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Edição n.º 1547
04/01 a 07/01/2019
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Já estamos em janeiro, e o Triângulo de Verão ainda é visível - se observar ao início da noite. Vega é a estrela mais brilhante baixa a noroeste. A estrela brilhante por cima, e um pouco para a esquerda, é Deneb. Procure Altair para a esquerda de Vega, um pouco mais baixa.

Dia 05/01: 5.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5.

Chega a Vénus no dia 16 de maio de 1969. Antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Em 2005, Éris, o mais massivo planeta anão conhecido do Sistema Solar, é descoberto pela equipa científica de Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz, usando imagens obtidas originalmente a 21 de outubro de 2003, no Observatório Palomar.
Observações: Nesta altura fria do ano, a ténue Ursa Menor apoia-se na Estrela Polar depois da hora de jantar - como se fosse um prego na parede fria do céu noturno. Entretanto, a Ursa Maior encontra-se baixa a norte-nordeste. E Cassiopeia, um "M" achatado, começa a inclinar-se alta a norte-noroeste.

Dia 06/01: 6.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1912, o geofísico alemão Alfred Wegener apresenta pela primeira vez a sua teoria da deriva continental.

Observações: Lua Nova, pelas 01:28.
Eclipse solar parcial, não visível de Portugal - visível no Leste Asiático.

Dia 07/01: 7.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observava pela primeira vez as quatro maiores luas de Júpiter, Ganimedes, Calisto, Io e Europa, mas só é capaz de discernir as últimas duas no dia seguinte.

Em 1968, lançamento da Surveyor 7, a última do programa Surveyor.
Em 1985, a agência espacial japonesa, JAXA, lança a Sakigake, a primeira sonda interplanetária lançada por um país que não os Estados Unidos ou a União Soviética.
Em 1998, era lançada a Lunar Prospector.
Observações: Vénus na sua maior elongação oeste (47º).

 
CURIOSIDADES

O músico Brian May compôs um tributo à missão New Horizons. Veja aqui o videoclip musical.
 
NEW HORIZONS EXPLORA ULTIMA THULE

A sonda New Horizons da NASA passou por Ultima Thule nas primeiras horas do dia de Ano Novo, inaugurando a era da exploração da enigmática Cintura de Kuiper, uma região de objetos primordiais que detém a chave para entender as origens do Sistema Solar.

Os sinais que confirmaram que a nave está de boa saúde e tinha ocupado o seu armazenamento digital com dados científicos de Ultima Thule chegaram ao centro de operações da missão no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, às 15:29 de dia 1 (hora portuguesa), quase 10 horas depois da maior aproximação da New Horizons pelo objeto.

"A New Horizons teve um desempenho como planeado, levando a cabo a exploração mais longínqua de um objeto na história da Humanidade- a 6,4 mil milhões de quilómetros do Sol," disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. "Os dados que temos parecem fantásticos e já estamos a aprender mais sobre Ultima Thule de perto. A partir daqui os dados vão ficar cada vez melhores!"

Esta imagem obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) é a mais detalhada de Ultima Thule já transmitida até à data pela New Horizons. Foi obtida às 05:01 (UT) de dia 1 de janeiro de 2019, apenas 30 minutos antes da maior aproximação, a 28.000 km, com uma escala original de 140 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas da missão New Horizons da NASA divulgaram as primeiras imagens detalhadas do objeto mais distante já explorado. A sua aparência notável, diferente de tudo o que já vimos antes, ilumina os processos que construíram os planetas há 4,5 mil milhões de anos.

"Este 'flyby' é uma conquista histórica," disse Stern. "Nunca antes tinha uma nave espacial estudado um corpo tão pequeno, a uma velocidade tão elevada, tão longe nos confins do Sistema Solar. A New Horizons estabeleceu um novo marco para a navegação espacial de última geração."

As novas imagens - obtidas a uma distância de 27.000 km - revelaram Ultima Thule como um "binário de contacto", consistindo de duas esferas ligadas. De ponta a ponta, mede 31 km. A equipa apelidou a esfera maior de "Ultima" (19 km de comprimento) e a mais pequena de "Thule" (14 km de comprimento).

A equipa diz que as duas esferas provavelmente uniram-se logo no início da formação do Sistema Solar, colidindo a uma velocidade não superior à de um pequeno acidente entre dois automóveis.

