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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #2023  
  28/07 a 31/07/2023  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
 

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: Ponte de acesso ao trilho para a praia do Barril
21/08/2023, 21:00 - Data esgotada - lista de espera

Observação noturna do céu em Tavira
Local: Forte do Rato
01/09/2023, 20:30 - Inscrição

 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve
 

Astronomia no Centro Náutico
Local: Estacionamento do Centro Náutico da Praia de Faro
29/07/2023, 20:15 - Data esgotada - Lista de espera

Astros no Moinho de Maré - Quinta de Marim
Local: Quinta de Marim, Olhão
02/08/2023, 20:30 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia junto ao castelo de Paderne
04/08/2023, 20:15 - Data esgotada - lista de espera

Observar Lua e Júpiter antes da praia!
Local: Estacionamento Central da Praia de Faro (canto sul, acesso ao areal junto do Bom Apetite)
Data: 08/08/2023
Horários: 08:30, 08:45, 09:00, 09:15, 09:30, 09:45 (Data esgotada - lista de espera)

Astronáufragos na Ria Formosa
12/08/2023, 20:30 - Data esgotada - lista de espera

Astronomia em Vale do Álamo
Local: Vale do Álamo - Benafim - Loulé
14/08/2023, 20:15 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia nas Merendas do Arade de Messines
Local: Zona norte da ponte do Parque de Merendas de São Bartolomeu de Messines
17/08/2023, 20:15 - Inscrição

Astronomia no Alto da Ameixeira
Local: Miradouro do Alto da Ameixeira - São Brás de Alportel
18/08/2023, 20:30 - Data esgotada - Lista de espera

 

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 28/07: 209.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).

Foi também diretor do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha a poucos graus da estrela Antares. Mas claro, apenas parecem juntas devido ao ponto de vista do céu da Terra. A Lua fica a 1,3 segundos-luz. Antares, a uma distância de cerca de 550 anos-luz, está mais ou menos 13 mil milhões de vezes mais distante. Além do mais, estima-se que Antares seja quase 200.000 vezes maior em diâmetro.

 

DIA 29/07: 210.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.

Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua encontra-se mesmo para a direita da tampo do "bule de chá" de Sagitário. Os binóculos ajudam a resolver as estrelas do "bule" através do luar.

 

DIA 30/07: 211.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1971, os astronautas da Apollo 15 pousam na Lua.

Em 2020, lançamento da missão Mars 2020 (do rover Perseverance e do helicóptero Ingenuity) da NASA a bordo de um foguetão Atlas V a partir de Cabo Canaveral.
HOJE, NO COSMOS:
Repare, novamente, que a Lua continua a mover-se pela constelação de Sagitário. Hoje encontra-se dentro do "bule de chá".

 

DIA 31/07: 212.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1969, a Mariner 6 passava a 3330 km de Marte. Transmite imagens de alta resolução da superfície, concentradas na região equatorial. 
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta do nosso satélite natural.
HOJE, NO COSMOS:
Vire-se para sudeste depois do cair da noite. Olhe para pouco mais de metade da distância entre o horizonte e o zénite, e aí estará a estrela Altair, a mais brilhante naquela área. A um dedo à distância do braço esticado, para cima, está a sua pequena companheira Tarazed (Gamma Aquilae), duas magnitudes mais ténue e bem no plano de fundo. Tarazed é na realidade 100 vezes mais luminosa do que Altair - é uma gigante laranja - mas está a 390 anos-luz em comparação com apenas 17 anos-luz de Altair.
Para a esquerda de Altair, a um pouco mais de um punho à distância do braço esticado, está a pequena constelação de Golfinho, saltando para a esquerda no limite da Via Láctea.
Mais perto, para cima e para a esquerda de Altair, está a pequena constelação de Sagitta, ou Seta, mais fraca de se ver. A seta aponta para a esquerda. Binóculos ajudam com ambas as constelações.

