Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:
14/08 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar, encontro às 20:30 no cais de embarque junto à Porta Nova (cais das portas do mar) na muralha Villa Adentro (parte antiga da cidade de Faro); atividade com custo (atividade realizada pelo CCVAlg)
18/08 - Santa Rita - Vila Nova de Cacela, a partir das 22:00, junto à Aldeia de Santa Rita, Vila Nova de Cacela (atividade realizada pelo CCVTavira)
19/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)
22/08 - Portela, São Brás de Alportel, a partir das 21:30, junto ao Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)
23/08 - Albufeira, Praia dos Salgados, a partir das 21:00, junto ao estacionamento da Praia dos Salgados (atividade realizada pelo CCVAlg)
26/08 - Castro Marim, a partir das 21:30, no parque de estacionamento do Agrupamento de Escolas de Castro Marim (atividade realizada pelo CCVTavira)
(obrigatório utilizar equipamento de proteção individual - máscara ou viseira - e seguir as instruções de higienização e distanciamento social; número limitado de presenças nas atividades seguindo as atuais regras de segurança da DGS; todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição obrigatória)
Efemérides
Dia 11/08: 224.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, lançamento da Vostok 3.
Tripulada por Andriyan Nikolayev, orbitou a Terra 64 vezes durante quase quatro dias, um feito que só seria alcançado pela NASA durante o programa Gemini (1965-66). As Vostok 3 e 4 foram lançadas com um dia de diferença e com trajetórias que as aproximaram até 6,5 km entre si. Os cosmonautas a bordo das duas cápsulas comunicaram via rádio, a primeira vez que tal aconteceu. Estas missões marcam a primeira vez que mais do que uma nave espacial estava em órbita à mesma altura.
Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX. Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 17:45.
Trânsito da sombra de Calisto, entre as 19:31 e as 00:10 (já de dia 12).
Pico da chuva de meteoros das Perseídas. Mas a Lua (em Touro) e a sua luz vai interferir durante as melhores horas de observação, a partir da meia-noite de 11 até ao amanhecer de dia 12. De modo que a melhor altura
é a partir das 23 horas e até ao nascer da Lua.
Dia 12/08: 225.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de Marte, Deimos, por Asaph Halldo Observatório Naval dos EUA.
Descobriu Fobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1887 nascia Erwin Schrödinger, físico austríaco e laureado com o Prémio Nobel, que desenvolveu um número de resultados fundamentais no campo da teoria quântica. Foi o autor de muitos outros trabalhos em vários campos da física.
Em 1960 era lançado o Echo 1A, o primeiro satélite experimental de comunicações, que é usado para redirecionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1962, lançamento da Vostok 4, um dia depois da Vostok 3. As Vostok 3 e 4 passaram a 6,5 km entre si no espaço, a primeira vez que duas naves estavam em órbita à mesma altura.
Em 1977, primeiro voo livre do vaivém espacial Enterprise. No mesmo ano, lançamento do HEAO-1, que estudou o céu em raios-X.
Em 1978, lançamento do ISEE-3, a primeira nave espacial a encontrar-se com um cometa. Depois de completar a sua missão original, foi reativada e dirigiu-se para passar pela cauda do Cometa Giacobini-Zinner no dia 11 de setembro de 1985. Também observou o Cometa Halley a uma distância de 28 milhões de quilómetros em março de 1986.
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Em 2005, lançamento da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter). Observações: Vénus na sua maior elongação oeste, pelas 14:36.
A Ursa Maior encontra-se na diagonal a noroeste após o anoitecer. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita, cerca de três punhos à distância do braço esticado, para encontrar a Estrela Polar (que com magnitude 2, não é muito brilhante) a norte, no mesmo sítio de sempre. Além da Polar, tudo o que conseguirá ver da Ursa Menor, através da poluição luminosa, são as duas estrelas que formam a extremidade da sua "frigdeira": Kochab (parecida à Estrela Polar em brilho) e a mais fraca Pherkad. Encontre estas duas "Guardiãs do Polo" para cima e para a esquerda da Polar (a cerca de punho e meio).
A lua de Saturno, Titã, com magnitude 8,5, é visível através de um telescópio de 3 polegadas. Esta noite está a 4 diâmetros anulares (o correspondente ao tamanho dos anéis de Saturno) para oeste de Saturno. Consegue discernir o seu tom alaranjado?
Dia 13/08: 226.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1814 nascia Anders Ângström, físico sueco e um dos pioneiros da espectroscopia.
Em 1898, Carl Gustav Witt encontra 433 Eros, o primeiro asteroide descoberto perto da Terra. Observações: A Lua Minguante nasce por volta das 01:20 juntamente com a alaranjada Aldebarã, o olho de Touro, apenas 3º para baixo. Antes do amanhecer, ambos os objetos estão altos a este-sudeste - com Orionte por baixo e o brilhante Vénus para baixo e para a sua esquerda.
Curiosidades
Os meteoróides das Perseídas são rápidos. Entram na nossa atmosfera a cerca de 60 km/s, relativamente ao nosso planeta. A maioria são do tamanho de grãos de areia; alguns têm o tamanho de ervilhas ou berlindes. Quase nenhum atinge o chão, mas quando um atinge, é chamado de meteorito.
Planeta surpreendentemente denso desafia teorias de formação planetária
Impressão de artista de K2-25b. Novas observações detalhadas com as instalações NOIRLab da NSF revelam um jovem exoplaneta em órbita de uma jovem estrela no enxame das Híades, que é invulgarmente denso para o seu tamanho e idade. Ligeiramente mais pequeno que Neptuno, K2-25b orbita uma estrela anã M - o tipo estelar mais comum na Galáxia - em 3,5 dias.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. Pollard
Novas observações detalhadas com as instalações NOIRLab da NSF revelam um jovem exoplaneta em órbita de uma jovem estrela no enxame das Híades, que é invulgarmente denso para o seu tamanho e idade. Com 25 massas terrestres, e ligeiramente mais pequeno que Neptuno, a existência deste exoplaneta desafia as previsões das principais teorias de formação planetária.
Novas observações do exoplaneta, conhecido como K2-25b, feitas com o Telescópio WIYN de 0,9 metros no Observatório de Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF, com o Telescópio Hobby-Eberly do Observatório McDonald e com outras instalações, levantam novas questões sobre as teorias atuais de formação planetária. O exoplaneta é excecionalmente denso para o seu tamanho e idade - levantando a questão de como consegue existir. Os detalhes dos achados serão publicados na revista The Astronomical Journal.
Ligeiramente mais pequeno que Neptuno, K2-25b orbita uma estrela anã M - o tipo estelar mais comum na Galáxia - em 3,5 dias. O sistema planetário é membro do enxame de estrelas das Híades, um enxame próximo de estrelas jovens na direção da constelação de Touro. O sistema tem aproximadamente 600 milhões de anos e está localizado a cerca de 150 anos-luz da Terra.
Diagrama que mostra a posição da estrela hospedeira de K2-25b no enxame estelar das Híades.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/Digitized Sky Survey 2
Os planetas com tamanhos entre a Terra e Neptuno são companheiros comuns de estrelas da Via Láctea, apesar do facto de que tais planetas não são encontrados no nosso Sistema Solar. Compreender como estes "sub-Neptunos" se formam e evoluem é uma questão quente no estudo exoplanetário.
Os astrónomos preveem que os planetas gigantes se formam primeiro montando um núcleo modesto de rocha-gelo com 5 a 10 vezes a massa da Terra e, em seguida, envolvem-se num enorme invólucro gasoso com centenas de vezes a massa da Terra. O resultado é um gigante gasoso como Júpiter. K2-25b quebra todas as regras desta imagem convencional: com uma massa equivalente a 25 Terras e modesto em tamanho, K2-25b é quase todo ele núcleo e muito pouco invólucro gasoso. Estas propriedades estranhas representam dois quebra-cabeças para os astrónomos. Primeiro, como é que K2-25b "montou" um núcleo tão grande, muitas vezes o limite de 5-10 massas terrestres previsto pela teoria? (a previsão teórica diz que assim que os planetas formem um núcleo com 5-10 vezes a massa da Terra, começam ao invés a acretar gás: muito pouco material rochoso é acrescentado depois disso) E em segundo lugar, com a alta massa do seu núcleo - e consequente forte atração gravitacional - como é que evitou acumular um invólucro gasoso significativo?
