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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1981  
  03/03 a 06/03/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 3 de março de 2023
Hora: 19:00
Local: Forte do Rato
No próximo dia 3 de março, realiza-se mais uma sessão das Noites Astronómicas em Tavira e será possível observar diferentes constelações e planetas presentes nesta noite. Teremos também a oportunidade de observar a Lua. A sessão gratuita decorre pelas 19:00 no Forte do Rato. Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Os Equinócios

Data: 9 de março de 2023
Hora: 18:30-19:30
Em março chega até nós a Primavera, e o momento que a anuncia é o equinócio. Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade. A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 03/03: 62.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1968, nascia Brian Cox, físico inglês, conhecido por apresentar vários programas televisivos de ciência. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objetivo de testar o módulo lunar.
Em 2005, graças a observações do VLT do ESO e do XMM-Newton da ESA, astrónomos anunciam a descoberta da estrutura mais distante e mais massiva do Universo até à data. É um remoto enxame galáctico com milhares de vezes a massa da Via Láctea e está a mais de 9 mil milhões de anos-luz de distância.
HOJE, NO COSMOS:
Vénus está agora para cima de Júpiter ao anoitecer. Estão separados por 2º.

 

DIA 04/03: 63.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística. 

Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein. 
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteroide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra. 
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
HOJE, NO COSMOS:
Olhando para este, a Lua forma um triângulo isósceles com Régulo e com Algieba (Gamma Leonis).

 

DIA 05/03: 64.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Júpiter, quando passa a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase Cheia, brilha entre Régulo e Algieba (Gamma Leonis). O luar interfere? Os binóculos ajudam. As estrelas estão a cerca de 4º e 4,5º do centro da Lua, respetivamente, menos do que um típico campo de visão binocular.

 

DIA 06/03: 65.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

HOJE, NO COSMOS:
A Lua continua a sua viagem pela constelação de Leão. Esta noite, o triângulo isósceles do passado dia 4 de março, composto pelo nosso satélite natural, por Régulo e por Algieba, está invertido.

 
 
   
IXPE da NASA desvenda mistérios da histórica supernova Tycho
 
Utilizando dados do IXPE da NASA, investigadores internacionais descobriram novas informações sobre o remanescente de supernova Tycho, uma estrela que explodiu na direção da constelação de Cassiopeia e cuja luz foi vista pela primeira vez na Terra em 1572. Os resultados fornecem novas pistas sobre como as ondas de choque criadas por estas explosões estelares titânicas aceleram as partículas até quase à velocidade da luz e revelam, pela primeira vez, a geometria dos campos magnéticos próximos da onda de choque da supernova, que forma um limite em torno do material ejectado, como se vê nesta composição. Os dados IXPE (roxo escuro e branco) foram combinados com dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA (vermelho e azul) e sobrepostos com as estrelas no campo de visão, campo este capturados pelo DSS (Digitized Sky Survey).
Crédito: raios-X do IXPE - NASA/ASI/MSFC/INAF/R. Ferrazzoli, et al.; raios-X do Chandra - NASA/CXC/RIKEN & GSFC/T. Sato et al.; ótico - processamento de imagens DSS: NASA/CXC/SAO/K. Arcand, L.Frattare e N.Wolk
 

Uma equipa internacional de cientistas descobriu novas informações sobre os remanescentes de uma estrela cuja explosão foi avistada há 450 anos. Os resultados fornecem novas pistas sobre como as condições das ondas de choque criadas por explosões estelares titânicas, chamadas supernovas, aceleram as partículas para perto da velocidade da luz.

O remanescente de supernova chama-se Tycho, em honra ao astrónomo dinamarquês Tycho Brahe, que notou o grande brilho desta nova "estrela" na constelação de Cassiopeia em 1572. No novo estudo, os astrónomos utilizaram o IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA para estudar os raios-X polarizados do remanescente de supernova Tycho.

O IXPE revelou, pela primeira vez, a geometria dos campos magnéticos perto da onda de choque, que ainda se está a propagar a partir da explosão inicial e que forma um limite em torno do material ejetado. A compreensão da geometria do campo magnético permite aos cientistas investigar mais eficazmente a forma como as partículas são ali aceleradas.

