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Edição n.º 1394
18/07 a 20/07/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 18/07: 199.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do satélite russo Zond 3.
Em 1966, lançamento da Gemini 10 numa missão de 70 horas que inclui o acoplamento com um veículo de alvo Agena
Em 1969, a Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.

Observações: A primeira "estrela" que provavelmente consegue ver depois do pôr-do-Sol, este mês, é o brilhante planeta Júpiter, a sudoeste. Assim que o encontre, examine o céu 30º para cima dele (três punhos à distância do braço esticado) à procura de Arcturo, duas magnitudes mais ténue.
Quando anoitecer completamente, procure o padrão em forma de papagaio-de-papel da constelação de Boieiro, prolongando-se para cima e para a direita de Arcturo.

Dia 19/07: 200.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846 nascia Edward Pickering, espectroscopista americano pioneiro e diretor do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919.

Esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a coleção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1912, um meteorito com uma massa estimada de 190 kg explode sobre a cidade de Holbrook, no estado americano do Arizona, provocando a queda de aproximadamente 16.000 fragmentos de detritos. 
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do vaivém espacial Challenger na missão STS-51-L, que a 28 de Janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento.
Observações: Com o avançar do verão, o "Bule de Chá" de Sagitário, a sul depois do anoitecer, começa a inclinar-se e a "deitar água" para a direita. O "Bule de Chá" inclinar-se-á cada vez mais com o passar da estação - ou durante grande parte da noite, se ficar acordado até tarde.

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Observações: Antes do amanhecer, Vénus e a Lua, quase na fase Nova, brilham juntos a este. Para cima e para a sua direita está Aldebarã, e para cima de Aldebarã encontram-se as Plêiades. Para a esquerda da Lua e Vénus está El Nath, ou Beta Tauri, de magnitude 1,7.

 
CURIOSIDADES


Em média, existem 2,4 eclipses do Sol por ano, mas pode variar entre 2 e 5. A última vez que houve cinco eclipses solares num único ano foi em 1935. A próxima vez será em 2206.

 
DESCOBERTA UMA DAS MAIS BRILHANTES GALÁXIAS CONHECIDAS

Graças a uma imagem ampliada produzida por uma lente gravitacional, e ao Gran Telescopio CANARIAS (GTC), uma equipa de cientistas da Universidade Politécnica de Cartagena e do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriu uma das galáxias mais brilhantes, conhecidas, da época em que o Universo tinha 20% da sua idade atual.

As múltiplas imagens da galáxia descoberta, assinaladas pelas setas brancas (em baixo e à direita está a escala da imagem em arcos de segundo).
Crédito: Telescópio Espacial Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com a teoria da Relatividade Geral de Einstein, quando um raio de luz passa perto de um objeto muito massivo, a gravidade do objeto atrai os fotões e desvia-os do seu percurso inicial. Este fenómeno, conhecido como lente gravitacional, é comparável ao produzido por lentes sobre raios de luz e atua como uma espécie de lupa, alterando o tamanho e intensidade da imagem aparente do objeto original.

Usando este efeito, uma equipa de cientistas do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) liderada pelo investigador Anastasio Díaz-Sánches da Universidade Politécnica de Cartagena (UPT), descobriu uma galáxia muito distante, a cerca de 10 mil milhões de anos-luz de distância, aproximadamente mil vezes mais brilhante do que a Via Láctea. É a mais brilhante das galáxias submilimétricas, assim chamadas devido à sua emissão muito forte no infravermelho distante. Para a medir, usaram o Gran Telescopio Canarias (GTC) do Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma).

"Graças à lente gravitacional", realça Anastasio Díaz Sánchez, o autor principal do artigo científico, "produzida por um enxame de galáxias entre nós e a fonte, que atua como se fosse um telescópio, a galáxia aparenta ser 11 vezes maior e mais brilhante do que realmente é, e aparece em várias imagens num arco centrado na parte mais densa do enxame, conhecido como "Anel de Einstein". A vantagem deste tipo de ampliação é que não distorce as propriedades espectrais da luz, que podem ser estudadas para estes objetos muito distantes como se estivessem muito mais próximos."

