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Edição n.º 1317
21/10 a 24/10/2016
 
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28/10/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável). Este mês iremos tratar da mudança de hora sob o pont de vista astronómico.
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
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Telefone: 289 890 922
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EFEMÉRIDES

Dia 21/10: 295.º dia do calendário gregoriano.
História: m 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhowerassina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz

Observações: Saturno e Antares formam agora um triângulo retângulo mais compacto, juntamente com Vénus baixos a sudoeste ao lusco-fusco.
Pico da chuva de meteoros das Oriónidas.

Dia 22/10: 296.º dia do calendário gregoriano.
História: No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kangsupostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes. 
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.

Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 20:14.
Procure Capella brilhando perto do horizonte a nordeste por estas noites. Procure as Plêiades para a sua direita, a cerca de três punhos à distância do braço esticado. Estes mensageiros dos meses frios que aí vêm sobem mais alto à medida que a noite avança e fica mais fria.
Para cima e para a direita de Capella, e para cima e para a esquerda das Plêaides, estão as estrelas da constelação de Perseu, por entre a banda da Via Láctea.

Dia 23/10: 297.º dia do calendário gregoriano.
História:Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares, planeada para 2017.
Observações: Se gosta de acordar cedo, aproveite os minutos antes do amanhecer para ter um vislumbre do gigante Júpiter bem perto do horizonte a este.

Dia 24/10: 298.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, William Lassell descobre as luas UmbrielAriel em órbita de Úrano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.

Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Observações: À medida que o outono avança, o Grande Quadrado de Pégaso brilha ainda mais alto a este ao anoitecer. Por agora encontra-se apoiado num canto. Com o passar da noite e o passar da estação, gira para descansar muito alto a sul.

 
CURIOSIDADES


Um astronauta pode estar até 5 centímetros mais alto quando regressa do espaço. Os discos intervetebrais da coluna expandem-se na ausência de gravidade.

 
EXOMARS 2016 - TGO EM ÓRBITA DE MARTE; DESTINO DO SCHIAPARELLI AINDA POR APURAR

O orbitador TGO (Trace Gas Orbiter) da missão ExoMars 2016 da ESA realizou com sucesso a longa combustão de 139 minutos necessária para ser capturado por Marte e entrou numa órbita elíptica em torno do Planeta Vermelho, enquanto o contato com o módulo-teste da missão, a partir da superfície, ainda não foi confirmado.

A combustão de inserção na órbita de Marte pelo TGO durou das 14:05 às 16:24 (hora portuguesa), a 19 de outubro, reduzindo a velocidade e direção da sonda espacial em mais de 1,5 km/s. O TGO está agora na sua órbita planeada em torno de Marte. As equipas da Agência Espacial Europeia no Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC) em Darmstadt, Alemanha, continuam a acompanhar a "boa saúde" da sua segunda sonda em órbita em torno de Marte, que se junta à Mars Express com 13 anos de idade.

A sonda TGO e o módulo Schiaparelli da missão ExoMars em aproximação a Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As equipas do ESOC estão a tentar confirmar o contato com o Módulo Demonstrador de Entrada, Descida e Aterragem (EDM), Schiaparelli, que entrou na atmosfera marciana cerca de 107 minutos após a sonda TGO ter iniciado a sua própria manobra de inserção em órbita.

O "lander" de 577 kg foi libertado da TGO às 15:42 (hora portuguesa) de 16 de outubro. O Schiaparelli foi programado para executar autonomamente uma sequência de aterragem automatizada, com o lançamento do para-quedas e a libertação do escudo térmico frontal entre 11 e 7 km, seguida de uma travagem de um retrofoguete a partir dos 1100 m a partir do solo, e uma queda final de uma altura de 2 m, protegido por uma estrutura deformável.

Antes da entrada atmosférica às 15:42 de dia 19, o contato através do GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope), a maior gama de interferometria do mundo, localizado perto de Pune, na Índia, foi estabelecido logo depois de ter começado a transmitir um sinal luminoso 75 minutos antes de atingir as camadas superiores da atmosfera marciana. No entanto, o sinal foi perdido algum tempo antes da aterragem.