"Sendo uma das chamadas supernovas históricas, Tycho foi observada pela humanidade no passado e teve um duradouro impacto social e até artístico", disse o Dr. Riccardo Ferrazzoli, investigador do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica) em Roma, Itália, parceiro da NASA na missão IXPE. "É emocionante estar aqui, 450 anos após a sua primeira aparição no céu, para ver este objeto outra vez mas com novos olhos e para aprender mais com ele". Ferrazzoli é o autor principal de um artigo, publicado na revista The Astrophysical Journal, acerca das novas descobertas no remanescente de supernova Tycho.

A medição da polarização dos raios-X diz aos cientistas a direção e a ordenação média do campo magnético das ondas de luz que compõem os raios-X de uma fonte altamente energética como Tycho. Os raios-X polarizados são produzidos por eletrões que se movem no campo magnético num processo chamado "emissão de sincrotrão". A direção da polarização, a partir dos raios-X, pode ser mapeada de volta à direção dos campos magnéticos no local onde os raios-X foram gerados. Esta informação ajuda os cientistas a abordar algumas das maiores questões da astrofísica, tais como a forma como Tycho e outros objetos aceleram partículas mais perto da velocidade da luz do que os aceleradores de partículas mais poderosos da Terra.

"O processo pelo qual um remanescente de supernova se torna um acelerador de partículas envolve uma dança delicada entre a ordem e o caos", disse Patrick Slane, astrofísico sénior do Centro para Astrofísica em Harvard, Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts. "São necessários campos magnéticos fortes e turbulentos, mas o IXPE está a mostrar-nos que há uma uniformidade, ou coerência em grande escala, aqui também envolvida, estendendo-se até aos locais onde a aceleração está a ocorrer".

Durante as suas décadas de funcionamento, o Observatório de raios-X Chandra da NASA tem observado repetidamente o remanescente de supernova Tycho, ajudando os investigadores a fazer descobertas marcantes sobre esta estrutura fascinante. Com a sua capacidade de identificar e seguir a luz polarizada de raios-X, o IXPE apoia-se nas bases estabelecidas pelo Chandra. A informação do IXPE permite aos cientistas compreender melhor o processo pelo qual os raios cósmicos, partículas altamente energéticas que permeiam a nossa Galáxia, são acelerados por remanescentes de supernova.

O IXPE ajudou a mapear a forma do campo magnético de Tycho com clareza e numa escala sem precedentes. Embora observatórios anteriores tenham analisado o campo magnético de Tycho no rádio, o IXPE mediu a forma do campo em escalas inferiores a um parsec, ou cerca de 3,26 anos-luz - um tamanho vasto em termos de experiência humana, mas o mais perto que os investigadores alguma vez chegaram de observar a fontes dos "raios cósmicos" altamente energéticos emitidos por um destes fenómenos cósmicos. Esta informação é valiosa à medida que os cientistas exploram a forma como as partículas são aceleradas na sequência da onda de choque da explosão inicial.

Os investigadores também documentaram semelhanças e diferenças surpreendentes entre as descobertas do IXPE em Tycho e no remanescente de supernova Cassiopeia A, um alvo de estudo anterior. As direções gerais dos campos magnéticos em ambos os remanescentes de supernova parecem ser radiais, esticados para longe. Mas Tycho forneceu um grau de polarização de raios-X muito mais elevado do que Cassiopeia A, sugerindo que pode possuir um campo magnético mais ordenado e menos turbulento.

A supernova Tycho está classificada como do Tipo Ia, que ocorre quando uma estrela anã branca num sistema binário desfaz a sua estrela companheira, capturando alguma da sua massa e provocando uma violenta explosão. A destruição da anã branca envia destroços para o espaço a uma velocidade tremenda. Pensa-se que tais eventos são a fonte da maioria dos raios cósmicos galácticos encontrados no espaço, incluindo os que bombardeiam continuamente a atmosfera terrestre.

