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Edição n.º 1265
22/04 a 25/04/2016
 
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22/04/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - 22:00 - Apresentação às estrelas inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente actual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Lua Cheia, pelas 06:24.
Ao anoitecer, olhe alto para oeste em busca de Pollux e Castor, alinhados quase horizontalmente (dependendo da sua latitude). Pollux e Castor, as cabeças dos gémeos agora quase direitos, formam o topo do enorme Arco da Primavera. As duas extremidades do Arco são Procyon para baixo e para a esquerda, e Capella ainda mais para baixo e para a direita. O Arco põe-se a oeste com o passar da noite.

Dia 23/04: 114.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: Trânsito de Io, entre as 00:52 e as 03:11.
Trânsito da sombra de Io, entre as 01:49 e as 04:06.
Trânsito de Europa, entre as 03:08 e as 06:03.
Ocultação de Io, entre as 22:06 e as 00:26 (já de dia 24).
Eclipse de Io, entre as 23:04 e as 01:25 (já de dia 24).

Dia 24/04: 115.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro ser humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1. 
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileno, que se acredita ser um planeta extrasolar habitável.
Observações: Arcturo é a estrela mais brilhante a este por estas noites. Espiga brilha a cerca de três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita. Para a direita de Espiga, a cerca de metade da distância anterior, está o padrão de quatro estrelas da constelação de Corvo.
Trânsito da sombra de Io, entre as 20:16 e as 22:35.
Ocultação de Europa, entre as 21:35 e as 00:27 (já de dia 25).
Eclipse de Europa, entre as 23:32 e as 02:22 (já de dia 25).

Dia 25/04: 116.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 passava para além da órbita de Plutão.
Em 1990, astronautas a bordo do Space Shuttle Discovery (STS-31) colocam o Telescópio Espacial Hubble em órbita. 

Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 02:42 e as 06:14.
Antes do amanhecer, a Lua, Marte e Saturno formam um bonito grupo, por cima de Antares (Escorpião), baixos a sul-sudoeste.

 
CURIOSIDADES


A anã castanha (sistema binário) mais próxima é Luhman 16, a cerca de 6,5 anos-luz da Terra.

 
OBJETO SOLITÁRIO DE MASSA PLANETÁRIA DESCOBERTO EM FAMÍLIA DE ESTRELAS
Um mundo que flutua livremente, sozinho no espaço. Pensa-se que este objeto, chamado WISEA J114724.10−204021.3, seja uma anã castanha de baixa-massa, uma estrela sem massa suficiente para queimar combustível nuclear e brilhar como uma estrela normal. Os astrónomos usaram dados do WISE e do 2MASS para descobrir o objeto em TW Hydrae - uma associação de estrelas com 10 milhões de anos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em 2011, astrónomos anunciaram que a nossa Galáxia está provavelmente repleta de planetas que flutuam livremente. De facto, estes mundos solitários, que ficam em silêncio na escuridão do espaço sem quaisquer companheiros planetários ou até mesmo uma estrela hospedeira, podem superar o número de estrelas na nossa Via Láctea. A descoberta surpreendente leva à questão: de onde é que estes objetos vêm? São planetas expulsos de sistemas solares, ou são na realidade estrelas leves chamadas anãs castanhas que se formam sozinhas no espaço como as estrelas?

Um novo estudo, utilizando dados do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA e do 2MASS (Two Micron All Sky Survey), fornece novas pistas sobre este mistério de proporções galácticas. Os cientistas identificaram um objeto de massa planetária flutuando livremente dentro de uma jovem família estelar chamada associação TW Hydrae. O objeto recém-descoberto, denominado WISEA J114724.10-204021.3, ou apenas WISEA 1147, tem uma massa estimada entre cinco e dez vezes a massa de Júpiter.

WISEA 1147 é um dos poucos mundos flutuantes em que os astrónomos podem começar a apontar para as suas origens prováveis como anã castanha e não um planeta. Dado que se descobriu que o objeto é um membro da família TW Hydrae de estrelas muito jovens, os astrónomos sabem que é também muito jovem - apenas 10 milhões de anos. E dado que os planetas exigem pelo menos 10 milhões de anos para se formar, e provavelmente mais para serem expulsos de um sistema, WISEA 1147 é provavelmente uma anã castanha. As anãs castanhas formam-se como estrelas, mas não têm massa suficiente para fundir átomos nos seus núcleos e brilhar com luz estelar.

