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Edição n.º 1541
14/12 a 17/12/2018
 
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Conferência de Natal Ciência Viva 2018 com o astronauta da ESA Andreas Mogensen:
O Sentido da Vida, em que partilhará os detalhes e peripécias das missões espaciais em que participou.

15 de Dezembro, 16:00
Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

Sessão para todos os públicos com entrada livre. Número de lugares limitado e mediante inscrição prévia aqui. A palestra terá tradução simultânea para português.

Poderá acompanhar a transmissão em direto via streaming em: www.cienciaviva.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/12: 348.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1546 nascia Tycho Brahe.

Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho de campo.
Em 1782, o primeiro balão dos irmãos Montgolfier levanta voo no seu primeiro teste. 
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (atividade extra-veicular) da missão Apollo 17.
Observações: Pico da chuva de meteoros das Geminídeas, antes do amanhecer, sob um céu sem Lua. Encontre um local sem luzes, sente-se numa cadeira reclinada ou deite-se no chão, sob uma manta, agasalhe-se e olhe para as estrelas. À medida que os seus olhos se adaptam à escuridão, poderá ver um meteoro por cada 1 ou 2 minutos, em média.
Ao início da noite, Marte brilha para cima da Lua. Marte tem o dobro do tamanho da Lua, em diâmetro físico, mas está atualmente 425 vezes mais distante.
Bem para baixo está Fomalhaut. A 25 anos-luz, Fomalhaut está 1,4 milhões de vezes mais distante do que o nosso vizinho marciano.

Dia 15/12: 349.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, nascia Henri Becquerel, físico que, juntamente com Marie e Pierre Curie, recebeu o prémio Nobel da Física pela sua descoberta da radioatividade. A unidade SI da radioativade, o becquerel (Bq), tem o seu nome.
Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao polo sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos polos).  
Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra.

Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados da superfície de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu para-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados. 
Em 1984 era lançada a Vega 1 (missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 11:49.
Mercúrio na sua maior elongação oeste - 21º.
O ponto brilhante e alaranjado para a direita da Lua, alta a sul ao início da noite, é o Planeta Marte. Bem para cima de ambos encontra-se o Grande Quadrado de Pégaso.
Com o passar da noite, Marte inclina-se para baixo e para a direita da Lua.

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1917 nascia Arthur C. Clarke, proponente de longa data das viagens espaciais, autor, futurista, inventor, explorador dos oceanos e apresentador de televisão. 
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 1969 nascia Adam Riess, astrofísico americano, que partilhou com Saul Perlmutter e Brian P. Schmidt, em 2011, o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Em 2015, o Hubble divulga a imagem da primeira explosão, prevista, de uma supernova.
Observações: Já observou o nascer de Sirius? Encontre um horizonte desimpedido a este-sudeste e observe Sirius a surgir por cima do horizonte a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo da cintura vertical de Orionte. Sirius nasce entre as 20 e as 20:30, dependendo da localização do observador.
Quando uma estrela está muito baixa, tende a piscar muito lentamente e amíude com cores vívidas. Sirius é brilhante o suficiente para mostrar eficazmente estes efeitos, especialmente com binóculos.

Dia 17/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, os EUA lançam com sucesso o primeiro missil balístico intercontinental Atlas em Cabo Canaveral, Flórida.

Em 2003, voo 11P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.
Observações: A Lua continua a sua viagem mensal em torno da Terra. Hoje, está mais distante de Marte (do ponto de vista do céu da Terra), por entre as estrelas da constelação de Peixes. Para a sua esquerda e um pouco para baixo brilham as estrelas das Plêiades.