A explosão de supernova Tycho, propriamente dita, libertou tanta energia quanto o Sol ao longo de 10 mil milhões de anos. Esse brilho tornou a supernova de Tycho visível a olho nu aqui na Terra em 1572, quando foi avistada por Brahe e por outros observadores, incluindo potencialmente um jovem William Shakespeare, com 8 anos, que viria a descrevê-la em finais do século XVI, início do século XVII, na primeira cena da sua obra "Hamlet".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Remanescente de supernova Tycho (SN 1572):
Wikipedia
SolStation.com

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
CCVAlg - Astronomia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

IXPE:
NASA
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

Tycho Brahe:
Wikipedia

 
   
Estrela bebé perto de Sagitário A*: afinal de contas existe mesmo

Os cientistas detetaram a estrela mais jovem e mais massiva jamais descoberta perto do buraco negro no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea. Identificaram também a região onde esta "estrela impossível" pode ter sido formada numa publicação na revista The Astrophysical Journal.

Uma equipa internacional de investigadores, sob a liderança do Dr. Florian Peißker do Instituto de Astrofísica da Universidade de Colónia (Alemanha), descobriu uma estrela muito jovem perto do buraco negro supermassivo Sagitário A* (Sgr A*) no centro da nossa Via Láctea. A estrela tem apenas algumas dezenas de milhares de anos, o que a torna mais jovem do que a espécie humana. O que a estrela bebé X3a tem de especial é que, teoricamente, nem deveria poder existir tão perto do buraco negro supermassivo em primeiro lugar. No entanto, a equipa pensa que ela se formou numa nuvem de poeira em torno de Sgr A* e só depois é que assentou na sua órbita atual.

 
Imagem do Centro Galáctico.A inserção da esquerda, a azul claro, mostra a posição do sistema X3, bem como das estrelas brilhantes S3-373, S3-374, and S3-375. A caixa à direita, a azul escuro, mostra a posição da estrela X3a e dos seus arredores difusos. A cruz amarela assinala a posição do buraco negro supermassivo Sgr A*.
Crédito: Florian Peißker
 

Pensa-se que a vizinhança em redor do buraco negro no centro da nossa Galáxia é caracterizada por processos altamente dinâmicos e por radiação UV e raios-X. Estas condições atuam precisamente contra a formação de estrelas como o nosso Sol. Por conseguinte, durante muito tempo os cientistas tinham assumido que, ao longo de milhares de milhões de anos, apenas estrelas velhas e evoluídas podiam lá assentar por fricção dinâmica. No entanto, surpreendentemente, já há vinte anos tinham sido encontradas estrelas muito jovens nas imediações de Sgr A*. Ainda não se sabe como estas estrelas lá chegaram ou onde se formaram. A ocorrência de estrelas muito jovens, muito próximas do buraco negro supermassivo, tem sido referida como "o paradoxo da juventude".

A estrela bebé X3a - que é dez vezes maior e quinte vezes mais massiva do que o nosso Sol - poderá agora encurtar a divisória entre a compreensão dos processos de formação estelar e as estrelas jovens na vizinhança imediata de Sgr A*. X3a precisa de condições especiais para se formar na vizinhança do buraco negro. Florian Peißker, o primeiro autor do artigo científico, explicou: "Ao que parece há uma região, a uma distância de alguns anos-luz do buraco negro, que preenche as condições para a formação de estrelas. Esta região, um anel de gás e poeira, é suficientemente fria e está protegida contra a radiação destrutiva". As baixas temperaturas e as altas densidades criam um ambiente em que se podem formar nuvens com centenas de vezes a massa do Sol. Estas nuvens podem, em princípio, mover-se muito depressa em direção ao buraco negro devido a colisões entre elas e a dispersões, eventos estes que removem momento angular.

Além disso, zonas muito quentes, formadas nas proximidades da estrela bebé, podem então ser acretadas por X3a. Estes aglomerados de matéria podem, portanto, contribuir para que X3a atinja uma massa tão elevada. No entanto, são apenas uma parte da história da formação de X3a. Ainda não explicam o seu "nascimento".

Os cientistas assumem que o seguinte cenário é possível: protegida da influência gravitacional de Sgr A* e da radiação intensa, uma nuvem suficientemente densa pode ter-se formado no anel exterior de gás e poeira em torno do centro da Galáxia. Esta nuvem tinha uma massa de cerca de sem sóis e colapsou sob a sua própria gravidade para uma ou mais protoestrelas. "Este período de tempo corresponde aproximadamente à idade de X3a", acrescentou Peißker. As observações mostraram que existem muitas destas nuvens que podem interagir umas com as outras. É por isso provável que uma nuvem caia de vez em quando em direção ao buraco negro.

Este cenário também se enquadraria na fase de desenvolvimento estelar de X3a, que está atualmente a evoluir para uma estrela madura. É, portanto, bastante plausível que o anel de gás e poeira atue como o local de nascimento das jovens estrelas no centro da nossa Galáxia. O Dr. Michal Zajaček da Universidade de Brno (República Checa), coautor do estudo, explica: "Com a sua elevada massa de cerca de vezes a massa do Sol, X3a é uma gigante entre as estrelas, e estas gigantes evoluem muito depressa para a maturidade. Tivemos a sorte de detetar a enorme estrela no meio do invólucro circunstelar em forma de cometa. Subsequentemente, identificámos características-chave associadas a uma idade jovem, tais como o invólucro circunstelar compacto que gira à sua volta".

Uma vez que anéis semelhantes de poeira e gás podem ser encontrados noutras galáxias, o mecanismo descrito poderia aplicar-se aí também. Muitas galáxias podem, portanto, acolher estrelas muito jovens nos seus próprios centros. Observações com o Telescópio Espacial James Webb da NASA, ou com o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO no Chile, vão testar este modelo de formação estelar para a nossa Via Láctea, bem como para outras galáxias.

// Universidade de Colónia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Observação de X3 (Florian P via YouTube)

 


Quer saber mais?

Sagitário A*:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

 
   
Dados da DART validam técnica de impacto cinético como método de defesa planetária

Desde que a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA atingiu com sucesso o seu alvo há quase cinco meses, no dia 26 de setembro - alterando a órbita da lua asteroidal Dimorphos em 33 minutos - que a equipa tem estado a trabalhar arduamente na análise dos dados recolhidos da primeira missão de testes de defesa planetária.

A missão DART utilizou uma técnica de deflexão de asteroides conhecida como "impacto cinético", o que nos termos mais simples significa esmagar uma coisa noutra coisa - neste caso, uma nave espacial num asteroide. A partir dos dados, a equipa de investigação da DART, liderada pelo APL (Johns Hopkins Applied Physics Laboratory) em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, descobriu que uma missão de impacto cinético como a DART pode ser eficaz na alteração da trajetória de um asteroide, um grande passo em direção ao objetivo de evitar futuros impactos de asteroides com a Terra. Estas descobertas foram publicadas em quatro artigos científicos na revista Nature.

 
Esta imagem ilustra a "pegada" da nave espacial DART e dos seus dois longos painéis solares no local onde colidiu com Dimorphos. O maior pedregulho, perto do local de impacto, tem cerca de 6,5 metros de comprimento. A DART obteve a imagem subjacente três segundos antes do impacto.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins
 

"Eu aplaudi quando a DART bateu de cabeça no asteroide para a primeira demonstração mundial de tecnologia de defesa planetária, e isso foi apenas o começo", disse Nicola Fox, administradora associada do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Estas descobertas contribuem para a nossa compreensão fundamental dos asteroides e constroem uma base para a forma como a humanidade pode defender a Terra de um asteroide potencialmente perigoso, alterando a sua trajetória".

O primeiro artigo relata em detalhe a demonstração bem-sucedida da tecnologia de impacto cinético da DART: a reconstrução do impacto, propriamente dito, relatando a linha temporal que conduziu ao impacto, especificando em detalhe a posição e a natureza do local de impacto e registando a forma e o tamanho de Dimorphos.

Os autores, liderados por Terik Daly, Carolyn Ernst e Olivier Barnouin do APL, notam que a bem-sucedida mira autónoma da DART, com observações prévias limitadas, é um primeiro passo crítico no caminho para o desenvolvimento da tecnologia de impacto cinético como uma capacidade operacional viável para a defesa planetária.

As suas descobertas mostram que a interceção de um asteroide com um diâmetro inferior a um quilómetro, como Dimorphos, pode ser alcançada sem uma missão de reconhecimento antecipado, embora o reconhecimento antecipado fornecesse informações valiosas para o planeamento e para a previsão do resultado. O que é necessário é tempo de aviso suficiente - vários anos no mínimo, mas de preferência décadas. "No entanto", afirmam os autores no artigo, o sucesso da DART "constrói otimismo acerca da capacidade da humanidade em proteger a Terra da ameaça de um asteroide".

O segundo artigo utiliza duas abordagens independentes baseadas em observações terrestres da curva de luz e de radar. A equipa de investigação, liderada por Christina Thomas da Universidade do Norte do Arizona, chegou a duas medições consistentes da mudança de período devido ao impacto cinético: 33 minutos ± 1 minuto. Esta grande alteração indica que o recuo do material escavado do asteroide pelo impacto e ejetado para o espaço contribuiu para uma alteração significativa do momento do asteroide, para além da própria nave espacial DART.

A chave para o impacto cinético é que o "empurrão" no asteroide vem não só da colisão da nave espacial, mas também deste recuo de material ejetado. Os autores concluem: "Para servir de prova de conceito para a técnica de impacto cinético de defesa planetária, a DART precisava de demonstrar que um asteroide podia ser alvo de um encontro a alta velocidade e que a órbita do alvo podia ser alterada. A DART fez ambos com sucesso".

 
Quando a nave espacial DART colidiu com o asteroide Dimorphos, o seu corpo bateu entre dois grandes pedregulhos, enquanto que os seus dois painéis solares impactaram essas rochas. A superfície amarela é um modelo digital do terreno do local do impacto feito a partir de imagens DART e a renderização da nave espacial DART retrata a sua posição algumas dezenas de microssegundos antes do evento. A linha branca que se estende da parte de trás da nave espacial mostra a trajetória da nave espacial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins
 

No terceiro artigo científico, a equipa de investigação, liderada por Andrew Cheng do APL, calculou a mudança de momento transferido para o asteroide como resultado do impacto cinético da DART, estudando a mudança no período orbital de Dimorphos. Descobriram que o impacto provocou uma desaceleração instantânea da velocidade de Dimorphos ao longo da sua órbita de cerca de 2,7 mm/s - mais uma vez indicando que o recuo do material ejetado desempenhou um papel importante na amplificação da mudança de momento diretamente conferida ao asteroide pela nave espacial. Essa mudança de momento foi amplificada por um fator de 2,2 a 4,9 (dependendo da massa de Dimorphos), indicando que a mudança de momento, transferido devido à produção de material ejetado, excedeu significativamente a mudança de momento apenas da nave espacial DART.

Esta descoberta "[valida] a eficácia do impacto cinético para prevenir futuras colisões de asteroides com a Terra", concluem os autores.

O valor científico da DART vai além da validação da técnica de impacto cinético como meio de defesa planetária. Ao colidir com Dimorphos, a missão abriu novo caminho no estudo dos asteroides. O impacto da DART transformou Dimorphos num "asteroide ativo" - uma rocha espacial que orbita como um asteroide, mas que tem uma cauda de material como um cometa - o que foi detalhado no quarto artigo por Jian-Yang Li do PSI (Planetary Science Institute).

Embora os cientistas tivessem proposto que alguns asteroides ativos são o resultado de eventos de impacto, até agora ninguém tinha observado a "ativação" de um asteroide. A missão DART ativou Dimorphos sob condições de impacto conhecidas com precisão e cuidadosamente observadas, permitindo pela primeira vez o estudo detalhado da formação de um asteroide ativo.

"A DART, como uma experiência de impacto controlado à escala planetária, fornece uma caracterização detalhada do alvo, da morfologia do material ejetado e de todo o processo de evolução desse material", escrevem os autores. "A DART continuará a ser o modelo para estudos de asteroides recém-descobertos que mostram atividade provocada por impactos naturais".

"Estamos muito orgulhosos da equipa DART e dos últimos resultados da investigação", disse Jason Kalirai, executivo do APL. "Com as atividades centrais de análise a começarem após o impacto com Dimorphos, os resultados demonstram o sucesso da técnica de impacto cinético - preparando um futuro brilhante para a defesa planetária".

