Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1626  
  08/10 a 10/10/2019  
     
 
10/10/19 - Palestra + Observação noturna com telescópio
20:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Adultos: 2€ | Jovens: 1€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt
 
     
 
Efemérides

Dia 08/10: 281.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1873, nascia Ejnar Hertzsprung, astrónomo e químico dinamarquês que, na primeira década do século XX, provou pela primeira vez a existência de estrelas gigantes e estrelas anãs.

Juntamente com Henry Norris Russell, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 17:25 e as 19:42.
Olhe esta noite para baixo e para a esquerda da Lua, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado, e aí estará Fomalhaut, a solitária Estrela de Outono piscando. Está particularmente longe de qualquer outra estrela de 1.ª magnitude, e o resto da sua constelação - Piscis Austrinus, o Peixe Austral - é extraordinariamente ténue.

Dia 09/10: 282.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604 ocorre a supernova 1604, a supernova mais recente observada à vista desarmada na Via Láctea.

Em 1873, nascia Karl Schwarzschild, físico e astrónomo alemão que, entre outras descobertas, determinou o raio de Schwarzschild, o tamanho do horizonte de eventos de um buraco negro
Em 1992, um fragmento de 13 kg do meteorito Peekskill aterra na entrada da garagem da residência Knapp em Peekskill, Nova Iorque, destruindo o Chebrolet Malibu de 1980 da família.
Em 2000, lançamento do HETE-2 (High Energy Transient Explorer), um observatório de raios-gama, a bordo de um foguetão Pegasus.
Em 2008. uma "mensagem da Terra" é enviada até Gliese 581c, um planeta parecido com a Terra a cerca de 30 anos-luz de distância. A Agência Espacial Ucraniana entregou o pacote de 500 mensagens, que se espera que alcance o exoplaneta no início de 2029.
Em 2009, primeiro impacto lunar das naves Centauro e LCROSS, como parte do Programa Robótico Lunar da NASA.
Observações: Fomalhaut está hoje diretamente para baixo da Lua após o anoitecer.
Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste logo após o cair da noite. Arcturo, de brilho idêntico, está cada vez mais baixa a oeste-noroeste. A estrela mais brilhante na vasta área entre as duas estrelas, a aproximadamente um-terço do caminho de Arcturo a Vega, é Alphecca, de magnitude 2,2 - a jóia da Coroa Boreal. Alphecca é um binário eclipsante de 17 dias, mas as suas quedas de brilho são demaisado fracas para serem observadas confiavelmente a olho nu.

Dia 10/10: 283.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1731 nascia Henry Cavendish, cientista britânico famoso pela sua descoberta do hidrogénio e pela sua medição da densidade da Terra.
Em 1846, Tritão, a maior lua de Neptuno, é descoberta pelo astrónomo inglês William Lassell.
Em 1960, a sonda soviética Mars 1960A falha a atingir órbita terrestre.
Em 1967 entra em ação o Tratado Espacial, assinado a 27 de janeiro desse ano por mais de sessenta nações.

Observações: Olhe para a direita de Vega a 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado) em busca de Eltanin, o nariz do Dragão. O resto da cabeça do Dragão está um pouco mais para trás. Dragão está sempre a "olhar" para Vega.
As estrelas da constelação de Vega, Lira, ténues em comparação, estendem-se agora para a esquerda de Vega (7º).

 
     
 
Curiosidades


No século XIX acreditava-se que as nuvens moleculares escuras eram buracos no céu.

 
 
   
A ciência solar tem um futuro brilhante na Lua

Existem muitas razões pelas quais a NASA está a perseguir a missão Artemis de fazer regressar astronautas à Lua até 2024: é uma maneira crucial de estudar a própria Lua e de pavimentar um caminho seguro para Marte. Mas também é um ótimo lugar para aprender mais sobre a proteção da Terra, que é apenas uma parte do maior sistema Sol-Terra.

