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  Astroboletim #1850  
  30/11 a 02/12/2021  
     
 
Efemérides

Dia 30/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1756 nascia Ernst Chladni, físico e músico alemão, conhecido como o "pai dos meteoritos". Também calculou a velocidade do som para gases diferentes.
Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no estado norte-americano do Alabama. É o único caso documentado de um meteorito ter atingido uma pessoa.

Em 2000, lançamento da missão STS-97, do vaivém espacial Endeavour.
Observações: À medida que as estrelas aparecem, o "W" de Cassiopeia apoia-se de lado (o seu lado mais ténue) alta a nordeste. Veja Cassiopeia a girar para se tornar num "M" achatado, ainda mais alta a norte.
A Galáxia de Andrómeda (M31) e o Duplo Enxame de Perseu são dos objetos de céu profundo mais famosos. Estão ambos catalogados como tendo quase magnitude 4 e sob um céu escuro conseguimos ver ambos a olho nu. Os binóculos tornam-nos muito mais fáceis. Estão separados por apenas 22º, muito alto a este ao final do anoitecer - para a direita de Cassiopeia e mais perto mas para baixo de Cassiopeia, respetivamente. Mais tarde passam mais alto.
Embora parecidos em brilho, são muito diferentes em aspeto.

Dia 01/12: 335.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais Pchyolka (Pequena Abelha) e Mushka (Pequena Mosca) são lançados a bordo do Korabl-Sputnik-3, também conhecido como Sputnik 6.

A nave passou um dia em órbita mas a re-entrada foi mal configurada e, ao descer num ângulo muito acentuado, foi destruída.
Em 1984, a NASA leva a cabo a Demonstração de Impacto Controlado. Um Boeing 720 controlado remotamente é intencionalmente despenhado a fim de melhorar a capacidade de sobrevivência dos ocupantes.
Em 2013, a China lança o Yutu, o seu primeiro rover lunar, como parte da missão de exploração Chang'e 3.
Observações: Marte está a demorar o seu tempo a emergir detrás do brilho do Sol para o céu do amanhecer, tal como acontece a cada aparição. Mas ao amanhecer de quarta e quinta-feira, a curva da Lua aponta para onde olhar.

Dia 02/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988, lançamento da STS-27, missão do vaivém espacial Atlantis, sob a alçada do Departamento de Defesa dos EUA.
Em 1990, lançamento do vaivém Columbia, na sua missão STS-35
Em 1992, lançamento do vaivém Discovery, na sua missão STS-53, também para suporte do Departamento de Defesa dos EUA. 
Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: Cometa Leonard passa perto de M3. O Cometa Leonard (C/2021 A1) provavelmente atinge magnitude 6 esta noite. Está alto a este antes do amanhecer, passando pela fronteira entre Cães de Caça e Boieiro. Os madrugadores poderão encontrá-lo a 2º para cima do enxame globular M3. É uma boa comparação visual e pense em oportunidade fotográfica!
O cometa deverá alcançar uma magnitude máxima de 4 ou 5 - o que significa que será apenas um ténue objeto binocular; um cometa é mais difuso que uma estrela - dia 10 ou 11 de dezembro. Mas aí estará demasiado baixo no céu para uma boa observação, já começando a perder a "batalha" para o brilho do amanhecer.

 
     
 
Curiosidades


Cerca de 60% das galáxias são espirais. As restantes são elípticas ou irregulares.

 
 
   
Harmonia orbital limita a chegada tardia de água nos planetas de TRAPPIST-1

Sete planetas do tamanho da Terra orbitam a estrela TRAPPIST-1 em harmonia quase perfeita, e investigadores americanos e europeus usaram essa harmonia para determinar quanto "abuso físico" os planetas poderiam ter suportado na sua infância.

"Depois da formação dos planetas rochosos, 'coisas' chocam com eles," diz o astrofísico Sean Raymond da Universidade de Bordeaux, na França. "É o chamado bombardeamento, ou acreção tardia, e nós preocupamo-nos com isto, em parte, porque estes impactos podem ser uma importante fonte de água e elementos voláteis que fomentam a vida."

 
Ilustração que mostra como o sistema TRAPPIST-1 pode parecer a partir de um ponto de vista próximo do planeta TRAPPIST-1f (direita).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Num estudo disponível online e publicado na Nature Astronomy, Raymond e colegas do projeto CLEVER Planets da Universidade Rice e de sete outras instituições usaram um modelo de computador da fase de bombardeamento da formação planetária em TRAPPIST-1 para explorar os impactos a que os seus planetas podem ter resistido sem perder a harmonia.

Decifrar a história dos impactos planetários é difícil no nosso Sistema Solar e pode parecer uma tarefa impossível em sistemas a anos-luz de distância, disse Raymond.

"Na Terra, podemos medir certos tipos de elementos e compará-los com os dos meteoritos," explicou. "Isto é o que fazemos para tentar descobrir o que colidiu com a Terra depois de praticamente formada."

Mas estas ferramentas não existem para estudar bombardeamentos de exoplanetas.

"Nunca conseguiremos obter rochas deles," disse. "Nunca veremos crateras neles. Então o que é que nós podemos fazer? É aqui que entra a especial configuração orbital de TRAPPIST-1. É uma espécie de alavanca que podemos puxar para colocar limites."

TRAPPIST-1, a cerca de 40 anos-luz de distância, é muito mais pequena e fria do que o nosso Sol. Os seus planetas são nomeados alfabeticamente de b a h na ordem da sua distância à estrela. O tempo necessário para completar uma órbita em torno da estrela - equivalente a um ano na Terra - é 1,5 dias para o planeta b e 19 dias para o planeta h. Notavelmente, os seus períodos orbitais formam rácios quase perfeitos, um arranjo ressonante que lembra notas musicais harmoniosas. Por exemplo, por cada oito "anos" do planeta b, cinco passam no planeta c, três no planeta d, dois no planeta e e assim por diante.

"Não podemos dizer exatamente quanto material chocou contra qualquer um destes planetas, mas por causa desta configuração ressonante especial, podemos colocar um limite máximo," disse Raymond. "Podemos dizer: 'não pode ter sido mais do que isto.' E ao que parece este limite superior é, na verdade, bastante pequeno.

"Descobrimos que depois da formação destes planetas, não foram bombardeados por mais do que uma pequena quantidade de objetos," disse. "Isto é muito curioso. É uma informação interessante quando pensamos sobre outros aspetos dos planetas no sistema."

Os planetas crescem em discos protoplanetários de gás e poeira em torno de estrelas recém-formadas. Estes discos duram apenas alguns milhões de anos e Raymond disse que investigações anteriores mostraram que as cadeias ressonantes de planetas como a de TRAPPIST-1 formam-se quando os planetas jovens migram para mais perto da sua estrela antes do desaparecimento do disco. Os modelos de computador mostraram que os discos podem "pastorear" planetas para ressonância. Raymond disse que se pensa que estas cadeias de ressonância como a de TRAPPIST-1 devem estar já definidas antes do desaparecimento do disco protoplanetário.

O resultado é que os planetas de TRAPPIST-1 formaram-se rapidamente, em cerca de um-décimo do tempo que a Terra levou para se formar, disse o coautor do estudo Andre Izidoro, da Universidade Rice, astrofísico e pós-doutorado do projeto CLEVER Planets.

O CLEVER Planets, liderado por Rajdeep Dasgupta, coautor do estudo e professor de Ciência dos Sistemas Terrestres na Universidade Rice, está a explorar maneiras pelas quais os planetas podem adquirir os elementos necessários para a vida. Em estudos anteriores, Dasgupta e colegas do CLEVER Planets mostraram que uma parte significativa dos elementos voláteis da Terra veio do impacto que formou a Lua.

 
Os planetas de TRAPPIST-1 em comparação com as luas de Júpiter e planetas no Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Se um planeta se formar cedo e for demasiado pequeno, com a massa da Lua ou de Marte, não consegue acretar muito gás do disco," disse Dasgupta. "Esse planeta também tem muito menos oportunidades para obter elementos voláteis essenciais à vida por meio de bombardeamentos tardios."

Izidoro disse que isso teria sido o caso da Terra, que ganhou grande parte da sua massa relativamente tarde, incluindo cerca de 1% de impactos após a colisão que formou a Lua.

