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RETROSPETIVA ASTRONÓMICA DE 2018
1 de janeiro de 2019

 

O ano de 2018 foi emocionante para as missões espaciais. À medida que uma era lançada em direção ao Sistema Solar interior numa viagem épica para tocar o Sol, outra deixou o Sistema Solar para tocar o espaço interestelar - a uns impressionantes 18 mil milhões de quilómetros de casa. Ambas vão lançar luz sobre ambientes extremos e distantes. Entretanto, outras missões estão focadas em ambientes mais parecidos com o nosso lar - trabalhando para melhor entender a Terra e planetas como o nosso.

Por exemplo, em abril, foi lançada a missão TESS para estudar exoplanetas próximos, aumentando as chances de que os astrónomos possam em breve encontrar outras moradias habitáveis. E, no final de novembro, o "lander" InSight da NASA alcançou Marte na primeira missão para estudar o interior do planeta. É particularmente excitante, tendo em conta que dois achados este ano melhoraram as hipóteses de que o Planeta Vermelho já possa ter abrigado vida: o primeiro descobriu moléculas orgânicas em rochas antigas e o segundo descobriu um lago salobro subterrâneo.

Enquanto estas missões destacam o potencial para futuras descobertas, o ano também teve alguns finais tristes. Dissemos adeus ao grande cientista Stephen Hawking - que ajudou a descobrir muitos dos segredos dos buracos negros - e ao Telescópio Espacial Kepler - que revelou milhares de mundos alienígenas. Foi um ano e tanto. Aqui ficam alguns dos marcos astronómicos de 2018.


É lançada uma sonda espacial para "tocar o Sol"

No final deste verão, a Parker Solar Probe foi lançada a partir de Cabo Canaveral numa missão que irá revelar vários segredos sobre a nossa queria estrela. Transporta uma série de instrumentos para mais próximo do Sol que nunca - mergulhando na coroa solar inferior a fim de entender a origem e aceleração do vento solar, bem como a dinâmica do campo magnético coronal. Não será fácil. A corajosa nave tem que lutar contra o vento intenso do Sol e contra o calor escaldante. Mas, se for bem-sucedida, abrirá uma nova janela sobre a física solar.

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"Lander" InSight alcança Marte

No final de novembro, a missão Mars InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA pousou no Planeta Vermelho. É a oitava aterragem bem-sucedida da NASA em Marte e a primeira missão dedicada à geofísica.

O primeiro "selfie" do InSight em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O módulo InSight vai estudar os sismos marcianos e outras atividades geológicas a fim de responder a várias perguntas sobre o interior do planeta. Os cientistas querem saber, por exemplo, quão semelhante é o interior do planeta a outros mundos rochosos. Em breve, o módulo vai perfurar a superfície do planeta um milímetro de cada vez. Então, após 30 ou 40 dias de perfuração, o InSight permanecerá em silêncio para fazer medições sísmicas dedicadas e para avaliar a atividade do nosso vizinho planetário.

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Aumenta o potencial para vida marciana

Duas descobertas emocionantes aumentaram este ano a probabilidade de que o Planeta Vermelho já albergou os ingredientes necessários para a vida. Em primeiro lugar, o rover Curiosity detetou moléculas orgânicas em rochas antigas. Embora estas moléculas não tenham sido produzidas por vida, a vida produz e usa algumas delas (como açúcares e aminoácidos). Depois, um segundo instrumento descobriu evidências de água líquida atual em Marte - ou, mais especificamente, um lago salgado à subsuperfície. Ambos são achados promissores.

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Cientistas "pisam" asteroide

No início de outubro, a missão MASCOT (Mobile Asteroid Surface Scout) pousou com sucesso no pequeno asteroide 162173 Ryugu. Foi a primeira missão a explorar a superfície de um asteroide "in situ", percorrendo o pequeno objeto durante três dias e duas noites, a fim de avaliar melhor os primeiros dias da formação do Sistema Solar.

