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Edição n.º 1501
27/07 a 30/07/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlG

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de julho:

27/07 - Praia de Faro, a partir das 20:30, no Centro Náutico

30/07 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar para melhor observar estrelas, a partir das 22:00 (inscrição obrigatória)

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 27/07: 208.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.

Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
Observações: Marte em oposição, pelas 06:00.
Marte está 143 vezes mais distante do que a Lua (e tem o dobro do tamanho). Está coberto por poeira "ferrujenta" e castanha em comparação com a poeira cinzenta e escura do nosso satélite natural. Porque é que parecem laranja e esbranquiçada no nosso céu, respetivamente? Porque são bastante iluminados pela luz solar direta, enquanto o resto do cenário noturno à nossa volta, como árvores e prédios, ao qual os nossos olhos se adaptam, é muito mais ténue.
Lua Cheia, pelas 21:20.
Eclipse total da Lua. Quando a Lua nascer, já o eclipse vai na sua fase total. O evento termina às 00:29 de dia 28. Este será o eclipse mais longo do século XXI, em que a totalidade dura 1 hora e 43 minutos.

Dia 28/07: 209.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).

Foi também diretor do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana.
Observações: Esta noite a Lua brilha mais para a esquerda de Marte.

Dia 29/07: 210.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.

Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris.
Observações: O "Bule de Chá" de Sagitário mede cerca de um punho à distância do braço esticado e inclina-se agora como para despejar o chá para a direita. Inclinar-se-á cada vez mais durante o resto do verão - ou com o avançar da noite.
A cauda de Escorpião está a sul logo após o anoitecer. Quão baixa, depende de quão para norte ou sul está o observador: quanto mais para sul, mais alta. Procure as duas estrelas especialmente próximas uma da outra na sua cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". As estrelas "Ohos de Gato" apontam para oeste na direção de Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". É necessário ter uma excelente visão para resolver as estrelas Mu sem binóculos.

Dia 30/07: 211.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, os astronautas da Apollo 15 aterram na Lua.

Observações: Pico da chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul.
Continue a observar Marte, que alcança hoje a sua maior aproximação à Terra para as atuais órbitas. Há 15 anos que o planeta não estava tão próximo de nós! E só em 2035 é que repetirá este marco.

 
CURIOSIDADES

O nosso Sol move-se a 20 km/s na direção da constelação de Hércules.
 
PRIMEIRO TESTE BEM SUCEDIDO DA RELATIVIDADE GERAL DE EINSTEIN REALIZADO PERTO DE BURACO NEGRO SUPERMASSIVO
Esta imagem artística mostra o trajeto da estrela S2 a passar muito perto do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. À medida que se aproxima, o campo gravitacional muito forte do buraco negro faz com que a cor da estrela se desloque ligeiramente para o vermelho, um efeito previsto pela teoria da relatividade geral de Einstein.
Neste esquema o efeito de cor e o tamanho dos objetos foi exagerado para ilustrar melhor o fenómeno.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior, aqui para a versão legendada)
 

Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram pela primeira vez os efeitos previstos pela relatividade geral de Einstein no movimento de uma estrela a passar no campo gravitacional extremo existente próximo do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Este resultado, há muito procurado, representa o culminar de uma campanha de observações de 26 anos levada a cabo com os telescópios do ESO no Chile.

Obscurecido pelas espessas nuvens de poeira absorvente, o buraco negro supermassivo mais perto da Terra situa-se a cerca de 26.000 anos-luz de distância, no centro da Via Láctea. Este monstro gravitacional, com uma massa de 4 milhões de vezes a massa solar, encontra-se rodeado por um pequeno grupo de estrelas que o orbitam a alta velocidade. Este meio extremo — o campo gravitacional mais forte da nossa Galáxia — é o local ideal para explorar a física gravitacional e, particularmente, testar a teoria da relatividade geral de Einstein.

