E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 608
De 16/12 a 17/12/2009
 
 
 

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Nascimento de Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Observações: Lua Nova, pelas 12:04.

Dia 17/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, voo 11 P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.

Observações: Aproveite a noite para fazer umas fotos da Grande Nebulosa de Orionte.

 
 
  Embora a previsão dos eclipses começasse a ser feita na antiga Mesopotâmia, a primeira previsão de eclipse que não atribuía qualquer carácter místico ou sagrado ao fenómeno foi feita por Tales de Mileto em 585 a.C., supostamente por análise das regularidades dos eclipses descoberta por Tales nas suas viagens entre os Caldeus.

Embora o eclipse se tenha concretizado, existem muitas dúvidas que a matemática que permitiu a previsão a Tales, pudesse permitir a exactidão que se infere de muitos textos históricos e filosóficos. Provavelmente haveria, à semelhança do que ocorria na Mesopotâmia, uma janela temporal de probabilidade de ocorrência, tendo a coincidência exacta, a ter ocorrido, sido meramente fortuita.
 
 
AIA 2009
 
 
  DISCOS PROTOPLANETÁRIOS NA NEBULOSA DE ORIONTE  
 

Uma colecção de 30 imagens, nunca-antes-vistas, de sistemas planetários embriónicos na Nebulosa de Orionte, são o ponto alto do projecto mais longo do Hubble já dedicado ao tópico da formação estelar e planetária. Também conhecidos como discos protoplanetários, estes modestos "borrões" rodeiam estrelas bebés e ajudam os astrónomos a perceber o mecanismo por trás da formação planetária. Apenas o Telescópio Hubble da NASA/ESA, com a sua altíssima resolução e sensibilidade, é capaz de obter imagens tão detalhadas de discos circunstelares em comprimentos de onda visíveis.

Parecida com uma graciosa aquarela, a Nebulosa de Orionte é um dos objectos mais fotogénicos do céu e um dos alvos favoritos do Hubble. À medida que estrelas recém-nascidas surgem da mistura de gás e poeira da nebulosa, discos protoplanetários, também conhecidos como "proplyds", formam-se em seu redor: o centro do disco em rotação aquece e torna-se numa nova estrela, mas os restos de material à sua volta atraem poeira e agregam-se. Pensa-se que os proplyds sejam jovens sistemas planetários em formação. Num ambicioso estudo da famosa nebulosa, usando a câmara ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble, os cientistas descobriram 42 discos protoplanetários.

Localização, dentro de M42, de alguns dos discos protoplanetários descobertos.
Crédito: NASA/ESA e L. Ricci (ESO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Visível a olho nu, a Nebulosa de Orionte é conhecida desde a Antiguidade, mas foi descrita pela primeira vez só em meados do século XVII pelo astrónomo francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc - que detém o crédito da sua descoberta. A 1500 anos-luz de distância, a nebulosa, também conhecida como M42, é a região de formação estelar mais próxima da Terra, e contém estrelas massivas o suficiente para aquecer o gás em redor, inflamando-o de cor, e fazendo com que a região sobressaia no céu.

Nos contornos gasosos de Orionte, os investigadores identificaram dois tipos diferentes de discos em torno de estrelas jovens e em formação: aqueles que se situam perto da estrela mais brilhante do enxame (Theta 1 Orionic C) e aqueles mais distantes. Esta brilhante estrela aquece o gás dos discos vizinhos, fazendo com que brilhem significativamente. Os discos mais longínquos não recebem radiação energética suficiente da estrela para aquecer o gás e por isso podem apenas ser detectados como silhuetas escuras contra o pano de fundo da brilhante nebulosa, pois a poeira que os rodeia absorve luz visível. Ao estudar este discos em silhueta, os astrónomos são capazes de melhor caracterizar as propriedades dos grãos de poeira, que se pensa unirem e possivelmente formarem planetas como o nosso.

Este novo atlas contém 30 proplyds, ou discos protoplanetários, recentemente descobertos na majestosa Nebulosa de Orionte, usando o Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: NASA/ESA e L. Ricci (ESO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os discos mais brilhantes são indicados por uma extremidade brilhante no material excitado na direcção da estrela brilhante, mas que nós vemos numa orientação aleatória dentro da nebulosa, alguns de lado e outros de cima, por exemplo. Outras características interessantes realçam a aparência destes objectos cativantes, tais como jactos de matéria e ondas de choque. As dramáticas ondas de choque formam-se quando o vento estelar da massiva estrela vizinha colide com o gás na nebulosa, esculpindo "boomerangs", flechas, e até no caso de 181-825, uma medusa espacial!

A observação de proplyds no visível é extremamente rara, mas a alta resolução e sensibilidade do Hubble, em conjunto com a proximidade de M42, permite a captura de imagens detalhadas destes potenciais sistemas planetários.