Os heliofísicos - cientistas que estudam o Sol e a sua influência na Terra - também enviarão as suas próprias missões da NASA como parte do programa Artemis. O seu objetivo é entender melhor o complexo ambiente espacial que rodeia o nosso planeta, grande parte do qual é impulsionado pelo nosso Sol. Quanto mais entendermos esse sistema, melhor poderemos proteger a tecnologia espacial, as comunicações por rádio e as redes utilitárias da ira da nossa estrela mais próxima.

Aqui ficam cinco razões pelas quais os heliofísicos estão ansiosos por estas oportunidades lunares.

1. É um Satélite Estável

A primeira vantagem da ciência com base na Lua diz respeito à instabilidade dos satélites artificiais, que muito transtorna os cientistas espaciais.

 
À medida que a Lua orbita a Terra, gira à mesma velocidade - um tipo especial de bloqueio de marés chamado rotação síncrona. Como resultado, um lado da Lua está sempre virado para a Terra.
Crédito: SVS da NASA/Ernie Wright
 

Os satélites são mais instáveis do que se imagina. São feitos de metais que se expandem e se contraem com as mudanças de temperatura. Transportam telescópios que constantemente giram para permanecerem apontados para os alvos. Disparam motores e giram as rodas de reação para permanecer em órbita. Cada uma destas manobras causa tremulação, que pode provocar erros nas medições, medições estas que exigem precisão.

Mas a Lua - o único satélite natural da Terra - é uma viagem muito mais suave.

"A Lua é um bom lugar estável - não treme nem tremula como uma nave espacial," disse David Sibeck, heliofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Qualquer pessoa que tente fazer medições de alta resolução ficará feliz em não precisar de se preocupar com a instabilidade."

Um ambiente sem instabilidade é uma vantagem para todas as ciências espaciais, mas existem bónus adicionais para os heliofísicos que estudam as auroras. A uma média de 384.400 km da Terra, a Lua tem uma excelente vista das auroras da Terra quando se movem equatorialmente durante tempestades geomagnéticas. Além disso, como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra, os telescópios não precisam de ser tão ajustados. Colocados à superfície, a Lua mantém-nos apontados.

2. Observação de Eclipses

Muito antes da era espacial, os cientistas contavam com a Lua para ajudá-los a estudar o Sol. Observadores pacientes esperavam eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a superfície brilhante do Sol. Só então é que podiam ver a sua ténue atmosfera exterior, conhecida como coroa.

 
Animação de um eclipse solar total.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/CIL
 

Mas as esperas podem ser longas. Um eclipse solar total ocorre em algum lugar da Terra a cada 18 meses. Para qualquer local específico, é mais uma vez a cada quatro séculos.

"Obtemos resultados fantásticos com os eclipses," disse John Cooper, heliofísico de Goddard. "Mas não temos eclipses todos os dias."

Mas um telescópio de observação solar, no tipo certo de órbita em torno da Lua, pode gerar eclipses "sob demanda". Em vez de esperarmos que a Lua se mova pela linha de visão do telescópio, Cooper, explica, movemos a nossa linha de visão para trás da Lua.

"Basicamente, estamos a usar o limbo lunar contra o céu escuro e profundo," disse Cooper. Dado que a Lua não tem uma atmosfera que distorce a imagem, as medições seriam ainda mais nítidas do que as feitas na Terra.

A partir da sua órbita íntima, um telescópio do género não geraria eclipses solares totais - estudaria, sim, uma parte do limbo do Sol de cada vez. Mas Cooper calcula que podemos ver tanto os lados este como este do limbo do Sol uma vez a cada órbita - duas vistas de alta resolução, todos os dias.

3. Está Fora do Campo Magnético da Terra

O clima espacial faz parte da heliofísica, onde a ciência pura é aplicada em tempo real. Os cientistas do clima espacial estudam o Sol - incluindo o seu fluxo constante de vento solar - e os seus impactos na Terra. Estes investigadores precisam de acertar na física fundamental para manter seguras as nossas valiosas comunicações e satélites GPS. Mas determinar se um satélite está em perigo pode ser complicado.

 
Uma ejeção de massa coronal simulada atinge o campo magnético da Terra.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/SVS/CCMC
 

A segurança de um satélite depende, em parte, se está dentro ou fora da magnetopausa da Terra. A magnetopausa é uma "terra de ninguém" móvel, onde o escudo magnético do nosso planeta termina e tem início todo o impacto do clima espacial. Aqui dentro, estamos em grande parte seguros. Fora, não estamos.

Mas, de momento, a única maneira de saber onde está essa fronteira, é voar através dela.

"Às vezes existem oscilações nos dados e podemos ver o cruzar dessa fronteira," disse Sibeck. "Às vezes, vemos dez oscilações."

Mas há outra maneira de encontrar a magnetopausa se pudermos afastarmo-nos o suficiente para lá do escudo magnético da Terra. Quando o vento solar atinge a atmosfera da Terra, logo para lá da magnetopausa, emite raios-X. Um telescópio de raios-X, colocado corretamente, podia capturar essa radiação e rastrear a localização da magnetopausa.

É por isso que Sibeck pertence a uma equipa, liderada pelo cientista espacial Brian Walsh da Universidade de Boston, que está a querer colocar um telescópio de raios-X na Lua.

"Ninguém ainda obteve estas imagens globais e a Lua tem um bom ponto de vista de fora do campo magnético da Terra," explicou Sibeck.

A missão LEXI (Lunar Environment heliospheric X-ray Imager), será colocada na superfície lunar para obter imagens globais, em tempo real, da magnetopausa. No dia 1 de julho de 2019, a NASA anunciou que a LEXI estará entre as primeiras cargas lunares a participar da missão Artemis. Esperam estar à superfície da Lua em 2022.

O instrumento LEXI terá pouco mais de um metro, mas a superfície lunar pode acomodar telescópios de raios-X muito maiores. Boas notícias, porque os raios-X são difíceis de focar; os telescópios mais longos obtêm imagens de resolução muito mais alta. O requisito de ser grande colocou um problema; alguns satélites simplesmente não têm tamanho suficiente para os transportar. "Mas na Lua as coisas podem ser realmente grandes," acrescentou Sibeck.

4. Podemos "Desenterrar" a História do Sol

A resposta para algumas perguntas da heliofísica encontram-se enterradas na própria Lua.

"A Lua é como uma cápsula no tempo," disse Steve Clarke, Administrador Associado Adjunto para Exploração da NASA. "Como foi formada ao mesmo tempo que a Terra, tem a história do Sistema Solar à sua superfície."

Durante os seus primeiros mil milhões de anos, o Sol provavelmente girou mais depressa do que gira hoje, disparando um volume maior de erupções solares e eletrificando o próprio espaço que formava planetas. Mas, para ter certeza de como foram esses primeiros mil milhões de anos, precisamos de evidências de coisas que ocorreram há muito, muito tempo.

A Lua - que não possui atmosfera, nem água líquida, nem placas tectónicas - fornece esse mesmo registo histórico. As erupções solares de há milhares de milhões de anos deixaram vestígios imperturbados na poeira lunar.

Um artigo recente analisou a poeira lunar para estudar a quantidade de voláteis - elementos como sódio e potássio, com baixos pontos de ebulição - que permaneceram nas amostras lunares. Estes voláteis são expulsos da Lua quando partículas solares energéticas atingem a superfície lunar. Ao analisar quanto destes elementos foram esgotados ao longo do tempo, os cientistas viram os primeiros mil milhões de anos do nosso Sol num contexto mais amplo. Embora tenha girado mais depressa do que gira hoje, em comparação com outras estrelas ainda é lenta, girando mais devagar do que 50% das estrelas semelhantes - e tendo surtos explosivos com muito menos frequência do que poderia ter tido.

"Poderia ter sido um ambiente muito mais severo," disse Prabal Saxena, autor principal do estudo e astrónomo de Goddard.

Ainda há mais história antiga para aprender com a poeira lunar. A Lua não tem um campo magnético global - mas pode ter tido um no passado. Amostras dos polos da Lua, onde a próxima missão Artemis planeia aterrar, podiam mostrar se um campo magnético histórico mudou o padrão de voláteis deixado para trás.

