Dia 12/07: 193.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.
Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Em 2000, o módulo de serviço Zvezda, o terceiro componente e centro funcional da porção russa da ISS, é lançado a bordo de um foguetão Proton. Observações: A Lua forma esta noite um triângulo com Júpiter (para baixo e para a sua esquerda) e com Antares (para baixo).
Dia 13/07: 194.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano. Observações: Ocultação de Io, entre as 01:53 e as 04:10.
Eclipse de Io, entre as 02:35 e as 04:54.
A Lua e Júpiter atravessam hoje, juntos, o céu noturno. Durante a reunião deste mês, Júpiter está 1700 vezes mais distante do que o nosso satélite natural. De facto, a Lua tem mais ou menos o tamanho das quatro luas galileanas do gigante gasoso, meros pontinhos quando observados com binóculos ou com um pequeno telescópio. Esta noite, até às 23 horas, podem ser observados todos os quatro satélites jovianos. Io está sozinho num lado, Ganimedes, Europa e Calisto estão do outro.
Trânsito de Io, entre as 23:12 e as 01:29 (já de dia 14).
Dia 14/07: 195.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.
A New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte. Observações: Plutão em oposição, pelas 15:26.
Reparou que a Lua já se afastou de Júpiter? Está agora no ponto intermédio entre o maior gigante do Sistema Solar (para a sua direita) e o segundo maior gigante do Sistema Solar (Saturno, para a esquerda).
Dia 15/07: 196.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1943, nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.
Em 1972, a Pioneer 10 torna-se o primeiro objeto feito pelo Homem a viajar pela cintura de asteroides.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo (18, número não oficial) e Soyuz 19 que viriam a efetuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Foi a última missão de uma nave Apollo e da família de foguetões Saturn. Observações: A Lua continua a sua viagem por entre os dois planetas mais brilhantes (atualmente) do céu noturno. Esta noite está ainda mais próximo de Saturno.
Curiosidades
Uma anã branca de massa solar teria aproximadamente o diâmetro da Terra.
Cientistas identificam dois buracos negros supermassivos em rota de colisão
Par titânico: uma equipa de astrofísicos avistou um par de buracos negros supermassivos, mais ou menos a 2,5 mil milhões de anos-luz, em rota de colisão (inserção). O par pode ser usado para estimar quantas fusões detetáveis de buracos negros supermassivos existem no Universo atual e para prever quando terá lugar a primeira deteção histórica do "ruído" de fundo de ondas gravitacionais.
Crédito: Andy Goulding et al./The Astrophysical Journal Letters 2019
Astrónomos descobriram um par distante de buracos negros titânicos em rota de colisão. A massa de cada buraco negro é superior a 800 milhões de vezes a do nosso Sol. À medida que os dois se aproximam gradualmente numa espiral da morte, vão começar a libertar ondas gravitacionais que ondulam através do espaço-tempo. Estas ondulações cósmicas vão juntar-se ao ruído de fundo, ainda não detetado, das ondas gravitacionais de outros buracos negros supermassivos. Mesmo antes da colisão, as ondas gravitacionais que emanam do par de buracos negros supermassivos superam aquelas anteriormente detetadas pelas fusões de buracos negros e estrelas de neutrões muito menores.
"As colisões entre galáxias gigantes criam alguns dos ambientes mais extremos que conhecemos e devem, teoricamente, culminar no encontro de dois buracos negros supermassivos, de modo que foi incrivelmente excitante encontrar um par de buracos negros imensamente energéticos, tão próximos um do outro, nas nossas imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble," disse Andy Goudling, investigador de ciências astrofísicas da Universidade de Princeton, autor principal do artigo publicado no dia 10 de julho na revista The Astrophysical Journal Letters.
"Os binários compostos por buracos negros supermassivos produzem as ondas gravitacionais mais 'barulhentas' do Universo," disse a codescobridora e coautora, Chiara Mingarelli, cientista do Centro de Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron em Nova Iorque, EUA. As ondas gravitacionais de pares de buracos negros supermassivos "são um milhão de vezes mais fortes do que as detetadas pelo LIGO."
