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Edição n.º 1198
01/09 a 03/09/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/09: 244.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804, Juno, um dos maiores asteroides da cintura principal, é descoberto pelo astrónomo alemão Karl Ludwig Harding.
Em 1859, o físico solar Richard Carrington observa a primeira proeminência solar.

Uma intensa aurora ocorreu no dia seguinte.
Em 1979, voo rasante da Pioneer 11 por Saturno (maior aproximação, 20.900 km). A Pioneer 11 mapeou a magnetosfera e o campo magnético de Saturno e descobriu que a sua maior lua, Titã, era fria demais para suportar vida.
Em 2000, um objeto com meio quilómetro, conhecido como 2000 QW7 - apenas descoberto a 26 de Agosto de 2000, com o sistema NEAT da NASA/JPL - passou pela Terra a uma distância ligeiramente maior que 12 vezes a distância à Lua. 
Observações: Oposição de Neptuno, pelas 05:00.
Vega está quase no zénite ao cair da noite; Arcturo encontra-se a oeste. A um-terço do caminho entre Vega e Arcturo está a constelação de Hércules. A dois-terços, o semicírculo da Coroa Boreal, com uma única "jóia" brilhante, a estrela Alphecca.

Dia 02/09: 245.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1859, uma super tempestade solar afeta serviços telegráficos por toda a Europa, América, Japão e Austrália.
Em 1970, a NASA anuncia o cancelamento de duas missões Apollo à Lua, a Apollo 15 (a mesma designação é re-usada numa missão posterior) e a Apollo 19.

Em 1971, lançamento da soviética Luna 18, missão de recolha de amostras lunares. Colidiu com a Lua no dia 11 de setembro e as comunicações foram imediatamente perdidas.
Observações: Vega passa o zénite ao anoitecer, caso viva a latitudes médias norte.

Dia 03/09: 246.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1976, a sonda Viking 2 aterrava na Planície Utopia, em Marte

Observações: Já alguma vez observou o asterismo do Cabide? Fica entre as constelações de Raposa e Seta. Este mapa ajuda a descobrir a posição. Use binóculos.

 
CURIOSIDADES


A atmosfera da Terra permite, devido ao efeito de Bernoulli, produzir efeitos nos remates de futebol, o top-spin no ténis e no ping-pong.
Na Lua nada disto seria possível.

 
EQUIPA DA NEW HORIZONS ESCOLHE POTENCIAL ALVO DA CINTURA DE KUIPER PARA "FLYBY"

A NASA selecionou o potencial próximo destino da missão New Horizons depois da sua passagem histórica do passado dia 14 de julho pelo sistema de Plutão. O alvo é um pequeno objeto da Cintura de Kuiper conhecido como 2014 MU69 que orbita quase a 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão.

Este KBO (Kuiper Belt Object) remoto foi um dos dois identificados como potenciais destinos e o recomendado à NASA pela equipa da New Horizons. Embora a NASA tenha selecionado 2014 MU69 como alvo, como parte do seu processo normal de revisão a agência realizará uma avaliação detalhada antes de aprovar oficialmente a extensão da missão.

Impressão de artista do encontro da sonda New Horizons com um objeto da Cintura de Kuiper.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Alex Parker
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"À medida que a sonda New Horizons distancia-se de Plutão e aventura-se para a Cintura de Kuiper, e à medida que os dados desse encontro emocionante são transmitidos para a Terra, estamos com os olhos postos no próximo destino deste intrépido explorador," afirma John Grunsfeld, astronauta e chefe do Diretorado de Missões Científicas da NASA na sede da agência espacial em Washington.

Como todas as missões da NASA que terminaram o seu objetivo principal mas procuram fazer mais exploração, a equipa da New Horizons deverá elaborar uma proposta à agência para financiar uma missão a um KBO. Essa proposta - que será entregue em 2016 - será avaliada por uma equipa independente de especialistas antes da agência espacial tomar uma decisão.

Esta seleção antecipada do alvo é importante; a equipa precisa de orientar a New Horizons em direção ao objeto ainda este ano, a fim de executar qualquer missão prolongada com margens saudáveis de combustível. A New Horizons irá realizar uma série de quatro manobras no final de outubro e início de novembro com o objetivo de definir o percurso até 2014 MU69 - apelidado de "PT1" (Potential Target 1) - que esperam alcançar no dia 1 de janeiro de 2019. Quaisquer atrasos custam combustível e põem em risco a missão.

"2014 MU69 é uma ótima escolha porque é exatamente o tipo de KBO antigo, formado onde agora orbita, que o Decadal Survey queria que estudássemos," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons e do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado. "Além disso, este KBO custa menos combustível [que outros candidatos], deixando mais combustível para o voo rasante, para ciência auxiliar e reservas maiores para proteger contra imprevistos."

A New Horizons foi originalmente desenhada para voar para lá do sistema plutoniano e explorar outros objetos da Cintura de Kuiper. A nave espacial transporta combustível extra para um "flyby" por um KBO; os seus sistemas de comunicação estão desenhados para trabalhar muito para além de Plutão; o seu sistema de energia está construído para operar durante muitos mais anos; e os seus instrumentos científicos foram desenhados para operar em níveis de luz muito inferiores do que o esperado para o "flyby" por 2014 MU69.

O "Planetary Decadal Survey" da Academia Nacional de Ciências de 2003 recomendou fortemente que a primeira missão à Cintura de Kuiper incluísse passagens por Plutão e por outros KBOs pequenos, a fim de provar a diversidade de objetos dessa anteriormente inexplorada região do Sistema Solar. A identificação de PT1, que pertence a uma classe completamente diferente de KBO que Plutão, permite potencialmente que a New Horizons satisfaça esses objetivos.

Percurso da sonda New Horizons em direção ao seu próximo alvo potencial, o objeto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, que recebeu a alcunha "PT1" (Potential Target 1) pela equipa da New Horizons. A NASA terá que aprovar o prolongamento da missão a fim de explorar este KBO.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Alex Parker
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas encontrar um alvo adequado da Cintura de Kuiper não foi tarefa fácil. Em 2011 teve início uma pesquisa usando alguns dos maiores telescópios da Terra e a equipa da New Horizons encontrou várias dúzias de KBOs, mas nenhum era alcançável com o combustível disponível a bordo da sonda.

O poderoso Telescópio Espacial Hubble deu uma ajuda no verão de 2014, descobrindo cinco objetos. Dois desses ficavam dentro da trajetória possível para um voo da New Horizons. Os cientistas estimam que PT1 tenha pouco menos que 45 km de diâmetro; é cerca de 10 vezes maior e 1000 vezes mais massivo que os típicos cometas, como o que a Rosetta orbita atualmente, mas tem apenas 0,5-1% do tamanho (e mais ou menos 1/10.000 da massa) de Plutão. Como tal, pensa-se que PT1 seja como os blocos de construção de planetas anões da Cintura de Kuiper como Plutão.

Ao contrário dos asteroides, os KBOs foram apenas ligeiramente aquecidos pelo Sol e pensa-se que representem uma amostra bem preservada e congelada do aspeto do Sistema Solar exterior aquando do seu nascimento há 4,6 mil milhões de anos.

"Podemos aprender muito com observações de perto com sondas, que nunca conseguiremos aprender a partir da Terra, tal como a passagem por Plutão demonstrou de forma tão espetacular," afirma John Spence, membro da equipa científica da New Horizons, também do SwRI. "As imagens detalhadas e outros dados que a New Horizons poderá obter de um voo rasante por um KBO vão revolucionar a nossa compreensão da Cintura de Kuiper e dos KBOs."

A sonda New Horizons - atualmente a 4,9 mil milhões de quilómetros da Terra - está apenas começando a transmitir a maior parte das imagens e outros dados, armazenados na sua memória digital, do encontro histórico com o sistema de Plutão. A nave espacial encontra-se de boa saúde e está a funcionar normalmente.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
O sistema de Plutão visto pela New Horizons (NASA via YouTube)
Universe Today
NewScientist
Nature
EarthSky
SPACE.com
AstronomyNow
Popular Mechanics
PHYSORG
redOrbit
BBC News
Forbes
The Verge
io9

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

2014 MU69:
Centro de Planetas Menores da UAI
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Hubble descobre que o quasar mais próximo é alimentado por um buraco negro duplo (via NASA)
Astrónomos descobriram que Markarian 231 (Mrk 231), a galáxia mais próxima da Terra que contém um quasar, é alimentada por dois buracos negros centrais que giram furiosamente um em redor do outro. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Gaivota
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dieter Willasch (Astro-Cabinet)
 
Esta vasta extensão de gás brilhante e poeira apresenta um semblante de pássaro para os astrónomos do planeta Terra, o que sugere o seu apelido popular - a Nebulosa da Gaivota. Este retrato do pássaro cósmico cobre uma ampla faixa de 1,6 graus no plano da Via Láctea, perto da direção de Sirius, a estrela alfa da constelação de Cão Maior. Claro, a região inclui objetos com outras designações de catálogo: nomeadamente NGC 2327, uma compacta e poeirenta região de emissão com uma estrela massiva incorporada que forma a cabeça da ave (também chamada Nebulosa do Papagaio, acima do centro). Dominada pelo brilho avermelhado do hidrogénio atómico, esta região de gás e nuvens de poeira com estrelas jovens e brilhantes estende-se por mais de 100 anos-luz à distância estimada de 3800 anos-luz.
 

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