NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
No próximo dia 12 de dezembro, junte-se ao Centro Ciência Viva de Tavira e ao Centro Ciência Viva do Algarve para mais uma observação astronómica! A atividade é gratuita. Participe! Data: 12 de dezembro de 2024 Hora: 18:00 - 20:00 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 06/12: 341.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1586 nascia Niccolò Zucchi, astrónomo, físico e jesuita italiano. Pode ter sido o primeiro a ver as bandas de Júpiter (no dia 17 de maio de 1630), e reportou manchas em Marte em 1640. No seu livro, "Optica philosophia experimentis et ratione a fundamentis constituta", publicado em 1652-56, descrevia experiências ocorridas em 1616 com um espelho curvo em vez de uma lente como objetiva telescópica, o que pode ser a descrição mais antiga de um telescópio refletor.
Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.
Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte. HOJE, NO COSMOS:
Orionte já está ficando numa boa posição para observação a este-sudeste depois do jantar. E isso significa que Gémeos também está a aparecer para a sua esquerda (às latitudes médias norte). As estrelas correspondentes às cabeças dos gémeos, Castor e Pollux, perfazem o lado esquerdo da constelação - uma para cima da outra, com a mais ténue Castor no topo.
É também a altura do ano em que M31, a Galáxia de Andrómeda, passa o mais alto pelas 20:00 (caso viva a latitudes médias norte). A hora exata depende de quão para este ou oeste, no fuso horário, o observador vive. Uns binóculos revelam o pequeno brilho de M31, logo ao lado da figura da constelação de Andrómeda.
DIA 07/12: 342.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido nos Países Baixos que descobriu luas de Úrano e Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar.
Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua.
Em 1995, a nave Galileu chega a Júpiter, pouco mais de seis anos depois de ter sido lançada pelo vaivém espacial Atlantis durante a missão STS-34.
Em 2015, a sonda japonesa Akatsuki entra com sucesso em órbita de Vénus, cinco anos após a primeira tentativa. HOJE, NO COSMOS:
Hoje tem lugar o pôr-do-Sol mais cedo do ano (se estiver perto da latitude 40º N). No dia do solstício e da noite mais longa, a 21 de dezembro, o Sol na verdade põe-se 3 minutos mais tarde. E o nascer-do-Sol mais tardio só ocorre no dia 4 de janeiro. Estas ligeiras discrepâncias surgem por causa da inclinação do eixo da Terra e da elipticidade da sua órbita.
Saturno brilha, esta noite, cerca de 5º para cima e para a esquerda da Lua. Embora possam parecer parceiros, Saturno está atualmente 3900 vezes mais longe. A Lua e Saturno são, respetivamente, o mais próximo e o mais distante objeto do Sistema Solar facilmente visíveis a olho nu.
Júpiter em oposição, pelas 21:00.
DIA 08/12: 343.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra. Passa novamente pela Terra no mesmo dia, mas em 1992.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa a cerca de 80.800 km de distância do planeta Vénus. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 15:27. O nosso satélite natural brilha para cima e para a esquerda do planeta Saturno.
Depois do anoitecer, consegue avistar o ténue
Anel da constelação de Peixes, logo acima da Lua e de Saturno? As suas estrelas têm apenas magnitudes 4 e 5. Cubra a brilhante Lua com o seu dedo para ajudar a resolver as estrelas.
Se ainda não consegue observar o Anel de Peixes, este mede 7º de largura e 5º de altura, ligeiramente maior do que o campo de visão de uns binóculos. "Varra" esta
zona do céu um pouco com os binócuilos para avistar todas as sete estrelas do círculo.
A estrela mais à esquerda (este) do círculo de Peixes é a estrela de carbono TX Piscium. É muito mais vermelha do que as estrelas vermelhas comuns, que parecem laranjas ou amarelo-alaranjadas.
Vemos as estrelas ricas em carbono através do vapor de C2 nas suas atmosferas, que atuam como um filtro vermelho.
DIA 09/12: 344.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, queda de um satélite em Kecksburg, perto de Pittsburgh, EUA.
Em 2006, lançamento da missão STS-116 do vaivém espacial Discovery, com componentes para a construção da ISS. HOJE, NO COSMOS:
O Triângulo de Verão fica cada vez mais baixo a oeste com o avançar da noite, e Altair é a primeira das suas estrelas a pôr-se (para observadores a latitudes médias norte). Comece por avistar a brilhante Vega, de magnitude zero, a estrela mais brilhante a noroeste depois do cair da noite. A estrela mais brilhante para cima de Vega é Deneb. Altair, a terceira estrela do Triângulo, está mais distante, para a esquerda de Vega. Quão tarde na noite, e nos dias que se seguem, consegue continuar a observar Altair?
Lançamento da missão Proba-3
Ilustração da separação das naves da missão Proba-3 do veículo de lançamento PSLV-XL fornecido pela agência espacial indiana.
Crédito: ESA - P. Carril
A missão Proba-3 (Project for On-Board Autonomy 3) da ESA foi lançada às 10:34 (hora portuguesa) de ontem, a partir do Centro Espacial Satish Dhawan em Sriharikota, India, e a bordo de um foguetão PSLV-XL da ISRO (Indian Space Research Organisation). Consiste de duas naves espaciais, de momento ainda acopladas uma à outra e que, depois do Ano Novo, separar-se-ão para começar a voar em formação com uma precisão milimétrica a uma distância de 150 metros entre si.
Qual o objetivo desta missão com participação portuguesa? Criar eclipses solares totais de modo artificial. Cada um tendo a duração aproximada de seis horas, a Proba-3 será capaz de ver a ténue atmosfera do Sol, a coroa, na região difícil de observar entre a orla do Sol e até 1,4 milhões de quilómetros da sua superfície.
Ao bloquear o escaldante disco solar, a nave 'Occulter' da missão Proba-3 imitará um eclipse solar total terrestre. Já a nave 'Coronagraph' aloja os instrumentos de observação.
Esta nova tecnologia de voo em formação, combinada com a órbita alargada e única do par de satélites em torno da Terra, permitirá à Proba-3 fazer ciência importante, revelando segredos do Sol, do clima espacial e das cinturas de radiação da Terra.
O dois satélites da missão Proba-3 terão uma órbita altamente elíptica com um apogeu de cerca de 60.000 km e um perigeu de 600 km.
Crédito: ESA - P. Carril, 2013
Na Terra, os eclipses solares totais ocorrem apenas de 18 em 18 meses, em média, e duram apenas alguns minutos. Os cientistas solares têm de viajar por todo o mundo para tirar partido dos eventos. A Proba-3 será capaz de criar eclipses solares a pedido, observando mais perto da orla do Sol do que qualquer outro instrumento anterior baseado na Terra ou no espaço, até apenas 1,1 raios solares. E fá-lo-á durante seis horas por cada órbita de 19 horas e 36 minutos.
A missão Proba-3 também irá efetuar experiências gerais de voo em formação, incluindo o encontro, o redimensionamento da distância entre o par e o redireccionamento conjunto. O objetivo é atingir um desempenho equivalente ao de uma única nave espacial virtual com cerca de 150 m de diâmetro, demonstrando um novo método de operação de missões no espaço, em que os instrumentos podem ser partilhados entre várias plataformas.
A fase de comissionamento será de quatro meses, após a qual a ESA começará a obter resultados científicos. A missão terá uma duração esperada de dois anos.
Telescópio James Webb descobre um novo planeta no sistema Kepler-51
O Telescópio Espacial James Webb da NASA ajudou a descobrir um quarto planeta no sistema Kepler-51. Os três planetas anteriormente conhecidos no sistema, aqui ilustrados, são planetas invulgares de densidade ultrabaixa, até denominados de "algodão doce".
Crédito: NASA, ESA e L. Hustak, J. Olmsted, D. Player e F. Summers (STScI)
De acordo com uma nova investigação liderada por investigadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos EUA, e da Universidade de Osaka, no Japão, um sistema planetário invulgar, com três planetas conhecidos e de densidade ultrabaixa, tem pelo menos mais um outro planeta. A equipa de investigação propôs-se estudar Kepler-51 d, o terceiro planeta do sistema, com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA, mas quase perdeu a oportunidade quando o planeta passou inesperadamente em frente da sua estrela duas horas mais cedo do que os modelos previam. Depois de examinarem dados novos e de arquivo de uma variedade de telescópios espaciais e terrestres, os investigadores descobriram que a melhor explicação é a presença de um quarto planeta, cuja atração gravitacional tem impacto nas órbitas dos outros planetas do sistema.
A descoberta do novo planeta é detalhada num artigo publicado dia 3 de dezembro na revista The Astronomical Journal.
"Estes planetas são muito invulgares na medida em que têm uma massa e uma densidade muito baixas", disse Jessica Libby-Roberts, bolseira de pós-doutoramento do Centro para Exoplanetas e Mundos Habitáveis da Penn State e coautora do artigo científico. "Os três planetas anteriormente conhecidos que orbitam a estrela Kepler-51 têm aproximadamente o tamanho de Saturno, mas apenas algumas vezes a massa da Terra, resultando numa densidade semelhante à do algodão doce. Pensamos que têm núcleos minúsculos e atmosferas enormes de hidrogénio e hélio, mas como estes estranhos planetas se formaram e como é que as suas atmosferas não foram destruídas pela intensa radiação da sua jovem estrela tem permanecido um mistério. Planeámos usar o JWST para estudar um destes planetas para ajudar a responder a estas questões, mas agora temos de explicar um quarto planeta de baixa massa no sistema!"
Quando um planeta passa em frente, ou transita, a sua estrela quando visto da Terra, bloqueia alguma da luz estelar, causando uma ligeira diminuição no brilho. A duração e a quantidade dessa diminuição dão pistas sobre o tamanho do planeta e outras características. Os planetas transitam quando completam uma órbita à volta da sua estrela, mas por vezes transitam uns minutos mais cedo ou mais tarde porque a gravidade de outros planetas no sistema os puxa. Estas pequenas diferenças são conhecidas como variações de tempo de trânsito e são incorporadas nos modelos dos astrónomos para lhes permitir prever com precisão quando os planetas vão transitar.
Os investigadores afirmaram não ter razões para acreditar que o modelo de três planetas do sistema Kepler-51 fosse impreciso, e utilizaram com sucesso o modelo para prever o tempo de trânsito de Kepler-51 b em maio de 2023 e acompanharam-no com o telescópio do Observatório de Apache Point para o observar dentro do prazo.
"Também tentámos usar o telescópio Davey Lab de Penn State para observar o trânsito de Kepler-51 d em 2022, mas algumas nuvens bloquearam a nossa visão no momento em que se previa que o trânsito começasse", disse Libby-Roberts. "É possível que tivéssemos descoberto que algo estava errado nessa altura, mas não tínhamos razões para suspeitar que Kepler-51 d não transitaria como esperado quando planeámos observá-lo com o JWST".
"Felizmente começámos a observar algumas horas antes para estabelecer uma linha de base, porque chegaram as 2 da manhã, depois as 3, e ainda não tínhamos observado uma mudança no brilho da estrela com o telescópio de Apache Point", disse Libby-Roberts. "Depois de termos repetido freneticamente os nossos modelos e escrutinado os dados, descobrimos uma ligeira queda no brilho estelar imediatamente quando começámos a observar com o telescópio de Apache Point, o que acabou por ser o início do trânsito - 2 horas mais cedo, o que está muito para além da janela de 15 minutos de incerteza dos nossos modelos!"
Quando os investigadores analisaram os novos dados do telescópio de Apache Point e do JWST, confirmaram que tinham captado o trânsito de Kepler-51 d, embora consideravelmente mais cedo do que o esperado.
"Ficámos realmente intrigados com o aparecimento precoce de Kepler-51 d, e nenhum ajuste fino do modelo de três planetas poderia explicar uma discrepância tão grande", disse Kento Masuda, professor associado de Ciências da Terra e do Espaço na Universidade de Osaka e coautor do artigo científico. "Só a adição de um quarto planeta explica esta diferença. Isto marca o primeiro planeta descoberto por variações de tempo de trânsito usando o JWST".
Para ajudar a explicar o que está a acontecer no sistema Kepler-51, a equipa de investigação revisitou dados anteriores de trânsito do telescópio espacial Kepler e do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite). Também fizeram novas observações dos planetas interiores do sistema, incluindo com o Telescópio Espacial Hubble e o telescópio do Observatório Palomar, e obtiveram dados de arquivo de vários telescópios terrestres. Uma vez que o novo planeta, Kepler-51 e, ainda não foi observado em trânsito - talvez por não passar na linha de visão entre a sua estrela e a Terra - os investigadores notaram a importância de obter o máximo de dados possível para apoiar os seus novos modelos.
"Realizámos o que se chama uma pesquisa de 'força bruta', testando muitas combinações diferentes de propriedades dos planetas para encontrar o modelo de quatro planetas que explica todos os dados de trânsito recolhidos nos últimos 14 anos", disse Masuda. "Descobrimos que o sinal é melhor explicado se Kepler-51 e tiver uma massa semelhante à dos outros três planetas e seguir uma órbita bastante circular de cerca de 264 dias - algo que seria de esperar com base noutros sistemas planetários. Outras soluções possíveis que encontrámos envolvem um planeta mais massivo numa órbita mais larga, embora pensemos que estas são menos prováveis".
Contando com um quarto planeta e ajustando os modelos também altera as massas esperadas dos outros planetas do sistema. De acordo com os investigadores, isto tem impacto noutras propriedades inferidas destes planetas e fornece informações sobre a maneira como se podem ter formado. Embora os três planetas interiores sejam ligeiramente mais massivos do que se pensava anteriormente, continuam a ser classificados como de "algodão doce". No entanto, não é claro se Kepler-51 e é também um planeta deste género, porque os investigadores não observaram um trânsito de Kepler-51 e e, portanto, não podem calcular o seu raio ou densidade.
"Os planetas de densidade ultrabaixa são bastante raros e, quando ocorrem, tendem a ser os únicos num sistema planetário", disse Libby-Roberts. "Tentar explicar como se formam três destes num só sistema já era um grande desafio, agora temos de explicar um quarto, quer seja de densidade ultrabaixa ou não. E também não podemos excluir a existência de outros planetas no sistema".
Dado que os investigadores pensam que Kepler-51 e tem uma órbita de 264 dias, disseram que é necessário mais tempo de observação para obter uma melhor imagem dos impactos da sua gravidade - ou da de planetas adicionais - nos três planetas interiores do sistema.
"Kepler-51 e tem uma órbita ligeiramente maior que a de Vénus e está dentro da zona habitável da estrela, pelo que muito mais poderá estar a ocorrer para lá dessa distância, se nos dedicarmos a observar", disse Libby-Roberts. "A continuação da análise das variações de tempo de trânsito pode ajudar-nos a descobrir planetas que estão mais longe das suas estrelas e pode ajudar na nossa procura de planetas que possam, potencialmente, suportar vida".
Os investigadores estão atualmente a analisar o resto dos dados do JWST, que podem fornecer informações sobre a atmosfera de Kepler-51 d. O estudo da composição e de outras propriedades dos três planetas interiores pode também melhorar a compreensão de como os invulgares planetas de "algodão doce" se formaram, concluíram os investigadores.
Investigadores derrubam a teoria de que Vénus já teve água líquida na sua superfície
Composição de imagens radar obtidas pela missão Magellan, radar este que penetrou a atmosfera de Vénus para resolver a sua superfície.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Uma equipa de astrónomos descobriu que Vénus nunca foi habitável, apesar de décadas de especulação de que o nosso vizinho planetário mais próximo já foi muito mais parecido com a Terra do que é hoje.
Os investigadores da Universidade de Cambridge estudaram a composição química da atmosfera de Vénus e inferiram que o seu interior é hoje demasiado seco para que alguma vez tenha existido água suficiente para a existência de oceanos à sua superfície. Ao invés, o planeta provavelmente sempre foi um mundo abrasador e inóspito ao longo de toda a sua história.
Os resultados, publicados na revista Nature Astronomy, têm implicações para a compreensão da singularidade da Terra e para a procura de vida em planetas para lá do nosso Sistema Solar. Embora muitos exoplanetas sejam semelhantes a Vénus, o estudo sugere que os astrónomos devem concentrar-se em exoplanetas mais parecidos com a Terra.
À distância, Vénus e a Terra parecem irmãos: tem um tamanho quase idêntico e é rochoso como a Terra. Mas, de perto, Vénus é mais parecido com um gémeo mau: está coberto por espessas nuvens de ácido sulfúrico e a sua superfície tem uma temperatura média próxima dos 500° C.
Apesar destas condições extremas, há décadas que os astrónomos investigam se Vénus já teve oceanos líquidos capazes de suportar vida, ou se alguma forma misteriosa de vida "aérea" existe atualmente nas suas espessas nuvens.
"Não saberemos com certeza se Vénus suporta ou suportou vida até enviarmos sondas no final desta década", disse a primeira autora Tereza Constantinou, estudante de doutoramento no Instituto de Astronomia de Cambridge. "Mas dado que provavelmente nunca teve oceanos, é difícil imaginar que Vénus tenha alguma vez suportado vida semelhante à da Terra, que requer água líquida".
Quando procuram vida noutros locais da nossa Galáxia, os astrónomos concentram-se em planetas que orbitam as suas estrelas hospedeiras na zona habitável, onde as temperaturas são tais que a água líquida pode existir à superfície do planeta. Vénus fornece um limite poderoso para a zona habitável em torno de uma estrela.
"Apesar de ser o planeta mais próximo da Terra, Vénus é importante para a ciência dos exoplanetas, porque nos dá uma oportunidade única de explorar um planeta que evoluiu de forma muito diferente do nosso, mesmo no limite da zona habitável", disse Constantinou.
Existem duas teorias principais sobre como as condições em Vénus podem ter evoluído desde a sua formação há 4,6 mil milhões de anos. A primeira é que as condições na superfície de Vénus já foram suficientemente temperadas para suportar água líquida, mas um descontrolado efeito de estufa causado por uma atividade vulcânica generalizada fez com que o planeta ficasse cada vez mais quente. A segunda teoria é que Vénus nasceu quente e a água líquida nunca conseguiu condensar-se à superfície.
"Ambas as teorias se baseiam em modelos climáticos, mas nós quisemos adotar uma abordagem diferente, baseada em observações da atual química atmosférica de Vénus", disse Constantinou. "Para manter a atmosfera de Vénus estável, todas as substâncias químicas que são removidas da atmosfera devem também ser-lhe devolvidas, uma vez que o interior e o exterior do planeta estão em constante comunicação química entre si".
Os investigadores calcularam a atual taxa de destruição das moléculas de água, dióxido de carbono e sulfeto de carbonila na atmosfera de Vénus, que devem ser repostas pelos gases vulcânicos para manter a atmosfera estável.
O vulcanismo, através do seu fornecimento de gases para a atmosfera, fornece uma janela para o interior de planetas rochosos como Vénus. Quando o magma sobe do manto para a superfície, liberta gases das zonas mais profundas do planeta.
Na Terra, as erupções vulcânicas são maioritariamente vapor, devido ao interior rico em água do nosso planeta. Mas, com base na composição dos gases vulcânicos necessários para sustentar a atmosfera venusiana, os investigadores descobriram que os gases vulcânicos em Vénus têm, no máximo, seis por cento de água. Estas erupções secas sugerem que o interior de Vénus, a fonte do magma que liberta os gases vulcânicos, também está desidratado.
No final desta década, a missão DAVINCI da NASA poderá testar e confirmar se Vénus sempre foi um planeta seco e inóspito através de uma série de "flybys" e de uma sonda enviada para a superfície. Os resultados poderão ajudar os astrónomos a focar-se mais estritamente na procura de planetas que possam suportar vida em órbita de outras estrelas da Galáxia.
"Se Vénus foi habitável no passado, isso significa que outros planetas que já encontrámos podem também ser habitáveis", disse Constantinou. "Instrumentos como o Telescópio Espacial James Webb são melhores no estudo das atmosferas de planetas próximos da sua estrela hospedeira, como Vénus. Mas se Vénus nunca foi habitável, então isso faz com que planetas semelhantes a Vénus noutros locais sejam candidatos menos prováveis a condições habitáveis ou a vida.
"Teríamos adorado descobrir que Vénus já foi um planeta muito mais parecido com o nosso, por isso é um pouco triste descobrir que não foi, mas, em última análise, é mais útil concentrar a pesquisa em planetas que são mais suscetíveis de suportar a vida - pelo menos a vida como a conhecemos".
DAVINCI (Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging): NASA Wikipedia
Também em destaque
Revelada a superfície de uma estrela: estudo de 16 anos mostra dínamo caótico (via Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam)
O observatório STELLA, em Tenerife, estudou a superfície de uma estrela durante 16 anos, utilizando espetroscopia robótica e imagens Doppler. Ao contrário das manchas cíclicas do nosso Sol, a estrela XX Trianguli exibia um comportamento caótico e não periódico, revelando um mecanismo de dínamo fundamentalmente diferente. O estudo inovador foi agora publicado na revista Nature Communications e apresenta uma história da evolução da superfície estelar, que, de outra forma, seria apenas um ponto de luz irresolúvel no céu. Ler fonte
Álbum de fotografias NGC 300: Uma Galáxia Estrelada
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Daniel Stern
Esta galáxia é invulgar pela quantidade de estrelas que parecem poder observar-se. As estrelas são tão abundantemente evidentes nesta exposição profunda da galáxia espiral NGC 300 porque muitas destas estrelas são azuis brilhantes e estão agrupadas em enxames de estrelas brilhantes resolvíveis. Além disso, NGC 300 é tão nítida porque é uma das galáxias espirais mais próximas da Terra, uma vez que a luz demora apenas cerca de 6 milhões de anos a chegar até nós. Naturalmente, as galáxias são compostas por muito mais estrelas ténues do que brilhantes, e uma parte ainda maior da massa de uma galáxia é atribuída a matéria escura invisível. NGC 300 cobre quase a mesma área de céu que a Lua Cheia e é visível com um pequeno telescópio na direção da constelação austral do Escultor. A imagem em destaque foi captada em outubro a partir de Rio Hurtado, no Chile, e é uma composição de mais de 20 horas de exposição.
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