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  Astroboletim #2169  
  20/12 a 23/12/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 20/12: 355.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson
Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador de Astronomia da História.
Em 1999, lançamento da missão STS-103 do vaivém Discovery, a terceira missão de serviço ao Telescópio Hubble.
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Em 2019, a Força Espacial dos EUA torna-se o primeiro novo ramo das Forças Armadas dos EUA desde 1947.
HOJE, NO COSMOS:
Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, brilha baixa a este-sudeste após a hora de jantar. Procyon, a estrela mais brilhante de Cão Menor, brilha para a sua esquerda a este cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

 

DIA 21/12: 356.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. AndersJames A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.
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Esta missão teve como objetivo alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Em 2015, a SpaceX faz história, tornando-se na primeira companhia a fazer regressar, com sucesso, o estágio de um veículo de lançamento orbital à Terra para uma aterragem propulsiva numa plataforma de aterragem terrestre.
Em 2020, ocorre uma grande conjunção entre Júpiter e Saturno, estando os dois planetas, da perspetiva do céu da Terra, separados por 0,1 graus. É a conjunção mais íntima destes dois objetos desde 1623.
HOJE, NO COSMOS:
Hoje é o dia mais curto do ano (para o hemisfério norte); o solstício (estação de inverno) ocorre pelas 09:21. O Sol está na sua declinação mais a sul e começa o seu regresso de seis meses para norte.

 

DIA 22/12: 357.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1891, o asteroide 323 Brucia torna-se no primeiro asteroide descoberto usando astrofotografia.
Em 2015, a SpaceX aterra o primeiro estágio de um foguetão Falcon 9 no solo, depois de alcançar baixa órbita terrestre às 01:40 UTC pela primeira vez na história.
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HOJE, NO COSMOS:
Por volta do final do lusco-fusco, volte-se para norte e olhe bem para cima. Cassiopeia está agora num "M" achatado, inclinado num ângulo de 45º (dependendo da localização do observador). Apenas duas horas depois, o M está horizontal! As constelações que passam perto do zénite parecem girar rapidamente em relação à direção "cima".
Lua em Quarto Minguante, pelas 22:18.

 

DIA 23/12: 358.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia
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HOJE, NO COSMOS:
Bem acima de Orionte brilha a alaranjada Aldebarã com o largo enxame das Híades no plano de fundo. Os binóculos são instrumentos ideais para observar este enxame, tendo em conta o seu tamanho: as estrelas mais brilhantes (de quarta e quinta magnitudes) abrangem uma área com aproximadamente 4º de diâmetro. Mais acima, as Plêiades têm pouco mais de 1º de diâmetro, contando apenas as estrelas mais brilhantes. As estrelas principais das Híades formam um V. Está atualmente de lado, aberto para a esquerda. Aldebarã forma a mais baixa das duas pontas do V. Com binóculos, siga o ramo inferior do V para a direita de Aldebarã. A primeira "coisa" a que chega é o asterismo da Casa: um padrão de estrelas parecido a um desenho de uma criança de uma casa com um telhado. A casa está atualmente direita e inclinada para a direita como se tivesse sido empurrada. A Casa inclui três estrelas duplas binoculares que formam um triângulo equilátero, com cada par virado para o centro. O par mais brilhante é Theta1 e Theta2 Tauri. Talvez consiga resolver o par Theta à vista desarmada.

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Primeira estrela binária encontrada perto do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia
 
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Esta imagem mostra a localização da estrela binária D9 recém-descoberta em órbita de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Galáxia. Trata-se da primeira vez que um par de estrelas é encontrado na vizinhança de um buraco negro supermassivo. A imagem sobreposta mostra o sistema binário tal como foi detetado pelo espectrógrafo SINFONI montado no VLT do ESO. Embora as duas estrelas não se possam distinguir de forma separada na imagem, a natureza binária de D9 foi revelada pelos espetros capturados pelo SINFONI ao longo de vários anos. Estes espetros mostram que a luz emitida pelo hidrogénio gasoso em torno de D9 oscila periodicamente entre comprimentos de onda vermelhos e azuis, à medida que as duas estrelas se orbitam uma à outra.
Crédito: ESO/F. Peißker et al., S. Guisard
 

Uma equipa internacional de investigadores detetou uma estrela binária próxima de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Galáxia. Trata-se da primeira vez que um par de estrelas é encontrado na vizinhança de um buraco negro supermassivo. A descoberta, com base em dados recolhidos pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO, ajuda-nos a compreender melhor como é que as estrelas conseguem sobreviver em ambientes de gravidade extrema e pode abrir caminho à deteção de planetas perto de Sagitário A*.

