Dia 07/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido na Holanda que descobriu luas de Úrano e Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar.
Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua.
Em 1995, a nave Galileu chega a Júpiter, pouco mais de seis anos depois de ter sido lançada pelo vaivém espacial Atlantis durante a missão STS-34.
Em 2015, a sonda japonesa Akatsuki entra com sucesso em órbita de Vénus, cinco anos após a primeira tentativa. Observações: A Lua encontra-se para baixo de Saturno, entre Vénus para baixo e para a sua direita e Júpiter para cima e para a esquerda.
Dia 08/12: 342.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra. Passa novamente pela Terra no mesmo dia, mas em 1992.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa a cerca de 80.800 km de distância do planeta Vénus. Observações: Seguindo a sua constante viagem pelo céu, a Lua está hoje para baixo e para a direita de Júpiter. Procure a estrela Fomalhaut para a esquerda e um pouco para baixo do nosso satélite natural.
Esta é a altura do ano em que M31, a Galáxia de Andrómeda, passa perto do zénite à hora de jantar (para observadores a latitudes médias norte). A hora exata depende da longitude; ocorre pelas 20:00 cá em Portugal. Binóculos, ou apenas a olho nu sob um céu escuro, vão mostrar M31 logo para o lado do joelho levantado da figura de Andrómeda.
Dia 09/12: 343.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1965, queda de um satélite em Kecksburg, perto de Pittsburgh, EUA. Observações: Orionte já é visível depois da hora de jantar, baixo a este-sudeste, e isso significa que Gémeos está também para a sua esquerda. As estrelas que assinalam as cabeças dos Gémeos, Castor e Pollux, estão no lado esquerdo da constelação - um sobre o outro, com Castor em cima.
Um ano de oito horas
No que diz respeito aos exoplanetas, GJ 367 b não é um "peso-pesado", mas um "peso-pena". Com metade da massa da Terra, o planeta recém-descoberto é um dos mais leves entre os quase 5000 exoplanetas conhecidos até ao momento. O exoplaneta leva aproximadamente oito horas para orbitar a sua estrela-mãe. Com um diâmetro de pouco mais de 9000 quilómetros, GJ 367 b é ligeiramente maior que Marte. O sistema planetário está localizado a pouco menos de 31 anos-luz da Terra e, portanto, é ideal para futuras investigações. A descoberta demonstra que é possível determinar com precisão as propriedades dos exoplanetas até mais pequenos e menos massivos. Estes estudos fornecem uma chave para entender como os planetas terrestres se formam e evoluem.
O grupo internacional de 78 investigadores liderados por Kristine W. F. Lam e Szilárd Csizmadia do Instituto de Investigação Planetária do Centro Aeroespacial Alemão (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt; DLR) publicou os seus resultados dos seus estudos na revista Science. Com um período orbital de apenas um-terço do dia terrestre, GJ 367 b é veloz. "A partir da determinação precisa do seu raio e massa, GJ 367 b está classificado como um planeta rochoso", relata Kristine Lam. "Parece ter semelhanças com Mercúrio. Isto coloca-o entre os planetas terrestres de tamanho inferior à Terra e avança a investigação na busca por uma 'segunda Terra'."
Impressão de artista de GJ 367 b.
Crédito: SPP 1992 (Patricia Klein)
São possíveis rastreadores exoplanetários mais precisos
Um quarto de século após a primeira descoberta de um exoplaneta, o foco mudou para a caracterização mais precisa destes planetas, além do crescimento numérico da lista. Atualmente, é possível construir um perfil muito mais detalhado para a maioria dos exoplanetas conhecidos. Muitos foram descobertos usando o método de trânsito - a medição das diferenças na luz emitida, ou magnitude aparente, de uma estrela quando um planeta passa à sua frente (a partir do ponto de vista do observador). GJ 367 b também foi descoberto usando este método, com a ajuda do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.
A origem dos pequenos e velozes exoplanetas ainda é desconhecida
GJ 367 b pertence ao grupo de exoplanetas de "período ultracurto" que orbitam a sua estrela em menos de 24 horas. "Já conhecemos alguns, mas as suas origens são atualmente desconhecidas," diz Kristine Lam. "Ao medir as propriedades fundamentais precisas deste planeta de período ultracurto, podemos obter um vislumbre da formação do sistema e da sua evolução." Após a descoberta deste planeta usando o TESS e o método de trânsito, foi estudado o espectro da sua estrela a partir do solo usando o método de velocidade radial. Determinou-se a massa usando o instrumento HARPS no telescópio de 3,6 metros do ESO. A partir do estudo meticuloso e da combinação de diferentes métodos de avaliação, foram determinados o raio e a massa do planeta: o seu raio corresponde a 72% do raio da Terra e a sua massa equivale a 55% da do nosso planeta.