Novas observações infravermelhas obtidas com os instrumentos extremamente sensíveis GRAVITY, SINFONI e NACO, montados no VLT (Very Large Telescope) do ESO, permitiram aos astrónomos seguir uma destas estrelas, chamada S2, à medida que passava muito perto do buraco negro durante maio de 2018. No ponto da sua órbita mais próximo do buraco negro, a distância desta estrela ao objeto era menor que 20 mil milhões de quilómetros e a sua velocidade era maior que 25 milhões de quilómetros por hora — quase 3% da velocidade da luz (S2 orbita o buraco negro a cada 16 anos numa órbita altamente excêntrica que a aproxima deste objeto a uma distância de cerca de 20 mil milhões de km — 120 vezes a distância da Terra ao Sol, ou cerca de quatro vezes a distância do Sol a Neptuno — no ponto mais próximo do buraco negro. Esta distância corresponde a cerca de 1500 vezes o raio de Schwarzschild do próprio buraco negro).

Este diagrama mostra o movimento da estrela S2 em torno do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Os dados utilizados foram compilados a partir de observações obtidas com telescópios e instrumentos do ESO durante um período superior a 25 anos. A estrela demora 16 anos a completar uma órbita e encontrava-se muito próximo do buraco negro em maio de 2018. Note que os tamanhos do buraco negro e da estrela não estão à escala.
Crédito: ESO/MPE/Colaboração GRAVITY
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa comparou medições de posição e velocidade obtidas pelo GRAVITY e pelo SINFONI, respetivamente, juntamente com observações anteriores de S2 obtidas com outros instrumentos, com previsões de gravidade newtoniana, relatividade geral e outras teorias de gravidade. Os novos resultados são inconsistentes com as previsões newtonianas mas estão em excelente acordo com a relatividade geral.

Estas medições extremamente precisas foram obtidas por uma equipa internacional liderada por Reinhard Genzel do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE) em Garching, Alemanha, em colaboração com investigadores do Observatório de Paris—PSL, Universidade de Grenoble-Alpes, CNRS, Instituto Max Planck de Astronomia, Universidade de Colónia, Centro de Astrofísica e Gravitação (CENTRA) de Portugal e do ESO. Estas observações são o culminar de 26 anos das observações mais precisas de sempre do centro da Via Láctea obtidas com instrumentos do ESO.

"Esta é a segunda vez que observamos a passagem de S2 próximo do buraco negro situado no nosso centro galáctico. No entanto, desta vez, devido à instrumentação disponível muito melhorada, fomos capazes de observar a estrela com uma resolução sem precedentes," explica Genzel. "Estas observações foram preparadas arduamente durante vários anos, uma vez que queríamos tirar o máximo partido desta oportunidade única de observar os efeitos da relatividade geral."

As novas medições revelam claramente um efeito chamado desvio para o vermelho gravitacional. A luz emitida pela estrela é "esticada" na direção dos maiores comprimentos de onda por efeito do campo gravitacional muito forte do buraco negro. E a variação do comprimento de onda da luz de S2 está precisamente de acordo com a variação prevista pela teoria da relatividade geral de Einstein. Trata-se da primeira vez que este tipo de desvio às previsões da teoria da gravidade newtoniana é observado no movimento de uma estrela em torno de um buraco negro supermassivo.

A equipa usou o SINFONI para medir a velocidade de S2 a aproximar-se e a afastar-se da Terra e o instrumento interferométrico GRAVITY para fazer medições extremamente precisas das variações de posição de S2 de modo a poder definir-se a forma da sua órbita. As imagens criadas pelo GRAVITY são tão nítidas que conseguem mostrar o movimento da estrela de noite para noite à medida que esta passa perto do buraco negro — a 26.000 anos-luz de distância da Terra.

