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Edição n.º 1327
25/11 a 28/11/2016
 
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25/11/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 25/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Albert Einstein apresenta as equações da relatividade geral à Academia de Ciências da Prússia.
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Pelas 23:30 (dependendo de quão este ou oeste está no seu fuso horário), a pequena Ursa Menor está mesmo abaixo da Estrela Polar. A essa hora, a constelação de Orionte já está alta a sudeste e Sirius brilha para baixo.

Dia 26/11: 331.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, a França lança o seu primeiro satélite, o Astérix. Torna-se na terceira nação a entrar no espaço.

Em 1990, o foguetão Delta II (7000) levanta voo pela primeira vez.
Em 2011, é lançado para o espaço o Mars Science Laboratory, que tem a bordo o rover Curiosity
Observações: Antes do amanhecer, a fina Lua a este-sudeste está no final de um arco que forma agora com Espiga e, no topo, Júpiter.
Aproveite a noite para observar o planeta Marte.

Dia 27/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1701 nascia Anders Celsius, astrónomo, físico e matemático sueco. Fundou o Observatório Astronómico de Uppsala em 1741, e em 1742 propôs a escala de temperatura que tem o seu nome.
Em 1871 nascia Giovanni Giorgi, engenheiro eléctrico italiano que inventou o sistema de medição Giorgi, o percursor do SI (Sistema Internacional). 
Em 1971, a sonda soviética Mars-2, apesar do seu falhanço, torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir Marte.

Em 2001, é descoberta, pelo Hubble, uma atmosfera de hidrogénio e sódio no planeta extrasolar HD 209458 (Osiris), a primeira atmosfera detetada num planeta extrasolar.
Observações: Ainda estamos na época do Triângulo de Verão. A estrela mais brilhante do Triângulo, Vega, está razoavelmente alta a oeste-noroeste antes da hora de jantar. A estrela mais brilhante para cima de Vega é Deneb. A terceira estrela do Triângulo, Altair, está para a esquerda de Vega.

Dia 28/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Foi a primeira sonda a fazer um voo rasante pelo Planeta Vermelho e a primeira a enviar imagens da superfície de outro mundo a partir do espaço profundo.
Em 2000, é descoberto 20000 Varuna, um objeto da Cintura de Kuiper. É provavelmente um planeta anão.
Observações: Alguma astronomia pré-telescópica: algures entre as 19:30 e as 20:00 de hoje, dependendo da zona onde vive, a brilhante Vega descendo a noroeste e Capella subindo a nordeste estarão exatamente à mesma altura. Consegue cronometrar precisamente a hora a partir de onde se encontra? Um astrolábio ajuda.

 
CURIOSIDADES


Como vê o XMM-Newton um remanescente de uma supernova em raios-X? E como o mesmo objeto pode ser visto em observações de luz visível a partir do telescópio espacial Hubble? É fácil saber através da aplicação em rede ESASky, que põe à nossa disposição os dados públicos disponíveis de todas as missões científicas da ESA. Lá, podemos ver o céu em todos os comprimentos de onda diferentes com os quais observam os observatórios e satélites da agência.

 
INVESTIGAÇÃO DO QUE ACONTECEU AO SCHIAPARELLI FAZ PROGRESSOS
Impressão de artista do módulo Schiaparelli depois de desacelerar na atmosfera marciana e antes de desdobrar o seu para-quedas.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foram realizados progressos significativos na investigação da anomalia do ExoMars Schiaparelli de dia 19 de outubro. Um grande volume de dados recuperados do "lander" marciano mostra que a entrada atmosférica e a travagem associada ocorreram exatamente como esperado.

O para-quedas desdobrou-se normalmente a uma altitude de 12 km e a uma velocidade de 1730 km/h. O escudo térmico do veículo, tendo servido o seu propósito, foi libertado a uma altitude de 7,8 km.

À medida que o Schiaparelli descia com o seu para-quedas, o seu altímetro/radar Doppler funcionou corretamente e as medições foram incluídas no sistema de orientação, navegação e controlo. No entanto, a saturação - medição máxima - do IMU (Inertial Measurement Unit) ocorreu pouco depois da implantação do para-quedas. O IMU mede as rotações do veículo. O seu output foi, geralmente, como o previsto, exceto para este evento, que persistiu por cerca de um segundo - mais do que seria de esperar.

