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Edição n.º 892
21/09 a 24/09/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 21/09: 265.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, a Mariner 10 faz o seu segundo voo rasante por Mercúrio

Em 2003 termina a missão da Galileu, quando a sonda entra na atmosfera de Júpiter e é esmagada pela pressão a baixas altitudes.
Observações: Desde 1844 que os observadores de céu profundo conhecem o enxame M11 como o enxame do Pato Selvagem. Aproveite a noite para o observar com binóculos na direcção da constelação de Escudo.

Dia 22/09: 266.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, numa passagem arriscada, a sonda da NASA Deep Space 1 navega com êxito pelo Cometa Borrelly, dando aos cientistas o melhor olhar de dentro do núcleo denso e gelado de pó e gás (até à data).

Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).
Observações: Começa o Outono, às 16:49.
Lua em Quarto Crescente, pelas 20:41.

Dia 23/09: 267.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contacto com a Mars Climate Orbiter. 

Observações: A partir das 03:55 e até às 06:00 é possível observar a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 24/09: 268.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.

Observações: Esta é a altura do ano em que, após o anoitecer, a ténue Ursa Menor (precisa de um céu escuro) parece "deitar" água para a Ursa Maior.

 
CURIOSIDADES


Vénus é o planeta do Sistema Solar com o dia mais longo (243 dias terrestres). De facto, o dia venusiano dura mais que o seu ano, que dura 224,7 dias terrestres.

 
ROVER CURIOSITY APONTA ARMAS PARA ROCHA INVULGAR NA SUA VIAGEM

O rover Curiosity chegou a uma rocha com o tamanho de uma bola de futebol, que será o primeiro alvo de estudo do seu braço robótico.

O Curiosity está a cerca de 2,5 metros da rocha. Está situado a metade do caminho entre o local de aterragem do rover, Bradbury Landing, e um local chamado Glenelg. Nos próximos dias, a equipa planeia tocar na rocha com um espectrómetro para determinar a sua composição e usar uma câmara acoplada ao braço para obter fotografias de perto.

Tanto o instrumento APXS (Alpha-Particle X-ray Spectrometer) no braço como o laser ChemCam no mastro serão usados para identificar os elementos na rocha. Isto permitirá o cruzamento dos dados obtidos pelos dois instrumentos.

A viagem do rover Curiosity da NASA durante o seu 43.º dia marciano, ou sol, (19 de Setembro) acabou a 2,5 metros desta rocha.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A rocha foi apelidada de "Jake Matijevic". Jacob Matijevic foi o engenheiro-chefe dos sistemas de operações à superfície para o MSL e para o projecto do rover Curiosity. Faleceu a 20 de Agosto, tinha 64 anos. Matijevic foi também um engenheiro líder de todos os anteriores rovers da NASA: Sojourner, Spirit e Opportunity.

O Curiosity já viajou agora seis dias seguidos. As distâncias diárias variam entre os 22 e 37 metros. "Este robot foi construído para viajar, e a equipa está realmente ficando com um bom ritmo de condução, dia após dia, quando é essa a prioridade," afirma Richard Cook, gestor do projecto MSL no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

A equipa pretende escolher uma rocha na área de Glenelg para o primeiro uso da capacidade do rover em analisar pó perfurado obtido do interior de rochas. Três tipos de terreno cruzam-se na área de Gleneg -- um com tom mais claro, outro mais craterado e o tipo de terreno que o Curiosity está agora a atravessar. A área mais clara é de especial interesse porque retém o calor do dia pela noite dentro, sugerindo uma composição invulgar.

Este mosaico obtido pela MastCam do Curiosity mostra uma ampliação na direcção da área apelidada de Glenelg, onde três tipos de terrenos se cruzam.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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"Como estamos chegando mais perto da área clara, vemos faixas escuras e finas de origem desconhecida," afirma John Grotzinger, cientista do projecto MSL do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. "A diversidade de pequena-escala é cada vez mais evidente à medida que nos aproximamos, proporcionando mais alvos potenciais para investigação."

Os cientistas estão usando a MastCam para encontrar potenciais alvos no solo. Recentes novas imagens obtidas pelas câmaras do rover revelam estrias escuras em rochas na área de Glenelg que têm fomentado o interesse dos investigadores na área. Além de capturar imagens da superfície, a câmara também tem estado ocupada a olhar para o céu.