A primeira imagem a cores de Ultima Thule, obtida a 137.000 km às 04:08 (UT) de dia 1 de janeiro de 2019, realçando a sua superfície avermelhada. À esquerda está uma imagem melhorada obtida pelo instrumento MVIC (Multispectral Visible Imaging Camera), produzida através da combinação dos canais vermelho, azul e infravermelho próximo. A imagem do centro foi obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) e tem uma resolução maior do que a do MVIC por aproximadamente um factor de 5. À direita, a cor foi sobreposta na imagem do LORRI para mostrar a uniformidade da cor dos lóbulos Ultima e Thule. Note que o tom avermelhado é menos pronunciado no pescoço do objeto.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados recebidos já resolveram um dos mistérios de Ultima Thule, mostrando que o objeto da Cintura de Kuiper gira como uma hélice, com o eixo apontando aproximadamente na direção da New Horizons. Isso explica porque, em imagens obtidas anteriormente, o seu brilho não parecia variar à medida que girava. A equipa ainda não determinou o período de rotação.

Além disso, dos dados mais recentes recebidos ficámos a saber:

  • Não existem evidências de anéis ou satélites com mais de 1,6 km em órbita de Ultima Thule;
  • Não existem evidências de uma atmosfera;
  • A cor de Ultima Thule coincide com a cor de mundos parecidos na Cintura de Kuiper, como determinado por medições telescópicas;
  • Os dois lóbulos de Ultima Thule - o primeiro binário de contacto visitado na Cintura de Kuiper - são quase idênticos em termos de cor. Isto coincide com o que sabemos sobre sistemas binários que ainda não entraram em contacto um com o outro, mas que orbitam, ao invés, um ponto gravitacional comum.
Animação do objeto da Cintura de Kuiper, Ultima Thule, composta por duas exposições obtidas com 38 minutos de intervalo. As imagens foram captadas pelo LORRI às 04:23 e 05:01 (UT) de dia 1 de janeiro de 2019, a 61.000 e 28.000 km, respetivamente, e com escalas de 310 metros e 140 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
 

"A New Horizons é como uma máquina do tempo, levando-nos de volta ao nascimento do Sistema Solar. Estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo," comenta Jeff Moore, líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons. "O estudo de Ultima Thule está a ajudar-nos a entender como os planetas se formam - tanto aqueles no nosso Sistema Solar como aqueles em órbita de outras estrelas da Via Láctea."

A sonda New Horizons continuará a transmitir imagens e outros dados nos próximos dias e meses, completando o envio de todos os dados científicos em 20 meses, com imagens de muito maior resolução ainda por vir. Em 2015, a sonda começou a sua exploração da Cintura de Kuiper com uma passagem por Plutão e pelas suas luas. Quase 13 anos após o lançamento, a sonda vai continuar a explorar a Cintura de Kuiper até pelo menos 2021. Os membros da equipa planeiam propor a exploração de ainda outro objeto da Cintura de Kuiper além de Ultima Thule.

Links:

Cobertura da secção 2014 MU69 da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/12/2018 - O primeiro mistério de Ultima Thule
21/12/2018 - New Horizons na trajetória ideal em direção a Ultima Thule
31/08/2018 - Às portas de Ultima Thule: New Horizons faz primeira deteção do seu próximo alvo de "flyby"
16/03/2018 - New Horizons escolhe alcunha para alvo do "flyby"
13/02/2018 - New Horizons captura imagens recorde na Cintura de Kuiper
15/12/2017 - Será que o próximo alvo da New Horizons tem uma lua?
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"

Notícias relacionadas:
JHUAPL (comunicado de imprensa)
JHUAPL (comunicado de imprensa - 2)
JHUAPL (comunicado de imprensa - 3)
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Ultima Thule (2014 MU69):
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CHINA É A PRIMEIRA NAÇÃO A POUSAR NO LADO OCULTO DA LUA
Imagem da face não visível da Lua, a partir do local de aterragem do "lander" Chang'e 4, na região polar sul. O "lander" seguirá nessa mesma direção.
Crédito: CNSA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um veículo lunar chinês pousou ontem, e pela primeira vez, no lado oculto da Lua. A missão Chang'e 4 aterrou e já enviou fotos do denominado "lado escuro" da Lua para o satélite Queqiao, que transmite as comunicações para os controladores na Terra.

Pequim está a investir milhares de milhões no seu programa espacial militar, na esperança de ter uma estação tripulada até 2022 e, eventualmente, enviar humanos à Lua.

A sonda lunar Chang'e 4 - com o nome da deusa da Lua na mitologia chinesa - foi lançada em dezembro a partir do centro de lançamentos Xichang. É a segunda missão chinesa a aterrar na Lua, seguida da missão do rover Yutu em 2013. Ao contrário da face visível da Lua, com muitas áreas planas, o lado oculto é montanhoso e acidentado.

O Chang'e 4 transporta seis instrumentos da China e quatro estrangeiros, incluindo estudos radioastronómicos de baixa frequência - com o objetivo de aproveitar a falta de interferência do lado oculto. O rover também vai realizar tetes de radiação e de minerais.

Nenhum "lander" ou rover tinham tocado a superfície lunar do lado oculto e este não é um feito tecnológico simples. Um dos grandes desafios é a comunicação, pois o módulo não tem uma linha de visão direta para os sinais chegarem à Terra. Como solução, a China lançou em maio o satélite Queqiao para órbita lunar, posicionando-o de modo a transmitir dados e comandos entre o Chang'e 4 e a Terra.

Foto do rover Chang'e 4, já a percorrer a superfície oculta da Lua.
Crédito: CNSA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Outro obstáculo extremo: durante a noite lunar - com a duração de 14 dias terrestres - as temperaturas caem para -173º C. Durante o dia lunar, também com a duração de 14 dias terrestres, as temperaturas atingem os 127º C. Os instrumentos do rover têm que suportar estas flutuações e o veículo tem que produzir energia suficiente para sustentá-lo durante a longa noite.

Além destas dificuldades, o Chang'e 4 foi enviado para a Bacia Aitken na região polar sul da Lua - conhecida pelo seu terreno complexo e escarpado.

O rover Yutu também ultrapassou estes desafios e, após alguns contratempos iniciais, estudou a superfície da Lua durante 31 meses. O seu sucesso deu um grande impulso ao programa espacial da China.

Pequim planeia enviar outro módulo lunar, Chang'e 5, ainda este ano, para recolher amostras e trazê-las para a Terra. É um dos planos ambiciosos da China, que incluem um foguetão reutilizável até 2021, um foguetão superpotente capaz de enviar cargas mais pesadas do que a NASA e a empresa privada SpaceX conseguem enviar, uma base lunar, uma estação espacial permanentemente tripulada e um rover marciano.

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Notícias relacionadas:
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Chang'e 4:
Wikipedia

Chang'e-3/Yutu:
Chang'e 3 (Wikipedia)
Yutu (Wikipedia)

Lua:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Missão Juno capta imagens de plumas em Io (via SwRI)
A missão Juno obteve imagens de uma pluma vulcânica na lua de Júpiter, Io, durante o 17.º "flyby" da sonda pelo gigante gasoso. As imagens foram obtidas no dia 21 de dezembro e mostram a lua parcialmente iluminada e uma mancha brilhante vista no terminador, a linha que separa o dia da noite. Ler fonte
     
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No passado dia 31 de dezembro, pelas 19:31 (hora portuguesa), enquanto muitos cá na Terra festejavam o Novo Ano, a sonda OSIRIS-REx da NASA, a 110 milhões de quilómetros, ativou os seus propulsores durante oito segundos - e quebrou um recorde na exploração espacial. Ao entrar em órbita do asteroide Bennu, este tornou-se o objeto mais pequeno a ser orbitado por uma nave. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Cabeça de Bruxa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Digitized Sky Survey (POSS II); Processamento: Utkarsh Mishra
 
Uma nebulosa de reflexão com uma forma sugestiva e assustadora, esta bruxa cósmica está a mais ou menos 800 anos-luz de distância. A sua aparência maléfica parece olhar para a estrela brilhante vizinha Rigel, em Orionte, logo para a esquerda da borda da exposição. Mais formalmente conhecida como IC 2118, a nuvem interestelar de poeira e gás tem quase 70 anos-luz de comprimento, os seus grãos de poeira refletindo luz estelar de Rigel. Neste retrato composto, a cor é azulada não apenas devido à radiação de Rigel ser azulada, mas sobretudo porque devido à dispersão preferencial dos comprimentos de onda azuis, esta radiação é mais facilmente refletida pela poeira da nebulosa. O processo é semelhante aquele que faz com que o céu da Terra pareça azul, embora na atmosfera a luz seja dispersada pelas moléculas de azoto e oxigénio.
 

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