Este diagrama mostra o movimento da estrela S2 à medida que esta passa muito próximo do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Os dados utilizados foram compilados a partir de observações obtidas com o instrumento GRAVITY montado no Interferómetro do VLT. Nesta altura a estrela viajava a quase 3% da velocidade da luz e o seu desvio em posição podia ser visto de noite para noite. Os tamanhos da estrela e do buraco negro não estão a escala.
Crédito: ESO/MPE/Colaboração GRAVITY
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As nossas primeiras observações de S2 com o GRAVITY, há cerca de 2 anos atrás, mostraram que poderíamos ter efetivamente no buraco negro um laboratório ideal," acrescenta Frank Eisenhauser (MPE), Investigador Principal do GRAVITY e do espectrógrafo SINFONI. "Durante a passagem próxima, pudemos inclusivamente detetar na maioria das imagens o brilho ténue da estrela a orbitar em torno do buraco negro, o que nos permitiu seguir a sua órbita de forma muito precisa e detetar assim o desvio para o vermelho gravitacional no espectro de S2."

Mais de cem anos após a publicação do seu artigo que descreveu as equações da relatividade geral, Einstein mostrou estar certo uma vez mais — e num laboratório muito mais extremo do que alguma vez poderia imaginar!

Françoise Delplancke, Chefe do Departamento de Engenharia de Sistemas no ESO, explica a importância destas observações: "No Sistema Solar podemos apenas testar as leis da física agora e sob determinadas condições. Por isso é muito importante em astronomia testar também as leis que são ainda válidas quando os campos gravitacionais são muito mais fortes."

Espera-se conseguir revelar outro efeito relativista no final do ano com observações de seguimento — uma pequena rotação da órbita da estrela, conhecida por precessão de Schwarzschild — à medida que S2 se afasta do buraco negro.

Xavier Barcons, Diretor Geral do ESO, conclui: "O ESO tem vindo a trabalhar com Reinhard Genzel e a sua equipa, assim como com colaboradores nos Estados Membros do ESO há mais de um quarto de século. O desenvolvimento de instrumentos extremamente poderosos necessários à obtenção destas medições tão delicadas revelou-se um tremendo desafio. A descoberta anunciada hoje trata-se do resultado extraordinário de uma parceria notável."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
15/08/2017 - Indicações de efeitos relativistas em estrelas que orbitam o buraco negro supermassivo situado no centro da Galáxia
10/12/2008 - Estudo sem precedentes segue estrelas em órbita do buraco negro supermassivo da Via Láctea

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
ESOcast 173 (ESO via YouTube)
Estrelas em órbita de Sgr A* (ESO via YouTube)
Simulação das órbitas das estrelas em torno de Sgr A* (ESO via YouTube)
Science
Astronomy
SPACE.com
Scientific American
Science alert
PHYSORG
ScienceNews
BBC News
reuters

S2:
Wikipedia

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Teoria Geral da Relatividade:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
MARS EXPRESS DETETA ÁGUA LÍQUIDA ESCONDIDA SOB O POLO SUL DE MARTE
A Mars Express da ESA usou sinais de radar refletidos através de camadas subterrâneas de gelo para encontrar evidências de um lago de água enterrado por baixo da calota polar sul.
Foram feitas 29 observações dedicadas entre 2012 e 2015 na região Planum Australe, no polo sul, usando o instrumento MARSIS. Um novo modo de operações, estabelecido neste período, permitiu recuperar uma qualidade mais alta de dados do que anteriormente na missão.
A área de estudo com 200 km está indicada na imagem à esquerda e as impressões de radar na superfície são indicadas na imagem do meio para múltiplas órbitas. A imagem de fundo em tons de cinza é uma imagem do instrumento THEMIS (Thermal Emission Imaging System) a bordo da Mars Odyssey da NASA e destaca a topografia subjacente: uma planície sem características, com escarpas de gelo no canto inferior direito (o sul é para cima).
As impressões estão codificadas por cores, correspondendo à "potência" do sinal de radar refletido por características abaixo da superfície. A grande área azul perto do centro corresponde à área do sinal brilhante de radar, detetado em muitas órbitas sobrepostas da sonda.
À direita está um perfil de radar subsuperficial para uma das órbitas de Marte. A característica horizontal brilhante no topo representa a superfície gelada de Marte nesta região. Os depósitos em camadas no polo sul - camadas de gelo e poeira - são vistos até uma profundidade de mais ou menos 1,5 km. Por baixo encontra-se uma camada que nalgumas áreas é ainda muito mais brilhante do que os reflexos de superfície, destacados em azul, enquanto noutros locais é bastante difusa. A análise dos detalhes dos sinais refletidos pela camada forneceu propriedades que correspondem a água líquida.
Os reflexos mais brilhantes centram-se a 193º E/81º S nas órbitas que se cruzam, destacando uma zona bem definida com 20 km de largura.
Crédito: Mapa de contexto - NASA/Viking; fundo do THEMIS - NASA/JPL-Caltech/Universidade Estatal do Arizona; dados do MARSIS - ESA/NASA/JPL/ASI/Univ. de Roma; R. Orosei et al. 2018
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dados de radar, recolhidos pela Mars Express da ESA, apontam para um lago de água líquida sob camadas de gelo e poeira na região polar sul de Marte.