 
 
   
Nova imagem revela segredos sobre o nascimento de planetas

Uma nova imagem divulgada pelo ESO (Observatório Europeu do Sul) dá-nos pistas sobre como é que planetas com a massa de Júpiter se podem formar. Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) e do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os investigadores detetaram enormes aglomerados de poeira próximo de uma estrela jovem, que poderão colapsar e formar planetas gigantes.

 
No centro desta imagem vemos a jovem estrela V960 Mon, situada a mais de 5000 anos-luz de distância da Terra na constelação do Unicórnio. Material poeirento com potencial para formar planetas envolve a estrela.
Observações obtidas com o instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) montado no VLT do ESO, representadas a amarelo nesta imagem, mostram que o material poeirento a orbitar em torno da estrela jovem está a coalescer numa série de braços espirais intrincados que se estendem ao longo de distâncias maiores que todo o nosso Sistema Solar.
As regiões azuis representam dados obtidos com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro. Os dados ALMA mostram a estrutura dos braços espirais mais profundamente, revelando enormes aglomerados poeirentos que poderão fragmentar-se e colapsar para formar planetas gigantes aproximadamente do tamanho de Júpiter, por um processo conhecido por "instabilidade gravitacional".
Crédito: ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Weber et al.
 

"Esta descoberta é verdadeiramente excitante já que marca a primeira deteção de aglomerados em torno de uma estrela jovem, com o potencial de dar origem a planetas gigantes," disse Alice Zurlo, investigadora na Universidad Diego Portales, no Chile, envolvida nas observações.

O trabalho baseia-se numa imagem obtida pelo instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) montado no VLT do ESO, que mostra com extremo detalhe o material que rodeia a estrela V960 Mon. Esta estrela jovem situa-se a mais de 5000 anos-luz de distância da Terra na constelação do Unicórnio e chamou a atenção dos astrónomos em 2014 quando aumentou subitamente o seu brilho em mais de vinte vezes. As observações SPHERE, obtidas pouco depois do início desta "explosão" de brilho, revelaram que a matéria que orbita V960 Mon está a coalescer numa série de braços espirais intrincados que se estendem ao longo de distâncias maiores que todo o nosso Sistema Solar.

Esta descoberta motivou os astrónomos a analisarem observações existentes em arquivo do mesmo sistema obtidas pelo ALMA, do qual o ESO é um parceiro. As observações VLT incidem sobre a superfície da matéria poeirenta em torno da estrela, enquanto o ALMA consegue observar a sua estrutura mais profundamente. "Com o ALMA, tornou-se aparente que os braços espirais se estão a fragmentar, resultando na formação de aglomerados com massas semelhantes às de planetas," explica Zurlo.

Os astrónomos acreditam que os planetas gigantes se formam ou por "acreção no núcleo", quando grãos de poeira se juntam, ou por "instabilidade gravitacional", quando grandes fragmentos de material em torno de uma estrela se contraem e colapsam. Apesar dos investigadores já terem encontrado evidências anteriores para o primeiro destes cenários, as pistas que apoiam o segundo permanecem escassas.

 
Do lado esquerdo, a amarelo, temos uma imagem da estrela jovem V960 Mon e do material poeirento que a rodeia, obtida com o instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch) montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO. A luz que é refletida pelo material poeirento em órbita da estrela é polarizada — o que significa que oscila numa direção bem definida em vez de aleatória — sendo seguidamente detectada pelo SPHERE, que nos releva braços espirais.
Esta descoberta motivou os astrónomos a analisarem observações existentes em arquivo do mesmo sistema obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro. Os resultados desta análise podem ser vistos na imagem da direita, a azul. Os comprimentos de onda da radiação que o ALMA recolhe permitem observar mais profundamente o material em órbita da estrela, e revelam que os braços espirais se estão a fragmentar e a formar aglomerados com massas semelhantes às de planetas. Estes aglomerados poderão fragmentar-se e colapsar para formar planetas gigantes através de um processo conhecido por "instabilidade gravitacional".
Crédito: ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Weber et al.
 

"Até agora ainda ninguém tinha visto uma observação real de instabilidade gravitacional a ocorrer a escalas planetárias," disse Philipp Weber, investigador na Universidade de Santiago, Chile, que liderou o estudo publicado na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.

