DIA 08/12: 342.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra. Passa novamente pela Terra no mesmo dia, mas em 1992.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa a cerca de 80.800 km de distância do planeta Vénus. HOJE, NO COSMOS:
M31, a Galáxia de Andrómeda, passa o mais alto pelas 20:00. Caso viva a latitudes médias norte. A hora exata depende de quão para este ou oeste, no fuso horário, o observador vive. Uns binóculos revelam o pequeno brilho de M31, logo ao lado da figura da constelação de Andrómeda.
DIA 09/12: 343.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, queda de um satélite em Kecksburg, perto de Pittsburgh, EUA.
Em 2006, lançamento da missão STS-116 do vaivém espacial Discovery, com componentes para a construção da ISS. HOJE, NO COSMOS:
Antes e durante o amanhecer, aviste o bonito encontro, a este passando para sudeste, de Vénus e da Lua. Estão separados por cerca de 4º.
DIA 10/12: 344.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1684, a derivação das leis de Kepler por Isaac Newton, que formam a sua teoria da gravidade, no artigo De motu corporum in gyrum, é lida à Real Sociedade por Edmund Halley.
Em 1901 foram atribuídos pela primeira vez os prémios Nobel.
Röntgen receberia o da Física pela descoberta dos raios-X.
Em 1974, lançamento da Helios A, uma missão americana/germânica que consistia em duas naves desenhadas (lançamento da Helios B teve lugar em 15/01/1976) para penetrar a coroa do Sol. As sondas continuaram a enviar dados até 1985 e permanecem em órbita heliocêntrica.
Em 1998, no oitavo dia missão STS-88, o comandante Bob Cabana e o cosmonauta russo Sergei Krikalev abrem pela primeira vez a escotilha da Estação Espacial Internacional (módulo Unity). HOJE, NO COSMOS:
Orionte já está ficando numa boa posição para observação a este-sudeste depois do jantar. E isso significa que Gémeos também está a aparecer para a sua esquerda (às latitudes médias norte). As estrelas correspondentes às cabeças dos gémeos, Castor e Pollux, perfazem o lado esquerdo da constelação - uma para cima da outra, com a mais ténue Castor no topo.
DIA 11/12: 345.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1863, nascimento de Annie Jump Cannon, pioneira americana na classificação do espectro estelar.
Em 1972, a Apollo 17 faz a sua alunagem. HOJE, NO COSMOS:
O "W" de Cassiopeia já está alto a nordeste depois do anoitecer. A estrela inferior do "W" é Epsilon Cassiopeiae, a mais ténue. É o ponto de partida para caçar o pouco conhecido enxame estelar Collinder 463: esparso, solto, subtil mas visível em grandes binóculos e lunetas nestas noites sem Lua. Está 8º para o norte celeste (na direção da Polar) de Epsilon, rodeado por um bonito quadrilátero de estrelas com 4ª e 5ª magnitude com cerca de 3º de lado. O enxame mede quase 1º, curvado e estreito. As suas estrelas têm apenas magnitude 8 e 9, por isso tente usar visão periférica.
Veja uma estrela a desaparecer durante alguns segundos!
Imagem, gerada por inteligência artificial, de um asteroide antes de ocultar uma estrela, a partir da perspetiva do espaço. A imagem é puramente para efeitos ilustrativos e é pouco representativa do evento de que esta notícia fala.
Crédito: Bing Image Creator
Caso a meteorologia o permita, o Centro Ciência Viva do Algarve e o Centro Ciência Viva de Tavira convidam a tentar ver uma estrela a "desaparecer" durante poucos segundos. Mas é um convite especial, porque não é para todos!
Na noite de 11 para 12 de dezembro de 2023 (segunda para terça-feira), às 01:16 da manhã, Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes da constelação de Orionte, vai parecer escurecer durante alguns segundos - em Portugal unicamente para observadores no Algarve e na metade sul do Alentejo! Este fenómeno deve-se a um asteroide, chamado 319 Leona, com tamanho pouco conhecido, que irá passar entre esta estrela e a Terra, recriando uma espécie de eclipse! O mapa abaixo ilustra a zona prevista para este acontecimento. Quanto mais próximo da linha vermelha (que une Odemira e Almodôvar), maior será o efeito observado.
