Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1790  
  04/05 a 06/05/2021  
     
 
 

O veloz mensageiro

O planeta mais próximo do Sol é o tema desta semana, pois estamos na melhor altura do ano para o encontrar no céu ao pôr do sol.

Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar num tema de relevância à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis.

Lotação máxima de 5 pessoas
Preço: 4€ Adultos / 2€ Jovens / grátis membros do AstroClube

Data: 13 de maio de 2021
Hora: 21:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 04/05: 124.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1989 era lançada a missão Magalhães para Vénus.

O seu objetivo era obter imagens de alta-resolução de toda a superfície do planeta. Tempo de duração da viagem: 1 ano, 3 meses e 6 dias. Depois uma missão carregada de êxitos, ordenou-se à sonda para penetrar na densa atmosfera do planeta a 11 de outubro de 1994.
Observações: Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º.

Dia 05/05: 125.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, Alan Shepard torna-se o primeiro norte-americano no espaço, a bordo da nave Freedom 7

O seu voo sub-orbital dura 15 minutos.
Observações: A Ursa Maior flutua agora de cabeça para baixo depois do cair da noite, quando o observador olha para norte-nordeste e para muito alto. A sua "pega" está para a direita. As suas estrelas-guia, formando a extremidade esquerda da "frigideira", apontam para baixo até à Estrela Polar.

Dia 06/05: 126.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1872, nascia Willem de Sitter, matemático, físico e astrónomo holandês.

Fez grandes contribuições para o campo da cosmologia física. Foi coautor, juntamente com Einstein, de um artigo onde explicavam que deveria existir grandes quantidades de matéria que não emitia luz, atualmente chamada matéria escura. É também famoso pela sua pesquisa sobre o planeta Júpiter.
Observações: O verão ainda está a algumas semanas de distância, mas o Triângulo de Verão já começa a aparecer a este, uma estrela de cada vez. A primeira a ficar visível é Vega. Já está baixa a nordeste ao cair da noite. Deneb fica para baixo e para a esquerda de Vega dois ou três punhos à distância de um braço esticado. Deneb surge pouco mais de uma hora depois de Vega, dependendo da sua latitude. Finalmente, Altair aparece para baixo e para a direita de Vega por volta da meia-noite.

 
 
   
Hubble observa como um planeta gigante cresce

O Telescópio Espacial Hubble da NASA está a dar aos astrónomos uma rara visão de um planeta do tamanho de Júpiter, ainda em formação, que se alimenta do material em torno de uma jovem estrela.

"Nós simplesmente não sabemos muito sobre como os planetas gigantes crescem," disse Brendan Bowler, da Universidade do Texas em Austin. "Este sistema planetário dá-nos a primeira oportunidade de testemunhar o material caindo num planeta. Os nossos resultados abrem uma nova área para esta pesquisa."

 
Esta ilustração do exoplaneta, ainda em formação, PDS 70b mostra como o material pode estar a cair no mundo gigante à medida que ganha massa. Ao utilizar a sensibilidade ultravioleta (UV) do Hubble, os investigadores obtiveram um olhar único à radiação do gás extremamente quente que cai no planeta, permitindo-lhes medir diretamente e pela primeira vez o ritmo de crescimento do planeta. O planeta PDS 70b está rodeado pelo seu próprio disco de gás e poeira que está a sugar material do muito maior disco circunstelar. Os cientistas levantam a hipótese de que as linhas do campo magnético estendem-se do seu disco circumplanetário até à atmosfera do exoplaneta e estão a canalizar material para a superfície do planeta. A ilustração mostra uma possível configuração de acreção magnetosférica, mas a geometria detalhada do campo magnético requer trabalho futuro. O mundo remoto já atingiu até cinco vezes a massa de Júpiter ao longo de um período de aproximadamente cinco milhões de anos, mas pensa-se que esteja no final do seu processo de formação. PDS 70b orbita a estrela anã laranja PDS 70, a aproximadamente 370 anos-luz da Terra na direção da constelação de Centauro.
Crédito: NASA, ESA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)
 

Embora já tenham sido catalogados até agora mais de 4000 exoplanetas, apenas cerca de 15 foram fotografados diretamente por telescópios. E os planetas estão tão distantes e são tão pequenos, que são simplesmente pontos nas melhores fotos. A nova técnica da equipa para usar o Hubble para obter imagens diretas deste planeta pavimenta um novo percurso para futuras pesquisas sobre exoplanetas, especialmente durante os anos de formação de um planeta.