Os dados essenciais enviados pelo Schiaparelli à sonda TGO, durante a descida de anteontem, foram retransmitidos para a Terra e esses 600 megabytes estão atualmente a ser analisados por especialistas.

As indicações dos sinais sugerem que o módulo completou com sucesso a maioria dos passos da sua descida de seis minutos através da atmosfera. Estes incluem a desaceleração, a libertação do paraquedas e do escudo térmico, por exemplo.

Impressão de artista do módulo Schiaparelli com o paraquedas ativado.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas os sinais registados pelo GMRT e pela Mars Express cessaram antes do pouso à superfície. Também parecem indicar que a ejeção do escudo e paraquedas ocorreram mais cedo do que o esperado, mas a análise continua. O mesmo parece ter acontecido com os motores, que foram ativados brevemente e desligados mais cedo do que o esperado, a uma altitude ainda por determinar.

Uma série de janelas foram programadas para escutar sinais provenientes do módulo através da Mars Express da ESA, da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) e da MAVEN (Mars Atmosphere & Volatile Evolution) da NASA. O GMRT também tem horários de escuta.

Se Schiaparelli chegou à superfície em segurança, as baterias deverão ser capazes de suportar as operações entre três a dez dias, oferecendo múltiplas oportunidades para reestabelecer um elo de comunicação.

O TGO está equipado com um conjunto de instrumentos científicos, a fim de estudar o ambiente marciano a partir da órbita. Embora seja essencialmente um demonstrador de tecnologia, Schiaparelli também contém uma pequena carga científica útil para realizar algumas observações a partir do solo.

A missão ExoMars 2016 é a primeira parte de um esforço internacional duplo conduzido pela ESA em cooperação com Roskosmos na Rússia, que também irá abranger a missão ExoMars 2020. Prevista para 2020, a segunda missão ExoMars incluirá um módulo Russo e um rover europeu, que irá perfurar até 2 m de profundidade para procurar material orgânico primitivo.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/10/2016 - ExoMars preparada para o Planeta Vermelho
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto para a próxima semana

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
ESA - 2 (comunicado de imprensa)
ESA - 3 (vídeo da conferência da imprensa de 20/10/16)
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ExoMars TGO:
ESA
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"Lander" Schiaparelli:
ESA
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ExoMars 2020:
ESA
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Mars Express: 
ESA 
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MRO:
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JPL 
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MAVEN:
NASA
NASA - 2
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GMRT:
Página principal
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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INCLINAÇÃO CURIOSA DO SOL ATRIBUÍDA AO PLANETA NOVE
Esta impressão de artista mostra o distante Planeta Nove. Pensa-se que o planeta seja gasoso, parecido com Úrano e Neptuno. Relâmpagos hipotéticos iluminam o lado noturno.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com um novo estudo, o Planeta Nove - o planeta ainda não descoberto na orla do Sistema Solar que foi previsto pelo trabalho de Konstantin Batygin e Mike Brown em janeiro de 2016 - parece ser responsável pela invulgar inclinação do Sol.

O planeta grande e distante pode estar a adicionar uma oscilação ao Sistema Solar, dando a aparência de que o Sol está ligeiramente inclinado.

"Dado que o Planeta Nove é tão grande e tem uma órbita inclinada em comparação com a dos outros planetas, o Sistema Solar não tem escolha a não ser torcer-se lentamente para fora do alinhamento," comenta Elizabeth Bailey, estudante do Caltech e autora principal de um estudo que anuncia a descoberta.

Todos os planetas orbitam num plano achatado em relação ao Sol (eclíptica), no máximo com cerca de 2º uns dos outros. Esse plano, no entanto, gira a uma inclinação de seis graus em relação ao Sol - dando a aparência de que o próprio Sol está inclinado. Até agora, ninguém tinha encontrado uma explicação convincente para este efeito. "É um mistério tão profundamente enraizado e tão difícil de explicar que as pessoas simplesmente não falam sobre ele," comenta Brown, professor de Astronomia Planetária.

