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Edição n.º 1200
08/09 a 10/09/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/09: 251.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos. 

Em 1967, lançamento da sonda Surveyor 5. Aterrou no Mar Tranquilidade 3 dias depois e enviou mais de 19.000 imagens para a Terra.
Em 1999, passagem mais próxima do asteroide 699 Hela pela Terra (0,644 UA). 
Em 2000, lançamento da missão STS-106 do vaivém Atlantis.
Em 2004, a sonda Genesis da NASA colide com a Terra quando o seu pára-quedas falha em abrir.
Observações: Apesar de ainda não estamos no outono, já podemos dizer olá a Fomalhaut, a Estrela de Outono, de 1.ª magnitude, brilhando baixa a sudeste pelas 22 horas. Brilha o mais alta a sul por volta da 1 da manhã.

Dia 09/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
Observações: Antes do amanhecer, aviste, a este, Vénus e Marte para baixo da Lua. E tem ainda acesso a uma antevisão de inverno! O céu mostra o mesmo panorama estrelado do anoitecer do próximo mês de fevereiro. Orionte está alto a sul, Sirius e Cão Maior brilham para baixo e para a esquerda, e Gémeos está alto a este.

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas. Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 1985, a sonda ICE (International Cometary Explorer) faz o primeiro voo rasante de um cometa, o cometa Giacobini-Zinner

Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: Uma hora antes do amanhecer, procure a Lua bem baixa a este. Mesmo para o lado direito, está o brilhante Vénus. Um pouco mais distante do nosso satélite natural, mas desta vez para a esquerda e um pouco para baixo, está o planeta Marte.

 
CURIOSIDADES


A NASA disponibiliza uma aplicação para Mac, PC e dispositivos móveis, com o nome de "NASA's Eyes", que dá a possibilidade de aprender mais sobre o nosso planeta, o Sistema Solar, o Universo e as sondas que o exploram. Experimente!

 
NEW HORIZONS COMEÇOU FASE INTENSIVA DE ENVIO DOS DADOS

Se gostou das primeiras imagens históricas de Plutão pela sonda New Horizons da NASA, vai adorar o que está por vir.

Sete semanas após a New Horizons ter passado pelo sistema de Plutão a fim de estudar o planeta anão e as suas luas - mundos nunca antes explorados -, a equipa da missão vai começar o "downlink" intensivo de dezenas de gigabits de dados que a sonda recolheu e armazenou na sua memória. O processo começou em andamento no passado sábado, dia 5 de setembro, e todo o conjunto de dados levará cerca de um ano a ser enviado para a Terra.

"É exatamente por isto que lá fomos - estas imagens, espectros e outros tipos de dados vão ajudar-nos a compreender pela primeira vez a origem e a evolução do sistema de Plutão," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado. "E o que está por chegar não são só apenas os restantes 95% dos dados ainda armazenados na nave espacial - são os melhores conjuntos de dados, as imagens de mais alta-resolução e os espectros, os mais importantes dados atmosféricos, e mais. É um verdadeiro tesouro científico."

Imagem da região perto do equador de Plutão, obtida pela sonda New Horizons no dia 14 de julho de 2015, que revela montanhas jovens que sobem até 3,4 km acima da superfície do planeta anão. Esta imagem de Norgay Montes foi capturada cerca de hora e meia antes da maior aproximação a Plutão, quando a sonda estava a 77.000 km da superfície do mundo gelado. As imagens de mais alta-resolução de Plutão estão ainda por chegar.
Crédito: NASA/JUHAPL/SwRI
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Mesmo viajando à velocidade da luz, os sinais de rádio enviados pela New Horizons precisam de mais de 4 horas e meia para percorrer 4,9 mil milhões de quilómetros até alcançar a Terra.

Sendo uma missão de voo rasante, a New Horizons foi projetada para recolher o máximo de informação possível, tão rapidamente quanto possível, à medida que passava por Plutão e pela sua família de luas - e guardar os dados na sua memória interna para mais tarde serem enviados para a Terra. Desde o final de julho que a New Horizons só envia, lentamente, informações recolhidas pelos seus instrumentos de partículas energéticas, vento solar e poeira espacial. O ritmo aumentou no dia 5 de setembro, quando o envio de outros dados e imagens foi retomado.