Mas não foi o único asteroide explorado este ano pelos cientistas. Um mês depois, a nave Osiris-REX da NASA chegou a Bennu e rapidamente revelou que a água já esteve presente no seu passado. A sonda Osiris-REX entrou em órbita de Bennu ontem - com o objetivo de recolher uma amostra de material e de a levar para a Terra em 2023.

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Voyager 2 entra no espaço entre as estrelas

No dia 5 de dezembro, a Voyager 2 entrou no espaço interestelar - tornando-se na segunda sonda da história a viajar tão longe do Sol, depois da Voyager 1. Os astrónomos aperceberam-se do evento, não pela distância da sonda (18 mil milhões de quilómetros), mas graças a uma queda no vento solar. O Sol liberta uma brisa constante de partículas carregadas muito além de Neptuno, mas eventualmente esse vento dá lugar ao plasma interestelar que preenche a Galáxia. Deste modo, quando o detetor de plasma a bordo da Voyager 2 registou uma queda significativa na velocidade do vento solar, os cientistas da missão souberam que a nave tinha oficialmente entrado no espaço interestelar. Ao ritmo atual, as Voyagers vão encontrar a orla interna da Nuvem de Oort - a concha gelada de detritos que rodeia o nosso Sistema Solar - daqui a aproximadamente 300 anos.

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Gaia mapeia a Via Láctea

O satélite espacial Gaia divulgou o seu segundo lote de dados no final de abril, incluindo paralaxes precisas (e, portanto, distâncias) para mais de 1,3 mil milhões de estrelas e as posições e brilhos de quase 1,7 mil milhões de estrelas no total. Esse segundo número compõe um pouco mais de 1% de todas as estrelas da Via Láctea - fornecendo assim um mapa detalhado da nossa vizinhança local.

Impressão de artista do Gaia, que está a mapear as estrelas da Via Láctea.
Crédito: ESA/ATG medialab; fundo: ESO/S. Brunier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas não é tudo. O Gaia também observou aproximadamente 14.000 objetos conhecidos do Sistema Solar, a maioria deles asteroides, e mais de 500.000 quasares. A versão final dos dados tem lançamento previsto para o final de 2022.

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Uma missão exoplanetária termina, outra começa

Foi um ano empolgante para a pesquisa de exoplanetas. No dia 18 de abril, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) foi lançado a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX em busca de exoplanetas em torno de estrelas brilhantes. A missão começou as observações em cima da hora: no dia 30 de outubro, a missão Kepler ficou sem combustível, terminando assim uma missão de 9 anos em que detetou mais de 2600 planetas, juntamente com milhares de outros mundos candidatos. É seguro dizer que o Kepler deu origem a um campo de investigação totalmente novo, campo este em que o TESS também vai contribuir - potencialmente levando à descoberta, um dia, de vida alienígena.

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Astrónomos vislumbram o horizonte de eventos de um buraco negro

Enquanto usavam o instrumento GRAVITY acoplado ao VLT (Very Large Telescope) no Chile, os astrónomos detetaram três brilhantes explosões perto do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia, Sagittarius A*. Cada explosão durou entre 30 e 90 minutos e percorreu os arredores do buraco negro a 30% da velocidade da luz. Como tal, os astrónomos suspeitam que as explosões tiveram origem no interior do disco inchado que lentamente alimenta o buraco negro. É uma descoberta que permitirá com que se façam testes precisos da gravidade num dos ambientes mais extremos da natureza.

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LIGO: descobertas não param

Em dezembro, os cientistas identificaram mais quatro sinais fantasmagóricos de pares distantes de buracos negros que se aproximaram um do outro e colidiram - elevando o número total de deteções de ondas gravitacionais para 11. Não é só o anúncio do maior lote de deteções lançado de uma só vez, como também uma delas é a fusão de buracos negros mais distante e poderosa que conhecemos. Ocorreu há 5 mil milhões de anos quando dois enormes buracos negros se fundiram para formar um colosso com 80 vezes a massa do Sol, libertando o equivalente energético a 5 massas solares na forma de poderosas ondas gravitacionais.

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