"Com acompanhamento contínuo, poderá ser possível traçar a história de WISEA 1147 para confirmar se foi ou não formada em isolamento," afirma Adam Schneider da Universidade de Toledo no estado americano do Ohio, autor principal de um novo estudo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Dos possíveis milhares de milhões de planetas flutuantes que se pensa existirem na nossa Galáxia, alguns podem ser anãs castanhas de baixa-massa, enquanto outros podem ser realmente planetas, expulsos de sistemas solares emergentes. Atualmente, a fração de cada população permanece desconhecida. A descoberta das origens dos mundos flutuantes, e a determinação do tipo de objeto, é uma tarefa difícil, precisamente porque estão tão isolados.

Mapa do céu obtido pelo WISE da NASA, que mostra a localização da família de estrelas, ou associação, TW Hydrae, situada a 175 anos-luz da Terra e centrada na constelação de Hidra. Pensa-se que as estrelas formaram-se ao mesmo tempo, há cerca de 10 milhões de anos atrás. Recentemente, dados do WISE e do seu antecessor, 2MASS, encontraram o objeto flutuante de mais baixa-massa nesta família - uma provável anã castanha chamada WISEA J114724.10−204021.3.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estamos no início do que será um campo excitante - tentando determinar a natureza da população que flutua livremente e quantos são planetas vs. quantos são anãs castanhas," afirma o coautor Davy Kirkpatrick do IPAC (Infrared Processing and Analysis Center) da NASA no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena.

Os astrónomos descobriram WISEA 1147 vasculhando imagens de todo o céu obtidas pelo WISE, em 2010, e pelo 2MASS, cerca de uma década antes. Eles estavam procurando jovens anãs castanhas nas proximidades. Uma maneira de saber se algo está perto é verificar se se moveram muito em relação a outras estrelas com o tempo. Quando mais próximo está um objeto, mais parece mover-se contra o fundo de estrelas mais distantes. Ao analisar os dados de ambos os levantamentos obtidos com cerca de 10 anos de diferença, os objetos próximos saltam à vista.

A descoberta de objetos de baixa-massa e anãs castanhas é também muito adequada para o WISE e para o 2MASS, ambos os quais detetam radiação infravermelha. As anãs castanhas não são brilhantes o suficiente para serem vistas com telescópios óticos, mas as suas assinaturas de calor podem ser observadas em imagens infravermelhas.

A anã castanha WISEA 1147 era bastante "vermelha" nas imagens 2MASS (onde a cor vermelha tinha sido atribuída a comprimentos de onda infravermelhos mais longos), o que significa que é poeirenta e jovem.

"As características deste objeto saltaram à vista, 'sou uma jovem anã castanha,'" comenta Schneider.

Depois de mais análises, os astrónomos perceberam que este objeto pertence à associação TW Hydrae, que está a cerca de 150 anos-luz da Terra e tem apenas 10 milhões de anos. Isto torna WISEA 1147, com uma massa entre cinco e dez vezes a de Júpiter, uma das anãs castanhas mais jovens e de menor massa já descobertas.

Curiosamente, um segundo membro da associação TW Hydrae, de massa igualmente muito baixa, foi anunciado poucos dias depois (2MASS 1119-11) por um outro grupo liderado por Kendra Kellogg da Western University em Ontário, Canadá.

Outra razão pela qual os astrónomos querem estudar estes mundos isolados é que se assemelham com planetas, mas são mais fáceis de estudar. Os planetas em torno de outras estrelas, chamados exoplanetas, são quase impercetíveis ao lado das suas estrelas brilhantes. Ao estudar objetos como WISEA 1147, que não têm nenhuma estrela hospedeira, os astrónomos podem aprender mais sobre as suas composições e padrões climáticos.

"Podemos entender melhor os exoplanetas através do estudo de anãs castanhas jovens e de baixa massa," observa Schneider. "Neste momento, estamos no regime de exoplaneta."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy Now
PHYSORG

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Planetas flutuantes:
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkeley

2MASS:
Caltech
Wikipedia

 
EXPERIÊNCIA FINAL DA VENUS EXPRESS LANÇA LUZ SOBRE ATMOSFERA POLAR DE VÉNUS
Visualização da Venus Express durante a manobra de aerotravagem, na qual a sonda orbitou Vénus a uma altitude de aproximadamente 130 km entre 18 de junho e 11 de julho de 2014. No mês anterior, a altitude foi reduzida gradualmente de cerca de 200 km para 130 km.
Crédito: ESA - C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Alguns dos resultados finais enviados pela sonda Venus Express da ESA, antes de mergulhar através da atmosfera do planeta, revelaram a presença de ondas atmosféricas - e uma temperatura média de -157º C, mais frio do que em qualquer outro lugar da Terra.

Além de nos dizer muito sobre as regiões polares - anteriormente inexploradas - de Vénus, e de melhorar o nosso conhecimento deste vizinho planetário, a experiência é uma grande promessa para a missão ExoMars da ESA, que está neste preciso momento a caminho do Planeta Vermelho. Os resultados foram publicados na edição de 11 de abril de 2016 da revista Nature Physics.

A Venus Express da ESA chegou a Vénus em 2006. Passou oito anos a explorar o planeta a partir de órbita, ultrapassando em muito a duração planeada da missão (500 dias), antes de ficar sem combustível. A sonda começou então a sua descida, mergulhando cada vez mais na atmosfera de Vénus, antes da missão perder contacto com a Terra (novembro de 2014) e terminar oficialmente (dezembro de 2014).

No entanto, a Venus Express foi diligente até ao fim; as órbitas de baixa altitude foram realizadas durante os meses finais da missão, levando a nave espacial perto o suficiente para sentir fricção mensurável com a atmosfera. Usando os seus acelerómetros a bordo, a nave mediu a desaceleração que sentia enquanto atravessava a atmosfera superior do planeta - uma manobra conhecida como aerotravagem.

"A aerotravagem usa o atrito atmosférico para abrandar uma nave, por isso fomos capazes de usar as medições dos acelerómetros para explorar a densidade da atmosfera de Vénus," afirma Ingo Müller-Wodarg do Imperial College London, no Reino Unido, autor principal do estudo. "Nenhum dos instrumentos da Venus Express estava realmente concebido para fazer observações atmosféricas 'in situ'. Só nos apercebemos em 2006 - depois do lançamento! - que podíamos usar a Venus Express, num todo, para fazer mais ciência."

Visualização da Venus Express durante a manobra de aerotravagem, na qual a sonda orbitou Vénus a uma altitude de aproximadamente 130 km entre 18 de junho e 11 de julho de 2014. No mês anterior, a altitude foi reduzida gradualmente de cerca de 200 km para 130 km.
Crédito: ESA - C. Carreau
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Quando Müller-Wodarg e colegas reuniram as suas observações, a Venus Express orbitava entre 130 e 140 km perto das regiões polares de Vénus, numa zona da atmosfera de Vénus que nunca tinha sido estudada "in situ".

Anteriormente, o nosso conhecimento da atmosfera polar de Vénus tinha por base observações recolhidas pela sonda Pioneer da NASA no final da década de 1970. Essas foram de outras partes da atmosfera de Vénus, perto do equador, mas extrapoladas para os polos para formar um modelo completo de referência atmosférica.

Estas novas medições, recolhidas como parte do estudo VExADE (Venus Express Atmospheric Drag Experiment) entre os dias 24 de junho e 11 de julho de 2014, testaram diretamente este modelo - e revelaram várias surpresas.

Em primeiro lugar, a atmosfera polar é até 70 graus mais fria do que o esperado, com uma temperatura média de -157ºC. As recentes medições de temperatura pelo instrumento SPICAV (SPectroscopy for the Investigation of the Characteristics of the Atmosphere of Venus) da Venus Express estão de acordo com esta conclusão.

Esta figura mostra a densidade da atmosfera de Vénus nas regiões polares norte a altitudes de 130 a 190 km. Todos os dados foram recolhidos durante fases diferentes da experiência VExADE, realizada entre 2008 e 2013 (valores acima dos 165 km) e entre 24 de junho e 11 de julho de 2014 (valores por baixo de 140 km); os pontos pretos para baixo e para a direita são da fase de aerotravagem, os da parte superior esquerda são da fase de Determinação Precisa de Órbita, e os cinzentos de medições de binário.
Cada linha colorida representa um modelo científico diferente da atmosfera de Vénus. A linha azul escura mostra um modelo baseado em dados da sonda Pioneer da NASA, denominado VTS3, que usa observações de latitudes equatoriais de Vénus recolhidas entre 1978 e 1980 (extrapolados para os polos). A linha azul corresponde a outro modelo de referência da atmosfera superior neutra de Vénus com base na Pioneer, com o nome VIRA (Venus International Reference Atmosphere). A linha vermelha corresponde a um modelo atualmente em desenvolvimento por Ingo Müller-Wodarg. Este modelo visa preencher a lacuna de dados vistos na figura entre 140 e 165 km e apresentam um perfil de densidade vertical unificado para a atmosfera polar superior de Vénus.
Crédito: Cortesia de I. Müller-Wodarg (Imperial College London, Reino Unido)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A atmosfera polar também não é tão densa quanto o esperado; a 130 e 140 km de altitude, é 22% e 40% menos densa do que o previsto, respetivamente. Quando extrapoladas para mais alto na atmosfera, estas diferenças são consistentes com as medidas anteriormente pelo VExADE a 180 km, onde as densidades encontradas são menores por um fator de quase dois.

"Isto está em linha com as nossas descobertas de temperatura e mostra que o modelo existente apresenta uma perspetiva demasiado simples da atmosfera superior de Vénus," acrescenta Müller-Wodarg. "Estas densidades mais baixas podem ser, pelo menos, em parte devidas a vórtices polares, sistemas de ventos fortes situados perto dos polos do planeta. Os ventos atmosféricos podem estar a tornar a estrutura de densidade tanto mais complicada como mais interessante!"

Além disso, descobriu-se que a região polar é dominada por fortes ondas atmosféricas, um fenómeno que se pensa ser fundamental na formação de atmosferas planetárias - incluindo a nossa.

"Através do estudo de como as densidades atmosféricas mudam e são perturbadas ao longo do tempo, descobrimos dois tipos diferentes de onda: ondas de gravidade atmosféricas e ondas planetárias," explicou o coautor Sean Bruinsma do CNES (Centre National D'Etudes Spatiales), França. "Estas ondas são difíceis de estudar, pois precisamos estar dentro da atmosfera do próprio planeta para as medir corretamente. As observações de longe não nos dizem tanto."

As ondas de gravidade atmosféricas são semelhantes às ondas que vemos no oceano, ou quando atiramos pedras num lago, só que viajam verticalmente em vez de horizontalmente. São essencialmente ondulações na densidade de uma atmosfera planetária - viajam de altitudes baixas para altitudes mais elevadas e, dado que a densidade diminui com a altitude, tornam-se mais fortes com a altura. O segundo tipo, ondas planetárias, está associado com a rotação de um planeta enquanto gira sob o seu próprio eixo; são ondas de maior escala com períodos de vários dias.

Esta imagem mostra uma visualização de dados brutos da experiência VExADE, realizada entre 24 de junho e 11 de julho de 2014, a altitudes de 130-140km na atmosfera de Vénus.
As linhas escuras mostram 16 das 18 trajetórias orbitais desse período. O fundo cinzento é um mapa normalizado das ondas de gravidade atmosféricas detetadas. A não-uniformidade representa perturbações de densidade na atmosfera polar de Vénus; as zonas mais escuras são menos densas, e as zonas mais claras são mais densas do que os seus arredores. A amplitude de perturbação média de densidade ronda os 10% da densidade média de fundo.
Os resultados da experiência VExADE, divulgadas na revista Nature Physics, mostram que as fontes ondas de gravidade atmosféricas dominam as regiões polares da atmosfera de Vénus.
Crédito: ESA/Venus Express/VExADE/Müller-Wodarg et al., 2016
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Terra tem ambos os tipos. As ondas de gravidade atmosféricas interferem com o tempo e provocam turbulência, enquanto as ondas planetárias podem afetar sistemas meteorológicos e de pressão. Sabe-se que ambos transferem energia e momento de uma região para outra, e assim tendem a ser muito influentes na definição das características de uma atmosfera planetária.

"Nós descobrimos que as ondas de gravidade atmosféricas dominam a atmosfera polar de Vénus," acrescenta Bruinsam. "A Venus Express sentiu-as como uma espécie de turbulência, um pouco como as vibrações que sentimos quando um avião viaja por uma zona mais difícil. Se nós voássemos através da atmosfera de Vénus, a essas altitudes, não as sentiríamos porque a atmosfera não é densa o suficiente, mas a Venus Express tem instrumentos sensíveis o suficiente para as detetar."

A Venus Express descobriu ondas atmosféricas a uma altitude de 130-140 km que a equipa pensa serem originárias da camada superior de nuvens na atmosfera de Vénus, situada a altitudes de aproximadamente 90 km e abaixo, e uma onda planetária que oscilou com um período de cinco dias. "Nós verificámos cuidadosamente os dados para assegurar que as ondas não eram um artefacto do processamento," afirma o coautor Jean-Charles Marty, também do CNES.

Isto não é só um marco para a Venus Express; embora a técnica de aerotravagem já tenha sido usada para satélites terrestres, e para missões da NASA em Marte e Vénus, nunca tinha sido usada numa missão planetária da ESA.

No entanto, a missão ExoMARS TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA, que foi lançada o mês passado, vai usar uma técnica similar. "Durante esta atividade vamos extrair dados parecidos da atmosfera marciana, tal como em Vénus," acrescenta Håkan Svedhem, cientista dos projetos ExoMars 2016 e Venus Express.

"Para Marte, a fase de aerotravagem vai durar mais tempo do que em Vénus, cerca de um ano, de modo que teremos um conjunto completo de dados das densidades atmosféricas de Marte e como variam com a estação e distância ao Sol," acrescenta Svedhem. "Esta informação não é apenas relevante para os cientistas; é também crucial para fins de engenharia. O estudo de Vénus foi um teste altamente bem-sucedido de uma técnica que pode agora ser aplicada a Marte numa escala maior - e depois para missões futuras."

Links:

Cobertura da missão Venus Express pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
19/12/2014 - Venus Express cai suavemente na noite
20/05/2014 - Venus Express prepara-se para dar mergulho atmosférico 
21/06/2013 - Os velozes ventos de Vénus estão ficando mais rápidos
24/09/2010 - Relâmpagos em Vénus semelhantes aos da Terra
31/07/2009 - Descoberta mancha brilhante em Vénus
15/07/2009 - Novo mapa aponta para passado vulcânico e molhado de Vénus
17/05/2008 - Importante molécula descoberta na atmosfera de Vénus
23/02/2008 - A luz e escuridão de Vénus
01/12/2007 - Vénus: irmão gémeo da Terra?
05/09/2007 - 500 dias em Vénus
11/04/2007 - Atmosfera de Vénus é mais caótica do que se pensava
12/05/2006 - Venus Express entra na sua órbita final
14/04/2006 - Venus Express já orbita Vénus
04/04/2006 - Venus Express quase no seu destino
05/08/2005 - Campanha de lançamento da Venus Express começa

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Imperial College London (comunicado de imprensa)
Nature Physics
Astronomy
Space Daily
Science Alert
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Gizmodo

Venus Express:
ESA 
NASA
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Novas imagens de Ceres mostram crateras brilhantes (via NASA)
Crateras com material brilhante no planeta anão Ceres brilham em novas imagens da sonda Dawn da NASA. Na sua mais baixa órbita de mapeamento, a uma distância de 385 km de Ceres, a Dawn forneceu aos cientistas imagens espetaculares do planeta anão. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O Cometa, a Coruja e a Galáxia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bob Franke
 
O Cometa C/2014 S2 (PanSTARRS) posa para um momento Messier neste retrato telescópico captado no passado dia 18 de abril. Na verdade, partilha o campo de visão com 1,5 graus com duas entradas bem conhecidas do famoso catálogo do astrónomo do século XVIII. Deslocando-se para longe através dos céus do Norte, mesmo por baixo da Ursa Maior, este objeto que visitou o Sistema Solar interior estava a cerca de 18 minutos-luz do nosso planeta. A galáxia poeirenta e vista de lado, M108 (em cima à direita), está a 45 milhões de anos-luz de distância. Uma nebulosa planetária com uma estrela central velha, mas intensamente quente, M97 ou Nebulosa da Coruja, está a apenas mais ou menos 12 mil anos-luz de distância, ainda bem dentro da nossa Via Láctea. Os astrónomos calcularam que a órbita deste cometa PanSTARRS fá-lo-á regressar ao Sistema Solar interior por volta do ano 4226.
 

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