"Quando estes buracos negros supermassivos se fundem, criam um buraco negro centenas de vezes maior do que o que se encontra no centro da nossa própria Galáxia," comentou o estudante de Princeton, Kris Pardo, coautor do artigo.
Os dois buracos negros supermassivos são especialmente interessantes porque estão a cerca de 2,5 mil milhões de anos-luz da Terra. Dado que observar objetos distantes, em astronomia, é como olhar para trás no tempo, o par pertence a um Universo 2,5 mil milhões de anos mais jovem do que o nosso. Coincidentemente, é aproximadamente o mesmo tempo que os astrónomos estimam que os buracos negros devem levar para começar a produzir as poderosas ondas gravitacionais.
No Universo atual, os buracos negros já estão a emitir essas ondas gravitacionais, mas, mesmo à velocidade da luz, as ondas só cá chegarão daqui a milhares de milhões de anos. No entanto, o par ainda tem utilidade. A sua descoberta pode ajudar os cientistas a estimar quantos buracos negros supermassivos próximos estão a emitir ondas gravitacionais que podemos detetar agora.
A deteção do fundo de ondas gravitacionais ajudaria a responder algumas das maiores incógnitas da astronomia, como a frequência com que as galáxias se fundem e se os pares de buracos negros supermassivos sequer se fundem ou se ficam presos numa valsa quase infinita em torno um do outro.
"É um grande embaraço para astronomia, não sabermos se os buracos negros supermassivos se fundem," salientou Jenny Greene, professora de ciências astrofísicas em Princeton e coautora do artigo. "Para todos os que trabalham na física de buracos negros, observacionalmente, este é um enigma de longa data que precisamos de resolver."
Os buracos negros supermassivos podem conter milhões ou até milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol. Quase todas as galáxias, incluindo a nossa própria Via Láctea, contêm pelo menos um destes gigantes no seu núcleo. Quando as galáxias se fundem, os seus buracos negros supermassivos encontram-se e começam a orbitar-se um ao outro. Com o tempo, esta órbita fica mais pequena enquanto o gás e as estrelas passam entre os buracos negros e roubam energia.
No entanto, assim que os buracos negros supermassivos se aproximam demais, este roubo energético praticamente pára. Algumas teorias sugerem que ficam a mais ou menos 1 parsec (aproximadamente 3,2 anos-luz). Esta desaceleração dura quase indefinidamente e é conhecida como o "problema do parsec final". Neste cenário, apenas grupos muito raros de três ou mais buracos negros supermassivos resultam em fusões.
Os astrónomos não podem apenas procurar pares estagnados, porque muito antes dos buracos negros ficarem separados por 1 parsec, já estão demasiado perto um do outro para os distinguirmos como dois objetos separados. Além disso, só produzem ondas gravitacionais fortes quando superarem o obstáculo final do último parsec e ficarem ainda mais íntimos (observados como eram há 2,5 mil milhões de anos, os recém-descobertos buracos negros supermassivos estão separados por cerca de 430 parsecs).
Se o problema do parsec final não for, na realidade, um problema, então os astrónomos esperam que o Universo esteja repleto com o clamor de ondas gravitacionais de pares de buracos negros supermassivos no processo de fusão. "Este ruído é chamado de fundo de ondas gravitacionais e é um pouco como um coro caótico de grilos que cantam à noite," comentou Goulding. "Não conseguimos discernir um grilo do outro, mas o volume do barulho ajuda a estimar quantos grilos existem."
Se dois buracos negros supermassivos colidirem e se combinarem, o evento enviará um trovão estrondoso que diminuirá o coro de fundo - mas "ouvi-lo" não será tarefa fácil.
As ondas gravitacionais reveladoras geradas pela fusão de buracos negros supermassivos estão fora das frequências observáveis atualmente por experiências como o LIGO e Virgo, que já detetaram as fusões muito mais pequenas entre buracos negros e estrelas de neutrões. Os cientistas que caçam ondas gravitacionais maiores, como originárias de colisões entre buracos negros supermassivos, dependem de conjuntos de estrelas especiais chamadas pulsares que agem como metrónomos, enviando ondas de rádio num ritmo constante. Se uma onda gravitacional passageira esticar ou comprimir o espaço entre a Terra e o pulsar, o ritmo ficará ligeiramente diferente.