Quando diluídas no sistema de navegação, as informações erróneas geraram uma altitude estimada que era negativa - ou seja, abaixo do nível do solo. Isto, por sua vez, desencadeou uma libertação prematura do para-quedas e da concha traseira, um breve disparo dos propulsores de travagem e, finalmente, a ativação dos sistemas terrestres como se o Schiaparelli já tivesse aterrado. Na realidade, o veículo ainda estava a uma altitude de aproximadamente 3,7 km.

Este comportamento foi claramente reproduzido em simulações de computador da resposta do sistema de controlo à informação errónea.

"Esta ainda é uma conclusão muito preliminar das nossas investigações técnicas," afirma David Parker, Diretor de Voo Espacial Humano e Exploração Robótica da ESA. "O quadro completo será fornecido no início de 2017, pelo futuro relatório de uma comissão de inquérito independente e externa, que está agora a ser criada conforme solicitado pelo Diretor-Geral da ESA, sob a presidência do Inspetor-Geral da ESA.

"Mas teremos aprendido muito com o Schiaparelli, o que vai contribuir diretamente para a segunda missão ExoMars, atualmente em desenvolvimento pelos nossos parceiros internacionais, com lançamento previsto para 2020."

"A ExoMars é extremamente importante para a ciência e exploração europeias," afirma Roberto Battiston, presidente da agência espacial italiana ASI. "Juntamente com todos os estados participantes no programa, vamos trabalhar para a conclusão bem-sucedida da segunda missão ExoMars.

"A forte parceria da ESA e da ASI continuará a ser instrumental nesta valiosa e empolgante missão europeia."

Entretanto, os dados científicos dos instrumentos a bordo do Schiaparelli durante a entrada, além dos dados de rastreamento do TGO (Trace Gas Orbiter) da ExoMars, da Mars Express e do GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia, foram passados às equipas científicas. Estes dados vão contribuir para a compreensão do Planeta Vermelho e, especialmente, da sua atmosfera.

O TGO está a começar a sua primeira série de observações científicas desde que chegou ao Planeta Vermelho no dia 19 de outubro, aproveitando a órbita inicial antes de começar uma longa série de manobras de aerotravagem que vão colocar a nave espacial na sua órbita operacional lá para o final de 2017.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
22/11/2016 - Nova sonda ESA prepara-se para a primeira ciência
08/11/2016 - Local da colisão do Schiaparelli a cores
01/11/2016 - Imagens detalhadas do Schiaparelli e da sua maquinaria de descida em Marte
25/10/2016 - MRO observa local de atereragem do Schiaparelli
21/10/2016 - ExoMars 2016 - TGO em órbita de Marte; destino do Schiaparelli ainda por apurar
18/10/2016 - ExoMars preparada para o Planeta Vermelho
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
SPACENEWS
PHYSORG
Reuters
BBC News
sky NEWS
The Verge
Gizmodo
Observador

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

"Lander" Schiaparelli:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
SONDA CASSINI PREPARA-SE PARA AS ÓRBITAS QUE VÃO "RASPAR" OS ANÉIS DE SATURNO
Os anéis de Saturno foram nomeados em ordem alfabética consoante a ordem em que foram descobertos. O estreito anel F marca o limite exterior do sistema principal de anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um passeio emocionante está prestes a começar para a sonda Cassini da NASA. Os engenheiros têm alongado a órbita da nave, em redor de Saturno, para aumentar a sua inclinação em relação ao equador e anéis do planeta. E, no dia 30 de novembro, após um impulso gravitacional da lua Titã, a Cassini entrará na primeira fase do dramático final da missão.

Lançada em 1997, a Cassini tem visitado o sistema de Saturno desde que aí chegou em 2004, estudando de perto o planeta, os seus anéis e luas. Durante a sua viagem, a Cassini fez inúmeras descobertas, incluindo um oceano global no interior de Encélado e mares de metano líquido em Titã.

Entre 30 de novembro e 22 de abril, a Cassini circulará por cima e por baixo dos polos de Saturno, mergulhando a cada sete dias - um total de 20 vezes - através da região inexplorada da orla externa dos anéis principais.