"Sabemos que a Terra teve pelo menos um impacto gigante depois do gás (no disco protoplanetário) ter desaparecido," disse. "Este foi o evento que formou a Lua.

"Para o sistema TRAPPIST-1, temos estes planetas com a massa da Terra que se formaram cedo," realçou. "Então, uma potencial diferença, em comparação com a formação da Terra, é que podem ter, desde o início, alguma atmosfera de hidrogénio e nunca sofreram impactos gigantes tardios. E isto pode mudar muito a evolução em termos do interior planetário, da libertação de gases, da perda volátil e outras coisas que têm implicações para a habitabilidade."

Raymond disse que este estudo tem implicações não apenas para o estudo de outros sistemas planetários ressonantes, mas para sistemas exoplanetários muito mais comuns que se pensa terem começado como sistemas ressonantes.

"As super-Terras e os sub-Neptunos são muito abundantes em torno de outras estrelas, e a ideia predominante é que migraram para o interior durante a fase de disco e então possivelmente tiveram uma fase tardia de colisões," explicou Raymond. "Mas durante aquela fase inicial, em que estavam a migrar para mais perto da estrela, pensamos que basicamente - universalmente, talvez - passaram por uma fase em que tinham estruturas de cadeia ressonantes como TRAPPIST-1. Mas que esta simplesmente não sobreviveu. Acabaram ficando instáveis mais tarde."

Izidoro disse que uma das maiores contribuições do estudo pode surgir daqui a alguns anos, depois do Telescópio Espacial James Webb da NASA, do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO e de outros instrumentos permitirem aos astrónomos observar diretamente as atmosferas de exoplanetas.

"Hoje temos algumas restrições na composição destes planetas, como a quantidade de água que podem ter", disse Izidoro acerca de planetas que se formam numa fase ressonante de migração. "Mas temos barras de erro muito grandes."

No futuro, as observações vão restringir melhor a composição interior dos exoplanetas e o conhecer melhor a história do bombardeamento tardio de planetas ressonantes pode ser extremamente útil.

"Por exemplo, se um destes planetas tiver muita água, digamos 20% da sua massa, a água deve ter sido incorporada nos planetas no início, durante a fase gasosa," disse. "Portanto, temos que entender que tipo de processo pode trazer esta água para este planeta."

// Universidade Rice (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Exoplanetas:
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Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
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Ressonância orbital:
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Discos protoplanetários:
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Um ano neste planeta gigante e escaldante dura apenas 16 horas

A busca por planetas para lá do nosso Sistema Solar revelou mais de 4000 mundos distantes em órbita de estrelas a milhares de anos-luz da Terra. Estes exoplanetas são muito diversificados, desde super-Terras rochosas, passando por Neptunos em miniatura e até gigantes gasosos colossais.

Entre os planetas mais intrigantes descobertos até à data estão os "Júpiteres quentes" - enormes bolas de gás com o tamanho do nosso planeta joviano, mas que giram em torno das suas estrelas hospedeiras em menos de 10 dias, em contraste com a lenta órbita de 12 anos de Júpiter. Os cientistas descobriram até ao momento cerca de 400 Júpiteres quentes. Mas a origem exata destes pesos-pesados velozes continua a ser um dos maiores mistérios não resolvidos da ciência planetária.

 
TOI-2109b está muito perto da sua estrela hospedeira, a uma distância de aproximadamente 2,4 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon
 

Agora, astrónomos descobriram um dos Júpiteres ultraquentes mais extremos - um gigante gasoso com cerca de cinco vezes a massa de Júpiter e que completa uma órbita em torno da sua estrela em apenas 16 horas. Esta é a órbita mais curta de qualquer gigante gasoso conhecido até hoje.

Devido à sua órbita extremamente íntima e proximidade à estrela, o lado diurno do planeta tem uma temperatura estimada em cerca de 3500 K - quase tão quente quanto uma pequena estrela. Isto torna o planeta, designado TOI-2109b, o segundo mais quente já detetado.

