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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 373
De 15/12 a 18/12/2007
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  OBSERVE MARTE NESTA ÉPOCA FESTIVA
   

Marte estará mais próximo da Terra este mês do que em qualquer outra altura até ao ano 2016.

O Planeta Vermelho é agora a "estrela" mais brilhante do céu nocturno e está já acima do horizonte à medida que anoitece. Mas deixe passar mais umas duas horas - até por volta das 20:00 - até que suba um pouco mais no céu, por cima da camada atmosférica mais espessa perto do horizonte. Aí, o mundo amarelo-alaranjado estará a uma altitude de aproximadamente 30 graus, visto a partir de latitudes médias a Norte.


Marte, visto pelas 20:00 no dia 18 de Dezembro, à latitude de Faro.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium

O seu punho fechado com o braço esticado equivale mais ou menos a 10 graus no céu, por isso pelas 20 horas Marte estará a cerca de "três punhos" para cima do horizonte a Este-Nordeste. Marte parece muito mais definido e menos cintilante quando atravessar o meridiano a Sul, cerca de meia hora depois da meia-noite. A sua altitude, visto das mesmas latitudes, é aí de aproximadamente 75 graus (mais de "sete punhos" a partir do horizonte a Sul).

Marte já começou o seu movimento retrógrado (movendo-se para Oeste) pelas estrelas da constelação de Gémeos e irá passar para Touro a 30 de Dezembro. Alcançará a sua maior aproximação com a Terra na noite de 18 de Dezembro. Aí, estará a uns 88.164.000 km da Terra. Estará no que se chama "oposição" - a direcção exactamente oposta à do Sol, com a Terra no meio - seis dias depois, na Véspera de Natal, dia 24.

Irá cintilar à magnitude de -1,6, e até 2 de Janeiro de 2008, será mais brilhante que Sirius, a estrela mais brilhante do céu nocturno.

Quem quer que tenha um telescópio, por mais modesto que seja, irá certamente testar o seu valor com Marte. Os observadores telescópicos irão sem dúvida espiar as brilhantes áreas polares de Marte e as suas marcas escuras à superfície. Por isso, não deixe o seu telescópio parado, mesmo que o planeta pareça pequeno e os detalhes na superfície possam ser difíceis de discernir em noites com condições menos favoráveis.

Marte, aquando da sua aproximação máxima de 2003. Obtido com uma webcam Toucam Philips acoplada a um telescópio Meade LX-200, Schmidt-Cassegrain, de 10 polegadas. Note a calote polar norte (aqui a Sul), e várias características escuras à superfície.
Crédito: Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

Um bom telescópio com 4 polegadas, equipado com uma ocular que amplie a 120x, conseguirá já mostrar a calote polar norte e pelo menos umas quantas características escuras, em noites que a atmosfera esteja calma (as melhores noites são aquelas sem vento, nuvens e bem, bem frias).

Durante Janeiro, Marte afasta-se da vizinhança da Terra tão rapidamente quanto chegou. Irá aumentar a sua distância de 91,2 para 116,3 milhões de quilómetros e no processo diminuirá de brilho quase uma magnitude, de -1,5 para -0,6. Mas ao mesmo tempo, Marte estará muito bem colocado para uma boa observação. Ao contrário do que se passou no início do Outono, não terá que se levantar cedo para o observar alto no céu. Marte estará a Sul a partir das 23:00 na noite de Ano Novo, e pelas 20:45 no fim de Janeiro.

A noite em que Marte provavelmente atrairá mais atenção, mesmo até daqueles que normalmente não olham para o céu, será a noite anterior à Véspera de Natal: a noite de Domingo, dia 23, para 24. Será uma noite de Lua Cheia, e Marte servirá como um seu companheiro durante toda a noite. De facto, irá resultar numa excepcionalmente pequena aproximação entre os dois (menos de meio grau de distância entre Marte e o centro da Lua).

Para os astrónomos, esta é uma excelente prenda do Pai Natal. Não se esqueça que esta é a melhor visão do nosso planeta vizinho até 2016. Por isso, se quiser observar Marte no seu melhor durante os próximos 8-9 anos, esta é a sua derradeira oportunidade.

Links:

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ROVER INVESTIGA SINAIS DE PASSADO TERMAL EM MARTE
   

Cientistas usando os rovers gémeos da NASA em Marte estão resolvendo duas possíveis origens para uma das mais importantes descobertas do Spirit, enquanto o dirigem para um local favorável de modo a sobreviver o próximo inverno Marciano.

O puzzle é saber o que produziu um pequeno pedaço de terra de sílica quase pura -- o ingrediente principal do vidro -- que o Spirit encontrou no passado mês de Maio. Pode ter vindo ou de um ambiente parecido com termas ou de um ambiente chamado "fumarolas", nos quais vapores ácidos sobem por fendas. Na Terra, ambos estes dois tipos de ambiente abundam com vida microbiana.

Em Março de 2007, o rover Spirit da NASA descobriu um pedaço de terra claro, tão rico em sílica que os cientistas propuseram que a água deve ter estado envolvida na sua concentração.
Crédito: NASA/JPL/Cornell

"Quaisquer que sejam as condições que a tenham produzido, esta concentração de sílica é provavelmente a mais importante descoberta do Spirit, devido a ter revelado um nicho habitável que existiu em Marte no passado," disse Steve Squyres da Universidade de Cornell, Ithaca, Nova Iorque, investigador principal dos instrumentos científicos dos rovers. "As provas levam-nos com um forte grau de probabilidade na direcção das condições fumarólicas, como poderemos observar na Islândia ou no Hawaii. Comparados com depósitos formados em fontes termais, sabemos menos sobre como quão bem podem os sedimentos fumarólicos preservar os fósseis microbiais. É ainda um assunto que precisa de mais estudo aqui na Terra."

Do outro lado de Marte, a Opportunity continua a recolher informação sobre os tipos de ambientes molhados no passado de Marte, além das fontes termais ou fumarolas. Está a examinar camadas expostas dentro de uma cratera, mas ainda perto do topo de um conjunto de camadas ricas em sulfatos com centenas de metros de espessura. Os cientistas lêm aqui uma história de condições que evoluíram desde o molhado até ao seco, com base em descobertas da Opportunity e observações da região por sondas em órbita.

Os rovers a energia solar estão activos em Marte desde Janeiro de 2004, cerca de 15 vezes mais que o tempo originalmente planeado. O seu terceiro inverno marciano só alcançará o mínimo de luz solar em Junho, mas a Spirit já precisa de dois dias a recolher energia para conduzir durante uma hora.

"A Spirit entrará no inverno com muito mais pó nos seus painéis solares do que em anos anteriores," disse John Callas do JPL da NASA, em Pasadena, Califórnia, gestor do projecto dos rovers marcianos. "No último inverno Marciano, não movemos a Spirit durante aproximadamente sete meses. Desta vez, o rover provavelmente ficará parado durante mais tempo e com muito menos energia disponível durante cada dia marciano."

Imagem que mostra o percurso efectuado pelo rover Spirit desde que aterrou até à sua posição actual.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UA/Cornell/NM Museum of Natural History and Science
(clique na imagem para ver versão maior)

As tempestades de areia que escureceram os céus de Marte em Junho passado encheram ambos os rovers de pó. No entanto, algumas rajadas de vento limparam os painéis da Opportunity, e esta está mais próxima do equador do que a Spirit, por isso as preocupações de sobrevivência focam-se essencialmente nesta última. A equipa seleccionou uma vertente virada para o Sol com uma inclinação de mais ou menos 25 graus na fronteira norte de uma baixa planície, de nome "Home Plate," como refúgio de inverno para a Spirit.

Ambos os rovers já produziram trabalho científico depois das tempestades de Junho. A Spirit explorou o topo de Home Plate, na vizinhança do solo rico em sílica que descobriu antes destas envolverem Marte num "nevoeiro" laranja global.

"Este material é constituído por mais de 90% de sílica," diz Squyres. "Não existem muitas maneiras de explicar uma concentração tão alta." Uma maneira é selectivamente remover a sílica das suas rochas vulcânicas nativas e concentrar este composto nos depósitos onde o Spirit o descobriu. As fontes termais podem fazer tal processo, dissolvendo a sílica a altas temperaturas e depositando-a depois à medida que a solução de água arrefece. Outra maneira é selectivamente remover quase todos os outros elementos e deixando a sílica para trás. O vapor ácido nas fumarolas pode fazer isto. Os cientistas estão ainda estudando ambas as duas possíveis origens. Uma razão pela qual Squyres favorece o argumento das fumarolas é que o solo rico em sílica de Marte tem um nível alto de titânio. Na Terra, os níveis de titânio são relativamente altos em alguns depósitos fumarólicos.

A cartografia mineral e as imagens em alta resolução a partir das sondas em órbita de Marte ajudam os cientistas a pôr as descobertas da Spirit e da Opportunity num contexto geológico mais amplo. A exploração da Opportunity na região de Meridiani já tirou vantagem das escavações naturais nas crateras de impacto para inspeccionar camadas que se prolongam por vários metros abaixo da superfície da planície regional. Estas camadas ricas em sulfatos contêm muitas provas de um ambiente molhado e ácido no passado. São uma fracção pouco superior das camadas ricas em sulfatos expostas noutros locais em Meridiani e examinadas a partir de órbita.

"Vemos evidências [de órbita] de minerais argilosos por baixo das camadas de sulfatos," disse Ray Arvidson da Universidade de Washington em St. Louis, vice-investigador principal para os intrumentos científicos dos rovers. "Indicam condições menos acídicas. O quadro geral parece ser uma mudança de um sistema hidrológico mais aberto, com chuva, para condições mais áridas com água à subsuperfície subindo à superfície e evaporando-se, deixando os sais ricos em sulfatos para trás."

Links:

Notícias relacionadas:
A persistência científica dos rovers marcianos (Núcleo de Astronomia do CCVAlg, 07/11/07)
Canais subterrâneos conduziam água em Marte (Núcleo de Astronomia do CCVAlg, 21/02/07)

NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
Nature
Discovery Channel
Science Daily
National Geographic

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars
Vídeo sobre a presença de água em Marte (formato Quicktime)
As descobertas em Marte

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

 
EFEMÉRIDES:

Dia 15/12: 349.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao Pólo Sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos pólos).
Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra. Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr.
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu pára-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados.
Em 1984 era lançada a Vega 1 (missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).

Observações: Aproveite a noite para fazer umas fotos da Grande Nebulosa de Orionte.

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Nascimento de Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra.
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Observações: Sempre que a Ursa Maior comece a subir no céu, a Ursa Menor fica "pendurada" para baixo da Polar - como se se tratasse de um prego na parede Norte do frio céu de Inverno. Esta semana a Ursa Menor assume esta posição por volta das 21:00. Em meados de Janeiro, a altura mais fria do ano, encontra-se aí pelas 19:00, mesmo antes do jantar.

Dia 17/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 10:18.

Dia 18/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, foi descoberta por Richard L. Walker, a lua de Saturno Epimeteu, que depois foi "perdida" durante 12 anos.
Observações: Até 2016, maior aproximação do planeta Marte, a 88.164.000 km da Terra pelas 23:40. Se há uma altura ideal para a sua observação, é durante estas semanas.

 
 
CURIOSIDADES:
A maior evolução da matemática ocidental, foi em grande parte devida ao erro ocorrido nas primeiras determinações da dimensão do ano na Mesopotâmia. O facto de terem pensado que o ano teria 360 dias levou à divisão do círculo em 360 partes com a simplicidade que é sobejamente conhecida de todos. Pensa-se que a matemática chinesa terá tido grandes limitações no seu desenvolvimento pelo facto dos chineses terem feito logo uma determinação mais aproximada de 365 dias.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
Foto

Apollo 17: Panorama da Cratera Shorty
Crédito:
Tripulação da Apollo 17, NASA; Panorama: Mike Constantine

Em Dezembro de 1972, os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan e Harrison Schmitt, permaneceram cerca de 75 horas na Lua, no vale Taurus-Littrow, enquanto o seu colega Ronald Evans orbitava por cima. Este espectacular panorama foi composto digitalmente a partir de imagens tiradas por Cernan à medida que ele e Schmitt percorriam o chão do vale. Começando com uma visão do grande Maciço Sul, observando o panorama para a direita irá revelar Schmitt e o rover lunar no limite da Cratera Shorty, perto do ponto onde o geólogo Schmitt descobriu solo lunar laranja. A tripulação da Apollo 17 regressou com 110 kg de rochas e amostras de solo lunar, mais do que qualquer outra das missões de aterragem lunar. Trinta e cinco anos depois, Cernan e Schmitt são ainda os últimos seres humanos a ter pisado a Lua.
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