 
CURIOSIDADES

A sonda New Horizons está prestes a efetuar o "flyby" mais distante da história, no dia 1 de janeiro, e o público em geral pode enviar umas palavras de encorajamento nesta etapa da sua missão. Participe até dia 21 de dezembro seguindo este link: http://pluto.jhuapl.edu/Send-Greetings/
 
ALMA FORNECE VISÃO SEM PRECEDENTES DO NASCIMENTO DE PLANETAS
Imagens de alta resolução, pelo ALMA, de discos protoplanetários próximos, resultados da campanha DSHARP.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Andrews et al.; N. Lira
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos já catalogaram quase 4000 exoplanetas em órbita de estrelas distantes. Embora já tenhamos aprendido muito sobre esses mundos recém-descobertos, ainda há muito que não sabemos sobre os passos da formação planetária e as "receitas" cósmicas precisas que produzem a ampla gama de corpos planetários já descobertos, incluindo os chamados Júpiteres quentes, os mundos rochosos massivos, os planetas anões gelados e - esperamos algum dia em breve - análogos distantes da Terra.

Para ajudar a responder a estas e a outras questões intrigantes sobre o nascimento dos planetas, uma equipa de astrónomos usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para realizar uma das mais profundas investigações sobre discos protoplanetários, as cinturas de poeira formadoras de planetas em redor de estrelas jovens.

"Este programa em específico é importante porque debruça-se sobre um dos objetivos científicos fundamentais do ALMA, que é entender o processo de formação planetária e, de estudos anteriores com amostras demasiado pequenas ou objetos individuais, salta para um contexto completamente novo, permitindo análises estatísticas," explica Stuartt Corder, diretor adjunto do ALMA; "Será que estes tipos de estruturas são comuns ou raros? Essa abordagem mais estatística permite que os investigadores respondam a questões muito mais fundamentais para o processo de formação planetária."

Conhecido como DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project), este grande programa do ALMA produziu imagens impressionantes e de alta resolução de 20 discos protoplanetários próximos e deu aos astrónomos novas informações sobre a variedade de características que contêm e sobre a velocidade com que os planetas podem emergir.

Os resultados deste levantamento foram apresentados numa série de dez artigos científicos aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters.

De acordo com os cientistas, a interpretação mais convincente destas observações é que os planetas grandes, provavelmente parecidos em tamanho e composição com Neptuno ou Saturno, formam-se rapidamente, muito mais depressa do que a teoria atual indicaria. Também tendem a formar-se nos limites externos dos seus sistemas, a distâncias tremendas das suas estrelas hospedeiras.

Esta formação precoce também poderá ajudar a explicar como os mundos rochosos, do tamanho da Terra, são capazes de evoluir e crescer, sobrevivendo à sua suposta adolescência autodestrutiva.

"O objetivo desta campanha de observação era encontrar semelhanças e diferenças nos discos protoplanetários. A visão extraordinariamente nítida do ALMA revelou estruturas inéditas e padrões inesperadamente complexos," comenta Sean Andrews, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e líder da campanha de observação do ALMA juntamente com Andrea Isella da Universidade Rice, Laura Pérez da Universidade do Chile e Cornelis Dullemond da Universidade de Heidelberg. "Estamos a ver detalhes distintos em torno de uma grande variedade de estrelas jovens de várias massas. A interpretação mais convincente destas características altamente diversificadas e de pequena escala é que existem planetas invisíveis a interagir com o material do disco."

Os modelos principais para a formação de planetas sustentam que estes nascem através da acumulação gradual de poeira e gás no interior de um disco protoplanetário, começando com grãos de poeira que coalescem para formar rochas cada vez maiores, até que surgem asteroides, planetesimais e planetas. Este processo hierárquico deve levar muitos milhões de anos, sugerindo que o seu impacto nos discos protoplanetários seria mais predominante em sistemas mais antigos e maduros. A evidência crescente, no entanto, indica que nem sempre é o caso.

As primeiras observações de discos protoplanetários jovens, pelo ALMA, alguns com apenas um milhão de anos, revelam estruturas surpreendentes, incluindo anéis e lacunas proeminentes, que parecem ser as marcas dos planetas. Os astrónomos inicialmente estavam cautelosos ao atribuir estas características às ações dos planetas, já que outros processos naturais podiam também estar em jogo.

"Foi surpreendente ver possíveis assinaturas de formação planetária nas primeiras imagens de alta resolução de discos jovens. Era importante descobrir se eram anomalias ou se estas assinaturas eram comuns nos discos," acrescenta Jane Huang, estudante no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação.

No entanto, dado que o conjunto de amostras era muito pequeno, era impossível tirar conclusões abrangentes. Os astrónomos podiam estar a observar sistemas atípicos. Foram necessárias mais observações de uma variedade de discos protoplanetários para determinar a causa mais provável das características que estavam a ver.

A campanha DSHARP foi projetada para fazer precisamente isso, estudando a distribuição a relativamente pequena escala das partículas de poeira em torno de 20 discos protoplanetários próximos. Estas partículas de poeira brilham naturalmente em comprimentos de onda milimétricos, permitindo que o ALMA mapeie com precisão a distribuição de densidade de partículas pequenas e sólidas em redor de estrelas jovens.

Dependendo da distância da estrela à Terra, o ALMA foi capaz de distinguir características tão pequenas quanto algumas Unidades Astronómicas (1 UA é a distância média entre a Terra e o Sol - cerca de 150 milhões de quilómetros, uma escala útil para medir distâncias à escala de sistemas estelares). Usando estas observações, os cientistas conseguiram visualizar uma população inteira de discos protoplanetários e estudar as suas características à escala de Unidades Astronómicas.

Os investigadores descobriram que muitas subestruturas - divisões concêntricas, anéis estreitos - são comuns a quase todos os discos, enquanto padrões espirais de grande escala e características semelhantes a arcos também estão presentes em alguns dos casos. Além disso, os discos e lacunas estão presentes numa ampla gama de distâncias das suas estrelas hospedeiras, desde algumas UA até mais de 100 UA, mais do que três vezes a distância de Neptuno ao Sol.

Estas características, que podem ser indícios de planetas grandes, podem explicar como os planetas rochosos semelhantes à Terra são capazes de se formar e crescer. Durante décadas, os astrónomos depararam-se com um grande obstáculo na teoria da formação planetária: assim que os planetesimais crescem até um certo tamanho - cerca de um quilómetro em diâmetro - a dinâmica de um disco protoplanetário regular os induziria a cair para a sua estrela hospedeira, nunca obtendo a massa necessária para formar planetas como Marte, Vénus e a Terra.

Os anéis densos de poeira que vemos agora com o ALMA produziriam um refúgio seguro para os mundos rochosos amadurecerem completamente. As suas densidades mais altas e a concentração de partículas de poeira criariam perturbações no disco, formando zonas onde os planetesimais teriam mais tempo para se tornarem em planetas plenamente desenvolvidos.

"Quando o ALMA realmente revelou as suas capacidades com a sua icónica imagem de HL Tau, tivemos que nos perguntar se era um 'outlier', já que o disco era comparativamente massivo e jovem," realça Laura Perez da Universidade do Chile e membro da equipa de pesquisa. "Estas últimas observações mostram que, embora impressionante, HL Tau está longe de ser invulgar e pode até representar a evolução normal de planetas em redor de estrelas jovens."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico - 1 (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
Artigo científico - 3 (arXiv.org)
Artigo científico - 4 (arXiv.org)
Artigo científico - 5 (arXiv.org)
Artigo científico - 6 (arXiv.org)
Artigo científico - 7 (arXiv.org)
Artigo científico - 8 (arXiv.org)
Artigo científico - 9 (arXiv.org)
Artigo científico - 10 (arXiv.org)
EurekAlert!
Astronomy Now
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Discos protoplanetários:
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Formação planetária (Wikipedia)

Exoplanetas:
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Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
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RECÉM-CHEGADA OSIRIS-REX JÁ DESCOBRIU ÁGUA NO ASTEROIDE BENNU
Este mosaico do asteroide Bennu é composto por 12 imagens da Polycam recolhidas no dia 2 de dezembro pela sonda OSIRIS-REx a 24 km.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dados recentemente analisados da missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA revelaram água em argilas que compõem o seu alvo científico, o asteroide Bennu.

Durante a fase de aproximação da missão, entre meados de agosto e o início de dezembro, a sonda viajou 2,2 milhões de quilómetros na sua jornada da Terra para alcançar uma posição a 19 km de Bennu no dia 3 de dezembro. Durante esse tempo, a equipa de cientistas na Terra apontou três dos instrumentos da nave para Bennu e começou a fazer as primeiras observações científicas do asteroide. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA de retorno de amostras de um asteroide.

Dados obtidos a partir de dois espectrómetros da sonda, o OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) e o OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer), revelaram a presença de moléculas que contêm átomos de oxigénio e hidrogénio ligados, conhecidos como "hidroxilos". A equipa suspeita que estes grupos hidroxilos existam globalmente no asteroide em minerais argilosos, o que significa que, em algum momento, o material rochoso de Bennu interagiu com água. Embora o próprio Bennu seja pequeno demais para abrigar água líquida, a descoberta indica que a água líquida estava presente num determinado ponto da história do corpo parente de Bennu, um asteroide muito maior.

"A presença de minerais hidratados no asteroide confirma que Bennu, um remanescente do início da formação do Sistema Solar, é um exemplo excelente para a missão OSIRIS-REx estudar a composição de voláteis e materiais orgânicos primitivos," afirma Amy Simon, cientista do instrumento OVIRS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Quando as amostras deste material chegarem à Terra em 2023, os cientistas receberão um tesouro de novas informações sobre a história e evolução do nosso Sistema Solar."

Além disso, os dados obtidos pela OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) corroboram as observações telescópicas terrestre de Bennu e confirmam o modelo original desenvolvido em 2013 pelo chefe da equipa científica da OSIRIS-REx, Michael Nolan, e colaboradores. Esse modelo previu com bastante precisão a forma real do asteroide: o diâmetro de Bennu, a rotação, a inclinação e a forma geral são quase como modelados.

Um "outlier" do modelo previsto da forma é o tamanho da grande rocha perto do polo sul de Bennu. O modelo, desenvolvido com base em observações terrestres, calculou que a rocha teria pelo menos 10 metros de altura. Os cálculos preliminares das observações da OCAMS mostram que o pedregulho está mais próximo dos 50 metros de altura, com uma largura de aproximadamente 55 metros.

O material à superfície de Bennu é uma mistura de regiões muito rochosas, cheias de pedregulhos e algumas regiões relativamente planas que não têm pedregulhos. No entanto, a quantidade de pedras à superfície é maior do que o esperado. A equipa fará observações adicionais a distâncias menores para avaliar com mais precisão o local onde poderá ser obtida a amostra para envio posterior para a Terra.

"Os nossos dados iniciais mostram que a equipa escolheu o asteroide correto como alvo da missão OSIRIS-REx. Ainda não descobrimos nenhum problema insuperável em Bennu," comenta Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson. "A sonda está bem de saúde e os instrumentos científicos estão a funcionar melhor do que o necessário. Agora é hora da nossa aventura começar."

A missão está atualmente a realizar um levantamento preliminar do asteroide, fazendo com que a sonda passe pelo polo norte, equador e polo sul de Bennu a distâncias de até 7 km para melhor determinar a massa do asteroide. Os cientistas e engenheiros da missão têm que conhecer a massa do asteroide a fim de projetar a inserção da nave em órbita porque a massa afeta a atração gravitacional do objeto. A determinação da massa de Bennu também ajudará a equipa científica a compreender a estrutura e composição do asteroide.

O levantamento também fornece a primeira oportunidade para o OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter), um instrumento fornecido pela Agência Espacial Canadiana, fazer observações, agora que a sonda está perto de Bennu.

A primeira inserção orbital da sonda está programada para dia 31 de dezembro e a OSIRIS-REx permanecerá em órbita até meados de fevereiro de 2019, quando sair para dar início a outra série de "flybys" para a próxima fase do levantamento. Durante a primeira fase orbital, a nave orbitará o asteroide a uma distância de 1,4-2 km do centro de Bennu - estabelecendo novos recordes para o corpo mais pequeno já orbitado por uma nave e a órbita mais próxima de um corpo planetário por qualquer sonda.

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
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HUBBLE ENCONTRA EXOPLANETA DISTANTE DESAPARECENDO A RITMO SEM PARALELO

A velocidade e a distância a que os planetas orbitam as suas respetivas estrelas pode determinar o destino de cada um - se permanece uma parte integrante do seu sistema solar ou se evapora mais rapidamente para o cemitério escuro do Universo.

Na sua busca por aprender mais sobre planetas distantes para lá do nosso próprio Sistema Solar, os astrónomos descobriram que um planeta de tamanho médio, com aproximadamente o tamanho de Neptuno, de nome GJ 3470b, está a evaporar 100 vezes mais depressa do que um planeta previamente descoberto de tamanho similar, chamado GJ 436b.

As descobertas, publicadas ontem na revista Astronomy & Astrophysics, avançam o conhecimento dos astrónomos sobre a evolução planetária.

Impressão de artista que mostra uma nuvem gigante de hidrogénio oriunda de um planeta quente, do tamanho de Neptuno, a apenas 97 anos-luz da Terra. O exoplaneta é minúsculo quando comparado com a sua estrela, uma anã vermelha de nome GJ 3470. A radiação intensa da estrela está a aquecer o hidrogénio na atmosfera superior do planeta até um ponto em que escapa para o espaço. O mundo alienígena está a perder hidrogénio a uma velocidade 100 vezes superior à de um exoplaneta parecido com Neptuno, previamente observado, cuja atmosfera também está a evaporar-se.
Crédito: NASA, ESA e D. Player (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esta é a prova de que os planetas podem perder uma parte significativa de toda a sua massa," comenta David Sing, professor emérito da Universidade Johns Hopkins e autor do estudo. "GJ 3470b está a perder mais massa do que qualquer outro planeta que vimos até agora; daqui a alguns milhares de milhões de anos, pode ter desaparecido metade do planeta."

O estudo faz parte do programa PanCET (Panchromatic Comparative Exoplanet Treasury), liderado por Sing, que visa medir as atmosferas de 20 exoplanetas no ultravioleta, no visível e no infravermelho enquanto orbitam as suas estrelas. O PanCET é o maior programa de observação exoplanetária a ser executado com o Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Uma questão de particular interesse para os astrónomos é como os planetas perdem a sua massa através da evaporação. Planetas como as "super" Terras e os Júpiteres "quentes" orbitam muito mais perto das suas estrelas e são, portanto, mais quentes, fazendo com que a camada mais externa das suas atmosferas seja "soprada" através de evaporação.

Embora estes exoplanetas maiores, do tamanho de Júpiter, e mais pequenos, do tamanho da Terra, sejam abundantes, os exoplanetas de tamanho médio, como Neptuno - cerca de quatro vezes o tamanho da Terra - são raros. Os investigadores levantam a hipótese de que estes Neptunos são despojados das suas atmosferas e, finalmente, tornam-se planetas mais pequenos. No entanto, é difícil testemunhar ativamente estas etapas porque só podem ser estudados no ultravioleta, o que limita os cientistas a estudar estrelas próximas a não mais do que 150 anos-luz da Terra e não obscurecidas por material interestelar. GJ 3470b está a 96 anos-luz de distância e orbita uma estrela anã vermelha na direção da constelação de Caranguejo.

Neste estudo, o Hubble descobriu que o exoplaneta GJ 3470b perdeu significativamente mais massa e tinha uma exosfera visivelmente menor do que o primeiro exoplaneta do tamanho de Neptuno estudado, GJ 436b, devido à sua menor densidade e ao recebimento de uma forte explosão de radiação da sua estrela hospedeira.

Cada ponto representa um exoplaneta, desenhado no gráfico de acordo com o seu tamanho e distância à estrela hospedeira. Os planetas do tamanho de Júpiter (localizados no topo do gráfico) e planetas do tamanho da Terra e os denominados super-Terras (em baixo) encontram-se perto e longe da estrela. Mas planetas do tamanho de Neptuno (meio do gráfico) não são encontrados normalmente perto da estrela-mãe. Estes mundos são raros, ou já foram comuns em determinada altura mas desde então desapareceram.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A densidade mais baixa de GJ 3470b faz com que seja incapaz de se agarrar gravitacionalmente à atmosfera aquecida e, enquanto a estrela que hospeda GJ 436b tem entre 4 e 8 mil milhões de anos, a estrela-mãe de GJ 3470b tem apenas 2 mil milhões de anos. Uma estrela mais jovem é mais ativa e poderosa e, portanto, tem mais radiação para aquecer a atmosfera do planeta.

A equipa de Sing estima que GJ 3470b possa já ter perdido até 35% da sua massa total e, daqui a alguns milhares de milhões de anos, todo o seu gás pode ser retirado, deixando para trás apenas um núcleo rochoso.

"Estamos a começar a melhor entender como os planetas se formam e quais as propriedades que influenciam a sua composição geral," explica Sing. "O nosso objetivo com este estudo e o abrangente programa PanCET é observar de modo geral as atmosferas destes planetas para determinar como cada um é afetado pelo seu próprio ambiente. Ao comparar planetas diferentes, podemos começar a juntar as peças do puzzle da sua evolução."

Olhando para o futuro, Sing e a sua equipa esperam estudar mais exoplanetas procurando hélio no infravermelho, o que permitirá um maior alcance de investigação do que a busca por hidrogénio na luz ultravioleta.

Atualmente, os planetas que são compostos na sua maioria por hidrogénio e hélio, só podem ser estudados através do rastreamento do hidrogénio no ultravioleta. Usando o Hubble, o Telescópio Espacial James Webb da NASA (que terá uma maior sensibilidade ao hélio), e um novo instrumento chamado Carmenes que Sing descobriu recentemente poder rastrear com precisão a trajetória dos átomos de hélio, os astrónomos serão capazes de ampliar a sua busca por planetas distantes.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/06/2015 - Hubble observa exoplaneta do tamanho de Neptuno que "sangra" atmosfera
03/01/2014 - Hubble vê super-mundos nublados

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Hubblesite (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
PHYSORG
ScienceDaily

GJ 3470b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

GJ 436b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Rosetta testemunha nascimento de frente de choque "bebé" em redor de cometa (via ESA)
Um novo estudo revela que, ao contrário das primeiras impressões, a Rosetta detetou, de facto, sinais de uma pequena frente de choque no cometa que explorou durante dois anos - o primeiro do seu tipo já detetado em qualquer objeto do Sistema Solar. Ler fonte
     
 

Juno a meio da sua missão em Júpiter (via NASA)
No dia 21 de dezembro, pelas 16:50 (hora portuguesa), a sonda Juno estará a 5053 km acima do topo das nuvens de Júpiter com uma velocidade de 207.287 km/h. Será a 16.ª passagem científica pelo gigante gasoso e assinala o ponto médio da recolha de dados da missão principal desta nave espacial movida a energia solar. Ler fonte

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O Primeiro "Selfie" do InSight
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
O módulo InSight da NASA não tem receio das câmaras. O "lander" usou uma câmara no seu braço robótico para tirar a sua primeira selfie - um mosaico composto por 11 imagens. Este é o mesmo processo usado pela missão do rover Curiosity da NASA, no qual são sobrepostas muitas exposições e depois unidas para formar uma única foto. No selfie podem ser vistos os painéis solares e todo o seu convés, incluindo os seus instrumentos científicos. Os membros da equipa também receberam o seu primeiro olhar completo do "espaço de trabalho" do InSight - um terreno em forma de crescente com aproximadamente 4 por 2 metros, diretamente em frente do módulo. Esta imagem é também um mosaico composto por 52 fotos individuais.
 

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