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Edição n.º 1124
16/12 a 18/12/2014
 
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26/12/14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 1969 nascia Adam Riess, astrofísico americano, que partilhou com Saul Perlmutter e Brian P. Schmidt, em 2011, o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 04:04 e as 07:04.
Aproveite a noite para observar as Plêiades com binóculos, bem altas a Sudeste, e para baixo a esplêndida constelação de Orionte, que contém a melhor nebulosa do céu, M42 ou Nebulosa de Orionte. 

Dia 17/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, os EUA lançam com sucesso o primeiro missil balístico intercontinental Atlas em Cabo Canaveral, Flórida.

Em 2003, voo 11P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.
Observações: Ocultação de Io, entre as 04:26 e as 06:47.

Dia 18/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1856 nascia J. J. Thomson, físico inglês, conhecido pela descoberta do electrão e pela invenção do espectrómetro de massa.
Em 1958, lançamento do Projecto SCORE, o primeiro satélite de comunicações.
Em 1966, foi descoberta por Richard Walker, a lua de Saturno Epimeteu, que depois esteve "perdida" durante 12 anos.

Em 1973, é lançada a Soyuz 13, tripulada pelos cosmonautas Valentin Lebedev e Pyotr Klimuk, de Baikonur, União Soviética.
Em 1999, a NASA lança para órbita a plataforma Terra, transportando cinco instrumentos de observação terrestre: o ASTERCERESMISR, MODIS e MOPITT
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 00:38 e as 02:57.
Ocultação de Europa, entre as 00:55 e as 03:52.
Trânsito de Io, entre as 01:40 e as 04:02.
Tem dificuldades em avistar Saturno ao amanhecer? A Lua "aponta" hoje para o local.
Ocultação de Io, entre as 22:53 e as 01:14 (já dia 19).

 
CURIOSIDADES


Embora a previsão dos eclipses começasse a ser feita na antiga Mesopotâmia, a primeira previsão de eclipse que não atribuía qualquer carácter místico ou sagrado ao fenómeno foi feita por Tales de Mileto em 585 a.C., supostamente por análise das regularidades dos eclipses descoberta por Tales nas suas viagens entre os Caldeus. Embora o eclipse se tenha concretizado, existem muitas dúvidas que a matemática que permitiu a previsão a Tales, pudesse permitir a exactidão que se infere de muitos textos históricos e filosóficos. Provavelmente haveria, à semelhança do que ocorria na Mesopotâmia, uma janela temporal de probabilidade de ocorrência, tendo a coincidência exacta, a ter ocorrido, sido meramente fortuita.

 
DADOS DA MESSENGER SUGEREM CHUVA DE METEOROS RECORRENTE EM MERCÚRIO

O planeta mais próximo do Sol parece ser atingido por uma chuva de meteoros periódica, possivelmente associada com um cometa que produz anualmente vários eventos na Terra.

As pistas que apontam para a chuva de Mercúrio foram descobertas no halo muito fino de gases que compõem a exosfera do planeta, actualmente a ser estudada pela sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) da NASA.

"A possível descoberta de uma chuva de meteoros em Mercúrio é realmente emocionante e especialmente importante porque o ambiente de plasma e poeira em redor de Mercúrio é relativamente inexplorado," afirma Rosemary Killen, cientista planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, e autora principal do estudo, disponível online na revista Icarus.

Mercúrio parece atravessar uma chuva de meteoros recorrente, talvez quando a sua órbita cruza o rasto de detritos deixados pelo cometa Encke (impressão de artista).
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma chuva de meteoros ocorre quando um planeta passa por uma faixa de detritos derramados por um cometa, ou às vezes por um asteróide. Os pedaços mais pequenos de poeira, rocha ou gelo sentem a força da radiação solar, o que os empurra para longe do Sol, criando a cauda - por vezes deslumbrante - do cometa. Os pedaços maiores são depositados como um rasto de migalhas ao longo da órbita do cometa - um campo que produz meteoróides minúsculos.

Cá na Terra, podemos ver várias chuvas de meteoros por ano, incluindo as Perseidas de Verão no Hemisfério Norte, o cartão-de-visita do cometa Swift-Tuttle, e as confiáveis Geminídeas de Dezembro, um dos poucos eventos associados com um asteróide. O Cometa Encke deixou para trás vários campos de detritos no Sistema Solar interior, dando origem às Táuridas do Sul e do Norte, chuvas de meteoros que atingem o pico em Outubro e Novembro, e às Beta Táuridas em Junho e Julho.

A principal característica de uma chuva de meteoros em Mercúrio é um aumento regular de cálcio na exosfera. As medições efectuadas pelo instrumento MASCS (Mercury Atmospheric and Surface Composition Spectrometer) da MESSENGER revelaram picos sazonais de cálcio que ocorreram regularmente durante os primeiros nove anos mercurianos desde que a sonda começou a orbitar o planeta em Março de 2011.

A causa suspeita destes níveis de cálcio é uma chuva de pequenas partículas de poeira que atinge o planeta e liberta moléculas que contêm cálcio a partir da superfície. Este processo, chamado vaporização por impacto, renova continuamente os gases na exosfera de Mercúrio à medida que a poeira interplanetária e os meteoróides "chovem" sobre o planeta. No entanto, o contexto geral da poeira interplanetária no Sistema Solar interior não pode, por si só, explicar os aumentos periódicos de cálcio. Isto sugere uma fonte periódica adicional de poeira, por exemplo, um campo de detritos de cometa. A examinação do punhado de cometas em órbitas que permitiriam a passagem destes detritos pela órbita de Mercúrio indicou que a fonte provável do evento no planeta é o Encke.

"Se o nosso cenário estiver correcto, Mercúrio é um colector gigante de poeira," afirma Joseph Hahn, dinâmico planetário do Instituto de Ciência Espacial em Austin, Texas, EUA, e co-autor do estudo. "O planeta está sob cerco constante de poeira interplanetária e passa regularmente por esta tempestade de poeira, que nós pensamos ser do cometa Encke."

Os investigadores criaram simulações de computador detalhadas para testar a hipótese do cometa Encke. No entanto, os picos de cálcio encontrados nos dados da MESSENGER desviam-se um pouco dos resultados esperados. Este desvio é provavelmente devido a mudanças na órbita do cometa ao longo do tempo, devido à atracção gravitacional de Júpiter e de outros planetas.

"A variação de cálcio na exosfera de Mercúrio com a posição do planeta na sua órbita é conhecida há vários anos a partir de observações da MESSENGER, mas a proposta de que a fonte dessa variação é uma chuva de meteoros associada com um cometa em específico é nova," acrescenta Sean Solomon, investigador principal da MESSENGER, do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. "Este estudo deverá fornecer uma base para pesquisas de mais evidências da influência das chuvas de meteoros na interacção de Mercúrio com o seu ambiente do Sistema Solar."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Icarus)
Universe Today
PHYSORG
gizmag

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Cometa Encke:
JPL
Wikipedia
Gary W. Kronk's Cometography

 
OBJECTOS DO TAMANHO DE PLUTÃO LEVANTAM POEIRA EM TORNO DE ESTRELA ADOLESCENTE PARECIDA COM O SOL

Astrónomos usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) podem ter detectado as marcas empoeiradas de uma família inteira de objectos do tamanho de Plutão em torno de uma versão adolescente do nosso próprio Sol.

Observando em detalhe o disco protoplanetário que cerca a estrela conhecida como HD 107146, os astrónomos detectaram um aumento inesperado na concentração de grãos milimétricos de poeira nos confins do disco. Este aumento surpreendente, que começa notavelmente longe - cerca de 13 mil milhões de quilómetros - da estrela-mãe, pode ser o resultado de planetesimais com o tamanho de Plutão que agitam a região, fazendo com que objectos menores colidam e se fragmentem.

A poeira nos discos de detritos geralmente vem de material deixado para trás pela formação de planetas. Cedo na vida do disco, esta poeira é continuamente reabastecida por colisões de corpos maiores, como cometas e asteróides. Em sistemas estelares maduros com planetas totalmente formados, existe, em comparação, muito pouco poeira. Entre estas duas idades - quando um sistema estelar se encontra na adolescência - certos modelos prevêem que a concentração de poeira será muito mais densa nas regiões mais distantes do disco. Isto é precisamente o que o ALMA encontrou.

Impressão de artista do disco de detritos em torno de HD 107146. Este sistema estelar adolescente mostra sinais de que nos seus confins, enxames de objectos com o tamanho de Plutão empurram objectos vizinhos mais pequenos, fazendo com que estes colidam e "levantem" poeira considerável.
Crédito: A. Angelich (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A poeira em HD 107146 revela uma característica muito interessante - fica mais espessa nos confins mais distantes do disco da estrela," afirma Luca Ricci, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano de Massachusetts, e autor principal de um artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. Na altura das observações, Ricci trabalhava no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA.

"O aspecto surpreendente é que isto é o oposto do que vemos em discos primordiais mais jovens, onde a poeira é mais densa perto da estrela. É possível termos apanhado este disco de detritos em particular num estágio onde planetesimais do tamanho de Plutão estão a formar-se no disco exterior enquanto outros corpos do mesmo tamanho já se formaram mais perto da estrela," afirma Ricci.

De acordo com os modelos de computador actuais, a observação de que a densidade da poeira é superior nas regiões exteriores do disco só pode ser explicada pela presença de corpos recentemente formados do tamanho de Plutão. A sua gravidade perturbaria os planetesimais mais pequenos, provocando colisões mais frequentes que geram a poeira que o ALMA observou.

Os novos dados do ALMA também sugerem uma outra característica intrigante nos confins do disco: um possível "mergulho" ou depressão na poeira com aproximadamente 1,2 mil milhões de quilómetros de largura, começando aproximadamente 2,5 vezes a distância do Sol a Neptuno da estrela central. Embora apenas sugerida nestas observações preliminares, esta depressão pode ser uma lacuna no disco, o que poderá ser indicativo de um planeta com a massa da Terra que "varre" a área de detritos. Esta característica terá importantes implicações para os possíveis habitantes planetários parecidos com a Terra no disco e poderá sugerir que planetas deste tamanho se formam numa gama inteiramente diferente de órbitas já observadas anteriormente.

Imagem do ALMA que mostra a poeira em redor da estrela HD 107146. A poeira nos confins do disco é mais espessa do que nas regiões mais interiores, sugerindo que um enxame de planetesimais do tamanho de Plutão estão a fazer com que objectos mais pequenos colidam uns com os outros. A estrutura escura tipo-anel no meio do disco pode ser evidência de uma lacuna onde um planeta está a "varrer" poeira na sua órbita.
Crédito: L. Ricci ALMA (NRAO/NAOJ/ESO); B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estrela HD 107146 é de particular interesse para os astrónomos porque é, em muitos aspectos, uma versão mais jovem do nosso próprio Sol. Também representa um período de transição entre o início da vida de um sistema estelar e os estágios finais e mais maduros, onde os planetas já se formaram e começaram as suas viagens de milhares de milhões de anos em torno da sua estrela-mãe.

"Este sistema dá-nos a oportunidade de estudar um período intrigante de uma estrela jovem parecida com o Sol," afirma Stuartt Corder, co-autor do artigo e vice-director do ALMA. "Estamos possivelmente a olhar para trás no tempo, quando o Sol tinha aproximadamente 2% da sua idade actual."

A estrela HD 107146 está localizada a cerca de 90 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Cabeleira de Berenice. Tem mais ou menos 100 milhões de anos. Observações subsequentes com as novas capacidades de alta-resolução do ALMA vão lançar mais luz sobre a dinâmica e estrutura deste objecto intrigante.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
Astronomy Now
Universe Today
(e) Science News
PHYSORG
UPI
io9

HD 107146:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nuvem Molecular Barnard 68
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa FORSAntu de 8,2 metros do VLTESO
 
Para onde foram todas as estrelas? O que já foi considerado um buraco no céu é agora conhecido pelos astrónomos como uma nuvem molecular escura. Aqui, uma alta concentração de poeira e gás molecular absorvem praticamente toda a luz visível emitida pelas estrelas de fundo. Os arredores escuros ajudam a fazer do interior das nuvens moleculares um dos locais mais frios e isolados do Universo. Uma destas mais notáveis nebulosas escuras de absorção é uma nuvem na direcção da constelação de Ofiúco conhecida como Barnard 68, na imagem acima. Não há estrelas visíveis no centro, o que indica que a relativamente próxima Barnard 68, poderá estar a cerca de 500 anos-luz e medir meio ano-luz. Não se sabe com exactidão como é que as nuvens moleculares do tipo de Barnard 68 se formam, mas sabe-se que estas nuvens são provavelmente locais de formação estelar. De facto, descobriu-se recentemente que Barnard 68 irá provavelmente colapsar e formar um novo sistema estelar. É possível observar o seu conteúdo através da radiação infravermelha.
 

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