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Edição n.º 771
26/07 a 28/07/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 26/07: 207.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geoestacionário.

Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
Observações: Use binóculos ao lusco-fusco para avistar Mercúrio e Régulo, apenas 2,5º um do outro perto do horizonte a Oeste.

Dia 27/07: 208.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao director do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.

Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
Observações: A Lua encontra-se perto de Marte antes do amanhecer de Quarta-feira. Estão situados entre os chifres de Touro.

Dia 28/07: 209.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).

Foi também director do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana. 
Observações: O asteróide mais brilhante, 4 Vesta, tem agora magnitude 5,4 à medida que se aproxima da sua oposição de 6 de Agosto. Está em Capricórnio, facilmente visível ao final da noite; use este mapa. A sonda Dawn entrou em órbita de Vesta e deve estar a começar as suas observações científicas!

 
CURIOSIDADES


No astroboletim n.º 765 de 5 de Julho, falou-se das duas opções para o local de aterragem do próximo rover de Marte, Curiosity. No final da semana passada, a NASA tomou a decisão: o Curiosity vai aterrar na cratera Gale, que tem no seu centro um monte com o tamanho do Kilimanjaro.

 
 
REDE DE VULCÕES ÚNICOS DESCOBERTOs NO LADO ESCURO DA LUA

De acordo com um novo estudo, escondido de olhos terrestres, o lado escuro da Lua é o lar de um conjunto raro de vulcões que mudaram a face da superfície lunar.

Os dados e fotos obtidas pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA revelam a presença de vulcões de silicatos, agora mortos, que, de acordo com os investigadores, não são do mesmo género dos vulcões basálticos, os mais comuns espalhados pela superfície da Lua.

"A maioria da actividade vulcânica na Lua era basáltica," afirma Brad Jolliff, da Universidade de Washinton nos EUA e autor principal do artigo acerca da descoberta. "A descoberta de outros tipos de vulcões é interessante pois mostra a complexidade geológica e a variedade de processos que ocorrem na Lua, e como o vulcanismo do satélite mudou com o passar do tempo."

Esta imagem do LRO da NASA mostra uma região do lado escuro da Lua entre as crateras Compton e Belkovich. A região colorida marca uma alta concentração do mineral tório, que se pensa ter sido depositado por raros vulcões de silicatos no passado.
Crédito: NASA/GSFC/ASU/WUSTL, processamento por B. Jolliff
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dado que a rotação da Lua foi afectada pelas forças de marés entre a Terra e a Lua, apenas um lado é visível a partir da Terra. O lado não visível da Lua - por vezes incorrectamente referido como o "lado escuro" - esteve escondido até 1959, quando a soviética Luna 3 obteve as primeiras fotos da região.

Quando a Lunar Prospector da NASA orbitou a Lua em 1998, revelou uma planície altamente reflectiva entre duas antigas crateras de impacto. Conhecida como região Compton-Belkovich, esta parte da Lua contém tório e outras rochas de silicatos, sugerindo um tipo mais evoluído de actividade vulcânica do que a que criou as famosas e escuras planícies basálticas conhecidas como "maria", ou "mares".

Mas foi só até à LRO, que capturou imagens de alta-resolução da região, que este tipo de actividade vulcânica foi confirmado. A sonda descobriu um número de características tipo-abóbadas com lados muito inclinados - sinais tantalizantes de vulcões lunares.

Jolliff afirma que estes cumes foram formados por lava que provavelmente originou das profundezas da Lua. Fluiu para fora através de fissuras até à subsuperfície, onde pressionou na direcção do exterior para formar estas grandes cúpulas.

A natureza do raro terreno vulcânico no lado escuro da Lua é claro nesta imagem da LRO, combinada com um modelo do terreno criado digitalmente. No centro encontra-se uma depressão irregular que poderá ser uma caldeira vulcânica e os seus limites são cumes com características que sugerem terem sido formados pela intrusão de lava silícica altamente viscosa, um tipo raro de lava lunar.
Crédito: NASA/GSFC/ASU/WUST/F. Schulten, DLR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A lava continuou a sua viagem até à superfície, construindo outros vulcões mais pequenos. Algumas áreas colapsaram, criando as depressões irregulares observadas pela câmara da LRO, afirmam os cientistas. A pesquisa está detalhada na edição de 24 de Julho da revista Nature Geoscience.