Este atlas de discos protoplanetários é o primeiro resultado científico do Programa de Tesouro do Hubble, em relação à Nebulosa de Orionte. Estes programas são feitos para permitir aos cientistas estudos compreensivos ao longo de grandes períodos de tempo, dado que este recurso, altamente valioso no Hubble, é rigorosamente repartido. As imagens em alta-resolução de discos protoplanetários servem como o exemplo de uma descoberta científica que levou ao desenvolvimento de melhores tecnologias e é um dos estudos científicos principais do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), um dos maiores projectos de astronomia terrestre da próxima década. O ALMA irá observar a poeira em maiores comprimentos de onda, em emissão (em vez de absorção como vemos no visível) e com uma resolução angular 10 vezes melhor que a do Hubble.

Links:

Notícias relacionadas:
Site europeu do Hubble (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG.com
Science Daily
MSNBC

Nebulosa de Orionte (M42):
Wikipedia
SEDS
Alien Worlds

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
ESA
STScI
Wikipedia

Atacama Large Milimeter Array:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
  NOVAS DESCOBERTAS PLANETÁRIAS SUGEREM QUE PLANETAS DE BAIXA-MASSA SÃO COMUNS EM ESTRELAS VIZINHAS  
 

Uma equipa internacional de caçadores de planetas descobriu seis planetas de baixa-massa em torno de duas vizinhas estrelas tipo-Sol, incluíndo duas "super-Terras" com 5 e 7,5 vezes a massa da Terra. Os investigadores, liderados por Steven Vogt da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, EUA, e Paul Butler do Instituto Carnegie em Washington, afirmam que as duas "super-Terras" são as primeiras descobertas em torno de estrelas tipo-Sol.

"Estas descobertas indicam que os planetas de baixa-massa são bastante comuns em torno de estrelas próximas. A descoberta de mundos vizinhos potencialmente habitáveis pode estar a meros anos," disse Vogt, professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade da Califórnia.

A equipa descobriu os novos sistemas planetários através da combinação de dados recolhidos pelo Observatório Keck no Hawaii e pelo Telescópio Anglo-Australiano em Nova Gales do Sul, Austrália. Dois artigos científicos descrevendo os planetas foram aceites para publicação no Astrophysical Journal.

Três dos novos planetas orbitam a brilhante estrela 61 Virginis, que pode ser observada à vista desarmada sob céus escuros, na constelação primaveril de Virgem. Os astrónomos e astrobiólogos há muito que se sentiam fascinados por esta estrela em particular, que está a apenas 28 anos-luz de distância. Entre as centenas de vizinhos estelares, 61 Vir sobressai como sendo a mais parecida com o Sol em termos de idade, massa e outras propriedades essenciais. Vogt e seus colaboradores descobriram que 61 Vir contém pelo menos três planetas, com massas que variam entre as 5 e as 25 massas da Terra.

61 Virginis é apenas uma das várias estrelas verdadeiramente tipo-Sol, que podem ser observadas a olho nu. Os astrónomos descobriram três planetas com baixa-massa em órbita da estrela.
Crédito: SkyView, NASA
 

Recentemente, uma outra equipa de astrónomos usou o Telescópio Espacial Spitzer da NASA para descobrir que 61 Vir também contém um espesso anel de poeira a uma distância aproximadamente duas vezes a distância entre Plutão e o Sol. A poeira é aparentemente criada por colisões de corpos cometários nas frias e longínquas regiões do sistema.

"A detecção de poeira fria pelo Spitzer, em órbita de 61 Vir, indica a existência de uma afinidade real entre o Sol e 61 Vir," afirma Eugenio Rivera, investigador pósdoutoral da Universidade da Califórnia. Rivera estudou um grande conjunto de simulações numéricas para descobrir que um mundo tipo-Terra, habitável, poderia facilmente existir na região ainda inexplorada entre os planetas recém-descobertos e o disco exterior de poeira.

De acordo com Vogt, o sistema planetário 61 Vir é um excelente candidato para o estudo do novo Telecópio APF (Automated Planet Finder), recentemente construído no Observatório Lick em Mount Hamilton. "Escusado será dizer, estamos muito excitados por continuar a estudar este sistema com o APF," acrescenta Vogt, investigador principal para o APF, que está também a construír um espectómetro para o novo telescópio, optimizado para a descoberta de planetas.

O segundo sistema recém-descoberto pela equipa contém um planeta com 7,5 vezes a massa da Terra, em órbita de HD 1461, outro gémeo quase perfeito do Sol localizado a 76 anos-luz de distância. Pelo menos um e outros dois possíveis candidatos orbitam a estrela. Situada na constelação de Baleia, HD 1461 pode ser também oservada a olho nu sob condições escuras.

Este planeta, denominado HD 1461b, tem uma massa quase intermédia entre a Terra e Urano. Os investigadores dizem que não conseguem ainda determinar se HD 1461b é uma versão ampliada da Terra, composta na sua maioria por rocha e ferro, ou se tal como Urano e Neptuno, é composto sobretudo por água.

Butler diz que as novas detecções requerem instrumentos e técnicas topo-de-gama. "O planeta mais interior de 61 Vir está entre os dois ou três sinais planetários de menor amplitude, já identificados com níveis de confiança. Descobrimos que existe uma enorme vantagem em combinar dados do AAT e dos telescópios Keck, dois observatórios de classe mundial, e está claro que teremos uma excelente hipótese para identificar planetas potencialmente habitáveis em torno das estrelas mais próximas em apenas poucos anos."

Esta imagem de uma simulação de fluxo atmosférico mostra os padrões de temperatura num dos planetas recém-descobertos (61 Vir b), que é quente o suficiente para brilhar graças à sua própria emissão térmica.
Crédito: J. Langton, Principia College
 

As descobertas em 61 Vir e HD 1461 fazem parte de uma grande quantidade de descobertas recentes, que alteraram o pensamento convencional acerca da detecção planetária. No último ano, tornou-se evidente que planetas em órbita de vizinhos do Sol são extremamente comuns. De acordo com Butler, as indicações actuais dizem que metade das estrelas mais próximas têm um planeta detectável com massa igual ou menor à de Neptuno.

A equipa de estudo liderada por Vogt e Butler fez medições da velocidade radial com telescópios terrestres para detectar a "oscilação" induzida numa estrela pela força gravitacional de um planeta em órbita. As observações foram complementadas com medições precisas do brilho obtidas com telescópios robóticos no Arizona, por Gregory Henry da Universidade Estatal do Tennessee.

"Não vemos qualquer variabilidade no brilho das estrelas," afirma Henry. "Isto assegura-nos que as oscilações são realmente devidas a planetas e não a padrões alternantes, como manchas estelares."

De acordo com Gregory Laughlin, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia, graças ao melhoramento do equipamento e das técnicas de observação, estes métodos terrestres são agora capazes de descobrir objectos de massa terrestre em estrelas próximas do Sol.

"Estamos agora numa corrida renhida, no que respeita aos primeiros planetas potencialmente habitáveis serem descobertos no chão ou no espaço," afirma Laughlin. "Há alguns anos, tinha colocado o meu dinheiro nos métodos de detecção espacial, mas agora parece que há uma incerteza. O que é verdadeiramente excitante acerca do método de velocidade radial terrestre é que é capaz de localizar os planetas potencialmente habitáveis mais próximos."

Links:

Notícias relacionadas:
UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)
AAT (comunicado de imprensa)
Observatório Keck (comunicado de imprensa)
Universe Today
Science Daily
Discover
PHSORG.com
SPACE.com

61 Virginis:
Wikipedia
SolStation

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Anglo-Australiano:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
NASA
Centro Espacial Spitzer
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Fermi observa blazar mais brilhante (via NASA)
Uma galáxia localizada a milhares de milhões de anos-luz de distância está comandando a atenção do Telescópio Espacial de Raios-Gama, Fermi, e de astrónomos por todo o mundo. Graças a uma série de fulgores que começaram a 15 de Setembro, a galáxia é agora mais brilhante em raios-gama -- mais de dez o brilho que tinha no Verão. [Ler fonte]

VISTA: novo telescópio pioneiro de rastreio começa operações (via ESO)
Um novo telescópio - VISTA (the Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) — começou a trabalhar no Observatório Paranal do ESO e fez a sua primeira divulgação de imagens. O VISTA é um telescópio de rastreio que trabalha nos comprimentos de onda do infravermelho e é o maior telescópio do mundo dedicado ao mapeamento do céu. O seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores extremamente sensíveis dar-nos-ão uma visão completamente nova do céu meridional. Novas imagens espectaculares da Nebulosa da Chama, do Centro da nossa Via Láctea e do Enxame de Galáxias Fornax mostram que o telescópio se encontra a funcionar muitíssimo bem. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Pôr-da-Lua em Hong Kong - Crédito: Wah!  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Será que as estrelas parecem mais ténues perto do horizonte? Sim -- o ar atmosférico absorve e reirradia luz, por isso quanto maior a massa de ar que percorre, mais ténue vai parecer um objecto. Na imagem com vários "frames", estrelas, o planeta Júpiter, e até a Lua mostram os efeitos atenuantes da atmosfera quase-transparente perto do horizonte. A imagem foi obtida há cerca de três semanas em Hong Kong, China. O risco mais brilhante perto do centro é a Lua, enquanto finas nuvens intermitentes dispersam por vezes luz lunar num halo maior. Júpiter põe-se mesmo para a direita da Lua. Os traços ténues que cortam a imagem horizontalmente foram provocados por aviões. O traço estranho e brilhante, com eixos múltiplos, por cima da casa, é o descolar de um helicóptero. Um observador astuto irá notar os ténues raios emanados do horizonte. A sua causa é desconhecida, mas podem ser raios crepusculares provocados pelo Sol brilhando através de lacunas nas espessas nuvens.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt