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Edição n.º 1119
28/11 a 01/12/2014
 
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28/11/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 28/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Foi a primeira sonda a fazer um voo rasante pelo Planeta Vermelho e a primeira a enviar imagens da superfície de outro mundo a partir do espaço profundo. 
Observações: Pelas 23 horas, a pequena Ursa Menor encontra-se "apoiada" na Estrela Polar.

Dia 29/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.

Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5. A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 10:06.
A Lua está alta a Sul ao anoitecer, e o canto inferior direito do Grande Quadrado de Pégaso aponta para ela (ainda mais alto).

Dia 30/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1756 nascia Ernst Chladni, físico e músico alemão, conhecido como o "pai dos meteoritos". Também calculou a velocidade do som para gases diferentes.
Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no estado americano do Alabama. É o único caso documentado de um meteorito ter atingido uma pessoa.

Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 02:20 e as 06:06.
Eclipse de Europa, entre as 04:29 e as 07:27.

Dia 01/12: 335.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais Pchyolka (Pequena Abelha) e Mushka (Pequena Mosca) foram lançados a bordo do Korabl-Sputnik-3, também conhecido como Sputnik 6.

A nave passou um dia em órbita mas a re-entrada foi mal configurada e, ao descer num ângulo muito acentuado, foi destruída.
Em 2013, a China lança o Yutu, o seu primeiro rover lunar, como parte da missão de exploração Chang'e 3.
Observações: Esta noite, o planeta Urano encontra-se a menos de 2º para a esquerda da Lua.

 
CURIOSIDADES


O rover Opportunity já percorreu mais de 41 km à superfície de Marte.

 
Infelizmente tivémos um problema no envio calendarizado do boletim (sexta-feira), pelo que só pudemos enviá-lo agora. Pedimos desculpa pelo atraso.
 
SONDAS VAN ALLEN DESCOBREM BARREIRA IMPENETRÁVEL NO ESPAÇO

Cientistas descobriram que duas zonas de radiação fervilhante que rodeiam a Terra, chamadas Cinturas de Van Allen, contêm uma barreira quase impenetrável que impede os electrões mais rápidos e energéticos de chegar à Terra.

As Cinturas de radiação de Van Allen são uma colecção de partículas carregadas, reunidas pelo campo magnético da Terra. Podem aumentar e diminuir em resposta à energia recebida do Sol, por vezes inchando o suficiente para expor os satélites em órbita baixa da Terra a radiação prejudicial. A descoberta do colector, que actua como uma barreira dentro das cinturas, foi feita pelas sondas Van Allen da NASA, lançadas em Agosto de 2012 para estudar a região. Um artigo sobre estes resultados foi publicado na edição online de dia 27 de Novembro da revista Nature.

"Esta barreira para electrões ultra-rápidos é uma característica marcante das cinturas," afirma Dan Baker, cientista espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e autor principal do estudo. "Fomos capazes de a estudar pela primeira vez, porque nunca tivemos medições tão precisas desses electrões altamente energéticos até agora."

Uma nuvem de gás frio e carregado em redor da Terra, chamada plasmasfera e vista aqui em roxo, interage com as partículas nas cinturas de radiação da Terra - em cinzento - para criar uma barreira impenetrável que impede com que os electrões mais rápidos se movam para mais perto do nosso planeta.
Crédito: NASA/Goddard
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A compreensão do que dá às cinturas de radiação a sua forma e do que pode afectar o modo como incham ou encolhem, ajuda os cientistas a prever o aparecimento dessas alterações. Tais previsões podem ajudar os cientistas a proteger os satélites na área da radiação.

As Cinturas de Van Allen foram a primeira descoberta da era espacial, medidas com o lançamento do primeiro satélite americano, o Explorer 1, em 1958. Nas décadas seguintes, os cientistas descobriram que o tamanho das cinturas pode mudar - até podem fundir-se ou mesmo separar-se ocasionalmente em três cinturas. Mas geralmente a cintura interna estende-se entre os 650 e os 9650 km acima da superfície da Terra e a cintura exterior entre os 13.500 e os 58.000 km acima da superfície da Terra.

Uma zona de espaço quase vazio normalmente separa as cinturas. Mas, o que as mantém separadas? Porque é que existe uma região entre as cinturas, sem electrões?

É aqui que entra a barreira recém-descoberta. Os dados das sondas Van Allen mostram que a borda interna da cintura exterior é, de facto, altamente pronunciada. Para os electrões mais rápidos e energéticos, esta orla é uma fronteira que, em circunstâncias normais, os electrões simplesmente não conseguem penetrar.

"Quando estudamos os electrões altamente energéticos, só chegam até uma certa distância da Terra," afirma Shri Kanekal, cientista-adjunto da missão das sondas Van Allen no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Marylan, e co-autor do artigo publicado na Nature. "Isto é completamente novo. Nós certamente não esperávamos tal coisa."

A equipa analisou as possíveis causas. Eles determinaram que as transmissões geradas por humanos não eram a causa da barreira. Também analisaram as causas físicas. Será que a própria forma do campo magnético da Terra cria esta fronteira? Os cientistas estudaram mas eliminaram essa possibilidade. E no que toca à presença de outras partículas espaciais? Parece ser esta a causa mais provável.

Esta animação ilustra como as partículas se movem através das cinturas de radiação da Terra. A esfera no meio mostra uma nuvem de material mais frio chamada plasmasfera. Novas investigações mostram que a plasmasfera ajuda a manter os electrões altamente energéticos e rápidos, das cinturas de radiação, longe da Terra.
Crédito: NASA/Goddard/Scientific Visualization Studio
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As cinturas de radiação não são as únicas estruturas de partículas ao redor da Terra. Uma nuvem gigante de partículas carregadas e relativamente frias, chamada plasmasfera, preenche a região mais exterior da atmosfera da Terra, começando a partir dos 960 km e estendendo-se parcialmente até à cintura exterior de Van Allen. As partículas no limite exterior da plasmasfera fazem com que as partículas na cintura exterior de radiação se dispersem, removendo-as da cintura.

Este efeito de dispersão é bastante fraco e pode não ser suficiente para manter os electrões na orla no lugar, à excepção de um capricho de geometria: os electrões da cintura de radiação movem-se incrivelmente rápido, mas não em direcção à Terra. Em vez disso, movem-se em círculos gigantes em torno da Terra. Os dados das sondas Van Allen mostram que na direcção da Terra, os electrões mais energéticos têm muito pouco movimento, se é que o têm - apenas uma deriva lenta e subtil que ocorre ao longo de meses. Este é um movimento tão lento e fraco que pode ser repelido pela dispersão provocada pela plasmasfera.

Isto também ajuda a explicar por que - sob condições extremas, quando um vento solar especialmente forte ou uma erupção solar gigante, como uma ejecção de massa coronal, envia nuvens de material para o espaço próximo da Terra - os electrões da cintura exterior podem ser empurrados para a região normalmente vazia entre as cinturas.

"A dispersão devida à plasmapausa é forte o suficiente para criar uma parede na borda interna da cintura exterior de Van Allen," afirma Baker. "Mas um evento solar forte faz com que a fronteira da plasmasfera se mova para dentro."

Uma entrada maciça de matéria do Sol pode corroer a plasmasfera exterior, movendo os seus limites para dentro e permitindo com que os electrões das cinturas de radiação também se movam mais para perto da Terra.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/07/2013 - Sondas Van Allen descobrem acelerador de partículas no coração de cinturas de radiação da Terra
05/03/2013 - Sondas Van Allen descobrem surpresa em redor da Terra

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature
Universidade do Colorado em Boulder
MIT News
Universe Today
Astronomy Now
PHYSORG
NewScientist
Nature World News
redOrbit
io9

Cinturas de Van Allen:
Wikipedia

Plasmasfera:
Wikipedia

Sondas Van Allen:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

 
ONDE DIABOS POUSOU O PHILAE?

Já passaram duas semanas desde que o módulo Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mas a ESA ainda não sabe se conseguiu perfurar com sucesso a superfície do astro. Nem sequer ainda se sabe o seu local de aterragem final. Entretanto, a companheira Rosetta continua a sua missão.

As leituras do CONSERT, um instrumento de radar que ligou o Philae com a Rosetta antes do "lander" ter ficado sem energia, reduziram os potenciais pontos de aterragem até uma faixa de 350 por 30 metros na cabeça do cometa. A determinação da zona de aterragem está dependente do modelo da forma do cometa, razão pela qual existem duas regiões candidatas. Os cientistas da ESA estão agora à procura do Philae em imagens capturadas pelas câmaras da Rosetta, mas se este se encontra em zonas à sombra é apenas susceptível de aparecer quando a luz for reflectida pelos seus painéis solares.

Área de aterragem do Philae, estimada pelo CONSERT.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CONSERT
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quanto à broca do Philae, foi um dos últimos instrumentos a ser activado antes do módulo ter ficado sem energia. Os gestores da missão sabem que a broca funcionou como o esperado, mas tendo em conta que o "lander" aterrou numa posição inclinada, não sabem se entregou amostras ao instrumento COSAC. Este foi desenhado para estudar moléculas do cometa ao aquecer material num forno e ao medir os gases resultantes.

Os dados do COSAC são inconclusivos. Pode não ter havido uma amostra, ou a amostra pode ter sido muito seca, ou seja, apenas podem ter sido libertadas pequeníssimas quantidades de gás. "Teria gostado de ver um sinal claro de uma amostra," afirma Fred Goesmann, líder da equipa do COSAC. "A minha opinião pessimista é que nunca saberemos."

Tal resultado pode permanecer mesmo que a ESA consiga contactar novamente com o Philae, caso este consiga acordar quando mais luz incidir nos seus painéis solares. A broca do módulo não tem nenhuma maneira directa de confirmar se obteve uma amostra e não existe nenhuma câmara no forno que recebe a amostra. Goesmann diz que os cientistas discutiram outros sensores para confirmar uma amostra durante o planeamento da missão, mas que descartaram a ideia por causa dos rigorosos limites de peso do módulo Philae.

Não são esperados mais dados do Philae, a não ser que acorde em 2015, mas depois de libertar o "lander", a Rosetta está agora a dedicar-se exclusivamente à sua missão científica. A ESA colocou a sonda novamente numa órbita mais elevada, 30 km acima do cometa, mas vai descer até aos 20 km no dia 3 de Dezembro e durante 10 dias para recolher dados sobre o aumento de poeira e gás expelidos pelo cometa à medida que este se aproxima do Sol. O plano é ficar o mais próximo possível do cometa sem colocar a sonda em risco devido à actividade crescente do 67P/C-G.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
Blog da Rosetta
Universe Today
NewScientist

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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Wikipedia
Philae (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Telescópios apontam para sinal de neutrinos no coração da Via Láctea (via Universidade de Wisconsin-Madison)
A identificação das origens dos neutrinos altamente energéticos - partículas fantasmagóricas mas potencialmente ricas em informação que se acredita serem criadas por alguns dos objectos mais violentos do céu - está na lista de topo de muitos astrofísicos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Remasterização de Europa pela Galileu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechInstituto SETICynthia Phillips, Marty Valenti
 
Enquanto orbitava o sistema joviano no final da década de 1990, a sonda Galileu capturou imagens deslumbrantes de Europa e descobriu evidências de que a superfície gelada da lua provavelmente esconde um oceano profundo e global. Os dados de imagem de Europa foram recentemente remasterizados, usando novas e melhoradas calibrações para produzir uma imagem a cores que se aproxima ao que o olho humano poderia ver. As longas fracturas de Europa sugerem água líquida à subsuperfície. Europa sente forças de maré ao longo da sua órbita elíptica em redor de Júpiter, que fornece energia suficiente para manter o oceano líquido. Mas ainda mais interessante é a possibilidade de que mesmo na ausência de luz solar, esse processo pode também fornecer energia para suportar vida, tornando Europa num dos melhores lugares para procurar vida fora da Terra. Que tipo de vida poderia prosperar num oceano profundo, escuro e subterrâneo? Considere os camarões extremos do planeta Terra.
 

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