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Edição n.º 1452
06/02 a 08/02/2018
 
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23/02/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
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Telefone: 289 890 920
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EFEMÉRIDES

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Em 2016, um objeto não identificado, alegadamente, mata um homem e fere outros três, deixando para trás uma cratera com mais de 1,2 metros, num campus universitário na Índia. A ser verdade, foi a primeira vez, na história moderna, que um ser humano foi morto por um meteorito.
Observações: Betelgeuse, o ombro de Orionte, e Aldebarã, o olho de Touro, encontram-se altas a sul por estas noites. Já comparou as suas cores? Consegue notar alguma diferença nas suas cores? Aldebarã é do tipo espectral K III, normalmente chamada uma gigante "laranja", enquanto Betelgeuse, do tipo espectral M1-M2 Ia, é normalmente chamada uma supergigante "vermelha". As suas temperaturas são, de facto, diferentes: 3910 K e 3590 K, respetivamente.
Uma complicação: Betelgeuse é mais brilhante e, para o olho humano, as cores dos objetos mais brilhantes parecem, falsamente, ter pouca saturação: parecendo mais pálidos (esbranquiçados) do que na realidade são.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta. Sai de dentro da órbita de Neptuno no dia 11 de fevereiro de 1999.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Em 2016, a Coreia do Norte lança o satélite Kwangmyŏngsŏng-4 para o espaço.
Observações: A Lua, quase em Quarto Minguante, nasce por volta das 00:30. Júpiter nasce por baixo da Lua cerca de 50 minutos depois. Antes do amanhecer estes dois astros encontram-se altos a sul - agora Júpiter está para baixo e para a esquerda da Lua, Marte ainda mais para baixo e para a esquerda, e Antares para baixo de Marte.
Lua em Quarto Minguante, pelas 15:54.

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.

Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1992, a sonda espacial Ulysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol.
Observações: A Lua nasce por volta das 01:30, com Júpiter brilhando para a sua direita ou para cima e para a direita. Antes do amanhecer, estão altos a sul - Júpiter está para a direita da Lua, Marte para baixo e para a esquerda da Lua e Antares por baixo de Marte.

 
CURIOSIDADES


Na nossa perspetiva terrestre das coisas, a velocidade da luz parece incrivelmente rápida. Mas assim que vemos da perspetiva vasta do Universo, é infelizmente muito lenta. Esta animação mostra, em tempo real, a viagem de um fotão de luz emitido a partir da superfície do Sol até para lá de Júpiter.

 
PLANETAS TRAPPIST-1 SÃO PROVAVELMENTE RICOS EM ÁGUA
Esta imagem artística mostra vários dos planetas que orbitam a estrela anã ultrafria TRAPPIST-1. Novas observações combinadas com análise muito sofisticada, deram-nos boas estimativas das densidades dos sete planetas do tamanho da Terra, sugerindo que estes objetos são ricos em materiais voláteis, provavelmente água.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um novo estudo determinou que os sete planetas descobertos em órbita da estrela anã ultrafria próxima de nós, TRAPPIST-1, são todos constituídos principalmente por rochas e alguns poderão potencialmente ter mais água que a Terra. As densidades dos planetas, agora conhecidas com muito mais precisão que anteriormente, sugerem que alguns destes corpos podem ter até 5% da sua massa sob a forma de água — cerca de 250 vezes mais que os oceanos da Terra. Os planetas mais quentes mais próximos da estrela progenitora têm provavelmente atmosferas densas de vapor e os mais distantes terão provavelmente superfícies geladas. Em termos de tamanho, densidade e radiação recebida da estrela, o quarto planeta a contar do interior é o mais semelhante à Terra. Parece ser o mais rochoso dos sete e tem potencial para ter água líquida à sua superfície.

Os planetas que se encontram em órbita da ténue estrela vermelha TRAPPIST-1, situada a apenas 40 anos-luz de distância da Terra, foram inicialmente detetados em 2016 pelo telescópio TRAPPIST-South instalado no Observatório de La Silla do ESO. No ano seguinte observações adicionais obtidas com telescópios colocados no solo, incluindo o VLT (Very Large Telescope) do ESO, e com o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, revelaram que existem sete planetas no sistema, cada um mais ou menos do tamanho da Terra. Deram-se-lhes os nomes TRAPPIST-1b, c, d, e, f, g, h, por ordem crescente de distância à estrela central.

Este diagrama compara as massas e a energia dos sete planetas TRAPPIST-1, mostrando também as propriedades dos quatro planetas interiores do Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foram agora obtidas mais observações, tanto por telescópios colocados no solo, incluindo a infraestrutura SPECULOOS instalada no Observatório do Paranal do ESO, como pelos Telescópios Espaciais Spitzer e Kepler da NASA. Uma equipa de cientistas, liderada por Simon Grimm da Universidade de Berna, na Suíça, aplicou modelos computacionais muito complexos a todos os dados disponíveis e determinou as densidades dos planetas com muito mais precisão do que anteriormente.

A medição das densidades dos exoplanetas não é uma tarefa fácil, já que é preciso saber o tamanho e a massa dos planetas em questão. Os planetas TRAPPIST-1 foram descobertos pelo método dos trânsitos — a busca de pequenos decréscimos no brilho de uma estrela, que assinala a altura em que um planeta passa em frente ao seu disco e bloqueia parte da sua luz. Este método fornece uma boa estimativa do tamanho do planeta, mas medir a sua massa é mais difícil — se mais nenhum efeito estiver presente, planetas com massas diferentes têm as mesmas órbitas e não há uma maneira direta de os distinguir. No entanto, num sistema com múltiplos planetas há uma maneira — os planetas de maior massa perturbam mais as órbitas dos outros planetas do que os planetas mais leves, o que por sua vez afeta a altura em que ocorrem os trânsitos. A equipa liderada por Simon Grimm usou estes efeitos complicados e muito subtis para estimar as massas mais prováveis dos sete planetas, baseando-se numa grande quantidade de dados dos trânsitos e em análise de dados e modelos muito sofisticados.

Este diagrama compara os tamanhos, massas e temperaturas estimadas dos planetas TRAPPIST-1 com os planetas do Sistema Solar. As cores indicam temperaturas e a linha preta corresponde às densidades e composição dos planetas terrestres do Sistema Solar. Os planetas acima da linha são menos densos e os planetas abaixo são mais densos.
Crédito: ESO/S. Grimm et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Simon Grimm explica como é que são determinadas as massas dos planetas: "Os planetas TRAPPIST-1 estão tão próximo uns dos outros que interferem entre si gravitacionalmente, por isso os momentos em que passam em frente à sua estrela progenitora variam ligeiramente. Estas variações dependem das massas dos planetas, das suas distâncias e de outros parâmetros orbitais. Com um modelo de computador, simulámos as órbitas dos planetas até que os trânsitos calculados coincidissem com os valores observados, derivando assim as massas planetárias."

O membro da equipa Eric Agol fala da importância deste resultado: "Um dos objetivos deste tipo de estudo é determinar a composição de planetas semelhantes à Terra em tamanho e temperatura. A descoberta de TRAPPIST-1 e as capacidades únicas das infraestruturas do ESO no Chile e do Telescópio Espacial Spitzer da NASA tornaram este estudo possível — dando-nos assim o nosso primeiro vislumbre da composição de exoplanetas do tamanho da Terra!"

As medições das densidades, quando combinadas com modelos das composições dos planetas, sugerem que os sete planetas TRAPPIST-1 não são mundos rochosos estéreis. Parecem conter quantidades significativas de materiais voláteis, provavelmente água, correspondente, em alguns casos, a 5% da massa do planeta — uma quantidade enorme quando comparada com a Terra que tem apenas cerca de 0,02% de água relativamente à sua massa!

Este diagrama compara as massas e o fluxo incidente da estrela progenitora para o sistema TRAPPIST-1 e outros exoplanetas, assim como para vários planetas do Sistema Solar.
Crédito: ESO/S. Grimm et al.
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"Embora nos deem importantes pistas sobre a composição planetária, as densidades não nos dizem nada sobre a habitabilidade do planeta. Apesar disso, o nosso estudo constitui um importante passo em frente no sentido de determinarmos se estes planetas poderão suportar vida," disse Brice-Olivier Demory, coautor do estudo a trabalhar na Universidade de Berna.

TRAPPIST-1b e c — os planetas mais interiores — têm muito provavelmente núcleos rochosos e encontram-se rodeados por atmosferas muito mais espessas que a da Terra. TRAPPIST-1d é o planeta mais leve com cerca de 30% da massa da Terra. Os cientistas não sabem precisar se terá uma grande atmosfera, um oceano ou uma camada de gelo.

Os investigadores ficaram surpreendidos por TRAPPIST-1e ser o único planeta do sistema ligeiramente mais denso que a Terra, o que sugere que possa ter um núcleo de ferro mais denso e que não tem necessariamente que possuir uma atmosfera espessa, um oceano ou uma camada de gelo. O facto de TRAPPIST-1e parecer ser muito mais rochoso em termos que composição que os restantes planetas é algo que permanece um mistério. Em termos de tamanho, densidade e quantidade de radiação recebida da estrela, este é o planeta mais parecido com a Terra.

Este esquema compara o sistema planetário TRAPPIST-1 com o Sistema Solar interior e com os quatro satélites galileanos do planeta Júpiter.
Créditos: NASA/JPL
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TRAPPIST-1f, g e h encontram-se suficientemente longe da estrela hospedeira para que a água se encontre gelada às suas superfícies. Se possuírem atmosferas finas, provavelmente não conterão as moléculas pesadas que encontramos na Terra, como, por exemplo, dióxido de carbono.

"É interessante notar que os planetas mais densos não são os que se encontram mais próximos da estrela e que os planetas mais frios não podem conter atmosferas densas," diz Caroline Dorn, coautora do estudo a trabalhar na Universidade de Zurique, na Suíça.

O sistema TRAPPIST-1 continuará a ser alvo de intenso escrutínio no futuro com muitas infraestruturas no solo e no espaço, incluindo o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO e o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA.

Este esquema lista as propriedades principais dos sete planetas TRAPPIST-1, assim como as dos quatro planetas interiores do Sistema Solar, na mesma escala.
Crédito: NASA/JPL
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Os astrónomos trabalham também intensamente para procurar mais planetas em torno de estrelas vermelhas ténues como TRAPPIST-1. Como explica o membro da equipa Michaël Gillon: "Este resultado destaca o enorme interesse em explorar estrelas anãs ultrafrias próximas — como TRAPPIST-1 — para procurar planetas terrestres em trânsito. É exatamente este o objetivo do SPECULOOS, o nosso novo caçador de exoplanetas que está prestes a começar as operações no Observatório do Paranal do ESO, no Chile."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/09/2017 - Será que os sete planetas de TRAPPIST-1 têm irmãos gigantes e gasosos?
05/09/2017 - Hubble fornece pistas do possível conteúdo de água dos planetas de TRAPPIST-1
15/07/2017 - TRAPPIST-1 é mais antiga que o nosso Sistema Solar
18/07/2017 - Baixa probabilidade de existência de vida em TRAPPIST-1
13/06/2017 - Astrónomos explicam formação de sete exoplanetas em redor de TRAPPIST-1
23/05/2017 - Astrónomos confirmam detalhes orbitais do planeta menos compreendido de TRAPPIST-1
02/05/2017 - Sistema solar recém-descoberto pode "semear" vida entre exoplanetas
28/02/2017 - Planetas do tamanho da Terra: a geração mais recente e estranha
24/02/2017 - Anã ultrafria e os sete planetas
10/02/2017 - NASA descobre que planetas de anãs vermelhas podem perder oxigénio nas zonas habitáveis
28/10/2016 - Preferencialmente, planetas do tamanho da Terra com muita água
16/09/2016 - Conheça a estrela, conheça o planeta 
22/07/2016 - Hubble faz o primeiro estudo atmosférico de exoplanetas do tamanho da Terra
03/05/2016 - Três mundos potencialmente habitáveis em torno de uma estrela anã muito fria

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
NASA (comunicado de imprensa)
Hubble - ESA (comunicado de imprensa)
JPL/NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Birmingham (comunicado de imprensa)
EurekAlert!
spaceref
PHYSORG
CNN

TRAPPIST-1:
Wikipedia
Open Exoplanet Catalogue
TRAPPIST-1b (Wikipedia)
TRAPPIST-1b (Exoplanet.eu) 
TRAPPIST-1c (Wikipedia) 
TRAPPIST-1c (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1d (Wikipedia)
TRAPPIST-1d (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1e (Wikipedia)
TRAPPIST-1e (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1f (Wikipedia)
TRAPPIST-1f (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1g (Wikipedia)
TRAPPIST-1g (Exoplanet.eu)
TRAPPIST-1h (Wikipedia)
TRAPPIST-1h (Exoplanet.eu)

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Zona habitável:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Descobertas planetárias do Kepler

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
ASTROFÍSICOS DESCOBREM PLANETAS NOUTRA GALÁXIA
A lente gravitacional galáctica RX J1131-1231com a galáxia da lente no centro e quatro quasares de fundo. Estima-se que existam biliões de planetas na galáxia elíptica central da imagem.
Crédito: Universidade de Oklahoma
 

Uma equipa de astrofísicos da Universidade de Oklahoma descobriu, pela primeira vez, uma população de planetas para lá da Via Láctea. Usando microlentes - um fenómeno astronómico e o único conhecido capaz de descobrir planetas a distâncias verdadeiramente enormes da Terra, entre outras técnicas de deteção - investigadores foram capazes de detetar objetos noutras galáxias que variam desde a massa da Lua até à massa de Júpiter.

Xinyu Dai, professor do Departamento Homer L. Dodge de Física e Astronomia, do Colégio de Artes e Ciências da Universidade de Oklahoma, juntamente com o investigador pós-doutorado Eduardo Guerras, fizeram a descoberta recorrendo a dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, um telescópio espacial controlado pelo Observatório Astrofísico do Smithsonian.

"Estamos muito excitados com esta descoberta. Esta é a primeira vez que alguém descobriu planetas fora da nossa Galáxia," realça Dai. "Estes planetas pequenos são os melhores candidatos para a assinatura que observámos neste estudo usando a técnica de microlentes. Analisámos a alta frequência da assinatura modelando os dados para determinar a massa."

Apesar de descobrirmos regularmente planetas na nossa Via Láctea usando microlentes, o efeito gravitacional de até objetos pequenos pode criar uma alta ampliação, levando a uma assinatura que pode ser modelada e explicada noutras galáxias. Até este estudo, não havia evidências de planetas noutras galáxias.

"Este é um exemplo de quão poderosas podem ser as técnicas de análise de microlentes extragalácticas. Esta galáxia está localizada a 3,8 mil milhões de anos-luz de distância e não há a mínima hipótese de observar estes planetas diretamente, nem mesmo com o melhor telescópio que se possa imaginar num cenário de ficção científica," comenta Guerras. "No entanto, somos capazes de os estudar, revelar a sua presença e até ter uma ideia das suas massas. É uma forma muito emocionante de ciência."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Oklahoma (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
ScienceDaily
Science alert
PHYSORG

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Microlentes gravitacionais:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
VENTOS ESTELARES QUE SE COMPORTAM INESPERADAMENTE

O XMM-Newton da ESA detetou mudanças surpreendentes nos poderosos fluxos de gás de duas estrelas massivas, sugerindo que os ventos estelares em colisão não se comportam como o esperado.

As estrelas massivas - várias vezes maiores do que o nosso Sol - levam vidas turbulentas, queimando o seu combustível nuclear rapidamente e expelindo grandes quantidades de material para os seus arredores ao longo das suas curtas, mas furiosas vidas.

Estes ferozes ventos estelares podem transportar o equivalente à massa da Terra num mês e viajar milhões de quilómetros por hora, de modo que quando dois destes ventos colidem, libertam quantidades enormes de energia. O choque cósmico aquece o gás a milhões de graus, tornando-o brilhante em raios-X.

A evolução dos ventos estelares no sistema binário HD 5980, observada pelo XMM-Newton da ESA entre 2000 e 2016.
O sistema consiste de duas estrelas com 60 vezes a massa do Sol e é o primeiro sistema estelar com ventos em colisão descoberto para lá da nossa Via Láctea em 2007. Encontra-se na Pequena Nuvem de Magalhães.
Os dados do XMM-Newton, recolhidos entre 2000 e 2005, mostram uma fonte de raios-X brilhante e energética, com variações características de uma interação em curso entre os ventos soprados pelas duas estrelas.
Esperava-se que o sistema diminuisse de brilho com o passar dos anos, mas observações posteriores realizadas com o XMM-Newton em 2016 revelaram o oposto: o sistema era duas vezes e meia mais brilhante do que uma década antes, e a sua emissão de raios-X tinha mudado para energias mais altas.
Estas observações surpreendentes parecem indicar que os choques dos ventos estelares trabalham de modo contraintuitivo, demonstrando um estudo teórico que teorizava um tal cenário, publicado por Nathaniel D. Kee e colaboradores em 2014.
Crédito: ESA/XMM-Newton; Y. Nazé et al. 2018
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Normalmente, os ventos em colisão mudam pouco porque nem as estrelas nem as suas órbitas mudam. No entanto, algumas estrelas massivas têm comportamentos dramáticos. Este é o caso de HD 5980, um par de duas estrelas gigantes, cada com 60 vezes a massa do nosso Sol e separadas por apenas 100 milhões de quilómetros - mais perto do que a Terra está do Sol.

Uma delas sofreu uma grande explosão em 1994, reminiscente da erupção que transformou Eta Carinae na segunda estrela mais brilhante do céu durante mais ou menos 18 anos no século XIX. Embora já seja tarde demais para estudar a histórica erupção de Eta Carinae, os astrónomos têm vindo a observar HD 5980 com telescópios de raios-X para estudar o gás quente.

Em 2007, Yaël Nazé da Universidade de Liège, Bélgica, e colegas descobriram a colisão dos ventos destas estrelas usando observações feitas pelos telescópios XMM-Newton da ESA e Chandra da NASA entre 2000 e 2005. E observaram novamente com o XMM-Newton em 2016.

"Nós esperávamos que HD 5980 diminuísse gentilmente de brilho ao longo dos anos, à medida que a estrela em erupção voltava ao normal - mas, para nossa surpresa, fez exatamente o contrário," comenta Yaël. Descobriram que o par era duas vezes e meia mais brilhante do que uma década antes e que a sua emissão de raios-X era ainda mais energética. "Nós nunca tínhamos visto nada assim numa colisão entre ventos."

Imagem do Telescópio Espacial Hubble do enxame NGC 346 - a seta indica a posição de HD 5980.
Crédito: NASA, ESA e A. Nota (STScI/ESA)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com menos material expelido, mas mais luz emitida, foi difícil explicar o que estava a acontecer. Finalmente, encontraram um estudo teórico que fornece um cenário apropriado.

"Quando os ventos estelares chocam, o material liberta grandes quantidades de raios-X. No entanto, caso a matéria quente irradie muita luz, esta arrefece rapidamente, o choque torna-se instável e a emissão de raios-X diminui. "Este processo um pouco contraintuitivo é o que pensamos ter acontecido no momento das nossas primeiras observações, há mais de 10 anos atrás. Mas, até 2016, o choque tinha relaxado e as instabilidades tinham diminuído, permitindo que a emissão de raios-X eventualmente subisse."

Estas são as primeiras observações que fundamentam este cenário anteriormente hipotético. Os colegas de Yaël estão agora a testar o novo resultado em maior detalhe através de simulações de computador. "Descobertas únicas como esta demonstram como o XMM-Newton continua a fornecer aos astrónomos novos materiais para melhorar a nossa compreensão dos processos mais energéticos do Universo," comenta Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG

HD 5980:
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM UMA DAS PRIMEIRAS ESTRELAS FORMADAS NA VIA LÁCTEA

Investigadores do IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) identificaram, usando o GTC (Gran Telescopio de Canarias), uma estrela que pode ser a chave para a formação dos primeiros elementos químicos na Galáxia. Os resultados desta investigação foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

O estudo divulga a descoberta de uma das estrelas com o menor conteúdo metálico (elementos pesados) conhecido. A estrela está a 7500 anos-luz da Terra, no halo da Via Láctea e na direção da constelação do Lince. A estrela está ainda na sequência principal, o estágio em que a maioria das estrelas passa a maior parte das suas vidas. A fonte de energia destas estrelas é, como sempre, a fusão do hidrogénio nos seus núcleos, e as suas temperaturas superficiais e luminosidades são quase constantes com o passar do tempo. Outra das suas propriedades é a sua pequena massa, cerca de 0,7 vezes a massa do Sol, embora seja 400 graus mais quente.

As primeiras estrelas da Via Láctea.
Crédito: Gabriel Pérez, SMM (IAC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta descoberta foi feita usando o OSIRIS (Optical System for Imaging and low-intermediate-Resolution Integrated Spectoscopy) acoplado ao GTC, no Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma). A espectroscopia permite-nos decompor a luz de objetos celestes para estudar as suas propriedades físicas e químicas, e graças a isso sabemos que J0815+4729 possui apenas uma milionésima parte do cálcio e do ferro que o Sol contém, mas tem um conteúdo comparativamente enorme de carbono, quase 15% da abundância solar.