Em dois dias recentes, o Curiosity apontou a MastCam para o Sol e registou imagens das duas luas de Marte, Phobos e Deimos, passando em frente do Sol a partir do ponto de vista do robot. Os resultados destas observações dos trânsitos fazem parte de um estudo a longo-prazo de alterações nas órbitas das luas. Os rovers gémeos da NASA, o Spirit e Opportunity, que chegaram a Marte em 2004, também observaram trânsitos solares das luas de Marte. O Opportunity também terá outra oportunidade esta semana.

Marte tem duas pequenas luas com o tamanho de asteróides, chamadas Phobos e Deimos. Do ponto de vista do rover, localizado perto do equador de Marte, estas luas passam ocasionalmente em frente, ou "transitam", o disco do Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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"Phobos está numa órbita que se aproxima muito lentamente de Marte, e Deimos está numa órbita que se afasta muito lentamente de Marte," afirma Mark Lemmon, co-investigador científico do Curiosity, da Universidade A&M do Texas em College Station. "Estas observações ajudam-nos a reduzir a incerteza nos cálculos das mudanças."

Nas observações de Phobos pelo Curiosity esta semana, o momento em que a borda da lua começou a sobrepor-se ao disco do Sol foi previsível com apenas segundos de diferença. A incerteza no momento exacto deve-se ao interior de Marte não ser totalmente compreendido.

Phobos provoca pequenas alterações à forma de Marte, da mesma maneira que a Lua da Terra levanta marés. As alterações na forma de Marte dependem do interior marciano que, por sua vez, levam à deterioração da órbita de Phobos. A cronometragem mais precisa da mudança orbital fornece informações sobre a estrutura interior de Marte.

Durante a missão principal de dois anos do Curiosity, os investigadores vão usar 10 instrumentos científicos para avaliar se o local seleccionado dentro da Cratera Gale já ofereceu condições ambientais favoráveis para a vida microbiana.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Mars Daily
New Scientist
redOrbit
PHYSORG
Wired
Discovery News
BBC News
Reuters

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia
A Ciência do Curiosity (YouTube) 
Química em Marte: a missão do Curiosity (YouTube)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Phobos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Deimos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TELESCÓPIOS DA NASA ESPIAM GALÁXIA ULTRA-DISTANTE

Com o poder combinado dos telescópios Spitzer e Hubble, assim como um efeito de ampliação cósmico, os astrónomos descobriram o que poderá ser a galáxia mais distante já observada. A luz da jovem galáxia capturada pelos observatórios espaciais brilhou pela primeira vez quando o nosso Universo de 13,7 mil milhões de anos tinha apenas 500 milhões de anos.

A longínqua galáxia existiu numa era importante em que o Universo começava a transitar da chamada Idade das Trevas cósmica. Durante este período, o Universo passou de uma vastidão escura e sem estrelas para um cosmos reconhecível e cheio de galáxias. A descoberta desta ténue e pequena galáxia abre uma janela para as mais profundas e remotas épocas da história cósmica.

"Esta galáxia é o objecto mais distante que já observámos com alta confiança," afirma Wei Zheng, investigador principal no departamento de física e astronomia da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA, autor principal de um novo estudo publicado na revista Nature. "O trabalho futuro que envolve esta galáxia, bem como outras como ela que esperamos encontrar, vai permitir estudar os objectos mais antigos do Universo e como a Idade das Trevas terminou."

Na grande imagem, as muitas galáxias de um massivo enxame chamado MACS J1149+2223 dominam a cena. As lentes gravitacionais fizeram com que o enxame aumentasse o brilho da luz da galáxia recém-descoberta, conhecida como MACS 1149-JD, cerca de 15 vezes. Em cima e à direita, uma ampliação parcial mostra MACS 1149-JD em mais detalhe, e um zoom ainda maior está à direita e em baixo.
Crédito: NASA/ESA/STScI/JHU
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A luz da galáxia primordial viajou cerca de 13,2 mil milhões de anos antes de chegar aos telescópios da NASA. Por outras palavras, a luz das estrelas capturada pelo Hubble e Spitzer deixou a galáxia quando o Universo tinha apenas 3,6% da sua idade actual. Tecnicamente falando, a galáxia tem um desvio para o vermelho, ou "z", de 9,6. O termo "desvio para o vermelho" refere-se à quantidade de luz de um objecto que mudou para comprimentos de onda mais longos, como resultado da expansão do Universo. Os astrónomos usam o desvio para o vermelho para descrever distâncias cósmicas.

Ao contrário das anteriores descobertas de candidatas a galáxias nesta faixa de idade, que foram apenas vislumbradas num única cor, ou banda, esta galáxia recém-descoberta foi vista em cinco bandas diferentes. Como parte do programa CLASH (Cluster Lensing And Supernova Survey with Hubble), o telescópio registou a recém-descrita e distante galáxia em quatro bandas do espectro visível e infravermelho. O Spitzer mediu uma quinta banda infravermelha mas mais longa, colocando a descoberta em terreno mais firme.

Objectos nestas distâncias extremas estão na sua maioria para lá da sensibilidade de detecção dos maiores telescópios actuais. Para capturar estas galáxias distantes e primordiais, os astrónomos contaram com a ajuda de lentes gravitacionais. Neste fenómeno, previsto por Albert Einstein há mais de um século, a gravidade deforma os objectos em primeiro plano e amplia a luz de objectos de fundo. Um aglomerado massivo de galáxias situado entre a nossa Galáxia e a recém-descoberta galáxia ampliou a sua radiação, aumentando o brilho do objecto remoto cerca de 15 vezes e tornando-o visível.

Com base nas observações do Hubble e do Spitzer, os astrónomos pensam que a distante galáxia tinha menos de 200 milhões de anos quando foi vista. É também pequena e compacta, contendo apenas cerca de 1% da massa da Via Láctea. De acordo com as teorias cosmológicas actuais, as primeiras galáxias deviam na verdade ter começado pequenas. Progressivamente foram fundindo-se, eventualmente acumulando-se nas galáxias consideráveis do Universo mais moderno.

Estas primeiras galáxias provavelmente desempenharam um papel dominante na Era da Reionização, o evento que marca o fim da Idade das Trevas do Universo. Esta época começou cerca de 400.000 anos após o Big Bang, quando o hidrogénio gasoso neutro foi formado a partir de partículas em arrefecimento. As primeiras estrelas e galáxias luminosas surgiram algumas centenas de milhões de anos depois. Pensa-se que a energia libertada por essas primeiras galáxias fez com que o hidrogénio neutro espalhado pelo Universo se ionizasse, ou perdesse um electrão, um estado que o gás tem mantido desde aí.

"Em essência, durante a época da reionização, as luzes acenderam-se no Universo," afirma Leonidas Moustakas, co-autor do artigo e investigador no JPL da NASA, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA.

Os astrónomos planeiam estudar o aparecimento das primeiras estrelas e galáxias e a época da reionização com o sucessor do Hubble e do Spitzer, o Telescópio James Webb, que tem lançamento previsto para 2018. A distante galáxia recém-descrita será provavelmente um alvo principal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
ScienceBlog

Universo:
Universo (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Desvio para o Vermelho (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial James Webb:
NASA
ESA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Analema do nascer-do-Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tunç Tezel (TWAN)
 
Um analema é aquela figura tipo-8 com que ficamos quando marcamos a posição do Sol à mesma hora em cada dia do ano terrestre. Neste caso, 17 imagens individuais capturadas às 02:31 UT entre 2 de Abril e 16 de Setembro seguem metade da curva do analema, na direcção Este do Sol nascente e do mar Cáspio, obtidas em Baku, Azerbaijão. Com o Sol mais próximo do horizonte, estas datas compreendem quase o período entre os equinócios de 2012 a 20 de Março e 22 de Setembro. O solstício de 20 de Junho corresponde ao topo da figura do número 8 à esquerda, quando o Sol estava posicionado na sua declinação mais a norte. Claro, este ano a exposição obtida a 6 de Junho continha algo extra. Ligeiramente modificada, a ténue mancha escura no brilhante disco solar perto do topo da imagem é o planeta Vénus, capturado num raro trânsito durante este projecto de analema cuidadosamente planeado.
 

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