"Há mais de dez anos que o nosso grupo procura sinais de como é que os planetas se formam, por isso não podíamos estar mais entusiasmados com esta descoberta," disse Sebastián Pérez, membro da equipa da Universidade de Santiago, Chile.

Os instrumentos do ESO ajudarão os astrónomos a revelar mais detalhes sobre este sistema planetário em formação e o ELT (Extremely Large Telescope) desempenhará um papel crucial. Atualmente em construção no deserto chileno do Atacama, o ELT será capaz de observar este sistema com um detalhe sem precedentes, recolhendo informações preciosas sobre ele. "O ELT permitirá explorar a complexidade química que circunda estes aglomerados, ajudando-nos assim a saber mais sobre a composição do material a partir do qual se estão a formar potenciais planetas," concluiu Weber.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (PDF)
// Ampliando até V960 Mon (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Popular Mechanics
COSMOS
SAPO TeK

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

VLT:
ESO
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Webb deteta vapor de água numa zona de formação de planetas rochosos

Novas medições efetuadas pelo MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA detetaram vapor de água no disco interior do sistema PDS 70, situado a 370 anos-luz de distância. Esta é a primeira deteção de água na região terrestre de um disco já conhecido por albergar dois ou mais protoplanetas.

A água é essencial para a vida tal como a conhecemos. No entanto, os cientistas discutem a forma como chegou à Terra e se os mesmos processos podem ser a semente de exoplanetas rochosos em órbita de estrelas distantes. Novos conhecimentos podem vir do sistema PDS 70, que alberga um disco interior e um disco exterior separados por uma lacuna com oito mil milhões de quilómetros, no interior dos quais se encontram dois planetas gigantes gasosos conhecidos. O MIRI detetou vapor de água no disco interior do sistema, a distâncias inferiores a 160 milhões de quilómetros da estrela - a região onde se podem estar a formar planetas terrestres rochosos (a Terra orbita a 150 milhões de quilómetros do Sol).

 
Esta ilustração mostra a estrela PDS 70 e o seu disco protoplanetário interior. Novas medições do instrumento MIRI do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA indicaram a presença de vapor de água no disco interior do sistema PDS 70, situado a 370 anos-luz de distância. Esta é a primeira deteção de água na região terrestre de um disco já conhecido por albergar dois ou mais protoplanetas, um dos quais pode ser visto em cima à direita.
Crédito: NASA, ESA, CSA, J. Olmsted (STScI)
 

"Já vimos água noutros discos, mas não tão perto e num sistema onde os planetas se estão a formar. Não podíamos fazer este tipo de medições antes do Webb", disse a autora principal Giulia Perotti do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, Alemanha.

"Esta descoberta é extremamente excitante, uma vez que sonda a região onde tipicamente se formam planetas rochosos semelhantes à Terra", acrescentou o diretor do mesmo instituto, Thomas Henning, coautor do artigo. Henning é o coinvestigador principal do MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Webb, que fez a deteção, e o investigador principal do levantamento MINDS (MIRI Mid-Infrared Disk Survey) que recolheu os dados.

Um ambiente húmido para a formação de planetas

PDS 70 é uma estrela do tipo K, mais fria que o Sol, e tem uma idade estimada em 5,4 milhões de anos. É uma idade relativamente avançada para uma estrela com um disco de formação planetária, o que tornou a descoberta de vapor de água surpreendente.

Ao longo do tempo, o conteúdo de gás e poeira dos discos de formação planetária diminui. Ou a radiação e os ventos da estrela central removem esse material, ou a poeira cresce para objetos maiores que acabam por formar planetas. Como estudos anteriores não conseguiram detetar água nas regiões centrais de discos com idades semelhantes, os astrónomos suspeitaram que esta poderia não sobreviver à forte radiação estelar, levando a um ambiente seco para a formação de quaisquer planetas rochosos.

 
Este espetro do disco protoplanetário de PDS 70, obtido com o instrumento MIRI do Webb, mostra uma série de linhas de emissão de vapor de água.
Crédito: NASA, ESA, CSA, J. Olmsted (STScI)
 

Os astrónomos ainda não detetaram a formação de planetas no disco interior de PDS 70. No entanto, veem as matérias-primas para a construção de mundos rochosos, sob a forma de silicatos. A deteção de vapor de água implica que, se os planetas rochosos se estiverem a formar ali, terão água disponível desde o início.

"Encontrámos uma quantidade relativamente grande de pequenos grãos de poeira. Combinado com a nossa deteção de vapor de água, o disco interior é um lugar muito excitante", disse o coautor Rens Waters da Universidade de Radboud nos Países Baixos.

Qual é a origem da água?

A descoberta levanta a questão de saber de onde veio a água. A equipa do MINDS considerou dois cenários diferentes para explicar a sua descoberta.

Uma possibilidade é que as moléculas de água se estejam a formar no local onde as detetamos, à medida que os átomos de hidrogénio e oxigénio se combinam. Uma segunda possibilidade é que as partículas de poeira revestidas de gelo estejam a ser transportadas do disco exterior frio para o disco interior quente, onde a água gelada sublima e se transforma em vapor. Um tal sistema de transporte seria surpreendente, uma vez que a poeira teria de atravessar a grande divisão escavada pelos dois planetas gigantes.

Outra questão levantada pela descoberta é como é que a água poderia sobreviver tão perto da estrela, onde a luz ultravioleta da estrela deveria quebrar as moléculas de água. Muito provavelmente, o material circundante, como a poeira e outras moléculas de água, serve como escudo protetor. Como resultado, a água detetada perto de PDS 70 poderia sobreviver à destruição.

Em última análise, a equipa utilizará dois dos outros instrumentos do Webb, a NIRCam (Near-InfraRed Camera) e o espetrógrafo NIRSpec (Near-InfraRed Spectrograph) para estudar o sistema PDS 70, num esforço para obter uma compreensão ainda maior.

Estas observações foram efetuadas no âmbito do programa GTO (Guaranteed Time Observation) 1282. Esta descoberta foi publicada na revista Nature.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Radboud (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
21/07/2023 - Terá este exoplaneta um "irmão" que partilha a mesma órbita?
04/05/2021 - Hubble observa como um planeta gigante cresce
22/05/2020 - Astrónomos confirmam a existência de dois planetas gigantes recém-nascidos no sistema PDS 70
03/07/2018 - VLT obtém a primeira imagem confirmada de um planeta recém-nascido
13/11/2012 - Descoberta de gigante abertura em disco de estrela tipo-Sol pode indicar múltiplos planetas

Notícias relacionadas:
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Universe Today
ScienceDaily
PHYSORG
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Forbes

PDS 70:
ipac
PDS 70 (Wikipedia)
PDS 70b (NASA)
PDS 70b (Exoplanet.eu)
PDS 70c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
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Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Fusões galácticas lançam luz sobre o modelo de evolução galáctica
 
Esta imagem do telescópio Gemini North, no Hawaii, revela um par de galáxias espirais em interação - NGC 4568 (em baixo) e NGC 4567 (em cima) - à medida que começam a colidir e a fundir-se. As galáxias acabarão por formar uma única galáxia elíptica daqui a cerca de 500 milhões de anos.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA; processamento de imagem: T.A. Retor (Universidade do Alaska em Anchorage/NOIRLab da NSF), J. Miller (Observatório Gemini/NOIRLab da NSF), M. Zamani (NOIRLab da NSF) e D. de Martin (NOIRLab da NSF)
 

Um astrónomo australiano resolveu um mistério centenário sobre a forma como as galáxias evoluem de um tipo para outro. O mesmo estudo mostra que a Via Láctea, a galáxia em que vivemos, nem sempre foi uma espiral. O trabalho do professor Alister Graham, da Universidade de Swinburne, utiliza observações e conhecimentos novos e antigos para revelar como ocorre a especiação das galáxias. A investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Nas décadas de 1920 e 1930, o astrónomo Edwin Hubble e outros estabeleceram uma sequência de variações na anatomia das galáxias, agora conhecida como classificação de Hubble ou diagrama de Hubble. Esta sequência carece de trajetórias evolutivas, mas continua a ser amplamente utilizada para classificar as galáxias com base no seu aspeto visual.

As galáxias podem conter milhares de milhões de estrelas que seguem ordenadamente órbitas circulares num disco apinhado ou que "zumbem" caoticamente num enxame esférico ou em forma de elipse. Estes discos podem conter padrões espirais, sendo que estas galáxias espirais definem um dos extremos da classificação de Hubble, há muito conhecida.

Nesta sequência, as galáxias em forma de lentilha, conhecidas como galáxias lenticulares, com uma estrutura esférica central num disco sem espiral, foram consideradas a população de transição entre as galáxias espirais dominadas pelo disco, como a nossa Via Láctea, e as galáxias de forma elíptica, como M87.

No novo estudo, o professor Graham analisou imagens óticas do Telescópio Espacial Hubble e imagens infravermelhas do Telescópio Espacial Spitzer de 100 galáxias próximas. Comparando a sua massa estelar e a massa do buraco negro central, descobriu dois tipos de galáxias lenticulares: velhas e pobres em poeira, e ricas em poeira.

As galáxias lenticulares ricas em poeira são construídas a partir de fusões de galáxias espirais. As galáxias espirais podem ter um pequeno esferoide central e um disco contendo braços espirais de estrelas, gás e poeira que se estendem para fora do centro. As galáxias lenticulares poeirentas têm esferoides e buracos negros notavelmente mais proeminentes do que as galáxias espirais e do que as galáxias lenticulares pobres em poeira.

Numa reviravolta dos acontecimentos, a investigação do professor Graham mostrou que as galáxias espirais residem a meio caminho entre os dois tipos de galáxias em forma de lentilha.

"Isto redesenha a nossa muito apreciada sequência de galáxias", diz o professor Graham, "e, o que é mais importante, vemos agora os caminhos evolutivos através de uma sequência de 'casamentos' de galáxias, ou aquilo a que na economia se pode referir como aquisições e fusões".

Se as galáxias lenticulares, pobres em poeira, acretam gás e material, isso pode perturbar gravitacionalmente o seu disco, induzindo um padrão espiral e alimentando a formação de estrelas, alterando a sua estrutura e forma.

A Via Láctea tem várias galáxias satélites mais pequenas, como a anã de Sagitário e a anã de Cão Maior, e a sua estrutura revela uma rica história de aquisições. É provável que a Via Láctea tenha sido, em tempos, uma galáxia lenticular pobre em poeira que acretou material, incluindo a satélite Gaia Salsicha-Encélado, e que, com o tempo, evoluiu para a galáxia espiral em que vivemos atualmente. Imagens profundas obtidas por inúmeros telescópios terrestres nos últimos anos mostraram que esta é uma caraterística comum às galáxias espirais.

Algumas aquisições serão mais dramáticas. Um 'casamento' deste tipo está previsto para daqui a 4 a 6 mil milhões de anos, quando a Via Láctea e a galáxia de Andrómeda colidirem.

A sua colisão destruirá os atuais padrões espirais em ambas as galáxias, dando origem a uma galáxia fundida com um esferoide mais dominante, lançará muitas nuvens de poeira e será acompanhada por um aumento da massa do buraco negro central. Isto levará ao nascimento de uma galáxia lenticular rica em poeira.

A fusão subsequente de duas galáxias lenticulares poeirentas parece ser suficiente para apagar completamente os seus discos e para criar uma galáxia elíptica, incapaz de reter nuvens de gás frio com poeira.

De certa forma, as galáxias lenticulares, pobres em poeira, aparecem como um registo fóssil das galáxias primordiais do Universo. Estas galáxias dominadas por discos são muito antigas e comuns. A fusão de duas delas, no Universo jovem, pode explicar a recente observação pelo Telescópio Espacial James Webb de uma galáxia massiva dominada por um esferoide quando o Universo tinha 700 milhões de anos. Além disso, a nova investigação revelou também que a fusão de duas galáxias elípticas é suficiente para explicar as galáxias mais massivas do Universo atual, observadas nos centros de enxames de galáxias com 1000 membros.

O professor Graham observa que muitas pistas eram conhecidas, mas ainda não tinham sido combinadas numa imagem coesa. Ele diz: "As coisas encaixaram-se quando se reconheceu que as galáxias lenticulares não são a única população de ligação que durante muito tempo foram retratadas".

O novo trabalho significa que as galáxias têm agora a sua árvore genealógica. "É a sobrevivência do mais apto", diz o professor Graham, "o que significa, em última análise, o reinado dos esferoides sobre os discos". E acrescenta: "A astronomia tem agora uma nova sequência anatómica e, finalmente, uma sequência evolutiva em que se vê que a especiação das galáxias ocorre através do inevitável 'casamento' de galáxias consagrado pela gravidade."

// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Classificação de Hubble:
Wikipedia

Galáxia elíptica:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Galáxia lenticular:
Wikipedia

Galáxia espiral:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópio Espacial Spitzer:
Caltech
NASA
Centro Científico Spitzer 
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Descoberto um enxame galáctico inesperadamente calmo e remoto (via Chandra/Harvard)
Os astrónomos descobriram o enxame de galáxias "relaxado" mais distante até à data - o enxame mais distante alguma vez observado que não está a ser perturbado por colisões violentas com outros enxames galácticos. Esta descoberta está a abrir caminho para se saber como e quando se formam algumas destas estruturas gigantescas e porque é que o Universo tem o aspeto que tem atualmente. Ler fonte
     
  Astrónomos revelam novas características dos buracos negros (via Universidade de Nevada, Las Vegas)
Os buracos negros são os objetos mais misteriosos do Universo, com características que parecem saídas diretamente de um filme de ficção científica. Um subconjunto de buracos negros de massa estelar que acretam matéria e que podem lançar jatos de plasma altamente magnetizado são chamados microquasares. Uma equipa internacional de cientistas relata na revista Nature uma campanha de observação dedicada ao microquasar galáctico denominado GRS 1915+105. A equipa revelou características de um sistema de microquasares que nunca antes tinham sido observadas. Ler fonte
     
  Juno da NASA está a aproximar-se cada vez mais da lua de Júpiter, Io (via JPL/NASA)
Quando a missão Juno da NASA passar pela lua ardente de Júpiter, Io, no domingo, 30 de julho, a nave espacial fará a sua maior aproximação até à data, aproximando-se a 22.000 quilómetros da lua. Espera-se que os dados recolhidos pelo JIRAM (Jovian InfraRed Auroral Mapper), construído pela Itália, e por outros instrumentos científicos, forneçam uma grande quantidade de informação sobre as centenas de vulcões em erupção que expelem lava e gases sulfurosos por toda a lua. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
IC 4628: A Nebulosa do Camarão

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Daniel Stern
 
A sul de Antares, na cauda da constelação de Escorpião, rica em nebulosas, encontra-se a nebulosa de emissão IC 4628. Estrelas próximas, quentes e massivas, com apenas alguns milhões de anos, irradiam a nebulosa com luz ultravioleta invisível, retirando eletrões dos átomos. Os eletrões acabam por se recombinar com os átomos para produzir o brilho visível da nebulosa, dominado pela emissão vermelha do hidrogénio. A uma distância estimada de 6000 anos-luz, a região em destaque tem cerca de 250 anos-luz em diâmetro, abrangendo mais de três luas cheias no céu. A nebulosa está também catalogada como Gum 56, em homenagem ao astrónomo australiano Colin Stanley Gum, mas os entusiastas do céu profundo, amantes de marisco, talvez conheçam esta nuvem cósmica como a Nebulosa do Camarão. A graciosa imagem a cores é uma nova composição astronómica obtida durante várias noites em abril a partir de Rio Hurtado, no Chile.
 
   
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