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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 255
15 de Agosto de 2006
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DESTINO DE PLUTÃO COMO PLANETA COM RESOLUÇÃO PARA BREVE

Uma nova "científica e simples" proposta para definir a palavra "planeta" será anunciada Quarta-feira (dia 16) e os astrónomos poderão votar nela na semana seguinte. No entanto, não é claro se a definição irá parar (ou não) o longo debate do status de Plutão como planeta.

A União Astronómica Internacional (UAI) irá propor uma redacção para delinear planetas e outros objectos pequenos durante a Assembleia Geral de 12 dias em Praga. A reunião começou ontem e a proposta irá ser anunciada aos membros da UAI e ao público em geral na Quarta.

Os membros do comité não dirão se Plutão sempre será definido, mas o pequeno planeta certamente será incluído na redacção da proposta.

"Sim, é muito claro dentro do que irá ser anunciado - [Plutão] é muito especificamente, 'dentro ou fora'," disse Richard Binzel, cientista planetário do MIT acerca do comité de sete pessoas que desenvolveu a definição.

"Penso que alcançámos uma definição muito razoável que no fim será largamente adoptada," disse Binzel. "E seguiremos em frente. Penso que todos estaremos de acordo que é altura de seguir em frente."

As raízes deste problema remontam a 1930, quando Clyde Tombaugh descobriu Plutão. Foi classificado como o nono planeta. Mas em anos mais recentes, os astrónomos descobriram outros mundos redondos para lá de Neptuno que são quase tão grandes. Um objecto, 2003 UB313, é tão grande quanto Plutão.


Impressão de artista de Plutão e Caronte, vistos a partir de uma das recém-descobertas luas.
Crédito: David Aguilar / Centro para Astrofísica.
(clique na imagem para ver versão maior)

Todos estes relativamente pequenos objectos têm órbitas que traçam percursos alongados. Alguns, como Plutão, voam bem abaixo e acima do plano principal do Sistema Solar, onde os outros oito planetas orbitam.

Por estas razões, muitos astrónomos há muito que dizem que foi um erro chamar Plutão planeta, e muitos concordam com a demoção do objecto para alguma nova classe chamada "planeta menor" ou "planeta anão". Alguns pensam que Plutão deveria continuar como planeta regular por razões culturais e históricas. Mas ao fazer isso, logicamente significaria a definição de um punhado de outros pequenos mundos também como planetas. E os especialistas dizem que dúzias, se não centenas, de objectos como Plutão permanecem ainda não descobertos na periferia do nosso Sistema Solar.

Durante um ano, um comité de cientistas planetários da UAI tentou arranjar uma definição. Falharam. Por isso, a União deu a tarefa a um painel de 7 membros separados que inclui Bizel e o autor Dava Sobel.

Owen Gingerich, historiador e astrónomo emeritus em Harvard, afirmou a semana passada acerca da proposta: "irá fazer os Plutocratas e as criancinhas felizes."

As palavras de Gingerich implicam que Plutão não irá perder o seu status como planeta. Uma possibilidade é que a proposta definirá Plutão como planeta anão ou menor. Esta configuração logicamente dividiria os planetas em terrestres (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte), gigantes (Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno) e menores.

Uma possível alternativa é Plutão poder simplesmente permanecer como planeta sem nenhum prefixo. Disto já se sabe:

"Nós desenvolvemos uma definição surpreendente e científica," disse Binzel. "É tanto científica quanto simples."

Isto sugere que coisas como o tamanho, características orbitais, localização e método de formação poderão também ser incluídas na definição. O voto na definição pelos membros da UAI está planeado para Quinta, dia 24.

A maioria dos astrónomos, incluindo aqueles bastante dedicados ao assunto, está ainda sem saber o que vai acontecer.

"Assumindo que arranjam uma resolução e é apresentada, é incerto para mim se o voto irá ter sucesso," disse Alan Boss, teórico de formação planetária no Instituto Carnegie em Washington. "Mesmo se for aprovada, suspeito que haja vozes que irão resistir à nova definição."

Boss fez parte do comité original da UAI que tentou edificar uma definição. Dada a incapacidade desse grupo para chegar a um consenso, e as fortes e diversificadas opiniões dos vários membros do grupo, Boss disse que tentar resolver o problema com especialistas fora da comunidade científica planetária é uma experiência de valor. Mas não tem certeza de que irá resultar.

"Ficaria entusiasmado e agradado, mas não espero que este pequeno subgrupo edifique uma definição que toda a gente possa aprovar e aceitar," disse Boss. O que irá contar, relata, é o que os editores dos jornais científicos permitirão publicar ao longo dos próximos 10 a 20 anos.

A controvérsia, que alcançou o seu ponto máximo em 1999 e desde aí não esmoreceu, não se limita só aos cientistas planetários.

"Cada astrónomo, não só os cientistas planetários, provavelmente tem uma forte opinião acerca do que [Plutão] será," disse Boss. "Até mesmo pessoas na rua, professores de 1.º ciclo - todos parecem ter uma opinião acerca disto. Penso que será difícil para as pessoas aceitarem grandes mudanças, de uma maneira ou de outra."

Boss disse que não ficaria surpreendido se o voto da UAI se dividisse em três, tal como as opiniões do comité original, encarregue de desenvolver a definição. E afirma que o voto não necessariamente significa o fim do debate. As descobertas futuras de objectos para lá de Neptuno poderão forçar a uma re-avaliação contínua dos sistemas de classificação e de nomenclatura.

"Não é necessariamente algo que será decidido por um voto e assim ficará para sempre," disse. "A Ciência está sempre em evolução."

Binzel, por outro lado, está confiante na aprovação apoteótica da resolução: "Se tivermos feito o nosso trabalho, este será o fim de qualquer debate significativo."

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
Descoberto um objecto maior que Plutão, já apelidado de 10.º planeta (30/07/2005)
Debate acerca do termo "planeta" aquece (05/08/2005)
Termo "planeta" poderá brevemente ter adjectivos (27/09/2005)
2003 UB313 tem uma lua (04/10/2005)
Duas novas luas descobertas em torno de Plutão (01/11/2005)
Sistema Solar cada vez mais confuso (23/12/2005)
UB313 maior que Plutão (10/02/2006)
10.º planeta é mais pequeno do que se pensava (14/04/2006)
Novas luas de Plutão chamadas Hidra e Nix (23/06/2006)

Notícias relacionadas:
Independent Online
CNN
The Register
BBC News
Guardian Unlimited
Washington Post
Revolution Portal
EARTHtimes.org
The Sun
CBS News
ABC News
MSNBC
Aljazeera
FOXNews
Discovery Channel

União Astronómica Internacional:
Página oficial
Centro de Planetas Menores

Plutão:
SEDS
Wikipedia

2003 UB313:
Caltech
Wikipedia
Artigo da descoberta oficial de 2003 UB313 (formato PDF)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Raios cósmicos - Crédito: NASA
Alguma vez foi atingido(a) por um raio de partículas altamente energéticas vindas do espaço? Claro que foi -- está sempre a acontecer. Chuvas de partículas altamente energéticas ocorrem quando os raios cósmicos atingem o topo da atmosfera da Terra. Os raios cósmicos foram descobertos por acaso em 1912. Sabe-se agora que a maioria dos raios cósmicos são núcleos atómicos. Grande parte são de hidrogénio, alguns de hélio, e os restantes elementos mais pesados. A abundância relativa muda com a energia dos raios cósmicos -- os mais energéticos tendem a ser núcleos mais pesados. Embora muitos dos fracos raios cósmicos venham do nosso Sol, as origens dos mais pesados permanecem desconhecidas e um tópico de muito estudo. Esta ilustração demonstra chuvas de ar de raios cósmicos altamente energéticos. Os raios cósmicos poderão até ser importantes para o clima da Terra -- os comuns relâmpagos podem ser despoletados por raios cósmicos.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ASTRONOMIA NO VERÃO  
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:30 e as 23:30, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.
Ver calendário e outras informações (formato PDF)

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 15/08: 227º dia do  calendário gregoriano.
Observações: O mês de Agosto é quando a brilhante Vega atravessa o zénite a meio da noite (para observadores a latitudes médias norte). Quando Vega se encontra quase por cima das nossas cabeças, sabemos que o Bule de Chá de Sagitário, rico em objectos de céu profundo, está o mais alto a Sul.

Dia 16/08: 228º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a detecção de vapor de água no espaço interestelar. "Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Lua em Quarto Minguante, por volta das 02:51.

Dia 17/08: 229º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1877 a lua de Marte Phobos é observada pela primeira vez por Asaph Hall no Observatório Naval dos EUA.
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo Baikonur. Chega a Vénus em 15 de Dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de Agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de Agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte".
Em 1999 passava pela Terra (1,166 km) a sonda Cassini sobre o lado Este do Pacífico Sul. Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional em ordem à sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20,000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: Com a Lua fora do céu nocturno, é agora uma boa altura para explorar telescopicamente objectos nas constelações de Sagitário, Escorpião, Ofíuco e Serpente.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O nosso Sol está movendo-se a 320 m/s na direcção da constelação de Hércules.
 
 
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