Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 26/07: 208.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.
Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003. HOJE, NO COSMOS:
Semana após semana, Vénus encontra-se pouco acima do horizonte oeste no brilho do pôr-do-Sol. O ténue Mercúrio deixa de ser visível em breve. E será que consegue discernir a mais ténue Régulo, para cima de Mercúrio?
DIA 27/07: 209.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.
Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra. HOJE, NO COSMOS:
Com o avançar do verão, o "bule de chá" de Sagitário, situado a sul, para a esquerda de Escorpião, inclina-se como que para deitar o chá para a sua direita. À medida que se move na direção oeste, o "bule de chá" inclina-se cada vez mais durante o resto da estação e durante o início do outono - ou com o avançar da noite se ficar acordado(a) mais tarde.
DIA 28/07: 210.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).
Foi também diretor do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 03:52.
DIA 29/07: 211.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.
Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris. HOJE, NO COSMOS:
A cauda de Escorpião está na sua melhor posição a sul logo após o cair da noite. Encontre-a para baixo e para a direita do "bule de chá" de Sagitário. Quão baixa depende de quão para norte ou sul o observador vive: quanto mais para sul estiver, mais alta no céu estará. Procure as duas estrelas especialmente perto uma da outra na cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". Estão inclinadas; o "gato" parece estar a inclinar a sua cabeça e a piscar um olho (Lambda é mais brilhante do que Upsilon; têm magnitudes 1,6 e 2,6). Ambas são supergigantes azul-esbranquiçadas, a 700 e 500 anos-luz de distância, respetivamente. A mais ténue está mais próxima de nós. Entre os "Olhos de Gato" e a ponta do "bule de chá" estão os enxames abertos M6 e especialmente M7, incríveis através de binóculos. Uma linha que passe pelos Olhos de Gato aponta para oeste (direita), e quase a um punho à distância do braço esticado, chega a Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". O par está orientado quase da mesma maneira que Lambda e Upsilon, mas com apenas uma separação de 0,1º. Este não é um binário verdadeiro: estão a 800 e 500 anos-luz, respetivamente. E sim, neste par visual a estrela mais ténue também está mais próxima de nós.
Webb fotografa um novo exoplaneta frio a 12 anos-luz de distância
Esta imagem do exoplaneta gigante gasoso Epsilon Indi Ab foi obtida com o coronógrafo do instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. O símbolo de estrela marca a localização da estrela hospedeira Epsilon Indi A, cuja luz foi bloqueada pelo coronógrafo, resultando no círculo escuro marcado com uma linha branca a tracejado. Epsilon Indi Ab é um dos exoplanetas mais frios alguma vez fotografados diretamente. À luz a 10,6 micrómetros foi atribuída a cor azul, enquanto à luz a 15,5 micrómetros foi atribuída a cor laranja.
Crédito: ESA/Webb, NASA, CSA, STScI, E. Matthews (Instituto Max Planck de Astronomia)
Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, obteve imagens diretas de um exoplaneta situado a cerca de 12 anos-luz da Terra. Embora já houvesse indícios da existência do planeta, não tinha sido confirmado até o Webb o ter fotografado. É um dos exoplanetas mais frios observados até à data.
Com o nome Epsilon Indi Ab, tem uma massa várias vezes superior à de Júpiter e orbita a estrela de tipo K Epsilon Indi A (Eps Ind A), que tem aproximadamente a idade do nosso Sol, mas é ligeiramente mais fria. A equipa observou Epsilon Indi Ab usando o coronógrafo do instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb. Apenas algumas dezenas de exoplanetas foram diretamente fotografados anteriormente por observatórios espaciais e terrestres.
"Esta descoberta é excitante porque o planeta é bastante semelhante a Júpiter - é um pouco mais quente e é mais massivo, mas é mais semelhante a Júpiter do que qualquer outro planeta que tenha sido fotografado até agora," disse a autora principal Elisabeth Matthews do Instituto Max Planck de Astronomia na Alemanha.
"As nossas observações anteriores deste sistema foram medições mais indiretas da estrela, o que nos permitiu ver antecipadamente que havia provavelmente um planeta gigante neste sistema a puxar pela estrela", acrescentou Caroline Morley, membro da equipa, da Universidade do Texas em Austin, EUA. "Foi por isso que a nossa equipa escolheu este sistema para observar primeiro com o Webb".
Um análogo do Sistema Solar
Os exoplanetas anteriormente fotografados tendem a ser os exoplanetas mais jovens e mais quentes, que ainda estão a irradiar muita da energia de quando se formaram. À medida que os planetas arrefecem e se contraem ao longo da sua vida, tornam-se significativamente mais ténues e, por isso, mais difíceis de captar.
"Os planetas frios são muito ténues e a maior parte da sua emissão encontra-se no infravermelho médio", explicou Elisabeth. "O Webb é ideal para obter imagens no infravermelho médio, o que é extremamente difícil de fazer a partir do solo. Também precisávamos de uma boa resolução espacial para separar o planeta e a estrela nas nossas imagens, e o grande espelho do Webb é extremamente útil neste aspeto."
Epsilon Indi Ab é um dos exoplanetas mais frios a ser detetado diretamente, com uma temperatura estimada em 2º C - mais frio do que qualquer outro planeta fotografado para além do nosso Sistema Solar, e mais frio do que todas as anãs castanhas flutuantes à exceção de uma (WISE 0855, descoberta em 2014 e já observada com o Webb). O planeta é apenas cerca de 100 graus Celsius mais quente do que os gigantes gasosos do nosso Sistema Solar. Isto proporciona uma oportunidade rara para os astrónomos estudarem a composição atmosférica de verdadeiros análogos do Sistema Solar.
"Os astrónomos já imaginam planetas neste sistema há décadas; planetas fictícios em órbita de Epsilon Indi têm sido o local de episódios da série 'Star Trek', romances e videojogos como Halo", acrescentou Caroline. "É emocionante vermos um planeta lá e começarmos a medir as suas propriedades".
Não é exatamente como previsto
Epsilon Indi Ab é o décimo segundo exoplaneta mais próximo da Terra conhecido até à data e o planeta mais próximo mais massivo do que Júpiter. A equipa científica escolheu estudar Eps Ind A porque o sistema mostrava indícios de um possível corpo planetário, usando uma técnica chamada velocidade radial, que mede as oscilações da estrela hospedeira ao longo da nossa linha de visão.
"Embora esperássemos obter imagens de um planeta neste sistema, porque havia indicações da sua presença devido à velocidade radial, o planeta que encontrámos não é o que tínhamos previsto", partilhou Elisabeth.
Tem o dobro da massa, está um pouco mais longe da sua estrela e tem uma órbita diferente da esperada. A causa desta discrepância continua a ser uma questão em aberto. A atmosfera do planeta também parece ser um pouco diferente das previsões do modelo. Até agora só temos algumas medições fotométricas da atmosfera, o que significa que é difícil tirar conclusões, mas o planeta é mais ténue do que o esperado em comprimentos de onda mais curtos".
A equipa pensa que isto pode significar que existe uma quantidade significativa de metano, monóxido de carbono e dióxido de carbono na atmosfera do planeta, que estão a absorver os comprimentos de onda mais curtos da luz. Pode também sugerir uma atmosfera muito nublada.
As imagens diretas de exoplanetas são particularmente valiosas para a sua caracterização. Os cientistas podem recolher diretamente a luz do planeta observado e comparar o seu brilho em diferentes comprimentos de onda. Até agora, a equipa científica só detetou Epsilon Indi Ab em alguns comprimentos de onda, mas espera voltar a visitar o planeta com o Webb para realizar observações fotométricas e espetroscópicas no futuro. Esperam também detetar outros planetas semelhantes com o Webb para encontrar possíveis tendências sobre as suas atmosferas e sobre como estes objetos se formam.
Estes resultados foram obtidos com o programa GO #2243 do Ciclo 1 do Webb e foram publicados na revista Nature.
A matéria escura voa à frente da matéria normal numa colisão entre enxames de galáxias
Esta impressão artística mostra o que aconteceu quando dois enormes enxames de galáxias, conhecidos coletivamente como MACS J0018.5, colidiram: a matéria escura nos enxames de galáxias (azul) navegou à frente das nuvens de gás quente associadas, ou matéria normal (laranja). Tanto a matéria escura como a matéria normal sentem a atração da gravidade, mas apenas a matéria normal sofre efeitos adicionais como choques e turbulência que a abrandam durante as colisões.
Crédito: Observatório W.M. Keck/Adam Makarenko
Os astrónomos desenlearam uma colisão confusa entre dois enormes enxames de galáxias, na qual as vastas nuvens de matéria escura dos enxames se separaram da chamada matéria normal. Os dois enxames contêm cada um milhares de galáxias e estão situados a milhares de milhões de anos-luz da Terra. Ao atravessarem-se um pelo outro, a matéria escura - uma substância invisível que sente a força da gravidade, mas não emite luz - passou à frente da matéria normal. As novas observações são as primeiras a sondar diretamente a dissociação das velocidades da matéria escura e da matéria normal.
Os enxames de galáxias estão entre as maiores estruturas do Universo, coladas umas às outras pela força da gravidade. Apenas 15 por cento da massa desses enxames é matéria normal, a mesma matéria que constitui os planetas, as pessoas e tudo o que vemos à nossa volta. Desta matéria normal, a grande maioria é gás quente, enquanto o resto são estrelas e planetas. Os restantes 85% da massa do enxame corresponde à matéria escura.
Durante a luta que ocorreu entre os enxames, conhecidos coletivamente como MACS J0018.5+1626, as galáxias individuais saíram praticamente ilesas porque existe muito espaço entre elas. Mas quando as enormes reservas de gás entre as galáxias (a matéria normal) colidiram, o gás tornou-se turbulento e sobreaquecido. Embora toda a matéria, incluindo a matéria normal e a matéria escura, interaja através da gravidade, a matéria normal também interage através do eletromagnetismo, que a torna mais lenta durante uma colisão. Assim, enquanto a matéria normal ficou atolada, as "poças" de matéria escura dentro de cada enxame navegaram em frente.
Imagine uma colisão massiva entre vários camiões basculantes que transportam areia, sugere Emily Silich, autora principal de um novo estudo que descreve os resultados na revista The Astrophysical Journal. "A matéria escura é como a areia e voa em frente". Silich é estudante de pós-graduação que trabalha com Jack Sayers, professor investigador de física no Caltech e investigador principal do estudo.
A descoberta foi feita utilizando dados do CSO (Caltech Submillimeter Observatory, recentemente retirado do seu local em Maunakea, no Hawaii, que será transferido para o Chile), do Observatório W.M. Keck em Maunakea, do Observatório de raios X Chandra da NASA, do Telescópio Espacial Hubble da NASA, do Observatório Espacial Herschel da ESA, do observatório Planck (cujos centros científicos afiliados da NASA estavam sediados no IPAC do Caltech) e do ASTE (Atacama Submillimeter Telescope Experiment) no Chile. Algumas das observações foram efetuadas há décadas, enquanto a análise completa utilizando todos os conjuntos de dados teve lugar nos últimos dois anos.
Esta dissociação entre a matéria escura e a matéria normal já foi observada anteriormente, sendo a mais famosa a do Enxame Bullet. Nessa colisão, o gás quente pode ser visto claramente a ficar atrás da matéria escura, depois dos dois enxames de galáxias se terem atravessado um ao outro. A situação que ocorreu em MACS J0018.5+1626 (referido subsequentemente como MACS J0018.5) é semelhante, mas a orientação da fusão girou cerca de 90 graus em relação à do Enxame Bullet. Por outras palavras, um dos enxames massivos de MACS J0018.5 está a voar quase a direito em direção à Terra, enquanto o outro está a afastar-se. Esta orientação deu aos investigadores um ponto de vantagem único que lhes permite, pela primeira vez, mapear a velocidade da matéria escura e da matéria normal e elucidar a forma como estas se separam uma da outra durante a colisão de enxames de galáxias.