Durante a fase de "downlink" de dados, a sonda transmite dados para as estações de antenas DSN (Deep Space Network) da NASA, que também prestam serviços a outras missões (como, por exemplo, às Voyager). A distância da sonda à Terra diminui consideravelmente a rapidez do envio, especialmente em comparação com as taxas oferecidas pelos ISPs de hoje em dia. Com a New Horizons para lá de Plutão, a típica taxa de "downlink" ronda os 1-4 kilobits por segundo, dependendo de como os dados são enviados e de qual das antenas DSN os está a receber.

Todas as comunicações com a New Horizons - desde o envio de comandos à sonda, até ao "downlink" dos dados científicos do encontro com Plutão - têm lugar graças às antenas do DSN (Deep Space Network) da NASA. No topo à esquerda, a estação de Madrid, Espanha; à direita, a estação de Goldstone, na Califórnia, EUA; em baixo, a estação de Camberra, Austrália. Mesmo viajando à velocidade da luz, os sinais de rádio enviados pela New Horizons precisam de mais de 4 horas e meia para percorrer 4,9 mil milhões de quilómetros até alcançar a Terra.
Crédito: NASA
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"A missão New Horizons já exige paciência há muitos anos, mas a partir da pequena quantidade de dados que vimos em torno da passagem por Plutão, sabemos que os resultados que aí virão valem bem a espera," comenta Hal Weaver, cientista do projeto New Horizons do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

A equipa também planeia continua a divulgar novas imagens não processadas do instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager). O próximo conjunto de imagens do LORRI tem divulgação agendada para dia 11 de setembro.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"
28/07/2015 - New Horizons encontra neblina, "glaciares" em Plutão
24/07/2015 - Nova cadeia montanhosa em Plutão; imagens de Nix e Hidra
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto SETI
Universe Today
PHYSORG

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

Deep Space Network:
NASA
Wikipedia

 
ESTUDO DO HUBBLE DESVENDA PISTAS DO NASCIMENTO ESTELAR EM M31

Num estudo de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, de 2753 enxames estelares jovens e azuis na vizinha Galáxia de Andrómeda, os astrónomos descobriram que M31 e a nossa Galáxia têm uma percentagem semelhante de estrelas recém-nascidas com base na massa.

Ao determinarem a percentagem de estrelas que têm uma massa particular dentro de um enxame, ou Função de Massa Inicial (FMI), os cientistas podem interpretar melhor a luz de galáxias distantes e compreender a história da formação de estrelas no nosso Universo.

A pesquisa intensa, com base em 414 fotografias do mosaico de M31, foi uma colaboração única entre os astrónomos e cientistas "cidadãos", voluntários que prestaram uma ajuda inestimável na análise da enorme quantidade de dados do Hubble.

Mosaico de 414 fotografias de M31, obtidas pelo Hubble. Na secção inferior esquerda está uma ampliação do campo dentro do quadrado do topo, que revela uma miríade de estrelas e inúmeros enxames abertos como nós azuis e brilhantes, ampliação esta que cobre uma área com 4400 anos-luz. À direita estão seis enxames azuis e brilhantes extraídos do campo. Cada quadrado de cada enxame mede aproximadamente 150 anos-luz.
Crédito: NASA/ESA, J. Dalcanton, B. F. Williams, L. C. Johnson (Universidade de Washington), equipa PHAT e R. Gendler
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Dado o grande volume de imagens do Hubble, o nosso estudo da FMI não teria sido possível sem a ajuda de cientistas cidadãos," afirma Daniel Weisz da Universidade de Washington em Seattle, EUA. Weisz é o autor principal de um artigo publicado na edição de 20 de junho a revista The Astrophysical Journal.

A medição da FMI foi o principal objetivo do ambicioso levantamento panorâmico da nossa galáxia vizinha pelo Hubble, chamado programa PHAT (Panchromatic Hubble Andromeda Treasury). Foram obtidas cerca de 8000 imagens de 117 milhões de estrelas no disco galáctico de Andrómeda nos comprimentos de onda do ultravioleta próximo, visível e infravermelho próximo.

As estrelas nascem quando uma nuvem gigante de hidrogénio molecular, poeira e traços de outros elementos entra em colapso. A nuvem fragmenta-se em vários nós mais pequenos de material e cada um precipita centenas de estrelas. As estrelas não são todas iguais: as suas massas podem variar entre 1/12 até um par de centenas de vezes a massa do nosso Sol.