"Os buracos negros não são tão destrutivos como pensávamos", afirma Florian Peißker, investigador da Universidade de Colónia, na Alemanha, e principal autor do estudo publicado na revista Nature Communications. As estrelas binárias, pares de estrelas que se orbitam uma à outra, são muito comuns no Universo, mas até agora nenhuma tinha ainda sido encontrada perto de um buraco negro supermassivo, local onde a gravidade muito extrema pode tornar os sistemas estelares instáveis.

Esta nova descoberta mostra que alguns binários podem prosperar durante um curto espaço de tempo em condições destrutivas. D9, nome dado à estrela binária recém-descoberta, foi detetada mesmo a tempo: estima-se que tenha apenas 2,7 milhões de anos, e a forte força gravitacional do buraco negro fará com que, muito provavelmente, se funda numa única estrela dentro de apenas um milhão de anos, o que corresponde a um período de tempo muito curto para um sistema tão jovem.

"Este facto faz com que tenhamos apenas uma breve janela, em termos de escalas de tempo cósmico, para observar um tal sistema binário, o que nós conseguimos!" explica a coautora Emma Bordier, investigadora também da Universidade de Colónia e antiga aluna no ESO.

Durante muitos anos, os cientistas também pensaram que o ambiente extremo que existe nas proximidades de um buraco negro supermassivo impedisse a formação de novas estrelas. No entanto, as várias estrelas jovens encontradas nas proximidades de Sagitário A* desmentiram esta suposição. A descoberta desta estrela binária jovem mostra agora que até pares de estrelas têm o potencial de se formar no seio destas condições adversas. "O sistema D9 mostra sinais claros da presença de gás e poeira em torno das estrelas, o que sugere que estaremos na presença de um sistema estelar muito jovem que se deve ter formado na vizinhança do buraco negro supermassivo", explica o coautor Michal Zajaček, investigador da Universidade de Masaryk, na Chéquia, e da Universidade de Colónia.

 
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D9 é o primeiro par de estrelas alguma vez encontrado perto de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Esta imagem mostra uma "risca" de emissão de hidrogénio obtida pelo instrumento SINFONI, montado no VLT do ESO. O instrumento fornece um espetro para cada pixel; ao longo dos anos, verificou-se que a emissão em torno de D9 oscilava periodicamente entre comprimentos de onda vermelhos e azuis, o que revelou que D9 se trata, na realidade, de duas estrelas que se orbitam uma à outra.
Crédito: ESO/F. Peißker et al.
 

O binário agora descoberto foi encontrado no seio de um denso aglomerado de estrelas e outros objetos que orbitam Sagitário A*, o chamado enxame S. Os objetos mais enigmáticos neste enxame são os chamados objetos G, que se comportam como estrelas mas que mais parecem nuvens de gás e poeira.

Foi precisamente durante observações destes objetos misteriosos que a equipa encontrou um padrão surpreendente em D9. Os dados obtidos com o instrumento ERIS, montado no VLT, combinados com dados de arquivo do instrumento SINFONI, revelaram variações recorrentes na velocidade da estrela, indicando que D9 se tratava, de facto, de duas estrelas em órbita uma da outra. "Inicialmente pensei que a minha análise estaria errada", diz Peißker, "no entanto, o padrão espetroscópico cobria cerca de 15 anos de observações, mostrando claramente que esta deteção se tratava, de facto, do primeiro binário observado no enxame S".

Estes resultados lançam uma nova luz sobre a natureza dos misteriosos objetos G. A equipa propõe que estes objetos possam ser uma combinação de estrelas binárias que ainda não se fundiram com o material que sobrou de estrelas já fundidas.