Para encontrar esta galáxia, cuja descoberta foi publicada recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters, foi realizada uma busca por todo o céu, combinando as bases de dados dos satélites WISE (NASA) e Planck (ESA) a fim de identificar as mais brilhantes galáxias submilimétricas. A sua luz, ampliada por um enxame galáctico muito mais perto que atua como lente, forma uma imagem que parece muito maior do que deveria ser e, graças a esse efeito, conseguiram usar o GTC para caracterizar espectroscopicamente a sua natureza e as suas propriedades.

Formando estrelas a alta velocidade

A galáxia destaca-se por ter uma alta taxa de formação estelar. Está a formar estrelas a um ritmo de 1000 massas solares por ano, em comparação com a Via Láctea, que forma estrelas a um ritmo de aproximadamente duas massas solares por ano. Susana Iglesias-Groth, astrofísica do IAC e coautora do artigo, acrescenta: "Este tipo de objetos abriga as mais poderosas regiões de formação estelar conhecidas do Universo. O próximo passo será estudar o seu conteúdo molecular."

O facto de a galáxia ser tão brilhante, da sua luz estar ampliada gravitacionalmente e de existirem imagens múltiplas, permite-nos examinar as suas propriedades internas, o que de outro modo não seria possível com galáxias tão distantes.

"No futuro seremos capazes de fazer estudos mais detalhados da sua formação estelar usando interferómetros como o NOEMA/IRAM (Northern Extended Millimeter Array), na França, e o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile," conclui o investigador Helmut Dannerbauer do IAC, que também contribuiu para esta descoberta.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
ScienceDaily
PHYSORG

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

GTC (Gran Telescópio CANARIAS):
Página principal
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkeley

Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Wikipedia

 
BAIXA PROBABILIDADE DE EXISTÊNCIA DE VIDA EM TRAPPIST-1
Duas equipas separadas de cientistas identificaram grandes desafios para o desenvolvimento de vida no sistema TRAPPIST-1. Ilustrado nesta impressão de artista, contém sete planetas aproximadamente do tamanho da Terra em órbita de uma anã vermelha ultrafria. Esta estrela gira rapidamente e produz fluxos energéticos de radiação ultravioleta e um forte vento estelar. As equipas argumentam que o comportamento da anã vermelha torna muito menos provável que os três planetas situados na zona habitável do sistema possam suportar vida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Duas equipas separadas de cientistas identificaram grandes desafios para o desenvolvimento de vida no que recentemente se tornou num dos sistemas exoplanetários mais famosos, TRAPPIST-1.

As equipas, ambas lideradas por investigadores do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts, dizem que o comportamento da estrela no sistema TRAPPIST-1 torna muito menos provável que os planetas possam suportar vida.

A estrela TRAPPIST-1, uma anã vermelha, é muito mais ténue e menos massiva que o Sol. Gira rapidamente e gera explosões energéticas de radiação ultravioleta (UV).

A primeira equipa, um par de teóricos, teve em conta muitos factores que podem afetar as condições às superfícies dos planetas em órbita de anãs vermelhas. Para o sistema TRAPPIST-1, analisaram a forma como a temperatura pode ter tido um impacto na ecologia e na evolução, e se a radiação ultravioleta da estrela central pode corroer as atmosferas dos sete planetas em seu redor. Estes planetas estão muito mais perto da estrela do que a Terra está do Sol e três deles estão bem dentro da zona habitável.

"O conceito de uma zona habitável baseia-se em planetas situados em órbitas onde a água líquida pode existir," comenta Manasvi Lingam, investigador de Harvard que liderou o estudo. "No entanto, este é apenas um factor para determinar se um planeta é hospitaleiro para a vida."

Lingam e o seu coautor, o professor de Harvard Avi Loeb, descobriram que os planetas no sistema TRAPPIST-1 seriam bombardeados por radiação UV com uma intensidade muito maior do que a Terra aguenta.

"Por causa da investida de radiação da estrela, os nossos resultados sugerem que as atmosferas dos planetas no sistema TRAPPIST-1 podem estar, em grande parte, destruídas," comenta Loeb. "Isto prejudica as chances de formação ou persistência da vida."

Lingam e Loeb estimam que a probabilidade de existência de vida complexa em qualquer um dos três planetas na zona habitável de TRAPPIST-1 é inferior a 1% daquela para a vida existente na Terra.

Num estudo separado, uma diferente equipa de investigação do CfA e da Universidade de Massachusetts em Lowell descobriu que a estrela TRAPPIST-1 representa outra ameaça para a vida nos planetas em seu redor. Tal como o Sol, a anã vermelha TRAPPIST-1 liberta um fluxo de partículas para o espaço. No entanto, a pressão aplicada pelo vento da estrela TRAPPIST-1 sobre os planetas é 1000 a 100.000 vezes maior do que a pressão que o vento solar exerce na Terra.

Os autores argumentam que o campo magnético da estrela liga-se aos campos magnéticos dos planetas em órbita, permitindo um fluxo direto das partículas do vento estelar para as atmosferas dos planetas. Caso esse fluxo de partículas fosse forte o suficiente, retiraria a atmosfera ao planeta ou talvez a evaporasse totalmente.

"O campo magnético da Terra atua como um escudo contra os efeitos potencialmente prejudiciais do vento solar," comenta Cecilia Garraffo do CfA, que liderou o novo estudo. "Se a Terra estivesse muito mais perto do Sol e fosse submetida à investida de partículas como a estrela TRAPPIST-1 liberta, o nosso escudo planetário falharia rapidamente."

Embora estes dois estudos sugiram que a probabilidade de existência de vida seja mais baixa do que se pensava anteriormente, isso não significa que o sistema TRAPPIST-1 ou outros com anãs vermelhas sejam desprovidos de vida.

"Não estamos, definitivamente, a dizer para as pessoas desistirem de procurar vida em torno das estrelas anãs vermelhas," realça o coautor Jeremy Drake, também do CfA. "Mas o nosso trabalho e o trabalho dos nossos colegas mostram que também devemos debruçar-nos em tantas estrelas quanto possível que sejam mais como o Sol."

O artigo de Lingam e Loeb foi publicado na revista International Journal of Astrobiology e está disponível online. O artigo de Garraffo et al, também disponível online, foi publicado na The Astrophysical Journal Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
International Journal of Astrobiology
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Astrobiology Magazine
Universe Today
Science alert
PHYSORG
Forbes

TRAPPIST-1:
Wikipedia
Open Exoplanet Catalogue
TRAPPIST-1b (Wikipedia)
TRAPPIST-1b (Exoplanet.eu) 
TRAPPIST-1c (Wikipedia) 
TRAPPIST-1c (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1d (Wikipedia)
TRAPPIST-1d (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1e (Wikipedia)
TRAPPIST-1e (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1f (Wikipedia)
TRAPPIST-1f (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1g (Wikipedia)
TRAPPIST-1g (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1h (Wikipedia)
TRAPPIST-1h (Exoplanet.eu)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Zona habitável:
Wikipedia

Anãs vermelhas:
Wikipedia

 
NOVAS EVIDÊNCIAS EM SUPORTE DA HIPÓTESE DO PLANETA NOVE

No ano passado foi anunciada a existência de um planeta desconhecido no nosso Sistema Solar. No entanto, esta hipótese foi posteriormente posta em causa devido à deteção de vieses nos dados observacionais. Agora, astrónomos espanhóis usaram uma técnica inovadora para analisar as órbitas dos chamados objetos transneptunianos extremos e, mais uma vez, salientam que há algo a perturbá-los: um planeta localizado a 300-400 vezes a distância Terra-Sol.

Os cientistas continuam a debater sobre a existência de um nono planeta no nosso Sistema Solar. No início de 2016, investigadores do Caltech (EUA) anunciaram que tinham evidências da existência desse objeto, localizado a uma distância média de 700 UA ou unidades astronómicas (700 vezes a distância entre a Terra e o Sol) e com uma massa dez vezes a da Terra. Os seus cálculos foram motivados pela distribuição peculiar das órbitas descobertas para objetos transneptunianos (em inglês "trans-Neptunian objects" ou TNOs) da Cintura de Kuiper, que aparentemente revelavam a presença de um Planeta Nove nos confins do Sistema Solar.

No entanto, cientistas do projeto canadiano-francês-havaiano OSSOS detetaram vieses nas suas próprias observações das órbitas destes TNOs, que foram sistematicamente direcionadas para as mesmas regiões do céu, e consideraram que outros grupos, incluindo o grupo de Caltech, podiam estar com os mesmos problemas. De acordo com estes cientistas, não é necessário propor a existência de um perturbador gigante (um Planeta Nove) para explicar estas observações, pois são compatíveis com uma distribuição aleatória de órbitas.

Esta impressão de artista mostra o distante Planeta Nove.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, agora dois astrónomos da Universidade Complutense de Madrid aplicaram uma nova técnica, menos exposta a viés observacional, para estudar um tipo especial de objetos transneptunianos: os mais extremos ("extreme trans-Neptunian objects" ou ETNOs), localizados a distâncias médias superiores a 150 UA e que nunca cruzam a órbita de Neptuno. Pela primeira vez foram analisadas as distâncias dos seus nodos ao Sol e os resultados, publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters, indicam mais uma vez que existe um planeta para lá de Plutão.

Os nodos são os dois pontos em que a órbita de um ETNO, ou qualquer outro corpo celeste, cruza o plano do Sistema Solar (eclíptica). Estes são precisamente os pontos onde a probabilidade de interagir com outros objetos é maior e, portanto, nesses pontos, os ETNOs podem sofrer uma mudança drástica nas suas órbitas ou mesmo uma colisão.

Como os cometas que interagem com Júpiter

"Se não há nada para os perturbar, os nodos destes objetos transneptunianos extremos devem estar uniformemente distribuídos, pois não há para evitar, mas se existirem um ou dois perturbadores, duas situações podem surgir," explica Carlos de la Fuente Marcos, um dos autores. "Uma possibilidade é que os ETNOs são estáveis e, neste caso, tendem a ter os seus nodos longe do caminho de possíveis perturbadores, acrescenta, mas se são instáveis, eles comportar-se-ão como os cometas que interagem com Júpiter, isto é, tendem a ter um dos nodos perto da órbita do perturbador hipotético."

Usando cálculos e prospeção de dados, os astrónomos espanhóis descobriram que os nodos dos 28 ETNOs analisados (e os 24 Centauros extremos com distâncias médias ao Sol superiores a 150 UA) estão agrupados em certas gamas de distâncias ao Sol; além disso, encontraram uma correlação, onde não deveria existir nenhuma, entre as posições dos nodos e a inclinação, um dos parâmetros que define a orientação das órbitas destes objetos gelados no espaço.

"Assumindo que os ETNOs são dinamicamente semelhantes aos cometas que interagem com Júpiter, interpretamos estes resultados como sinais da presença de um planeta que interage ativamente com eles numa gama de distâncias entre 300 e 400 UA," afirma De la Fuente Marcos, que enfatiza: "Nós achamos que o que estamos aqui a ver não pode ser atribuído à presença de um viés observacional."

Até agora, os estudos que desafiaram a existência do Planeta Nove, usando os dados disponíveis para estes objetos transneptunianos, argumentaram a existência de erros sistemáticos ligados às orientações das órbitas (definidas por três ângulos), devido à forma como as observações tinham sido feitas. No entanto, as distâncias nodais dependem principalmente do tamanho e forma da órbita, parâmetros relativamente livres de viés observacional.

"É a primeira vez que os nodos foram utilizados para tentar entender a dinâmica dos ETNOs," realça o coautor, já que admite que a descoberta de mais ETNOs (de momento só se conhecem 28) permitiria a confirmação do cenário proposto e, subsequentemente, restringiria a órbita do planeta desconhecido através da análise da distribuição dos nodos.

Os autores realçam que o seu estudo suporta a existência de um objeto planetário dentro da gama de parâmetros considerados tanto para a hipótese do Planeta Nove de Mike Brown e Konstantin Batygin do Caltech, como na original proposta em 2014 por Scott Sheppard do Instituto Carnegie e Chadwick Trujillo da Universidade do Norte do Arizona; além de seguir as linhas dos seus próprios estudos anteriores (o mais recente liderado pelo Instituto de Astrofísica das Canárias), que sugeriram a existência de mais do que um planeta desconhecido no nosso Sistema Solar.

Existe também um Planeta Dez?

De la Fuente Marcos explica que o hipotético Planeta Nove sugerido neste estudo nada tem a ver com outro possível planeta ou planetoide situado muito mais perto de nós e insinuado por outros achados recentes. Aplicando também prospeção de dados às órbitas dos TNOs da Cintura de Kuiper, os astrónomos Kathryn Volk e Renu Malhotra da Universidade do Arizona (EUA) descobriram que o plano no qual estes objetos orbitam o Sol está ligeiramente deformado, facto que poderá ser explicado caso exista um perturbador do tamanho de Marte a 60 UA do Sol.

"Dada a definição atual de planeta, este outro misterioso objeto pode não ser um planeta verdadeiro, mesmo que tenha um tamanho semelhante ao da Terra, pois pode estar rodeado por asteroides enormes ou planetas anões," explica o astrónomo espanhol, que continua dizendo: "De qualquer forma, estamos convencidos de que o trabalho de Volk e Malhotra encontrou evidências sólidas da presença de um corpo enorme para lá do chamado Penhasco de Kuiper, o ponto mais distante da cintura transneptuniana, a cerca de 50 UA do Sol, e esperamos poder apresentar em breve um novo trabalho que também apoia a sua existência."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/04/2017 - Estão a ser investigados quatro objetos desconhecidos na pesquisa pelo Planeta Nove
24/02/2017 - Novos dados sobre dois asteroides distantes dão pistas sobre possível "Planeta Nove"
21/10/2016 - Inclinação curiosa do Sol atribuída ao Planeta Nove
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Notícias relacionadas:
SiNC (fonte)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters
SPACE.com
PHYSORG
UPI

Planeta Nove:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Explorar Júpiter (via ESA)
Pode ainda estar a cinco anos de distância do lançamento, e a mais de uma década do nosso ‘Explorador das Luas Geladas de Júpiter’ chegar ao gigante do gás e às suas luas geladas, mas os preparativos estão bem encaminhados. Esta nova impressão de artista retrata o projeto final da nave espacial, cuja construção está a ser supervisionada pela Airbus Defense and Space. Ler fonte
     
  Planetas como a Terra podem ter tido origens "lamacentas" (via Planetary Science Institute)
Cientistas há muito que pensam que os planetas - incluindo a Terra -, foram construídos a partir de asteroides rochosos, mas uma nova investigação desafia essa ideia. A investigação sugere que muitos dos blocos de construção planetária do nosso Sistema Solar podem ter começado, não como asteroides rochosos, mas como bolas gigantes de lama quente. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 4449: Ampliação de uma Pequena Galáxia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados - Arquivo do HubbleESANASA; Processamento - Domingo Pestana GalvanRaul Villaverde Fraile
 
As grandes galáxias espirais muitas vezes parecem receber toda a glória. Os seus jovens aglomerados azuis de estrelas e as suas regiões de formação estelar, ao longo dos majestosos braços espirais, garantidamente atraem a nossa atenção. Mas as pequenas galáxias irregulares também formam estrelas, como NGC 4449, a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância. Com menos de 20.000 anos-luz de diâmetro, este pequeno universo ilha é de tamanho semelhante e muitas vezes comparado com a galáxia satélite da nossa Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães. Esta extraordinária imagem da galáxia bem estudada foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble e reprocessada para destacar o brilho revelador e avermelhado do hidrogénio gasoso. O brilho traça as regiões de formação estelar de NGC 4449, algumas até maiores que as da Grande Nuvem de Magalhães, com enormes arcos interestelares e bolhas sopradas por estrelas massivas e de curta duração. NGC 4449 é um membro do grupo de galáxias encontrado na direção da constelação de Cães de Caça. Também mantém a distinção de ser a primeira galáxia anã identificada como tendo um fluxo estelar de maré.
 

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