"Nós conhecemos apenas algumas estrelas (que podem ser contadas com os dedos de uma mão) deste tipo no halo, onde as estrelas mais antigas e mais pobres em metais da Via Láctea se encontram," explica David Aguado, estudante do IAC e da Universidade de La Laguna, autor principal do artigo.

"A teoria prevê que estas estrelas possam formar-se só após e usando o material das primeiras supernovas, cujas progenitoras foram as primeiras estrelas massivas da Galáxia, cerca de 300 milhões de anos após o Big Bang," explica Jonay González Hernández, investigação do IAC e um dos autores do artigo. "Apesar da sua idade e da sua distância, ainda a podemos observar," acrescenta.

De facto, esta estrela foi identificada na base de dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) durante o levantamento BOSS (Baryon Oscillation Spectroscopic Survey) e mais tarde observada com o espectrógrafo de dispersão intermédia ISIS no Telescópio William Herschel (WHT) do Grupo de Telescópios Isaac Newton, também no Observatório Roque de los Muchachos.

"Esta estrela estava aninhada na base de dados do levantamento BOSS, entre um milhão de espectros estelares que analisámos para a identificar, o que exigiu um considerável esforço observacional e computacional," afirmou Carlos Allende Prieto, outro investigador do IAC e coautor do artigo. "É necessária espectroscopia de alta resolução, em grandes telescópios, para tentar detetar os elementos químicos da estrela que podem ajudar-nos a entender as primeiras supernovas e as suas progenitoras," enfatizou.

No futuro próximo, o espectrógrafo de alta resolução HORS, atualmente numa fase de testes no GTC, será um instrumento fundamental para a análise química de estrelas fracas como J0815+4729.

Rafel Rebolo, diretor do IAC e coautor do artigo, explica que a "deteção de lítio nos fornece informações relacionadas com a nucleossíntese do Big Bang. Estamos a trabalhar num espectrógrafo de alta resolução e de grande banda espectral a fim de medir (entre outras coisas) a composição química detalhada de estrelas com propriedades únicas como J0815+4719".

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
Universe Today
ScienceDaily
PHYSORG
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Metalicidade:
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Via Láctea:
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SEDS

GTC (Gran Telescópio CANARIAS):
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WHT (William Herschel Telescope):
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  Grupo distante de galáxias contradiz modelos e simulações cosmológicas (via Universidade da Califórnia em Irvine)
Uma equipa de astrónomos determinou que Centauro A, uma gigante galáxia elíptica a 13 milhões de anos-luz da Terra, está acompanhada por um número de galáxias satélites em órbita do corpo principal num disco estreito. É a primeira vez que um tal arranjo galáctico foi observado para lá do Grupo Local. Ler fonte
     
  Telescópio natural estabelece novo recorde de ampliação (via Universidade do Hawaii)
As galáxias extremamente distantes são normalmente demasiado ténues para serem observadas, até pelo maiores telescópios. Mas a natureza tem uma solução: lentes gravitacionais, previstas por Albert Einstein e observadas muitas vezes pelos astrónomos. Uma equipa de astrónomos descobriu um dos exemplos mais extremos de ampliação por lentes gravitacionais. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7635: Nebulosa da Bolha
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Göran Nilsson e Telescópio Liverpool
 
É a bolha contra a nuvem. NGC 7635, a Nebulosa da Bolha, está a ser empurrada pelo vento estelar da estrela massiva BD+602522, visível em azul para a direita, dentro da nebulosa. Ao lado, porém, vive uma nuvem molecular gigante, visível para a extrema direita em vermelho. Neste lugar no espaço, uma força irresistível encontra um objeto imóvel de uma maneira interessante. A nuvem é capaz de conter a expansão da bolha de gás, mas é irradiada pela radiação quente da estrela central da bolha. A radiação aquece regiões densas da nuvem molecular, fazendo-a brilhar. A Nebulosa da Bolha mede cerca de 10 anos-luz em diâmetro e faz parte de um complexo muito maior de estrelas e conchas. A Nebulosa da Bolha pode ser vista com um telescópio pequeno na direção da constelação da Rainha de Etiópia (Cassiopeia).
 

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