A maioria dos vulcões, cá na Terra e não só, está perto de outros vulcões. Mas o grupo na região de Compton-Belkovich encontra-se isolado. "Esta pequena rede vulcânica encontra-se longe da secção da Lua onde a maioria da actividade vulcânica esteve concentrada, e onde outro vulcanismo de silicatos ocorreu," acrescenta Jolliff. "Isto é um puzzle."

Vulcões mais velhos e defuntos não são invulgares. Os cientistas já sabem há anos que os vulcões na Lua preencheram as crateras para criar os mares escuros visíveis da Terra. No entanto, estes fluxos de lava são de natureza basáltica.

A equipa também usou o instrumento DLRE (Diviner Lunar Radiometer Experiment) para confirmar o tipo de rochas na planície. "Poucos minerais têm um espectro infravermelho capaz de explicar as observações da região Compton-Belkovich e os outros vulcões não-basálticos na Lua," afirma Timothy Glotch, co-autor do estudo da Universidade de Stony Brook, em Nova Iorque, EUA.

As câmaras a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, lançada em 2009, mostram que o centro da Anomalia de Tório em Compton-Belkovich é relativamente reflectiva no vísivel, quando comparada com os seus arredores. As imagens a alta-resolução também revelaram características invulgares nesta área brilhante.
Crédito: NASA/GSFC/ASU, processamento por S. Wiseman e B. Jolliff
 

De facto, as rochas eram ricas em silicatos. "Já sabemos há algum tempo que a região Compton-Belkovich tem uma concentração invulgarmente alta de tório," disse Glotch. "Agora podemos dizer com certeza que o tório está relacionado com estes materiais vulcânicos silícicos."

No Outono passado, Glotch, com a ajuda de outra equipa, foi o primeiro a identificar vulcões não-basálticos no lado visível da Lua. Graças à sua superfície altamente reflectiva, este grupo foi também descoberto originalmente pela Lunar Prospector.

No entanto, a lava dos mares em redor pode também ter escondido detalhes dos vulcões, por isso os investigadores suspeitam que alguns detalhes da história geológica da região poderão estar escondidos. Mas os vulcões no lado escuro da Lua não se encontram perto de mares para esconder as suas características. O vulcanismo de toda a área está completamente visível para estudo. Similarmente, estão surpreendentemente livres de crateras de impacto, o que revela muito sobre a sua idade," afirmam os investigadores.

O início da vida do Sistema Solar foi violento, com rochas marcando a superfície dos planetas e das suas luas. Características sem estas cicatrizes foram formadas depois de a violência ter acalmado. Jolliff e a sua equipa estimam que a idade dos vulcões de silicatos no lado escuro da Lua ronde os 800 milhões de anos. Tal idade prolonga a actividade vulcânica na Lua por 200 milhões de anos, afirmam.

De acordo com Glotch, a descoberta de vulcões não-basálticos no lado escuro da Lua "mostra que a Lua tem uma composição mais diversificada do que se pensava antes desta nova era da exploração lunar. Como cientistas, ainda estamos a digerir todos os dados relativamente novos e a trabalhar para melhor compreender o que significa em termos de história lunar."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de St. Louis (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG.com
Discovery News

Lunar Reconnaissance Orbiter:
Página oficial
NASA
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 2403 em Girafa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Imagens - Telescópio Subaru (NAOJ), Arquivo do HubbleProcessamento - Robert Gendler
 
O maravilhoso universo-ilha de NGC 2403 situa-se perto da fronteira da grande constelação de Girafa. A uns 10 milhões de anos-luz de distância e com aproximadamente 50.000 anos-luz de diâmetro, a galáxia espiral também parece ter mais do que a sua parte justa de regiões de formação estelar HII, marcadas pelo tantalizante brilho avermelhado do hidrogénio atómico gasoso. De facto, NGC 2403 parece-se com outra galáxia, que também tem uma abundância de regiões de formação estelar, situada no nosso próprio Grupo Local - M33, a Galáxia do Triângulo. Claro, as explosões de supernovas seguem a formação de estrelas massivas mas de curta vida e em 2004 foi descoberta em NGC 2403 a supernova mais brilhante dos tempos modernos. Fácil de confundir com uma estrela no pano da frente da nossa Via Láctea, a poderosa supernova é aqui vista como a "estrela" brilhante e pontiaguda do lado esquerdo da imagem. Este espectacular retrato cósmico é uma composição de imagens terrestres e espaciais do Hubble e do telescópio Subaru, de 8,2 metros, no cume do Mauna Kea no Hawaii.
 

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