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O MAGMA FAZ COM QUE SISMOS ABALEM O PLANETA VERMELHO
5 de abril de 2022

 


A estrutura interna de Marte.
Crédito: Shutterstock/Vadim Sadovski

 

Investigadores da Universidade Nacional Australiana sugerem que a atividade vulcânica sob a superfície de Marte pode ser responsável pelo desencadeamento de sismos repetitivos, semelhantes aos sismos na Terra, numa região específica do Planeta Vermelho.

Uma nova investigação publicada na revista Nature Communications mostra que cientistas da Universidade Nacional Australiana e da Academia Chinesa de Ciências de Pequim descobriram 47 sismos anteriormente não detetados sob a crosta marciana, numa área chamada Cerberus Fossae - uma região sismicamente ativa em Marte com menos de 20 milhões de anos.

Os autores do estudo especulam que a atividade magmática no manto marciano, que é a camada interior de Marte que se encontra entre a crosta e o núcleo, é a causa destes sismos recentemente detetados.

Os resultados sugerem que o magma no manto marciano ainda está ativo e é responsável pelos sismos vulcânicos, ao contrário do pensamento anterior dos cientistas de que estes eventos são provocados por forças tectónicas marcianas.

Segundo o geofísico e professor Hrvoje Tkalčić, da Universidade Nacional Australiana, a natureza repetitiva destes tremores e o facto de terem sido todos detetados na mesma área do planeta sugere que Marte é mais sismicamente ativo do que os cientistas pensavam anteriormente.

"Verificámos que estes sismos ocorreram repetidamente em todas as alturas do dia marciano, enquanto os sismos detetados e relatados pela NASA no passado pareciam ter ocorrido apenas durante a calada da noite, quando o planeta está mais calmo," disse o professor Tkalčić.

"Portanto, podemos assumir que o movimento da rocha derretida no manto marciano é o gatilho para estes 47 sismos recentemente detetados sob a região de Cerberus Fossae."

O professor Tkalčić disse que a sismicidade contínua sugere que a região de Cerberus Fossae em Marte é "sismicamente muito ativa".

"Saber que o manto marciano ainda está ativo é crucial para a nossa compreensão de como Marte evoluiu como um planeta," disse.

"Pode ajudar-nos a responder a estas questões fundamentais sobre o Sistema Solar, sobre o estado do núcleo e do manto de Marte e sobre a evolução do seu campo magnético atualmente em falta."

Os investigadores utilizaram dados recolhidos a partir de um sismómetro ligado ao módulo InSight da NASA, que tem vindo a recolher dados sobre sismos, sobre o clima marciano e sobre o interior do planeta desde que pousou no Planeta Vermelho em 2018.

Usando um algoritmo único, os investigadores puderam aplicar as suas técnicas aos dados da NASA para detetar os 47 sismos anteriormente não descobertos.

Os autores do estudo dizem que enquanto os sismos teriam provocado alguns abalos em Marte, os eventos sísmicos eram relativamente pequenos em magnitude e mal seriam sentidos se tivessem ocorrido na Terra. Os tremores foram detetados durante um período de cerca de 350 sols - um termo usado para se referir a um dia solar em Marte - o que equivale a cerca de 359 dias na Terra.

De acordo com o professor Tkalčić, os achados sísmicos podem ajudar os cientistas a descobrir porque é que o Planeta Vermelho já não tem um campo magnético.

"Os sismos marcianos ajudam-nos indiretamente a compreender se a convecção está a ocorrer no interior do planeta e, se esta convecção estiver de facto a ocorrer, o que os nossos achados sugerem, então deve haver outro mecanismo em jogo que está a impedir que um campo magnético se desenvolva em Marte," explicou.

"Toda a vida na Terra é possível graças ao campo magnético da Terra e à sua capacidade de nos proteger da radiação cósmica, pelo que sem um campo magnético a vida como a conhecemos simplesmente não seria possível.

"Portanto, compreender o campo magnético de Marte, como evoluiu e em que fase da história do planeta parou, é obviamente importante para futuras missões e crítico se os cientistas esperam um dia estabelecer vida humana em Marte."

 

 

// Universidade Nacional Australiana (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

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