Este enorme exoplaneta, designado PDS 70b, orbita a estrela anã laranja PDS 70, que já é conhecida por ter dois planetas em formação ativa dentro de um disco enorme de poeira e gás que a rodeia. O sistema está localizado a 370 anos-luz da Terra na direção da constelação de Centauro.

"Este sistema é tão excitante porque podemos testemunhar a formação de um planeta," disse Yifan Zhou, também da Universidade do Texas em Austin. "Este é o planeta genuinamente mais jovem que o Hubble já fotografou diretamente." Com uns meros cinco milhões de anos, o planeta ainda está a reunir material e a acumular massa.

A sensibilidade do Hubble à luz ultravioleta (UV) fornece uma visão única da radiação do gás extremamente quente que cai para o planeta. "As observações do Hubble permitiram-nos estimar a velocidade com que o planeta ganha massa," acrescentou Zhou.

 
O VLT (Very Large Telescope) do ESO obteve a primeira imagem clara de um planeta em formação, PDS 70b, em torno de uma estrela anã em 2018. O planeta sobressai como um ponto brilhante para a direita do centro da imagem, centro este bloqueado pela máscara do coronógrafo usado para bloquear a luz da estrela central.
Crédito: ESO, VLT, André B. Müller (ESO)
 

As observações UV, que acrescentam ao corpo de investigações sobre este planeta, permitiram que a equipa medisse diretamente e pela primeira vez o ritmo de crescimento em massa do planeta. O mundo remoto já atingiu até cinco vezes a massa de Júpiter ao longo de um período de aproximadamente cinco milhões de anos. A taxa de acreção medida atualmente indica que se esta permanecesse estável por mais outro milhão de anos, o planeta aumentaria apenas cerca de 1/100 da massa de Júpiter.

Zhou e Bowler enfatizam que estas observações são um único instantâneo no tempo - são necessários mais dados para determinar se o ritmo no qual o planeta ganha massa está a aumentar ou a diminuir. "As nossas medições sugerem que o planeta está no final do seu processo de formação."

O jovem sistema PDS 70 tem um disco primordial de gás e poeira que fornece combustível para o crescimento de planetas por todo o sistema. O planeta PDS 70b está rodeado pelo seu próprio disco de gás e poeira que está a sugar material do muito maior disco circunstelar. Os cientistas levantam a hipótese de que as linhas do campo magnético estendem-se do seu disco circumplanetário até à atmosfera do exoplaneta e estão a canalizar material para a superfície do planeta.

"Se este material seguir colunas do disco para o planeta, provocaria manchas quentes," explicou Zhou. "Estas manchas quentes podem ser pelo menos 10 vezes mais quentes do que a temperatura do planeta." Estas manchas quentes brilham intensamente no ultravioleta.

 
Estas observações do Hubble realçam o planeta PDS 70b. Um coronógrafo na câmara do Hubble bloqueia o brilho da estrela central para o planeta poder ser observado diretamente. Embora já tenham sido catalogados até agora mais de 4000 exoplanetas, apenas cerca de 15 foram fotografados diretamente por telescópios. A nova técnica da equipa para usar o Hubble para fotografar diretamente este planeta pavimenta um novo percurso para futuras pesquisas sobre exoplanetas, especialmente durante os anos de formação de um planeta.
Crédito: Joseph DePasquale (STScI)
 

Estas observações fornecem informações sobre como os planetas gigantes se formaram em torno do nosso Sol há 4,6 mil milhões de anos. Júpiter pode ter crescido a partir de um disco circundante de material em queda. As suas principais luas também teriam sido formadas a partir de "sobras" desse disco.

Superar o brilho da estrela-mãe foi um desafio para a equipa. PDS 70b orbita aproximadamente à mesma distância que Úrano do Sol, mas a sua estrela é mais de 3000 vezes mais brilhante do que o planeta nos comprimentos de onda ultravioletas. À medida que Zhou processava as imagens, ele removeu com muito cuidado o brilho estelar para deixar para trás apenas a luz emitida pelo planeta. Ao fazê-lo, melhorou o limite de quão perto um planeta pode estar da sua estrela, nas observações do Hubble, por um fator de cinco.

"Trinta e um anos após o lançamento, ainda estamos a encontrar novas maneiras de usar o Hubble," salientou Bowler. "A estratégia de observação e a técnica de pós-processamento de Yifan abrirá novas janelas para o estudo de sistemas semelhantes, ou até mesmo este sistema novamente, repetidamente com o Hubble. Com observações futuras, poderíamos potencialmente descobrir quando a maioria do gás e poeira cai sobre os seus planetas e se ocorre a um ritmo constante."

Os resultados dos investigadores foram publicados em abril de 2021 na revista The Astronomical Journal.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
22/05/2020 - Astrónomos confirmam a existência de dois planetas gigantes recém-nascidos no sistema PDS 70
07/06/2019 - Dois planetas observados diretamente a crescer em torno de uma jovem estrela
03/07/2018 - VLT obtém a primeira imagem confirmada de um planeta recém-nascido
13/11/2012 - Descoberta de gigante abertura em disco de estrela tipo-Sol pode indicar múltiplas planetas

PDS 70:
PDS 70 (Wikipedia)
PDS 70 b (Exoplanet.eu)
PDS 70 c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Qual é a duração de um dia em Vénus? Cientistas desvendam os mistérios do nosso vizinho

Vénus é um enigma. É nosso vizinho, mas, no entanto, revela pouco sobre si próprio. Um manto opaco de nuvens sufoca uma paisagem agreste atingida pela chuva ácida e cozida em temperaturas que podem liquidificar o chumbo.

Agora, novas observações a partir da segurança da nossa Terra estão a levantar o véu sobre algumas das propriedades mais básicas de Vénus. Ao disparar repetidamente radar da superfície do planeta ao longo dos últimos 15 anos, uma equipa liderada pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) determinou a duração precisa de um dia em Vénus, a inclinação do seu eixo e o tamanho do seu núcleo. As descobertas foram publicadas na revista Nature Astronomy.

"Vénus é o nosso planeta irmão, e ainda assim estas propriedades fundamentais permaneceram desconhecidas," disse Jean-Luc Margot, professor de ciências terrestres, planetárias e espaciais que liderou a investigação.

 
O planeta Vénus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A Terra e Vénus têm muito em comum: ambos os planetas rochosos têm quase o mesmo tamanho, massa e densidade. E, no entanto, evoluíram por caminhos totalmente diferentes. Características fundamentais como quantas horas existem num dia venusiano fornecem dados essenciais para a compreensão das histórias divergentes destes mundos vizinhos.

Mudanças na rotação e orientação de Vénus revelam como a massa se espalha no interior. O conhecimento da sua estrutura interna, por sua vez, fornece informações sobre a formação do planeta, a sua história vulcânica e como o tempo alterou a superfície. Além disso, sem dados precisos sobre como o planeta se move, quaisquer tentativas futuras de pouso podem ter um desvio de até 30 quilómetros.

"Sem estas medições," disse Margot, "estamos essencialmente a voar às cegas."

As novas medições de radar mostram que um dia médio em Vénus dura 243,0226 dias terrestres - cerca de dois-terços de um ano terrestre. Além do mais, a rotação de Vénus está sempre a mudar: um valor medido num determinado momento será um pouco maior ou menor do que um valor anterior. A equipa estimou a duração de um dia a partir de cada uma das medições individuais e observou diferenças de pelo menos 20 minutos.

"Isto provavelmente explica porque é que as estimativas anteriores não correspondiam," disse Margot.

A atmosfera pesada de Vénus é provavelmente a culpada pela variação. À medida que gira em torno do planeta, troca muito momento com o chão sólido, acelerando e diminuindo a sua rotação. Isto também acontece na Terra, mas a troca acrescenta ou retira apenas um milissegundo de cada dia. O efeito é muito mais dramático em Vénus porque a atmosfera é cerca de 93 vezes mais massiva do que a da Terra e, portanto, tem muito momento para trocar.

A equipa também relata que Vénus inclina-se para um lado precisamente 2,6392 graus (a Terra está inclinada cerca de 23º), uma melhoria na precisão das estimativas anteriores por um fator de 10. As medições repetidas de radar revelaram também o ritmo glacial no qual a orientação do eixo de rotação de Vénus muda, como o pião de uma criança. Na Terra, esta "precessão" leva cerca de 26.000 anos a completar um ciclo. Vénus precisa de um pouco mais de tempo: cerca de 29.000 anos.

Com estas medições precisas de como Vénus gira, a equipa calculou que o núcleo do planeta tem cerca de 3500 quilómetros de diâmetro - bastante semelhante à Terra - embora ainda não consigam deduzir se é líquido ou sólido.

Vénus como uma gigante bola de espelhos

Em 21 ocasiões separadas de 2006 a 2020, Margot e colegas direcionaram ondas de rádio para Vénus a partir da antena Goldstone de 70 metros no deserto de Mojave, Califórnia, EUA. Vários minutos depois, essas ondas de rádio ricochetearam de Vénus e voltaram para a Terra. O eco de rádio foi captado em Goldstone e no GBT (Green Bank Telescope) no estado norte-americano da Virgínia Ocidental.

"Nós usamos Vénus como uma gigante bola de espelhos," disse Margot, com a antena parabólica agindo como uma lanterna e a paisagem do planeta como milhões de refletores minúsculos. "Iluminamos o planeta com uma lanterna extremamente poderosa - cerca de 100.000 vezes mais brilhante do que uma típica lanterna. E se rastrearmos os reflexos da bola de espelhos, podemos inferir propriedades sobre a rotação."

As reflexões complexas clareiam e escurecem erraticamente o sinal de retorno, que se espalha pela Terra. A antena de Golsdtone vê o eco primeiro, o GBT vê cerca de 20 segundos depois. O atraso exato entre o recebimento nas duas instalações fornece um instantâneo de quão depressa Vénus está a girar, enquanto a janela de tempo específica em que os ecos são mais semelhantes revela a inclinação do planeta.

As observações exigiram uma cronometragem de excelência para garantir que Vénus e a Terra estivessem posicionados corretamente. E ambos os observatórios tinham que estar a funcionar perfeitamente - o que nem sempre era o caso. "Descobrimos que é realmente desafiador fazer tudo funcionar perfeitamente num período de 30 segundos," disse Margot. "Na maioria das vezes, obtemos alguns dados. Mas é invulgar obtermos todos os dados que esperamos obter."

Apesar dos desafios, a equipa está a avançar e voltou os seus olhos para as luas de Júpiter, Europa e Ganimedes. Muitos investigadores suspeitam fortemente que Europa, em particular, esconde um oceano de água líquida sob uma espessa camada de gelo. Medições de radar a partir do solo podem fortalecer o caso de um oceano e revelar a espessura da camada de gelo.

E a equipa vai continuar a refletir radar de Vénus. Com cada eco de rádio, o véu sobre Vénus levanta-se um pouco mais, vendo o nosso planeta irmão cada vez mais nitidamente.

// UCLA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Vénus:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia

GSSR (Goldstone Solar System Radar):
NASA
Wikipedia

GBT (Telescópio Robert C. Byrd Green Bank):
Página oficial
Wikipedia

 
   
Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração

O helicóptero Ingenuity da NASA tem uma nova missão. Tendo provado que o voo controlado e motorizado é possível no Planeta Vermelho, a experiência Ingenuity embarcará em breve numa nova fase de demonstração de operações, explorando como a patrulha aérea e outras funções podem beneficiar a exploração futura de Marte e de outros mundos.

Esta nova fase terá início após o helicóptero concluir os seus próximos dois voos. A decisão de adicionar uma demonstração de operações é o resultado do rover Perseverance estar adiantado na verificação completa de todos os seus sistemas desde a aterragem de dia 18 de fevereiro, e da sua equipa científica ter escolhido um trecho próximo de leito de cratera para as suas primeiras explorações detalhadas. Com os sistemas de energia, de telecomunicações e de navegação em voo funcionando para lá do esperado, surgiu uma oportunidade para permitir que o helicóptero continuasse a explorar as suas capacidades de demonstração de operações, sem afetar significativamente a programação do rover.

 
O rover Perseverance da NASA capturou este selfie com o helicóptero Ingenuity, visto aqui a cerca de 3,9 metros do rover nesta imagem de dia 6 de abril de 2021, o 46.º dia marciano ou sol da missão, pela câmara WATSON (Wide Angle Topographic Sensor for Operations and eNgineering) do instrumento SHERLOC (Scanning Habitable Environments with Raman and Luminescence for Organics and Chemicals), localizado no braço robótico do rover.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

"A demonstração de tecnologia do Ingenuity tem sido um sucesso retumbante," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA. "Uma vez que o Ingenuity continua de excelente saúde, planeamos usá-lo para beneficiar futuras plataformas aéreas, ao mesmo tempo que damos prioridade e avançamos com os objetivos científicos de curto prazo da equipa do rover Perseverance."

A demonstração de operações começará daqui a aproximadamente duas semanas com o sexto voo do helicóptero. Até lá, o Ingenuity estará numa fase de transição que inclui a sua quarta e quinta incursões nos céus carmesim de Marte. O quarto voo enviou o helicóptero a cerca 133 metros para sul para recolher imagens aéreas de uma potencial nova zona de pouso antes de regressar para pousar na área Wright Brothers Field, o nome do local marciano no qual o primeiro voo do Ingenuity teve lugar. Esta viagem de ida e volta de 266 metros ultrapassou as marcas de alcance, velocidade e duração alcançadas no terceiro voo. O quinto voo enviará o Ingenuity numa missão somente de ida, pousando no novo local. Se o Ingenuity permanecer saudável após estes voos, a próxima fase pode ter início.

Mudança de percurso

A transição do Ingenuity da realização de uma demonstração de tecnologia para uma demonstração de operações traz consigo algumas mudanças. Juntamente com estes voos de ida, haverá mais manobras de precisão, um maior uso das suas capacidades de observação aérea e mais risco em geral.

A mudança também significa que o Ingenuity exigirá menos suporte da equipa do rover Perseverance, que está à procura de alvos para recolher amostras de rochas e sedimentos em busca de antiga vida microscópica. No dia 26 de abril - o 66.º sol da missão, ou dia marciano - o Perseverance percorreu 10 metros com o objetivo de identificar alvos.

"Com a curta viagem, já começámos o nosso movimento para sul em direção a um local que a equipa científica pensa ser digno de investigação e da nossa primeira amostragem," disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech em Pasadena, no estado-norte americano da Califórnia. "Vamos passar os próximos duzentos sols a executar a nossa primeira campanha científica em busca de afloramentos rochosos interessantes ao longo deste pedaço de chão de cratera com 2 km antes provavelmente seguir para norte e depois para oeste em direção ao delta do rio fóssil da Cratera Jezero."

Com viagens curtas esperadas para o Perseverance no curto prazo, o Ingenuity pode executar voos que pousem perto da posição atual do rover ou da sua próxima vaga de estacionamentos previstos. O helicóptero pode usar estas oportunidades para realizar observações aéreas de alvos científicos para o rover, de potenciais rotas e de características inacessíveis, enquanto também captura imagens estéreo para mapas de digitais de elevação. As lições aprendidas com estes esforços vão fornecer benefícios significativos aos planeadores de missões futuras. Estes voos de reconhecimento são um bónus e não um requisito para o Perseverance completar a sua missão científica.

A cadência de voos durante a fase de demonstração de operações do Ingenuity vai diminuir de uma vez a cada vários dias para cerca de uma vez a cada duas ou três semanas, e as incursões serão programadas para evitar interferir nas operações científicas do Perseverance. A equipa vai avaliar as operações de voo após 30 sols e concluirá as operações de voo até ao final de agosto. Esse tempo dará à equipa do rover tempo para encerrar as suas atividades científicas planeadas e para se preparar para a conjunção solar - o período em meados de outubro em que Marte e a Terra estarão em lados opostos do Sol, bloqueando as comunicações.

"Apreciamos muito o suporte dado pela equipa do rover Perseverance durante a nossa fase de demonstração de tecnologia," disse MiMi Aung, do projeto Ingenuity no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Agora temos a chance de retribuir, demonstrando para futuras missões robóticas e até tripuladas os benefícios de ter um parceiro por perto que possa fornecer uma perspetiva diferente - uma a partir do céu. Vamos aproveitar esta oportunidade e seguir com ela - voando com ela."

// NASA (comunicado de imprensa)
// NASA #2 (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance da NASA move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
29/05/2020 - O detetive a bordo do rover Perseverance
19/11/2019 - Rover Mars 2020 vai procurar fósseis microscópicos
15/02/2019 - Sonda MAVEN vai diminuir a sua órbita em preparação para o rover 2020 da NASA
15/05/2018 - NASA planeia levar um helicóptero até Marte
29/05/2018 - Rochas marcianas podem conter sinais de vida

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Cratera Jezero:
Wikipedia

Rover Perseverance:
NASA
NASA - 2
Facebook
Twitter
Wikipedia

Helicóptero Ingenuity:
NASA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Galáxias pequenas provavelmente desempenharam um papel importante na evolução do Universo (via Universidade do Minnesota)
Um novo estudo liderado por astrofísicos da Universidade do Minnesota mostram que a luz altamente energética de galáxias pequenas pode ter desempenhado um papel crucial na evolução inicial do Universo. A investigação fornece mais informações sobre o modo como o Universo se tornou reionizado, um problema que os astrónomos tentam resolver há anos. Ler fonte
     
  Não apenas para encontrar exoplanetas: TESS avista GRB brilhante (via SMU)
Astrofísicos descobriram uma brilhante explosão de raios-gama com o caçador de exoplanetas TESS da NASA. É a primeira vez que se descobrem um GRB desta maneira. Os GRBs são as explosões mais brilhantes do Universo, tipicamente associadas com o colapso de uma estrela massiva e o nascimento de um buraco negro. Podem produzir tanta energia como o Sol durante toda a sua vida de 10 mil milhões de anos. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Nuvens da Nebulosa Carina
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: John Ebersole
 
Que formas se escondem nas nuvens da Nebulosa Carina? As sinistras figuras escuras são na realidade nuvens moleculares, nós de gás e poeira molecular tão espessos que se tornaram opacas. No entanto, estas são normalmente muito menos densas que as nuvens da atmosfera da Terra. Aqui em destaque está uma imagem detalhada do núcleo da Nebulosa Carina, uma secção onde as nuvens escuras e as coloridas são particularmente proeminentes. A imagem foi capturada em meados de 2016 a partir do Observatório Siding Spring na Austrália. Embora a nebulosa seja constituída principalmente por hidrogénio gasoso - aqui em tons de verde - à imagem foram atribuídas cores de modo que a luz emitida pelo enxofre e pelo oxigénio aparece a vermelho e a azul, respetivamente. O todo da Nebulosa Carina, catalogada como NGC 3372, cobre mais de 300 anos-luz e situa-se a cerca de 7.500 anos-luz na direção da constelação da Quilha (Carina, em Latim). Eta Carinae, a estrela mais energética da nebulosa, foi uma das estrelas mais brilhantes do céu na década de 1830, mas desde aí diminuiu drasticamente de brilho.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2021 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt