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Edição n.º 1107
17/10 a 20/10/2014
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco.

Observações: Antes do pôr-do-Sol, Júpiter, antes que fique demasiado claro, encontrará Júpiter para a esquerda da Lua, e Procyon para a direita da Lua.

Dia 18/10: 291.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objectos gelados, conhecida como a Nuvem de Oort e a Cintura de Kuiper, que reside no Sistema Solar exterior. 
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: Ocultação de Io, entre as 01:26 e as 03:48.
Trânsito de Ganimedes, entre as 03:22 e as 07:08.
Antes do amanhecer de Sábado, Júpiter brilha por cima da Lua Minguante.

Dia 19/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Suecaatribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reacções nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Observações: O ténue Cometa Siding Spring (C/2013 A1) faz a sua muito antecipada passagem rasante por Marte (139.500 km). Esta é uma observação extremamente difícil, pois Marte está baixo a Sudoeste ao lusco-fusco e o cometa tem apenas magnitude 11, mais fraco que o previsto.

Dia 20/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efectuada em 1932).

Observações: A anual chuva de meteoros das Oriónidas pode ser vista por estas noites (o pico é amanhã, dia 21), por volta da madrugada. O máximo de meteoros deve rondar os 10 ou 20 meteoros por hora. O radiante da chuva está situado no topo da moca de Orionte, que só se torna visível perto da meia-noite.

 
CURIOSIDADES


O sistema de Alfa Centauro parece uma estrela à vista desarmada, mas é na realidade um sistema binário com uma terceira estrela associada gravitacionalmente. A magnitude visual combinada (-0,27) torna o sistema na terceira "estrela" mais brilhante no céu nocturno, depois de Sirius (magnitude -1,46) e Canopus (-0,72).

 
COMETA SIDING SPRING PASSA ESTE FIM-DE-SEMANA POR MARTE
Impressão de artista do Cometa Siding Spring (2013 A1) e Marte.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O que não daríamos para ser um astronauta à superfície de Marte esta semana. Os céus do Planeta Vermelho serão agraciados com uma vista inesquecível e espectacular: a passagem extremamente próxima do Cometa C/2013 A1 Siding Spring.

Descoberto em 2013, o Siding Spring foi avistado pelo veterano caçador de cometas Robert McNaught a partir do Observatório Siding Spring na Austrália. Todos os anos são descobertos dúzias de cometas, mas este ganhou logo a atenção dos astrónomos quando se verificou que possivelmente podia colidir com Marte em Outubro de 2014.

Mas apesar de observações posteriores terem refinado a órbita do cometa e terem descartado tal impacto, os dados relativos a esta passagem do cometa por Marte ainda são impressionantes: o Siding Spring vai passar a 139.500 km do centro de Marte este Domingo, dia 19 de Outubro às 19:27 (hora de Portugal Continental).

A missão NEOWISE da NASA detectou o Cometa C/2013 A1 Siding Spring no dia 28 de Julho de 2014, a menos de três meses da maior aproximação por Marte de dia 19 de Outubro. O NEOWISE capturou múltiplas imagens do cometa, combinadas aqui para que o cometa seja visto em quatro posições diferentes em relação às estrelas de fundo. A imagem também inclui, perto do canto superior esquerdo, a galáxia NGC 1316.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ainda embora tenhamos que colocar pegadas humanas em Marte, uma autêntica frota de sondas espalhas pelo Sistema Solar interior está pronta para estudar o cometa tanto de perto como de longe. A NASA tomou medidas para que as sondas em órbita marciana estejam protegidas dos detritos cometários e ainda existe a possibilidade de estudar em primeira mão a interacção da cauda do cometa com a atmosfera do planeta.

Pensa-se que o núcleo do Cometa Siding Spring tenha 700 metros de diâmetro e que a cabeleira meça 19.300 km em diâmetro. A maior aproximação terá pouco menos de seis vezes a distância entre Marte e Deimos (a sua lua mais exterior) e a cabeleira terá quase 8 graus em tamanho a partir da perspectiva de um marciano - 16 vezes o diâmetro de uma Lua Cheia vista a partir da Terra - viajando pelos céus a uns fascinantes 1,5º por minuto.

Se estivéssemos em Marte, seria muito fácil de observar o movimento a olho nu (claro, protegidos com fatos espaciais) após algumas dezenas de segundos de observação! Visto à superfície, a magnitude do cometa poderá chegar aos -5.

Por exemplo, a partir de Acidalia Planitia, a latitudes médias norte na superfície de Marte, o cometa seria um belo objecto situado 48 graus acima do horizonte a Nordeste ao amanhecer, talvez até fosse visível após o nascer-do-Sol.

Amanhecer de dia 19 de Outubro de 2014, em Marte (hora correspondente à maior aproximação do cometa pelo planeta - 19:27, hora portuguesa).
Crédito: Miguel Montes, Starry Night Pro Plus 7.1
(clique na imagem para ver versão maior)
 

E a vista do cometa? Esse sim, seria um passeio espectacular, à medida que Marte "incha" até 3 graus em diâmetro enquanto se aproxima e se afasta. O cometa propriamente dito tem uma órbita superior a um milhão de anos, para nunca mais visitar o Sistema Solar interior nas nossas vidas.

Tal espectáculo nunca foi visto na história registada do planeta Terra. A passagem mais próxima e confirmada de um grande cometa pelo nosso planeta foi a do Cometa D/1770 L1 Lexell, que passou a mais de 15 vezes a distância entre o Siding Spring e Marte, a 2,2 milhões de quilómetros da Terra no dia 1 de Julho de 1770. Há que realçar que uma passagem cometária ainda mais próxima em 1491 permanece não confirmada.

Em tempos mais recentes, o Cometa Hyakutake passou a 15,8 milhões de quilómetros da Terra no dia 25 de Março de 1996, com uma cauda que abrangia metade do céu a partir de um local escuro, e os observadores cometários de longa data podem estar recordados da passagem do Cometa IRAS-Araki-Alcock em 1983, que passou a apenas 4,7 milhões de quilómetros da Terra.

Não nos podemos esquecer do impacto histórico do Cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter em 1994, que nos relembrou que catástrofes cósmicas podem e de facto ocorrem. A estimativa superior do tamanho do núcleo do Siding Spring corresponde a 70% do tamanho do Fragmento G do Shoemaker-Levy 9, e um impacto de uma destas "bolas de neve sujas" com a Terra ou Marte seria muito mau para nós, humanos, e para os rovers.

Felizmente, temos apenas um lugar na primeira fila para o espectáculo deste fim-de-semana e o nosso planeta não é o evento principal. O Cometa A1 Siding SPring será um objecto de magnitude 11,5 e passa a menos de 0,03º de Marte (com magnitude 0,9). Ambos serão visíveis brevemente no nosso céu ao lusco-fusco.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2014/10/10 - NASA prepara frota científica para encontro de cometa com Marte
2014/07/29 - Sondas marcianas preparam-se para encontro com cometa

Notícias relacionadas:
Adaptado do artigo do site Universe Today
PHYSORG
Cometa Siding Spring: Um Encontro com Marte (NASA/JPL via YouTube)
SPACE.com
The Planetary Society
Euronews

Cometa Siding Spring (C/2013 A1):
NASA
Wikipedia 
JPL Small-Body Database
Centro de Planetas Menores da UAI

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ESA CONFIRMA LOCAL DE ATERRAGEM DO PHILAE

A ESA deu luz verde à aterragem do módulo Philae da sonda Rosetta, no local escolhido no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e no dia 12 de Novembro, a primeira tentativa de aterrar num cometa.

O local de pouso do Philae, actualmente conhecido como Local J e localizado no mais pequeno dos dois 'lóbulos' do cometa, foi confirmado no passado dia 14 de Outubro após uma revisão abrangente de prontidão.

Ampliação da região que contém o Local J, o local de aterragem do Philae, localizado na "cabeça" do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. O mosaico é constituído por duas imagens obtidas pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 14 de Setembro de 2014 a partir de uma distância de aproximadamente 30 km. O círculo está centrado no local de aterragem e mede mais ou menos 500 metros em diâmetro.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde a chegada, a missão tem realizado um levantamento e uma análise científica inédita do cometa, um remanescente das fases iniciais da história de 4,6 mil milhões de anos do Sistema Solar.

Ao mesmo tempo, a Rosetta tem vindo a aproximar-se do cometa: começando a 100 km no dia 6 de Agosto, está agora a apenas 10 km do centro do corpo com 4 km de comprimento. Isto permitiu um olhar mais detalhado sobre os locais de aterragem principal e secundário a fim de realizar uma avaliação completa de risco, incluindo um censo detalhado no que toca a pedregulhos e rochas.

A decisão de fazer aterrar o Philae no Local J também confirma a cronologia dos eventos que antecedem o pouso.

A Rosetta vai libertar o Philae às 08:35 GMT/09:35 CET de dia 12 de Novembro a uma distância de aproximadamente 22,5 km do centro do cometa. A aterragem ocorrerá cerca de sete horas depois por volta das 15:30 GMT/16:30 CET.

Tendo o sinal entre a Rosetta e a Terra um tempo de viagem unidireccional [no dia 12 de Novembro] de 28 minutos e 20 segundos, isto significa que a confirmação da separação chegará às estações terrestres às 09:03 GMT/10:03 CET e a da aterragem por volta das 16:00 GMT/17:00 CET.

"Agora que sabemos o nosso local de aterragem, estamos um passo mais perto de levar a cabo esta emocionante - mas de alto risco - operação," afirma Fred Jansen, gerente da missão Rosetta da ESA.

"No entanto, ainda existem uma série de marcos importantes a completar antes de darmos o 'Go' final para a aterragem."

Têm que ser tomadas várias decisões "Go/No-Go" antes da separação, começando dia 11 de Novembro com a confirmação da equipa de dinâmica de voo de que a Rosetta está na trajectória certa antes da libertação do "lander."

Outras decisões serão tomadas na noite de 11 para 12 de Novembro, quanto à disponibilidade e ligação de comandos, culminando com a confirmação da prontidão do módulo para separação.

Uma pequena manobra deverá então ter lugar cerca de duas horas antes da separação. Isto vai colocar a Rosetta na posição ideal para libertar o Philae e para este aterrar no cometa. O "Go/No-Go" final para a separação ocorrerá pouco tempo depois desta manobra.

Após a separação do Philae, a Rosetta manobrar-se-á para cima e para longe do cometa, antes de se reorientar a fim de estabelecer comunicações com o módulo de aterragem.

"Caso alguma das decisões resulte num 'No-Go', a equipa terá que abortar e rever o cronograma em conformidade com uma nova tentativa, certificando-se que a Rosetta está numa posição segura para tentar de novo," comenta Fred Jansen.

Se tudo correr bem, a Rosetta e o Philae começarão as comunicações cerca de duas horas após a separação.

Durante a descida de sete horas, o Philae vai capturar imagens e levar a cabo experiências científicas, "provando" o ambiente de poeira, gás e plasma que rodeia o cometa.

Vai capturar uma imagem de "despedida" da sonda Rosetta pouco depois da separação, juntamente com uma série de imagens à medida que se aproxima da superfície do cometa. Espera-se que as primeiras imagens dessa sequência sejam recebidas na Terra poucas horas após a separação.

Infografia que sumariza as medições do Philae, durante a sua descida de sete horas e imediatamente após a aterragem. As operações do "lander" estão em ordem alfabética. Após as medições de aterragem, o Philae começará a sua primeira sequência de operações científicas (que não se encontram na infografia).
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma vez em segurança à superfície, o Philae capturará um panorama dos seus arredores. Novamente, espera-se receber o panorama cá na Terra várias horas depois.

A primeira sequência de experiências científicas à superfície começará cerca de uma hora depois da aterragem e terá a duração de 64 horas, limitadas pelo tempo de vida da bateria principal do módulo.

O estudo a longo prazo do cometa pelo Philae vai depender de quanto tempo e quão bem as baterias são capazes de recarregar, o que por sua vez está relacionado com a quantidade de poeira que assentar nos seus painéis solares.

Em todo o caso espera-se que em Março de 2015, quando o cometa se aproximar mais do Sol, que as temperaturas dentro do Philae alcancem níveis demasiado elevados para continuar as operações, e a missão científica do Philae chegará ao fim.

A missão da sonda Rosetta vai continuar por muito mais tempo. Vai acompanhar o cometa à medida que este cresce em actividade até à sua maior aproximação do Sol em Agosto de 2015 e, de seguida, enquanto se afastam novamente para o Sistema Solar exterior.

Esta missão sem precedentes vai estudar como um cometa evolui e dar importantes informações sobre a formação do nosso Sistema Solar, as origens da água e, talvez, até mesmo da vida na Terra.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Vídeo da ESA - Rosetta: órbitas próximas e separação do lander
Aterrar num cometa - missão Rosetta (DLRde via YouTube)
Universe Today
Space Daily
PHYSORG
redOrbit
io9
BBC News

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
Vídeo da descida e operações científicas do Philae (ESA - YouTube)
Twitter
Wikipedia
Philae (Wikipedia)

 
SEGREDOS DE CONSTRUÇÃO DE UMA METRÓPOLE GALÁCTICA

Os astrónomos utilizaram o telescópio APEX para investigar um enorme enxame de galáxias, que se está a formar no Universo primordial, e revelaram que muita da formação estelar que está a ocorrer não apenas se encontra escondida pela poeira, mas também acontece em locais inesperados. Esta é a primeira vez que se consegue realizar um censo completo da formação estelar em tais objectos.

Os enxames de galáxias são os maiores objectos do Universo unidos pela força da gravidade, no entanto a sua formação ainda não é completamente compreendida. A Galáxia da Teia de Aranha (conhecida pelo nome formal de MRC 1138-262), e seus arredores, é estudada há vinte anos, tanto com telescópios do ESO como com outros telescópios. Pensa-se que este objecto é um dos melhores exemplos de um protoenxame no processo de se juntar, há mais de dez mil milhões de anos atrás.

No entanto, Helmut Dannerbauer (Universidade de Viena, Áustria) e a sua equipa suspeitavam que esta explicação estaria muito aquém da realidade. A equipa pretendia investigar o lado escuro da formação estelar e descobrir quanta formação estelar escondida por trás de poeira estava a ocorrer no enxame da Galáxia da Teia de Aranha.

Esta impressão artística mostra a formação de um enxame de galáxias no Universo primordial. As galáxias formam vigorosamente novas estrelas e interagem umas com as outras. Esta imagem parece-se com a Galáxia da Teia de Aranha (conhecida pelo nome formal de MRC 1138-262) e seus arredores, cujo protoenxame é um dos melhor estudados.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa utilizou a câmara LABOCA montada no telescópio APEX no Chile, para observar durante 40 horas este enxame nos comprimentos de onda do milímetro - comprimentos de onda que são suficientemente longos para permitir espreitar através da maioria das espessas nuvens de poeira. A LABOCA tem um campo largo, tornando-se no instrumento perfeito para este tipo de rastreio.

Carlos De Breuck (Cientista de Projeto do APEX no ESO e co-autor do novo estudo) enfatiza: "Esta é uma das observações mais profundas executadas pelo APEX e que levou este telescópio aos seus limites tecnológicos, tendo levado igualmente aos limites a resistência do pessoal que trabalha no local do APEX a elevada altitude, 5050 metros acima do nível do mar."

As observações APEX revelaram que existiam cerca de quatro vezes mais fontes na região da Teia de Aranha do que no meio circundante. Depois de comparar detalhadamente os novos dados com observações complementares obtidas a comprimentos de onda diferentes, a equipa pôde confirmar que muitas destas fontes se encontravam à mesma distância que o enxame de galáxias e por isso deviam fazer parte do enxame em formação.

Helmut Dannerbauer explica: "As novas observações APEX acrescentaram a peça final que precisávamos para realizar um censo completo de todos os habitantes desta megacidade estelar. Estas galáxias estão no processo de formação e por isso, tal como um estaleiro na Terra, encontram-se muito poeirentas."

Esta imagem APEX no sub-milímetro mostra a região em torno da Galáxia da Teia de Aranha - um protoenxame de galáxias no Universo primordial que rodeia uma rádio galáxia contendo um buraco negro supermassivo. Alguns das manchas na imagem correspondem a galáxias poeirentas, pertencentes ao protoenxame, que estão a formar estrelas e que não são visíveis na radiação óptica devido à absorção pela poeira. As manchas mais ténues são artefactos originados pelo difícil processamento de imagens APEX.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas uma surpresa esperava a equipa quando foi investigado onde é que a nova formação estelar detectada estava a ocorrer. Os astrónomos esperavam encontrar estas regiões de formação estelar nos grandes filamentos que ligam as galáxias mas, em vez disso, encontraram-nas concentradas principalmente numa única região, sendo que esta região nem sequer se encontra centrada na Galáxia da Teia de Aranha, central no protoenxame.

Helmut Dannerbauer conclui: "Esperávamos encontrar formação estelar escondida no enxame da Teia de Aranha - e conseguimos - no entanto, desenterrámos ao mesmo tempo um novo mistério no processo; esta formação estelar não está a ocorrer onde esperávamos! A megacidade está a desenvolver-se de modo assimétrico."

Para que esta história se desenvolva novas observações são necessárias - e o ALMA será o instrumento perfeito para dar os próximos passos no estudo destas regiões poeirentas com muito mais pormenor.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy & Astrophysics
redOrbit
SPACE.com
PHYSORG

MRC 1138-262:
Wikipedia
ESA

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

APEX:
ESO
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - "Selfie" da Rosetta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CIVA
 
Este "selfie" da Rosetta foi capturado no dia 7 de Outubro. Nessa altura a sonda encontrava-se a cerca de 472 milhões de quilómetros do planeta Terra, mas apenas a 16 km da superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Aparecendo para lá da nave perto do topo da imagem, fluxos de gás e poeira são libertados do curioso núcleo duplo do cometa e a luz solar é reflectida num dos painéis solares de 14 metros da Rosetta. De facto, duas exposições, uma curta e uma longa, foram combinadas para registar o grande contraste do objecto artifical e o do natural, usando o sistema de câmaras CIVA no módulo de aterragem Philae, ainda acoplado à Rosetta. O seu local de aterragem principal pode ser visto no lóbulo mais pequeno do núcleo. Esta é a última imagem das câmaras do Philae antes deste se separar da Rosetta no dia 12 de Novembro. Pouco depois da separação o Philae capturará outra imagem olhando para trás em direcção à sonda e começará a sua descida para o núcleo do cometa.
 

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