5. É uma Plataforma de Testes para Marte

Par os futuros astronautas na Lua e em Marte, o clima espacial exigirá atenção constante. O Sol liberta muitas "coisas" - e essas "coisas" viajam depressa.

Na Lua, os raios-X das explosões solares atingem a superfície em oito minutos. As ejeções de massa coronal - nuvens gigantes de partículas carregadas e quentes - podem chegar em 24 horas. As partículas energéticas solares, ou PESs, são mais raras, mas ainda mais rápidas e perigosas.

As PESs atingem 10, 20% da velocidade da luz, chegando até nós numa hora," afirmou Karin Muglach, física solar do Laboratório do Clima Espacial de Goddard. "Estas coisas são como balas."

Tendo em conta que a Lua está a apenas um segundo-luz de distância, os sistemas de aviso na Terra devem ser suficientes para proteger os astronautas na Lua. "Mas se formos para Marte, as comunicações podem demorar bastante," disse Muglach.

Testar estes sistemas de proteção, nas proximidades, é uma das razões pelas quais a NASA quer regressar à Lua antes de ir para Marte.

Para a Lua, e Além

À medida que a NASA avança para a Lua e depois para Marte, surgem novas oportunidades para aprender sobre a ligação Sol-Terra. Mas não é apenas ciência básica. A influência do Sol preenche o espaço em nosso redor - o próprio espaço que os futuros astronautas terão que navegar e entender.

"Nem todas as ciências têm este aspeto realmente prático," disse Jim Spann, principal cientista do clima espacial na sede da NASA em Washington, DC. "É um aspeto muito especial."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico sobre os voláteis da poeira lunar (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico sobre os voláteis da poeira lunar (arXiv.org)
// Bolhas magnéticas na Lua revelam evidências de "queimaduras solares" (NASA Goddard via YouTube)
// Como a NASA vai proteger os astronautas da radiação solar (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
21/06/2019 - Cientistas descobrem história do Sol "enterrada" na crosta da Lua

Sol:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Ejeção de massa coronal (Wikipedia)
Tempestades solares e clima espacial - FAQ (NASA)

Lua:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Terra:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Programa Artemis:
NASA
Wikipedia

 
   
A estratégia da NASA para salvar a "toupeira" do InSight

O "lander" InSight da NASA, que está numa missão para explorar o interior profundo de Marte, posicionou no final do mês passado o seu braço robótico a fim de ajudar a sua sonda de calor auto-marteladora. Conhecida como "toupeira", a sonda tem sido incapaz de escavar mais do que 35 centímetros desde que começou a enterrar-se no chão no passado dia 28 de fevereiro de 2019.

A manobra é preparação para uma estratégia, a ser tentada ao longo das próximas semanas, chamada "fixação".

"Vamos tentar pressionar o lado da pá contra a toupeira, fixando-a contra a parede do seu buraco," disse Sue Smrekar, vice investigadora principal da missão InSight no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Isto poderá aumentar o atrito o suficiente para mantê-la a avançar quando recomeçar a martelar."

 
O braço robótico do InSight da NASA vai usar a sua pá para fixar a sonda de calor, ou "toupeira", contra a parede do buraco que escavou.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Ainda não se sabe se a pressão extra na toupeira compensará o solo único.

Construída para escavar até 5 metros de profundidade a fim de registar a quantidade de calor que sai do interior do planeta, a toupeira precisa de fricção do solo em redor para escavar: sem fricção, o recuo da ação de auto-martelamento faz com que simplesmente salte no lugar, que é o que a missão suspeita que está a acontecer agora.

Embora o JPL esteja encarregado da missão InSight da NASA, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) forneceu a sonda de calor, que faz parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package). Em junho, a equipa elaborou um plano para ajudar a sonda de calor. A toupeira não foi desenhada para ser apanhada e recolocada depois de começar a escavar. Em vez disso, o braço robótico removeu uma estrutura de suporte destinada a manter a toupeira firme enquanto escavava a superfície marciana.

