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Edição n.º 1185
17/07 a 20/07/2015
 
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31/07/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/07: 198.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1894, nascia Georges Lemaître, padre, astrónomo e professor belga.

Foi o primeiro a propôr, academicamente, a teoria da expansão do Universo, largamente mal atribuída a Edwin Hubble. Foi também o primeiro a derivar o que é agora a Lei de Hubble e fez a primeira estimativa do que agora se chama a constante de Hubble, que publicou em 1927, dois anos antes do artigo de Hubble. Lemaître também propôs o que veio a ser conhecido como a teoria do Big Bang para a origem do Universo, que ele chamou de "hipótese do átomo primitivo" ou "Ovo Cósmico".
Em 1975, os módulos Apollo e Soyuz efectuam o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Os comandantes das missões dão o primeiro aperto de mão internacional no espaço.
Em 2007, descoberta do objeto trans-neptuniano 2007 OR10.
Observações: As duas estrelas mais brilhantes do céu de verão, Arcturo e Vega, brilham igualmente perto do zénite à medida que as estrelas começam a aparecer. Vega é a estrela mais brilhante, bem alta a este, Arcturo é a mais brilhante bem alta a sudoeste.

Dia 18/07: 199.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do satélite russo Zond 3.
Em 1966, lançamento da Gemini 10 numa missão de 70 horas que inclui o acoplamento com um veículo de alvo Agena
Em 1969, a Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.

Observações: Olhe para oeste pouco depois do pôr-do-Sol, avistando Vénus e o fino Crescente lunar separados por poucos graus. À medida que anoitece, Régulo aparece para cima do par. Júpiter está agora 5,5º para a direita de Vénus.

Dia 19/07: 200.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846 nascia Edward Pickering, espectroscopista americano pioneiro e diretor do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919.

Esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a coleção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1912, um meteorito com uma massa estimada de 190 kg explode sobre a cidade de Holbrook, no estado americano do Arizona, provocando a queda de aproximadamente 16.000 fragmentos de detritos. 
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do vaivém espacial Challenger na missão STS-51-L, que a 28 de Janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento.
Observações: A Lua, Régulo e Júpiter formam uma reta, baixa a oeste depois do pôr-do-Sol. Vénus está um pouco abaixo de Régulo.

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior, a noroeste após o anoitecer, começa a descer para a direita, como se se estivesse preparando para recolher água. E a Ursa Menor, apoiando-se na vertical graças à Estrela Polar no final da sua "pega", começa a descaír para a esquerda numa queda que durará seis meses.

 
CURIOSIDADES


A Astronomia é considerada uma ciência "passiva" quando comparada com as outras, pois o conhecimento é baseado maioritariamente nas observações e não nas experiências.

 
NEW HORIZONS "TELEFONA"; ENVIA PRIMEIROS DADOS DA PASSAGEM POR PLUTÃO
Plutão preenche quase o campo de visão do instrumento LORRI a bordo da sonda New Horizons, numa imagem capturada dia 13 de julho, quando a sonda estava a 768.000 km da superfície. Esta é a última e mais detalhada imagem enviada para a Terra antes do "flyby" de dia 14.
Crédito: NASA/APL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Depois de uma viagem de quase uma década pelo nosso Sistema Solar, a New Horizons fez a sua maior aproximação por Plutão na passada terça-feira, a cerca de 12.500 km da superfície - a primeira missão espacial a explorar um mundo assim tão longe da Terra.

A "chamada" pré-programada - uma série de mensagens de diagnóstico - com a duração de 15 minutos foi enviada para o centro de controlo de operações no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, no estado americano de Maryland, através da rede DSN (Deep Space Network) da NASA, terminando um período de espera de 21 horas. A New Horizons estava programada para passar o dia a recolher a quantidade máxima possível de dados e só comunicar com a Terra depois de passar pelo sistema de Plutão.

Plutão é o primeiro objeto da Cintura de Kuiper visitado por uma missão terrestre. A New Horizons vai continuar a sua aventura na Cintura de Kuiper, onde milhares de objetos contêm pistas geladas sobre a formação do Sistema Solar.

A New Horizons recolheu imensos dados e, tendo em conta a velocidade extremamente lenta de comunicação, a transferência total demorará 16 meses.

De montanhas a luas: descobertas múltiplas da missão

Montanhas geladas em Plutão e uma nova imagem da sua maior lua, Caronte, estão entre as várias descobertas anunciadas na passada quarta-feira pela equipa da New Horizons, um dia após a passagem por Plutão. Estas são as primeiras amostras do tesouro científico recolhido durante esses momentos críticos.

