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Edição n.º 1220
17/11 a 19/11/2015
 
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27/11/15 - A ESTRELA DAS MEGAESTRUTURAS + OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA NOTURNA COM TELESCÓPIO
20:00 - Conversa via tele-conferência com o investigador Vardan Adibekyan (CAUP/IA), sobre as variações de luminosidade da estrela KIC 8462852 (a estrela que ficou associada pelos media às megaestruturas alienígenas em outubro passado). De seguida far-se-á observação noturna com telescópio na Açoteia do CCVAlg.
Público: Público em geral
Inscrições: seguir este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robot controlado remotamente a aterrar noutro mundo, tranportado pela Luna 17.

Observações: Mercúrio em conjunção superior, pelas 14:39.
Aproveite a noite para observar os meteoros das Leónidas, chuva esta que deverá atingir o seu pico na noite de 17 para 18.

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de teste. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direcção a Marte
Observações: A chuva anual das Leónidas atinge o pico sob um céu sem Lua.
A estrela mais brilhante a nordeste é Capela, de magnitude zero. Encontra-se por baixo de Perseu. Bem para a sua direita estão as Plêiades. E por baixo das Plêiades pisca a alaranjada Aldebarã.

Dia 19/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no Sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 06:27.
Orionte sobe completamente acima do horizonte pelas 21:00. Aldebarã está alta por cima de Orionte. Por cima de Aldebarã estão as Plêiades. Aldebarã e as Plêiades servem sempre como um prenúncio da chegada de Orionte.

 
CURIOSIDADES


Numa colisão entre galáxias existe formação e desaparecimento de estrelas. No entanto, a colisão é na sua maior parte colisão entre gás e poeiras e não colisão de estrelas propriamente ditas.

 
DESCOBERTOS VENTOS DE 8600 KM/H EM HD 189733b

Uma nova investigação descobriu ventos de mais de 2 km/s num planeta para lá do Sistema Solar. É a primeira medição de um sistema meteorológico num exoplaneta.

A velocidade registada é 20 vezes superior à mais alta velocidade do vento registada cá na Terra e equivalente a sete vezes a velocidade do som. Sobre a descoberta, o investigador principal Tom Louden, do grupo de Astrofísica da Universidade de Warwick, afirma: "Este é o primeiro mapa meteorológico de fora do nosso do Sistema Solar. Apesar de já sabermos da existência de ventos em exoplanetas, nunca tínhamos sido capazes de medir e mapear diretamente um sistema climatérico."

Impressão de artista do exoplaneta HD 189733b, passando em frente da sua estrela-mãe. O vento no equador circula a 8600 km/h, desde o quente lado diurno até ao lado noturno. O lado diurno parece azul devido à dispersão da luz pela neblina de silicatos na atmosfera. O lado noturno do planeta brilha com um vermelho profundo devido à sua alta temperatura.
Crédito: Mark A. Garlick/Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Descoberto no exoplaneta HD 189733b, os investigadores de Warwick mediram as velocidades nos dois lados de HD 189733b e encontraram um forte vento que soprava a mais de 8600 km/h a partir do lado diurno para o lado noturno. Louden explica: "A velocidade em HD 189733b foi medida usando espetroscopia de alta resolução da absorção do sódio na atmosfera. À medida que partes da atmosfera de HD 189733b se movem na nossa direção ou para longe da Terra, o efeito Doppler muda o comprimento de onda dessa característica, o que permite a medição da velocidade."

Explicando como esta informação foi usada para medir a velocidade do vento, acrescenta: "A superfície da estrela é mais brilhante no centro do que na extremidade, assim que à medida que o planeta passa em frente da estrela, a quantidade relativa de luz bloqueada por diferentes partes da atmosfera muda. Pela primeira vez, usámos esta informação para medir as velocidades nos lados opostos do planeta de forma independente, o que nos dá o nosso mapa de velocidade."

Os investigadores dizem que as técnicas usadas podem ajudar o estudo de planetas parecidos com a Terra. O Dr. Peter Wheatley, co-investigador, também da mesma universidade, explica: "Estamos tremendamente animados por ter encontrado uma forma de mapear sistemas meteorológicos em planetas distantes. À medida que desenvolvemos ainda mais esta técnica, seremos capazes de estudar os fluxos de vento ainda em mais detalhe e produzir mapas meteorológicos de planetas mais pequenos. Em última análise, esta técnica permitir-nos-á ver sistemas climatéricos em planetas parecidos com a Terra."

O planeta é aqui visto em três posições à medida que passa em frente da estrela. A iluminação de fundo permite separar diferentes partes da absorção atmosférica. Ao medir o desvio Doppler da absorção, os cientistas são capazes de medir velocidades dos ventos. A região azulada da atmosfera move-se na direção da Terra a mais de 19.000 km/h, enquanto a região avermelhada move-se para longe da Terra a cerca de 8000 km/h. Depois de corrigir a rotação esperada do planeta, obtém-se um valor de 8600 km/h para a velocidade do vento no lado azul, indicando um forte vento para este, desde o lado diurno para o lado noturno do planeta.
Crédito: Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

HD 189733b é um dos exoplanetas mais estudados da classe conhecida como "Júpiteres Quentes". Mais de 10% maior que Júpiter, mas 180 vezes mais perto da sua estrela, HD 189733b tem uma temperatura de 1200º C. O seu tamanho e a proximidade relativa ao nosso Sistema Solar tornam-no num alvo popular para os astrónomos. As pesquisas anteriores mostraram que o lado diurno do planeta tem, para o olho humano, um tom de azul, provavelmente devido a nuvens de partículas ricas em silicatos na sua atmosfera.

Os dados foram recolhidos pelo HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) em La Silla, no Chile.

O artigo científico foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/08/2013 - Chandra vê planeta eclipsante pela primeira vez em raios-X
16/07/2013 - Hubble descobre um planeta realmente azul
05/02/2010 - Nova técnica para detectar planetas extrasolares "tipo-Terra"
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter-quente" extrasolar
03/12/2008 - Hubble descobre dióxido de carbono num planeta extrasolar
22/03/2008 - Detectada a primeira molécula orgânica num planeta extrasolar
13/02/2008 - Detectadas moléculas orgânicas pela primeira vez num planeta extrasolar
14/07/2007 - Descoberta água em planeta extrasolar
11/10/2005 - O melhor trânsito exoplanetário até agora

Notícias relacionadas:
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
Astronomy
PHYSORG
redOrbit
(e) Science News
PHYSORG
Discovery News
ars technica
UPI
Gizmodo

HD 189733b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

 
DELTA ORIONIS: MAIS DO QUE PARECE

Orionte é uma das constelações mais reconhecíveis do céu. Uma das características mais famosas do Caçador é a sua "cintura", três estrelas brilhantes que formam uma linha, cada uma das quais pode ser vista sem telescópio.

A estrela mais ocidental da cintura de Orionte é conhecida oficialmente como Delta Orionis (tendo em conta que já é observada há séculos por todo o mundo, também tem outros nomes em várias culturas, como "Mintaka"). Os astrónomos modernos sabem que Delta Orionis não é simplesmente uma única estrela, mas um sistema múltiplo complexo.

Delta Orionis é um pequeno grupo estelar com três componentes e cinco estrelas no total: Delta Ori A, Delta Ori B e Delta Ori C. Delta Ori B e Delta Ori C são estrelas individuais e libertam pequenas quantidades de raios-X. Delta Ori A, por outro lado, tem uma forte emissão de raios-X e é um sistema triplo.

Impressão de artista do sistema Delta Orionis A.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em Delta Ori A, duas estrelas pouco separadas orbitam-se uma à outra a cada 5,7 dias, enquanto a terceira orbita este par com um período de mais de 400 anos. A estrela mais massiva (ou primária) neste par estelar tem 25 vezes a massa do Sol, enquanto a mais leve (a estrela secundária), tem cerca de dez vezes a massa do Sol.

O alinhamento deste par de estrelas, a partir do ponto de vista da Terra, permite com que uma estrela passe em frente da outra durante cada órbita. Esta classe especial de sistema estelar é conhecida como "binária eclipsante" e dá aos astrónomos uma maneira direta de medir a massa e o tamanho das estrelas.

As estrelas maciças, embora relativamente raras, podem ter um profundo impacto sobre as galáxias que habitam. Estas estrelas gigantes são tão brilhantes que a sua radiação sopra ventos de material estelar, afetando as propriedades químicas e físicas do gás nas suas galáxias hospedeiras. Estes ventos estelares também ajudam a determinar o destino das próprias estrelas, que eventualmente explodem como supernovas e deixam para trás uma estrela de neutrões ou um buraco negro.

Ao observar este binário eclipsante de Delta Orionis A (denominado Delta Ori Aa) com o Observatório de Raios-X Chandra da NASA durante o equivalente a seis dias, uma equipa de investigadores recolheu informações importantes sobre as estrelas massivas e como os seus ventos desempenham um papel na sua evolução e afetam os arredores. A imagem do Chandra pode ser vista na inserção da imagem ótica da constelação de Orionte obtida por um telescópio terrestre.

Delta Orionis é um sistema estelar complexo que contém cinco estrelas no total.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/GSFC/M. Corcoran et al.; ótico - Eckhard Slawik
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dado que Delta Ori Aa é o mais próximo e massivo binário eclipsante, pode ser usado para descodificar a relação entre as propriedades estelares derivadas dos observatórios óticos e as propriedades do vento, que são reveladas pela emissão de raios-X.

A estrela companheira de menor massa em Delta Ori Aa tem um vento muito fraco e é muito ténue em raios-X. Os astrónomos podem usar o Chandra para observar como a estrela companheira bloqueia várias partes do vento da estrela mais massiva. Isto permite com que os cientistas observem o que acontece ao gás que emite raios-X em redor da estrela primária, ajudando a responder à pergunta de longa data de onde, no vento estelar, é formado o gás que emite raios-X. Os dados mostram que a maioria da emissão de raios-X vem do vento da estrela gigante, e é provavelmente produzido por choques resultantes de colisões entre aglomerados velozes de gás embebidos no vento.

Os investigadores também descobriram que a emissão de raios-X de certos átomos no vento de Delta Ori Aa muda à medida que as estrelas no binário se movimentam. Isto pode ser provocado por colisões entre os ventos das duas estrelas, ou por uma colisão do vento da estrela primária com a superfície da estrela secundária. Esta interação, por sua vez, impede algum do vento da estrela mais brilhante.

Os dados óticos paralelos pelo MOST (Microvariability and Oscillation of Stars Telescope) da Agência Espacial Canadiana revelaram evidências de oscilações da estrela primária produzida por interações gravitacionais entre a primária e a estrela companheira à medida que viajam nas suas órbitas. As medições das mudanças de brilho no visível, além de uma análise detalhada dos espectros óticos e ultravioletas, foram usadas para refinar os parâmetros das duas estrelas. Os investigadores foram também capazes de resolver algumas inconsistências anteriores entre os parâmetros estelares e os modelos de como as estrelas evoluem com o tempo.

Estes resultados foram publicados em quatro artigos coordenados da revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal
The Astrophysical Journal - 2
The Astrophysical Journal - 3
The Astrophysical Journal - 4
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (arXiv.org) - 2
Artigo científico (arXiv.org) - 3
Artigo científico (arXiv.org) - 4
PHYSORG

Delta Orionis:
Wikipedia
Constellations of Words

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

MOST:
CSA
Wikipedia

 
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Crédito: Ivo Scheggia
 
O que está acontecendo com aquele meteoro? Há poucos dias foi fotografada uma brilhante bola de fogo a partir dos Alpes suíços, enquanto este passava pelo céu. O objeto, provavelmente da chuva de meteoros das Táuridas, foi impressionante não só pelo seu brilho, mas também pela rara luz alaranjada que criou e que permaneceu no céu durante vários minutos. Inicialmente, o brilho laranja fez parecer que o rastro do meteoro estava em chamas. No entanto, o brilho alaranjado foi originário, não do fogo, nem de fumo refletindo luz solar. Ao invés, o brilho foi emanado por átomos na atmosfera da Terra e que se encontravam no percurso do meteoro - átomos que perderam um eletrão e emitiram luz durante a reaquisição. Estes traços persistentes por vezes derivam e a exposição de 3 minutos capturou o deslocamento soprado pelo vento destes ex-iões brilhantes. A imagem foi captada quando se tentava fotografar a famosa Nebulosa de Orionte, visível no canto superior esquerdo. A brilhante estrela azulada, Rigel, parte da constelação de Orionte, é visível à direita. Esta semana a chuva de meteoros das Táuridas continua ativa apesar de já ter passado o seu pico. Entretanto, a ainda mais ativa chuva de meteoros das Leónidas está prestes a atingir o seu pico na noite de 17 para 18.
 

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