As evidências do passado aquático do Planeta Vermelho são prevalentes em toda a sua superfície, na forma de vastas redes de vales fluviais secos e canais gigantescos claramente fotografados por satélites em órbita. Os orbitadores, juntamente com veículos de aterragem e rovers que exploram a superfície marciana, também descobriram minerais que só se podem formar na presença de água líquida.

Mas o clima mudou significativamente ao longo da história de 4,6 mil milhões de anos do planeta e a água líquida não pode existir hoje à superfície, por isso os cientistas procuram-na no subsolo. Os primeiros resultados da sonda Mars Express, que celebra 15 anos no próximo mês de dezembro, já tinham indicado a presença de água gelada nos polos do planeta e também enterrada em camadas intercaladas de poeira.

Há muito tempo que se suspeitava da presença de água líquida na base das calotas polares; afinal de contas, a partir de estudos na Terra, é bem conhecido que o ponto de fusão da água diminui sob a pressão de um glaciar sobrejacente. Além disso, a presença de sais em Marte poderia reduzir ainda mais o ponto de fusão da água e manter a água líquida mesmo em temperaturas abaixo de zero.

Mas, até agora, as evidências do instrumento MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding instrument), o primeiro sonar de radar a orbitar outro planeta, permaneceram inconclusivas.

Impressão de artista da sonda Mars Express: O fundo é baseado numa imagem verdadeira de Marte obtida pela câmara de alta resolução da sonda.
Crédito: sonda - ESA/ATG medialab; Marte - ESA/DLR/FU Berlin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foi necessária a persistência de cientistas que trabalham com este instrumento de estudo da subsuperfície para desenvolver novas técnicas a fim de recolher o máximo possível de dados de alta resolução e assim confirmar a sua interessante conclusão.

O radar de penetração do solo usa um método de envio de pulsos de radar para a superfície e determina quanto tempo levam para que sejam refletidos de volta para a espaçonave e com que intensidade. As propriedades do material entre eles influenciam o sinal de retorno, que pode ser usado para mapear a topografia subsuperficial.

A investigação de radar mostra que a região polar sul de Marte é constituída por várias camadas de gelo e poeira até uma profundidade de aproximadamente 1,5 km na área com 200 km de largura analisada neste estudo. Foi identificado um reflexo de radar particularmente brilhante, por baixo dos depósitos em camadas, numa zona com 20 km de largura.

A sonda Mars Express da ESA usou sinais de radar refletidos por camadas subterrâneas de gelo para identificar um lago de água enterrado abaixo da superfície.
Esta imagem mostra um exemplo de perfil de radar para uma das 29 órbitas sobre a região de estudo com 200x200 km no polo sul de Marte. Os depósitos em camadas no polo sul - camadas de gelo e poeira - são vistos até uma profundidade de mais ou menos 1,5 km. Por baixo encontra-se uma camada que nalgumas áreas é ainda muito mais brilhante do que os reflexos de superfície, enquanto noutros locais é bastante difusa. Os reflexos mais brilhantes centram-se a 193º E/81º S nas órbitas que se cruzam, destacando uma zona bem definida com 20 km de largura, interpretada como sendo um lago de água líquida.
Crédito: ESA/NASA/JPL/ASI/Univ. Roma; R. Orosei et al. 2018
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Analisando as propriedades dos sinais de radar refletidos, tendo em consideração a composição dos depósitos em camadas e o perfil de temperatura esperado abaixo da superfície, os cientistas interpretam a característica brilhante como uma interface entre o gelo e um corpo estável de água líquida, que pode estar saturado com sedimentos salgados. Para que o MARSIS seja capaz de detetar tal mancha de água, precisará de ter pelo menos várias dezenas de centímetros de espessura.

"Esta anomalia da subsuperfície de Marte tem propriedades de radar que coincidem com as da água ou de sedimentos ricos em água," comenta Roberto Orosei, investigador principal do MARSIS e autor principal do artigo publicado na revista Science.

"Esta é apenas uma pequena área de estudo; é uma perspetiva empolgante pensar que podem haver mais destas bolsas subterrâneas de água noutros lugares, ainda por descobrir."

A ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) captou esta imagem de parte da calota polar sul de Marte no dia 13 de maio de 2018.
Os polos de Marte têm grandes calotas semelhantes às da Terra na Gronelândia e na Antártida. Estas calotas são compostas principalmente por água gelada e foram depositadas em camadas que contêm quantidades variáveis de poeira.
Graças a desfiladeiros massivos que dissecam os depósitos em camadas, sondas em órbita podem ver a estrutura interna em camadas. A ExoMars, com o seu instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System), viu este segmento de 7x38 km de depósitos de camadas geladas que se estende para norte até 73º S.
Aqui, o CaSSIS fotografou remanescentes de depósitos numa cratera nesta margem. As belas variações de cor e brilho das camadas são visíveis através dos filtros de cor da câmara. A imagem realça o gelo brilhante e os depósitos mais avermelhados de poeira no topo.
O programa ExoMars é um esforço conjunto entre a ESA e a Roscosmos.
Crédito: ESA/Roscosmos/CaSSIS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós vimos algumas interessantes características de subsuperfície durante anos, mas não conseguíamos reproduzir o resultado de órbita para órbita, porque as taxas de amostragem e resolução dos nossos dados eram muito baixas anteriormente," acrescenta Andrea Cicchetti, gerente de operações do MARSIS e coautora do novo artigo.

"Tivemos que criar um novo modo de operação para contornar algum processamento interno e despoletar uma taxa de amostragem mais alta e, assim, melhorar a resolução da área de cobertura do nosso conjunto de dados: agora vemos coisas que simplesmente não eram possíveis antes."

A descoberta lembra um pouco o Lago Vostok, descoberto a mais ou menos 4 km abaixo do gelo na Antártica. Sabe-se que algumas formas de vida microbiana prosperam nos ambientes subglaciais da Terra, mas será que bolsas subterrâneas de água salgada e rica em sedimentos em Marte também fornecem um habitat adequado, seja agora ou no passado? Será que a vida alguma vez existiu em Marte? Esta permanece uma questão em aberto e é uma que as missões ao Planeta Vermelho, incluindo a atual sonda europeia e russa, a ExoMars, e o futuro rover, vão continuar a explorar.

"A longa duração da Mars Express e o esforço exaustivo feito pela equipa de radar para superar muitos desafios analíticos permitiram alcançar este resultado tão esperado, demonstrando que a missão e a sua carga científica ainda têm um grande potencial," comenta Dmitri Titov, cientista do projeto Mars Express da ESA.

"Esta descoberta emocionante é um destaque para a ciência planetária e vai contribuir para a nossa compreensão da evolução de Marte, da história da água no nosso planeta vizinho e para a sua habitabilidade."