A equipa que estuda K2-25b achou o resultado surpreendente. "K2-25b é invulgar," disse Gudmundur Stefansson, pós-doutorado da Universidade de Princeton, que liderou a equipa de investigação. De acordo com Stefansson, o exoplaneta é mais pequeno em tamanho do que Neptuno, mas 1,5 vezes mais massivo. "O planeta é denso para o seu tamanho e idade, em contraste com outros planetas jovens sub-Neptuno que orbitam perto da sua estrela hospedeira," acrescentou Stefansson. "Normalmente, estes mundos apresentam baixas densidades - e alguns até têm atmosferas estendidas em evaporação. K2-25b, com estas medições em mão, parece ter um núcleo denso, rochoso ou rico em água, com um invólucro fino."
O Telescópio WIYN de 0,9 metros do Observatório Kitt Peak (o telescópio mais pequeno do três na imagem). O telescópio WIYN de 3,5 metros é o que está mais à direita.
Crédito:
KPNO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld
Para explorar a natureza e origem de K2-25b, os astrónomos determinaram a sua massa e densidade. Embora o tamanho do exoplaneta tenha sido medido inicialmente com o satélite Kepler da NASA, a medição do tamanho foi refinada usando medições de alta precisão do Telescópio WIYN de 0,9 metros no Observatório Kitt Peak e com o telescópio de 3,5 metros do Observatório de Apache Point no estado norte-americano do Novo México. As observações feitas com estes dois telescópios aproveitaram uma técnica simples, mas eficaz, desenvolvida como parte da tese de doutoramento de Stefansson. A técnica usa um componente ótico inteligente chamado "Engineered Diffuser", que pode ser facilmente comprado por aproximadamente 500 dólares. O componente espalha a luz da estrela para cobrir mais pixéis na câmara, permitindo que o brilho da estrela durante o trânsito do planeta seja medido com mais precisão e resultando numa medição mais sensível do tamanho do planeta em órbita, entre outros parâmetros.
"O difusor inovador permitiu-nos melhor definir a forma do trânsito e, assim, restringir ainda mais o tamanho, a densidade e a composição do planeta," disse Jayadev Rajagopal, astrónomo do NOIRLab que também esteve envolvido no estudo.
Para o seu baixo custo, o difusor fornece um retorno científico descomunal. "Telescópios de menor abertura, quando equipados com equipamentos de última geração, mas baratos, podem ser plataformas para programas científicos de alto impacto," explica Rajagopal. "Será necessária fotometria muito precisa para explorar estrelas hospedeiras e planetas em conjunto com missões espaciais e maiores aberturas no solo, e esta é uma ilustração do papel que um telescópio de tamanho modesto, 0,9 metros, pode desempenhar neste esforço."
Exemplo de um "Engineered Diffuser" com 5 cm por 5 cm.
Crédito: Gudmundur Stefansson/RPC Photonics
Graças às observações com os difusores disponíveis no Telescópio WIYN de 0,9 m e no Telescópio de 3,5 m do Observatório de Apache Point, os astrónomos agora são capazes de prever com maior precisão quando K2-25b transita pela sua estrela hospedeira. Enquanto antes os trânsitos só podiam ser previstos com uma precisão de 30 a 40 minutos, agora são conhecidos com uma precisão de 20 segundos. A melhoria é crítica para o planeamento de observações de acompanhamento com instalações como o Observatório Gemini e o Telescópio Espacial James Webb.
Muitos dos autores deste estudo também estão envolvidos noutro projeto de caça exoplanetária no Observatório Kitt Peak: o espectrómetro NEID no Telescópio WIYN de 3,5 metros. O NEID permite que os astrónomos meçam o movimento de estrelas próximas com extrema precisão - quase três vezes mais do que a geração anterior de instrumentos de última geração - permitindo a deteção, a determinação da massa e a caracterização de exoplanetas tão pequenos quanto a Terra.
Hubble faz a primeira observação de um eclipse lunar total por um telescópio espacial
Tirando proveito de um eclipse lunar total em janeiro de 2019, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para medir o ozono na atmosfera da Terra. Este método exemplifica como vão observar planetas parecidos com a Terra que transitam em frente de outras estrelas à procura de vida.
O alinhamento perfeito do nosso planeta com o Sol e a Lua durante um eclipse lunar total imita a geometria de um planeta terrestre em trânsito da sua estrela. Num novo estudo, o Hubble não observou a Terra diretamente. Ao invés, os astrónomos usaram a Lua como espelho que reflete a luz solar transmitida através da atmosfera da Terra que foi então capturada pelo Hubble.
Esta é a primeira vez que a radiação ultravioleta que passa através da atmosfera da Terra foi observada do espaço e a primeira vez que um eclipse lunar total foi capturado a partir de um telescópio espacial.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
Tirando vantagem de um eclipse lunar total, astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para detetar ozono na atmosfera da Terra. Este método serve como um substituto de como vão observar planetas semelhantes à Terra em torno de outras estrelas à procura de vida. Esta é a primeira vez que um eclipse lunar total foi capturado a partir de um telescópio espacial e a primeira vez que tal eclipse foi estudado em comprimentos de onda ultravioleta.
Para se prepararem para a investigação exoplanetária com telescópios maiores que estão atualmente em desenvolvimento, os astrónomos decidiram realizar experiências muito mais perto de casa, no único planeta terrestre habitado conhecido: a Terra. O alinhamento perfeito do nosso planeta com o Sol e a Lua durante um eclipse lunar total imita a geometria de um planeta rochoso em trânsito com a sua estrela. Num novo estudo, o Hubble não olhou para a Terra diretamente. Em vez disso, os astrónomos usaram a Lua como um espelho que reflete a luz do Sol que foi filtrada pela atmosfera da Terra. A utilização de um telescópio espacial para observações de eclipses é mais "limpa" do que estudos terrestres porque os dados não estão contaminados como quando se olha através da atmosfera da Terra.
Estas observações foram particularmente desafiadoras porque pouco antes do eclipse a Lua é ainda muito brilhante, e a sua superfície não é um refletor perfeito, pois está "manchada" com áreas claras e escuras. Além disso, a Lua está tão perto da Terra que o Hubble teve que tentar manter um olho fixo numa região selecionada, para rastrear com precisão o movimento da Lua em relação ao observatório espacial. É por estas razões que o Hubble muito raramente é apontado para a Lua.
Este diagrama explica a geometria do eclipse lunar.
Quando a Lua está inteiramente na umbra da Terra (conhecido como eclipse lunar total ou eclipse umbral), toda a luz solar que alcança a superfície lunar foi refratada ou dispersada pela atmosfera da Terra. Quando a Lua está na penumbra da Terra (conhecido como eclipse penumbral), a iluminação vem tanto da luz solar direta como da luz solar refratada e dispersada através da atmosfera da Terra. Isto é semelhante à observação de um trânsito exoplanetário.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
As medições detetaram a forte impressão digital espectral do ozono, um pré-requisito chave para a presença - e possível evolução - da vida como a conhecemos numa exo-Terra. Embora algumas assinaturas do ozono tenham sido detetadas em anteriores observações terrestres durante eclipses lunares, o estudo do Hubble representa a deteção mais forte até à data da molécula porque o telescópio espacial pode observar no ultravioleta, comprimento de onda este que é absorvido pela nossa atmosfera e não atinge o solo. Na Terra, a fotossíntese ao longo de milhares de milhões de anos é responsável pelos altos níveis de oxigénio e pela espessa camada de ozono do nosso planeta. Há apenas 600 milhões de anos, a atmosfera da Terra acumulou ozono suficiente para proteger a vida da radiação ultravioleta letal do Sol. Isto auxiliou as primeiras formas de vida terrestre quando migraram para fora dos nossos oceanos.
"Encontrar ozono no espectro de uma exo-Terra seria significativo porque é um subproduto fotoquímico do oxigénio molecular, que é um subproduto da vida," explicou Allison Youngblood do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial no estado norte-americano do Colorado, EUA, investigadora principal das observações do Hubble.
O Hubble registou a assinatura espectral ultravioleta do ozono impressa na luz do Sol filtrada pela atmosfera da Terra durante um eclipse lunar que ocorreu a 20-21 de janeiro de 2019. Vários outros telescópios também fizeram observações espectroscópicas noutros comprimentos de onda durante o eclipse, em busca de mais ingredientes da vida na Terra, como oxigénio, metano, água e monóxido de carbono.
"Para caracterizar completamente os exoplanetas, vamos idealmente utilizar uma variedade de técnicas e comprimentos de onda," explicou o membro da equipa Antonio Garcia Munoz da Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha. "Esta investigação destaca claramente os benefícios da espectroscopia ultravioleta na caracterização de exoplanetas. Também demonstra a importância de testar ideias e metodologias inovadoras com o único planeta habitado que conhecemos até à data!"
As atmosferas de alguns exoplanetas podem ser estudadas quando o mundo alienígena atravessa a face da sua estrela-mãe, durante o chamado trânsito. Durante um trânsito, a luz estelar é filtrada pela atmosfera do exoplaneta retroiluminado. Se visto de perto, a silhueta do planeta pareceria ter um "halo" fino e brilhante em seu redor, provocado pela atmosfera iluminada, assim como a Terra é vista do espaço.
As substâncias químicas na atmosfera deixam a sua assinatura reveladora ao filtrarem certas cores da luz das estrelas. A espectroscopia das atmosferas dos planetas em trânsito foi iniciada por astrónomos do Hubble. Isto foi especialmente inovador porque os exoplanetas ainda não haviam sido descobertos quando o Hubble foi lançado em 1990. Portanto, o observatório espacial não foi inicialmente projetado para tais experiências. Até agora, os astrónomos usaram o Hubble para observar a atmosfera de planetas gigantes gasosos que transitam as suas estrelas. Mas os planetas terrestres são objetos muito mais pequenos e a sua atmosfera também é mais fina. Portanto, a análise destas assinaturas é muito mais difícil.
Esta imagem realça a região que os astrónomos utilizaram para o Hubble medir a quantidade de ozono na atmosfera da Terra. Este método exemplifica como vão observar planetas parecidos com a Terra que transitam em frente de outras estrelas à procura de vida.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
É por isso que os cientistas vão precisar de telescópios espaciais muito maiores do que o Hubble para recolher a débil luz estelar que passa pela atmosfera destes pequenos planetas durante um trânsito. Estes telescópios vão precisar de observar planetas por um período mais longo, talvez muitas dúzias de horas, para construir um sinal forte. Para o estudo de Youngblood, o Hubble passou cinco horas a recolher dados ao longo das várias fases do eclipse lunar.
Encontrar ozono nos céus de um exoplaneta terrestre não garante a existência de vida à superfície. "Precisaríamos de outras assinaturas espectrais além do ozono para concluir que havia vida no planeta, e estas assinaturas não podem ser vistas no ultravioleta," diz Youngblood.
Os astrónomos têm que procurar uma combinação de bioassinaturas, como ozono e metano, ao explorar as possibilidades de vida. É necessária uma campanha em vários comprimentos de onda porque muitas bioassinaturas - ozono, por exemplo - são detetadas mais facilmente em comprimentos de onda específicos. Os astrónomos em busca do ozono também devem ter em conta que este elemento se acumula com o tempo, conforme o planeta evolui. Há cerca de 2 mil milhões de anos, na Terra, o ozono era uma fração do que é agora.
O futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, um observatório infravermelho com lançamento previsto para 2021, será capaz de penetrar profundamente na atmosfera de um planeta para detetar metano e oxigénio.
"Esperamos que o JWST leve a técnica de espectroscopia de transmissão das atmosferas exoplanetárias a limites sem precedentes," acrescentou Garcia Munoz. "Em particular, terá a capacidade de detetar metano e oxigénio nas atmosferas de exoplanetas íntimos, orbitando perto de estrelas pequenas. Isto abrirá o campo da caracterização atmosférica a exoplanetas cada vez menores."
Caça aos "ovos" estelares com o ALMA: rastreando a evolução de embrião a estrela bebé
Representação de uma nuvem de gás com núcleos quentes observada com o ALMA.
Crédito: N. Lira - ALMA (NRAO/NAOJ/ESO)
Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos fizeram um censo de "ovos" estelares na constelação de Touro e revelaram o seu estado de evolução. Este censo ajuda os investigadores a entender como e quando um embrião estelar se transforma numa estrela bebé no interior de um casulo gasoso. Além disso, a equipa encontrou um fluxo bipolar, um par de correntes de gás, que podem ser evidências reveladoras de uma estrela verdadeiramente recém-nascida.
As estrelas formam-se devido à contração gravitacional de nuvens de gás. As partes mais densas das nuvens, chamadas núcleos de nuvens moleculares, são os próprios locais de formação estelar e estão localizadas principalmente ao longo da Via Láctea. A Nuvem Molecular de Touro é uma das regiões de formação estelar ativa e já foram apontados para lá muitos telescópios. Observações anteriores mostram que alguns núcleos são na verdade "ovos" estelares antes do nascimento das estrelas, mas outros já têm no seu interior estrelas infantis.
Uma equipa de investigadores liderada por Kazuki Tokuda, astrónomo da Universidade da Prefeitura de Osaka e do Observatório Astronómico Nacional do Japão, utilizou o poder do ALMA para investigar a estrutura interna dos ovos estelares. Observaram 32 núcleos sem estrelas e nove núcleos com protoestrelas bebés. Detetaram ondas de rádio de todos os nove núcleos com estrelas, mas apenas 12 dos 32 núcleos mostraram um tal sinal. A equipa concluiu que esses 12 ovos desenvolveram estruturas internas, o que mostra que são mais evoluídos do que os 20 núcleos restantes.
Imagem infravermelha de campo largo da Nuvem Molecular de Touro obtida pelo Observatório Espacial Herschel e ovos estelares com o ALMA (inserções).
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Tokuda et al., ESA/Herschel
"De um modo geral, os interferómetros de rádio que usam muitas antenas, como o ALMA, não são bons para observar objetos sem características como os ovos estelares," diz Tokuda. "Mas nas nossas observações, usámos apenas propositadamente as antenas de 7 metros do ALMA. Esta rede compacta permite-nos ver objetos com uma estrutura suave, e obtivemos informações sobre a estrutura interna dos ovos estelares, exatamente como pretendíamos."
O aumento do espaçamento entre as antenas melhora a resolução de um interferómetro de rádio, mas torna difícil a deteção de objetos estendidos. Por outro lado, uma rede compacta tem uma resolução mais baixa, mas permite ver objetos estendidos. É por isso que a equipa usou a rede compacta de antenas de 7 metros do ALMA, conhecida como Rede Morita, não a rede estendida de antenas de 12 metros.
Eles descobriram que há uma diferença entre os dois grupos na densidade do gás no centro dos núcleos densos. Assim que a densidade do centro de um núcleo denso excede um determinado limite, cerca de um milhão de moléculas de hidrogénio por centímetro cúbico, a autogravidade leva o ovo a transformar-se numa estrela.
Antenas de sete metros do ALMA, que perfazem a rede Morita.
Crédito: Sergio Otárola - ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
Um censo também é útil para encontrar um objeto raro. A equipa percebeu que existe um fluxo bipolar fraco, mas claro, num ovo estelar. O tamanho do fluxo é bastante pequeno e nenhuma fonte infravermelha foi identificada no núcleo denso. Estas características combinam bem com as previsões teóricas de um "primeiro núcleo hidrostático", um objeto de vida curta formado pouco antes do nascimento de uma estrela bebé. "Já foram identificados noutras regiões vários candidatos a primeiro núcleo hidrostático," explica Kakeru Fujishiro, membro da equipa de investigação. "Esta é a primeira identificação na região de Touro. É um bom alvo para uma observação mais extensa no futuro."
Kengo Tachihara, professor associado da Universidade de Nagoya, menciona o papel dos investigadores japoneses neste estudo. "Os astrónomos japoneses estudaram as estrelas bebés e os ovos estelares em Touro usando o radiotelescópio Nagoya de 4 metros e o radiotelescópio Nobeyama de 45 metros desde a década de 1990. E a rede de 7 metros do ALMA também foi desenvolvida pelo Japão. O resultado atual faz parte da culminação destes esforços."
"Conseguimos ilustrar a história do crescimento dos óvulos estelares até ao nascimento e agora estabelecemos o método para a investigação," sumariza Tokuda. "Esta é uma etapa importante a fim de obter uma compreensão abrangente da formação estelar."
OSIRIS-REx da NASA a um ensaio de tocar no asteroide Bennu (via NASA)
A primeira nave de recolha de amostras de um asteroide da NASA está a fazer as preparações finais para recolher uma amostra da superfície do asteroide Bennu. Esta semana a missão OSIRIS-REx irá realizar um segundo ensaio da sua sequência de toque, praticando atividades de recolha de amostras uma última vez antes de tocar em Bennu este outono. Ler fonte
MAVEN observa céu noturno marciano a pulsar no ultravioleta (via NASA)
A equipa do orbitador MAVEN ficou surpresa ao descobrir que a atmosfera pulsa exatamente três vezes por noite, e apenas durante a primavera e outono de Marte. Os novos dados também revelam ondas inesperadas e espirais sobre os polos durante o inverno, enquanto confirmam resultados da sonda Mars Express de que este brilho noturno é mais brilhante por cima das regiões polares durante o inverno. Ler fonte
Álbum de fotografias - Perseídas de Perseu
(clique na imagem para ver versão maior; aqui para a versão maior mas legendada)
Crédito: Petr Horálek
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