A precisão mais alta para o raio e para a massa
Ao determinar o seu raio e massa com uma precisão de 7 e 14 por cento, respetivamente, os investigadores também foram capazes de tirar conclusões sobre a estrutura interna do exoplaneta. É um planeta rochoso de baixa massa, mais é mais denso que a Terra. "A alta densidade indica que o planeta é dominado por um núcleo de ferro," explica Szilárd Csizmadia. "Estas propriedades são semelhantes às de Mercúrio, com o seu núcleo desproporcionalmente grande de ferro e níquel que o diferencia de outros corpos terrestres do Sistema Solar." No entanto, a proximidade do planeta à sua estrela implica que está exposto à níveis extremamente elevados de radiação, mais de 500 vezes mais fortes do que os níveis a que a Terra recebe. A temperatura da superfície pode chegar aos 1500º C - uma temperatura na qual todas as rochas e metais seriam derretidos. Portanto, GJ 367 b não pode ser considerado uma 'segunda Terra'.
A massa e raio dos planetas pequenos conhecidos.
Crédito: Science (Lam et al., 2021; figura 2)
A estrela-mãe é uma "anã vermelha"
A estrela hospedeira deste exoplaneta recém-descoberto, uma anã vermelha chamada GJ 367, tem apenas cerca de metade do tamanho do Sol. Isto é benéfico para esta descoberta pois o sinal de trânsito do planeta em órbita é particularmente significativo. As anãs vermelhas não são apenas mais pequenas, como também mais frias do que o Sol. Isto torna os seus planetas associados mais fáceis de encontrar e caracterizar. Estão entre os objetos estelares mais comuns na nossa vizinhança cósmica e, portanto, são alvos adequados para a investigação exoplanetária. Os cientistas estimam que estas anãs vermelhas, também conhecidas como "estrelas de classe M", sejam orbitadas por uma média de dois a três planetas.
A análise da poeira espacial pode resolver o mistério das origens da água da Terra
Uma equipa internacional de cientistas pode ter resolvido um mistério importante sobre as origens da água da Terra, depois de descobrir novas evidências persuasivas que apontam para um culpado improvável - o Sol.
Num novo artigo científico publicado na revista Nature Astronomy, uma equipa de investigadores do Reino Unido, da Austrália e da América descreve como uma nova análise de um asteroide antigo sugere que grãos de poeira extraterrestre transportaram água para a Terra enquanto o planeta se formava.
A água nos grãos foi produzida pelo intemperismo espacial, um processo pelo qual partículas carregadas do Sol, conhecidas como vento solar, alteraram a composição química dos grãos para produzir moléculas de água.
A descoberta pode responder à questão de longa data de onde a Terra, invulgarmente rica em água, obteve os oceanos que cobrem mais de 70% da sua superfície - muito mais do que qualquer outro planeta rochoso no nosso Sistema Solar. Também pode ajudar futuras missões espaciais a encontrar fontes de água em mundos sem ar.
Impressão de artista que exemplifica a "entrega" de materiais ricos em água à Terra primitiva.
Crédito: Universidade de Glasgow
Os cientistas planetários há décadas que estão interessados na origem dos oceanos da Terra. Uma teoria sugere que um tipo de rocha espacial portadora de água, conhecido como asteroides tipo C, poderia ter trazido água para o planeta nos estágios finais da sua formação, há 4,6 mil milhões de anos.
Para testar a sua teoria, os cientistas analisaram anteriormente a "impressão digital" isotópica de pedaços de asteroides tipo C, que caíram na Terra como meteoritos condritos carbonáceos ricos em água. Se a proporção de hidrogénio e deutério na água do meteorito fosse compatível com a da água terrestre, os cientistas poderiam concluir que os meteoritos tipo C eram a fonte provável.
Os resultados não foram assim tão claros. Embora as impressões digitais de deutério/hidrogénio de alguns meteoritos ricos em água realmente correspondam às da água da Terra, muitos não. Em média, as impressões digitais líquidas destes meteoritos não se alinhavam com a água encontrada no manto e nos oceanos da Terra. Ao invés, a Terra tem uma impressão digital isotópica diferente, ligeiramente mais leve.
Por outras palavras, embora parte da água da Terra deva ter vindo de meteoritos tipo C, a Terra em formação deve ter recebido água de pelo menos mais uma fonte isotopicamente leve que teve origem em algum outro lugar do Sistema Solar.
A equipa liderada pela Universidade de Glasgow usou um processo analítico de ponta chamado tomografia de sonda atómica para examinar amostras de um tipo diferente de rocha espacial conhecido como asteroide tipo S, que orbita mais perto do Sol do que os do tipo C. As amostras que analisaram vieram de um asteroide chamado Itokawa, que foram recolhidas pela sonda espacial Hayabusa e enviados para a Terra em 2010.
A tomografia de sonda atómica permitiu à equipa medir a estrutura atómica dos grãos, um átomo de cada vez, e detetar moléculas individuais de água. Os seus achados demonstram que uma quantidade significativa de água foi produzida logo abaixo da superfície de grãos do tamanho de poeira do Itokawa devido a intemperismo espacial.
O Sistema Solar inicial era um lugar muito empoeirado, fornecendo uma grande oportunidade para a água ser produzida sob a superfície das partículas de poeira espacial. Esta poeira rica em água, sugerem os investigadores, teria caído para a Terra primitiva ao lado de asteroides tipo C como parte da "entrega" dos oceanos da Terra.
O Dr. Luke Daly, da Escola de Geografia e Ciências da Terra da Universidade de Glasgow, é o autor principal do artigo. O Dr. Daly disse: "Os ventos solares são correntes constituídas principalmente por iões de hidrogénio e hélio que fluem constantemente do Sol para o espaço. Quando esses iões de hidrogénio atingem uma superfície sem ar, como um asteroide ou uma partícula de poeira espacial, penetram algumas dezenas de nanómetros por baixo da superfície, onde podem afetar a composição química da rocha. Com o tempo, o efeito de 'intemperismo espacial' dos iões de hidrogénio pode ejetar átomos de oxigénio suficientes dos materiais na rocha para criar H2O - água - presos nos minerais do asteroide.
"Crucialmente, esta água derivada do vento solar e produzida pelo Sistema Solar inicial é isotopicamente leve. Isso sugere que a poeira de grão fino, golpeada pelo vento solar e atraída para a Terra em formação há milhares de milhões de anos, pode ser a fonte do reservatório ausente de água do planeta."
O professor Phil Bland, professor da Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade Curtin e coautor do artigo, disse: "A tomografia de sonda atómica permite-nos dar uma olhada incrivelmente detalhada até aos primeiros mais ou menos 50 nanómetros da superfície dos grãos de poeira do asteroide Itokawa, que completa uma órbita em torno do Sol a cada 18 meses. Permitiu-nos ver que este fragmento de rocha espacial intemperizada continha água suficiente que, se aumentássemos a escala, chegaria cerca de 20 litros por cada metro cúbico de rocha."
O Sol, os ventos solares e o asteroide Itokawa.
Crédito: Universidade Curtin
A coautora professora Michelle Thompson, do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias da Universidade Purdue, acrescentou: "É o tipo de medição que simplesmente não teria sido possível sem esta tecnologia notável. Isto dá-nos uma visão extraordinária de como pequenas partículas de poeira, flutuando no espaço, podem ajudar-nos a equilibrar a composição isotópica da água da Terra e dar-nos novas pistas para ajudar a resolver o mistério das suas origens."
Os investigadores tiveram muito cuidado para garantir que os resultados dos seus testes fossem precisos, realizando experiências adicionais com outras fontes para verificar os seus resultados.
O Dr. Daly acrescentou: "o sistema de tomografia de sonda atómica na Universidade Curtin é de classe mundial, mas nunca tinha sido usado para o tipo de análise de hidrogénio que estávamos aqui a fazer. Queríamos ter a certeza de que os resultados que víamos eram precisos. Eu apresentei os nossos resultados preliminares na conferência de Ciência Lunar e Planetária em 2018, e perguntei se algum dos colegas presentes nos ajudaria a validar as nossas descobertas com outras amostras. Para nossa alegria, colegas do Centro Espacial Johnson da NASA e da Universidade do Hawaii em Manoa, de Purdue, das Universidades da Virgínia e do Norte do Arizona, laboratórios nacionais do Idaho e Sandia ofereceram-se para ajudar. Deram-nos amostras de minerais semelhantes irradiados com hélio e deutério em vez de hidrogénio e, a partir dos resultados da sonda atómica desses materiais, rapidamente ficou claro que o que estávamos a ver em Itokawa era de origem extraterrestre.