A natureza precisa de muitos dos objetos que orbitam Sagitário A*, bem como a forma como se podem ter formado tão perto do buraco negro supermassivo, continuam a ser um mistério. Em breve, a atualização GRAVITY+ do Interferómetro do VLT e o instrumento METIS do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, atualmente em construção no Chile, poderão mudar esta situação. Ambas estas infraestruturas permitirão à equipa realizar observações ainda mais detalhadas do centro da Galáxia, revelando a natureza de objetos conhecidos e, sem dúvida, descobrindo mais estrelas binárias e sistemas jovens. "A nossa descoberta permite-nos especular sobre a presença de planetas, uma vez que estes se formam frequentemente em torno de estrelas jovens. Parece-nos plausível que a deteção de planetas no centro da Galáxia seja apenas uma questão de tempo", conclui Peißker.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Primeira estrela binária descoberta perto de Sgr A* (ESO via YouTube)
// Animação do binário estelar D9 em órbita de Sgr A* (ESO via YouTube)

 


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Estrela binária:
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Enxame S:
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Sagitário A*:
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Buraco negro supermassivo:
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Via Láctea:
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SEDS

VLT:
ESO
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ESO:
Página oficial
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Os discos de formação planetária viveram mais tempo no Universo primitivo
 
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Esta é uma imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA de NGC 346, um enorme enxame estelar na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã vizinha da Via Láctea. Com a sua relativa escassez de elementos mais pesados do que o hélio e o hidrogénio, NGC 346 serve como uma representação para estudar ambientes estelares com condições semelhantes no Universo primitivo e distante. Dez pequenos círculos amarelos sobrepostos na imagem indicam as posições das dez estrelas estudadas neste estudo. (ver aqui a imagem sem os círculos amarelos)
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, O. C. Jones (UK ATC), G. De Marchi (ESTEC), M. Meixner (USRA)
 

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA acaba de resolver um enigma ao comprovar uma descoberta controversa feita com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA há mais de 20 anos.

Em 2003, o Hubble forneceu evidências da existência de um planeta massivo em torno de uma estrela muito antiga, quase tão antiga quanto o Universo. Estas estrelas possuem apenas pequenas quantidades de elementos mais pesados, que são os blocos de construção dos planetas. Isto implica que alguma formação planetária ocorreu quando o nosso Universo era muito jovem, e esses planetas tiveram tempo para se formarem e crescerem dentro dos seus discos primordiais, ficando até maiores do que Júpiter. Mas como? Isto era muito intrigante.

Para responder a esta questão, os investigadores usaram o Webb para estudar estrelas numa galáxia próxima que, tal como o Universo primitivo, não possui grandes quantidades de elementos pesados. Descobriram que não só algumas estrelas dessa galáxia têm discos de formação planetária, mas que esses discos têm uma vida mais longa do que os observados à volta de estrelas jovens na nossa Via Láctea.

"Com o Webb, temos uma confirmação muito forte do que vimos com o Hubble, e temos de repensar a forma como modelamos a formação e evolução inicial de planetas no Universo jovem", disse o líder do estudo, Guido De Marchi, do Centro Europeu de Tecnologia e Pesquisa Espacial da ESA, em Noordwijk, Países Baixos.

Um ambiente diferente nos primeiros tempos

No Universo primitivo, as estrelas formavam-se principalmente a partir de hidrogénio e hélio, e muito poucos elementos mais pesados como o carbono e o ferro, que surgiram mais tarde através de explosões de supernova.

"Os modelos atuais preveem que, com tão poucos elementos mais pesados, os discos à volta das estrelas têm um tempo de vida curto, tão curto que os planetas não podem crescer", disse a coinvestigadora do estudo Webb, Elena Sabbi, cientista-chefe do Observatório Gemini no NOIRLab da NSF (National Science Foundation) em Tucson, EUA. "Mas o Hubble viu esses planetas, por isso, e se os modelos não estiverem corretos e os discos pudessem ter vivido mais tempo?"

Para testar esta ideia, os cientistas apontaram o Webb para a Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que é uma das vizinhas mais próximas da Via Láctea. Em particular, examinaram o enxame massivo e formador de estrelas NGC 346, que também tem uma relativa escassez de elementos mais pesados. O enxame serviu como uma representação vizinha para o estudo de ambientes estelares com condições semelhantes no Universo primitivo e distante.