A Mars Express foi lançada no dia 2 de junho de 2003 e celebra 15 anos em órbita no dia 25 de dezembro deste ano.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Science)
NASA (comunicado de imprensa)
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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Mars Express:
Página oficial da ESA 
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M31 COLIDIU COM GALÁXIA MASSIVA HÁ 2 MIL MILHÕES DE ANOS

Cientistas da Universidade de Michigan deduziram que a Galáxia de Andrómeda, a nossa grande vizinha galáctica mais próxima, destruiu e canibalizou uma enorme galáxia há dois mil milhões de anos.

Apesar de ter sido em grande parte despedaçada, esta galáxia massiva deixou para trás uma rica trilha de evidências: um halo quase invisível de estrelas maior do que a própria Galáxia de Andrómeda, um elusivo fluxo de estrelas e uma enigmática galáxia compacta, M32. A descoberta e estudo desta galáxia dizimada ajudará os astrónomos a entender como galáxias de disco como a Via Láctea evoluem e sobrevivem a grandes fusões.

Esta galáxia perturbada, de nome M32p, era o terceiro maior membro do Grupo Local de galáxias, depois da Via Láctea e de Andrómeda. Usando modelos de computador, Richard D'Souza e Eric Bell do Departamento de Astronomia da Universidade de Michigan foram capazes de reunir estas evidências, revelando esta irmã há muito perdida da Via Láctea. As descobertas foram publicadas na revista Nature Astronomy.

Nesta imagem, a Galáxia de Andrómeda dilacera a grande galáxia M32p, que eventualmente resultou na formação de M32 e de um grande halo de estrelas.
Crédito: Richard D'Souza. Imagem de M31 cortesia de Wei-Hao Wang. Imagem do halo estelar de M31 cortesia da AAS/IOP
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas sabem há muito que este grande halo quase invisível de estrelas em torno de galáxias contém o remanescente de galáxias canibalizadas mais pequenas. Uma galáxia como Andrómeda deveria ter consumido centenas das suas companheiras mais pequenas. Os investigadores pensavam que isso dificultaria o estudo de qualquer uma delas.

Usando novas simulações de computador, os cientistas foram capazes de entender que, apesar de muitas galáxias companheiras terem sido consumidas por Andrómeda, a maioria das estrelas no fraco halo de M31 é principalmente atribuída à destruição de uma única grande galáxia.

"Foi um momento 'eureka'. Percebemos que podíamos usar esta informação do halo estelar externo de Andrómeda para inferir as propriedades da maior destas galáxias dilaceradas," comenta o autor principal D'Souza, investigador pós-doutorado da Universidade de Michigan.

"Os astrónomos há muito que estudam o Grupo Local - a Via Láctea, Andrómeda e as suas companheiras. Foi chocante perceber que a Via Láctea tinha uma irmã, que só agora sabemos da sua existência," afirma o coautor Bell, professor de astronomia da Universidade de Michigan.

Este é um retrato de família do aspeto da nossa vizinhança local de galáxias, o Grupo Local, há 2 mil milhões de anos. A galáxia em falta, M32p, teria sido a terceira maior galáxia do Grupo Local, depois de Andrómeda e da Via Láctea.
Crédito: Richard D'Souza; GNM, M33 e M31, cortesia de Wei-Hao Wang; Via Láctea, NASA/JPL; M64, NOAO/AURA/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta galáxia, de nome M32p, que foi destruída pela Galáxia de Andrómeda, era pelo menos 20 vezes maior do que qualquer galáxia que se fundiu com a Via Láctea ao longo da sua vida. M32p teria sido massiva, tornando-se a terceira maior galáxia do Grupo Local, depois de Andrómeda e da Via Láctea.

Segundo os cientistas, este trabalho também pode ajudar a resolver um mistério de longa data: a formação da enigmática galáxia satélite de Andrómeda, M32. Eles sugerem que a compacta e densa M32 é o centro sobrevivente da irmã há muito perdida da Via Láctea, como o caroço indestrutível de uma ameixa.

"M32 é esquisita," comenta Bell. "Embora pareça um exemplo compacto de uma antiga galáxia elíptica, ela na verdade tem muitas estrelas jovens. É uma das galáxias mais compactas do Universo. Não há outra galáxia igual."

Os astrónomos dizem que o seu estudo pode alterar a compreensão tradicional de como as galáxias evoluem. Eles perceberam que o disco de M31 sobreviveu a um impacto com uma enorme galáxia, o que questionaria a sabedoria comum de que estas grandes interações destroem discos e formam uma galáxia elíptica.

O maior disco nesta imagem, a galáxia M64, representa o aspeto de M32p antes da Galáxia de Andrómeda a ter canibalizado há dois mil milhões de anos. A imagem mais pequena, no topo, mostra o remanescente atual de M32p, a galáxia elíptica compacta M32.
Crédito: Richard D'Souza; imagem de M64: NOAO/AURA/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O momento da fusão também pode explicar o espessamento do disco da Galáxia de Andrómeda, bem como a explosão de formação estelar há dois mil milhões de anos, um achado que foi alcançado independentemente por investigadores franceses no início deste ano.

"A Galáxia de Andrómeda, com um espetacular surto de formação estelar, teria parecido muito diferente há 2 mil milhões de anos," comenta Bell. "Quando andava na escola, disseram-me que a compreensão da Galáxia de Andrómeda e da sua galáxia satélite M32 era uma grande ajuda para desvendar os mistérios da formação galáctica."

Os cientistas dizem que o método usado neste estudo pode ser aplicado noutras galáxias, permitindo a medição das maiores fusões galácticas. Com este conhecimento, os cientistas podem melhor desvendar a teia complexa de causa e efeito que impulsiona o crescimento das galáxias e aprender mais sobre o que as fusões fazem às galáxias.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
Nature Astronomy
Astronomy
Sky & Telescope
Universe Today
ScienceDaily
Smithsonian.com
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ZME science
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M32p:
Wikipedia

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

M32:
SEDS
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  ALMA observa eco rádio alimentado por jatos de explosão de raios-gama (via Observatório ALMA)
Usando o ALMA, astrónomos estudaram uma explosão estelar cataclísmica conhecida como explosão de raios-gama, e descobriram o seu brilho residual persistente. O choque inverso, despoletado pelos poderosos jatos do GRB que atingem detritos, durou milhares de vezes mais do que o esperado. As observações fornecem novas informações sobre a física dos GRBs, que são das explosões mais energéticas do Universo. Ler fonte
     
  Mapas de radiação de Europa: a chave de missões futuras (via NASA)
Um novo mapeamento compreensivo da radiação que atinge a lua gelada de Júpiter, Europa, revela onde os cientistas devem observar - e a profundidade que têm que alcançar - na procura por sinais de habitabilidade e bioassinaturas. Ler fonte
     
  Eletrões "roubados" permitem aurora invulgar em Marte (via NASA)
As auroras aparecem na Terra como espetáculos fantasmagóricos de luz colorida no céu noturno, normalmente perto dos polos. O nosso vizinho Marte também tem auroras, e a sonda MAVEN da NASA descobriu um novo tipo de aurora marciana que ocorre em grande parte no lado diurno do planeta, ondas são difíceis de observar. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Barnard 228: Nuvem Molecular de Lobo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Gabriel Rodrigues Santos
 
Estas marcas escuras no céu só podem ser encontradas em silhueta contra um fundo rico e luminoso de estrelas. Na direção da constelação do hemisfério sul de Lobo, as nuvens empoeiradas e obscuras fazem parte da Nuvem Molecular de Lobo, a cerca de 500 anos-luz de distância. No seu interior formam-se grupos de estrelas de baixa massa, a partir de núcleos em colapso visíveis apenas em comprimentos de onda infravermelhos longos. Ainda assim, estrelas coloridas em Lobo acrescentam beleza a esta já bonita paisagem galáctica. Abrange aproximadamente 8 graus, não muito longe da Via Láctea central.
 

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