A descoberta de Brown e Batygin, de evidências de que o Sol é orbitado por um planeta ainda não descoberto - com cerca de 10 vezes a massa da Terra e com uma órbita que o leva cerca de 20 vezes mais longe do Sol, em média, que Neptuno - muda a física. O Planeta Nove, com base nos seus cálculos, parece orbitar a 30º do plano orbital dos outros planetas - no processo, influenciando a órbita de uma grande população de objetos na Cintura de Kuiper, que foi como Brown e Batygin vieram a suspeitar da existência de tal planeta em primeiro lugar.

"Continua a surpreender-nos; de cada vez que olhamos com cuidado, continuamos a descobrir que o Planeta Nove explica algo sobre o Sistema Solar que há muito que era um mistério," realça Batygin, professor assistente de ciência planetária.

As suas conclusões foram aceites para publicação numa edição futura da revista The Astrophysical Journal e foram apresentadas dia 18 de outubro na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronómica Americana, realizada em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

A inclinação do plano orbital do Sistema Solar há muito que confunde os astrónomos devido à forma como os planetas se formaram: uma nuvem giratória lentamente colapsou num disco para formar objetos em órbita de uma estrela central.

Com base na sua localização e tamanho, o momento angular do Planeta Nove está a ter um impacto desproporcional no Sistema Solar. O momento angular de um planeta é igual à massa do objeto multiplicada pela sua distância ao Sol, e corresponde à força que o planeta exerce sobre a rotação do sistema global. Dado que os outros planetas do Sistema Solar estão todos praticamente ao longo de um único plano achatado, os seus momentos angulares trabalham em conjunto para manter sem problemas a rotação de toda a eclíptica.

A órbita invulgar do Planeta Nove, no entanto, acrescenta uma oscilação de milhares de milhões de anos a esse sistema. Matematicamente, dado o hipotético tamanho e a hipotética distância do Planeta Nove, uma inclinação de seis graus encaixa perfeitamente, comenta Brown.

A próxima questão é, então, como é que o Planeta Nove alcançou a sua órbita invulgar? Isso continua ainda por determinar, mas Batygin sugere que o planeta poderá ter sido expulso da vizinhança dos gigantes gasosos por Júpiter, ou talvez sido influenciado pela atração gravitacional de outros corpos estelares no passado extremo do Sistema Solar.

Por agora, Brown e Batygin continuam a trabalhar, com colegas em todo o mundo, à procura de sinais do Planeta Nove ao longo do percurso que previram em janeiro. Essa pesquisa, afirma Brown, poderá levar três anos ou mais.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/08/2016 - Caça ao Planeta Nove revela novos objetos extremamente distantes no Sistema Solar
06/05/2016 - Planeta Nove: um mundo que não devia existir
12/04/2016 - Planeta 9 toma forma; Cassini não é afetada
26/02/2016 - Procurando o Planeta Nove
22/01/2016 - Cientistas encontram evidências teóricas de um nono planeta

Notícias relacionadas:
Caltech (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
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PHYSORG
spaceref

Planeta Nove:
Wikipedia

 
IMAGEM DE ETA CARINAE COM MAIOR RESOLUÇÃO OBTIDA ATÉ À DATA
Este mosaico mostra a Nebulosa Carina (parte esquerda da imagem), local onde se encontra o sistema estelar Eta Carinae. Esta parte da imagem foi observada com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO. A parte central mostra o meio que rodeia a estrela: a Nebulosa Homunculus, formada a partir de material ejetado pelo sistema Eta Carinae. Esta imagem foi obtida pelo instrumento infravermelho próximo de ótica adaptativa NACO montado no VLT do ESO. A imagem da direita mostra a zona mais interna do sistema observada com o Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI). Trata-se da imagem com mais resolução obtida até à data deste objeto.
Crédito: ESO/G. Weigelt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Interferómetro do VLT para obter imagens do sistema estelar Eta Carinae, as mais detalhadas obtidas até à data. A equipa descobriu estruturas novas e inesperadas no sistema binário, incluindo uma região entre as duas estrelas onde ventos estelares de velocidades extremamente elevadas colidem. Esta nova descoberta sobre o enigmático sistema estelar poderá levar a uma melhor compreensão da evolução de estrelas de elevada massa.

