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Edição n.º 1117
21/11 a 24/11/2014
 
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28/11/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/11: 325.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, é publicado o artigo de Einstein que revela a relação entre a energia e a massa. Isto leva à fórmula da equivalência massa-energia, E=mc^2.

Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72.
Observações: Parece que já é noite demasiado cedo? Tem razão! Ainda estamos a um mês do solstício de Inverno (para o Hemisfério Norte), mas o Sol põe-se o mais cedo possível no dia 7 de Dezembro, e de momento está a cinco minutos dessa hora (a latitudes perto dos 40º).

Dia 22/11: 326.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 nasce Chad Trujillo, co-descobridor do planeta anão Éris.

Observações: Lua Nova, pelas 12:34.

Dia 23/11: 327.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Observações: Eclipse de Europa, entre as 01:57 e as 04:54.
Ocultação de Europa, entre as 04:23 e as 07:21.
Bem alto a Nordeste, o padrão em forma de W da Cassiopeia apoia-se num canto ao anoitecer. Quando isto acontece, a pequena "pega" da Ursa Menor (para baixo e para a esquerda de Cassiopeia) encontra-se para a esquerda da Estrela Polar,

Dia 24/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639, Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: Eclipse de Io, entre as 03:11 e as 05:35.
Ocultação de Io, entre as 04:28 e as 06:49.

 
CURIOSIDADES


O Sol produz tanta energia, que a cada segundo o seu núcleo liberta o equivalente a 100 mil milhões bombas nucleares.

 
PRIMEIROS RESULTADOS CIENTÍFICOS DO PHILAE

Uma aterragem caótica e descontrolada. Preso à sombra de um penhasco sem luz solar. O Philae e a equipa resistiram. Com apenas 60 horas de bateria, o módulo perfurou, martelou e recolheu dados científicos da superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko antes de entrar em hibernação. Aqui está o que sabemos até agora.

O Philae inclui um conjunto cuidadosamente seleccionado de instrumentos com o objectivo de analizar a superfície de um cometa.
Crédito: ESA, composição - T. Reyes
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar das aparências, o cometa é duro como gelo. A equipa responsável pelo instrumento MUPUS (Multi-Purpose Sensors for Surface and Sub-Surface Science) martelou uma sonda tanto quanto podiam na pele do 67P mas apenas escavaram poucos milímetros.

"Embora o poder do martelo tivesse aumentado gradualmente, não fomos capazes de ir fundo na superfície," afirma Tilman Spohn do Instituto DLR de Pesquisa Planetária, que lidera a equipa de pesquisa. "Se compararmos os dados com medições de laboratório, pensamos que a sonda encontrou uma superfície dura com uma força comparável à de gelo sólido," acrescenta. Isto não é surpreendente, já que o gelo é o principal constituinte dos cometas, mas grande parte de 67P/C-G aparece coberta por poeira, levando alguns a acreditar que a superfície era mais suave e macia que a que o Philae encontrou.

Este achado foi confirmado pela experiência SESAME (Surface Electrical, Seismic and Acoustic Monitoring Experiment), onde a força do gelo coberto por poeira directamente por baixo do Philae era "surpreendentemente elevada" de acordo com Klaus Seidensticker do Instituto DLR. Os outros dois instrumentos SESAME mediram uma baixa actividade de vaporização e uma grande quantidade de água gelada por baixo do módulo de aterragem.

No que diz respeito à temperatura do cometa, o mapeador térmico MUPUS trabalhou durante a descida e em todos os três poisos. No local final, o MUPUS registou uma temperatura de -153º C perto do chão do Philae antes do instrumento ser implantado. Os sensores desceram uns adicionais 10º C ao longo de um período de cerca de meia-hora.

"Nós pensamos que isto ou é devido a uma transferência radioactiva de calor para a parede fria vista nas imagens CIVA ou porque a sonda foi empurrada para uma pilha de poeira fria," afirma Jörg Knollenberg, cientista do instrumento MUPUS no DLR. Depois de olhar para ambos os dados do sensor de temperatura e do martelo, a conclusão preliminar da equipa do Philae é que as camadas superiores da superfície do cometa estão cobertas por poeira entre 10-20 cm, sobrepondo gelo firme ou misturas de gelo e poeira.

A câmara ROLIS (ROsetta Lander Imaging System) tirou fotos detalhadas durante a primeira descida até ao local de pouso em Agilkia. Mais tarde, quando o Philae fez a sua aterragem final, o ROLIS capturou imagens da superfície de perto. Estas fotos, que ainda não foram publicadas, foram obtidas a partir de um ponto de vista diferente do conjunto de fotografias panorâmicas já recebidas do sistema de câmaras CIVA.

Durante o tempo activo do Philae, a Rosetta usou o instrumento CONSERT (COmet Nucleus Sounding Experiment by Radio wave Transmission) para transmitir um sinal de rádio ao módulo de aterragem, enquanto se encontravam em lados opostos do núcleo do cometa. O Philae então retransmitiu um segundo sinal através do cometa de volta à Rosetta. Esta instrução foi repetida 7500 vezes por cada órbita da Rosetta de modo a construir uma imagem tridimensional do interior do 67P/C-G, um "TAC" do outro mundo, por assim dizer. Estas medições foram feitas até que o Philae entrou em hibernação. No interior do cometa o gelo torna-se mais poroso, como revelado por medições feitas pela sonda.

O último dos 10 instrumentos a bordo do Philae a ser activado foi o SD2 (Sampling, Drilling and Distribution subsystem), desenhado para recolher amostras de solo para os instrumentos COSAC e PTOLEMY. Os cientistas têm a certeza que a broca foi activada e que foram realizados todos os passos para mover uma amostra para o "forno" adequado ao cozimento, mas os dados de momento são incertos. O COSAC, no entanto, funcionou como o planeado e foi capaz de "cheirar" a atmosfera rarefeita do cometa e detectar as primeiras moléculas orgânicas. A investigação para determinar se os compostos são simples, como metanol ou amónia, ou se são mais complexos, como aminoácidos, está em andamento.

Stephan Ulamec, gestor do Philae, está confiante de que iremos retomar contacto com o Philae em 2015, quando o ângulo do Sol na "pele" do cometa tiver mudado para melhor iluminar os painéis solares do módulo de aterragem. A equipa conseguiu girar o Philae durante a noite de 14 para 15 de Novembro, de modo que o maior painel solar está agora alinhado para o Sol. Uma vantagem deste local à sombra é que o Philae tem menos probabilidade de sobreaquecer à medida que o 67P aproxima-se do Sol, a caminho do periélio durante o ano que vem. Ainda assim, as temperaturas à superfície têm que aquecer antes que a bateria possa ser recarregada. E tal não vai acontecer até ao próximo Verão.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
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Sonda Rosetta:
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Philae (Wikipedia)

 
ALINHAMENTO MISTERIOSO DE QUASARES AO LONGO DE MILHARES DE MILHÕES DE ANOS-LUZ

Novas observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, revelaram alinhamentos nas maiores estruturas descobertas no Universo até à data. Uma equipa de investigação europeia descobriu que os eixos de rotação dos buracos negros centrais supermassivos numa amostra de quasares encontram-se paralelos entre si ao longo de distâncias de milhares de milhões de anos-luz. A equipa descobriu também que os eixos de rotação destes quasares tendem a alinhar-se com as enormes estruturas da rede cósmica onde residem.

Os quasares são núcleos de galáxias onde existem buracos negros supermassivos muito activos. Estes buracos negros encontram-se rodeados de discos de matéria em rotação extremamente quente, que é muitas vezes ejectada na direcção dos seus eixos de rotação. Os quasares podem brilhar mais intensamente que todas as estrelas da galáxia onde se encontram.

Uma equipa liderada por Damien Hutsemékers da Universidade de Liège, na Bélgica, utilizou o instrumento FORS, montado no VLT, para estudar 93 quasares que se sabia formarem enormes grupos espalhados ao longo de milhares de milhões de anos-luz, e que são observados quando o Universo tinha cerca de um-terço da sua idade atual.

Esta impressão artística mostra esquematicamente os misteriosos alinhamentos entre os eixos de rotação de quasares e as estruturas a larga escala onde residem. Estes alinhamentos ocorrem ao longo de milhares de milhões de anos-luz, sendo os maiores conhecidos no Universo, e foram revelados por observações obtidas com o VLT do ESO. A estrutura a larga escala está desenhada a azul e os quasares encontram-se assinalados a branco com os eixos de rotação dos seus buracos negros indicados através de uma linha. Esta imagem é meramente ilustrativa, não apresentando a distribuição real das galáxias e dos quasares.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A primeira coisa estranha em que reparámos foi que alguns dos eixos de rotação dos quasares estavam alinhados uns com os outros - apesar destes quasares se encontrarem separados por milhares de milhões de anos-luz," disse Hutsemékers.

A equipa foi mais longe e investigou se estes eixos de rotação estariam de algum modo ligados, não apenas entre si, mas também com a estrutura a larga escala do Universo nessa altura.

Quando os astrónomos observaram a distribuição de galáxias em escalas de milhares de milhões de anos-luz, descobriram que estes objectos não se encontram uniformemente distribuídos, mas formam uma rede cósmica de filamentos e nodos em torno de enormes vazios onde as galáxias são mais escassas. Este intrigante arranjo de matéria é conhecido por estrutura a larga escala.

Os novos resultados do VLT indicam que os eixos de rotação dos quasares tendem a posicionar-se paralelamente às estruturas de larga escala, nas quais se encontram, ou seja, se os quasares se encontram num filamento comprido, os spins dos seus buracos negros centrais apontarão na direcção do filamento. Os investigadores estimam que a probabilidade destes alinhamentos serem simplesmente um resultado aleatório é menor que 1%.

Esta simulação muito detalhada de estrutura a larga escala foi criada no âmbito da simulação Illustris. A distribuição de matéria escura está marcada a azul e a distribuição do gás encontra-se a laranja. Esta simulação refere-se ao estado atual do Universo e encontra-se centrada num enxame de galáxias massivo. A região que mostramos tem uma dimensão de cerca de 300 milhões de anos-luz.
Crédito: Colaboração Illustris
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A correlação entre a orientação dos quasares e a estrutura a que pertencem é uma importante previsão dos modelos numéricos de evolução do Universo. Estes dados dão-nos a primeira confirmação observacional deste efeito, em escalas muito maiores do que o que tem sido observado até à data em galáxias normais," acrescenta Dominique Sluse do Argelander-Institut für Astronomie em Bona, Alemanha, e Universidade de Liège.

A equipa não conseguiu observar de forma directa os eixos de rotação ou os jactos dos quasares. Em vez disso, foi medida a polarização da radiação emitida por cada quasar e, para 19 deles, encontrou-se um sinal polarizado significativo. A direcção desta polarização, combinada com outras informações, pôde ser utilizada para deduzir o ângulo do disco de acreção e consequentemente a direcção do eixo de rotação do quasar.

"O alinhamento nos novos dados, em escalas ainda maiores do que as actuais previsões das simulações, poderá indicar que ainda falta um ingrediente nos nossos modelos actuais do cosmos," conclui Dominique Sluse.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy
science 2.0
SPACE.com
PHYSORG
EarthSky

Quasar:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bob Franke
 
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