Programa em atualização
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EFEMÉRIDES
DIA 25/07: 206.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte".
Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7. HOJE, NO COSMOS:
Após o cair da noite, procure Espiga a um punho à distância do braço esticado para a baixo e para a direita da Lua. Muito mais alta, a cerca de três punhos à distância do braço esticado para cima e para a direita do nosso satélite natural, brilha Arcturo. A uma distância idêntica, mas para a esquerda da Lua, encontra-se a alaranjada Antares, de Escorpião.
Lua em Quarto Crescente, pelas 23:07.
DIA 26/07: 207.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.
Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003. HOJE, NO COSMOS:
Ainda não chegámos a meio do verão, mas Cassiopeia, com a forma de um "W", constelação das noites de outono e inverno, já está a subir a norte-nordeste. E o Grande Quadrado de Pégaso, símbolo do outono, surge apoiado num canto logo acima do horizonte a este.
DIA 27/07: 208.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.
Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra. HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha logo para a direita das estrelas da cabeça de Escorpião: uma linha quase vertical de três estrelas. A mais brilhante destas é a do meio, Delta Scorpii, logo para a esquerda do nosso satélite natural. Um pouco mais para a esquerda está a alaranjada supergigante vermelha Antares.
Uma estrela com "duas faces"
Pela primeira vez, no que toca às anãs brancas, os astrónomos descobriram que pelo menos um membro desta família cósmica tem duas faces. Um dos lados de uma anã branca é composto por hidrogénio, enquanto o outro é composto por hélio.
"A superfície da anã branca muda completamente de um lado para o outro", diz Ilaria Caiazzo, investigadora pós-doutorada no Caltech, que lidera um novo estudo sobre estas descobertas publicado na revista Nature. "Quando mostro as observações às pessoas, elas ficam maravilhadas".
Jano, a estrela de duas faces, de cor azulada, já foi parecida com o nosso Sol. A anã branca está a cerca de 1300 anos-luz de distância, na direção da constelação de Cisne.
Crédito: K. Miller, Caltech/IPAC
As anãs brancas são os remanescentes escaldantes de estrelas que já foram como o nosso Sol. À medida que as estrelas envelhecem, transformam-se em gigantes vermelhas; eventualmente, o seu material exterior é expelido e os seus núcleos contraem-se em anãs brancas densas e escaldantes. O nosso Sol evoluirá para uma anã branca dentro de cerca de 5 mil milhões de anos.
A recém-descoberta anã branca, apelidada de Jano em homenagem ao deus romano, com duas caras, das mudanças e transições (o nome científico da anã branca é ZTF J203349.8+322901.1), foi inicialmente descoberta pelo ZTF (Zwicky Transient Facility), um instrumento que varre o céu todas as noites a partir do Observatório Palomar do Caltech, perto de San Diego, EUA. Caiazzo andava à procura de anãs brancas altamente magnetizadas, como o objeto conhecido como ZTF J1901+1458, que ela e a sua equipa encontraram anteriormente usando o mesmo telescópio. Um dos objetos candidatos destacou-se pelas suas rápidas mudanças de brilho, pelo que Caiazzo decidiu investigar mais a fundo com o instrumento CHIMERA, também em Palomar, bem como com o HiPERCAM no GTC (Gran Telescopio Canarias), nas Ilhas Canárias, Espanha. Esses dados confirmaram que Jano completa uma rotação de 15 em 15 minutos.
Observações subsequentes feitas com o Observatório W. M. Keck no topo de Maunakea, no Hawaii, revelaram a dramática natureza de dupla face da anã branca. A equipa usou um instrumento chamado espetrómetro para espalhar a luz da anã branca num arco-íris de comprimentos de onda que contém impressões digitais químicas. Os dados revelaram a presença de hidrogénio quando um dos lados do objeto estava à vista (sem sinais de hélio), e apenas hélio quando o outro lado era visível.
Esta animação artística mostra a anã branca de duas faces, apelidada de Jano, a rodar sobre o seu eixo. A cinza azulada de uma estrela morta, que já foi uma estrela como o nosso Sol, é composta principalmente por hidrogénio de um lado e hélio do outro (o lado do hidrogénio parece mais brilhante). A natureza peculiar de dupla face desta anã branca pode dever-se à interação de campos magnéticos e convecção, ou a uma mistura de materiais. No lado do hélio, que parece borbulhante, a convecção destruiu a fina camada de hidrogénio à superfície e fez subir o hélio que se encontra por baixo. A rotação da anã branca foi acelerada nesta animação; normalmente, completa uma rotação a cada 15 minutos.
Crédito: K. Miller, Caltech/IPAC
O que é que levaria uma anã branca, flutuando sozinha no espaço, a ter faces tão drasticamente diferentes? A equipa reconhece que está perplexa, mas avançou com algumas teorias possíveis. Uma delas é que podemos estar a assistir a Jano a passar por uma fase rara da evolução de uma anã branca.
"Nem todas, mas algumas anãs brancas passam da transição de uma superfície dominada pelo hidrogénio para uma superfície dominada pelo hélio", explica Caiazzo. "Poderemos ter apanhado uma dessas anãs brancas em flagrante".
Após a formação das anãs brancas, os elementos mais pesados afundam-se para o núcleo e os elementos mais leves - sendo o hidrogénio o mais leve de todos - flutuam para o topo. Mas com o tempo, à medida que as anãs brancas arrefecem, pensa-se que os materiais se misturem. Em alguns casos, o hidrogénio é misturado no interior e diluído de tal forma que o hélio se torna mais predominante. Janus pode encarnar esta fase de transição, mas uma questão premente é: porque é que a transição está a acontecer de forma tão desarticulada, com um lado a evoluir antes do outro?
A resposta, segundo a equipa científica, pode estar nos campos magnéticos.
Os cientistas pensam que os campos magnéticos podem explicar a invulgar aparência de duas faces da anã branca apelidada de Jano. Um dos lados da superfície da estrela morta é composto principalmente por hidrogénio, enquanto o outro lado é hélio, como se vê nesta animação artística. Campos magnéticos assimétricos (vistos como linhas em loop) podem ter influenciado a mistura de materiais na anã branca de tal forma que causaram a sua distribuição desigual. A rotação da anã branca foi acelerada nesta animação; normalmente, gira em torno do seu eixo a cada 15 minutos. Jano está a cerca de 1300 anos-luz de distância, na direção da constelação de Cisne.
Crédito: K. Miller, Caltech/IPAC
"Os campos magnéticos à volta dos corpos cósmicos tendem a ser assimétricos, ou seja, mais fortes num dos lados", explica Caiazzo. "Os campos magnéticos podem impedir a mistura de materiais. Assim, se o campo magnético for mais forte de um lado, esse lado terá menos mistura e, portanto, mais hidrogénio."
Outra teoria proposta pela equipa para explicar as duas faces também depende dos campos magnéticos. Mas, neste cenário, pensa-se que os campos alterem a pressão e a densidade dos gases atmosféricos.
"Os campos magnéticos podem levar a pressões de gás mais baixas na atmosfera, o que pode permitir a formação de um 'oceano' de hidrogénio onde os campos magnéticos são mais fortes", diz o coautor James Fuller, professor de astrofísica teórica no Caltech. "Não sabemos qual destas teorias está correta, mas não conseguimos pensar em nenhuma outra forma de explicar os lados assimétricos sem campos magnéticos".
Para ajudar a resolver o mistério, a equipa espera encontrar mais anãs brancas do tipo Jano com o levantamento do céu do ZTF. "O ZTF é muito bom a encontrar objetos estranhos", diz Caiazzo. Futuros levantamentos, como os que serão efetuados pelo Observatório Vera C. Rubin, no Chile, deverão facilitar ainda mais a descoberta de anãs brancas variáveis.
Cartografia química revela os braços espirais da Via Láctea
O modelo de Hawkins sobreposto a uma ilustração da Via Láctea pelo JPL da NASA. As manchas vermelhas e azuis indicam objetos com uma metalicidade alta ou baixa, respetivamente. A alta metalicidade (vermelho) corresponde à presença de estrelas jovens, que são mais abundantes nos braços espirais.
Crédito: K. Hawkins (UT Austin), NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)
Keith Hawkins, professor assistente de astronomia na Universidade do Texas em Austin, EUA, utilizou a cartografia química - também conhecida como mapeamento químico - para identificar regiões dos braços espirais da Via Láctea que não tinham sido detetadas anteriormente. A sua investigação, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, demonstra o valor desta técnica pioneira na compreensão da forma, estrutura e evolução da nossa Galáxia.
Os mapas químicos da Galáxia mostram como os elementos da tabela periódica estão distribuídos pela Via Láctea. Permitem aos astrónomos identificar a localização de objetos celestes com base na sua composição química e não na luz que emitem. Embora a ideia da cartografia química já exista há algum tempo, só recentemente os astrónomos conseguiram obter resultados significativos com esta técnica. Isso deve-se ao facto de entrarem em funcionamento telescópios cada vez potentes.
"Tal como os primeiros exploradores, que criaram mapas cada vez melhores do nosso mundo, estamos agora a criar mapas cada vez melhores da Via Láctea", diz Hawkes. "Esses mapas estão a revelar coisas que pensávamos serem verdadeiras, mas que ainda precisamos de verificar".
Desde a década de 1950 que sabemos que a Via Láctea é uma galáxia espiral. No entanto, a sua forma exata, a sua estrutura e até o número dos seus braços têm sido objeto de investigação permanente. Isso deve-se ao facto de vivermos dentro da nossa Galáxia natal e não podermos viajar o suficiente para a ver de uma perspetiva exterior. "É como estar numa grande cidade", explica Hawkins. "Podemos olhar em volta para os edifícios e ver em que rua estamos, mas é difícil saber como é a cidade inteira, a não ser que estejamos num avião a sobrevoá-la."
A nossa visão limitada da Via Láctea não impediu os astrónomos de criarem modelos bem informados da mesma, nem os artistas de fazerem belas ilustrações. "Mas", diz Hawkins, "eu queria descobrir até que ponto esses modelos e ilustrações são de facto precisos. E ver se a cartografia química poderia revelar uma visão mais clara dos braços espirais da Via Láctea."
Mapeando a Via Láctea
Uma forma tradicional de mapear a Via Láctea é identificar concentrações de estrelas jovens. À medida que a Via Láctea gira, a poeira e o gás nos seus braços espirais comprimem-se, provocando o nascimento de novas estrelas. Assim, onde existe uma abundância de estrelas jovens, prevê-se que exista também um braço.
Os astrónomos podem localizar estrelas jovens detetando a luz que emitem. Mas, por vezes, nuvens de poeira podem obscurecer as estrelas, tornando difícil a observação da sua luz, mesmo pelos melhores telescópios. Como resultado, algumas regiões dos braços da Via Láctea ainda não foram descobertas.
A cartografia química ajuda os astrónomos a preencher as partes em falta.
Para tal, baseia-se num conceito astronómico chamado "metalicidade". A metalicidade refere-se ao rácio entre os metais e o hidrogénio presentes à superfície de uma estrela. Na astronomia, qualquer elemento da tabela periódica que não seja hidrogénio ou hélio é chamado "metal". As estrelas jovens possuem mais metais do que as estrelas mais velhas e por isso têm uma metalicidade mais elevada. Isto deve-se ao facto de se terem formado mais tarde na história do nosso Universo, quando existiam mais metais.
Após o Big Bang, os únicos elementos existentes eram o hidrogénio, o hélio e escassos vestígios de alguns metais. Nos seus núcleos, a primeira geração de estrelas fundiu o hidrogénio e o hélio em metais cada vez mais complexos (ou seja, elementos cada vez mais pesados da tabela periódica), até que finalmente morreram ou explodiram. Mas do caos nasce a vida. Estas explosões ejetaram metais para os seus arredores, onde foram usados como blocos de construção para a geração seguinte de estrelas.
À medida que o ciclo de nascimento e destruição estelar se repete, cada geração subsequente de estrelas é enriquecida com metais mais complexos do que a anterior, conferindo-lhe uma metalicidade cada vez mais elevada. Em teoria, os braços espirais da Via Láctea, que contêm uma abundância de estrelas jovens, deveriam ter uma metalicidade mais elevada do que as regiões entre eles.
Comparação de mapas
Para criar o seu mapa, Hawkins identificou a distribuição da metalicidade na Via Láctea. Concentrou-se na área à volta do nosso Sol para a qual existem dados - uma visão de até 32.600 anos-luz. Esperava-se que as áreas com abundância de objetos ricos em metais se alinhassem com os braços em espiral e que as áreas com escassez de objetos ricos em metais se alinhassem com os espaços entre os braços.
Quando comparou o seu mapa com outros da mesma zona da Via Láctea, os braços espirais alinharam-se uns com os outros. Para além disso, como o mapa de Hawkins identifica os braços espirais com base na metalicidade e não na luz emitida por estrelas jovens, apareceram novas regiões que até então não tinham sido cartografadas.
"Uma grande conclusão", diz Hawkins, "é que os braços espirais são de facto mais ricos em metais. Isto ilustra o valor da cartografia química na identificação da estrutura e formação da Via Láctea. Tem o potencial de transformar completamente a nossa visão da Galáxia".
O Gaia revoluciona o estudo da nossa Galáxia
À medida que os nossos telescópios se tornam mais poderosos, o mesmo acontece com a promessa da cartografia química.
Para a sua investigação, Hawkins analisou dados do LAMOST (Large Sky Area Multi-Object Fibre Spectroscopic Telescope) e do telescópio espacial Gaia. Os novos dados do Gaia (DR3) foram particularmente interessantes. Isto porque o Gaia fornece o estudo mais preciso e abrangente da Via Láctea até à data, incluindo a sua composição química.
Desde o seu lançamento em 2013, o Gaia monitorizou cerca de dois mil milhões de objetos. Os astrónomos podem agora expandir a sua investigação de milhares de objetos para milhares de milhões e para uma área muito maior da Galáxia.
"O enorme volume de dados disponíveis do Gaia permite-nos agora fazer cartografia química à escala galáctica", diz Hawkins. "Os dados sobre as posições de milhares de milhões de estrelas e sobre a sua composição química não estavam disponíveis até há pouco tempo."
Até agora, o Gaia forneceu dados químicos para a maior área da Via Láctea até à data. No entanto, isto representa apenas cerca de um por cento da Galáxia. À medida que o Gaia continua a sondar os céus e à medida que novos telescópios vão ficando disponíveis, os astrónomos podem utilizar cada vez mais a cartografia química para compreender as propriedades fundamentais da nossa Galáxia. Estas lições podem, por sua vez, ser aplicadas a outras galáxias e ao Universo como um todo. Como explica Hawkins, "é uma era completamente nova".
Novo estudo revela que Roman da NASA poderá encontrar 400 planetas errantes de massa terrestre
Esta ilustração mostra um planeta errante de massa terrestre, gelado, vagueando sozinho pelo espaço.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Uma nova investigação levada a cabo por cientistas da NASA e da Universidade de Osaka, no Japão, sugere que os planetas errantes - mundos que andam à deriva no espaço sem ligação a uma estrela - são em muito maior número do que os planetas que orbitam estrelas. Os resultados implicam que o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, cujo lançamento está previsto para maio de 2027, poderá encontrar uns impressionantes 400 mundos interestelares de massa terrestre. De facto, este novo estudo já identificou um desses candidatos.
"Estimamos que a nossa Galáxia tenha 20 vezes mais planetas errantes do que estrelas - biliões de mundos a vaguear sozinhos", disse David Bennett, investigador sénior do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, coautor de dois artigos que descrevem os resultados. "Esta é a primeira medição do número de planetas interestelares na Galáxia que é sensível a planetas menos massivos do que a Terra."
As descobertas da equipa resultam de um levantamento de nove anos chamado MOA (Microlensing Observations in Astrophysics), realizado no Observatório da Universidade de Mount John, na Nova Zelândia. Os eventos de microlente ocorrem quando um objeto, como uma estrela ou um planeta, se alinha quase perfeitamente com uma estrela de fundo não relacionada a partir do nosso ponto de vista. Como tudo o que tem massa deforma o tecido do espaço-tempo, a luz da estrela distante curva-se em torno do objeto mais próximo quando passa perto dele, novamente, a partir do nosso ponto de vista do céu da Terra. O objeto mais próximo atua como uma lente natural, criando um breve pico no brilho da luz da estrela de fundo que dá aos astrónomos pistas sobre o objeto interveniente que não conseguem obter de outra forma.
"O efeito de microlente é a única forma de encontrarmos objetos como planetas flutuantes de baixa massa e até buracos negros primordiais", disse Takahiro Sumi, professor da Universidade de Osaka e autor principal do artigo com uma nova estimativa do número de planetas errantes da nossa Galáxia. "É muito excitante usar a gravidade para descobrir objetos que nunca poderíamos esperar ver diretamente".
O planeta interestelar com mais ou menos a massa da Terra que a equipa encontrou é a segunda descoberta deste tipo. O artigo que descreve a descoberta será publicado numa futura edição da revista The Astronomical Journal. Um segundo artigo, que apresenta uma análise demográfica que conclui que os planetas fugitivos são seis vezes mais abundantes do que os mundos que orbitam estrelas na nossa Galáxia, será publicado na mesma revista.
Planetas do "tamanho de um alfinete"
Em apenas algumas décadas, passámos de perguntar se os mundos do nosso Sistema Solar estariam sozinhos no cosmos para a descoberta de mais de 5300 planetas para lá do nosso Sistema Solar. A grande maioria destes mundos recém-descobertos ou são enormes, ou estão extremamente próximos da sua estrela hospedeira, ou ambos. Em contraste, os resultados da equipa sugerem que os planetas interestelares tendem a ser pequenos.
"Descobrimos que os planetas errantes do tamanho da Terra são mais comuns do que os mais massivos", disse Sumi. "A diferença entre as massas médias dos planetas ligados às estrelas e as dos planetas que flutuam livremente é a chave para compreender os mecanismos de formação planetária."
A construção de mundos pode ser caótica, com todos os corpos celestes em formação a interagirem gravitacionalmente à medida que se estabelecem nas suas órbitas. Os pesos leves planetários não estão tão fortemente ligados à sua estrela, pelo que algumas destas interações acabam por atirar esses mundos para o espaço. Assim começa uma existência solitária, escondida entre as sombras das estrelas.
Num dos primeiros episódios da série original "Star Trek", a tripulação encontra um desses planetas solitários no meio do chamado deserto estelar. Ficaram surpreendidos ao descobrir que Gothos, o planeta sem estrelas, era habitável. Embora um mundo assim possa ser plausível, a equipa sublinha que a recém-detetada "Terra fugitiva" provavelmente não partilha muitas outras características com a Terra para além de uma massa semelhante.
A caça do Roman por mundos escondidos
Os eventos de microlente que revelam planetas solitários são extraordinariamente raros, pelo que uma das chaves para encontrar mais é "lançar uma rede" mais alargada. É exatamente isso que o Roman fará após levantar voo em maio de 2027.
"O Roman será sensível mesmo a planetas errantes de menor massa, uma vez que observará a partir do espaço", disse Naoki Koshimoto, que liderou o trabalho que anunciou a deteção de um candidato a mundo errante de massa terrestre. Atualmente professor assistente na Universidade de Osaka, realizou esta investigação no Centro Goddard. "A combinação da visão alargada e nítida do Roman vai permitir-nos estudar os objetos que encontra com mais pormenor do que podemos fazer usando apenas telescópios terrestres, o que é uma perspetiva emocionante."
As melhores estimativas anteriores, baseadas em planetas encontrados em órbita de estrelas, sugeriam que o Roman encontraria 50 mundos interestelares de massa terrestre. Estes novos resultados sugerem que poderá efetivamente encontrar cerca de 400, embora tenhamos de esperar até que o Roman comece a varrer os céus para fazer previsões mais seguras. Os cientistas vão juntar os futuros dados do Roman com observações terrestres de instalações como o telescópio PRIME (Prime-focus Infrared Microlensing Experiment) do Japão, localizado no Observatório Astronómico da África do Sul, em Sutherland. Este telescópio de 1,8 metros basear-se-á no trabalho do MOA, realizando o primeiro levantamento, de campo amplo, de eventos de microlente no infravermelho próximo. Está equipado com quatro detetores do programa de desenvolvimento de detetores do Roman, fornecidos pela NASA no âmbito de um acordo internacional com a JAXA, a agência espacial japonesa.
Cada evento de microlente é um acontecimento único, o que significa que os astrónomos não podem voltar atrás e repetir as observações uma vez terminadas. Mas não são instantâneos.
"Um sinal de microlente de um planeta errante pode demorar desde algumas horas até cerca de um dia, por isso os astrónomos terão a oportunidade de fazer observações simultâneas com o Roman e com o PRIME", disse Koshimoto.
A observação simultânea a partir da Terra e da localização do Roman, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros de distância, ajudará os cientistas a medir as massas dos planetas fugitivos com muito mais precisão do que nunca, aprofundando a nossa compreensão dos mundos que adornam a nossa Galáxia.
Telescópio PRIME (Prime-focus Infrared Microlensing Experiment): Página principal
Também em destaque
Quão velhas são as estrelas fora dos enxames? (via Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam)
Cientistas do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam e da Universidade de Boston estabeleceram com sucesso uma ligação entre as taxas de rotação de estrelas em enxames estelares e as que se encontram fora deles, as chamadas estrelas de campo, permitindo deduzir as idades destas últimas. Os resultados mostram que o método de girocronologia pode ser aplicado não só a estrelas de enxames, mas também funciona bem para estrelas de campo, e assim as idades de muitas mais estrelas podem ser determinadas. Ler fonte
Investigadores descobrem que antigos grandes impactos podem ter impulsionado o vulcanismo de Vénus (via SwRI)
Uma equipa liderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) modelou a história dos impactos iniciais de Vénus para explicar como é que o planeta irmão da Terra manteve uma superfície jovem apesar de não ter placas tectónicas. A equipa comparou as histórias iniciais de colisão dos dois corpos e determinou que Vénus sofreu provavelmente impactos de maior velocidade e energia, criando um núcleo superaquecido que promoveu um vulcanismo prolongado e fez ressurgir o planeta. Ler fonte
Álbum de fotografias Cirros Galácticos: Mandel Wilson 9
A luz combinada de estrelas ao longo da Via Láctea é refletida por estas nuvens de poeira cósmica que se elevam cerca de 300 anos-luz acima do plano da nossa Galáxia. Conhecidas por alguns como nebulosas de fluxo integrado e normalmente encontradas em latitudes galácticas elevadas, as nuvens de cirros galácticos poeirentos são ténues. Mas podem ser localizadas ao longo de grandes regiões do céu, na direção dos polos norte e sul da Galáxia. Para além do reflexo da luz estelar, os estudos indicam que as nuvens de poeira produzem uma ténue luminescência avermelhada, à medida que os grãos interestelares de poeira convertem a invisível radiação ultravioleta em luz vermelha visível. Captando também estrelas próximas da Via Láctea e distantes galáxias de fundo, esta imagem de campo largo e notavelmente profunda explora um complexo de cirros galácticos ténues conhecido como Mandel Wilson 9. Abrange mais de três graus do céu do planeta Terra na direção da constelação Apus (ave-do-paraíso), no extremo sul.
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