Convidamo-lo a participar na observação desta rara oportunidade e a registar o acontecimento, observando como um verdadeiro cientista! Se for bem realizado, poderá estar a colaborar diretamente com os cientistas que utilizarão estas informações!
Propomos que participe de uma das seguintes formas:
observe visualmente, cronometrando os momentos em que a estrela "apaga" e "acende";
registe o fenómeno em vídeo no seu telemóvel ou com a sua máquina fotográfica!
Informe-se abaixo sobre como observar ou participar connosco! Siga-nos também nas nossas redes sociais para detalhes mais atualizados.
Mapa que mostra onde a ocultação de Betelgeuse pelo asteroide 319 Leona pode ser observada. Quanto mais perto das linhas verde e vermelha, mais "profundo" o eclipse.
Crédito: Adaptado de um mapa de Carles Schnabel/IOTA
Que informação podemos retirar ao observar?
De uma maneira simplista podemos pensar que:
A duração do eclipse dá informação sobre o tamanho do asteroide 319 Leona. Neste momento, as estimativas do tamanho estão entre 50 a 60 quilómetros. Mas sabe-se que a "sombra" do asteroide percorrerá 1 km em cerca de 0,19 segundos. Um vídeo da ocultação promete assim conhecer em muito detalhe esta dimensão;
Os instantes precisos de tempo em que começa e termina o eclipse dão informação da forma do asteroide e posição da estrela no céu. Estando o tempo intimamente ligado à posição que conhecemos das estrelas, muitos observadores espalhados em diferentes locais permitem conhecer a silhueta do asteroide pela diferença de tempos em que cada um observa o eclipse!
A maneira como o eclipse modifica a quantidade de luz que chega até cá fornece-nos informação sobre a forma da estrela, fenómenos na superfície ou em torno da própria. Betelgeuse (alpha Orionis) não é uma estrela verdadeiramente pontual e, sendo uma gigante vermelha, tem uma superfície difusa e difícil de determinar. Mas o movimento da passagem de um asteroide opaco, diante da estrela, funciona como uma sonda para decifrar o que verdadeiramente lá se passa.
Estas informações podem ser obtidas com equipamento comum caso o registo em vídeo seja bem cuidadoso!
Como podemos observar?
Em função da maneira como escolhemos participar nesta observação, devemos proceder da seguinte maneira:
Observação visual:
Este "eclipse" (evento mais corretamente denominado "ocultação") pode ser observado visualmente, com ou sem telescópio/binóculos, em grande parte do Algarve e sul do Alentejo. No entanto, quanto mais longe da linha central do percurso da sombra, menor a duração, e também menos a estrela Betelgeuse parecerá "apagar-se" por completo. Isto acontece porque os tamanhos aparentes da estrela e do asteroide são parecidos! É como observar um eclipse parcial em vez de um eclipse total da estrela. Assim, a localização preferida para observar desta maneira é "longe da costa sul algarvia" e a "sul de Aljustrel". Para contribuir cientificamente com uma observação, é necessário estimar com precisão o instante de tempo inicial e final da ocultação. Um relógio com botões físicos onde carregar poderá ser a melhor maneira de registar o tempo;
Registo de vídeo:
É possível registar o acontecimento em vídeo. Para que o registo seja mais relevante devemos ter uma muito boa referência temporal de cada "frame" do vídeo. Existem várias formas de o fazer: a mais simples pode ser o mesmo vídeo registar uma luz que acenda e apague em altura bem definida, antes e depois do evento. Exemplo: com o auxílio de uma aplicação para telemóvel, é possível fazer o flash piscar numa hora "bem definida" pela hora da internet (NTP). No vídeo, deverá ser bem notória a estrela, embora sem a saturar (sem que fique demasiado brilhante); por outro lado quer-se, idealmente, que a cadência de imagens (em inglês, "framerate") seja elevada;
Observar como o astrónomo:
Os astrónomos registam estes fenómenos com telescópios e equipamentos especializados, que inserem a informação temporal de cada imagem no vídeo, com base em serviços horários de precisão (GPS, sinal horário via rádio - DCF77). Isto permite saber com a precisão de alguns milésimos de segundo quando cada fotograma foi registado e cada medição efetuada.
Observe e conte-nos como foi!
Fique atento às nossas redes sociais, onde iremos detalhar este assunto. Se aceitar o nosso convite, aqui está o que gostaríamos que fizesse:
conte-nos como observou;
em que coordenadas geográficas;
como foi a experiência de o fazer (dificuldades e sucessos);
diga se aceita que escolhamos e publiquemos parte da sua experiência.
Galáxia poeirenta e fantasmagórica reaparece em imagem do Telescópio Espacial James Webb
Composição a cores da galáxia AzTECC71 com múltiplos filtros de cor no pelo instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb. Crédito: J. McKinney/M. Franco/C. Casey/Universidade do Texas em Austin
Começou por aparecer como uma mancha brilhante através dos telescópios terrestres e depois desapareceu completamente nas imagens do Telescópio Espacial Hubble. Agora, o objeto fantasmagórico reapareceu como uma galáxia ténue, mas distinta, numa imagem do Telescópio Espacial James Webb.
Os astrónomos da colaboração COSMOS-Web identificaram o objeto AzTECC71 como uma galáxia poeirenta com formação estelar. Ou, por outras palavras, uma galáxia que está ocupada a formar muitas estrelas novas, mas que está envolta num véu poeirento que torna difícil ver através dele - quase mil milhões de anos após o Big Bang. Pensava-se que estas galáxias eram extremamente raras no Universo primitivo, mas esta descoberta, além de mais de uma dúzia de candidatas adicionais na primeira metade dos dados do COSMOS-Web que ainda não foram descritos na literatura científica, sugere que podem ser três a 10 vezes mais comuns do que o esperado.
"Esta coisa é um verdadeiro monstro", disse Jed McKinney, um investigador de pós-doutoramento da Universidade do Texas em Austin. "Apesar de parecer uma pequena bolha, está a formar centenas de novas estrelas todos os anos. E o facto de mesmo algo tão extremo ser pouco visível nas imagens mais sensíveis do nosso mais recente telescópio é muito excitante para mim. Está potencialmente a dizer-nos que há toda uma população de galáxias que se tem escondido de nós".
Se esta conclusão se confirmar, poderá significar que o Universo primitivo era muito mais poeirento do que se pensava.
A equipa publicou os seus resultados na revista The Astrophysical Journal.
O projeto COSMOS-Web - a maior iniciativa inicial de investigação do JWST, coliderada por Caitlin Casey, professora associada da Universidade do Texas - visa mapear até 1 milhão de galáxias numa parte do céu do tamanho de três Luas Cheias. O objetivo é, em parte, estudar as estruturas mais antigas do Universo. A equipa de mais de 50 investigadores recebeu 250 horas de tempo de observação durante o primeiro ano do Telescópio Espacial James Webb e recebeu um primeiro lote de dados em dezembro de 2022, com mais dados a chegar até janeiro de 2024.
A galáxia AzTECC71 é claramente visível no filtro de cor mais vermelha do instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb (F444W, imagem mais à direita), mas não é de todo visível nos filtros mais azuis (F115W e 150W, esquerda).
Crédito: J. McKinney/M. Franco/C. Casey/Universidade do Texas em Austin
Uma galáxia poeirenta com formação estelar é difícil de ver no visível porque grande parte da luz das suas estrelas é absorvida por um véu de poeira e depois reemitida em comprimentos de onda mais vermelhos (ou mais longos). Antes do JWST, os astrónomos referiam-se por vezes a estas galáxias como "galáxias escuras do Hubble", em referência ao telescópio espacial anteriormente mais sensível.
"Até agora, a única forma de vermos as galáxias no início do Universo era a partir de uma perspetiva ótica com o Hubble", disse McKinney. "Isso significa que a nossa compreensão da história da evolução das galáxias é parcial, porque só estamos a ver as galáxias não obscurecidas e menos poeirentas."
Esta galáxia, AzTECC71, foi detetada pela primeira vez como uma mancha indistinta de emissão de poeira por uma câmara do Telescópio James Clerk Maxwell, no Hawaii, que vê em comprimentos de onda entre o infravermelho distante e as micro-ondas. Em seguida, a equipa COSMOS-Web detetou o objeto em dados recolhidos por outra equipa que utilizava o telescópio ALMA no Chile, que tem uma resolução espacial mais elevada e consegue ver no rádio. Isto permitiu-lhes limitar a localização da fonte. Quando olharam para os dados do JWST no infravermelho, a um comprimento de onda de 4,44 micrómetros, encontraram uma galáxia ténue exatamente no mesmo local. Em comprimentos de onda mais curtos, abaixo dos 2,7 micrómetros, era invisível.
Agora, a equipa está a trabalhar para descobrir mais destas galáxias ténues com o Telescópio Espacial James Webb.
"Com o JWST, podemos estudar pela primeira vez as propriedades óticas e infravermelhas desta população de galáxias ocultas, fortemente obscurecidas pela poeira", disse McKinney, "porque é tão sensível que não só pode olhar para os confins mais longínquos do Universo, como também pode perfurar o mais espesso dos véus de poeira".
A equipa calcula que a galáxia está a ser observada a um desvio para o vermelho de cerca de 6, o que se traduz em cerca de 900 milhões de anos após o Big Bang.
Os astrónomos determinaram a idade de três misteriosas estrelas bebé no coração da Via Láctea
Esta imagem, obtida com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile, mostra uma visão de alta resolução das partes mais interiores da Via Láctea. No novo estudo, os investigadores examinaram o denso enxame nuclear de estrelas mostrado aqui em pormenor.
Crédito: ESO
Através da análise de dados de alta resolução de um telescópio de dez metros no Hawaii, investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, conseguiram obter novos conhecimentos sobre três estrelas no coração da Via Láctea. As estrelas revelaram-se invulgarmente jovens, com uma composição química intrigante que surpreendeu os investigadores.
O estudo, que foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, examinou um grupo de estrelas localizadas no enxame nuclear que constitui o coração da Galáxia. Trata-se de três estrelas difíceis de estudar porque estão muito longe do nosso Sistema Solar e escondidas atrás de enormes nuvens de poeira e gás que bloqueiam a luz. O facto de a área estar também cheia de estrelas torna muito complicado discernir estrelas individuais.
Num estudo anterior, os investigadores avançaram com a hipótese de que estas estrelas específicas no meio da Via Láctea poderiam ser invulgarmente jovens.
"Podemos agora confirmar este facto. No nosso estudo, conseguimos datar três destas estrelas como relativamente jovens, pelo menos no que diz respeito aos astrónomos, com idades entre 100 milhões e cerca de mil milhões de anos. Isto pode ser comparado com o Sol, que tem 4,6 mil milhões de anos", diz Rebecca Forsberg, investigadora em astronomia na Universidade de Lund.
O enxame nuclear de estrelas tem sido visto, com toda a razão, como uma parte muito antiga da Galáxia. Mas a nova descoberta de estrelas tão jovens, pelos investigadores, indica que também há formação estelar ativa nesta componente antiga da Via Láctea. No entanto, datar estrelas a 25.000 anos-luz da Terra não é algo que possa ser feito à pressa.
Os investigadores utilizaram dados de alta resolução do telescópio Keck II, no Hawaii, um dos maiores telescópios do mundo, com um espelho de dez metros de diâmetro. Para uma maior verificação, mediram a quantidade do elemento pesado, ferro, que as estrelas continham. O elemento é importante para traçar o desenvolvimento da Galáxia, uma vez que as teorias que os astrónomos têm sobre como as estrelas se formam e as galáxias se desenvolvem indicam que as estrelas jovens têm mais elementos pesados, uma vez que os elementos pesados se formam cada vez mais ao longo do tempo cósmico.
Para determinar o nível de ferro, os astrónomos observaram os espectros das estrelas no infravermelho que, em comparação com o visível, são partes do espetro de luz que podem mais facilmente brilhar através das partes densamente carregadas de poeira da Via Láctea. Foi demonstrado que os níveis de ferro variavam consideravelmente, o que surpreendeu os investigadores.
"A grande dispersão dos níveis de ferro pode indicar que as partes mais interiores da Galáxia são incrivelmente não homogéneas, ou seja, não misturadas. Isto é algo que não esperávamos e não só diz algo sobre o aspeto do centro da Galáxia, mas também sobre o aspeto do Universo primitivo", afirma Brian Thorsbro, investigador em astronomia na Universidade de Lund.
O estudo lança luz significativa sobre a nossa compreensão do Universo primitivo e sobre o funcionamento do centro da Via Láctea. Os resultados podem também ser úteis para inspirar explorações contínuas e futuras do coração da Galáxia, bem como para o desenvolvimento de modelos e simulações da formação de galáxias e estrelas.
"Pessoalmente, penso que é muito excitante o facto de podermos agora estudar o centro da nossa Galáxia com um nível de detalhe tão elevado. Este tipo de medições tem sido normal para observações do disco galáctico onde nos encontramos, mas tem sido um objetivo inalcançável para partes mais distantes e exóticas da Galáxia. Podemos aprender muito sobre o modo como a nossa Galáxia natal se formou e se desenvolveu com estes estudos", conclui Rebecca Forsberg.
Uma nova possível explicação para a tensão de Hubble
A imagem mostra a distribuição da matéria no espaço - (azul; os pontos amarelos representam galáxias individuais). A Via Láctea (verde) encontra-se numa zona com pouca matéria. As galáxias na bolha movem-se na direção das densidades de matéria mais elevadas (setas vermelhas). Assim, o Universo parece estar a expandir-se mais rapidamente no interior da bolha.
Crédito: AG Kroupa/Universidade de Bona
O Universo está a expandir-se. A velocidade a que se expande é descrita pela chamada constante de Hubble-Lemaitre. Mas há uma controvérsia acerca do valor preciso desta constante: diferentes métodos de medição fornecem valores contraditórios. A chamada "tensão de Hubble" constitui um quebra-cabeças para os cosmólogos. Os investigadores das Universidades de Bona e de St. Andrews propõem agora uma nova solução: utilizando uma teoria alternativa da gravidade, a discrepância entre os valores medidos pode ser facilmente explicada - a tensão de Hubble desaparece. O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A expansão do Universo faz com que as galáxias se afastem umas das outras. A velocidade a que o fazem é proporcional à distância que as separa. Por exemplo, se a galáxia A estiver duas vezes mais longe da Terra do que a galáxia B, a sua distância de nós também aumenta duas vezes mais depressa. O astrónomo americano Edwin Hubble foi um dos primeiros a reconhecer esta relação.
Para calcular a velocidade a que duas galáxias se afastam uma da outra, é necessário saber a distância que as separa. No entanto, isto também requer uma constante pela qual esta distância deve ser multiplicada. Esta é a chamada constante de Hubble-Lemaitre, um parâmetro fundamental em cosmologia. O seu valor pode ser determinado, por exemplo, observando as regiões muito distantes do Universo. Isto dá uma velocidade de quase 244.000 quilómetros por hora por megaparsec de distância (um megaparsec corresponde a pouco mais de três milhões de anos-luz).
244.000 quilómetros por hora por megaparsec - ou 264.000?
"Mas também podemos olhar para corpos celestes que estão muito mais perto de nós - as chamadas supernovas do Tipo Ia, que são uma determinada categoria de explosão estelar", explica o prof. Dr. Pavel Kroupa do Instituto Helmholtz de Radiação e Física Nuclear da Universidade de Bona. É possível determinar com grande exatidão a distância de uma supernova do Tipo Ia à Terra. Também sabemos que os objetos brilhantes mudam de cor quando se afastam de nós - e quanto mais depressa se afastam, mais forte é a mudança. Isto é semelhante a uma ambulância, cuja sirene soa mais grave à medida que se afasta de nós.
Se calcularmos agora a velocidade das supernovas do Tipo Ia a partir da sua mudança de cor e a correlacionarmos com a sua distância, chegamos a um valor diferente para a constante de Hubble-Lemaitre - ou seja, um pouco menos de 264.000 quilómetros por hora por megaparsec de distância. "O Universo parece, portanto, estar a expandir-se mais rapidamente na nossa vizinhança - ou seja, até uma distância de cerca de três mil milhões de anos-luz - do que na sua totalidade", diz Kroupa. "E não deveria ser esse o caso."
No entanto, foi recentemente feita uma observação que pode explicar este facto. De acordo com esta observação, a Terra está localizada numa região do espaço onde existe relativamente pouca matéria - comparável a uma bolha de ar num bolo. A densidade da matéria é maior à volta da bolha. As forças gravitacionais emanam desta matéria circundante, que puxa as galáxias na bolha para as orlas da cavidade. "É por isso que se estão a afastar de nós mais depressa do que seria de esperar", explica o Dr. Indranil Banik, da Universidade de St. Andrews. Os desvios poderiam, portanto, ser simplesmente explicados por uma "subdensidade" local.
De facto, outro grupo de investigação mediu recentemente a velocidade média de um grande número de galáxias que se encontram a 600 milhões de anos-luz de nós. "Descobriu-se que estas galáxias se afastam de nós quatro vezes mais depressa do que o modelo padrão da cosmologia permite", explica Sergij Mazurenko, do grupo de investigação de Kroupa, que participou no estudo atual.
"Bolha" na "massa" do Universo
Isto deve-se ao facto de o modelo padrão não prever essas subdensidades ou "bolhas" - elas não deveriam realmente existir. Em vez disso, a matéria deveria estar distribuída uniformemente no espaço. Se fosse esse o caso, seria difícil explicar quais as forças que impulsionam as galáxias para a sua alta velocidade.
"O modelo padrão baseia-se numa teoria sobre a natureza da gravidade apresentada por Albert Einstein", diz Kroupa. "No entanto, as forças gravitacionais podem comportar-se de forma diferente do que Einstein esperava". Os grupos de trabalho das Universidades de Bona e de St. Andrews utilizaram uma teoria da gravidade modificada numa simulação em computador. Esta "dinâmica newtoniana modificada" (abreviatura inglesa MOND, "Modified Newtonian dynamics") foi proposta há quatro décadas pelo físico israelita prof. Dr. Mordehai Milgrom. Atualmente, ainda é considerada uma teoria "forasteira". "Contudo, nos nossos cálculos, a teoria MOND prevê com exatidão a existência de tais bolhas", diz Kroupa.
Se se assumisse que a gravidade se comporta de facto de acordo com os pressupostos de Milgrom, a tensão de Hubble desapareceria: de facto, haveria apenas uma constante para a expansão do Universo e os desvios observados dever-se-iam a irregularidades na distribuição da matéria.
Faltam buracos negros no Universo antigo, e os computadores andam atrás deles (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Galáxias a perder de vista preenchem as imagens do Universo profundo. Que processos determinaram as suas formas, cores e populações de estrelas? Os astrónomos pensam que buracos negros primordiais foram os motores do crescimento e transformação das galáxias, e que podem explicar a paisagem cósmica que vemos na atualidade. Num artigo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, uma equipa internacional liderada por Rodrigo Carvajal, do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e que inclui dez investigadores do IA, apresenta um método de aprendizagem automática que reconhece galáxias superluminosas no início do Universo. Ler fonte
Primeiro inventário pormenorizado de gelo num disco de formação planetária (via Astronomie.nl)
Uma equipa internacional, liderada por astrónomos dos Países Baixos, fez o primeiro inventário bidimensional de gelo num disco de poeira e gás que rodeia uma estrela jovem e que está a formar um planeta. Utilizaram o Telescópio Espacial James Webb e publicam os seus resultados na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
Álbum de fotografias Estrelas Vs. Poeira na Nebulosa Carina
A luta é estrelas vs. poeira na Nebulosa Carina e as estrelas estão a ganhar. Mais precisamente, a luz energética e os ventos de estrelas massivas recém-formadas estão a evaporar e a dispersar os berçários estelares poeirentos em que se formaram. Localizados na Nebulosa Carina e dentro de uma região conhecida informalmente como Montanha Mística, a aparência destes pilares é dominada por poeira castanha opaca, pese embora sejam compostos principalmente pelo gás hidrogénio transparente. Apesar de alguns dos pilares de poeira parecerem tochas, as suas extremidades não estão a arder - pelo contrário, são iluminadas por estrelas próximas. A cerca de 7500 anos-luz de distância, a imagem em destaque foi obtida com o Telescópio Espacial Hubble e destaca uma região interior de Carina conhecida como HH1066, que se estende por quase um ano-luz. Dentro de alguns milhões de anos, é provável que as estrelas vençam completamente e as tochas de poeira se evaporem por completo.
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