INSIGHT DA NASA DETETA DOIS SISMOS CONSIDERÁVEIS EM MARTE 6 de abril de 2021
Esta ilustração mostra o módulo InSight da NASA com os seus instrumentos colocados na superfície marciana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O módulo InSight da NASA detetou dois sismos fortes e claros originários de um local em Marte chamado Cerberus Fossae - o mesmo lugar onde dois fortes sismos foram sentidos no início da missão. Os novos eventos têm magnitudes 3,3 e 3,1; os anteriores foram de magnitudes 3,6 e 3,5. O InSight já registou até à data mais de 500 sismos, mas devido aos seus sinais claros, estes são os quatro melhores registos sísmicos para sondar o interior do planeta.
O estudo dos sismos marcianos é uma maneira pela qual a equipa científica do InSight busca desenvolver uma melhor compreensão do manto e do núcleo de Marte. O planeta não tem placas tectónicas como a Terra, mas tem regiões vulcanicamente ativas que podem provocar tumultos. Os sismos de dia 7 e 18 de março reforçam a ideia de que Cerberus Fossae é um centro de atividade sísmica.
"Ao longo da missão, temos visto dois tipos diferentes de sismos marcianos: um que é mais parecido com os da Lua, e o outro que é mais parecido com os da Terra", disse Taichi Kawamura do Instituto de Física do Globo de Paris, França, que ajudou a fornecer o sismómetro do InSight e que distribui os seus dados juntamente a universidade ETH Zurique na Suíça. As ondas dos sismos na Terra viajam mais diretamente pelo planeta, enquanto os sismos lunares tendem a ser muito dispersos; os sismos marcianos caem algures entre os dois tipos. "Curiosamente," continuou Kawamura, "todos os quatro destes sismos maiores, que vêm de Cerberus Fossae, são semelhantes aos da Terra."
Os novos sismos têm algo mais em comum com os principais eventos sísmicos anteriores do InSight, que ocorreram há quase um ano marciano completo (dois anos terrestres): tiveram lugar no verão do norte de Marte. Os cientistas previram que este seria novamente o momento ideal para ouvir os sismos porque os ventos ficam mais calmos. O sismómetro, chamado SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), é sensível o suficiente para que, mesmo quando coberto por um escudo em forma de cúpula para bloquear o vento e para evitar que fique demasiado frio, o vento ainda cause vibração suficiente para obscurecer alguns sismos. Durante o último inverno no norte, o InSight não conseguiu detetar nenhum sismo.
"É maravilhoso observar sismos marcianos novamente após um longo período de registo de ruído do vento", disse John Clinton, sismólogo que lidera o serviço de sismos marcianos do InSight na ETH Zurique. "Passado um ano marciano, agora somos muito mais rápidos na caracterização da atividade sísmica do Planeta Vermelho."
Melhor deteção
Os ventos podem ter ficado mais calmos, mas os cientistas esperam melhorar ainda mais a sua capacidade de "escuta". As temperaturas perto do "lander" InSight podem oscilar entre quase -100º C à noite e 0º C durante o dia. Estas variações extremas de temperatura podem estar a fazer com que o cabo que liga o sismómetro ao módulo de aterragem se expanda e se contraia, resultando em estalidos e picos nos dados.
Portanto, a equipa da missão começou a tentar isolar parcialmente o cabo da meteorologia. Começaram a usar a pá na extremidade do braço robótico do InSight para soltar solo em cima da cúpula do escudo térmico e de vento, permitindo que deslize para o cabo. Isto permite que o solo fique o mais próximo possível da blindagem, sem interferir com a vedação do escudo com o solo. Enterrar o cabo é, de facto, um dos objetivos da próxima fase da missão, que a NASA estendeu recentemente por mais dois anos, até dezembro de 2022.
Apesar dos ventos que têm sacudido o sismómetro, os painéis solares do InSight permanecem cobertos de poeira, e a energia diminui à medida que Marte se afasta do Sol. Os níveis de energia devem melhorar depois de julho, quando o planeta começar a aproximar-se do Sol novamente. Até lá, a missão desligará sucessivamente os instrumentos do "lander" para que o InSight possa hibernar, acordando periodicamente para verificar a sua saúde e para comunicar com a Terra. A equipa espera manter o sismómetro ligado por mais um mês ou dois antes de ser desligado temporariamente.