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Edição n.º 760
17/06 a 20/06/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/06: 168.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1909, A. Kopff descobria o asteróide Hagar (682).
Observações: A Lua nasce por volta das 22:30, a Este-Sudeste. Bem para cima e para a sua esquerda brilha Antares. Se seguir na mesma direcção encontrará as outras duas estrelas do Triângulo de Verão: Vega e a menos brilhante Deneb.

Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges de Canterbury assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno. Acredita-se que as actuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.

Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Observações: As duas estrelas mais brilhantes do Verão são Vega, alta a Este por estas noites, e Arcturo, ainda mais alta a Sudoeste. São ambas nossas vizinhas: estão a 25 e a 37 anos-luz do Sistema Solar, respectivamente. Mas essa é apenas parte da razão de parecerem tão brilhantes. Vega é mais quente, maior, e 50 vezes mais luminosa que o Sol. Arcturo liberta 150 vezes a luz da nossa estrela.

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes terá "medido" o perímetro da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (actualmente Assuão).

Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Os espectaculares enxames de Escorpião já começam a ser visíveis a horas decentes. Aproveite a noite para observar de binóculos M6, M7, M4, e muitos outros enxames abertos e globulares da vizinhança.

Dia 20/06: 171.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, era descoberto o asteróide Eureka.
Observações: Aproveite a noite para observar Saturno telescopicamente. Quantos satélites consegue discernir?

 
CURIOSIDADES


Última contagem de planetas extrasolares descobertos: 562.

 
SONDA MESSENGER FORNECE NOVOS DADOS SOBRE MERCÚRIO

Após quase três meses em órbita de Mercúrio, os instrumentos da sonda MESSENGER estão a fornecer um tesouro de novas informações acerca do planeta mais próximo do Sol, bem como umas quantas surpresas.

A sonda entrou em órbita de Mercúrio a 18 de Março de 2011, tornando-se na primeira a fazê-lo. Estão agora disponíveis dezenas de milhares de imagens das maiores características do planeta - previamente apenas observadas em resoluções comparativamente baixas. As medições da composição química da superfície de Mercúrio estão a providenciar pistas importantes acerca da origem do planeta e da sua história geológica. Mapas da topografia e campo magnético do planeta estão a revelar novas pistas acerca dos processos dinâmicos do interior de Mercúrio. E os cientistas sabem agora que "rajadas" de partículas energéticas na magnetosfera de Mercúrio são um produto contínuo da interacção do campo magnético de Mercúrio com o vento solar.

Esta semana, a MESSENGER completou a sua primeira passagem pelo periélio a partir de órbita, a sua primeira conjunção solar superior a partir de órbita, e a sua primeira manobra de correcção orbital. "Estes marcos providenciam um importante contexto para o festim contínuo de novas observações que a MESSENGER tem enviado para a Terra, quase diariamente," afirma Sean Solomon, investigador principal da MESSENGER, do Instituto Carnegie em Washington, EUA.

Entre as fascinantes características já observadas nas imagens dos "flybys" da MESSENGER estão brilhantes depósitos no chão de algumas crateras. Sem imagens de alta-resolução para obter um olhar mais detalhado, estas características permaneceram apenas uma curiosidade. Mas novas imagens obtidas pelos instrumentos da MESSENGER, com uma resolução de até 10 metros por pixel, revelam que estes depósitos são aglomerados de fendas irregulares que variam de tamanho, desde centenas de metros a vários quilómetros. Estas fendas são normalmente rodeadas por halos difusos de material mais reflectivo, e estão associadas com picos centrais, anéis dos picos e com os limites das crateras.

Imagem a cores da cratera Degas.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie em Washington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A aparência gravada destas formações terrestres é totalmente diferente do que já tínhamos observado em Mercúrio ou até na Lua," afirma Brett Denevi, cientista do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, e membro da equipa de imagem da MESSENGER. "Estamos ainda a debater as suas origens, mas parecem ser relativamente jovens e podem sugerir um componente mais abundante e volátil na crosta de Mercúrio [do que o esperado]."

O instrumento XRS (espectrómetro de raios-X) - um de dois instrumentos a bordo da MESSENGER desenhados para medir as abundâncias de muitos dos elementos-chave em Mercúrio - fez várias descobertas importantes desde o começo da missão orbital. A média dos rácios magnésio/silício e cálcio/silício em grandes áreas da superfície do planeta mostra que, ao contrário da superfície da Lua, a superfície de Mercúrio não é dominada por rochas ricas em feldspato.

Composição dos maiores elementos da superfície de Mercúrio.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie em Washington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações do XRS também revelaram quantidades substanciais de enxofre na superfície de Mercúrio, dando suporte a teorias baseadas em observações espectrais terrestres da existência de sulfetos. Esta descoberta sugere que os blocos de construção originais, a partir dos quais Mercúrio foi formado, podem ter sido menos oxidados do que aqueles que formaram os outros planetas terrestres, potencialmente com implicações importantes para a compreensão da natureza do vulcanismo em Mercúrio.

O instrumento MLA (Mercury Laser Altimeter) da MESSENGER tem mapeado sistematicamente a topografia do hemisfério norte de Mercúrio. Depois de mais de dois milhões de observações a laser, a forma a larga-escala do planeta e os perfis das características geológicas estão a ser revelados em grande detalhe. A região polar norte de Mercúrio, por exemplo, é uma grande área de baixas elevações. A maior diferença de altitude topográfica, vista até à data, excede os 9 km.

Há duas décadas, imagens de radar captadas a partir da Terra mostraram que em torno dos pólos norte e sul de Mercúrio, existem depósitos caracterizados por alto retroespalhamento de radar. Pensa-se que estes depósitos polares consistam de água gelada e talvez outros gelos preservados nas bases frias e permanentemente à sombra de crateras de impacto a alta-latitude. O altímetro da MESSENGER está a testar esta ideia ao medir as profundidades das crateras perto do pólo norte de Mercúrio. Até à data, as profundidades das crateras com depósitos polares são consistentes com a noção que aqueles depósitos ocupam áreas permanentemente à sombra.

Uma das grandes descobertas feitas pela Mariner 10, durante a primeira das suas três passagens rasantes por Mercúrio em 1974, foi a libertação de partículas energéticas na magnetosfera de Mercúrio. Durante essa passagem foram observadas quatro explosões de partículas, por isso foi confuso a MESSENGER não observar eventos deste género e força durante os seus flybys pelo planeta em 2008 e 2009. Agora que a MESSENGER está numa órbita quase polar em torno de Mercúrio, estes eventos energéticos são observados com uma regularidade incrível.

Localização dos eventos de electrões energéticos relativamente ao campo magnético de Mercúrio.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie em Washington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estamos pela primeira vez a montar um quadro global da natureza e dos fenómenos de Mercúrio," acrescenta Solomon, "e muitas das antigas ideias estão a ser postas de lado à medida que novas observações levam a novas descobertas. A nossa missão principal ainda vai durar três anos, por isso podemos esperar mais surpresas sobre o planeta mais interior do Sistema Solar."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2011/03/15 - Sonda MESSENGER prepara-se para entrar em órbita de Mercúrio
2008/10/08 - MESSENGER envia imagens de um Mercúio nunca antes visto
2008/10/04 - Mercúrio regressa a Mercúrio
2008/07/05 - Superfície de Mercúrio dominada por actividade vulcânica 
2008/02/06 - Os mistérios de Mercúrio, velhos e novos
2008/01/26 - Mercúrio visto pela sonda MESSENGER 
2008/01/16 - Sonda MESSENGER passa por Mercúrio 
2008/01/12 - Sonda MESSENGER fará histórico voo rasante por Mercúrio
2005/06/07 - MESSENGER fotografa Terra e Lua
2004/04/03 - MESSENGER com destino a Mercúrio

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG.com
SPACE.com
Wired
BBC News

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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Cientistas analisando dados recentes das sondas Voyager e Cassini, calcularam que a sonda Voyager 1 pode a qualquer momento passar a fronteira do espaço interestelar, muito mais cedo do que se pensava. Ler fonte
     
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Usando a imagem em raios-X mais profunda já obtida, os astrónomos descobriram as primeiras evidências de que buracos negros massivos eram comuns no Universo jovem. Esta descoberta do Observatório Chandra mostra que buracos negros muito jovens cresceram mais agressivamente do que se pensava, em conjunto com as suas galáxias-mãe. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Superfície de Mercúrio em Cores Exageradas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JHU APL/CIW
 
A sonda MESSENGER da NASA completou recentemente mais de 100 órbitas em torno de Mercúrio. As câmaras da MESSENGER registaram imagens detalhadas ao usar oito cores diferentes ao longo do visível e perto do infravermelho, explorando a composição da superfície e em busca de pistas da história e evolução do planeta mais interior do Sistema Solar. Esta foto combina três imagens a cores obtidas pela câmara de campo-largo, mas de modo exagerado. Por outro lado, para o olho humano, as cores da superfície de Mercúrio pareceriam comparativamente mudas. A imagem cobre aproximadamente 1000 quilómetros e mostra características tão pequenas quanto um quilómetro, visíveis na resolução original.
 

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