A julgar pelas suas propriedades, os astrónomos pensam que TOI-2109b está no processo de "decaimento orbital", ou a espiralar para a sua estrela, como água que gira no ralo. A sua órbita extremamente curta fará com que o planeta espirale em direção à sua estrela mais depressa que outros Júpiteres quentes.

A descoberta, que foi feita inicialmente pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, fornece uma oportunidade única para os astrónomos estudarem como os planetas se comportam quando são atraídos e engolidos pela sua estrela.

"Daqui a um ou dois anos, se tivermos sorte, poderemos detetar como o planeta se aproxima da sua estrela," diz Ian Wong, autor principal da descoberta, pós-doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology) durante o estudo e que desde então se mudou para o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. "Enquanto formos vivos, não vamos ver o planeta cair na estrela. Mas talvez este planeta desapareça daqui a 10 milhões de anos."

A descoberta foi publicada na revista The Astronomical Journal e é o resultado do trabalho de uma grande colaboração que inclui membros da equipa científica do TESS no MIT e investigadores de todo o mundo.

Rastreamento do trânsito

No dia 13 de maio de 2020, o TESS da NASA começou a observar TOI-2109, uma estrela localizada na porção sul da constelação de Hércules, a cerca de 855 anos-luz da Terra. A estrela foi identificada pela missão como o "Objeto de Interesse TESS" (em inglês "TESS Object of Interest", ou TOI) n.º 2109, devido à possibilidade de hospedar um planeta em órbita.

Ao longo de quase um mês, a nave recolheu medições da luz estelar, que a equipa científica do TESS então analisou em busca de trânsitos - quedas periódicas na luz das estrelas que podem indicar um planeta a passar em frente e a bloquear uma pequena fração da sua luz. Os dados da missão TESS confirmaram que a estrela, de facto, hospeda um objeto que transita a cada 16 horas.

A equipa notificou a comunidade astronómica em geral e, logo depois, vários telescópios terrestres fizeram o acompanhamento durante o ano seguinte para observar a estrela mais de perto numa gama ampla de frequências. Estas observações, combinadas com a deteção inicial do TESS, confirmaram o objeto em trânsito como um planeta em órbita, que foi designado TOI-2109b.

"Tudo era consistente com o facto de ser um planeta, e percebemos que tínhamos algo muito interessante e relativamente raro", diz o coautor do estudo Avi Shporer, investigador do Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial do MIT.

Dia e noite

Ao analisar medições em vários comprimentos de onda óticos e infravermelhos, a equipa determinou que TOI-2109b é cerca de cinco vezes mais massivo que Júpiter, cerca de 35% maior e está extremamente perto da sua estrela-mãe, a uma distância de 2,4 milhões de quilómetros. Mercúrio, em comparação, está a cerca de 58 milhões de quilómetros do Sol.

Em comparação com o nosso Sol, a estrela deste planeta é cerca de 50% maior em tamanho e massa. A partir das propriedades observadas do sistema, os investigadores estimaram que TOI-2109b está a espiralar para a sua estrela a um ritmo de 10 a 750 milissegundos por ano - mais depressa do que qualquer Júpiter quente já observado.

Dadas as dimensões do planeta e a proximidade à sua estrela, os cientistas determinaram que TOI-2109b é um Júpiter ultraquente, com a órbita mais curta de qualquer gigante gasoso conhecido. Tal como a maioria dos Júpiteres quentes, o planeta parece ter bloqueio de marés, com um lado sempre virado para a estrela e o outro em escuridão perpétua, semelhante à Lua em relação à Terra. A partir das observações de um mês pelo TESS, a equipa foi capaz de testemunhar a variação do brilho do planeta enquanto gira em torno do seu eixo. Ao observar o planeta a passar por trás da sua estrela (conhecido como eclipse secundário) tanto no ótico como no infravermelho, os investigadores estimaram que o lado diurno atinge temperaturas de mais de 3500 K.

"Entretanto, brilho do lado noturno do planeta está abaixo da sensibilidade dos dados do TESS, o que levanta questões sobre o que realmente está a acontecer lá," diz Shporer. "Será que a temperatura aí é demasiado fria, ou será que o planeta de alguma forma 'captura' calor do lado diurno e transfere-o para o lado noturno? Estamos apenas a começar a tentar responder a esta pergunta para estes Júpiteres ultraquentes."

Os investigadores esperam observar TOI-2109b com ferramentas mais poderosas no futuro próximo, incluindo com o Telescópio Espacial Hubble e com o Telescópio Espacial James Webb, a ser lançado em breve. Observações mais detalhadas podem iluminar as condições pelas quais os Júpiteres quentes passam ao caírem para a sua estrela.

Os Júpiteres ultraquentes, como TOI-2109b, constituem a subclasse mais extrema de exoplaneta," diz Wong. "Nós apenas começámos a entender alguns dos processos físicos e químicos únicos que ocorrem nas suas atmosferas - processos que não têm análogos no nosso próprio Sistema Solar."

Observações futuras de TOI-2109b também podem revelar pistas de como estes sistemas estonteantes surgiram. "Desde o início da ciência exoplanetária que os Júpiteres quentes têm sido vistos como estranhos," realça Shporer. "Como é que um planeta tão massivo e grande quanto Júpiter atinge uma órbita que dura apenas alguns dias? Não temos nada parecido no nosso Sistema Solar e vemos isto como uma oportunidade de estudá-los e de ajudar a explicar a sua existência."

// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// TOI-2109b: o gigante gasoso com o período mais curto já descoberto (Ian Wong via YouTube)

 


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TOI-2109b:
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Júpiteres quentes (Wikipedia)

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
A análise das vibrações induzidas pelo vento de Marte lança luz sobre as propriedades da subsuperfície do planeta

A missão InSight da NASA está a investigar a geologia de Elysium Planitia, encontrando camadas alternativas de basalto e sedimentos. Na revista Nature Communications, uma equipa internacional de cientistas compara dados a partir do solo com dados de modelos, o que ajuda a entender, por exemplo, a capacidade de carga e trafegabilidade da superfície.

Os dados sísmicos recolhidos em Elysium Planitia, a segunda maior região vulcânica de Marte, sugerem a presença de uma camada sedimentar imprensada entre fluxos de lava por baixo da superfície do planeta. Estes achados foram obtidos no âmbito da missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA, na qual vários parceiros internacionais de investigação, incluindo a Universidade de Colónia, colaboram.

 
Impressão de artista: o módulo InSight está localizado em Homestead Hollow, uma pequena cratera de impacto. O sismómetro SEIS que foi usado neste estudo é a pequena "caixinha" de cor clara no solo em frente do módulo. O solo abaixo consiste numa camada de rególito arenoso no topo de camadas alternadas de sedimentos (cores amarelo-laranja) e rochas basálticas, ou seja, antigos fluxos de lava (cores castanhas).
Crédito: ETH Zurique/Géraldine Zenhäusern
 

O geofísico Dr. Cédric Schmelzbach da ETH Zurique e colegas, incluindo os especialistas em sismos Dra. Brigitte Knapmeyer-Endrun e o investigador Sebastian Carrasco do Observatório Sísmico da Universidade de Colónia em Bensberg, usaram dados sísmicos para analisar a composição da região de Elysium Planitia. Os autores examinaram a superfície rasa até cerca de 200 metros de profundidade. Logo abaixo da superfície, descobriram uma camada de rególito de material predominantemente arenoso com aproximadamente três metros de espessura acima de uma camada de 15 metros de material ejetado grosso - blocos rochosos que foram ejetados após o impacto de um meteorito e que caíram de volta à superfície.

Abaixo destas camadas superiores, identificaram cerca de 150 metros de rochas basálticas, ou seja, fluxos de lava solidificados, o que é amplamente consistente com a estrutura subsuperficial esperada. No entanto, entre estes fluxos de lava, começando a uma profundidade de mais ou menos 30 metros, os autores identificaram uma camada adicional com 30 a 40 metros de espessura e com baixa velocidade sísmica, sugerindo que ela contém materiais sedimentares fracos em relação às camadas de basalto mais fortes.

Para datar os fluxos de lava mais rasos, os autores usaram contagens de crateras da literatura existente. O conhecimento estabelecido acerca da taxa de impactos de meteoritos permite aos geólogos datar rochas: superfícies com muitas crateras de impacto são mais antigas do que aquelas com menos crateras. Além disso, crateras com diâmetros maiores estendem-se para a camada inferior, permitindo aos cientistas datar a rocha profunda, enquanto as mais pequenas permitem datar as camadas rochosas mais rasas.

Eles descobriram que os fluxos de lava mais rasos têm aproximadamente 1,7 mil milhões de anos, formados durante o período Amazónico - uma era geológica em Marte caracterizada por baixas taxas de impactos de meteoritos e asteroides e por condições frias e hiperáridas, que começaram há aproximadamente 3 mil milhões de anos. Em contraste, a camada basáltica mais profunda, abaixo da que tem sedimentos, formou-se muito antes, há aproximadamente 3,6 mil milhões de anos, durante o período Hesperiano, que foi caracterizado por ampla atividade vulcânica.

Os autores propõem que a camada intermédia com baixas velocidades vulcânicas podia ser composta de depósitos sedimentares imprensados entre os basaltos Hesperiano e Amazónico, ou dentro dos próprios basaltos Amazónicos. Estes resultados fornecem a primeira oportunidade para comparar medições sísmicas reais, obtidas a partir do solo, da subsuperfície rasa com as previsões anteriores baseadas no mapeamento geológico orbital. Antes do pouso, a Dra. Knapmeyer-Endrun já havia desenvolvido modelos da estrutura da subsuperfície rasa no local de aterragem do InSight com base em análogos terrestres. As medições atuais indicam agora camadas adicionais, bem como rochas mais porosas em geral.

"Embora os resultados ajudem a compreender melhor os processos geológicos em Elysium Planitia, a comparação com modelos pré-pouso também é valiosa para futuras missões à superfície, uma vez que pode ajudar a refinar as previsões," salientou Knapmeyer-Endrun. O conhecimento das propriedades do subsolo raso é necessário para avaliar, por exemplo, a sua capacidade de carga e trafegabilidade para rovers. Além disso, os detalhes sobre a estratificação na subsuperfície rasa ajudam a entender onde ainda pode conter água subterrânea ou gelo. No âmbito da sua investigação de doutoramento na Universidade de Colónia, Sebastian Carrasco vai continuar a analisar o efeito da estrutura rasa de Elysium Planitia nos registos dos sismos marcianos.

O "lander" InSight chegou a Marte no dia 26 de novembro de 2018, aterrando na região de Elysium Planitia. Marte tem sido alvo de muitas missões científicas planetárias, mas a missão InSight é a primeira a medir especificamente a subsuperfície usando métodos sísmicos.

// Universidade de Colónia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


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Veja como oito estrelas contornam um buraco negro com um milhão de vezes a massa do Sol nestas simulações de supercomputador. À medida que se aproximam, todas são esticadas e deformadas pela gravidade do buraco negro. Algumas são completamente separadas num longo fluxo gasoso, um fenómeno cataclísmico denominado evento de perturbação de marés. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias - Um Penhasco no Cometa Churyumov-Gerasimenko
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESAsonda Rosetta, NAVCAM; Processamento adicional - Stuart Atkinson
 
Este penhasco alto encontra-se não num planeta, não numa lua, mas num cometa. Foi descoberto como parte do núcleo escuro do Cometa Churyumov-Gerasimenko (CG) pela Rosetta, uma nave robótica lançada pela ESA que se encontrou com o cometa em 2014. O penhasco irregular, conforme aqui mostrado, foi fotografado pela Rosetta em 2014. Embora elevando-se a cerca de um quilómetro de altura, a baixa gravidade do Cometa CG provavelmente torná-lo-ia uma subida acessível - e até mesmo um salto do penhasco teria capacidade de sobrevivência. No sopé do penhasco está um terreno relativamente plano pontilhado por rochas com até 20 metros de largura. Os dados da Rosetta indicam que o gelo no Cometa CG tem uma fração de deutério significativamente diferente - e, portanto, provavelmente uma origem diferente - da água dos oceanos da Terra. A Rosetta terminou a sua missão com um impacto controlado no Cometa CG em 2016. O Cometa CG acaba de completar outra passagem próxima à Terra e permanece visível através de um pequeno telescópio.
 
   
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