Uma nova imagem de alta-resolução da região equatorial perto da base da característica em forma de coração de Plutão mostra uma cordilheira com picos até 3500 metros de altura.

Nova ampliação de uma região perto do equador de Plutão que mostra uma surpresa gigante - uma variedade de montanhas jovens com até 3500 metros de altura.
Crédito: NASA/JHU APL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As montanhas em Plutão formaram-se provavelmente há não mais que 100 milhões de anos - meros jovens num Sistema Solar com 4,56 mil milhões de anos. Isto sugere que a região capturada na fotografia, que cobre cerca de 1% da superfície de Plutão, pode ainda ser geologicamente ativa.

"Esta é uma das superfícies mais jovens que já vimos no Sistema Solar," afirma Jeff Moore da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging Team) da New Horizons e do Centro de Pesquisa Ames de NASA em Moffett Field, Califórnia.

Ao contrário das luas geladas dos planetas gigantes, Plutão não pode ser aquecido por interações gravitacionais com um corpo planetário muito maior. Algum outro processo deve estar a gerar a paisagem montanhosa.

"Isto pode levar-nos a repensar o que alimenta a atividade geológica em muitos outros mundos gelados," afirma John Spencer, também da GGI e do Instituto de Pesquisa do Sudoeste.

Imagem de Caronte, a maior lua de Plutão, obtida pelo instrumento LORRI no dia 13 de julho, a uma distância de aproximadamente 466.000 quilómetros.
Crédito: NASA/JHU APL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A nova imagem de Caronte revela um terreno jovem e variado. Os cientistas estão surpresos com a aparente falta de crateras. Uma faixa de penhascos e vales que se estende por mais ou menos 1000 km sugere fraturas generalizadas na crosta de Caronte, provavelmente o resultado de processos geológicos internos. A imagem também mostra um desfiladeiro com uma profundidade estimada em 7-9 quilómetros. Na região polar norte de Caronte, as marcas escuras à superfície têm uma fronteira difusa, sugerindo um depósito findo ou uma mancha à superfície.

A New Horizons também observou os membros mais pequenos do sistema plutoniano, que inclui outras quatro luas: Nix, Hidra, Estige e Cérbero. Uma nova imagem de Hidra é a primeira a revelar a sua aparente forma irregular e o seu tamanho, estimado em cerca de 43 por 33 km.

Hydra
Imagem da lua de Plutão, Hidra, obtida durante a passagem da New Horizons por Plutão, a cerca de 400.000 km de distância. Tem uma resolução de 3 km por pixel.
Crédito: NASA/JHU APL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações também indicam que a superfície de Hidra está provavelmente revestida de gelo. As imagens que estão por vir vão revelar mais pistas sobre a formação desta e das outras luas há milhares de milhões de anos atrás. Os dados espectroscópicos dos instrumentos Ralph a bordo da New Horizons revelam uma abundância de gelo de metano, mas com diferenças marcantes entre as regiões da superfície gelada de Plutão.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
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Nix (Wikipedia)
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Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
GÉMEO DE JÚPITER DESCOBERTO EM TORNO DE GÉMEA DO SOL
Impressão artística do recentemente descoberto planeta gigante gasoso gémeo de Júpiter em órbita de uma estrela gémea do Sol, HIP 11915. O planeta tem uma massa muito semelhante à de Júpiter e orbita a sua estrela aproximadamente à mesma distância que Júpiter orbita o Sol. Este facto, juntamente com a composição semelhante ao Sol de HIP 11915, aponta para a possibilidade do sistema de planetas que orbita esta estrela ser muito semelhante ao nosso próprio Sistema Solar, com planetas rochosos mais pequenos orbitando mais próximo da estrela progenitora.
Crédito: ESO/L. Benassi
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o telescópio de 3,6 metros do ESO para identificar um planeta como Júpiter a orbitar uma estrela do tipo do Sol, HIP 11915, à mesma distância da estrela que Júpiter do Sol. De acordo com as teorias atuais, a formação de planetas com a massa de Júpiter desempenha um papel importante na arquitetura de sistemas planetários. A existência de um planeta com a mesma massa e numa órbita semelhante à de Júpiter em torno de uma estrela do tipo do Sol abre a possibilidade de que o sistema planetário em torno desta estrela seja semelhante ao nosso próprio Sistema Solar. HIP 11915 tem aproximadamente a mesma idade que o Sol e, adicionalmente, a sua composição semelhante à do Sol sugere que possam existir também planetas rochosos em órbitas mais próximas da estrela.

Até agora, os rastreios de exoplanetas têm sido mais sensíveis a sistemas planetários que são populados nas suas regiões mais internas por planetas massivos, com massas de, no mínimo, algumas vezes a massa da Terra. Este aspeto contrasta com o Sistema Solar, onde existem pequenos planetas rochosos nas regiões interiores e gigantes gasosos como Júpiter mais para o exterior.

De acordo com as teorias mais recentes, a arquitetura do Sistema Solar, tão propícia ao desenvolvimento de vida, foi possível graças à presença de Júpiter e da sua influência gravitacional exercida no Sistema Solar durante a fase da sua formação. Este facto leva-nos a crer que encontrarmos um planeta gémeo de Júpiter é um marco importante na busca de um sistema planetário que seja semelhante ao nosso.

Uma equipa liderada por brasileiros tem observado estrelas do tipo do Sol numa tentativa de encontrar um sistema planetário semelhante ao nosso. A equipa descobriu agora um planeta com uma massa muito semelhante à de Júpiter, em órbita de uma estrela do tipo do Sol, HIP 11915, e quase exatamente na mesma posição que Júpiter ocupa no nosso Sistema Solar. A nova descoberta foi feita com o auxílio do HARPS, um dos instrumentos mais precisos a detetar exoplanetas, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Observatório de La Silla, no Chile.

Embora já se tenham descoberto muitos planetas semelhantes a Júpiter a uma variedade de distâncias de estrelas do tipo solar, o planeta recentemente descoberto, tanto em termos de massa como de distância à sua estrela hospedeira, e em termos de semelhança entre esta estrela e o nosso Sol, é o análogo mais preciso encontrado até agora do Sol e de Júpiter.

A hospedeira do planeta, a gémea solar HIP 11915, não é apenas semelhante ao Sol em termos de massa, mas tem também aproximadamente a mesma idade. Fortalecendo ainda mais as similaridades, a composição desta estrela é semelhante à do Sol. A assinatura química do nosso Sol pode estar parcialmente marcada pela presença de planetas rochosos no Sistema Solar, o que aponta por isso para a possibilidade de existência de planetas rochosos em torno de HIP 11915.

De acordo com Jorge Melendez, da Universidade de São Paulo, Brasil, líder da equipa e coautor do artigo científico que descreve estes resultados, "a procura de uma Terra 2.0 e de um Sistema Solar 2.0 completo, é um dos esforços mais excitantes da astronomia. Estamos muito entusiasmados por fazer parte desta investigação de vanguarda, tornada possível pelas infraestruturas observacionais disponibilizadas pelo ESO."

Megan Bedell, da Universidade de Chicago e autora principal do artigo científico, conclui: "Após duas décadas de busca de exoplanetas, estamos finalmente a ver planetas gigantes gasosos de período longo semelhantes aos do nosso próprio Sistema Solar, graças à estabilidade de longo termo de instrumentos 'caçadores de planetas' como o HARPS. Esta descoberta é, em todos os aspetos, um sinal muito estimulante de que existem outros sistemas solares à espera de serem descobertos."

São necessárias observações de seguimento para confirmar e delimitar a descoberta, mas HIP 11915 é, até agora, uma das mais promissoras candidatas a albergar um sistema planetário semelhante ao nosso.

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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Messier 43
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (Carnegie Obs. Las Campanas), Igor Chilingarian (Harvard-Smithsonian CfA)
 
Muitas vezes fotografada mas raramente mencionada, Messier 43 é uma grande região de formação estelar. Faz parte do complexo de gás e poeira que inclui a maior e mais famosa M42, a Grande Nebulosa de Orionte. Esta ampliação de M43 foi capturada durante testes das capacidades de um instrumento infravermelho com um dos gémeos Magalhães de 6,5 metros do Observatório Las Campanas no Andes chilenos. A composição muda os dados infravermelhos, de outro modo invisíveis, para tons de azul, verde e vermelho. Espreitando "cavernas" de poeira interestelar escondida da luz visível, esta imagem no infravermelho próximo também pode ser usada para estudar as frias anãs castanhas da região. Tal como a sua famosa vizinha, Messier 43 fica a cerca de 1500 anos-luz de distância, na orla da nuvem molecular gigante de Orionte. A esta distância, o campo de visão estende-se por cerca de 5 anos-luz.
 

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