20/03/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 20 de março realiza-se a sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 20:00. Neste dia teremos o equinócio de Primavera e como tal vamos abordar este tema e como altera as horas diurnas e noturnas. Será feita observação a estrelas e Vénus através de um telescópio e identificaremos algumas constelações presentes nesta noite. Data: 20 de março, 20:00 Local:Forte do Rato Público-alvo: Público em geral
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA
(a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas). Telefones: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
21/03/20 - Eratóstenes e o Equinócio 12:00-14:00 - Atividade para membros do AstroClube do Centro Ciência Viva do Algarve (> 15 anos) Preço: 30€ (o valor refere-se ao pagamento de 5 sessões do Astroclube)
Venha fazer parte do nosso Clube de Astronomia! Inscrições para membros do AstroClube: info@ccvalg.pt Contacte-nos para mais informações e adesões ao AstroClube. Mais informações
Efemérides
Dia 28/02: 59.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento do Discoverer 1, um satélite espião americano que é o primeiro objeto tentar a atingir órbita polar, não conseguindo atingir tal órbita.
Em 1997, o GRB 970228, um flash altamente luminoso de raios-gama, atinge a Terra durante 80 segundos, fornecendo provas de que as explosões de raios-gama ocorrem dentro da Via Láctea.
Em 2007, a sonda New Horizons, com destino Plutão, passa por Júpiter. Observações: Nesta altura do ano, após a hora de jantar, cinco constelações carnívoras estão alinhadas desde o nordeste até sul. Estão representadas todas em perfil, com os seus narizes apontados para cima e os seus pés (se é que os têm) para a direita: Ursa Maior a nordeste, Leão a este, Hidra, a Serpente do Mar, a sudeste, Cão Menor um pouco mais alta a sul-sudeste, e Cão Maior a sul.
Dia 29/02: 60.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1504, Cristovão Colombo usa o seu conhecimento de um eclipse lunar nessa noite para convencer os nativos americanos a lhe providenciar mantimentos. Observações: Quando as estrelas começarem a aparecer, olhe para cima da Lua a fim de determinar quão cedo consegue detetar as Plêiades. Estão a cerca de 15º da Lua: um punho à distância do braço esticado ou pouco mais.
Mais fácil de avistar, e para ajudar à observação, está a alaranjada Aldebarã a uma distância parecida para a esquerda das Plêiades.
Dia 01/03: 61.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1870, nascia E. M. Antoniadi, astrónomo grego que ficou conhecido pelas suas observações de Marte. Foi o primeiro a apoiar a noção de canais marcianos, mas mais tarde chegou à conclusão de que era apenas uma ilusão ótica.
Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galáticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 colide com o planeta Vénus, tornando-se na primeira a "aterrar" na superfície de outro planeta.
Em 1980, a sonda Voyager 1 confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno.
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).
Foi lançada a 30 de outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objetivo de fazer a manutenção do Telescópio Espacial Hubble. No mesmo ano, o satélite ambiental Envisat alcança com sucesso uma órbita de 800 km por cima da Terra no seu 11.º lançamento, transportando a carga mais pesada até à data, 8500 quilogramas. Observações: A Lua continua a sua viagem pelo céu noturno e hoje está mais perto de Aldebarã e das Plêiades, fazendo um bonito triângulo com a estrela brilhante e com o enxame aberto.
Dia 02/03: 62.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1972, é lançada a sonda americana Pioneer 10. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteroides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).
Torna-se também na primeira sonda a navegar para lá da órbita dos planetas do Sistema Solar exterior. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa crosta de gelo. Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:57.
O triângulo composto pela Lua, Aldebarã e M45 mudou novamente de forma. Agora é a Lua que forma o topo de um triângulo quase retângulo.
Curiosidades
A Galáxia do Sombrero (M104) foi descoberta pela primeira vez em 1781 por Pierre Méchain, mas só "oficialmente" incluída no Catálogo de Messier em 1921. Outros dois astrónomos também estão associados com a descoberta da galáxia, Charles Messier e William Herschel. Herschel descobriu o objeto, independentemente de Méchain, em 1784. Só mais tarde é que os astrónomos ligaram as observações de Méchain e Herschel.
Grande exoplaneta pode ter as condições ideais para a vida
Impressão de artista do exoplaneta K2-18b.
Crédito: Amanda Smith
Os astrónomos descobriram que um exoplaneta com mais do dobro do tamanho da Terra é potencialmente habitável, alargando a busca por vida a planetas significativamente maiores que a Terra, mas mais pequenos que Neptuno.
Uma equipa da Universidade de Cambridge usou a massa, o raio e os dados atmosféricos do exoplaneta K2-18b e determinou que é possível que o planeta hospede água líquida em condições habitáveis sob a sua atmosfera rica em hidrogénio. Os resultados foram divulgados na revista The Astrophysical Journal Letters.
O exoplaneta K2-18b, a 124 anos-luz de distância, tem 2,6 vezes o raio e 8,6 vezes a massa da Terra, e orbita a sua estrela dentro da zona habitável, onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida. O planeta foi objeto de uma cobertura significativa por parte da comunicação social no outono de 2019, quando duas equipas diferentes relataram a deteção de vapor de água na sua atmosfera rica em hidrogénio. No entanto, a extensão da atmosfera e as condições por baixo continuavam desconhecidas.
"O vapor de água já foi detetado nas atmosferas de vários exoplanetas, mas mesmo que o planeta esteja na zona habitável, isso não significa necessariamente que existam condições habitáveis à superfície," disse o Dr. Nikku Madhusudhan do Instituto de Astronomia de Cambridge, que liderou a nova investigação. "Para estabelecer as perspetivas de habitabilidade, é importante obter uma compreensão unificada das condições interiores e atmosféricas do planeta - em particular, se a água líquida pode existir sob a atmosfera."
Dado o grande tamanho de K2-18b, sugeriu-se que seria mais como uma versão mais pequena de Neptuno do que uma versão maior da Terra. Espera-se que um "mini-Neptuno" tenha um "invólucro" significativo de hidrogénio em redor de uma camada de água a alta pressão, com um núcleo interno de rocha e ferro. Se o invólucro de hidrogénio for demasiado espesso, a temperatura e pressão à superfície da camada de água seriam demasiado grandes para suportar vida.
Agora, Madhusudhan e a sua equipa mostraram que, apesar do tamanho de K2-18b, o seu invólucro de hidrogénio não é necessariamente muito espesso e a camada de água pode ter as condições ideais para suportar vida. Usaram as observações existentes da atmosfera, bem como a massa e o raio, para determinar a composição e a estrutura da atmosfera e do interior usando modelos numéricos detalhados e métodos estatísticos para explicar os dados.
Os investigadores confirmaram que a atmosfera é rica em hidrogénio com uma quantidade significativa de vapor de água. Também descobriram que os níveis de outras substâncias químicas, como metano e amónia, estavam abaixo do esperado para uma tal atmosfera. Ainda não se sabe se esses níveis podem ser atribuídos a processos biológicos.
A equipa usou então as propriedades atmosféricas como condições limite para modelos do interior planetário. Exploraram uma ampla gama de modelos que podiam explicar as propriedades atmosféricas, bem como a massa e raio do planeta. Isto permitiu-lhes obter a gama de possíveis condições no interior, incluindo o tamanho do invólucro de hidrogénio e as temperaturas e pressões na camada de água.
"Queríamos saber a espessura do invólucro de hidrogénio - qual a profundidade deste hidrogénio," disse o coautor Matthew Nixon, estudante de doutoramento do Instituto de Astronomia de Cambridge. "Embora esta seja uma pergunta com várias soluções, mostrámos que não precisamos de muito hidrogénio para explicar todas as observações."
Os investigadores descobriram que a extensão máxima do invólucro de hidrogénio permitida pelos dados é de cerca de 6% da massa do planeta, embora a maioria das soluções exija muito menos. A quantidade mínima de hidrogénio é cerca de um milionésimo da massa, semelhante à fração de massa da atmosfera da Terra. Em particular, vários cenários permitem um mundo oceânico, com água líquida por baixo da atmosfera a pressões e temperaturas semelhantes às encontradas nos oceanos da Terra.
Este estudo abre a busca por condições habitáveis e por assinaturas biológicas para lá do Sistema Solar a exoplanetas significativamente maiores que a Terra, além dos exoplanetas parecidos com a Terra. Em adição, planetas como K2-18b são mais acessíveis a observações atmosféricas com instalações observacionais atuais e futuras. As restrições atmosféricas obtidas neste estudo podem ser refinadas usando observações futuras com grandes instalações, como o futuro Telescópio Espacial James Webb.
Um ano de ciência surpreendente da missão InSight da NASA
Nesta impressão de artista do "lander" InSight da NASA, podem ser vistas camadas subterrâneas do planeta e diabos marcianos no plano de fundo.