// NASA (comunicado de imprensa)
// PSI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Instituto SETI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Nature)
// Artigo científico #2 (Nature)
// Artigo científico #3 (Nature)
// Artigo científico #4 (Nature)
// Missão DART da NASA confirma que colidir naves com asteroides pode deflecti-los (NASA via YouTube)
// Hubble captura filme dos detritos do impacto de asteroide da DART (ESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
27/12/2022 - Resultados iniciais da missão DART
04/11/2022 - Experiência ajuda a prever os efeitos do impacto da DART
14/10/2022 - NASA confirma que o impacto da missão DART mudou o movimento do asteroide Dimorphos pelo espaço
27/09/2022 - A missão DART atinge o asteroide Dimorphos; é o primeiro teste de defesa planetária
09/09/2022 - DART já vê o seu destino, o asteroide Didymos e a pequena lua Dimorphos
13/11/2018 - Trabalho de detetive cósmico: a importância das rochas espaciais

Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
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DART (Double Asteroid Redirection Test):
NASA
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Didymos e Dimorphos:
Didymos (Wikipedia)
Dimorphos (Wikipedia)

 
   
Também em destaque
  Explosão galáctica fornece, aos astrofísicos, novas informações sobre o cosmos (via Universidade Estatal do Ohio)
Utilizando dados do primeiro ano de observação do Telescópio Espacial James Webb, uma equipa internacional de investigadores conseguiu visualizar, de forma fortuita, uma explosão de supernova numa distante galáxia espiral. O estudo fornece novas medições infravermelhas de uma das galáxias mais brilhantes do nosso "bairro" cósmico, NGC 1566. Localizada a cerca de 40 milhões de anos-luz da Terra, o centro extremamente ativo da galáxia levou-a a tornar-se especialmente popular entre os cientistas que pretendem aprender mais sobre como as nebulosas se formam e evoluem. Ler fonte
     
  Descobertas moléculas orgânicas nas primeiras amostras de um asteroide primitivo enviadas para a Terra (via Carnegie Science)
Aproximadamente 20.000 moléculas orgânicas compostas de carbono, hidrogénio, azoto, oxigénio ou enxofre foram encontradas em amostras do asteroide Ryugu, enviadas para a Terra pela missão Hayabusa2 da JAXA. A Hayabusa2 foi a primeira missão a trazer para a Terra material de um asteroide primitivo, fornecendo uma visão única sobre os blocos de construção a partir dos quais o nosso Sistema Solar foi formado e a possível origem do material orgânico que contribuiu para a habitabilidade da Terra. Ler fonte
     
  Astrónomos medem o "bater do coração" das estrelas de neutrões (via Universidade de Manchester)
Uma equipa internacional de cientistas utilizou o radiotelescópio MeerKAT para observar o "bater do coração" do Universo à medida que estrelas de neutrões nascem e formam tempestades que duram milhões de anos. Os pulsares de rádio são estrelas de neutrões giratórias a partir das quais podemos observar flashes de ondas de rádio, como a luz de um farol. Com massas de cerca de uma vez e meia a massa do Sol, e tamanhos de apenas cerca de 25 km, as estrelas de neutrões são as estrelas mais densas conhecidas. Giram extremamente depressa, normalmente uma vez a cada milésimo de segundo a cada dez segundos, só diminuindo gradualmente à medida que envelhecem. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
A Nebulosa da Estrela Flamejante

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Thomas Röell
 
A estrela AE Aurigae é chamada de "Estrela Flamejante" e a nebulosa circundante, IC 405, é chamada de Nebulosa da Estrela Flamejante. Embora a nebulosa pareça a alguns uma chama rodopiante, não há lá fogo. O fogo, tipicamente definido como a rápida aquisição molecular de oxigénio, ocorre apenas quando existe oxigénio suficiente e não é importante em ambientes altamente energéticos e com baixo teor de oxigénio, tais como as estrelas. A brilhante estrela AE Aurigae, perto do centro da Nebulosa da Estrela Flamejante, é tão quente que brilha em tons de azul, emitindo luz tão energética que afasta os eletrões do gás circundante. Quando um protão recaptura um eletrão, é emitida luz, como se vê na nebulosa de emissão circundante. Esta imagem, capturada há três semanas, mostra a Nebulosa da Estrela Flamejante (para a esquerda do centro da imagem) e os "Girinos" vermelhos de IC 410 (lado esquerdo da imagem) com um "visitante" para a sua direita: o Cometa ZTF. IC 405 encontra-se a cerca de 1500 anos-luz de distância, estende-se por mais ou menos 5 anos-luz e é visível com um pequeno telescópio na direção da constelação de Cocheiro.
 
   
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