por estrelas destruídas (via Caltech)
Uma nova investigação acerca de uma classe obscura de galáxias conhecida como CSOs (Compact Symmetric Objects), revelou que estes objetos não são inteiramente o que parecem. Os CSOs são galáxias ativas que albergam buracos negros supermassivos nos seus núcleos. Destes monstruosos buracos negros saem dois jatos que viajam em direções opostas quase à velocidade da luz. Mas, em comparação com outras galáxias que possuem jatos ferozes, estes não se estendem a grandes distâncias - são muito mais compactos. Durante muitas décadas, os astrónomos suspeitaram que os CSOs eram simplesmente jovens e que os seus jatos acabariam por viajar para distâncias maiores. Agora, em três artigos científicos, uma equipa de investigadores liderada pelo Caltech concluiu que os CSOs não são jovens, mas têm vidas relativamente curtas. Ler fonte
Detetados os mais pequenos "sismos estelares" (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
A uma distância de 11,9 anos-luz, a estrela Epsilon Indi (ε Indi) é uma anã laranja (também conhecida por anã K), com 71% do diâmetro do Sol. Uma equipa internacional, liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Tiago Campante, estudou esta estrela com o espetrógrafo ESPRESSO, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO e detetou os mais pequenos "sismos estelares" alguma vez registados. Ler fonte
Álbum de fotografias A Cauda Iónica do Cometa Pons-Brooks
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: James Peirce
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