A deteção do fundo de ondas gravitacionais, usando um destes pulsares, requer paciência e uma abundância de estrelas monitorizadas. O ritmo de um único pulsar pode ser perturbado por apenas algumas centenas de nanossegundos ao longo de uma década. Quanto mais alto for o ruído de fundo, maiores serão as perturbações de temporização e mais rápida será a deteção.
Goulding, Greene e os outros astrónomos observacionais da equipa detetaram os dois titãs com o Telescópio Espacial Hubble. Embora os buracos negros supermassivos não sejam diretamente visíveis através de um telescópio ótico como o Hubble, são rodeados por aglomerados brilhantes de estrelas luminosas e gás quente atraídos pelo poderoso puxão gravitacional. Para o seu tempo na história, a galáxia que abriga o recém-descoberto par de buracos negros supermassivos "é basicamente a galáxia mais luminosa do Universo", realçou Goulding. Além disso, o núcleo da galáxia está a lançar duas plumas de gás extraordinariamente colossais. Quando apontaram o Hubble a fim de descobrir as origens das suas espetaculares nuvens de gás, os investigadores descobriram que o sistema não continha um, mas dois buracos negros massivos.
Os astrónomos observacionais juntaram-se aos físicos de ondas gravitacionais, Mingarelli e Pardo, para interpretar a descoberta no contexto do fundo de ondas gravitacionais. A descoberta fornece um ponto de ancoragem para estimar quantas fusões de buracos negros supermassivos estão dentro da distância de deteção da Terra. As estimativas anteriores basearam-se em modelos computacionais da frequência de fusões galácticas, em vez de observações reais de pares de buracos negros supermassivos.
Com base nos dados, Pardo e Mingarelli previram que, num cenário otimista, existem cerca de 112 buracos negros supermassivos próximos a emitir ondas gravitacionais. A primeira deteção do fundo de ondas gravitacionais de fusões de buracos negros supermassivos deve, portanto, surgir dentro de cinco anos. Se essa deteção não for feita, poderá ser evidência de que o problema do parsec final é intransponível. A equipa está atualmente a analisar outras galáxias parecidas àquela que abriga o novo binário composto por dois buracos negros supermassivos. A descoberta de pares adicionais ajudará os cientistas a aprimorar as suas previsões.
"Este é o primeiro exemplo encontrado de um par tão íntimo de buracos negros massivos, mas podem muito bem existir mais buracos negros supermassivos binários à espera de serem descobertos," comentou o coautor e professor Michael Strauss, vice-presidente do Departamento de Ciências Astrofísicas de Princeton. "Quanto mais pudermos aprender sobre a população de buracos negros em fusão, melhor podemos entender o processo de formação das galáxias e a natureza do fundo de ondas gravitacionais."
Novo método pode resolver a dificuldade de medir a expansão do Universo
Impressão de artista da explosão e do surto de ondas gravitacionais emitidas quando um par de estrelas de neutrões superdensas colidem. Novas observações com radiotelescópios mostram que estes eventos podem ser usados para medir o ritmo de expansão do Universo.
Crédito: NRAO/AUI/NSF
Usando radiotelescópios da NSF (National Science Foundation), os astrónomos demonstraram como uma combinação de observações de ondas gravitacionais e rádio, juntamente com uma modelagem teórica, pode transformar as fusões de pares de estrelas de neutrões numa "régua cósmica" capaz de medir a expansão do Universo e resolver uma questão pendente sobre o seu ritmo.
Os astrónomos usaram o VLBA (Very Long Baseline Array), o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e o GBT (Robert C. Byrd Green Bank Telescope) para estudar as consequências da colisão de duas estrelas de neutrões que produziram ondas gravitacionais detetadas em 2017. Este evento fornece uma nova maneira de medir o ritmo de expansão do Universo, conhecido pelos cientistas como a Constante de Hubble. O ritmo de expansão do Universo pode ser usado para determinar o seu tamanho e idade, além de servir como uma ferramenta essencial para interpretar observações de objetos noutras partes do Universo.