Uma equipa de astrónomos, liderada por Gerd Weigelt do Instituto Max Planck de Rádio Asttronomia (MPIfR) em Bona, na Alemanha, utilizou o Interferómetro do VLT (VLTI), instalado no Observatório do Paranal do ESO, para obter uma imagem única do sistema estelar Eta Carinae situado na Nebulosa Carina.

Este colossal sistema binário, constituído por duas estrelas massivas que orbitam em torno uma da outra, é muito ativo, dando origem a ventos estelares com velocidades que vão até 10 milhões de km por hora. A região entre as duas estrelas, onde os ventos de ambas colidem, é muito turbulenta, mas até agora não se tinha ainda conseguido estudar.

Esta imagem é uma composição a cores criada a partir de dados do DSS2 (Digitized Sky Survey 2). O tamanho do campo é aproximadamente 4,7x4,9 graus.
Crédito: ESO/DSS2. Reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O poder do binário Eta Carinae cria fenómenos dramáticos. Astrónomos, na década de 1830, observaram uma "Grande Erupção" no sistema. Sabemos agora que esta erupção ocorreu quando a maior das estrelas do binário libertou enormes quantidades de gás e poeira num curto período de tempo, o que levou à formação dos lóbulos distintos, conhecidos por Nebulosa Homunculus, que vemos atualmente no sistema. O efeito combinado dos dois ventos estelares a chocarem um contra o outro a velocidades extremas faz com que as temperaturas na região aumentem para milhões de graus e ocorram intensos "dilúvios" de raios-X.

A área central onde os ventos colidem é relativamente pequena — mil vezes menor que a Nebulosa Homunculus — razão pela qual os telescópios colocados tanto no espaço como no solo não tinham ainda conseguido obter uma imagem detalhada da região. A equipa utilizou o poder resolvente do instrumento AMBER do VLTI para observar este reino violento pela primeira vez. Uma combinação inteligente — um interferómetro — de três dos quatro Telescópios Auxiliares do VLT fez aumentar em 10 vezes o poder resolvente, relativamente a um único Telescópio Principal do VLT. Conseguiu-se assim obter a imagem mais nítida de sempre do sistema, o que levou à obtenção de resultados inesperados sobre a sua estrutura interna.

A nova imagem VLTI mostra claramente a estrutura que existe entre as duas estrelas Eta Carinae. Foi observada uma inesperada forma em ventoinha na região onde o vento da estrela mais pequena e mais quente colide com o vento mais denso da estrela maior.

A Nebulosa Carina, uma espectacular região de formação estelar, foi capturada com grande pormenor pelo VLT Survey Telescope, situado no Observatório do Paranal do ESO. Esta imagem foi obtida com a ajuda de Sebastián Piñera, Presidente do Chile, aquando da sua visita ao observatório a 5 de junho de 2012 e divulgada por ocasião da inauguração do novo telescópio em Nápoles, a 6 de dezembro de 2012.
Crédito: ESO. Reconhecimento: VPHAS+ Consortium/Cambridge Astronomical Survey Unit
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os nossos sonhos tornaram-se realidade, porque agora conseguimos obter imagens extremamente nítidas no infravermelho. O VLTI dá-nos a oportunidade única de aumentar o nosso conhecimento sobre Eta Carinae e sobre muitos outros objetos chave", diz Gerd Weigelt.

Para além das imagens, observações espectroscópicas da zona de colisão permitiram medir as velocidades dos intensos ventos estelares. Com estes valores, foi possível criar modelos de computador mais precisos da estrutura interna deste sistema estelar, o que nos ajudará a compreender como é que estas estrelas de massas extremamente elevadas perdem massa à medida que evoluem.

Um dos membros da equipa, Dieter Schertl (MPIfR), olha para o futuro: "Os novos instrumentos GRAVITY e MATISSE do VLTI permitir-nos-ão obter imagens interferométricas com ainda mais precisão e num intervalo de comprimentos de onda ainda maior. É necessário um vasto intervalo de comprimentos de onda para se poder derivar as propriedades físicas de muitos objetos astronómicos."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Trinity College Dublin (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Astronomy & Astrophysics
Astronomy
ScienceDaily
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National Geographic
Popular Mechanics

Eta Carinae:
Wikipedia
Solstation

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
NOITES NUBLADAS E DIAS ENSOLARADOS NOS DISTANTES JÚPITERES QUENTES
Esta ilustração representa como os Júpiteres quentes de temperaturas diferentes e composições de nuvens diferentes podem aparecer a quem voa por cima do lado diurno destes planetas numa nave espacial, com base em modelos de computador.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/V. Parmentier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A previsão meteorológica para planetas distantes e quentes denominados "Júpiteres quentes" pode ser algo como isto: noites nubladas e dias ensolarados, com uma temperatura máxima de 1300 graus Celsius.

Estes mundos misteriosos estão demasiado longe para podermos observar nuvens nas suas atmosferas. Mas um estudo recente usando o Telescópio Espacial Kepler da NASA e técnicas de modelagem por computador encontou pistas de onde essas nuvens se podem reunir e da sua provável composição. O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Os Júpiteres quentes, entre os primeiros dos milhares de exoplanetas (planetas para lá do nosso Sistema Solar) descobertos na nossa Galáxia até agora, orbitam as suas estrelas tão intimamente que estão perpetuamente "torriscados". E enquanto isso pode desencorajar os turistas galácticos, o estudo representa um avanço importante na compreensão da estrutura das atmosferas alienígenas.

Dias intermináveis, noites intermináveis

Os Júpiteres quentes têm bloqueio de marés, o que significa que um lado do planeta está sempre voltado para a estrela e o outro está sempre em escuridão. Na maioria dos casos, o "lado diurno" está largamente livre de nuvens e o "lado noturno" é fortemente nublado, deixando céus parcialmente nublados na zona intermédia.

"A formação de nuvens é muito diferente da que conhecemos no Sistema Solar," afirma Vivien Parmentier, investigador da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA, autor principal do estudo.

Um "ano" neste género de planetas pode equivaler a apenas alguns dias terrestres. Num Júpiter quente mais "frio" poderão existir temperaturas de 1300º C.

Mas as condições extremas dos Júpiteres quentes trabalham a favor dos cientistas.

"O contraste da radiação noite-dia é, de facto, fácil de modelar," afirma Parmentier. "[Os Júpiteres quentes] são muito mais fáceis de modelar do que o próprio Júpiter."

Um eclipse, depois "blips"

Os cientistas criaram pela primeira vez uma variedade de Júpiteres quentes e idealizados usando modelos de circulação global - versões mais simples do tipo de modelos computacionais usados para simular o clima da Terra.

Em seguida, compararam os modelos com a luz detetada pelo Kepler a partir de Júpiteres quentes reais. O Kepler, que opera agora na sua missão K2, foi construído para registar o extremamente pequeno mergulho na luz estelar quando um planeta passa em frente da sua estrela, evento a que chamamos "trânsito". Mas, neste caso, os cientistas focaram-se nas "curvas de fase" dos planetas, ou mudanças na luz à medida que o planeta passa por fases, como a Lua da Terra.

A combinação dos Júpiteres quentes modelados com as curvas de fase de Júpiteres quentes reais revelou quais as curvas provocadas pelo aquecimento do planeta e quais as curvas provocadas por luz refletida pelas nuvens na atmosfera. Combinando os dados do Kepler com modelos de computador, os cientistas foram capazes de, pela primeira vez, inferir padrões globais de nuvens nestes mundos distantes.

Isto permitiu com que a equipa tirasse conclusões sobre as diferenças do vento e da temperatura nos Júpiteres quentes que estudaram. Pouco antes dos planetas mais quentes passarem por trás das suas estrelas - uma espécie de eclipse - um pequeno "blip" na curva de luz visível do planeta revelou um "ponto quente" no lado oriental do planeta.

E em planetas eclipsados mais frios, foi observado um "blip" logo após o planeta surgir novamente do outro lado da estrela, desta vez no lado ocidental do planeta.

O "blip" inicial nos mundos mais quentes revela que fortes ventos estavam a empurrar as zonas mais quentes e sem nuvens da atmosfera, normalmente encontradas diretamente sob a sua estrela, para este. Enquanto isso, em mundos frios, as nuvens agrupam-se e refletem mais luz no lado mais "frio" e ocidental do planeta, dando origem ao "blip" pós-eclipse.

"Nós estamos a afirmar que o oeste do lado diurno do planeta é mais nublado que o este," explica Parmentier.

Embora este padrão intrigante já tenha sido visto antes, esta investigação foi a primeira a estudar todos os Júpiteres quentes que exibem este comportamento.

Isto levou a outro marco importante. Ao descobrirem como é que as nuvens estão distribuídas, o que está intimamente ligado com a temperatura global do planeta, os cientistas foram capazes de determinar a provável composição das nuvens.

Basta adicionar manganês, e mexer

Os Júpiteres quentes têm uma temperatura demasiado alta para a existência de nuvens de vapor de água como cá na Terra. Em vez disso, as nuvens desses planetas são provavelmente formadas à medida que os vapores exóticos se condensam para formar minerais, compostos químicos como o óxido de alumínio, ou até metais como ferro.

A equipa científica descobriu que as nuvens de sulfeto de manganês provavelmente dominam os Júpiteres quentes mais "frios", enquanto as nuvens de silicatos prevalecem a temperaturas mais elevadas. Nesses planetas, os silicatos provavelmente "chovem" para o interior do planeta, desaparecendo da atmosfera observável.

Por outras palavras, a temperatura média de um planeta, que depende da distância à estrela, governa os tipos de nuvens que aí se podem formar. Isto leva a que diferentes planetas formem tipos diferentes de nuvens.

"A composição das nuvens muda com a temperatura do planeta," comenta Parmentier. "As curvas de luz contam a história da composição das nuvens. É superinteressante, porque a composição das nuvens é, de outra forma, muito difícil de obter."

Os novos resultados também mostram que as nuvens não são distribuídas uniformemente nos Júpiteres quentes, ecoando os resultados anteriores do Telescópio Espacial Spitzer da NASA que sugerem que partes diferentes dos Júpiteres quentes têm temperaturas muito diferentes.

As novas descobertas surgem perto do 21.º aniversário do início da caça aos exoplanetas. No dia 6 de outubro de 1995, uma equipa suíça anunciou a descoberta de 51 Pegasi b, um Júpiter quente que foi o primeiro planeta confirmado em órbita de uma estrela parecida com o Sol. Parmentier e a sua equipa esperam que as suas informações sobre as nuvens nos Júpiteres quentes possam trazer uma compreensão mais detalhada sobre as atmosferas e química dos Júpiteres quentes, um dos principais objetivos dos estudos atmosféricos dos exoplanetas.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Astronomy
PHYSORG

Júpiteres quentes:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Strange New Worlds (NASA) 
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
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Cientistas australianos trabalharam com investigadores na Alemanha para cirar o mapa mais detalhado da Via Láctea, usando os maiores radiotelescópios do mundo. O projeto HI4PI fornece a visão mais sensível e detalhada de todo o hidrogénio gasoso dentro e em redor da Via Láctea e irá ajudar a resolver os mistérios da nossa Galáxia. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Tulipa no Cisne
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Esta imagem telescópica de uma brilhante região de emissão no plano da nossa Via Láctea está apontada na direção da constelação de Cisne, rica em nebulosas. Com o nome popular de Nebulosa da Tulipa, a nuvem brilhante de gás e poeira interestelar encontra-se também no catálogo de 1959 do astrónomo Stewart Sharpless com o nome de Sh2-101. A cerca de 8000 anos-luz de distância, a nebulosa é compreensivelmente uma de várias que evocam a imagem de flores. A linda e complexa nebulosa é vista aqui graças a uma composição que mapeia a emissão dos átomos de enxofre ionizado, hidrogénio e oxigénio nas cores vermelha, verde e azul, respetivamente. A radiação ultravioleta de estrelas jovens e energéticas na orla da associação OB3 de Cisne, incluindo a estrela do tipo-O, HDE 227018, ioniza os átomos e alimenta a emissão da Nebulosa da Tulipa. HDE 227018 é a brilhante estrela perto do arco azul no centro da tulipa cósmica.
 

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