"Com o Enxame Bullet, é como se estivéssemos sentados numa bancada a assistir a uma corrida de automóveis e conseguíssemos captar belos instantâneos dos carros que se movem da esquerda para a direita", diz Sayers. "No nosso caso, é mais como se estivéssemos na reta da meta com uma pistola de radar, parados à frente de um carro que vem na nossa direção e conseguíssemos obter a sua velocidade."
Para medir a velocidade da matéria normal, ou gás, no enxame, os investigadores utilizaram um método de observação conhecido como efeito cinético Sunyaev-Zel'dovich (ou efeito SZ). Sayers e os seus colegas fizeram a primeira deteção observacional do efeito cinético SZ num objeto cósmico individual, um enxame de galáxias chamado MACS J0717, em 2013, utilizando dados do CSO (as primeiras observações do efeito SZ feitas de MACS J0018.5 datam de 2006).
O efeito cinético SZ ocorre quando os fotões do início do Universo, a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, se dispersam nos eletrões do gás quente a caminho da Terra. Os fotões sofrem um desvio, o chamado efeito Doppler, devido aos movimentos dos eletrões nas nuvens de gás ao longo da nossa linha de visão. Medindo a mudança de brilho da radiação cósmica de fundo em micro-ondas devido a este efeito, os investigadores podem determinar a velocidade das nuvens de gás dentro dos enxames de galáxias.
"Os efeitos Sunyaev-Zeldovich eram ainda uma ferramenta de observação muito recente quando eu e Jack virámos a nova câmara do CSO para os enxames de galáxias em 2006, e não fazíamos ideia de que haveria descobertas como esta", diz Sunil Golwala, professor de física e orientador de doutoramento de Silich. "Aguardamos com expetativa uma série de novas surpresas quando colocarmos os instrumentos de próxima geração no telescópio na sua nova casa no Chile."
Em 2019, os investigadores tinham efetuado estas medições do efeito cinético SZ em vários enxames de galáxias, o que lhes indicava a velocidade do gás, ou matéria normal. Também utilizaram o Keck para conhecer a velocidade das galáxias no enxame, o que lhes indicou, por aproximação, a velocidade da matéria escura (porque a matéria escura e as galáxias se comportam de forma semelhante durante a colisão). Mas, nesta fase da investigação, a equipa tinha um conhecimento limitado das orientações dos enxames. Sabiam apenas que um deles, MACS J0018.5, apresentava sinais de algo estranho - o gás quente, ou matéria normal, viajava na direção oposta à da matéria escura.
"Tínhamos esta 'coisa' estranha com velocidades em direções opostas e, no início, pensámos que poderia ser um problema com os nossos dados. Mesmo os nossos colegas que simulam enxames de galáxias não sabiam o que se estava a passar", diz Sayers. "Depois, a Emily envolveu-se e desenleou tudo."
Como parte da sua tese de doutoramento, Silich debruçou-se sobre o enigma de MACS J0018.5. Recorreu a dados do Observatório de raios-X Chandra para revelar a temperatura e a localização do gás nos enxames, bem como o grau em que o gás estava a sofrer choques. "Estas colisões de enxames são os fenómenos mais energéticos desde o Big Bang", diz Silich. "O Chandra mede as temperaturas extremas do gás e diz-nos qual a idade da fusão e quão recentemente os enxames colidiram." A equipa também trabalhou com Adi Zitrin da Universidade Ben-Gurion do Negev em Israel para usar os dados do Hubble para mapear a matéria escura usando um método conhecido como lente gravitacional.
Adicionalmente, John ZuHone, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, ajudou a equipa a simular a destruição do enxame. Estas simulações foram usadas em combinação com os dados dos vários telescópios para determinar a geometria e a fase evolutiva do encontro entre os enxames. Os cientistas descobriram que, antes de colidirem, os enxames estavam a mover-se um para o outro a cerca de 3000 quilómetros/segundo, o que equivale a cerca de um por cento da velocidade da luz. Com uma imagem mais completa do que se estava a passar, os investigadores conseguiram perceber porque é que a matéria escura e a matéria normal pareciam estar a viajar em direções opostas. Embora os cientistas digam que é difícil de visualizar, a orientação da colisão, juntamente com o facto da matéria escura e da matéria normal se terem separado uma da outra, explica as estranhas medições de velocidade.
No futuro, os investigadores esperam que mais estudos como este conduzam a novas pistas sobre a misteriosa natureza da matéria escura. "Este estudo é um ponto de partida para estudos mais pormenorizados sobre a natureza da matéria escura", diz Silich. "Temos um novo tipo de sonda direta que mostra como a matéria escura se comporta de forma diferente da matéria normal".
Sayers, que se lembra de ter recolhido pela primeira vez os dados do CSO sobre este objeto há quase 20 anos, diz: "Demorámos muito tempo a juntar todas as peças do puzzle, mas agora sabemos finalmente o que se passa. Esperamos que isto conduza a uma forma totalmente nova de estudar a matéria escura nos enxames".
ASTE (Atacama Submillimeter Telescope Experiment): Wikipedia
O que é que se passa com Quíron? Novo estudo investiga mistério do Sistema Solar
Impressão de artista de atividade cometária no centauro Quíron.
Crédito: Flyazure
Em primeiro lugar, o que é Quíron? Originalmente descoberto em 1977 e classificado como um asteroide, o corpo menor Quíron foi o primeiro membro identificado de uma nova classe de objetos no nosso Sistema Solar, agora conhecida como centauros.
Os centauros são objetos em órbitas de curta duração que residem entre a cintura de asteroides e a cintura de Kuiper, uma região em forma de donut de corpos gelados que se estende muito para além da órbita de Neptuno.
Tal como Quíron, os centauros escaparam da cintura de Kuiper e estão a ser espalhados pelos planetas gigantes, tal como uma bola que bate nos "bumpers" de uma máquina de pinball.
A maior parte dos centauros vai "saltar" durante cerca de 10 milhões de anos, antes de ser expulsa do Sistema Solar, sendo que apenas alguns sobreviverão para se tornarem cometas de curto período.
Nos últimos 50 anos, Quíron continuou a destacar-se dos restantes centauros. Sendo um dos maiores centauros em termos de tamanho, este corpo do Sistema Solar é conhecido por se comportar como um cometa, com períodos de atividade que criam uma atmosfera difusa e poeirenta. Estudos mais recentes encontraram até evidências de um possível anel duplo gelado em torno do planetoide.
Personagem complexo, Quíron tem intrigado os astrónomos há quase meio século. No entanto, foram os acontecimentos mais recentes dos centauros que suscitaram maior intriga.
O mistério
Ao analisar dados do ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) em 2021, astrónomos da Queen's University de Belfast, Irlanda do Norte, notaram que Quíron estava inesperadamente muito mais brilhante no céu noturno quando comparado com os 5 anos anteriores de observações.
O ATLAS é uma rede de quatro pequenos telescópios robóticos no Hawaii, na África do Sul e no Chile, que trabalham em conjunto para analisar todo o céu noturno numa busca diária de asteroides potencialmente perigosos para a Terra.
Algo tinha acontecido e agora Quíron estava a refletir muito mais luz solar. Mas como?
Qualquer que fosse a causa, a mudança tinha ocorrido quando Quíron esteve atrás do Sol e, assim sendo, quando não foi visível da Terra durante mais de cinco meses.
O Dr. Matthew Dobson, um estudante de doutoramento da Escola de Matemática e Física da Queen's University de Belfast, liderou uma equipa para tentar resolver o caso. Os resultados estão resumidos num novo artigo científico, publicado na revista The Planetary Science Journal, que explora várias hipóteses.
Dobson disse: "O objetivo deste estudo era descobrir o que causou a mudança no brilho de Quíron. Terão sido os anéis, uma atividade cometária súbita, uma nova parte exposta do objeto virada para a Terra?
"Combinámos dados históricos e examinámos observações de levantamentos em curso que tinham estudado Quíron para testar estas teorias. Também usámos o telescópio do Observatório Gemini, um dos maiores telescópios do mundo, para descobrir o máximo que pudemos."
Os resultados
O artigo científico revela que Quíron registou um aumento ou sofreu um surto de atividade cometária. Os investigadores da Queen's University de Belfast exploraram Quíron com o telescópio do Observatório Gemini para procurar uma cabeleira difusa, um sinal comum de um cometa.
Sem cabeleira à vista, determinaram que pode ser que a cabeleira esteja presa a Quíron pela sua fraca gravidade, ou que esteja tão longe que é demasiado ténue para ver à volta do objeto, mesmo com o enorme telescópio Gemini. No entanto, o aumento de luz da poeira extra à volta de Quíron permanece visível.
O que é que isto significa?
Examinar este estranho acontecimento num pequeno corpo do Sistema Solar, e explorar os processos ativos que ocorrem em tempo real, ajuda os astrónomos a melhor compreender os processos cometários ativos nos centauros, uma fase crucial na evolução de alguns dos cometas de curto período do nosso Sistema Solar.
Falando sobre o impacto dos resultados, a Dra. Meg Schwamb, coautora do artigo, também da Escola de Matemática e Física da Queen's University de Belfast, afirmou: "A maior parte das pesquisas de atividade procuram a assinatura reveladora de uma cabeleira difusa em torno do objeto.
"Este trabalho examinou a tendência de brilho a longo prazo do objeto com o passar do tempo, e pensamos que esta técnica será crucialmente importante à medida que a próxima geração de levantamentos de descoberta e monitorização do Sistema Solar, tais como o LSST (Legacy Survey of Space and Time), entram em funcionamento nos próximos anos".
Adicionalmente, o coautor Dr. Charles Schambeau da Universidade da Flórida Central e líder das observações Gemini, disse:
"A técnica utilizada com os extensos dados do ATLAS permitiu a deteção do início da atividade de Quíron, que foi posteriormente corroborada por observações do JWST por uma equipa independente que revelou uma conspícua cabeleira em forma de leque. Consequentemente, o método do Dr. Dobson para identificar atividade, mesmo quando as abordagens tradicionais sugeriam inatividade, pode ser alargado com confiança ao estudo de outros objetos no futuro".
Um plano para melhorar a exploração exoplanetária com o JWST (via MIT)
O lançamento do Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA em 2021 deu início a uma nova e excitante era para a investigação de exoplanetas, especialmente para os cientistas que procuram planetas terrestres em órbita de outras estrelas que não o nosso Sol. Mas três anos após o início da missão do telescópio, alguns cientistas depararam-se com desafios que atrasaram o progresso. Num artigo recentemente publicado na revista Nature Astronomy, a Iniciativa Comunitária TRAPPIST-1 do JWST apresenta um plano, passo a passo, para ultrapassar os desafios que enfrentaram durante o estudo do sistema TRAPPIST-1, melhorando a eficiência da recolha de dados para benefício da comunidade astronómica em geral. Ler fonte
Álbum de fotografias A Nebulosa do Caranguejo, Desde o Visível até aos Raios X
O que é que alimenta a Nebulosa do Caranguejo? Uma estrela de neutrões magnetizada, do tamanho de uma cidade, que gira cerca de 30 vezes por segundo. Conhecida como o Pulsar do Caranguejo, é a mancha brilhante no centro do turbilhão gasoso no núcleo da nebulosa. Com cerca de 10 anos-luz de diâmetro, a espetacular imagem da Nebulosa do Caranguejo (M1) enquadra um disco central rodopiante e complexos filamentos de gás incandescente em expansão. A imagem combina a luz visível do Telescópio Espacial Hubble, a vermelho e azul, com raios X pelo Observatório de Raios X Chandra, a branco, e a emissão difusa de raios X detetada pelo IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer), a roxo difuso. O pulsar central alimenta a emissão e a expansão da Nebulosa do Caranguejo ao abrandar ligeiramente a sua velocidade de rotação, o que provoca um vento de eletrões energéticos. A imagem em destaque foi divulgada no passado dia 23 de julho, durante as comemorações do 25.º aniversário do lançamento do principal observatório de raios X da NASA: Chandra.
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