Crédito: IPGP/Nicolas Sarter
Graças ao primeiro ano da missão InSight da NASA, está a surgir uma nova imagem de Marte. As descobertas descritas num conjunto de seis artigos publicados esta semana revelam um planeta vivo com sismos, diabos marcianos e estranhos pulsos magnéticos.
Cinco dos artigos foram publicados na revista Nature Geoscience. Um artigo adicional na Nature Communications descreve o local de pouso do módulo InSight, uma cratera rasa apelidada de "Homestead hollow" situada na região Elysium Planitia.
A missão do InSight é a primeira dedicada ao interior profundo da superfície marciana. Entre as suas ferramentas científicas estão um sismómetro para detetar sismos, sensores para medir a pressão do vento e do ar, um magnetómetro e uma sonda de fluxo de calor desenhada para medir a temperatura do planeta.
"Fatia" de Marte que mostra o módulo de aterragem InSight a estudar a atividade sísmica do planeta.
Crédito: J. T. Keane/Nature Geoscience
Enquanto a equipa continua a trabalhar para colocar a sonda na superfície marciana como pretendido, o sismómetro ultrassensível, chamado SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), permitiu que os cientistas "ouvissem" vários eventos sísmicos a centenas ou milhares de quilómetros de distância.
As ondas sísmicas são afetadas pelos materiais por onde passam, dando aos cientistas uma maneira de estudar a composição da estrutura interna do planeta. Marte pode ajudar a equipa a melhor compreender como todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, se formaram.
Debaixo de terra
Marte treme com mais frequência - mas também com menos intensidade - do que o esperado. O SEIS detetou até à data mais de 450 sinais sísmicos, a vasta maioria dos quais são provavelmente terremotos (em oposição ao ruído de dados criado por fatores ambientais como o vento). O maior foi de magnitude 4,0 em tamanho - não suficientemente grande para viajar para baixo da crosta até ao manto e núcleo do planeta. Estas são as "partes mais suculentas da maçã" quando se trata de estudar a estrutura interna do planeta, disse Bruce Banderdt, investigador principal do InSight no JPL.
Os cientistas estão prontos para mais: passaram-se meses, após a aterragem do InSight em novembro de 2018, até que registasse o primeiro evento sísmico. No final de 2019, o SEIS estava a detetar cerca de dois sinais sísmicos por dia, sugerindo que o InSight simplesmente pousou numa altura particularmente calma. Os cientistas ainda estão com os dedos cruzados à espera do "Grande" sismo.
Marte não tem placas tectónicas como a Terra, mas possui regiões vulcanicamente ativas que podem provocar agitações. Um par de sismos foi fortemente ligado a uma dessas regiões, Cerberus Fossae, onde os cientistas veem rochas que podem ter sido sacudidas falésias abaixo. Inundações antigas esculpiram canais com quase 1300 km de comprimento. Os fluxos de lava infiltraram-se nesses canais nos últimos 10 milhões de anos - um piscar de olhos em termos geológicos.
Alguns destes jovens fluxos de lava mostram sinais de terem sido fraturados por sismos há menos de 2 milhões de anos. "Trata-se da característica tectónica mais jovem do planeta," disse o geólogo planetário Matt Golombek do JPL. "O facto de vermos evidências de tremores nesta região não é uma surpresa, mas é muito interessante."
Os dois maiores terremotos detetados pelo InSight da NASA parecem ter tido origem numa região de Marte chamada Cerberus Fossae. Os cientistas já tinham anteriormente avistado aí atividade tectónica, incluindo desabamentos de terra. Esta imagem foi obtida pela câmara HiRISE a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
À superfície
Há milhares de milhões de anos, Marte tinha um campo magnético. Já não está presente, mas deixou "fantasmas" para trás, magnetizando rochas antigas que agora estão entre os 61 metros e alguns quilómetros abaixo do solo. O InSight está equipado com um magnetómetro - o primeiro à superfície de Marte para detetar sinais magnéticos.
O magnetómetro descobriu que os sinais em Homestead hollow são 10 vezes mais fortes do que o previsto, com base em dados de naves espaciais em órbita que estudam a área. As medições destes orbitadores são médias que abrangem algumas centenas de quilómetros, ao passo que as medições do "lander" InSight são mais locais.
Dado que a maioria das rochas à superfície do local de pouso do InSight são demasiado jovens para serem magnetizadas pelo antigo campo do planeta, "este magnetismo deve estar vindo de rochas antigas subterrâneas," disse Catherine Johnson, cientista planetária da Universidade de Colúmbia Britânica e do Instituto de Ciência Planetária. "Estamos a combinar estes dados com o que sabemos da sismologia e da geologia para entender as camadas magnetizadas por baixo do InSight. Quão fortes ou profundas teriam que ser para detetarmos este campo?"
Além disso, os cientistas estão intrigados com a forma como estes sinais mudam ao longo do tempo. As medições variam de dia e de noite; também tendem a pulsar por volta da meia-noite. Ainda estão a ser formadas teorias sobre a causa destas mudanças, mas uma possibilidade é que estão relacionadas com a interação do vento solar com a atmosfera marciana.
Ao vento
O InSight mede a velocidade, a direção do vento e a pressão do ar quase continuamente, fornecendo mais dados do que as missões anteriores no solo. Os sensores meteorológicos do "lander" detetaram milhares de redemoinhos passageiros, chamados diabos marcianos quando levantam poeira e se tornam visíveis. "Este local tem mais redemoinhos do que qualquer outro lugar onde pousámos em Marte," disse Aymeric Spiga, cientista atmosférico da Universidade Sorbonne em Paris.
Apesar de toda esta atividade e imagens frequentes, as câmaras do InSight ainda não viram diabos marcianos. Mas o SEIS pode sentir estes redemoinhos puxando a superfície como um aspirador gigante. "Os redemoinhos são perfeitos para a exploração sísmica subterrânea," disse Philippe Lognonné do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris), investigador principal do SEIS.
Ainda por vir: o núcleo
O InSight possui dois rádios: um para enviar e receber dados regularmente, e um rádio mais poderoso, construído para medir a "oscilação" de Marte enquanto gira. Este rádio de banda-X, também conhecido como RISE (Rotation and Interior Structure Experiment), pode eventualmente revelar se o núcleo do planeta é sólido ou líquido. Um núcleo sólido faria Marte oscilar menos do que um líquido.
Este primeiro ano de dados é apenas o começo. Observar um ano marciano completo (dois anos terrestres) dará aos cientistas uma ideia muito melhor do tamanho e velocidade da oscilação do planeta.
XMM-Newton revela proeminência gigante de estrela minúscula
Impressão de artista de uma estrela anã L, uma estrela com uma massa tão pequena que está ligeiramente acima do limite do que realmente constitui uma estrela, apanhada no ato de expelir uma enorme "super-proeminência" de raios-X, conforme detetado pelo observatório de raios-X XMM-Newton da ESA.
Crédito: ESA
Uma estrela com cerca de oito por cento da massa do Sol foi apanhada a emitir uma enorme "super-proeminência" de raios-X - uma dramática erupção altamente energética que representa um problema fundamental para os astrónomos, que não consideravam ser possível em estrelas tão pequenas.
A culpada, conhecida pelo seu número de catálogo J0331-27, é uma anã L. É uma estrela com tão pouca massa que está apenas acima do limite do que constitui uma estrela. Se tivesse menos massa, não possuiria as condições internas necessárias para gerar a sua própria energia.
Os astrónomos descobriram a enorme proeminência de raios-X em dados registados no dia 5 de julho de 2008 pelo instrumento EPIC (European Photon Imaging Camera) a bordo do observatório de raios-X XMM-Newton da ESA. Em questão de minutos, a pequena estrela libertou mais de dez vezes mais energia do que as proeminências mais intensas do Sol.
As proeminências estelares são lançadas quando o campo magnético na atmosfera de uma estrela se torna instável e colapsa numa configuração mais simples. No processo, liberta uma grande proporção da energia aí armazenada.
Esta libertação explosiva de energia cria um brilho repentino - a proeminência - e é aqui que as novas observações apresentam o seu maior quebra-cabeças.
"Esta é a parte científica mais interessante da descoberta, porque não esperávamos que as anãs L armazenassem energia suficiente nos seus campos magnéticos para gerar tais surtos," diz Beate Stelzer, do Instituto de Astronomia e Astrofísica de Tübingen, Alemanha, e do INAF - Observatório Astronómico de Palermo, Itália, que fez parte da equipa de estudo.
Uma proeminência gigante expelida pelo nosso próprio Sol, capturada no dia 27 de julho de 1999 pela SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA/NASA.
Crédito: SOHO (ESA & NASA)
A energia só pode ser colocada no campo magnético de uma estrela por partículas carregadas, também conhecidas como material ionizado e criadas em ambientes de alta temperatura. No entanto, sendo uma anã L, J0331-27 tem uma temperatura superficial baixa para uma estrela - apenas 2100K em comparação com os cerca de 6000K do Sol. Os astrónomos não pensavam que uma temperatura tão baixa pudesse ser capaz de gerar partículas carregadas suficientes para alimentar tanta energia no campo magnético. Portanto, o enigma é: como é que é possível uma super-proeminência numa estrela tão pequena?
"É uma boa pergunta," diz Beate. "Nós simplesmente não sabemos - ninguém sabe."
A super-proeminência foi descoberta em dados de arquivo do XMM-Newton como parte de um grande projeto de investigação liderado por Andrea De Luca do INAF - Instituto de Astrofísica Espacial e Física Cósmica em Milão, Itália. O projeto estudou a variabilidade temporal de aproximadamente 400.000 fontes detetadas pelo XMM-Newton ao longo de 13 anos.
Andrea e colaboradores procuravam, em particular, fenómenos peculiares e com J0331-27 certamente conseguiram isso. Várias estrelas semelhantes já tinham sido observadas a emitir super-proeminências na parte visível do espetro, mas esta é a primeira deteção inequívoca de uma erupção deste tipo em raios-X.
O comprimento de onda é importante porque assinala de que parte da atmosfera a super-proeminência vem: a luz ótica vem de mais profundamente na atmosfera da estrela, perto da sua superfície visível, ao passo que os raios-X vêm de mais alto na atmosfera.
A compreensão das semelhanças e diferenças entre esta nova - e até agora única - super-proeminência na anã L e as proeminências anteriormente observadas, detetadas em todos os comprimentos de onda em estrelas de maior massa, é agora uma prioridade para a equipa. Mas para alcançar isso, precisam de encontrar mais exemplos.
"Ainda há muito a ser descoberto no arquivo do XMM-Newton," diz Andrea. "De certa forma, acho que isto é apenas a ponta do iceberg."
Impressão de artista do XMM-Newton.
Crédito: ESA-C. Carreau
Uma pista que efetivamente possuem é que existe apenas uma proeminência de J0331-27 nos dados, apesar do XMM-Newton ter observado a estrela por um total de 3,5 milhões de segundos - cerca de 40 dias. Isto é peculiar porque outras estrelas flamejantes tendem a sofrer de vários surtos mais pequenos.
"Os dados parecem sugerir que uma anã L leva mais tempo a acumular energia, de modo que há uma grande libertação repentina," diz Beate.
As estrelas com proeminências mais frequentes libertam menos energia de cada vez, enquanto esta anã L parece libertar energia muito raramente, mas num evento realmente grande. Porque é que isto pode ser o caso, ainda é uma questão em aberto que precisa de mais investigação.
"A descoberta desta super-proeminência numa anã L é um grande exemplo de investigação baseada no arquivo do XMM-Newton, demonstrando o enorme potencial científico da missão," diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA. "Estou ansioso pela próxima surpresa."
O halo da Galáxia do Sombrero sugere um passado turbulento (via NASA)
Estas mais recentes observações mostram apenas uma fração das estrelas mais velhas e pobres em metais no halo, e uma abundância inesperada de estrelas ricas em metais, normalmente encontradas apenas no disco de uma galáxia. Uma possível explicação são fusões galácticas passadas, embora M104 não mostre evidências de uma fusão recente. Ler fonte
A apenas 11 milhões de anos-luz de distância, Centauro A é a galáxia ativa mais próxima do planeta Terra. Também conhecida como NGC 5128, a galáxia elíptica peculiar tem mais de 60.000 anos-luz de diâmetro. Uma região que abrange cerca de 8500 anos-luz, incluindo o centro da galáxia (canto superior esquerdo) está em destaque nesta ampliação nítida e detalhada do Telescópio Espacial Hubble. Centauro A é aparentemente o resultado de uma colisão de duas galáxias normais, que resultou numa mistura violenta de regiões de formação estelar, enxames estelares massivos e imponentes faixas de poeira escura. Perto do centro da galáxia, restos de detritos cósmicos estão sendo devorados constantemente por um buraco negro central com mil milhões de vezes a massa do Sol. Tal como em outras galáxias ativas, esse processo provavelmente gera a energia no rádio, em raios-X e em raios-gama irradiada por Centauro A.
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