"Vamos passar pela borda externa dos anéis," comenta Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Além disso, temos dois instrumentos que podem recolher amostras de partículas e gases à medida que cruzamos o plano dos anéis."

Em muitas dessas passagens, os instrumentos da Cassini vão tentar amostrar diretamente partículas dos anéis e moléculas de gases ténues encontrados perto dos anéis. Durante as primeiras duas órbitas, a nave espacial vai passar diretamente através de um anel extremamente ténue produzido por meteoros minúsculos que atingem as duas luas Jano e Epimeteu. As passagens anulares em março e abril vão enviar o orbitador através dos arredores poeirentos e exteriores do anel F.

"Embora estejamos a voar mais perto que nunca do anel F, ainda estaremos a mais de 7800 km de distância. Há muito pouca preocupação com o risco de poeiras a essa distância," explica Earl Maize, gerente do projeto Cassini no JPL.

O anel F marca o limite exterior do sistema principal de anéis; Saturno tem outros anéis, muito mais finos e ténues que ficam mais longe do planeta. O anel F é complexo e está em constante mudança: as imagens da Cassini mostram estruturas parecidas com brilhantes serpentinas, filamentos delgados e canais escuros que aparecem e se desenvolvem em meras horas. O anel também é bastante estreito - tem apenas 800 km de largura. No seu núcleo está uma região mais densa com aproximadamente 50 km de largura.

Tantas Atrações para Ver

Estas órbitas da Cassini fornecem oportunidades sem precedentes para observar a coleção de pequenas luas que orbitam dentro ou perto das bordas dos anéis, incluindo os melhores olhares das luas Pandora, Atlas, Pã e Dafne.

Ao "raspar" os limites dos anéis, a Cassini também fornecerá alguns dos mais próximos estudos das porções exteriores dos anéis principais (anéis A, B e F). Alguns dos pontos de vista da Cassini terão um nível de detalhe não alcançado desde que a sonda "deslizou" mesmo por cima deles durante a sua chegada em 2004. A missão vai começar a fotografar os anéis em dezembro, ao longo de toda a sua largura, resolvendo detalhes mais pequenos que 1 km por pixel e construindo a análise completa e de mais alta qualidade da estrutura intricada dos anéis.

A missão continuará a investigar características de pequena escala no anel A chamadas "hélices", que revelam a presença de pequenas luas invisíveis. Por causa da sua forma parecida com as hélices de um avião, os cientistas deram a algumas das mais persistentes nomes informais inspirados por aviadores famosos, incluindo "Earhart". A observação das hélices, em alta resolução, irá provavelmente revelar novos detalhes sobre a sua origem e estrutura.

E em março, enquanto atravessa a sombra de Saturno, a Cassini observará os anéis iluminados pelo Sol, na esperança de capturar nuvens de poeira expelidas por impactos de meteoros.

A Cassini atravessa o anel F de Saturno uma vez por cada 20 órbitas que raspam os anéis, vistas aqui em tom mais amarelado, entre o final de novembro de 2016 e abril de 2017. O azul representa as órbitas da missão do solstício, que antecedem a fase rasante dos anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Preparando-se para o Final

Durante estas órbitas, a Cassini passará a cerca de 90.000 km acima das nuvens de Saturno. Mas, mesmo com toda a sua excitante ciência, estas órbitas são apenas um prelúdio para as passagens rasantes pelo planeta que se avizinham. Em abril de 2017, a nave espacial começará a sua fase de Grande Final.

Depois de quase 20 anos no espaço, a missão está a chegar ao fim porque o veículo já tem pouco combustível. A equipa da Cassini projetou cuidadosamente o final a fim de realizar uma investigação científica extraordinária antes de enviar a nave espacial para Saturno e assim proteger as suas luas potencialmente habitáveis.

Durante o seu grande final, a Cassini passará a 1628 km das nuvens, enquanto se lança repetidamente através da estreita lacuna entre Saturno e os seus anéis, antes de fazer o seu mergulho final na atmosfera do planeta no dia 15 de setembro. Mas antes que a sonda possa saltar sobre os anéis e começar o final, ainda permanece por fazer algum trabalho preparatório.

Para começar, a Cassini está programada para executar uma breve queima do seu motor principal durante a primeira aproximação superíntima aos anéis no dia 4 de dezembro. Esta manobra é importante para o ajuste fino da órbita e para definir a trajetória correta que permite o resto da missão.

"Este será o 183.º e último dos disparos planeados do nosso motor principal. Embora possamos decidir usar o motor novamente, o plano é completar as restantes manobras usando propulsores," salienta Maize.

Para se preparar ainda mais, a Cassini vai observar a atmosfera de Saturno durante a sua fase de "pastoreio" dos anéis para determinar com mais precisão até onde se estende acima do planeta. Os cientistas já observaram a atmosfera exterior de Saturno a expandir-se e a contrair-se ligeiramente com as estações desde a chegada da Cassini. Dada esta variabilidade, os próximos dados serão importantes para ajudar os engenheiros da missão a determinar quão perto podem, em segurança, voar a nave espacial.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
As órbitas rasantes da Cassini (NASA/JPL via YouTube)
Órbitas que raspam os anéis (NASA/JPL)
Órbitas que raspam os anéis - referência rápida (NASA/JPL)
Onde Está a Cassini Agora? - "Tours" anuais (NASA(JPL)
SPACE.com
Universe Today
EarthSky
PHYSORG

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
UM CICLO DE VIDA ESTELAR
Uma pequena nuvem de gás e poeira contém uma "estrela bebé" e está a ser formada a cerca de 20.000 anos-luz da Terra.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/M. McCollough et al.; rádio: ASIAA/SAO/SMA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um momento do ciclo de vida estelar foi capturado numa nova imagem do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do SMA (Smithsonian’s Submillimeter Array). Uma nuvem que está a dar à luz estrelas foi observada a refletir raios-X de Cygnus X-3, uma fonte de raios-X produzida por um sistema onde uma estrela massiva está lentamente a ser comida ou pelo seu buraco negro companheiro ou por uma estrela de neutrões. Esta descoberta fornece uma nova maneira de estudar como as estrelas se formam.

Em 2003, astrónomos usaram a visão de raios-X e de alta resolução do Chandra para encontrar uma misteriosa fonte de emissão de raios-X localizada muito perto de Cygnus X-3. A separação dessas duas fontes no céu é equivalente ao diâmetro de uma moeda de dois cêntimos a mais de 250 metros de distância. Em 2013, astrónomos anunciaram que a nova fonte era uma nuvem de gás e poeira.

Em termos astronómicos, esta nuvem é bastante pequena - mede cerca de 0,7 anos-luz em diâmetro. Os astrónomos perceberam que esta nuvem está a agir como um espelho, refletindo alguns dos raios-X gerados por Cygnus X-3 em direção à Terra.

"Nós apelidámos o objeto de 'Pequeno Amigo' porque é uma fonte ténue de raios-X ao lado de uma fonte muito brilhante que mostrava variações similares em raios-X," comenta Michael McCollough do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado norte-americano do Massachusetts, que liderou o estudo mais recente deste sistema.

As observações do Chandra relatadas em 2013 sugeriam que o "Pequeno Amigo" tinha uma massa entre duas e 24 vezes a do Sol. Isto sugeria que a nuvem era um "glóbulo de Bok", uma pequena nuvem densa onde as estrelas podem nascer. No entanto, eram necessárias mais evidências.

Para determinar a natureza do "Pequeno Amigo", os astrónomos usaram o SMA, uma série de oito antenas rádio situadas no topo do Mauna Kea, no Hawaii. O SMA encontrou moléculas de monóxido de carbono, uma pista importante de que o "Pequeno Amigo" era realmente um glóbulo de Bok. Além disso, os dados do SMA revelam a presença de um jato ou fluxo saindo do "Pequeno Amigo", sinal de que uma estrela começou a formar-se lá dentro.

Cygnus X-3 é um binário de raios-X onde uma fonte compacta está a puxar material de uma companheira estelar massiva. O Chandra conseguiu observar uma nuvem de gás e poeira que está separada por uma distância muito pequena de Cygnus X-3. Esta nuvem de gás, chamada "Pequeno Amigo", é um glóbulo de Bok, o primeiro já detetado em raios-X e o mais distante já descoberto. Os astrónomos detetaram jatos produzidos pelo "Pequeno Amigo", o que indica que existe uma estrela em formação no seu interior.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/M. McCollough et al.; rádio: ASIAA/SAO/SMA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Normalmente, os astrónomos estudam os glóbulos de Bok observando a luz visível que bloqueiam ou a emissão rádio que produzem," afirma a coautora Lia Corrales do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge. "Com o 'Pequeno Amigo', podemos examinar este casulo interestelar numa nova maneira usando raios-X - a primeira vez que somos capazes de fazer isto com um glóbulo de Bok."

A uma distância estimada de quase 20.000 anos-luz da Terra, o "Pequeno Amigo" é também o mais distante glóbulo de Bok já visto.

As propriedades de Cygnus X-3 e a sua proximidade com o "Pequeno Amigo" também nos dão a oportunidade de fazer uma medição muito precisa da distância - algo que é muitas vezes difícil em astronomia. Desde o início da década de 1970 que os astrónomos observam uma variação regular de 4,8 horas nos raios-X de Cygnus X-3. O "Pequeno Amigo", agindo como um espelho de raios-X, mostra a mesma variação, mas ligeiramente atrasada porque o percurso que os raios-X refletidos tomam é mais longo do que a linha reta entre Cygnus X-3 e a Terra.

Ao medir o atraso na variação periódica entre Cygnus X-3 e o "Pequeno Amigo", os astrónomos foram capazes de calcular que a distância entre a Terra e Cygnus X-3 é de aproximadamente 24.000 anos-luz.

Dado que Cygnus X-3 contém uma estrela massiva, de curta duração, os cientistas pensam que deverá ter tido origem numa região da Galáxia onde as estrelas ainda são suscetíveis de se formar. Estas regiões são encontradas apenas nos braços espirais da Via Láctea. No entanto, a fonte Cygnus X-3 está localizada fora de qualquer um dos braços espirais da Via Láctea.

"De certa forma, é uma surpresa termos encontrado Cygnus X-3 onde está," afirma o coautor Michael Dunham do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e da Universidade Estatal de Nova Iorque em Fedonia. "Nós percebemos que algo invulgar precisava de acontecer durante os seus primeiros anos para a enviar neste 'passeio selvagem'."

Os investigadores sugerem que a explosão de supernova que formou ou o buraco negro ou a estrela de neutrões em Cygnus X-3 "chutou" o sistema binário para longe do seu lugar onde nasceu. Assumindo que Cygnus X-3 e o "Pequeno Amigo" formaram-se perto um do outro, estimam que Cygnus X-3 deve ter sido lançado a velocidades entre 640.000 e 3,2 milhões de quilómetros por hora.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado recentemente numa edição da revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Astronomy Now
PHYSORG

Cygnus X-3:
Wikipedia
SIMBAD
Universidade Estatal da Georgia

Glóbulos de Bok:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

SMA:
Página oficial
Wikipedia
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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Um astrónomo descobriu uma família de estrelas no núcleo da Via Láctea que fornece novas informações sore os estágios iniciais da formação da nossa Galáxia. Mais propriamente, sobre as origens dos enxames globulares - concentrações com normalmente um milhão de estrelas, formadas no início da história da Via Láctea. Ler fonte
     
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Usando o orbitador MRO da NASA, investigadores determinaram que, congelada por baixo de uma região de planícies rachadas em Marte, está uma enorme quantidade de água equivalente ao Lago Superior. Os cientistas examinaram parte da região Utopia Planitia de Marte, a latitudes médias no hemisfério norte, com o instrumento SHARAD da sonda. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 7635: Bolha num Mar Cósmico
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sébastien Gozé
 
Vê a bolha no centro? Aparentemente à deriva num mar cósmico de estrelas e gás brilhante, a aparição flutuante e delicada nesta imagem de campo largo está catalogada como NGC 7635 - a Nebulosa da Bolha. Com uns meros 10 anos-luz de diâmetro, a pequena Nebulosa da Bolha e o maior complexo de gás interestelar e nuvens de poeira encontram-se a cerca de 11.000 anos-luz de distância, estendendo-se entre as constelações parentais de Cefeu e Cassiopeia. Também incluído nesta vista de tirar o fôlego, está o enxame estelar M52 (canto superior esquerdo), a uns 5000 anos-luz de distância. A imagem em destaque abrange cerca de dois graus no céu, correspondendo a mais ou menos 375 anos-luz à distância estimada da Nebulosa da Bolha.
 

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