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Edição n.º 905
06/11 a 08/11/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A partir de hoje e até por volta de dia 30, é possível observar meteoros relacionados com a chuva das Leónidas. O máximo ocorrerá dia 17.
Aproveite a noite para observar o planeta Júpiter e os seus satélites galileanos.

Dia 07/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 00:36.

Dia 08/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, AldebarãBetelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1984, lançamento da missão STS-51A, voo inaugural do Vaivém Discovery.

Em 2011, o asteróide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteróide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976.
Observações: Por volta das 2 da manhã, observe baixa a Este a nossa Lua. Para a sua esquerda está a "foice" de Leão, sendo Régulo a estrela mais brilhante.
A partir das 03:15 e até por volta das 05:20 é possível observar telescopicamente a passagem da sombra de Io pela atmosfera de Júpiter.

 
CURIOSIDADES


A NASA criou um sistema de alertas de passagens da Estação Espacial Internacional (ISS) pelo céu e com a devida configuração geográfica, poderá receber e-mails ou sms destes eventos.

 
ROVER CURIOSITY ENCONTRA PISTAS DE MUDANÇAS NA ATMOSFERA DE MARTE

O rover da NASA com o tamanho de um carro, Curiosity, deu passos significativos em direcção a compreender como Marte pode ter perdido grande parte da sua atmosfera original.

A descoberta do que aconteceu com a atmosfera marciana vai ajudar os cientistas a avaliar se o planeta já foi habitável. A atmosfera actual de Marte é 100 vezes mais fina que a da Terra.

Um conjunto de instrumentos a bordo do rover ingeriu e analisou amostras da atmosfera recolhidas perto do local "Rocknest" na Cratera Gale, onde o veículo está parado para pesquisa. Os achados do instrumento SAM (Sample Analysis at Mars) sugerem que a perda de uma fracção da atmosfera, resultante de um processo físico favorecendo a retenção de isótopos mais pesados de certos elementos, tem sido um facto importante na evolução do planeta. Os isótopos são variantes do mesmo elemento com pesos atómicos diferentes.

No sol 84 (31 de Outubro), o rover Curiosity usou o instrumento MAHLI para capturar este conjunto de 55 imagens de alta-resolução, agrupadas para criar este mosaico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os resultados iniciais do SAM mostram um aumento de 5% nos isótopos mais pesados de carbono no dióxido de carbono atmosférico em comparação com as estimativas dos rácios isotópicos presentes durante a formação de Marte. Estes rácios enriquecidos de isótopos mais pesados, em relação a isótopos mais leves, sugerem que o topo da atmosfera pode ter sido perdida para o espaço interplanetário. As perdas na parte superior da atmosfera teriam esgotado os isótopos mais leves. Os isótopos de árgon também mostram enriquecimento do isótopo pesado, combinando estimativas anteriores da composição da atmosfera, provenientes dos estudos de meteoritos marcianos na Terra.

Os cientistas teorizam que no passado distante de Marte, o seu ambiente pode ter sido bem diferente, com água persistente e uma atmosfera mais espessa. A missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA irá investigar as possíveis perdas da atmosfera superior quando chegar a Marte em 2014.

Este gráfico mostra a percentagem da abundância dos cinco gases na atmosfera da Marte, medida pelo SAM a bordo do Curiosity em Outubro de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech, SAM/GSFC
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Além destes estudos iniciais da atmosfera marciana, o SAM também levou a cabo as medições mais sensíveis de sempre na procura de metano em Marte. Os resultados preliminares revelam pouco ou nenhum metano. O metano é de interesse como um percursor químico simples para a vida. Na Terra, o metano pode ser produzido ou por processos biológicos ou por processos não-biológicos.

O metano tem sido difícil de detectar a partir da Terra ou pela geração actual de sondas em Marte porque o gás existe apenas em pequeníssimas quantidades, se é que de facto existe. O aparelho TLS (Tunable Laser Spectrometer) do SAM forneceu a primeira pesquisa realizada dentro da atmosfera marciana para esta molécula. As medições iniciais do SAM colocam um limite superior de apenas umas quantas partes por milhar de milhão da atmosfera marciana, em volume, com uma incerteza suficiente para que a quantidade possa ser igual a zero.

"O metano é claramente um gás não abundante na Cratera Gale, se é que existe. Neste ponto da missão, estamos apenas contentes por estarmos à sua procura," afirma Chris Webster, cientista do SAM e do TLS no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Enquanto nós determinamos os limites máximos destes valores baixos, a variabilidade atmosférica na atmosfera de Marte pode ainda reservar-nos surpresas."

Esta imagem mostra uma demonstração de laboratório da câmara de medição dentro do TLS (Tunable Laser Spectrometer), um instrumento que faz parte do SAM (Sample Analysis at Mars) a bordo do Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante os primeiros três meses do Curiostiy em Marte, o SAM analisou amostras da atmosfera com dois métodos laboratoriais. Um deles é o espectrómetro de massa que investiga toda a gama de gases atmosféricos. O outro, o TLS, concentrou-se no dióxido de carbono e no metano. Durante a sua missão principal de dois anos, o rover também irá usar um instrumento chamado cromatógrafo gasoso que separa e identifica gases. O instrumento também vai analisar amostras de rocha e solo, bem como mais amostras atmosféricas.

"Com estas primeiras medições atmosféricas já podemos ver a importância que é ter um complexo laboratório químico como o SAM na superfície de Marte," afirma Paul Mahaffy, investigador principal do SAM no Centro Aeroespacial Goddard em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "Tanto a amostra atmosférica como a sólida são cruciais para entender a habitabilidade de Marte."

O SAM vai analisar a sua primeira amostra sólida nas próximas semanas, começando a busca por compostos orgânicos nas rochas e no solo da Cratera Gale. A análise de minerais portadores de água e a busca e estudo de carbonatos são prioridades para as futuras investigações do SAM.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
POPSCI
Spaceflight Now
Nature
PHYSORG

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 206 e as Nuvens de Estrelas de Andrómeda
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bob and Janice Fera (Fera Photography)
 
A grande associação estelar catalogada como NGC 206 está situada dentro dos braços poeirentos da galáxia espiral vizinha de Andrómeda (M31), a 2,5 milhões de anos-luz de distância. Vistas perto do centro desta linda ampliação da extensão sudoeste do disco de Andrómeda, as brilhantes e azuis estrelas de NGC 206 indicam a sua juventude. As estrelas mais jovens e massivas têm menos de 10 milhões de anos. Muito maior que os aglomerados de estrelas jovens no disco da nossa Galáxia, a Via Láctea, conhecidos como enxames abertos, NGC 206 estende-se por cerca de 4000 anos-luz. É comparável com o tamanho dos gigantes berçários estelares de NGC 604 na vizinha galáxia espiral M33 e na Nebulosa da Tarântula, na Grande Nuvem de Magalhães.
 

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