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Edição n.º 834
02/03 a 05/03/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a sonda americana Pioneer 10 é lançada. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteróides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se na primeira sonda a sair do Sistema Solar. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa superfície de gelo. 
Observações: Aproveite a noite de hoje para observar o enxame M44 (Presépio) na constelação do Caranguejo, utilizando uns binóculos.

Dia 03/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objectivo de testar o módulo lunar.
Observações: Marte em oposição, pelas 20:00. Oposição significa que está exactamente do lado oposto do Sol em relação à Terra (formam um ângulo de 180º entre os dois). Mede toda a semana apenas 13,9 arcosegundos, em comparação com os 24 ou 25 que alcança durante as oposições mais próximas.

Dia 04/03: 64.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.

Em 1979, a sonda Voyager 1descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, e as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteróide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
Observações: Aproveite a noite de hoje para observar o sistema Almach (g Andromedae), uma bonita estrela dupla na constelação de Andrómeda.

Dia 05/03: 65.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau Copérnico, De revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia.
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11, Venera 12 e o satélite solar americano Helios II descobrem a primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objectos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager fez a sua maior aproximação a Júpiter quando passou a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 chega a Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.  
Observações: Mercúrio encontra-se na sua maior elongação Este (18º do Sol). É a melhor noite do ano para observar este planeta.
Marte encontra-se na sua distância mais próxima da Terra (este ano).

 
CURIOSIDADES


Número de planetas extra-solares descobertos até agora: 760.

 
VLT REDESCOBRE VIDA NA TERRA
A Lua Crescente e o brilho da Terra aí reflectido, por cima do Observatório Paranal do ESO.
Crédito: ESO/B. Tafreshi/TWAN
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao observar a Lua com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos encontraram evidências de vida no Universo - na Terra. Encontrar vida no nosso planeta pode parecer algo trivial, mas a técnica inovadora utilizada por uma equipa internacional pode levar a futuras descobertas de vida noutros locais do Universo. O trabalho foi apresentado num artigo científico publicado ontem na revista Nature.

"Usámos uma técnica chamada observação da luz cinérea para observar a Terra como se esta fosse um exoplaneta," diz Michael Sterzik (ESO), autor principal do artigo científico que descreve estes resultados. "O Sol ilumina a Terra e essa radiação é reflectida para a superfície da Lua. A superfície lunar actua como um espelho gigante e reflecte a radiação terrestre de volta à Terra - foi essa radiação que observámos com o VLT."

Os astrónomos analisaram a fraca luz cinérea procurando indicadores, tais como algumas combinações de gases existentes na atmosfera terrestre, que são marcadores de vida orgânica. Este método estabelece a Terra como um marco na futura procura de vida em planetas para além do Sistema Solar.

As impressões digitais da vida, ou assinaturas biológicas, são difíceis de encontrar por métodos convencionais, mas a equipa foi pioneira de uma nova metodologia, que é bastante sensível. Em vez de procurar apenas quão brilhante é a radiação reflectida em diferentes cores, observa-se também a polarização da radiação, uma técnica chamada espectropolarimetria. Ao aplicar esta técnica à luz cinérea observada com o VLT, as assinaturas biológicas na radiação reflectida da Terra aparecem sem margem para dúvidas.

Quando a Lua aparece como um fino Crescente nos céus da Terra ao lusco-fusco, é normalmente possível ver o resto do disco que brilha tenuamente graças ao brilho da Terra aí reflectido. Ao observar o brilho da Terra reflectido da Lua os astrónomos podem estudar as propriedades da luz reflectida como se fosse um planeta extrasolar e assim pesquisar por sinais de vida. A luz reflectida é também altamente polarizada e ao estudar esta polarização, bem como a intensidade dos diferentes comprimentos de onda, é possível testar a presença de vida.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O co-autor do estudo, Stefano Bagnulo, do Observatório Armagh na Irlanda do Norte, explica as vantagens: "A radiação emitida por um exoplaneta distante é muito fraca relativamente ao brilho da sua estrela hospedeira, por isso é muito difícil de analisar - é um pouco como estudar um grão de poeira que se encontre ao lado de uma lâmpada muito brilhante. Mas a radiação reflectida pelo planeta é polarizada enquanto que a radiação emitida pela estrela hospedeira não é. Por isso, as técnicas de polarimetria ajudam-nos a isolar a fraca radiação reflectida de um exoplaneta relativamente à brilhante radiação estelar."

A equipa estudou tanto a cor como o grau de ionização da radiação emitida pela Terra após a sua reflexão pela Lua, tal como se a luz viesse de um exoplaneta, e conseguiu deduzir que a atmosfera terrestre é parcialmente nublada, que parte da superfície se encontra coberta por oceanos e - mais importante ainda - que existe vegetação. A equipa conseguiu inclusivamente detectar variações na cobertura de nuvens e na quantidade de vegetação em épocas diferentes, correspondentes às diferentes partes da Terra que reflectiam radiação na direção da Lua.

"Encontrar vida fora do Sistema Solar depende de duas coisas: primeiro, se essa vida existe efectivamente e segundo, se temos capacidade técnica para a detectar," acrescenta o co-autor Enric Palle, do Instituto de Astrofísica das Canarias em Tenerife, Espanha. "Este trabalho dá um passo importante na direcção de atingirmos tal capacidade."

"A espectropolarimetria pode dizer-nos, em última análise, se vida vegetal simples - baseada em processos de fotossíntese - emergiu noutras partes do Universo," conclui Sterzik. "Mas não estamos certamente à procura de homenzinhos verdes ou evidências de vida inteligente."

A nova geração de telescópios, tais como o E-ELT (o European Extremely Large Telescope), pode bem trazer-nos a notícia extraordinária de que a Terra não é o único planeta portador de vida na imensidão do espaço.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Nature
Astronomy Now Online
Universe Today
New Scientist
SPACE.com
COSMOS
PHYSORG.com
Discovery News
Wired News
Science News
UPI.com

Brilho da Terra reflectido da Lua:
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

Terra:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Vénus
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sean Walker (SkyandTelescope.comMASIL Astro-Imaging)
 
O planeta Vénus brilha agora nos céus a Oeste ao lusco-fusco. Visto como a "estrela da tarde", o planeta é um tantalizante farol celeste mesmo até para simples curiosos. No entanto, Vénus pode ser menos interessante quando observado através de telescópio. O planeta está envolto por nuvens reflectivas que através de uma ocular parecem brilhantes mas inexpressivas. Mesmo assim, a captura de imagens através de uma série de filtros, como os usados nestas imagens acima, pode revelar padrões subtis. Capturadas no início de Fevereiro com um telescópio de quintal em Manchester, no estado americano de New Hampshire, as imagens têm por base capturas de vídeos. Os dados foram registados com filtros perto do ultravioleta, verde e perto do infravermelho (esquerda), e filtros vermelho, verde e azul (direita) enquanto Vénus estava bem alto a Oeste. Esta aparição de Vénus é a melhor dos últimos sete anos para os observadores do hemisfério norte. Vai acabar com um trânsito solar do planeta a 5/6 de Junho (que infelizmente não será visível em Portugal), o último a ocorrer durante a nossa vida.
 

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