A remoção da estrutura permitiu que a equipa do InSight visse melhor o buraco que se formou em redor da toupeira à medida que martelava. É possível que a toupeira tenha atingido uma rocha, mas os testes realizados pela DLR sugeriram que o problema era o solo que se aglomera em vez de cair em redor da toupeira enquanto esta martela. A câmara do braço robótico mostrou que por baixo da superfície parece haver 5 a 10 centímetros de um tipo de solo cimentado mais espesso do que qualquer coisa encontrada noutras missões de Marte e diferente do solo para o qual a toupeira foi construída.

"Tudo o que sabemos sobre o solo é o que podemos ver nas imagens que o InSight nos envia," disse Tilman Spohn, investigador principal do HP3 na DLR. "Como não podemos trazer o solo para a toupeira, talvez possamos trazê-la para o solo, prendendo-a no buraco."

Usando a pá no braço robótico, a equipa tocou e empurrou o solo sete vezes ao longo deste verão, num esforço de derrubar o buraco. Sem sorte. Não é preciso muita força para fechar o buraco, mas o braço não está a empurrar com toda a sua força. A equipa colocou o HP3 o mais longe possível do módulo de aterragem para que a sua sombra não influenciasse as leituras de temperatura da sonda de calor. Como resultado, o braço, que não deveria ser usado desta maneira, precisa de se esticar e pressionar num ângulo, exercendo muito menos força do que se a toupeira estivesse mais próxima.

"Estamos a pedir ao braço que faça mais do que aquilo que é capaz," disse Ashitey Trebi-Ollennu, engenheiro-chefe do braço no JPL. "O braço não pode empurrar o solo como uma pessoa. Seria mais fácil se pudesse, mas não é esse o braço que temos."

As operações de resgate interplanetário não são novidade para a NASA. A equipa MER (Mars Exploration Rover) ajudou os rovers Spirit e Opportunity em mais do que uma ocasião. A determinação de soluções viáveis requer uma quantidade extraordinária de paciência e planeamento. O JPL possui uma réplica em funcionamento do InSight para praticar os movimentos do braço e também possui um modelo em funcionamento da sonda de calor.

Além da técnica de fixação, a equipa também está a testar uma técnica para usar a pá da maneira "original": raspando o solo para o buraco em vez de tentar compactá-lo. O público em geral poderá ver ambas as técnicas nas imagens que o InSight enviar num futuro próximo.

// NASA (comunicado de imprensa)
// O braço robótico do InSight ajuda a sua "toupeira" em Marte (NASA JPL via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
04/10/2019 - InSight "ouve" sons peculiares em Marte
05/07/2019 - InSight da NASA destapa a "toupeira"
26/04/2019 - InSight captura áudio do seu primeiro sismo marciano
08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
19/02/2019 - InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte
08/02/2019 - Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte
21/12/2018 - InSight coloca primeiro instrumento no solo marciano
11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
27/11/2018 - "Lander" InSight aterra em Marte
23/11/2018 - InSight aterra em Marte no dia 26
20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
SPACE.com
Astronomy Now
PHYSORG
Universe Today
CNN

InSight:
NASA
NASA - 2
Twitter
Wikipedia

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Uma rosquinha cósmica
 
Com o auxílio do ALMA, os astrónomos obtiveram esta imagem sem precedentes de dois discos onde estrelas bebés estão a crescer, alimentadas por material do disco circundante onde nasceram. A complexa rede de estruturas de poeira distribuídas em formas espirais fazem lembrar os laços de uma rosquinha. Estas observações ajudam os astrónomos a compreender melhor as fases mais iniciais da vida das estrelas e a determinar as condições necessárias à formação de estrelas binárias.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Alves et al.
 

Com o auxílio do ALMA, os astrónomos obtiveram uma imagem de resolução extremamente elevada de dois discos onde estrelas jovens estão a crescer, alimentadas por uma complexa rede de filamentos de gás e poeira em forma de rosquinha. A observação deste fenómeno notável ajuda os astrónomos a compreender melhor as fases mais iniciais da vida das estrelas e a determinar as condições necessárias à formação de estrelas binárias.