Antes do estudo inédito do disco estelar de M31 pelo Hubble, os astrónomos só tinham medições da FMI para a vizinhança estelar local dentro da nossa Via Láctea. Mas a visão de M31 pelo Hubble permitiu com que os cientistas comparassem a Função de Massa Inicial numa muito maior amostra de enxames estelares e que estão praticamente à mesma distância da Terra, 2,5 milhões de anos-luz. A pesquisa é diversa, pois os enxames estão espalhados por toda a galáxia; variam em massa por fatores de 10 e variam entre os 4 e os 24 milhões de anos.

Para surpresa dos investigadores, a FMI é muito semelhante para todos os enxames estudados. A Natureza aparentemente "cozinha" estrelas como lotes de biscoitos, com uma distribuição consistente desde supergigantes azuis até anãs vermelhas. "É difícil imaginar que a FMI é tão uniforme na nossa galáxia vizinha, dada a física complexa da formação estelar," comenta Weisz.

Curiosamente, as estrelas mais brilhantes e massivas nesses enxames são 25% menos abundantes do que o previsto por pesquisas anteriores. Os astrónomos usam a luz destas estrelas brilhantes para medir a massa de enxames estelares e galáxias distantes e para medir a rapidez com que os enxames formam estrelas. Este resultado sugere que as estimativas de massa, usando trabalhos anteriores, eram demasiado baixas porque assumiam que havia muito poucas estrelas ténues e de baixa massa a formarem-se juntamente com as estrelas mais massivas e brilhantes.

Esta evidência também implica que o Universo primitivo não tinha tantos elementos pesados para formar planetas, porque haveriam menos supernovas (a partir de estrelas massivas) a fabricar elementos pesados para a construção planetária. É fundamental saber a taxa de formação estelar no Universo primitivo - há cerca de 10 mil milhões de anos atrás - porque foi nessa altura que foram formadas a maioria das estrelas do Universo.

O catálogo de enxames estelares PHAT, que forma a base deste estudo, foi reunido com a ajuda de 30.000 voluntários que vasculharam milhares de imagens capturadas pelo Hubble à procura de aglomerados estelares.

O Projeto Andrómeda é um dos muitos esforços de ciência cidadã da organização Zooniverse. Ao longo de 25 dias, os voluntários apresentaram 1,82 milhões de classificações individuais com base na concentração de estrelas, as suas formas e quão bem se destacavam do fundo, o que representa cerca de 24 meses de atenção humana constante. Os cientistas usaram estas classificações para identificar uma amostra de 2753 enxames estelares, aumentando o número de enxames conhecidos por um fator de seis na região do estudo PHAT. "Os esforços destes cientistas cidadãos abre a porta a uma variedade de novas e interessantes investigações científicas, incluindo esta nova medição da FMI," conclui Weisz.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/01/2015 - Andrómeda em HD

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico
The Astrophysical Journal
Astronomy
AstronomyNow
redOrbit
PHYSORG
(e) Science News

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

FMI (Função de Massa Inicial):
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Programa PHAT:
Página oficial

Projeto Andrómeda:
Wikipedia

Zooniverse:
Página principal

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa do Tubarão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Maurice Toet
 
Não há mar na Terra grande o suficiente para albergar a Nebulosa do Tubarão. Esta aparição do predador não representa para nós qualquer perigo, pois é composto apenas por gás e poeira interestelar. Esta poeira escura [na imagem] é parecida com o fumo do cigarro e é criada nas atmosferas frias de estrelas gigantes. Depois de ser expulsa juntamente com gás e de se recondensar gravitacionalmente, as estrelas massivas esculpem estruturas intricadas na sua nuvem onde nascem usando a sua luz altamente energética e velozes ventos estelares como ferramentas. O calor que geram evapora a nuvem molecular obscura, faz com que o ambiente gasoso de hidrogénio se disperse e brilhe com tons avermelhados. Durante a desintegração, nós humanos podemos desfrutar e imaginar estas nuvens gigantes como ícones comuns, como fazemos para as nuvens de água na Terra. Incluindo nebulosas mais pequenas como a Nebulosa Escura Lynds 1235 e Van den Bergh 149 e 150, a Nebulosa do Tubarão mede cerca de 15 anos-luz e está situada a aproximadamente 650 anos-luz de distância na direção da constelação do Rei da Etiópia (Cefeu).
 

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