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Edição n.º 916
14/12 a 17/12/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 14/12: 349.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1546 nascia Tycho Brahe.

Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho no campo.
Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao Pólo Sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos pólos). 
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (actividade extra-veicular) da missão Apollo 17.
Observações: Orionte está no meio de duas luzes brilhantes este ano. Bem para cima durante a noite brilha Júpiter (ao lado de Aldebarã). A uma distância semelhante por baixo de Júpiter, Sirius nasce por volta das 21 horas - perto de Mirzam.

Dia 15/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra.

Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu pára-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados. 
Em 1984 era lançada a Vega 1(missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).
Observações: Ao início da noite, a "estrela de Verão", Vega, é ainda o ponto mais brilhante no céu a Noroeste, embora fique cada vez mais baixo. Para cima está Deneb. Vega está a 25 anos-luz, a supergigante Deneb a cerca de 1400.
Europa reaparece por trás da sombra de Júpiter a partir das 21:35.

Dia 16/12: 351.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calistoe a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Observações: A partir das 04:10 (de dia 15 para 16), observe telesopicamente Io desaparecer por trás de Júpiter.
A partir das 19:00, observe telescopicamente Ganimedes desaparecer por trás de Júpiter. Reaparece do outro lado do planeta, para lá da sua sombra, a partir das 22:40.

Dia 17/12: 352.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, voo 11 P do SpaceShipOne, pilotado por Brian Binnie, o seu primeiro voo supersónico.

Observações: A partir das 01:15 (de dia 16 para 17), Io desaparece em frente de Júpiter. A sua sombra aparece por cima da atmosfera pelas 01:40. O satélite reaparece no outro lado do planeta pelas 03:30 e a sombra desaparece cerca de 20 minutos depois.
Aproveite a noite para observar as Plêiades com binóculos, bem altas a Sudeste, e para baixo a esplêndida constelação de Orionte, que contém a melhor nebulosa do céu, M42 ou Nebulosa de Orionte.

 
CURIOSIDADES


A União Astronómica Interrnacional reconhece actualmente apenas cinco planetas anões: Ceres, Plutão, Haumea, Makemake e Éris. No entanto, suspeita-se que cerca de outros 100 objectos conhecidos no Sistema Solar sejam também planetas anões. Os cientistas estimam que existam aproximadamente 200 planetas anões dentro da Cintura de Kuiper, e que esse número seja de 10.000 para lá da Cintura.

 
CASSINI AVISTA MINI-RIO NILO EM LUA DE SATURNO
 

Cientistas da missão Cassini da NASA/ESA avistaram o que parece ser um gémeo extraterrestre e em miniatura do Rio Nilo da Terra: um rio num vale da lua de Saturno, Titã, que se estende por mais de 400 quilómetros, desde a sua "cabeceira" até um grande mar. É a primeira vez que imagens revelam um sistema de rios tão vasto e em resolução tão alta noutro local que não na Terra.

Os cientistas deduzem que o rio, situado na região polar norte de Titã, contém hidrocarbonetos líquidos porque aparece escuro ao longo de toda a sua extensão na imagem de radar em alta-resolução, indicando uma superfície lisa.

"Embora existam alguns meandros curtos e locais, a linearidade relativa do vale do rio sugere que segue o rastro de pelo menos uma falha, semelhante a outros grandes rios que correm para a margem sul do mesmo mar em Titã," afirma Jani Radebaugh, associado da equipa de radar da Cassini da Universidade de Brigham Young, em Provo, no estado americano do Utah. "Estas falhas - fracturas na rocha de Titã, podem não indicar placas tectónicas, como na Terra, mas mesmo assim levar à abertura de bacias e, talvez, à formação dos próprios mares gigantes."

Titã é o único mundo, além da Terra, que sabemos ter líquido estável à sua superfície. Enquanto o ciclo hidrológico da Terra depende da água, o ciclo equivalente em Titã envolve hidrocarbonetos como o etano e o metano. Nas regiões equatoriais de Titã, as imagens no visível obtidas pelas câmaras da Cassini no final de 2010 revelaram regiões que escureceram devido a chuvas recentes. O espectrómetro visual e infravermelho da Cassini confirmou etano líquido num lago no hemisfério sul de Titã conhecido como Ontario Lacus em 2008.

"Titã é o único lugar que encontrámos, além da Terra, que tem líquido em contínuo movimento à sua superfície," afirma Steve Wall, da vice-líder da equipa de radar, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Esta imagem mostra-nos um cenário de um mundo em movimento. A chuva cai, e os rios movem essa chuva para lagos e mares, onde a evaporação recomeça novamente o ciclo. Na Terra, o líquido é a água; em Titã, é o metano; mas em ambos afecta quase tudo o que acontece."

A imagem de radar foi obtida a 26 de Setembro de 2012. Mostra a região polar norte de Titã, onde o vale do rio corre para o mar chamado Ligeia Mare, um mar, termos de tamanho, entre o Mar Cáspio e o Mar Mediterrâneo. O verdadeiro Rio Nilo tem cerca de 6700 km. Os processos que levam à formação do Rio Nilo na Terra são complexos, mas envolvem falhas em algumas regiões.

Esta imagem obtida pela sonda Cassini mostra um vasto sistema de rios na lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
   
     

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
Discovery News
science 2.0
UPI.com
AstroPT

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM GALÁXIAS PERTO DE "MADRUGADA CÓSMICA"

Uma equipa de astrónomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) usou o Telescópio Espacial Hubble para descobrir sete das galáxias mais primitivas e distantes já observadas.

Uma das galáxias, dizem os astrónomos, pode quebrar o recorde de galáxia mais antiga já descoberta, observada quando o Universo tinha apenas 380 milhões de anos. Todas as galáxias recém-descobertas formaram-se há mais de 13 mil milhões de anos, quando o Universo tinha apenas cerca de 4% da sua idade actual, um período que os astrónomos chamam de "madrugada cósmica", quando as primeiras galáxias nasceram. O Universo tem agora 13,7 mil milhões de anos.

De acordo com a equipa, as novas observações abrangem um período entre 350 e 600 milhões anos após o Big Bang e representam o primeiro censo confiável de galáxias de um momento tão jovem da história cósmica. Os astrónomos descobriram que o número de galáxias aumentou de forma constante com o passar do tempo, apoiando a ideia de que as primeiras galáxias não foram formadas numa explosão repentina, mas gradualmente agruparam as suas estrelas.

Os quadrados coloridos na imagem principal mostram os locais das galáxias recém-descobertas. Ampliações de cada galáxia está legendada com o desvio para o vermelho (z), que mede quanto a radiação ultravioleta e luz visível é esticada para comprimentos de onda infravermelhos devido à expansão do Universo. A galáxia observada com um desvio para o vermelho de 11,9 pode quebrar o recorde de galáxia mais distante, observada 380 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NASA/ESA/Caltech-R. Ellis/Equipa HUDF12
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dado que a luz demora milhares de milhões de anos a viajar distâncias tão grandes, as imagens astronómicas mostram como o Universo era durante esse período, há milhares de milhões de anos atrás, quando as primeiras luzes começaram a sua viagem. Quanto mais longe no espaço os astrónomos observam, mais para trás no tempo vêm.

No novo estudo, que foi recentemente aceite para publicação na revista Astrophysical Journal Letters, a equipa explorou as profundezas do Cosmos e, portanto, o passado mais distante possível com o Hubble.

"Obtivemos a maior exposição de sempre do Hubble, capturando algumas das galáxias mais ténues e mais distantes," afirma Richard Ellis, professor de Astronomia no Caltech e o autor principal do artigo. "A nova profundidade e a nossa estratégia de observação cuidadosamente projectada foram as principais características da nossa campanha para estudar este período inicial da história cósmica."

Os resultados são os primeiros de um novo estudo do Hubble, focado sobre um pequeno pedaço do céu conhecido como HUDF (Hubble Ultra Deep Field), que foi estudado pela primeira vez há nove anos atrás. Os astrónomos usaram a câmara WFC3 (Hubble's Wide Field Camera 3) para observar o HUDF perto do infravermelho durante um período de seis semanas em Agosto e Setembro de 2012.

Para determinar as distâncias até às galáxias, a equipa mediu as suas cores usando quatro filtros que permitem ao Hubble capturar radiação perto do infravermelho em comprimentos de onda específicos. "Utilizámos um filtro que não tinha sido usado até à data na observação profunda, e realizámos exposições muito mais profundas com alguns filtros de trabalhos anteriores, a fim de rejeitar de forma convincente a possibilidade de algumas das nossas galáxias serem objectos de primeiro plano," afirma James Dunlope, membro da equipa e do Instituto para Astronomia da Universidade de Edimburgo.

Os filtros cuidadosamente escolhidos permitiram aos astrónomos medir a luz absorvida pelo hidrogénio neutro, que preencheu o Universo cerca de 400.000 anos após o Big Bang. As estrelas e as galáxias começaram a formar-se cerca de 200 milhões de anos após o Big Bang. À medida que eram formadas, banharam o Cosmos com radiação ultravioleta, que ionizou o hidrogénio neutro ao retirar um electrão de cada átomo de hidrogénio. Esta chamada "época de reionização" durou até quando o Universo tinha aproximadamente mil milhões de anos.

Se tudo no Universo estivesse parado, os astrónomos conseguiriam ver que apenas um comprimento de onda específico tinha sido absorvido pelo hidrogénio neutro. Mas o Universo está em expansão, e isto estica os comprimentos de onda oriundos das galáxias. A quantidade de luz "esticada" é chamada de desvio para o vermelho e depende da distância: quando mais longe está uma galáxia, maior é o seu desvio para o vermelho.

Como resultado desta expansão cósmica, os astrónomos observam que a absorção de luz pelo hidrogénio neutro ocorre em comprimentos de onda mais longos para galáxias mais distantes. Os filtros permitiram aos investigadores determinar em que comprimento de onda a luz era absorvida, o que revelou a distância da galáxia e, portanto, o período na história cósmica em que foi formada. Usando esta técnica para penetrar cada vez mais para trás no tempo, a equipa encontrou um número cada vez menor de galáxias.

"Os nossos dados confirmam que a reionização é um processo longo que ocorreu durante várias centenas de milhões de anos, em que as galáxias lentamente construíram as suas estrelas e os elementos químicos," afirma Brand Robertson, da Universidade do Arizona em Tucson, EUA e co-autor do artigo. "Não houve um único momento dramático em que as galáxias se formaram; é um processo gradual."

As novas observações - que puxaram os limites técnicos do Hubble - são uma pista do que está por vir com a próxima geração de telescópios espaciais infravermelhos. Para estudar ainda mais longe no passado, e observar galáxias cada vez mais antigas, os astrónomos têm que observar em comprimentos mais longos do que o Hubble consegue detectar. Isto porque a expansão cósmica tanto esticou a luz das galáxias mais distantes, que brilham predominantemente no infravermelho. O Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para daqui a uns anos, terá como alvo essas galáxias.

"Apesar de termos alcançado os limites do Hubble, o telescópio espacial de certo modo definiu o cenário para o Webb," diz o membro da equipa Anton Koekemoer do STScI (Space Telescope Science Institute). "O nosso trabalho mostra que há um rico campo de galáxias ainda mais antigas que o Webb será capaz de estudar."

Links:

Notícias relacionadas:
Caltech (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
New Scientist
Science
redOrbit
Nature
PHYSORG
BBC News

Universo:
Universo (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Desvio para o Vermelho (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

Telescópio Espacial James Webb:
NASA
ESA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Via Láctea por Cima da Floresta de Aloe Dichotoma
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Florian Breuer
 
Em frente de um famoso fundo de estrelas e galáxias estão algumas das árvores mais estranhas da Terra. Conhecidas como Aloe dichotoma, são na realidade plantas suculentas que podem crescer até proporções de árvores. Existentes maioritariamente na África do Sul, as árvores fotografadas nesta composição de 16 imagens encontram-se no sul da Namíbia. Algumas das mais altas árvores do parque têm uma idade estimada de 300 anos. Por trás das árvores está a luz da pequena cidade de Keetmanshoop, Namíbia. À distância, arqueando no pano de fundo, está a majestosa banda central da nossa Via Láctea. Ainda mais longe, visíveis à esquerda, estão as Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, galáxias satélite da nossa própria Galáxia, bons objectos para observação no Hemisfério Sul da Terra.
 

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