As duas estrelas bebés foram descobertas no sistema [BHB2007] 11 — o membro mais jovem de um pequeno enxame estelar na nebulosa escura Barnard 59, a qual faz parte das nuvens de poeira interestelar de nome Nebulosa do Cachimbo. Observações anteriores deste sistema binário mostraram a estrutura exterior. Agora, graças à elevada resolução do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma equipa internacional de astrónomos liderada por cientistas do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE), pôde ver a estrutura interna deste objeto.

"Vemos duas fontes compactas que interpretamos como discos circunstelares em torno de duas estrelas jovens," explica Felipe Alves do MPE, que liderou o estudo. Um disco circunstelar é o anel de gás e poeira que rodeia uma estrela jovem. A estrela acreta matéria do anel e vai crescendo. "O tamanho de cada um destes discos é semelhante à cintura de asteroides do nosso Sistema Solar e a separação entre eles é 28 vezes maior que a distância entre a Terra e o Sol," diz Alves.

 
Esta imagem mostra Barnard 59, parte de uma enorme nuvem escura de poeira interestelar chamada Nebulosa do Cachimbo. Esta nova imagem extremamente detalhada do objeto, que é conhecido como uma nebulosa escura, foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO. A imagem é tão grande que recomendamos que use a versão zoom para a apreciar na sua totalidade. Crédito: ESO
 

Os dois discos circunstelares estão rodeados por um disco maior com uma massa total de cerca de 80 massas de Júpiter, apresentando uma rede complexa de estruturas de poeira distribuídas em formas espirais — os laços da rosquinha. "Trata-se de um resultado importante," comenta Paola Caselli, diretora administrativa do MPE, diretora do Centro de Estudos Astroquímicos e coautora deste trabalho. "Podemos finalmente obter imagens da estrutura complexa de estrelas binárias jovens com os seus filamentos de 'alimentação' ligados ao disco onde nasceram, o que impõe importantes limites aos atuais modelos de formação estelar."

As estrelas bebés acretam massa do disco maior em duas fases. A primeira fase dá-se quando massa é transferida para os discos circunstelares individuais em belos laços rodopiantes, que é o que a nova imagem do ALMA nos mostra. A análise dos dados revelou ainda que o disco circunstelar mais brilhante mas de menor massa — o que vemos na parte inferior da imagem — acreta mais material. Numa segunda fase, as estrelas acretam massa dos seus discos circunstelares. "Pensamos que este processo de acreção em duas fases seja responsável pela dinâmica do sistema binário nesta fase de acreção de matéria," acrescenta Alves. "Apesar do bom ajuste destas observações com a teoria ser já bastante promissor, precisamos ainda de estudar mais sistemas binários jovens com todo o detalhe para compreendermos melhor como é que estrelas múltiplas se formam."

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 208: Uma Rosquinha Cósmica (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
Astronomy
SPACE.com
Astronomy Now
spaceref
PHYSORG
ScienceDaily

Formação estelar:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Sombra de um Eclipse em Júpiter, pela Juno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; Processamento: Kevin M. Gill
 
O que é aquela mancha escura em Júpiter? É a sombra da lua mais vulcânica do planeta, Io. Dado que Júpiter brilha predominantemente graças à luz refletida do Sol, qualquer coisa que bloqueie essa luz deixa uma sombra. Se pudéssemos estar de alguma forma nessa sombra, veríamos um eclipse total do Sol por Io. A sombra de Io tem cerca de 3600 km de diâmetro, aproximadamente o mesmo tamanho que a própria lua Io - e é apenas um pouco maior que a Lua da Terra. A imagem em destaque foi obtida o mês passado pela sonda robótica Juno da NASA, atualmente em órbita de Júpiter. A cada dois meses, a Juno aproxima-se de Júpiter, obtém muitos dados e tira uma série de fotografias - algumas das quais são transformadas em vídeo. Entre muitas outras coisas, a Juno tem medido o campo gravitacional de Júpiter, encontrando evidências surpreendentes de que Júpiter pode ser principalmente líquido. Sob nuvens inesperadamente espessas, o gigante joviano pode abrigar uma região massiva de hidrogénio líquido que se estende até ao centro.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2019 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt