Dia 12/02: 43.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1947, um meteoro cria uma cratera de impacto em Sikhote-Alin, na União Soviética.
Em 1961, era lançada a sonda soviética Venera 1, para Vénus.
Em 1974, a soviética Mars 5 entra em órbita de Marte. No entanto, falha poucos dias depois.
Em 2001, a sonda NEAR Shoemaker tornava-se a primeira nave humana a pousar num asteroide, de nome 433 Eros. Observações: Orionte está mais alto a sul por volta das 20 horas, parecendo mais pequeno do que provavelmente nos lembramos do início do inverno, quando estava mais baixo. Está a ver o efeito da "ilusão da Lua". As constelações, não apenas a Lua, parecem maiores quando estão baixas perto do horizonte.
Sob os pés de Orionte, e agora para a direita de Sirius, esconde-se Lebre. Tal como Cão Maior, esta é uma constelação que, quando juntamos os pontos, se parece realmente com o que é suposto ser. É um coelhinho agachado, em que o seu nariz aponta para baixo e para a direita, as suas ténues orelhas estendem-se para cima em direção a Rigel (o pé mais brilhante de Orionte) e o seu corpo fica para a esquerda. As suas estrelas mais brilhantes, Alpha e Beta Leporis de terceira magnitude, formam a parte de frente e a parte de trás do seu pescoço.
Dia 13/02: 44.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para ser julgado pela Inquisição.
Em 1852, nascia John Louis Emil Dreyer, astrónomo cuja principal contribuição foi o catálogo NGC em 1878.
Em 2004, o Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian descobre o maior diamante conhecido do Universo, a anã branca BPM 37093. Os astrónomos dão-lhe o nome "Lucy" por causa da canção "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles.
Em 2012, a Agência Espacial Europeia (ESA) leva a cabo o primeiro lançamento do foguetão europeu Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa. Observações: Por volta das 21 horas, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste. A noroeste, a Cassiopeia também se apoia na extremidade (o seu lado mais brilhante) quase à mesma altura. Entre elas está a Estrela Polar.
Dia 14/02: 45.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1898, nascia Fritz Zwick, o primeiro a identificar as supernovas como uma classe separada de objetos e a sugerir a possibilidade das estrelas de neutrões; Zwicky também catalogou galáxias em enxames e desenhou motores a jato.
Em 1989, o primeiro de 24 satélites GPS é colocado em órbita.
Em 1990, as câmaras da Voyager 1 apontaram para o Sol e tiraram uma série de imagens da estrela e dos planetas, fazendo o primeiro "retrato" do nosso Sistema Solar visto de fora.
Em 2000, a sonda NEAR torna-se na primeira a orbitar um asteroide, 433 Eros. Observações: Alta no céu a norte por estas noites, nas aparentemente vazias regiões entre Capella (zénite) e Polaris (norte), encontra-se a grande mas ténue constelação de Girafa - talvez a maior constelação, frequentemente visível, que não conhece. A não ser que tenha um céu bem escuro, vai precisar de binóculos para ver o seu padrão com a ajuda de um mapa estelar.
Dia 15/02: 46.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1564 nascia Galileu Galilei, um dos astrónomos mais famosos de sempre, considerado o pai da astronomia observacional. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observar os céus, avistando as manchas solares e também os satélites de Júpiter.
Em 1996, no Centro Espacial Xichang na China, um foguetão Long March 3, que transportava um Intelsat 708, colide com uma vila rural depois da descolagem, matando inúmeras pessoas.
Em 1999, lançamento do IKONOS 2 (Athena 2).
Em 2013, um meteoro explode por cima da Rússia e a sua onda de choque acaba ferindo 1500 pessoas, estilhaçando vidros e agitando edifícios.
Isto inesperadamente acontece apenas horas antes da mais próxima passagem esperada do maior e não relacionado asteroide 367943 Duende. Observações: Depois do anoitecer, olhe para oeste e encontra a fina Lua Crescente. Para a sua direita encontra-se o Grande Quadrado de Pégaso. Entre o nosso satélite natural e essa constelação, está situada a constelação de Peixes. Um mapa celeste pode ajudar.
Curiosidades
Ontem, dia 11 de fevereiro, comemorou-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas Na Ciência, data definida pela UNESCO que pretende chamar a atenção para uma desigualdade no número de mulheres na investigação científica ou com interesse nos estudos nestas áreas. O CCVAlg decidiu homenagear estas figuras tão importantes numa galeria de imagens via Facebook, apresentando exemplos de nomes femininos que podemos encontrar no céu e no Sistema Solar, e também de cientistas que muito contribuíram para a ciência da Astronomia.
ExoMars descobre novo gás e rastreia perda de água em Marte
O sal marinho incorporado na superfície empoeirada de Marte e elevado à atmosfera do planeta levou à descoberta de cloreto de hidrogénio - a primeira vez que a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos detetou um novo gás. A aeronave está também a fornecer novas informações sobre como Marte está a perder água.
Uma das principais buscas na exploração de Marte é a procura de gases atmosféricos ligados à atividade biológica ou geológica, bem como a compreensão do inventário de água passado e presente do planeta, para determinar se Marte poderia ter sido habitável e se algum reservatório de água poderia ser acessível para exploração humana futura. Dois novos resultados da equipa ExoMars, publicados na Science Advances, revelam uma classe química inteiramente nova e fornecem mais informações sobre as mudanças sazonais e as interações superfície-atmosfera como forças motrizes por trás das novas observações.
A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos estuda o vapor de água e os seus componentes enquanto estes sobem pela atmosfera e para o espaço. Ao observar especificamente a proporção de hidrogénio em relação ao seu equivalente mais pesado deutério, podemos rastrear a evolução da perda de água ao longo do tempo.
Crédito: ESA
Uma nova química
"Descobrimos, pela primeira vez, o cloreto de hidrogénio em Marte. Esta é a primeira deteção de um gás halogénio na atmosfera de Marte e representa um novo ciclo químico a ser entendido," disse Kevin Olsen, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, um dos principais cientistas da descoberta.
O gás cloreto de hidrogénio, ou HCl, compreende um átomo de hidrogénio e cloro. Os cientistas de Marte estavam sempre à procura de gases à base de cloro ou enxofre porque são possíveis indicadores de atividade vulcânica. Mas a natureza das observações do cloreto de hidrogénio - o facto de ter sido detetado em locais muito distantes ao mesmo tempo, e a falta de outros gases que seriam esperados da atividade vulcânica - aponta para uma fonte diferente. Ou seja, a descoberta sugere uma interação superfície-atmosfera inteiramente nova impulsionada pelas estações de poeira em Marte que não haviam sido exploradas anteriormente.
Num processo muito semelhante ao observado na Terra, sais na forma de cloreto de sódio - remanescentes de oceanos evaporados e incrustados na superfície empoeirada de Marte - são elevados à atmosfera pelos ventos. A luz solar aquece a atmosfera fazendo com que a poeira, juntamente com o vapor de água libertado pelas calotes polares, suba. A poeira salgada reage com a água atmosférica para libertar cloro, que então reage com moléculas que contêm hidrogénio para criar cloreto de hidrogénio. Outras reações podem fazer com que a poeira rica em cloro ou ácido clorídrico volte à superfície, talvez como percloratos, uma classe de sal feita de oxigénio e cloro.
"É preciso vapor de água para libertar o cloro e dos subprodutos da água - o hidrogénio - para formar o cloreto de hidrogénio. A água é crítica nesta química," diz Kevin. "Também observámos uma correlação com a poeira: vemos mais cloreto de hidrogénio quando a atividade da poeira aumenta, um processo ligado ao aquecimento sazonal do hemisfério sul."
Este gráfico descreve um possível novo ciclo químico em Marte após a descoberta de cloreto de hidrogénio na atmosfera pela ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos. Sais na forma de cloredo de sódio (NaCl) - remanescentes de oceanos evaporados e embebidos na superfície poeirenta de Marte - estão espalhados pela superfície de Marte. Os ventos levantam esta poeira salgada para a atmosfera. A luz solar aquece a atmosfera empoeirada, fazendo com que o vapor de água libertado pelas calotes polares suba. A poeira salgada reage com a água atmosférica para libertar cloro (Cl), que por sua vez reage com moléculas contendo hidrogénio (H) para criar cloreto de hidrogénio (HCl). Um processo semelhante ocorre na Terra: o sal marinho é lançado para o ar e se se misturar com vapor de água, o cloro torna-se disponível para as reações químicas que formam HCl.
Outras reações podem fazer com que a poeira rica em cloro ou cloreto de hidrogénio regresse à superfície de Marte, talvez como percloratos, uma classe de sal composa por oxigénio e cloro. Observa-se que o HCl aparece e desaparece rapidamente da atmosfera, por isso deve ser criado e destruído rapidamente, com alguma fração regressando à superfície.
As observações da Exomars TGO sugerem que este pode ser um processo anual impulsionado pela mudança das estações, especificamente o aquecimento da calote polar sul durante o verão, que liberta vapor de água para a atmosfera. O calor extra também gera ventos fortes à medida que o ar se move das regiões quentes para as frias. Por sua vez, os ventos levantam mais poeira, desencadeando tempestades de poeira regionais e globais.
O gráfico está simplificado para mostrar amplamente uma maneira possível de produzir cloreto de hidrogénio; provavelmente existem percursos adicionais para as reações químicas que também podem estar em jogo, talvez com outros traços que a ExoMars ainda não descobriu.
Crédito: ESA
A equipa detetou o gás, pela primeira vez, durante a tempestade de poeira global em 2018, observando-o aparecer simultaneamente nos hemisférios norte e sul, e testemunhou o seu desaparecimento, surpreendentemente rápido, novamente no final do período sazonal de poeira. Já estão a analisar os dados recolhidos durante a temporada de poeira subsequente e veem o HCl a subir novamente.
"É incrivelmente gratificante ver os nossos instrumentos sensíveis a detetar um gás nunca antes visto na atmosfera de Marte," disse Oleg Korablev, principal investigador do instrumento ACS (Atmospheric Chemistry Suite) que fez a descoberta. "A nossa análise liga a geração e o declínio do gás cloreto de hidrogénio à superfície de Marte."
Serão necessários extensos testes de laboratório e novas simulações atmosféricas globais para entender melhor a interação superfície-atmosfera baseada em cloro, juntamente com observações contínuas em Marte para confirmar que a ascensão e queda de HCl são impulsionadas pelo verão do hemisfério sul.
"A descoberta do primeiro novo gás vestigial na atmosfera de Marte é um marco importante para a missão TGO," disse Håkan Svedhem, cientista do projeto ExoMars TGO da ESA. "Esta é a primeira nova classe de gás descoberta desde a alegada observação do metano pela Mars Express da ESA em 2004, o que motivou a busca por outras moléculas orgânicas e culminou no desenvolvimento da missão Trace Gas Orbiter, para a qual a deteção de novos gases é um objetivo principal."
O aumento do vapor de água contém pistas sobre a evolução do clima
Além de novos gases, a TGO está a refinar a nossa compreensão de como Marte perdeu a sua água - um processo que também está ligado a mudanças sazonais.
Acredita-se que a água líquida tenha fluído pela superfície de Marte, como evidenciado nos numerosos exemplos de antigos vales secos e canais de rios. Hoje, está principalmente presa nas calotes polares e enterrada no subsolo. Marte ainda hoje está a perder água, na forma de hidrogénio e oxigénio que escapa da atmosfera.
Compreender a interação dos reservatórios portadores de água em potencial e o seu comportamento sazonal e de longo prazo é a chave para compreender a evolução do clima de Marte. Isto pode ser feito através do estudo do vapor de água e da água "semipesada" (onde um átomo de hidrogénio é substituído por um átomo de deutério, uma forma de hidrogénio com um neutrão adicional).
"A proporção de deutério para hidrogénio, D/H, é o nosso cronómetro - uma métrica poderosa que nos conta mais sobre a história da água em Marte e como a perda de água evoluiu ao longo do tempo. Graças à ExoMars TGO, podemos agora entender e calibrar melhor este cronómetro e testar novos reservatórios de água em Marte," disse Geronimo Villanueva do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e autor principal do novo resultado.
"Com a Trace Gas Orbiter, podemos observar o caminho dos isotopólogos da água à medida que sobem para a atmosfera com um nível de detalhe que antes não era possível. As medições anteriores forneceram apenas a média sobre a profundidade de toda a atmosfera. É como se antes tivéssemos apenas uma visualização 2D, agora podemos explorar a atmosfera em 3D," diz Ann Carine Vandaele, principal investigadora do instrumento NOMAD (Nadir and Occultation for MArs Discovery) que foi usado para esta investigação.
A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos estuda o vapor de água e os seus componentes enquanto estes sobem pela atmosfera e para o espaço. Ao observar especificamente a proporção de hidrogénio em relação ao seu equivalente mais pesado deutério, podemos rastrear a evolução da perda de água ao longo do tempo.
Crédito: ESA
As novas medições revelam uma variabilidade dramática em D/H com a altitude e a estação à medida que a água sobe do seu local original. "Curiosamente, os dados mostram que, uma vez que a água é totalmente vaporizada, ela exibe principalmente um grande enriquecimento comum em águas semipesadas e uma razão D/H seis vezes maior do que a da Terra em todos os reservatórios de Marte, confirmando que grandes quantidades de água foram perdidas ao longo do tempo," diz Giuliano Liuzzi, da American University e do Goddard Space Flight Center da NASA e um dos principais cientistas da investigação.
Os dados da ExoMars recolhidos entre abril de 2018 e abril de 2019 também mostraram três casos que aceleraram a perda de água da atmosfera: a tempestade de poeira global de 2018, uma tempestade regional curta, mas intensa, em janeiro de 2019 e libertação de água da calote polar sul durante os meses de verão ligada à mudança sazonal. Digno de nota é uma nuvem de vapor de água crescente durante o verão do sul que potencialmente injetaria água na alta atmosfera numa base sazonal e anual.
Futuras observações coordenadas com outras aeronaves, incluindo a MAVEN da NASA, que se concentra na alta atmosfera, fornecerão perceções complementares para a evolução da água durante o ano marciano.
"A mudança das estações em Marte, e em particular o verão relativamente quente no hemisfério sul, parece ser a força motriz por trás das nossas novas observações, como a maior perda de água atmosférica e a atividade de poeira ligada à deteção de cloreto de hidrogénio, que vemos nos dois últimos estudos," acrescenta Håkan. "As observações da TGO estão a permitir-nos explorar a atmosfera marciana como nunca antes."
A ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) analisa a atmosfera de Marte com dois espectrómetros: o ACS (Atmospheric Chemistry Suite) e o NOMAD (Nadir and Occultation for MArs Discovery).
O gráfico mostra uma representação simples (não à escala) dos três modos de observação usados. No modo nadir (esquerda), a nave olha diretamente para a luz do Sol refletida da superfície e da atmosfera de Marte. No modo limbo (centro), observa através do horizonte marciano para a emissão da atmosfera. No modo de ocultação solar (direita), os instrumentos apontam através da atmosfera em direção ao Sol e observam como diferentes ingredientes atmosféricos absorvem a luz solar.
Dado que diferentes substâncias químicas têm impressões digitais distintas, estas observações fornecem um inventário detalhado da composição da atmosfera. Estas observações são críticas para detetar gases atmosféricos que existem em pequenas quantidades, mas que desempenham um papel importante em determinar de Marte está ativo hoje - falando seja geologicamente seja biologicamente.
Note que a orientação da nave não é verdadeira: ela é aqui mostrada com o painel de instrumentos voltado para o observador apenas para fins ilustrativos. O ACS é representado pela forma quadrada amarela à frente do orbitador; o NOMAD é a caixa cinzenta também à frente. Aqui está um diagrama legendado.
Crédito: ESA/ATG medialab
Confirmada a órbita do objeto mais distante já observado no nosso Sistema Solar
Uma equipa de astrónomos, incluindo o professor associado Chad Trujillo do Departamento de Astronomia e Ciência Planetária da Universidade do Norte do Arizona, confirmou um planetoide que está quase quatro vezes mais distante do Sol do que Plutão, tornando-o o objeto mais distante já observado no nosso Sistema Solar. O planetoide, apelidado "Farfarout," foi detetado pela primeira vez em 2018, e a sua equipa já recolheu observações suficientes para definir a sua órbita. O Centro de Planetas Menores já lhe deu a designação oficial de 2018 AG37.
A alcunha Farfarout distinguia-o do detentor do recorde anterior "Farout", descoberto pela mesma equipa de astrónomos em 2018. Além de Trujillo, a equipa inclui Scott S. Sheppard da Instituição Carnegie para Ciência e David Tholen do Instituto para Astronomia da Universidade do Hawaii, que está a realizar um levantamento para mapear o Sistema Solar exterior para lá de Plutão.
Distâncias do Sistema Solar à escala, mostrando o recém-descoberto planetoide, que tem a alcunha "Farfarout", em comparação com outros objetos conhecidos do Sistema Solar, incluindo o anterior detentor do recorde, 2018 VG18 (Farout), também descoberto pela mesma equipa.
Crédito: Roberto Molar Candanosa, Scott S. Sheppard (Instituição Carnegie para Ciência) e Brooks Bays (Universidade do Hawaii)
Farfarout receberá um nome oficial (como Sedna e outros objetos semelhantes) depois da sua órbita ser melhor determinada ao longo dos próximos anos. Foi descoberto com o telescópio Subaru de 8 metros localizado no topo do Maunakea, no Hawaii, e recuperado usando os telescópios Gemini Norte e Magellan nos últimos anos para determinar a sua órbita com base no seu lento movimento pelo céu.
A distância média de Farfarout ao Sol é de 132 unidades astronómicas (UA para abreviar; uma UA é a distância Terra-Sol, 150 milhões de quilómetros). Para comparação, Plutão fica a 39 UA do Sol. O objeto recém-descoberto tem uma órbita alongada que o leva a 175 UA no afélio (ponto orbital mais distante do Sol), e para dentro da órbita de Neptuno, a cerca de 27 UA, quando está no periélio (ponto orbital mais próximo do Sol).
A jornada de Farfarout em torno do Sol leva cerca de mil anos, cruzando a órbita do planeta gigante Neptuno. Isto significa que Farfarout provavelmente sofreu fortes interações gravitacionais com Neptuno ao longo da idade do Sistema Solar, e é a razão pela qual tem uma órbita tão grande e alongada.
"Uma única órbita de Farfarout em torno do Sol leva um milénio," disse Tholen. "Por causa desta longa órbita, move-se muito lentamente pelo céu, exigindo vários anos de observações para determinar com precisão a sua trajetória."
Farfarout é muito ténue, e com base no seu brilho e distância do Sol, a equipa estima que tenha aproximadamente 400 km em diâmetro, colocando-o na extremidade inferior da classificação de planeta anão, assumindo que é um objeto rico em gelo.
Animação que alterna entre duas imagens de Farfarout, que realçam o seu movimento. Foram obtidas pelo Telescópio Subaru nas noites de 15 e 16 de janeiro de 2018.
Crédito: Scott S. Sheppard/Instituição Carnegie para Ciência
"A descoberta de Farfarout mostra a nossa crescente capacidade de mapear o Sistema Solar exterior e de observar cada vez mais longe em direção à fronteira do nosso Sistema Solar," disse Sheppard. "Somente com os avanços nos últimos anos de grandes câmaras digitais em telescópios muito grandes foi possível descobrir com eficácia objetos muitos distantes como Farfarout. Embora alguns destes objetos distantes sejam bastante grandes, sendo planetas anões em tamanho, são muito ténues por causa das suas distâncias extremas ao Sol. Farfarout é apenas a ponta do iceberg dos objetos do Sistema Solar muito distante."
Dado que Neptuno interage fortemente com Farfarout, a órbita e o movimento de Farfarout não podem ser usados para determinar a existência de outro planeta massivo no Sistema Solar muito distante, uma vez que estas interações dominam a dinâmica orbital de Farfarout. Apenas aqueles objetos cujas órbitas ficam no Sistema Solar muito distante, bem para lá da influência de Neptuno, podem ser usados para sondar por sinais de um planeta massivo desconhecido. Estes incluem Sedna e 2012 VP113 que, embora estejam atualmente mais perto do Sol do que Farfarout (à volta de 80 UA), nunca se aproximam de Neptuno e, portanto, seriam fortemente influenciados ao invés pelo possível Planeta X.
"A dinâmica orbital de Farfarout pode ajudar-nos a entender como Neptuno se formou e evoluiu, já que Farfarout foi provavelmente lançado para o Sistema Solar exterior por ter passado demasiado perto de Neptuno no passado distante," disse Trujillo. "Farfarout provavelmente vai interagir fortemente com Neptuno de novo, uma vez que as suas órbitas continuam a intersectar-se."
Remanescente de explosão rara descoberto no centro da Via Láctea
Os astrónomos podem ter encontrado o primeiro exemplo, na nossa Via Láctea, de um tipo invulgar de explosão estelar. Esta descoberta, feita com o Observatório de raios-X Chandra da NASA, contribui para a compreensão de como algumas estrelas se fragmentam e "semeiam" o Universo com elementos essenciais para a vida na Terra.
Este objeto intrigante, localizado perto do centro da Via Láctea, é um remanescente de supernova chamado Sagitário A Este, ou Sgr A Este para abreviar. Com base nos dados do Chandra, os astrónomos classificaram anteriormente o objeto como o remanescente de uma estrela massiva que explodiu como supernova, um dos muitos tipos de estrelas "explodidas" que os cientistas catalogaram.
Composição de dados em raios-X obtidos pelo Chandra e no rádio pelo VLA (Very Large Array) que contém a primeira evidência de um tipo raro de supernova na Via Láctea. Ao analisar mais de 35 dias de observações do Chandra, os investigadores descobriram um padrão invulgar de elementos como ferro e níquel nos detritos estelares. A explicação mais provável é que é um remanescente de supernova, de nome Sgr A Este, que foi criado por uma supernova do Tipo Iax. Esta é uma classe especial de supernovas do Tipo Ia que são usadas para medir distâncias no espaço e para estudar a expansão do Universo.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Universidade de Nanjing/P. Zhou et al.; rádio - NSF/NRAO/VLA
Usando observações mais longas do Chandra, uma equipa de astrónomos concluiu agora que o objeto é o remanescente de um tipo diferente de supernova. É a explosão de uma anã branca, uma "brasa" estelar encolhida de uma estrela sem combustível como o nosso Sol. Quando uma anã branca puxa demasiado material de uma estrela companheira ou se funde com outra anã branca, a anã branca é destruída, acompanhada por um impressionante flash de luz.
Os astrónomos usam estas "supernovas do Tipo Ia" porque a maioria delas distribui quase a mesma quantidade de luz todas as vezes, não importa onde estejam localizadas. Isto permite que os cientistas as utilizem para medir com precisão as distâncias no espaço e para estudar a expansão do Universo.
Os dados do Chandra revelaram que Sgr A Este, no entanto, não veio de uma comum supernova do Tipo Ia. Em vez disso, parece que pertence a um grupo especial de supernovas que produzem diferentes quantidades relativas elementos do que as do Tipo I tradicional, e explosões menos poderosas. Este subconjunto é conhecido como "Tipo Iax," um membro potencialmente importante da família das supernovas.
"Embora tenhamos já encontrado supernovas do Tipo Iax noutras galáxias, não tínhamos identificado até agora evidências de uma na Via Láctea," disse Ping Zhou da Universidade de Nanjing, na China, que liderou o novo estudo enquanto na Universidade de Amesterdão. "Esta descoberta é importante para entender as inúmeras maneiras pelas quais as anãs brancas explodem."
As explosões das anãs brancas são uma das fontes mais importantes no Universo de elementos como o ferro, níquel e cromo. O único lugar onde os cientistas sabem que estes elementos podem ser formados é dentro da fornalha nuclear de estrelas ou quando explodem.
"Este resultado mostra-nos a diversidade de tipos e causas das explosões das anãs brancas, e as diferentes maneiras como elas produzem estes elementos essenciais", disse o coautor Shing-Chi Leung do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Se estivermos certos sobre a identidade deste remanescente de supernova, seria o exemplo conhecido mais próximo da Terra."
Os astrónomos ainda estão a debater a causa das explosões das supernovas do Tipo Iax, mas a teoria principal é que envolvem reações termonucleares que viajam muito mais lentamente através da estrela do que nas supernovas do Tipo Ia. Esta caminhada relativamente lenta da explosão leva a explosões mais fracas e, portanto, a diferentes quantidades de elementos produzidos na explosão. Também é possível que parte da anã branca tenha ficado para trás.
Sgr A Este está localizada muito perto de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa Via Láctea, e provavelmente cruza-se com o disco de material que rodeia o buraco negro. A equipa foi capaz de usar observações do Chandra, tendo como alvo o buraco negro supermassivo e a região em seu redor, durante um total de 35 dias, para estudar Sgr A Este e encontrar o padrão invulgar de elementos nos dados de raios-X. Os resultados do Chandra concordam com os modelos de computador que preveem uma anã branca que sofreu reações nucleares lentas, tornando-a uma forte candidata a remanescente de supernova do Tipo Iax.
"Este remanescente de supernova está no plano de fundo de muitas imagens do Chandra do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia obtidas ao longo dos últimos 20 anos," disse Zhiyuan Li, também da Universidade de Nanjing. "Podemos finalmente ter determinado o que este objeto é e como surgiu."
Noutras galáxias, os cientistas observam que as supernovas do Tipo Iax ocorrem a uma proporção que corresponde a aproximadamente um-terço das supernovas do Tipo Ia. Na Via Láctea, existiram três remanescentes de supernova do Tipo Ia confirmadas e dois candidatos com menos de 2000 anos, correspondendo a uma idade em que os remanescentes ainda são relativamente brilhantes antes de desaparecerem mais tarde. Se Sgr A Este tiver menos de 2000 anos e resultar de uma supernova do Tipo Iax, este estudo sugere que a nossa Galáxia está em alinhamento no que respeita ao número relativo de supernovas do Tipo Iax vistas noutras galáxias.
Juntamente com a sugestão de que Sgr A Este é o remanescente do colapso de uma estrela massiva, estudos anteriores também apontaram que uma supernova normal do Tipo Ia não foi descartada. O último estudo realizado com estes dados profundos do Chandra vai contra as interpretações da estrela massiva e contra o Tipo Ia normal.
Estes resultados foram publicados na edição de dia 10 de fevereiro de 2021 da revista The Astrophysical Journal, e uma pré-impressão está disponível online. Os outros autores do artigo são Ken'ichi Nomoto da Universidade de Tóquio, no Japão, Jacco Vink da Universidade de Amesterdão, Países Baixos e Yang Chen, também da Universidade de Nanjing.
Crostas vaporizadas de planetas semelhantes à Terra encontradas em estrelas moribundas (via Universidade de Warwick)
Remanescentes de planetas com crostas semelhantes às da Terra foram descobertos nas atmosferas de quatro anãs brancas próximas por astrónomos da Universidade de Warwick, fornecendo um vislumbre dos planetas que podem ter aí orbitado há milhares de milhões de anos. Estas crostas podem dar aos astrónomos mais informações sobre a química dos planetas que estas estrelas moribundas já hospedaram. Ler fonte
Álbum de fotografias - Mosaico de Cisne 2010-2020
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J-P Metsavainio (Astro Anarchy)
Em "pinceladas" de poeira interestelar e gás brilhante, esta bela paisagem celeste é pintada através do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, perto da Grande Fenda de Cisne e da constelação representada pelo mesmo animal. Composta ao longo de uma década com 400 horas de dados de imagem, este mosaico amplo abrange uns impressionantes 28x18 graus no céu. A estrela de Cisne, a brilhante, quente e supergigante Deneb, está à esquerda. Repleta de estrelas e gás luminoso, Cisne é também o lar da Nebulosa do Saco de Carvão do Norte e das regiões de formação estelar NGC 7000, da Nebulosa da América do Norte e IC 5070, da Nebulosa do Pelicano, logo à esquerda e um pouco abaixo de Deneb. Muitas outras nebulosas e enxames estelares são identificáveis em toda a cena cósmica. Claro, a própria Deneb é também conhecida pelos observadores do céu do hemisfério norte por ter lugar em dois asterismos, marcando um vértice do Triângulo de Verão e o topo do Cruzeiro do Norte.
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.
Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.