As observações Hubble de NGC 346, em meados dos anos 2000, revelaram muitas estrelas com cerca de 20 a 30 milhões de anos que pareciam ter ainda discos de formação planetária à sua volta. Este facto contraria a crença convencional de que tais discos se dissipariam ao fim de 2 ou 3 milhões de anos.

"As descobertas do Hubble foram controversas, indo contra não só a evidência empírica na nossa Galáxia, mas também contra os modelos atuais", disse De Marchi. "Isto era intrigante, mas sem uma forma de obter espetros dessas estrelas, não podíamos realmente estabelecer se estávamos a testemunhar uma acreção genuína e a presença de discos, ou apenas alguns efeitos artificiais".

Agora, graças à sensibilidade e resolução do Webb, os cientistas têm os primeiros espetros de estrelas em formação, semelhantes ao Sol, e dos seus ambientes imediatos numa galáxia próxima.

"Vemos que estas estrelas estão de facto rodeadas por discos e ainda estão no processo de engolir material, mesmo com a idade relativamente avançada de 20 ou 30 milhões de anos", disse De Marchi. "Isto também implica que os planetas têm mais tempo para se formarem e crescerem à volta destas estrelas do que em regiões de formação estelar próximas na nossa própria Galáxia".

 
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Este gráfico mostra, no canto inferior esquerdo, a amarelo, um espetro de uma das 10 estrelas alvo deste estudo (bem como da luz que acompanha o ambiente de fundo imediato). As impressões digitais espetrais do hélio atómico quente, do hidrogénio molecular frio e do hidrogénio atómico quente estão realçadas. No canto superior esquerdo, em magenta, está um espetro ligeiramente deslocado da estrela que inclui apenas a luz do ambiente de fundo. Este segundo espetro não tem uma linha espetral de hidrogénio molecular frio.
À direita está a comparação das linhas de cima e de baixo. Esta comparação mostra um grande pico no hidrogénio molecular frio proveniente da estrela mas não do seu ambiente nebular. Também o hidrogénio atómico apresenta um pico maior proveniente da estrela. Isto indica a presença de um disco protoplanetário imediatamente à volta da estrela. Os dados foram obtidos com o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrometer) do Telescópio Espacial James Webb.
Crédito: NASA, ESA, CSA, J. Olmsted (STScI)
 

Uma nova forma de pensar

Esta descoberta refuta as previsões teóricas anteriores, segundo as quais, quando há poucos elementos mais pesados no gás em torno do disco, a estrela sopraria para longe, e muito rapidamente, este disco. Assim, a vida do disco seria muito curta, mesmo inferior a um milhão de anos. Mas se um disco não fica à volta da estrela o tempo suficiente para que os grãos de poeira se colem e formem seixos que se tornam no núcleo de um planeta, como é que os planetas se podem formar?

Os investigadores explicaram que podem existir dois mecanismos distintos, ou mesmo uma combinação, para que os discos de formação planetária persistam em ambientes com poucos elementos mais pesados.

Em primeiro lugar, para poder soprar o disco para longe, a estrela aplica pressão de radiação. Para que esta pressão seja eficaz, os elementos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio teriam de residir no gás. Mas o massivo enxame estelar NGC 346 tem apenas cerca de dez por cento dos elementos mais pesados que estão presentes na composição química do nosso Sol. Talvez uma estrela deste enxame demore mais tempo a dispersar o seu disco.

A segunda possibilidade é que, para uma estrela semelhante ao Sol se formar quando há poucos elementos mais pesados, teria de começar a partir de uma nuvem de gás maior. Uma nuvem de gás maior produzirá um disco maior. Assim, há mais massa no disco e, por conseguinte, demoraria mais tempo a expulsar o disco, mesmo que a pressão da radiação funcionasse da mesma forma.

"Com mais matéria à volta das estrelas, a acreção dura mais tempo", disse Sabbi. "Os discos demoram dez vezes mais tempo a desaparecer. Isto tem implicações na forma como um planeta se forma e no tipo de arquitetura de sistema que se pode ter nestes diferentes ambientes. Isto é muito excitante".

O artigo científico da equipa foi publicado na edição de 16 de dezembro de 2024 da revista The Astrophysical Journal.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

NGC 346:
Wikipedia

Pequena Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
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X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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Uma "refusão" da superfície lunar acrescenta uma "ruga" ao mistério da verdadeira idade da Lua
 
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Impressão artística do aspeto da Lua durante o evento de aquecimento de maré. Teria havido intensa atividade vulcânica por todo o lado. A Terra primitiva teria aparecido muito maior no céu porque estava mais próxima.
Crédito: Alexey Chizhik/Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar
 

Muito sobre a Lua permanece envolto em mistério, incluindo a sua idade. Análises de amostras trazidas da superfície lunar indicam que a nossa companheira celeste pode ter cerca de 4,35 mil milhões de anos, o que significa que surgiu cerca de 200 milhões de anos após a formação do nosso Sistema Solar.

Mas este imenso desfasamento não agrada a alguns cientistas. Durante os primeiros tempos do Sistema Solar, os detritos e os corpos planetários colidiram e coalesceram para formar planetas. Por volta dos 200 milhões de anos, a maior parte destes detritos caóticos tinha sido arrastada para corpos maiores. Assim, muitos cientistas que simulam a evolução do Sistema Solar consideram improvável a ideia de uma colisão massiva que tenha formado a Lua tão tarde.

Num "artigo de ideias" publicado dia 18 de dezembro na revista Nature, o professor Francis Nimmo da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e os seus coautores propõem uma possível explicação para esta discrepância: a Lua teria sofrido uma nova fusão há 4,35 mil milhões de anos, devido à atração das marés da Terra, que provocou uma convulsão geológica generalizada e um aquecimento intenso. Segundo os autores, esta segunda fusão teria "reiniciado" a idade das rochas lunares - ocultando a verdadeira idade da Lua com o que poderia ser comparado a uma cirurgia plástico-vulcânica.

"Prevemos que não devem haver rochas lunares com mais de 4,35 mil milhões de anos, porque devem ter sofrido o mesmo processo de 'reset'", disse Nimmo, professor de Ciências da Terra e Planetárias. "Como este aquecimento foi global, não se devem encontrar rochas na Lua que sejam significativamente mais antigas do que isso".

A Lua como microcosmo do cosmos

A Lua fascina a humanidade há milénios e, nos últimos séculos, as pessoas começaram a perguntar-se como - e quando - a Lua se formou. Uma das razões para enviar astronautas à Lua foi para responder a esta pergunta. A Lua também serve como um degrau luminoso para compreender objetos mais distantes. Mas, se não conseguimos determinar a idade da Lua, como podemos ter a certeza da idade exata de qualquer coisa para lá dela?

Pensa-se que a Lua nasceu de uma colisão entre a Terra primitiva e um protoplaneta da dimensão de Marte - o último impacto gigante na história do nosso planeta. A data deste evento foi estimada através da datação de amostras lunares que se presume terem sido cristalizadas a partir do oceano de magma lunar que existiu após o impacto, situando a idade da Lua em cerca de 4,35 mil milhões de anos.

No entanto, esta idade não explica várias discrepâncias com modelos térmicos e outras evidências, como as idades de alguns minerais de zircão na superfície lunar, que sugerem que a Lua poderia ter até 4,51 mil milhões de anos.

Nimmo e os seus colegas colocam a hipótese de que um evento de refusão, impulsionado pela evolução orbital da Lua, poderia explicar a ocorrência frequente de rochas com cerca de 4,35 mil milhões de anos - como as recolhidas pelas missões Apollo dos EUA e outras - e não a primeira solidificação do oceano lunar de magma.

Para o seu artigo científico, os autores utilizaram modelos para mostrar que a Lua pode ter sofrido aquecimento de maré suficiente para causar esta segunda fusão há cerca de 4,35 mil milhões de anos, o que poderia "reiniciar" a idade aparente de formação destas amostras lunares.

Uma máscara enganadora de magma

O aquecimento de maré é um processo no qual as forças gravitacionais entre dois corpos celestes causam fricção interna que leva a um aquecimento intenso. No caso da Lua, este efeito foi provavelmente mais pronunciado no início da sua história, quando estava mais próxima da Terra. De acordo com os modelos mais recentes, durante certos períodos dos seus primeiros anos, a órbita da Lua teria sido instável, fazendo com que sofresse forças de maré intensas da Terra que poderiam ter levado a eventos de aquecimento significativos, alterando drasticamente a geologia da Lua.

A equipa de investigação estabelece paralelos entre este hipotético evento de aquecimento na Lua e a atual atividade vulcânica observada na lua de Júpiter, Io, que é conhecida como o corpo mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar. A atividade vulcânica em Io é impulsionada por forças de maré semelhantes às que podem ter marcado o início da história da Lua, com atividade vulcânica generalizada e a superfície a ser constantemente remodelada por erupções.

Os investigadores também afirmam que a refusão da Lua explicaria o facto de existirem menos bacias lunares de impacto dos primeiros bombardeamentos do que seria de esperar, uma vez que teriam sido apagadas durante um evento de aquecimento. Os autores afirmam que esta explicação sugeriria que a formação da Lua ocorreu há 4,43 -4,53 mil milhões de anos atrás, no limite superior das estimativas anteriores de idade.

Nimmo disse que a próxima fase da investigação vai envolver simulações mais complexas para refinar a compreensão de como o aquecimento de maré pode ter feito "reset" ao relógio geológico da Lua. Isto, juntamente com amostras lunares adicionais de futuras missões, deverá lançar mais luz sobre a verdadeira idade da Lua.

É por isso que a recente entrega de amostras lunares pela missão Chang'e 6 da China é motivo de grande entusiasmo. Estas amostras, recolhidas no lado oculto da Lua, fornecerão dados valiosos para compreender os processos que moldaram a sua história. Os investigadores estão particularmente ansiosos por ver se estas novas amostras apoiam a ideia de um evento de "reset" global causado pelo aquecimento de maré.

A equipa de Nimmo também imagina modelos mais detalhados para explorar melhor os efeitos do aquecimento de maré na geologia da Lua. Embora os modelos iniciais sejam prometedores, serão necessárias simulações mais complexas e realistas para compreender plenamente o alcance destes fenómenos de aquecimento.

Uma nova era de investigação lunar

Este artigo científico não só oferece uma nova perspetiva sobre o passado da Lua, como também abre a porta a investigações mais subtis sobre a sua formação e evolução. A interação entre a geoquímica e as simulações está a ajudar os cientistas a preencher as lacunas da história lunar, com o aquecimento de maré a emergir como um mecanismo crucial para compreender as características geológicas da Lua.

"À medida que mais dados se tornam disponíveis - particularmente de missões lunares atuais e futuras - a compreensão do passado da Lua continuará a evoluir", disse Nimmo. "Esperamos que as nossas descobertas suscitem mais discussão e exploração, conduzindo, em última análise, a uma imagem mais clara do lugar da Lua na história mais alargada do nosso Sistema Solar".

// Universidade da Califórnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

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17/07/2020 - Uma Lua ligeiramente mais jovem
24/05/2019 - Formação da Lua trouxe água à Terra
13/01/2017 - A Lua é mais antiga do que os cientistas pensavam
13/09/2016 - Química diz que Lua é o manto da proto-Terra, realocado
05/02/2016 - Lua foi produzida por uma colisão frontal entre a Terra e um planeta em formação
04/04/2014 - Nova pesquisa descobre "relógio geológico" que ajuda a determinar a idade da Lua
19/10/2012 - Novo estudo reforça ideia que Lua foi formada a partir de gigante colisão planetária

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A origem da Lua (Wikipedia)

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Álbum de fotografias
NGC 660: Galáxia de Anel Polar

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby
 
Que tipo de estranha galáxia é esta? Esta estrutura rara é conhecida como galáxia de anel polar e parece ter dois anéis diferentes de estrelas. Nesta galáxia, NGC 660, um anel de estrelas brilhantes, gás e poeira escura aparece quase na vertical, enquanto outro anel semelhante, mas mais pequeno, corre na diagonal a partir do canto superior esquerdo. A forma como as galáxias com anéis polares obtêm a sua aparência impressionante continua a ser um tema de investigação, mas uma das principais teorias argumenta que é normalmente o resultado da colisão de duas galáxias com diferentes planos centrais de anéis. NGC 660 estende-se por cerca de 50.000 anos-luz e está localizada a cerca de 40 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Peixes. A imagem em destaque foi capturada recentemente a partir do Observatório El Sauce, no Chile.
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