"Os colegas que forneceram o seu apoio nesta investigação realmente representam uma equipa de sonho para o intemperismo espacial, de modo que estamos muito animados com as evidências que recolhemos. Isto pode abrir a porta a uma compreensão muito melhor de como o Sistema Solar primitivo era e de como a Terra e os seus oceanos foram formados."
O professor John Bradley, da Universidade do Hawaii em Manoa, Honolulu, coautor do artigo, acrescentou: "Tão recentemente quanto há uma década, a noção de que a irradiação pelo vento solar é relevante para a origem da água no Sistema Solar, muito menos relevante para os oceanos da Terra, teria sido saudada com ceticismo. Ao mostrar pela primeira vez que a água é produzida in-situ na superfície de um asteroide, o nosso estudo baseia-se na acumulação de evidências de que a interação do vento solar com grãos de poeira ricos em oxigénio realmente produz água.
"Dado que a poeira, que era abundante por toda a nebulosa solar antes do início da acreção planetesimal, foi inevitavelmente irradiada, a água produzida por este mecanismo é diretamente relevante para a origem da água nos sistemas planetários e, possivelmente, para a composição isotópica dos oceanos da Terra."
As suas estimativas de quanta água pode estar contida em superfícies intemperizadas pelo clima espacial também sugerem uma maneira de como os futuros exploradores espaciais poderiam fabricar suprimentos de água até mesmo nos planetas aparentemente mais áridos.
A coautora professora Hope Ishii, da Universidade do Hawaii em Manoa, disse: "Um dos problemas da futura exploração espacial humana é como os astronautas vão encontrar água suficiente para os manter vivos e realizar as suas tarefas sem ter que a transportar consigo na sua viagem.
"Achamos que é razoável supor que o mesmo processo de intemperismo espacial que criou a água em Itokawa terá ocorrido, num ou noutro grau, em muitos outros objetos sem ar, como a Lua ou o asteroide Vesta. Isto pode significar que os exploradores espaciais podem muito bem ser capazes de processar novos suprimentos de água diretamente da poeira na superfície planetária. É empolgante pensar que os processos que formaram os planetas podem ajudar a suportar a vida humana conforme nos deslocamos para lá da Terra."
O Dr. Daly conclui: "O projeto Artemis da NASA está a preparar-se para estabelecer uma base permanente na Lua. Se a superfície lunar tiver um reservatório de água semelhante proveniente do vento solar que esta investigação descobriu em Itokawa, isso representaria um recurso enorme e valioso para ajudar a atingir esse objetivo."
Mars Express desvenda mistério de lua marciana usando "flybys falsos"
Ao realizar uma série de "flybys" reais e "falsos", a sonda Mars Express da ESA revelou como a maior lua de Marte, Fobos, interage com o vento solar de partículas carregadas lançadas pelo Sol - e detetou um processo elusivo que só tinha sido antes visto uma vez em Fobos.
O vento solar é emanado pela nossa estrela, preenchendo o Sistema Solar com partículas energéticas. A nossa Lua reflete estas partículas continuamente, e o mesmo "retroespalhamento" é esperado na lua Fobos de Marte, dadas as semelhanças entre as duas (ambas são rochosas, não têm campo magnético e atmosfera, e orbitam planetas terrestres no Sistema Solar interior. No entanto, a Mars Express da ESA só viu este retroespalhamento uma vez (em 2008), apesar de se aproximar de Fobos muitas vezes.
Os investigadores relatam agora a segunda deteção bem-sucedida de partículas refletidas do vento solar em Fobos, detetadas durante um voo rasante pela lua em janeiro de 2016.
"A relação de Fobos com o vento solar tem sido um enigma," diz Yoshifumi Futaana, do Instituto Sueco de Física Espacial e autor principal do novo artigo sobre o "flyby" de 2016. "Sabemos que Fobos deve interagir com estas partículas, mas não estamos a vê-las - porquê? Porque é que Fobos está a comportar-se de maneira tão diferente da Lua quando as duas parecem ser bastante semelhantes?
"Pela primeira vez em oito anos de passagens rasantes, estamos ansiosos por ver novamente os sinais destas partículas refletidas na maior lua de Marte."
No entanto, dado que este retroespalhamento é tão intermitente e raramente visto em Fobos, os cientistas perguntaram-se se o fenómeno poderia ter sido provocado pela própria Mars Express refletindo partículas do vento solar. Durante o "flyby" de 2008, a nave espacial moveu os seus painéis solares e orientou-se para apontar os seus instrumentos para Fobos - uma manobra que pode ter afetado o comportamento das partículas em redor.
"A mesma crítica permaneceu para o voo rasante de 2016: como é que sabemos que esta deteção é, efetivamente, reflexo de Fobos, e não da própria Mars Express?" acrescenta Yoshifumi.
Usando uma série de passagens rasantes "reais" e "falsas", a Mars Express da ESA esclareceu um antigo mistério marciano: se e como a maior lua de Marte, Fobos, reflete o vento solar. Esta infografia mostra três "flyxys" da Mars Express que ocorreram em julho de 2008, janeiro de 2016 e maio de 2017 - os dois primeiros sendo "flybys reais" concluídos nas proximidades de Fobos e o último sendo um "falso" realizado para esclarecer se um determinado sinal detetado pela nave espacial foi uma verdadeira deteção de um processo ocorrendo em Fobos, ou se foi devido à reflexão de partículas da própria Mars Express.
Crédito: ESA
"Flybys falsos"
Para explorar esta possibilidade, os investigadores realizaram três operações especiais sem precedentes, apelidadas de "flybys falsos", com a sonda em 2017. Usando exatamente a mesma sequência de operação, manobras de controlo e ajustes de painéis solares, a Mars Express voou por uma região do espaço preenchida com vento solar, mas sem a presença de Fobos, essencialmente realizando um "flyby" - apenas sem o seu alvo.
"Em essência, estávamos a realizar uma espécie de experiência laboratorial em Marte," diz o coautor Mats Holmström, também do mesmo instituto sueco e investigador principal do instrumento ASPERA-3 da Mars Express, que observou as partículas refletidas. "Os sobrevoos 'falsos' permitem-nos explorar como a Mars Express influencia o vento solar num ambiente mais controlado, para que possamos procurar sinais de que a própria nave espacial é a causa da reflexão das partículas."
As passagens rasantes "falsas" não revelaram nenhum sinal de que a Mars Express produziu ou espalhou quaisquer partículas, sugerindo que Fobos realmente refletiu as partículas detetadas de volta para o espaço durante os sobrevoos de 2008 e 2016.
Espalhamento esporádico
Apesar disto, as partículas retroespalhadas só foram detetadas em dois dos mais de uma dúzia de passagens por Fobos e, mesmo assim, os sinais são esporádicos e intermitentes. Isto é totalmente diferente do que vemos na Lua, outro corpo que não tem atmosfera e campo magnético e, portanto, seria de esperar que se comportasse de maneira semelhante. Porquê esta diferença?
Yoshifumi e colegas consideraram uma série de possibilidades, desde processos que talvez ocorrem em escalas espaciais ou temporais diferentes daquelas capturadas pela Mars Express, a possível magnetismo em Fobos, a diferenças nas composições da superfície de Fobos e da Lua - e mais.
"No geral, as partículas intermitentes provavelmente estão a ser refletidas da superfície de Fobos, mas não podemos descartar outra origem misteriosa," acrescenta Yoshifumi. "No entanto, os voos 'falsos' ajudaram-nos a entender muito melhor a situação, mostrando explicitamente que a Mars Express não era a fonte.
"Para saber mais, precisamos de mais 'flybys' da Mars Express por Fobos em várias configurações. Mesmo que durante esses sobrevoos não seja vista nenhuma partícula refletida, até a ausência de um sinal fornece estatísticas valiosas."
O comportamento diferente do vento solar, em Fobos e na Lua, implica que as superfícies de cada um evoluíram de maneira diferente, levantando questões intrigantes sobre como o sistema de Marte difere do nosso.
Esta imagem, tirada pelo instrumento HRSC (High Resolution Stereo Camera) a bordo da nave espacial Mars Express da ESA, é uma das fotos de maior resolução até agora da lua marciana Fobos.
A imagem mostra o lado da lua voltado para Marte, tirado a uma distância de menos de 200 quilómetros com uma resolução de cerca de sete metros por pixel durante a órbita 756, de 22 de agosto de 2004. Esta imagem colorida foi calculada a partir dos três canais de cores e do canal nadir no HRSC. Por motivos geométricos, a barra de escala só é válida para o centro da imagem.
Crédito: G. Neukum (FU Berlim), Mars Express, DLR, ESA
Explorando Fobos
Como uma das apenas três luas no Sistema Solar interior, Fobos é de grande interesse para a exploração espacial - passada, presente e futura.
Desde o programa soviético de Fobos da década de 1980 até às missões futuras como a japonesa MMX (Martian Moons eXploration), com lançamento planeado para meados desta década, têm havido muitos esforços dedicados para explorar a origem, ambiente, comportamento e evolução da maior lua de Marte.
A ESA é parceira da JAXA na missão MMX, fornecendo equipamentos de comunicação, suporte no rastreamento e controlo de naves espaciais e oportunidades para cientistas se juntarem à equipa científica da missão. A MMX vai caracterizar ambas as luas marcianas, Fobos e Deimos, colocar um rover na superfície de Fobos e enviar uma amostra do satélite natural para análise cá na Terra. Um dos principais objetivos da MMX é determinar se as luas são asteroides capturados pela gravidade de Marte ou fragmentos remanescentes de um impacto gigante.
Para lá do nosso conhecimento de Fobos - e de outros corpos rochosos ou gelados que exigem física semelhante que a ESA planeia explorar, desde Mercúrio, passando por asteroides, até às luas galileanas de Júpiter - compreender como as partículas carregadas se comportam no espaço é fundamental para a exploração espacial.
Por exemplo, os astronautas na Lua estão expostos ao vento solar, uma consideração chave para os próximos planos da ESA de expedições humanas ao espaço. As interações de superfície em planetas e luas também são um componente central da química da superfície, possivelmente incluindo como os corpos se formam e armazenam água.
"Esta descoberta usa a Mars Express de uma forma verdadeiramente única para resolver um mistério cósmico contínuo - mostra uma engenhosidade maravilhosa e destaca a flexibilidade e as diversas capacidades da missão," diz Dmitrij Titov, cientista do projeto Mars Express da ESA.
"O estudo também mostra o valor dos nossos colegas de operações e dos arquivos de dados em permitir novas descobertas e conhecimentos e tornar possível um trabalho importante como este. Temos que compreender o ambiente espacial para o explorar com satélites ou com astronautas e, assim, a determinação da dinâmica em jogo no sistema marciano é um importante passo em frente."
Yoshifumi e colegas acederam a dados do "flyby" da Mars Express por Fobos de 2016 armazenados pelo Arquivo de Ciências Planetárias da ESA.
Emergem evidências de galáxias sem matéria escura (via Sociedade Astronómica Real)
Uma equipa internacional de astrónomos liderados por investigadores dos Países Baixos não encontrou nenhum traço de matéria escura na galáxia AGC 114905, apesar de fazer medições detalhadas ao longo de quarenta horas com telescópios de última geração. Ler fonte
Estudando a bolha protetora do nosso Sistema Solar (via Universidade de Boston)
Uma equipa multi-institucional de astrofísicos sediada na Universidade de Boston, liderada pela astrofísica Merav Opher, fez uma descoberta revolucionária na nossa compreensão das forças cósmicas que moldam a bolha protetora em torno do nosso sistema solar - uma bolha que protege a vida na Terra e é conhecida pelos investigadores espaciais como heliosfera. Ler fonte
Álbum de fotografias - Cometa Leonard e a Galáxia da Baleia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Gregg Ruppel
Voando pelos céus do hemisfério norte antes do amanhecer, esta composição telescópica do Cometa Leonard (C/2021 A1) foi obtida dia 24 de novembro e mostra o viajante a "fotobombar" duas galáxias de fundo. Ostentando uma cabeleira esverdeada, a cauda empoeirada do cometa parece arpoar o coração de NGC 4631 (topo), também conhecida como a Galáxia da Baleia. Claro, NGC 4631 e NGC 4656 (em baixo, também conhecida como Taco de Hóquei) são galáxias de fundo a cerca de 25 milhões de anos-luz de distância. Naquela data, o cometa estava a cerca de 6 minutos-luz do nosso planeta. Com a sua maior aproximação à Terra (e aproximação ainda mais íntima a Vénus) ainda por ocorrer, o Cometa Leonard ficará mais brilhante neste mês de dezembro. Já um bom objeto para binóculos e pequenos telescópios, este cometa provavelmente já não regressará ao Sistema Solar interior. O seu periélio, ou menor distância do Sol, será no dia 3 de janeiro de 2022.
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