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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 705
De 07/12 a 09/12/2010
 
 
 

Dia 07/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido na Holanda que descobriu luas de Urano Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar

Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. CernanRonald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua
Em 1990, a sonda Galileuaproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra. 
Em 1995, a sonda Galileu desce com sucesso pela atmosfera de Júpiter e mede directamente a atmosfera de um planeta gasoso pela primeira vez. 
Observações: A partir das 21 horas é possível observar telescopicamente a Grande Mancha Vermelha em Júpiter.

Dia 08/12: 342.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, primeiro voo rasante da sonda Galileu pela Terra.

Observações: Por volta das das 20 horas, já a brilhante Capella está alta a Nordeste. Para a sua direita está o enxame das Plêiades, com a brilhante e bonita Aldebarã para baixo.

Dia 09/12: 343.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Ao anoitecer, procure a fina Lua Crescente a Sudoeste. Para a sua direita está Alpha Capricorni. Se tem boa visão conseguirá discernir que é uma estrela dupla. Com binóculos torna-se mais fácil.

 
 
 
O volume do Sol é 1,3 milhões de vezes maior que o da Terra.
 
 
  AS CONSTELAÇÕES ESQUECIDAS DE INVERNO  
 

Enquanto as decorações natalícias aparecem um pouco por toda a parte, não são os únicos espectáculos brilhantes desta época: as melhores luzes de Natal vêm de cima, onde as constelações prometem deslumbrar os seus observadores em noites limpas.

Se há alguma constelação que serve de pináculo para um espectáculo de luzes durante o Inverno, é Orionte, o grande Caçador - uma das mais famosas constelações do Hemisfério Norte. Ao avistá-la por estas noites, quase todos nós somos imediatamente atraídos pelas suas estrelas brilhantes, a sua cintura de três estrelas e a grande nebulosa (M42), uma incubadora de novas estrelas.

E todas estas espectaculares atracções regularmente afastam a nossa atenção de outros padrões estelares interessantes, embora mais ténues, que infelizmente se situam na vizinhança de Orionte.

Algumas das constelações visíveis a Sul, a partir de Faro, por volta das 2 da manhã. A sua observação está dependente da sua latitude (quanto mais para Norte, menos das constelações mais baixas se vê).
Crédito: Miguel Montes, Stellarium
 

Mesmo para Sul de Orionte está um ténue grupo de estrelas que parece estar disposto na forma de uma gravata borboleta: Lebre. Está longe de Corvo e Águia, ambos seus predadores.

Vários povos associaram a Lebre com a Lua. No entanto, para os Árabes, as quatro estrelas mais brilhantes de Lebre, arranjadas num rectângulo imperfeito, representavam quatro camelos matando a sua sede. O nome de uma destas estrelas, Nihal, significa isso mesmo.

A estrela mais brilhante chama-se Arneb, uma estrela velha e moribunda que pode já ter passado a sua fase de supergigante e estar agora a contrair-se e a aquecer nas fases finais da evolução estelar, ou talvez ainda está a crescer para a fase de supergigante. Com uma massa de 10 vezes a do Sol, espera-se que acabe a sua vida como uma anã branca, embora caso seja mais pesada que o indicado pelas estimativas, possa acabar numa espectacular explosão estelar conhecida como supernova.

Gamma Leporis é um binário estelar confortavelmente observável em pequenos telescópios. O seu brilho é separado por cerca de duas magnitudes. Talvez consiga distinguir as suas diferentes cores: a maioria dirá que são "amarela e vermelha-escura", ou "amarela e laranja".

Para baixo de Lebre, encontramos Pomba, um padrão de estrelas que não pertence às 48 constelações originais atribuídas à Antiguidade. A sua origem é incerta, mas na maioria dos atlas estelares mais antigos aparece como uma pomba carregando um ramo de oliveira no seu bico. A Pomba representa o pássaro que Noé libertou após o dilúvio em busca de terra, daí o seu nome latim "Columba Noachii."

O Sol está movendo-se na direcção contrária a esta constelação. Em 1718, Edmond Halley determinou que as estrelas não estavam fixas, mas que se moviam pelo céu no que chamamos de movimento próprio. No nosso céu de Inverno, o percurso do Sol pelo espaço leva-nos para longe de Pomba a cerca de 20 km/s, em relação às estrelas mais próximas.

Talvez seja também possível avistar algumas das estrelas mais a Norte da agora extinta constelação Argo Navis (actualmente as estrelas mais a Norte perfazem a constelação da Popa). Na mitologia, este foi o navio usado por Jasão durante a sua busca do Tosão de Ouro. Este grande grupo de estrelas situa-se na maioria para baixo do horizonte a Sul, mas consoante a latitude em que se encontra, é possível observar as estruturas mais altas do navio.

Três estrelas ténues para Este da Popa perfazem a constelação da Bússola, que também contém T Pyxidis, uma estrela variável cataclísmica também apelidada de nova recorrente. Já por cinco ocasiões (1890, 1902, 1920, 1944 e 1967) esta estrela aumentou drasticamente de brilho; os astrónomos pensam que já deveria ter aumentado novamente de brilho há muito tempo.

Para baixo da Bússola encontramos a Vela, cuja estrela mais brilhante, Suhail, é um esplêndido binário, observável com um bom par de binóculos - embora, infelizmente, esteja extremamente baixa no nosso céu. A estrela primária pertence a uma classe especial de estrelas chamadas "Wolf-Rayet". É uma estrela extremamente quente, gigante e luminosa, cerca de 3900 vezes mais brilhante que o Sol e a 520 anos-luz de distância.

O grande navio Argo era por vezes associado com a Arca de Noé, o que faz todo o sentido com Pomba por perto, sugerindo que pode ser de facto a Pomba de Noé.

Links:

Constelações:
Orionte (Wikipedia)
Lebre (Wikipedia)
Pomba (Wikipedia)
Popa (Wikipedia)
Bússola (Wikipedia)
Vela (Wikipedia)

 
     
 
     
  M33: Galáxia do Triângulo - Crédito: Manfred Konrad  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A pequena constelação do Triângulo contém esta espantosa galáxia espiral, M33. Entre os seus nomes populares destacam-se Galáxia do Catavento e Galáxia do Triângulo. M33 mede mais de 50.000 anos-luz em diâmetro, e é a terceira maior galáxia do Grupo Local, a seguir à Galáxia de Andrómeda (M31) e à nossa Via Láctea. A cerca de 3 milhões de anos-luz da nossa Galáxia, pensa-se que a própria M33 seja uma galáxia-satélite da Galáxia de Andrómeda e quaisquer astrónomos que se encontrassem nestas duas galáxias muito provavelmente teriam vistas espectaculares dos sistemas estelares espirais um do outro. No que diz respeito à vista a partir do planeta Terra, esta imagem detalhada mostra os enxames azuis e as regiões de formação estelar cor-de-rosa de M33, que traçam os mais ou menos entrelaçados braços espirais da galáxia. De facto, a cavernosa NGC 604 é a região de formação estelar mais brilhante, vista aqui na posição das 4 horas a partir do centro da galáxia. Tal como M31, a bem-medida população de estrelas variáveis de M33 tem ajudado a fazer deste nosso vizinho galáctico uma espécie de "régua cósmica" para estabelecer a escala de distâncias do Universo.

 


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