Dois métodos principais de determinação da Constante de Hubble usam as características da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, radiação remanescente do Big Bang, ou um tipo específico de explosões de supernova, de nome supernovas do Tipo Ia, no Universo distante. No entanto, estes dois métodos fornecem resultados diferentes.
"A fusão de estrelas de neutrões dá-nos uma nova maneira de medir a constante de Hubble e, esperançosamente, de resolver o problema," disse Kunal Mooley, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e do Caltech.
A técnica é semelhante à que usa explosões de supernova. Pensa-se que as explosões de supernova do Tipo Ia tenham todas um brilho intrínseco que pode ser calculado com base na velocidade com que crescem e diminuem de brilho. A medição deste brilho, a partir da Terra, indica-nos a distância da explosão de supernova. A medição do desvio Doppler da luz da galáxia hospedeira indica a velocidade a que a galáxia se está a afastar da Terra. A velocidade, dividida pela distância, produz a constante de Hubble. Para obter um valor preciso, têm que ser feitas muitas medições a distâncias diferentes.
Quando duas estrelas de neutrões colidem, produzem uma explosão e um surto de ondas gravitacionais. A forma do sinal da onda gravitacional diz aos cientistas quão "brilhante" foi esse surto de ondas gravitacionais. A medição do "brilho", ou intensidade das ondas gravitacionais recebidas na Terra, pode fornecer a distância.
"Este é um meio completamente independente de esclarecermos o verdadeiro valor da Constante de Hubble," disse Mooley.
Observações rádio de um jato de material expelido no rescaldo da fusão de duas estrelas de neutrões foram essenciais na determinação da orientação do plano orbital das estrelas antes da fusão e, assim sendo, do "brilho" das ondas gravitacionais emitidas na direção da Terra. Esta determinação torna estes eventos numa nova e importante ferramenta para medir o ritmo de expansão do Universo.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF
No entanto, há uma reviravolta. A intensidade das ondas gravitacionais varia com a sua orientação em relação ao plano orbital das duas estrelas de neutrões. As ondas gravitacionais são mais fortes na direção perpendicular ao plano orbital e mais fracas se o plano orbital estiver de lado, visto da perspetiva da Terra.
"A fim de usar as ondas gravitacionais para medir a distância, precisávamos de conhecer essa orientação," explicou Adam Deller, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.
Durante um período de meses, os astrónomos usaram os radiotelescópios para medir o movimento de um jato super-rápido de material ejetado da explosão. "Nós usámos estas medições, juntamente com simulações hidrodinâmicas detalhadas, para determinar o ângulo de orientação, permitindo assim a utilização das ondas gravitacionais para descobrir a distância," disse Ehud Nakar da Universidade de Tel Aviv.
Os cientistas dizem que esta única medição, de um evento a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra, ainda não é suficiente para resolver a incerteza, mas a técnica agora pode ser aplicada a futuras fusões de estrelas de neutrões detetadas com ondas gravitacionais.
"Pensamos que mais 15 eventos deste tipo, que podem ser observados tanto com ondas gravitacionais quanto em grande com radiotelescópios, podem resolver o problema," disse Kenta Hotokezaka, da Universidade de Princeton. "Este seria um avanço importante na nossa compreensão de um dos aspetos mais importantes do Universo," acrescentou.
A equipa científica internacional liderada por Hotokezaka divulgou os seus resultados num artigo publicado na revista Nature Astronomy.
Um novo plano para manter vivos os exploradores mais antigos da NASA
Impressão de artista de uma das sondas Voyager da NASA, incluindo a posição do instrumento CRS (cosmic ray subsystem). Ambas as Voyager foram lançadas com instrumentos CRS operacionais.
Crédito: NASA/JPL-Caltech; versão sem legendas
Com meticuloso planeamento e traços de criatividade, os engenheiros conseguiram manter as sondas Voyager 1 e 2 da NASA a trabalhar durante quase 42 anos - mais do que qualquer outra nave espacial na história. Para garantir que estas missões continuem a transmitir os melhores dados científicos possíveis das fronteiras do espaço, os engenheiros estão a implementar um novo plano. E isso envolve fazer escolhas difíceis, particularmente sobre instrumentos e propulsores.
Uma questão fundamental é que ambas as Voyager, lançadas em 1977, têm cada vez menos energia disponível para fazer trabalhar os seus instrumentos científicos e os aquecedores que os mantêm aquecidos no frio do espaço profundo. Os engenheiros tiveram que decidir que partes obteriam energia e quais partes teriam que ser desligadas em ambas as naves espaciais. Mas essas decisões têm que ser tomadas mais cedo para a Voyager 2 do que para a Voyager 1, porque a Voyager 2 tem mais um instrumento científico a recolher dados - e a necessitar de energia - do que a sua irmã.
Depois de longas discussões com a equipa de cientistas, os gerentes da missão desligaram recentemente um aquecedor do instrumento CRS (cosmic ray subsystem) na Voyager 2 como parte do novo plano de gestão energética. O instrumento de raios cósmicos desempenhou um papel crucial no passado mês de novembro ao determinar que a Voyager 2 havia saído da heliosfera, a bolha protetora criada por um fluxo constante (ou vento) de partículas ionizadas do Sol. Desde então, as duas Voyager têm enviado detalhes sobre como a nossa heliosfera interage com o vento que flui do espaço interestelar, o espaço entre as estrelas.
As descobertas da missão Voyager não fornecem apenas observações de um território verdadeiramente desconhecido, como também nos ajudam a entender a própria natureza da energia e da radiação no espaço - informações importantes para proteger as missões e os astronautas da NASA, mesmo quando mais perto de casa.
Os membros da equipa podem agora confirmar preliminarmente que o instrumento de raios cósmicos da Voyager 2 ainda está a transmitir dados, apesar de descer para uns frios -59º C. Esta temperatura é inferior à temperatura na qual o CRS foi testado há mais de 42 anos (até -45º C). Outro instrumento da Voyager também continuou a funcionar durante anos depois de cair abaixo das temperaturas para o qual foi testado.
"É incrível que os instrumentos das Voyager sejam tão resistentes," disse Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Estamos orgulhosos por terem resistido ao teste do tempo. As longas vidas das sondas significam que estamos a lidar com cenários que nunca pensámos encontrar. Vamos continuar a explorar todas as opções que temos para manter as Voyager a fazer o seu melhor trabalho científico possível."
A Voyager 2 continua a transmitir dados de cinco instrumentos enquanto viaja pelo espaço interestelar. Além do instrumento de raios cósmicos, que deteta partículas em rápido movimento que podem ser originários do Sol ou de fontes externas ao Sistema Solar, a sonda opera dois instrumentos dedicados ao estudo do plasma (um gás no qual os átomos foram ionizados e os eletrões flutuam livremente) e um magnetómetro (que mede campos magnéticos) para estudar as esparsas nuvens de material no espaço interestelar.
Recolhendo dados de uma série de direções, o instrumento de partículas carregadas de baixa energia é particularmente útil para estudar a transição da sonda para longe da nossa heliosfera. Dado que o CRS só pode observar apenas em certas direções fixas, a equipa científica da Voyager decidiu desligar primeiro o aquecedor do CRS.
A Voyager 1, que cruzou o espaço interestelar em agosto de 2012, continua também a recolher dados do seu instrumento de raios cósmicos, além de um instrumento de plasma, do magnetómetro e do instrumento de partículas carregadas de baixa energia.
Porquê desligar os aquecedores?
Lançadas separadamente em 1977, as duas Voyager estão agora a 18 mil milhões de quilómetros do Sol e longe do seu calor. Os engenheiros têm que controlar cuidadosamente a temperatura em ambas as naves espaciais, a fim de mantê-las em funcionamento. Por exemplo, se as linhas de combustível que alimentam os propulsores que mantêm as espaçonaves orientadas congelarem, as antenas das Voyager podem deixar de apontar para a Terra. Isso impediria que os engenheiros enviassem comandos ou recebessem dados científicos. De modo que as sondas foram construídas para se aquecerem.
Mas os aquecedores - e os instrumentos - requerem energia, energia esta que está constantemente a diminuir nas duas Voyager.
Cada uma das sondas é alimentada por três RTGs ("radioisotope thermoelectric generators", em português "geradores termoelétricos de radioisótopos"), que produzem calor através do decaimento natural de radioisótopos de plutónio-238 e convertem esse calor em energia elétrica. Dado que a energia térmica do plutónio nos RTGs diminui e a sua eficiência interna diminui com o tempo, cada sonda perde, a cada ano, cerca de 4 watts na sua produção energética. Isto significa que os geradores produzem cerca de 40% menos energia do que durante o lançamento há quase 42 anos, limitando o número de sistemas que podem ser executados na nave.
O novo plano de gestão energética da missão explora várias opções para lidar com a diminuição de energia em ambas as naves, incluindo o desligar de aquecedores adicionais nos próximos anos.
Dando nova vida a propulsores velhos
Outro desafio enfrentado pelos engenheiros é a gestão da degradação de alguns dos propulsores das sondas, que disparam em pulsos minúsculos, a fim de girar subtilmente as naves. Isto tornou-se um problema em 2017, quando os controladores da missão notaram que um conjunto de propulsores na Voyager 1 precisava de efetuar mais pulsos para manter a antena da sonda apontada para a Terra. Para garantir que continuava com uma orientação adequada, a equipa ligou outro conjunto de propulsores na Voyager 1 que já não eram usados há 37 anos.
Os atuais propulsores da Voyager 2 também começaram a degradar-se. Os gerentes da missão decidiram ligar este mês os propulsores homólogos. A Voyager 2 usou estes propulsores (conhecidos como propulsores de manobras de correção de trajetória) pela última vez durante o seu encontro com Neptuno em 1989.
Muitos quilómetros a percorrer antes de descansarem
O plano dos engenheiros para lidar com a perda energética e com o envelhecimento da Voyager 1 e 2 deverá garantir que possam continuar a recolher dados do espaço interestelar por vários anos. Os dados das Voyager continuam a fornecer aos cientistas observações nunca antes vistas da nossa fronteira com o espaço interestelar, complementando a IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA, uma missão que está a detetar remotamente esse limite. A NASA também está a preparar a IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe), com lançamento previsto para 2024, a fim de capitalizar as observações das Voyager.
"Ambas as sondas Voyager estão a explorar regiões nunca antes visitadas, de modo que todos os dias são dias de descoberta," disse Ed Stone, cientista do projeto Voyager no Caltech. "A missão Voyager vai continuar a surpreender-nos com novas informações sobre o espaço profundo."
Sucesso do segundo pouso da Hayabusa2 (via JAXA)
A sonda Hayabusa2 fez uma aterragem "perfeita" no distante asteroide Ryugu, recolhendo amostras da subsuperfície numa missão sem precedentes que poderá lançar luz sobre as origens do Sistema Solar. Ler fonte
Álbum de fotografias - Halo do Fantasma de Júpiter
Imagens de NGC 3242 mostram o véu de uma estrela moribunda parecida com o Sol, conhecida como Nebulosa do Fantasma de Júpiter. Mas esta vista telescópica, profunda e abrangente, também mostra o halo externo raramente observado da nebulosa planetária, em direção às estrelas da Via Láctea e a galáxias no plano de fundo da constelação de Hidra. A intensa radiação ultravioleta, de outro modo invisível, oriunda da estrela anã branca central da nebulosa, alimenta o seu brilho ilusório no visível. De facto, os planetas da estrela anã branca evoluída de NGC 3242 podem ter contribuído para as características e para a forma simétrica da nebulosa. A atividade, tendo início na fase de gigante vermelha da estrela, muito antes de produzir uma nebulosa planetária, é provavelmente a razão para o halo mais extenso e mais fraco. O objeto astronómico mede aproximadamente um ano-luz de diâmetro e encontra-se a 4500 anos-luz de distância. As ténues nuvens de material incandescente, à direita, podem muito bem ser gás interestelar, por acaso perto o suficiente da anã branca de NGC 3242 para serem energizadas pela sua radiação ultravioleta.
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