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Edição n.º 1330
06/12 a 08/12/2016
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1586 nascia Niccolò Zucchi, astrónomo, físico e jesuita italiano. Pode ter sido o primeiro a ver as bandas de Júpiter (no dia 17 de maio de 1630), e reportou manchas em Marte em 1640. No seu livro, "Optica philosophia experimentis et ratione a fundamentis constituta", publicado em 1652-56, descrevia experiências ocorridas em 1616 com um espelho curvo em vez de uma lente como objetiva telescópica, o que pode ser a descrição mais antiga de um telescópio refletor.
Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.

Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte.
Observações: Ao anoitecer, a Lua, Marte e Vénus formam uma longa linha diagonal a sul e sudoeste. Bem para baixo da Lua pisca Fomalhaut.

Dia 07/12: 342.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido na Holanda que descobriu luas de Úrano e Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar

Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. CernanRonald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua
Em 1995, a sonda Galileu chega a Júpiter, pouco mais de seis anos depois de ter sido lançada pelo vaivém espacial Atlantis durante a missão STS-34.
Em 2015, a sonda japonesa Akatsuki entra com sucesso em órbita de Vénus, cinco anos após a primeira tentativa.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 03:16 e as 06:09.
Lua em Quarto Crescente, pelas 09:04. Após o anoitecer, procure o Grande Quadrado de Pégaso por cima do nosso satélite natural.

Dia 08/12: 343.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa a cerca de 80.800 km de distância do planeta Vénus.

Observações: O lado esquerdo do Grande Quadrado de Pégaso aponta para a Lua ao início da noite. Para baixo da Lua encontra-se Beta Ceti (Deneb Kaitos, a cauda do "monstro marinho"), quase tão brilhante quanto as estrelas do Quadrado.

 
CURIOSIDADES


O volume do Sol é 1,3 milhões de vezes maior que o da Terra.

 
ALMA MEDE O TAMANHO DAS "SEMENTES" DOS PLANETAS

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), investigadores conseguiram fazer, pela primeira vez e com recurso à polarização de ondas de rádio, uma medição do tamanho preciso de partículas pequenas de poeira em redor de uma jovem estrela. A alta sensibilidade do ALMA para a deteção de ondas de rádio polarizadas possibilitou este importante passo no rastreamento da formação de planetas em torno de estrelas jovens.

Os astrónomos pensam que os planetas são formados a partir de gás e partículas de poeira, embora os detalhes do processo ainda não sejam bem conhecidos. Um dos principais enigmas é como partículas de poeira, tão pequenas quanto 1 micrómetro, se agregam para formar um planeta rochoso com um diâmetro de 10 mil quilómetros. A dificuldade em medir o tamanho das partículas de poeira tem impedido os astrónomos de rastrear o processo de crescimento da poeira.

Impressão de artista de um anel de poeiras em redor da jovem estrela HD 142527. A poeira em torno da estrela tem uma distribuição assimétrica.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Akimasa Kataoka, investigador da Universidade de Heidelberg e do Observatório Astronómico Nacional do Japão, abordou este problema. Ele e os seus colaboradores previram teoricamente que, em redor de uma estrela jovem, as ondas de rádio espalhadas pelas partículas de poeira devem ter características únicas de polarização. Ele também notou que a intensidade das emissões polarizadas permite-nos estimar o tamanho das partículas de poeira muito mais eficazmente do que outros métodos.

Para testar a sua previsão, a equipa liderada por Kataoka observou a jovem estrela HD 142527 com o ALMA e descobriu, pela primeira vez, o padrão único de polarização no disco de poeira em redor da estrela. Como previsto, a polarização tem uma direção radial na maior parte do disco, mas na sua extremidade, a direção torna-se perpendicular à direção radial.

Disco de poeira em redor da jovem estrela HD 142527, observado com o ALMA.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Kataoka et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Comparando a intensidade observada das emissões polarizadas com a previsão teórica, determinaram que o tamanho das partículas de poeira é no máximo de 150 micrómetros. Esta é a primeira estimativa do tamanho da poeira com base na polarização. Surpreendentemente, este tamanho estimado é mais de 10 vezes inferior ao que se pensava anteriormente.

"Nos estudos anteriores, os astrónomos estimaram o tamanho baseado em emissões de rádio assumindo partículas esféricas de poeira," explica Kataoka. "No nosso estudo, observámos as ondas de rádio dispersas através de polarização, que transportam informações independentes da emissão térmica de poeira. Esta grande diferença no tamanho estimado das partículas de poeira implica que a suposição anterior pode estar errada."

Padrão de polarização obtido pelo ALMA em redor da jovem estrela HD 142527. Os contornos mostram a intensidade total das emissões de poeira e a imagem a cores mostra a intensidade das emissões polarizadas. As barras brancas mostram a direção da polarização.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Kataoka et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A ideia da equipa para resolver esta inconsistência é considerar partículas macias e de forma complexa, não poeira esférica simples. De uma perspetiva macroscópica, estas partículas são de facto grandes mas, de uma perspetiva microscópica, cada pequena parte de uma grande partícula de poeira dispersa ondas de rádio e produz características de polarização únicas. Para o estudo presente, os astrónomos obtiveram estas características "microscópicas" através de observações da polarização. Esta ideia pode levar os astrónomos a reconsiderar a interpretação anterior dos dados observacionais.

"A fração de polarização das ondas de rádio do disco de poeira em redor de HD 142527 é de apenas alguns por cento. Graças à elevada sensibilidade do ALMA, detetámos um sinal minúsculo com que derivar informações sobre o tamanho e forma das partículas de poeira," comenta Kataoka. "Este é o primeiro passo na investigação da evolução da poeira com polarimetria e acredito que o progresso futuro será cheio de emoção."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
Observatório Astronómico Nacional do Japão (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
PHYSORG

HD 142527:
SIMBAD
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ENXAME GALÁCTICO EMBRIONÁRIO IMERSO EM NUVEM GIGANTE DE GÁS FRIO
Impressão de artista da Teia de Aranha. Na imagem, as protogaláxias podem ser vistas em branco e rosa, e o azul indica a localização do gás monóxido de carbono no qual as galáxias estão submersas.
Crédito: ESO/M. Kornmesser.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos que estudam um enxame de protogaláxias ainda em formação, vistas como eram há mais de 10 mil milhões de anos atrás, encontraram uma galáxia gigante no centro do aglomerado que se está a formar a partir de uma sopa surpreendentemente densa de gás molecular.

"É diferente do que vemos no Universo próximo, onde as galáxias em enxames crescem canibalizando outras galáxias. Neste enxame, uma galáxia gigante está a crescer ao alimentar-se da sopa de gás frio onde está submersa," comenta Bjorn Emonts do Centro para Astrobiologia em Espanha, que liderou a equipa internacional de investigação.

Os cientistas estudavam um objeto chamado Galáxia Teia de Aranha que, na verdade, não é uma única galáxia, mas um grupo de protogaláxias a mais de 10 mil milhões de anos-luz da Terra. A essa distância, o objeto é visto quando o Universo tinha apenas 3 mil milhões de anos. Os astrónomos usaram o telescópio ATCA (Australia Telescope Compact Array) e o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) para detetar o gás monóxido de carbono (CO).

A presença do gás CO indica uma quantidade maior de hidrogénio molecular, que é muito mais difícil de detetar. Os astrónomos estimam que o gás molecular totaliza mais de 100 mil milhões de vezes a massa do Sol. Não só esta quantidade de gás é surpreendente, dizem, como o gás também deve ser inesperadamente frio, com cerca de -200º C. Este gás molecular tão frio é a matéria-prima para novas estrelas.

A presença do monóxido de carbono neste gás indica que foi enriquecido por explosões de supernova de gerações anteriores de estrelas. O carbono e o oxigénio no CO foram formados nos núcleos de estrelas que explodiram.

As observações do ATCA revelaram a extensão total do gás e as observações do VLA, muito mais focadas, forneceram outra surpresa. A maioria do gás frio foi encontrado, não dentro das protogaláxias, mas sim entre elas.

"Este é um sistema enorme, em que este gás molecular tem três vezes o tamanho da nossa Via Láctea," afirma Preshanth Jagannathan, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Socorro, no estado norte-americano do Novo México.

As observações anteriores da Teia de Aranha, feitas em comprimentos de onda ultravioletas, indicaram que está a ocorrer uma rápida formação estelar na maioria da região ocupada pelo gás.

"Parece que todo este sistema, eventualmente, entrará em colapso para formar uma única galáxia gigantesca," realça Jagannathan.

"Estas observações dão-nos um olhar fascinante sobre o que pensamos ser um estágio inicial no crescimento de galáxias massivas em enxames, um estágio muito diferente do crescimento galáctico no Universo atual," comenta Chris Carilli, do NRAO.

Os astrónomos relataram as suas descobertas na edição de 2 de dezembro da revista científica Science.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy
SPACE.com
EurekAlert!
COSMOS
EarthSky
ScienceDaily
PHYSORG
UPI

Galáxia Teia de Aranha:
SIMBAD
Wikipedia

ATCA:
Página principal
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Orionte e Nomes Oficiais das Estrelas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo
 
As estrelas familiares de Orionte e de outras constelações por todo o céu têm agora nomes oficiais. Ao longo do último ano, a União Astronómica Internacional, o único corpo oficialmente encarregado de dar nome às estrelas, aprovou nomes já em uso comum para 227 das estrelas mais brilhantes, incluindo as mais famosas Sirius, Polar e Betelgeuse. Na imagem pode ser vista a constelação de Orionte, com vários destes nomes, agora oficiais, legendados. Abrangendo cerca de 30 graus, esta vista de tirar o fôlego estende-se desde a cabeça até aos pés (esquerda para a direita) do famoso caçador mitológico. Os nomes de todas as três estrelas na Cintura de Orionte são agora também oficiais. A 1500 anos-luz de distância, a Grande Nebulosa de Orionte é a mais próxima grande região de formação estelar, visível aqui mesmo para a direita e para baixo do centro. Também são visíveis várias nebulosas famosas, entre elas a Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Nebulosa da Cabeça da Bruxa. Claro, a Nebulosa de Orionte e as estrelas brilhantes são fáceis de ver a olho nu, mas as nuvens de poeira e a emissão de grandes zonas com gás interestelar neste complexo rico em nebulosas são demasiado fracas e muito mais difíceis de registar. Neste mosaico de imagens telescópicas de banda larga foram adquiridas, com um filtro de hidrogénio-alfa, imagens adicionais para realçar os ténues filamentos do hidrogénio atómico energizado como no arco do gigante Loop de Barnard.
 

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